Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

Escolher Entre Dois Extremos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Todo processo evolutivo é um ciclo: há um começo, um clímax e um fim. Você não sente que a evolução da civilização está chegando ao fim no sentimento egoísta?

Resposta: Hoje nós voltamos para a Mesopotâmia! Nós estamos novamente na antiga Babilônia. Só que agora esta Babilônia cobre todo o globo. Aquela Babilônia antiga, a civilização de três milhões de pessoas, aumentou para sete bilhões. Nós estamos de volta ao lugar de onde escapamos, ou seja, na mesma crise que os antigos babilônios passaram. Isto é exatamente o que os Cabalistas previram.

Pergunta: Mas as pessoas na antiga Babilônia conseguiram sair do ego?

Resposta: Elas não superaram a crise, mas a resolveram de maneira diferente. Elas se afastaram umas das outras e se dispersaram por toda a terra, o que nós não podemos fazer.

Se não resolvermos a crise na qual nos encontramos usando a sabedoria da Cabalá, a única coisa que seremos capazes de recorrer será a guerra, não há outra maneira. É o nosso único ponto de livre arbítrio. Ou nós seremos capazes de trazer as pessoas para o nosso método, antes que elas comecem uma guerra, ou elas estão prestes a experimentar o caminho do sofrimento; não há outra maneira.

A natureza não é cíclica, nunca foi e nunca será; ela não se desenvolve dessa maneira. Nós vemos isso na natureza inanimada, vegetal e animal; nós vemos isso no espaço. Se um determinado corpo gira em torno de outro corpo, isso não significa que esse é um ciclo, mas que se move para frente, assim como o movimento para trás e para a frente de uma roda se move para frente.

A natureza não precisa de ciclicidade. Se dissermos que a natureza é consciente, sábia, e que nos criou, e está claro que o programa que nos dirige é muito mais sábia do que nós, então a ciclicidade é a corrupção, a falta de propósito, e totalmente inconclusiva.

Os Cabalistas começaram a escrever desde os dias de Adão. Ele foi o primeiro Cabalista que descobriu o mundo espiritual a 5770 anos atrás, e que escreveu sobre isso no livro O Anjo Ratziel. Desde então, tudo o que os Cabalistas profetizaram foi precisamente cumprido. Portanto, não vejo nenhuma razão de que isto esteja mudando.

A pessoa que estuda Cabalá começa a ver as suas leis, uma vez que elas é exatamente como a física: há duas forças, dois vetores que são equilibrados por uma terceira força, a Masach (tela), e não há nada mais do que isso. É nisso que se baseia o trabalho de todos os sistemas, de todos os diferentes mecanismos na natureza inanimada, nas células vivas, num organismo que é um conjunto de células, etc., até a sociedade humana, uma coleção de egoístas. Todos são regidos pelas mesmas leis que são elucidadas com precisão.

Um Cabalista que estuda as leis da natureza experimenta realmente esses estados. Assim, ele passa por aquilo que a humanidade não passou ainda e pode escrever sobre isto para a humanidade e ensiná-la. Caso contrário, ele não tem nenhuma razão para fazê-lo.

Nós começamos a estudar a Cabalá desde o nível do mundo de Ein Sof (Infinito), de onde desce uma força, a força positiva de doação e, em seguida, graças a ela, uma segunda força é criada, a força negativa de recepção, o desejo. Então, nós estudamos sobre o desenvolvimento destas duas forças, sobre as quatro fases da Luz Direta, e sobre a sua descida ao nosso mundo.

A propósito, a Torá só descreve o mundo de Atzilut, o mundo da correção e não o que o precedeu. “No princípio, criou Deus os céus e a terra”, o que significa que Bina do mundo de Atzilut gera o sistema de ZON (Zeir Anpin e Malchut). É o nível mais alto na Torá. De fato, na Cabalá, nós aprendemos sobre Sefirot mais elevadas.

Quando nós estudamos essas leis, vemos que são cumpridas em todos os lugares, sem exceção. A natureza corpórea é o resultado dessas leis. Isto é transparente e vemos como tudo se move, cresce e se desenvolve; vemos como essas duas forças cooperam e gerar a natureza inanimada, vegetal, animal e  “falante”; nós vemos o que gera cada pequeno movimento em nosso mundo. Portanto, não pode haver suposição aqui.

A principal coisa é que o livre arbítrio que a humanidade tinha na antiga Babilônia ainda existe hoje. Mas é um livre arbítrio relativo. Se você não quiser usá-lo e avançar ao longo do caminho bom e consciente, isso significa que mais sofrimentos devem ser adicionados, de modo que você entenderá a necessidade de se desenvolver de forma positiva. Caso contrário, você pode entrar numa guerra mundial nuclear.

