Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

Sob A Providência Superior

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você sempre diz que O Livro do Zohar às vezes pode ser uma cura e, às vezes, o veneno. O que isso significa?

Resposta: Os Cabalistas descrevem este dilema usando a alegoria de escolher entre o elixir da vida e a poção da morte, ou trazendo o exemplo do galo e do morcego. Tudo depende da intenção da pessoa: é o desejo pelo objetivo que a motiva? Isso não significa que ao abrir um livro de Cabalá ela necessariamente tem que se concentrar no verdadeiro objetivo porque senão vai receber a poção da morte. É impossível exigir essas coisas. Assim, o Criador dá à pessoa as intenções certas, assim como um bebê que está sob a supervisão integral de um adulto.

Mesmo se uma pessoa vem para estudar, sem nenhum conhecimento básico, e pensa em tudo o que sente, não é realmente ela que pensa e que está em agindo. De Cima, ela recebe supervisão e cuidado constante. Se você pudesse ver isso de fora, você veria que a pessoa é como um bebê recém-nascido, que não tem nada seu. É simplesmente um sistema, um “corpo”, que funciona de acordo com um plano. Ela é equipado com tudo o que precisa, absorvendo e emitindo o que tem e, portanto, cresce. Neste ponto, a pessoa não tem livre arbítrio e discernimento.

Aos poucos, porém, ela cresce e começa a se mover de forma independente. No começo, ela não se sente responsável pelo que está acontecendo, mas depois começa a perceber algo de forma consciente e intencional, a gritar por alguma coisa, etc. Aos poucos, ela começa a entender o que é bom e o que é ruim e em que circunstâncias se sente bem ou mal. Assim sendo, joga-se com ela e lhe mostrado o que ela faz corretamente e o que não faz.

Há aqueles que ouvem melhor e há aqueles que ouvem menos, dependendo de seus atributos inatos e sua educação. De modo geral, trata-se de um enorme sistema chamado Shechiná, que cuida de cada um e leva todos ao fim da correção.

Portanto, eu não posso te dizer quando um livro de Cabalá dá a vida e quando ele traz a morte. Primeiro a pessoa aprende tudo isso e depois de vários anos entende que somente num grupo ela pode se realizar e passar de uma conexão corporal com os amigos para uma conexão interna, espiritual.

Portanto, é sua escolha alcançar a abertura da rede espiritual entre os amigos. Isso pode estar oculto deles, mas ela quer revelar. Isto significa que ela é atraída para a vida, uma vez que esta rede está totalmente preenchida com a doação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/10/12, O Zohar

Conexões Em Lugares Mais Elevados

Dr. Michael LaitmanDe acordo com a ciência moderna, o universo originou-se há cerca de 14 bilhões anos. Certa “centelha” completamente imaterial, com um plano oculto dentro dela, marcou o início da formação da matéria. Foi uma centelha de energia que incluía dentro dela o projeto, o desejo e, finalmente, toda estrutura do nosso universo.

Basta imaginar uma quantidade inumerável de estrelas e galáxias a partir dessa centelha. O pensamento, o plano que é capaz de gerar matéria de forma ilimitada. Outro bilhão de estrelas? Aqui está! Nós simplesmente não entendemos qual a diferença existente entre os níveis deste nosso mundo e essa centelha. Seu plano ativou o desenvolvimento da matéria até o nível humano.

Agora, uma pessoa que vive neste planeta, em nosso mundo, deve intencionalmente, conscientemente e voluntariamente esclarecer o que é essa centelha, a centelha que criou o universo. A centelha quer que o homem a descubra, para fundir-se com ela, o pensamento da criação e sua finalidade, com desejo e intenção.

O homem é realmente a coroa da natureza, mas, por enquanto, apenas de forma potencial. Vamos nos tornar a coroa quando nos conectarmos com essa centelha, quando entendermos qual é o Seu pensamento da criação e qual é o plano a ser realizado, até o surgimento da humanidade em nosso mundo.

Todos os outros sistemas que encontramos sob este pensamento foram concebidos apenas para despertar a pessoa a subir nos níveis da natureza inanimada, vegetal e animal. A pessoa não os controla; a pessoa não pode mudar nada lá. No final, a pessoa deve despertar e subir mais alto para atingir esse mesmo plano, esse mesmo pensamento da criação que criou todo o nosso universo e tudo que existe nele.