Afinal, não importa o que dizemos, os sofrimentos têm um papel educativo, apesar de estarmos em contínua regressão. Nós regredimos quando éramos egoístas, mas agora não há lugar para volta. Portanto, uma guerra será uma adição mais grave que nos ajudará a entender como as coisas realmente são, mas isto é muito indesejável.

Da 1ª Preparação para a Convenção em Krasnoyarsk 13/06/13

Com Os Amigos Sob A “Sucá Da Paz”

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial no amor dos amigos que me permite cobrir todos os pecados?

Resposta: O amor dos amigos cobre todos os pecados. Afinal, se nós trabalhamos para conectar nossas centelhas no grupo, então todos os outros desejos se rendem à Luz do amor, apesar do fato de serem tão opostos entre si, de tal forma que realmente se odeiam. Esta Luz age em nós desde Cima, do nível superior, quando ela nos cobre como um cobertor, um guarda-chuva, uma Sucá de paz, e obriga todos a se unir, embora internamente continuemos muito diferentes.

Pergunta: Eu escolho o amigo uma única vez ou de novo todos os dias?

Resposta: Eu não escolho de acordo com critérios corporais. Entretanto, nós não sabemos por que fomos trazidos para um grupo desde Cima, ele e eu. Depende da raiz da alma, da sentença das almas, sobre as quais vamos aprender mais tarde. Porém, como estamos num grupo, temos de cumprir o nosso livre arbítrio e nos conectar num único sistema, num único grupo.

Escolher um amigo significa ser leal a ele, apesar da repulsa e das dúvidas. Eu não deveria sentir qualquer diferença entre eu e ele. A cada momento o pensamento e o desejo mudam em mim e eu tenho que escolhê-lo exatamente da mesma maneira, eu analiso a mim mesmo e a ele.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/05/13, Escritos do Rabash

A Primeira Célula De Uma Nova Vida

A natureza fez um cão instintivamente ligado ao seu dono. Ele sente que sua vida depende do proprietário, e por isso anula-se diante dele. Nós, também, devemos anular a nós mesmos, não por instinto, mas por nosso próprio livre arbítrio, fazendo nossa própria decisão, trabalhando contra o nosso ego que não existe nos animais, a fim de alcançar a mesma lealdade correta e auto-anulação, sem quaisquer condições prévias, só porque o superior é minha fonte de vida.

Devemos aprender com a natureza, mas aí acontece por si mesmo, enquanto que nós temos de trabalhar duro. Há tais estados tão difíceis que nós simplesmente não podemos aceitá-los, e que nos confundem e tentamos apagá-los.

Esta “lealdade do cão” não é muito diferente da forma como a pessoa se deve submeter perante o grupo e é muito menos do que a lealdade que devemos sentir em relação ao Criador. Todo nosso trabalho é destinado a isso, para estabilizar os vasos necessários em nós através dos quais podemos contactar o Criador. Precisamos deles então teremos algo com o qual caminhar para Ele.

Isso é tudo o que nos foi dado para nossa preparação: um professor, um grupo, o mundo, o estudo, a disseminação, tudo o que podemos pensar, e é tudo para criar a primeira célula em que você adere ao Criador. É como um cone. Você pode executar várias ações abaixo, e você só atinge um ponto de adesão com o Criador quando você realmente entra no útero com a gota de sêmen.

De acordo com a escada espiritual se você executar uma grande quantidade de ações abaixo, biliões de ações que, eventualmente, se transformam em uma ação no topo da escada, e nesta ação única você entra em contato com o Criador. Você transforma grande número de ações em uma pequena ação qualitativa respeitante ao Criador.

Esta é a única coisa que nos permite chegar até Ele. Veja quantas ações uma criança pequena faz até que ele consiga executar uma ação racional. Veja como ele trabalha duro a andar à volta até que finalmente consegue fazer algo significativo onde a mente, o sentimento, e o movimento se tornam um todo.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/05/13 , O Zohar

Um Desejo Independente De Qualquer Coisa

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”: E você, evidentemente, descobre que a entrega da Torá teve que ser adiada até que eles saíssem do Egito e se tornassem uma nação própria, de modo que todas as suas necessidades fossem previstas por eles mesmos, sem depender de outros. Isso os qualificou a receber o Arvut acima e, assim, eles receberam a Torá.