É para onde o desenvolvimento do homem o leva; ele deve alcançá-lo.

Ao nos inclinarmos neste sentido, de repente sentiremos a harmonia entre nós, bem como a harmonia com a natureza inanimada, vegetal e animal, que se encontra sob a orientação de Cima. Nós temos que participar do sistema mais elevado, assim como as pessoas em nosso mundo buscam conexões nos “lugares mais elevados”, e, então, todos os sistemas inferiores, por necessidade, se desenvolvem. Nós, no entanto, nos afundamos nos problemas dos subsistemas.

O plano geral é construído de modo a nos pressionar constantemente, incentivando uma conexão com o “destino correto”. Assim, as razões para os eventos desagradáveis e dolorosos que nos ameaçam com a morte e até mesmo o pior sofrimento não vale a pena procurar. Nós não podemos ser curados de doenças por meio de tratamentos no mesmo nível.

Na verdade, só podemos tomar “tranquilizantes”, que nos permitirão nos preocupar com a raiz do problema. Por outro lado, ao tentar ficar satisfeitos por curar os sintomas, só atraímos golpes duplos.

De KabTV “Uma Nova Vida”, 10/10/12

Viver Para O Corpo Ou Para A Alma?

Dr. Michael LaitmanApós a quebra, sob a influência dos genes informativos (Reshimot), os desejos quebrados passam por diferentes estados, separados da espiritualidade nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza. Assim, eles entendem gradualmente seu estado até finalmente atingirem o nível humano.

Depois, eles começam a entender que algo os trouxe para o nosso mundo, num estado onde eles se sentem num desejo especial chamado “corpo”. É como se uma partícula do mundo superior fosse lançada para baixo e imergisse em algum líquido no qual ela permaneceu.

Agora a pessoa se depara com um dilema: será que ela deve trabalhar para este mundo, para acrescentar, para benefício do corpo, ou ela deve trabalhar para a alma? Ela tem que escolher uma das opções.

Evidentemente, a escolha não depende da pessoa, mas sim deriva das reencarnações pelas quais ela passou nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, onde ela examinou seu estado. A alma que se aproximou de sua realização é chamada de “alma grande”, e com ela a pessoa já pode decidir agir em benefício da alma e não do corpo.

A fim de agir em benefício da alma, a pessoa precisa que todo este mundo a ajude a alcançar o temor do Criador. O temor é um vaso espiritual, um desejo de doar. A iluminação de Cima, chamada de “Luz da alma”, é vestida nesse desejo, ou mais precisamente, na intenção que é construída acima dele.

Esta intenção é construída a partir da profundidade do desejo (espessura, Aviut), da Masach (tela) e da Luz de Retorno: que compõem o vaso espiritual de uma pessoa. Claro que isso só é possível de desenvolver a partir deste mundo, quando nós subimos dele até a altura de 125 degraus.

As pessoas que alcançaram esta realização, de acordo com suas Reshimot, se juntam. A Luz superior age em todos igualmente, mas se os genes informativos são revelados, as Reshimot que estão prontas para essa correção se aproximam umas das outras aspirando a se conectar. Como resultado, a pessoa chega a um grupo em nosso mundo.

Mas depois que ela chega a um grupo outra lei começa a agir nela, que lhe permite o livre-arbítrio. Afinal, todas as Reshimot foram realizadas no desejo da pessoa.

Mesmo que se diga, “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”, e, “não há outro além Dele”, a preparação para esta revelação, para o reconhecimento da grandeza do objetivo espiritual a partir da escuridão do exílio, isso está totalmente nas mãos da pessoa.

Aqui nada pode ser feito. Se esta carga parece pesada ou leve para a pessoa, depende da altura da meta e quanto a pessoa valoriza a quem ela serve.

Se ela desrespeita o professor, o grupo e o Criador, nada pode ajudá-la. Afinal, estes três componentes são inseparáveis e supremos para a pessoa. Se ela não os valorizar, ela acabará por se desviar do caminho e deixará o desenvolvimento espiritual.

Se ela trabalha nisso, à medida que se esforça o máximo possível para que isso a salve, isso a ajudará a depreciar o seu ego, sua mente corpórea e sua experiência de vida que parece ter algum valor. Isso é revelado como totalmente inútil diante dos novos estados pelos quais ela tem que passar, mas também a capacitará e lhe dará combustível para avançar nesse caminho.