O livre-arbítrio é necessário para ser independente de qualquer coisa e eu devo senti-lo como meu. Ele é um desejo que me obriga a estar conectado com os outros, mas não para conquistas e outras coisas, tais como resultados, como acontece com um comando, equipes esportivas e assim por diante. Eu quero estar conectado com os outros para descobrir a força superior. Eu necessito de um desejo preciso e claro para descobrir a doação mútua e o amor mútuo dos amigos, de modo que o Criador seja revelado entre nós e, dessa forma, sintamos que estamos dando a Ele satisfação.

Tudo isso é “retratado” e realizado entre nós, especificamente se realmente temos isso como uma deficiência. Isto não vem de alguém de fora. Ninguém me obriga a nada. Eu não tenho nenhum benefício pessoal. É só para o bem comum.

O que nós queremos é que através do amor ao próximo, alcancemos o amor do Criador. Esse desejo nos levará à “recepção da Torá”. Em outras palavras, nós temos a oportunidade de perceber isso, não tudo de uma vez, mas gradualmente, é claro. Eu descubro esta necessidade de forma clara. Eu recebo o poder de desenvolvê-la. Assim, através do eleo link com o grupo, o Criador é descoberto em seu centro. Assim é como nós avançamos.

Pergunta: Como um desejo pode ser independente de algo?

Resposta: A ideia é que eu escolho o caminho sozinho. Não é apenas que a recepção da Torá é adiada até a “saída do Egito”. Eu sempre fui dominado por um ego que não tem conhecimento do mundo espiritual. Não se trata de escravidão a um senhorio; não se trata de trabalhar de manhã até de noite para sustentar a minha família. Nisso, eu não sou livre. Em vez disso, eu devo ser livre em meu desejo de escolher o caminho certo. O Faraó ainda me prende, ainda é revelado durante o exílio no deserto, mas eu já tenho o poder de ser direcionado ao Criador, à doação, e meu desejo é livre.

Como pode ser isso? Eu já me corrigi? Como é possível a libertação do ego? No entanto, apesar de tudo isso, o meu desejo de ser direcionado ao Criador na forma correta é verdadeiramente independente.

Pergunta: Do que depende a força deste desejo? Há pessoas em quem ele queima, e há aqueles em quem ele ferve em fogo lento.

Resposta: Claro, o despertar vem de cima, e a questão é: a pessoa realizará isso com a escolha certa? A escolha certa é realmente o ambiente certo, um grupo de amigos. Enquanto eu não entro num grupo, o Criador escolhe para mim, como nós escolhemos para uma criança o que ela precisa comer e o que ela vai fazer. No entanto, enquanto a criança amadurece, nós deixamos um pequeno espaço para ela, permitimo-lhe escolher jogos, oferecemos a ela escolher uma omelete ou mingau. Nós entendemos que a individualidade é despertada nela conforme o seu grau de maturidade.

Além disso, no caminho espiritual, de acordo com o grau de maturidade, uma escolha mais consciente é formada. É dada à pessoa esta escolha muito simples: através da adição de algum mal, um sentimento ruim. Como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. O Criador diz: “Se você quiser, eu vou transformá-lo em bom. Basta pedir por isso”. Assim, segue-se que, para mim, a questão é: Eu deveria pedir a Ele ou não?

Em geral, o poder superior controla tudo. Todas as forças do mal, todos os distúrbios, todos os fatores externos, tudo está nas mãos Dele. Todos os estados bons, todas as forças da Luz, também vêm Dele. Eu estou no meio. Para mim, o mais importante é entender que estou conectado com o poder superior, e ele me controla, me abraça e me envolve por todos os lados. Portanto, como eu serei de querer a conexão com Ele em todos os estados com os quais Ele me confunde?

O problema encontra-se no limite da minha percepção, no limiar da minha consciência. Se eu sinto uma dor fraca, eu posso concordar que ela vem do Criador e me estimula a me voltar a Ele. Diz-se que o Criador é “invejoso”. Parece que Ele está com ciúmes se eu voltar minha atenção para outra pessoa. No momento em que eu O esqueço, Ele imediatamente me lembra Dele mesmo, dando-me a oportunidade de escolher.

Portanto, aqui, é necessário entender onde encontrar o limite de separação: que tipo de dor ou de prazer eu devo sentir por estar separado do Criador? Com isso, o ser humano em mim é medido. Quanto eu vou colocar a restrição e a tela em mim para que nada nos separe?