Isso só é possível se a grandeza da meta, o grupo, o professor e o Criador são mais importantes para a pessoa do que seu egoísmo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/10/2012, Escritos do Rabash

O Ponto De Escolha Entre Dois Abismos

Dr. Michael LaitmanRabash, “Associação da Misericórdia com o Julgamento”: …quando há a Providência aberta, não há espaço para a escolha. Por esta razão, o Superior elevou Malchut, que é Midat ​​Ha Din (a qualidade de julgamento) para Eynaim (olhos). Isto criou uma ocultação, ou seja, tornou-se evidente para o inferior que há uma deficiência no Superior.

Por um lado, o Superior está elevado, e, por outro lado, o inferior não O acha atraente; há algo repulsivo. Por um lado, uma centelha no desejo (o ponto no coração) está ansiosa para alcançar a espiritualidade. Além disso, o mundo externo nos pressiona e inventa inúmeras circunstâncias negativas; ele não promete nenhum prazer, exceto os que podemos receber no futuro. Por outro lado, nós temos que nos comprometer, já que vemos claramente uma deficiência no superior.

Que tipo de deficiência é essa? O superior não é tão brilhante, atraente ou bonito como pensávamos.

Nesse estado, as qualidades do Superior são colocadas com as do inferior, isto é, elas são deficientes. Segue-se que estes Kelim (vasos) são iguais aos inferiores: como não há nenhuma sustentação para o inferior, não há nenhuma sustentação para as qualidades Superiores.

Aqui estão as sensações que o inferior atravessa: no começo, eu realmente aspirava pela próxima fase, corria até ela mais e mais, e daí eu descobri qual o significado do meu próximo passo. Ele acabou por ser a unidade com os amigos e o amor por eles. Acontece que eu tenho que sentir todos eles como um coração; eu também tenho que desistir de um monte de coisas; além disso, eu deveria estar aplicando muitos esforços e ser feliz com o que faço. E eu não me sinto feliz…

O lugar entre as duas lacunas é, de fato, o ponto de escolha. Cada dia, cada um de nós sente um número infinito destes pontos. Se por um acaso nós os apertássemos e escolhêssemos o caminho certo, ou pelo menos tentássemos fazê-lo, então poderíamos descobrir o superior dentro do menor tempo possível. Nós nunca devemos perdê-los! Ainda que, quando esses momentos acontecem, não sentimos necessidade de nada; nós simplesmente nos rendemos às nossas sensações e continuamos a viver nossas vidas miseráveis.

Ao analisar o nosso próximo estado, mais elevado e mais avançado, nós descobrimos que ele é cheio de preocupações e traz muitos problemas ao nosso egoísmo atual. A pessoa tem que amar seus amigos, servi-los, pensar neles, e cuidar bem deles, tratá-los melhor do que si mesma.

“Quem precisa disso? Será que nós somos capazes deste tipo de comportamento?”. Isso não significa que sentimos uma deficiência no superior ou que não encontramos energia suficiente ou sustento de vida Nele? Às vezes, por um par de minutos, nós sentimos uma sensação agradável, uma inspiração; no entanto, como regra, é o contrário.

Isso é chamado de descida: a pessoa não sente vida no superior, nem a encontra no estado de doação, amor, ou unidade. Ela não tem desejo de se corrigir.

Nesse estado, há espaço para a escolha.

Este é exatamente o estado que nos oferece uma escolha. É um momento muito importante de auto-reconhecimento: eu não quero nada, não tenho necessidades, estou ficando fraco, e estou pronto para me render a menos que o estado em que estou se modifique sem a minha participação. Não há nada que me atraia, nem na vida material, nem na vida espiritual: eu me sinto sem esperança em ambos os mundos.

…o inferior deve dizer que toda essa ocultação que sente é porque o Superior restringiu-Se a favor do inferior. Isso é chamado de “quando Israel está no exílio, a Divindade está com eles”.

Em tais casos, nós devemos chegar a um entendimento de que o superior deliberadamente “joga” o jogo conosco. Ele não pode fazer o contrário; Ele não pode abraçar e me elevar como se eu fosse um balão. Se ele fizesse isso, eu nunca iria conseguir nada e continuaria a ser um bebê nas mãos do adulto para sempre. É claro, um bebê se sente bem e seguro; ele pode até jogar (brincar) na altura a que é elevado, mas ele não cresce.

O inferior só cresce se ele se esforça para chegar ao superior. A pessoa não pode sobreviver sem esforços pessoais. O superior não deve elevar o inferior se este último não participa no processo. Caso contrário, o superior simplesmente iria “destruir” o inferior por não deixá-lo crescer e avançar. É semelhante a uma situação em que os pais fazem a lição de casa para o seu filho.

Portanto, nós temos que perceber que o superior nos ajuda simplesmente a cada instante. Não deve haver nem mesmo um segundo de espera para que algo aconteça em Seu nome visto que Ele nunca hesita. Do ponto de vista do superior, nós estamos sempre no estado ideal para o nosso maior avanço. Nós devemos continuar prestando atenção aos vários sinais pelos quais Ele se dirige a nós através de Sua descida intencional até o nosso estado atual.

…qualquer sabor que a pessoa prova, ela diz que não é sua culpa não provar a vivacidade, mas que na sua opinião não há realmente nenhuma vida no Superior.

No entanto, a pessoa precisa entender claramente o que está acontecendo.

E se a pessoa se torna mais forte e diz que o gosto amargo que encontra nestes alimentos é só porque ela não tem os vasos adequados para receber a abundância, porque seus vasos são para a recepção e não para doação, e lamenta que o Superior tenha que Se Ocultar…

Portanto, os nossos vasos (desejos) são corruptos. Na verdade, se o superior descesse até nós, nós sentiríamos o Infinito, já que cada um dos nossos próximos passos é o mundo do Infinito para nós. É por isso que ele ainda não foi revelado para nós: nós não o reconhecemos em nossos vasos. Nós o percebemos somente dentro de uma faixa muito estreita, enquanto que há algo enorme e multifacetado diante de nós. Nós simplesmente não vemos o nível superior; ele abrange tudo, de um horizonte ao outro, e não há limites que definam o espaço para nós.

Como resultado, o superior desce até nós sob a forma de mundo corrupto, deprimido, e inseguro. Além disso, nós nos aproximamos de estados e sensações que serão ainda mais devastadores para nós. O superior se abaixa para nós, a fim de nos deixar senti-Lo. Quanto mais baixo Ele estiver, pior nós e o mundo em torno de nós vai parecer aos nossos olhos, uma vez que as nossas propriedades são às Suas.

Essa é a razão pela qual nós estamos atualmente atravessando uma crise; o superior se aproxima de nós, fazendo-nos inconscientemente sentir a diferença entre Ele e nós. A “crise” é uma lacuna entre o nosso estado atual e o estado do superior. Nós temos que entrar em equilíbrio e ficar em harmonia com Ele, e isso exige educação integral, que vai nos ajudar a compreendê-Lo melhor.

Em geral, este é um ponto de livre-arbítrio. Nós temos que perceber que cada coisa que sentimos como sendo menos que o Infinito é um estado que foi formado especificamente para nós pelo superior, a fim de nos dar a chance de escolher.

Isso significa que devemos ficar tristes não pelo fato de que o mundo em que vivemos é ruim e que somos miseráveis ​​aqui, mas sim pelo fato de que o superior teve que se rebaixar até nós, diminuir a Si mesmo e apresentar-Se como sendo menor do que Ele realmente é, e que Ele mesmo teve que parecer desagradável e mal aos nossos olhos.

…isso permite que ao inferior caluniar; isso é considerado MAN que o inferior eleva.

Por um lado, nós percebemos que o superior está baixo; além disso, o nível mais elevado ainda não nos parece atraente. Por outro lado, nós reconhecemos que ele só parece assim para nós em nossas sensações. Se nós percebêssemos o mundo através dos verdadeiros vasos, consideraríamos o superior como o Infinito dentro de nós. Esta discrepância é a principal diferença entre este reino e o mundo do Infinito.