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/05/13, “A Garantia Mútua”

Pra Que O Homem Foi Criado?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ultimamente, pessoas ricas dão o seu dinheiro em benefício da sociedade. O fato de que elas se beneficiam disso é irrelevante. Elas ainda pensam que se elas construírem outro hospital ou escola na África, isso irá beneficiar a sociedade. Até os meus parentes africanos que vivem na Europa dizem que isso não vai ajudar, a menos que forcemos os africanos a trabalhar, mas os africanos não querem trabalhar.

Resposta: Na verdade, nós as prevenimos de fazê-lo. No passado, a África costumava produzir e exportar diferentes produtos, mas a nossa atitude incorreta para com este continente mudou tudo.

Pergunta: O que seis bilhões de pessoas neste planeta farão? Nós inventamos o trabalho para as pessoas apenas para mantê-las ocupadas. Será que este complexo mundo foi criado para que a pessoa acorde de manhã, ande em transporte público superlotado, chegue a um escritório ou uma fábrica, execute ações mecânicas, volte para casa e, assim, continue a fazer isso para o resto de sua vida até morrer?

Resposta: Nós nos transformamos em escravos. Mas agora a nossa percepção está mudando. O homem foi criado para fazer um tipo totalmente diferente de trabalho: trabalhar em si mesmo e não na produção.

Todos nós entendemos que um por cento da população pode prover o resto do mundo no que for necessário para sustentar uma vida sensata, uma casa, família, cuidados de saúde, e todo o resto. Um por cento, no máximo e, em breve, este também será substituído por máquinas automatizadas e computadores que irão produzir praticamente tudo.

O homem, no entanto, só vai se envolver na regulação das duas forças da natureza, a força de recepção e a força de doação em que temos que existir. Nós temos que desenvolver a força de doação em nós junto com a força de recepção e aspirar equilibrá-las.

Implantar o sistema de educação integral em fábricas e escolas significa que depois de algumas aulas a pessoa vai começar a compreender que o mundo é totalmente diferente, que ela não precisa estar no controle, ir trabalhar, trabalhar o dia todo, voltar para casa, ir para a cama, e, assim, sucessivamente. De repente, ela vai entender que este não é o seu destino e que nunca vai ajudar alguém.

Acontece que existe um método que nos eleva para o próximo nível, e se não o alcançarmos como resultado do nosso livre-arbítrio, a natureza vai nos empurrar nesse sentido.

De KabTV “A Crise Global” 19/03/13

O Que Podemos Esperar Quando Temos Os Olhos Vendados?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que nós falamos tão pouco sobre coisas boas, e muito sobre problemas e dificuldades que encontramos no caminho espiritual?

Resposta: Eu acho que os problemas que encontramos são uma coisa boa. No nosso caso, nós não iriámos nos voltar para encontrar o Criador se não fosse por esses “problemas”, como os chamamos.

Eu sinto que tais problemas são doces, pois caso contrário meu “animal” nunca se voltaria na direção do Criador. Na verdade eles podem me assustar e me preocupar, e podem até ser uma ameaça à minha vida, mas tudo vem para me dirigir a Ele.

Em caso afirmativo, o que há de errado nisso? Seu corpo físico é que experimenta os sentimentos desagradáveis. Portanto, não se identifique com ele, comece a formar o ser humano em você que “monta” o animal corporal.

Em geral, o mundo espiritual baseia-se em superar a inclinação ao mal. É impossível escapar disso. A humanidade tem tentado fazê-lo ao longo da história, com a ajuda de várias religiões, crenças, estruturas sociais, leis, ciência e tecnologia.

Tudo isso foi realmente uma tentativa de fuga, uma busca por outros meios de melhorar nossa qualidade de vida e abandonar o caminho ao Criador. Mas esses meios causam uma falha ainda maior; no final, nós ficaremos sem nada. Por exemplo, há poucos dias a ONU recomendou a utilização de insetos como alimento para lutar contra a fome. Aqui está: o futuro do mundo…

Em suma, somente pela revelação do mal é que nós podemos ser direcionados à meta, pois é assim que podemos escolher o que considerar como mal. Eu posso me sentir mal quando meu amor próprio “reclama” de desconforto, ou posso me sentir mal, pois ainda não adquiri minha alma, a conexão com os outros, e com o Criador como parte dela. É exatamente onde reside o nosso livre arbítrio.

É impossível escapar disso, não importa quais argumentos você traga. A Providência superior age sem pedir o meu consentimento. Agora eu tenho que aceitar e mais tarde eu vou entender isso.