Então, neste momento nós elevamos MAN: nosso pedido para sermos corrigidos. Nós procuramos possibilidades para justificá-Lo, nada além da validação Dele. Deixe nossos estados permanecerem iguais; perita que eles não nos tragam mais qualquer sensação agradável: tudo o que precisamos é justificar Suas ações e agradecê-Lo por agir assim. Consequentemente, nós não pedimos pelo nosso próprio bem, mas pelo bem do superior. Nós pedimos poder e entendimento, mas não pedimos sensações; devemos nos preocupar somente com a justificativa Dele, não importa que continuemos nos sentindo mal. Se nossas sensações melhoram, nós O louvamos egoisticamente. Não, não é isso que precisamos. Pelo contrário, nós queremos que nossas sensações permaneçam iguais, mas que a nossa compreensão e percepção sejam alteradas. Assim, nós crescemos.

Nós somos formados de duas partes: o intelecto e as emoções, aspirações e desejos. Nós avançamos com os dois, do mesmo modo que usamos as duas pernas numa caminhada. Digamos que eu quero ficar nas minhas sensações atuais, e ao me “inclinar” sobre esta “perna” eu dou um passo à frente com a outra “perna”, isto é, eu paro de ser cego, vejo o meu estado atual, e o justifico; ou digamos que eu quero expandir o meu cérebro: se as minhas sensações permanecem intactas, eu realmente avanço, já que justifico meu estado emocional, embora continue sofrendo, mas percebo que cresço devido à minha aflição. Eu não estou esgotado ou sou subornado por uma sensação boa.

Mais tarde, quando nossas mentes se expandirem, vamos apoiar o nosso novo intelecto, e se ele permanecer o mesmo, vamos subir ao próximo nível das sensações. Além disso, nossas emoções não vão ofuscar o intelecto, como acontece quando os prazeres nos forçam a perder a cabeça.

É o contrário; nós damos um passo com uma “perna”, apoiando-se ao mesmo tempo na outra “perna”: quando corrigimos nossas emoções, nosso intelecto se eleva; quando fixamos a mente, nossas sensações sobem. Consequentemente, nós passamos por infinitas mudanças em nossas mentes e sensações.

Da Convenção de União no Norte 20/09/12, Lição 2

Uma Centelha Que Penetrou Do Andar Superior

Dr. Michael LaitmanTodo o nosso caminho destina-se a sairmos do nosso ego, o único atributo coletivo em que vivemos e que nos tranca dentro desta pequena bola onde sentimos a realidade deste mundo. Para começarmos a gerir a nós mesmos, nós precisamos de outra força além do nosso desejo de desfrutar: o desejo de doar. Com estas duas forças, nós já podemos começar a agir.

Isso significa que não temos a força de doação que vem da força geral, do Criador, do atributo de doação, que é a natureza real. É por isso que a palavra “Criador” em Gematria é “natureza” (em hebraico). E o nosso desejo de desfrutar não existe na natureza, mas é externo a ela.

Todo o nosso trabalho e nosso objetivo é atingir o desejo de doar. Graças a isso, nós somos incorporados ao Criador, adquirimos o livre arbítrio entre essas duas forças, e podemos nos assemelhar a Ele, o que é chamado de nível humano: o nível de Adão.

Nós só podemos alcançar o poder de doação através da conexão no grupo, que é um modelo de como devemos realizá-la. No grupo nós sentimos o quanto precisamos da doação, ou o contrário, como ela é desnecessária para nós e como ela é odiosa, uma vez que é oposta à nossa natureza.

Assim, nós começamos a trabalhar artificialmente e gritamos como crianças que demandam coisas que não merecem. Mas as crianças usam nosso amor paternal e nós ainda cedemos e fazemos o que elas querem, embora saibamos que isso é apenas um choramingar infantil.

A mesma coisa acontece conosco. Se também pedirmos egoisticamente pela doação, embora ninguém precise dela, e “incomodarmos” o superior com nosso clamor: “Dê-nos, dê-nos”, como crianças irritantes, acabaremos recebendo-a pouco a pouco e, gradualmente, seremos impressionados por ela. Além disso, nós somos impressionados por nossas ações e ao agir querendo doar. Assim, no final, nós realmente começamos a desejá-la.

Assim, nós somos impressionados um pelo pela grandeza da doação e espiritualidade, embora realmente não vejamos nada de bom, grande e valioso no desejo de doar, mas sim o contrário. Isto significa que estamos agimos como num teatro, e por esta ação nós nos desenvolvemos; nós estamos numa mentira intencional e é claro para nós que todas as nossas orações são falsas e nossa atitude não é real.

Nós estamos conscientes disso, nós sabemos e declarar isso abertamente, porque essa é a única oportunidade que temos de nos livrarmos do estado em que estamos agora. Por esta atuação, nós construímos a nós mesmos sob as condições do estado atual, a fim de chegarmos à doação a partir do desejo de desfrutar.

A alavanca através da qual podemos fazer isso é baseada numa centelha espiritual, o ponto no coração, com o qual podemos começar a agir. Ele é um ponto minúsculo no coração, que nós percebemos e começamos a desenvolver. Se nós o percebemos como uma extremidade de uma corda, que foi lançada para nós, podemos nos elevar acima do nosso desejo egoísta até o desejo de doar, como se subíssemos pelo teto e penetrássemos no segundo andar através de um pequeno buraco no teto. Depois, com a ajuda desta corda, nós puxamos todo o nosso desejo de desfrutar, que preenche todo o andar inferior e, gradualmente, o transferimos para andar superior: subindo de Malchut à Bina.

A centelha que foi inserida em nós é a centelha de Bina que caiu sobre nós do segundo andar através do buraco no teto. Por aquele buraco nós podemos passar para o segundo andar e depois puxar toda a nossa Malchut de lá.

Deve ficar claro para nós que estamos trabalhando com atributos egoístas. Nós estamos apenas jogando com a doação e não imaginamos que já somos justos. Se nós ainda não sabemos quem realmente somos, nós, sem dúvida, sabemos que a principal coisa é não temer a verdade.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 07/09/12

Encontrando A Força Que Equilibra O Ego

Dr. Michael LaitmanExiste uma necessidade cada vez maior de conexão no mundo de hoje. Por um lado, a conexão integral do mundo é revelada, e, por outro lado, a falta da nossa adaptabilidade é expressa sob a forma de uma crise.

A fim de ajudar as pessoas que têm desejo pelo desenvolvimento espiritual, o que significa pela conexão e unidade, nesta unidade, assemelhando-se à natureza, nós seremos capazes de revelar a força superior que a gerencia, para sentir, ver e aprender a dominar o sistema que nos controla, o chamado mundo superior: por isso nós nos reunimos e queremos nos adaptar gradualmente ao estado de equilíbrio com este sistema, com a natureza. Tal abordagem gradual, passo a passo, é chamada de níveis de ascensão espiritual, uma equivalência espiritual.

Estes são níveis sérios e complexos devemos superá-los e resistir ao nosso ego. É por resistir a ela que conhecemos e atingimos este sistema.

Tal como todos os sistemas no mundo operam por meio de duas forças que se contrariam (positivo e negativo, a contração e expansão, e assim por diante), entre eles existe um mecanismo mecânico, pneumático, elétrico ou outro mecanismo, e estas duas forças são as forças do desenvolvimento e movimento deste mecanismo, e em nossos corpos existem duas forças constantemente opostas. De um modo geral, elas podem ser reduzidas às forças de absorção e secreção. Nós existimos com base nestas duas forças. Elas mais ou menos se contrabalançam ou agem alternadamente nos níveis da natureza, exceto num único objeto em particular: o homem.

O ser humano está sob a influência de uma única força: a força egoísta que controla, administra e governa, e faz o que quer com ele. Não há outra força que seja oposta ao nosso ego, e este é o nosso problema. Portanto, nós não podemos ser equilibrados, sábios e fazer o que queremos, mas constantemente fazemos o que a força egoísta nos obriga a fazer, mesmo que isso possa nos prejudicar.

Olhe para o que está acontecendo no mundo agora! Nós estamos serrando o galho em que estamos sentados. Estamos poluindo o ar que respiramos, cortando florestas, transformando grandes áreas em desertos áridos, fazendo com que icebergs derretam, e causando mudanças desastrosas no clima, de modo que em breve será impossível existir neste planeta. O ritmo desta crise está acelerando de forma ameaçadora, e não podemos fazer nada sobre isso.

Por que a natureza está fazendo isso? Para nos mostrar até que ponto somos manejados por esta força egoísta e quanto carecemos de outra força que se oponha a ela para pelo menos alcançar um equilíbrio. Mesmo que fôssemos totalmente opostos à força egoísta, mesmo que fôssemos altruístas absolutos, não poderíamos existir. Afinal, deve haver uma força de equilíbrio entre essas duas forças, a lei de equilíbrio, a lei da troca correta.

Portanto, nós precisamos da outra força, e nós não a temos. No entanto, ela é encontrada nos inanimado, vegetal e animal da natureza. É o instinto!

O instinto faz com que animais realizem determinadas ações e outros não. Ele os restringe e não os força a executar ações equivocadas. Se um leão vê um leão mais forte, ele recua. Há uma clara cadeia de comando, que verifica a força e a retirada imediata. Isto é, há forças de restrição em relação à natureza e a diferentes fenômenos, não importa o quê. Os animais agem de acordo com o princípio simples do ego animal comum que é equilibrado pelo instinto de proteção.

Nós não temos isso. Nós somos privados dele, mas precisamos adquiri-lo, pois, caso contrário, vamos nos encontrar numa condição que ameaça a nossa existência!

A sabedoria da Cabalá é revelada em nossos tempos, para que, de alguma forma, sejamos capazes de adquirir esta segunda força que restringe e equilibra o nosso ego. Ela é oposta ao ego. Ela é chamada de altruísmo, a força de doação, a força do amor.

Se pudermos descobrir esta força na natureza e, de alguma forma, perceber ela dentro de nós e começar a mutuamente equilibrar as duas forças, poderemos ter certeza que de que nossa existência será segura, confortável, boa e desejável. Caso contrário, o nosso desenvolvimento futuro será simplesmente desastroso. Dia após dia, nós vemos como estamos perdidos no ego e que ele vai começar a nos consumir, enquanto estivermos vivos e, no final, nos deixar sem esperança de sobrevivência.

É por isso que realizamos Convenções. Nós fazemos isso para adquirir a força que se opõe ao ego, para tentar equilibrar as duas forças opostas dentro de nós, e para atingir o ponto médio onde podemos ser livres – com livre arbítrio, liberdade de escolha – para que possamos gerir a nós mesmos e avançar. Isto é o que queremos alcançar.

Da “Lição Virtual sobre Fundamentos da Cabalá” 23/09/12

Inteligência Coletiva E Espiritual

Dr. Michael LaitmanOpinião (Stephen Pratt, professor associado da Arizona State University): “Cientistas da Arizona State University descobriram que as formigas utilizam uma estratégia para lidar com a ‘sobrecarga de informação’. As formigas Temnothorax rugatulus, comumente encontradas vivendo em fendas de rochas no Sudoeste, colocam o fardo de tomar decisões complicadas nas costas de toda a colônia, em vez de numa só formiga”.

“Pesquisas anteriores mostraram que as colônias de formigas têm a capacidade de comparar a qualidade de dois potenciais locais de ninho – mesmo que nenhuma formiga visite ambos os locais. Pratt e Sasaki admitem a hipótese de que uma colônia possa escolher um ninho de alta qualidade a partir de muito mais opções, de forma mais eficaz do que as formigas individuais, porque cada membro da colônia avalia apenas uma pequena parte, ou porção, de locais disponíveis, e então compartilha a informação com a colônia inteira”.

“Os cientistas projetaram experimentos com locais de ninhos artificiais para avaliar a habilidade da tomada de decisão das formigas. Tanto as colônias quanto as formigas individuais receberam dois níveis de tarefas. As formigas tinham que escolher entre dois ninhos, ou tinham que escolher entre oito ninhos. Em ambos os experimentos, metade dos ninhos foram inadequados. Os ninhos são frequentemente escolhidos com base no tamanho da cavidade e da entrada, bem como escuridão e outras características”.

“Os pesquisadores descobriram que as formigas individuais tomaram decisões muito piores quando confrontadas com oito opções, em vez de duas, o que significa que elas experimentaram sobrecarga cognitiva. A colônias, por outro lado, decidiram igualmente bem com duas ou oito opções, mostrando que poderiam lidar com o problema mais difícil coletivamente”.

O estudo mostra o que Pratt acredita ser a resposta para duas perguntas: O que você ganha com uma inteligência coletiva? Em segundo lugar, por que e como um grupo é mais inteligente do que um indivíduo?

“‘Viver num grupo é caro, em muitos aspectos, de modo que as formigas devem obter algum benefício de fazê-lo’, disse Pratt. ‘Ao compartilhar a carga de tomada de decisão, as colônias evitam os erros que um animal solitário faz quando capta muita informação. O que é incrível sobre essas formigas é que nós podemos ver exatamente como elas fazem isso, tendo certeza de que nenhuma formiga tem que processar mais informações do que é capaz’”.

“Pratt acrescentou que este é um problema que as formigas podem resolver, mas que há outros problemas que elas enfrentam com os quais nós podemos aprender”.

Meu Comentário: Na natureza, a preferência é dada apenas ao grupo, e não ao indivíduo, porque não há nenhum livre arbítrio lá. Mas é o contrário no caminho espiritual: a escolha depende do indivíduo. Assim é na sociedade humana: todas as decisões devem ser tomadas em conjunto, através do resultado médio, mas a direção do movimento espiritual deve ser dada por aquele que vê esse caminho, aquele que já atravessou; isto é, o espiritual caminho é ditado pelo líder (Moisés).

O que Causa todos os Problemas?

Pergunta: Diferentes partes de um mecanismo geral podem causar danos diferentes quando estas não estão funcionando corretamente. Que partes são fundamentais para a sociedade?

Resposta: A abordagem é simples: eu sou a parte crítica, porque todos os outros estão absolutamente corrigidos. Não há nada em que pensar – somente com este ponto de vista você pode ver a imagem correta.

O sistema geral funciona, tem tudo que é necessário e move-se na direção certa. No entanto, “todos julgam de acordo com a sua própria falha”, e, como resultado, cada um vê um mundo sem correção. E cada um vê isso não apenas na televisão, mas nos seus sentimentos: O salário não é suficiente, há um crédito a descoberto na conta bancária, a saúde está se deteriorando, as relações com as pessoas estão cada vez pior, os aparelhos em casa avariam …. Em suma, eu sinto que estou em um mundo quebrado.

“ Eu tenho que dizer a mim mesmo: “Isso tudo é porque eu “giro” incorretamente, ou seja, interajo incorretamente com as outras” rodas dentadas”. O problema não está nos políticos e magnatas mas somente em mim. “Não faz sentido procurar outros problemas no sistema, tentando corrigindo os desejos e as propriedades das outras pessoas. Tudo é perfeito. O problema é comigo mesmo.

Da 4 ª parte da Lição Diária 10/09/12 Cabala, “Paz no Mundo”

A Escolha Através Do Livre Arbítrio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que um grupo bom e forte pode resolver qualquer problema dentro dele. Se a morte ameaça alguém, nós nos unimos, não desistimos dessa pessoa, e algo funciona para nós. No entanto, o que pode ser feito se um homem é ameaçado por uma morte espiritual, devido à ruptura com o grupo?

Resposta: Aqui está o seu livre arbítrio. Vocês podem ir até ele, falar com ele, convencê-lo e agitá-lo, em geral.

Vocês têm o direito de fazê-lo se eram amigos dele. No entanto, ele deve lhes dar algum tipo de possibilidade para isso, por causa do passado.

No entanto, se vocês veem que é inútil, deixe-o estar. O tempo vai fazer o seu trabalho, talvez nem mesmo nesta vida, mas ele vai voltar na próxima vez e concluí-lo.

Da Convenção Na Carcóvia “Unir para Ascender” 19/08/12, Lição 7

Veja A Altura Dos Amigos E Ascenda

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa que o superior se abaixa em relação ao inferior?

Resposta: Significa que o inferior não o sente mais como superior. Agora ele tem uma escolha: ou permanecer sob a impressão de que o superior perdeu todo o sentido para ele ou trabalhar com a fé acima da razão, a fim de reforçar a grandeza do superior a seus olhos. É aqui que reside o nosso livre arbítrio.

O livre arbítrio ocorre apenas quando há ocultação. É assim que o Criador nos trata, e é assim que temos que ver todos os amigos, entendendo que eles estão sob ocultação em relação a nós. Sou só eu quem vê as deficiências neles, uma vez que “a pessoa julga de acordo com suas próprias falhas”.

Portanto, eu tenho o livre arbítrio aqui: eu os trato como os maiores em nossa geração? Se sim, eu realizo o meu livre arbítrio. Se eu os reconheço como grandes, o superior irá elevar Seu AHP e eu junto com eles. Assim eu vou subir!

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá de 29/08/12, Escritos do Rabash