De qualquer forma, a espiritualidade é construída sobre o desejo corrupto por prazer. Por isso, não podemos deixar de falar sobre isso; afinal, diz-se: “Eu criei a inclinação ao mal”. A “Torá”, ou o método de correção, é necessário exatamente por esse motivo, e é exatamente quando um pouco de mal é revelado entre nós, quando já queremos nos unir, mas ainda não sabemos como: de que forma, em que princípio, isso vai nos “colar” juntos, e como realizar esta união.

Assim, nós exigimos que a Torá se manifeste em oposição ao mal que é revelado, mas é um mal “doce”. Nós começamos a entender que não temos o poder de enfrentá-lo por nós mesmos, que precisamos da ajuda da força superior, e que o mal está na ruptura da conexão entre nós. Nós simplesmente devemos, queremos lutar para nos conectar, “como um homem em um só coração”. Nós podemos chamar de “mal” o que está acontecendo, mas na verdade não é mal, mas a oposição ao Criador, Suas “costas”. É tudo Ele.

Isso significa que não lutamos entre as garras do mal e o Criador, já que sentimos que o bem e o mal são ambos Ele e são as faces da Sua atitude. Às vezes, um pai sorri para o seu filho, e às vezes dá-lhe um olhar duro, evocando assim diferentes reações na criança, à medida que ela forma sua percepção.

Pergunta: Por um lado, me é mostrado o lado negativo, e por outro lado, me é mostrado o que vou receber no final…

Resposta: Você vai passar o ponto de ruptura, a quebra, como resultado da qual você de repente sentirá prazer em doar. A Luz virá e despertará você para amar os outros. Em seguida, você irá doar a eles e sentirá prazer infinito.

Afinal, é o seu ego que limita você e que está parando você dizendo: “Você pode ir até aqui e não mais do que isso”. Você luta com ele para expandir os limites da doação. Se não houvesse nenhum ego, você iria participar na doação da mesma maneira que se envolve em receber agora, simplesmente porque acha que doar é agradável.

Portanto, para ter certeza que é amor verdadeiro, e não artificial, ele é construído sobre o desejo de receber, para que você possa ser neutro, livre de receber e de doar. Então, você realmente trabalha, realmente controla a satisfação de toda a humanidade e executa a missão do Criador, não tomando nada para si mesmo, sem ter contato com a negatividade da qual você tem que fugir ou com a positividade que poderia trazer-lhe prazer. Este é o momento da eternidade numa pessoa, o ponto médio na escala do bem e do mal.

Pergunta: O que significa “para nos trazer prazer”?

Resposta: É um significado diferente, novo. Eu escolho o prazer para que ele não dependa de mim e eu não dependa dele.

É impossível explicar, ilustrar ou desenhar. Trata-se de um sentimento, e se você tentar tocá-lo com sua mente atual, é uma abordagem errada. Afinal, você não permite que seu coração se abra.

Não é por acaso que falamos de um jogo como a principal ferramenta para o nosso avanço. Se você se coloca fora do jogo, você fica apenas com queixas. Você pode diminuir o valor de tudo na vida por uma atitude desrespeitosa, e agora?

Nós precisamos nos unir, e para fazer isso nós trabalhamos em grupos. Por que grupos? Porque é como nós permitimos que a Luz nos influencie pelo menos um pouco. Nós podemos subestimar a conexão entre os amigos e o que ela pode atrair. Mas por nossos esforços mútuos, nós lhe damos a importância e o apelo, e solicitamos novamente um pouco da Luz que Reforma através disso.

Quem realmente precisa da doação? Ninguém. Mas ainda assim, nós falamos sobre ela, e a Luz Circundante responde a isso e está pronta para aceitar a nossa “mentira”.

É assim que nós nos desenvolvemos e não há outra maneira. É sempre a partir um estado egoísta de Lo Lishma (não para si mesmo) que alcancemos a intenção altruísta de Lishma (para si mesmo). É impossível formar a criatura de outra forma.

Quanto às queixas, o ego sempre desempenha o papel de acusador, mas os sofrimentos acabarão por quebrá-lo. Você não será capaz de ditar suas condições ao Criador. Ele irrita você de propósito para estimulá-lo, e há apenas uma resposta para isso: subjugar-se ao grupo.

Você deve entender que o seu ego é totalmente “quadrado” e que você não vai conseguir nada com sua ajuda. Enquanto você olhar para a realidade através do prisma do amor próprio, você não vai ver nada. Todos os mundos estão ocultos de você; o sistema da Providência superior está fora de sua vista. O que pode ser aberto para você se seu ego filtra todas as chamadas do Criador? Você pode reivindicar a demonstração de qualquer coisa quando na sua frente está uma venda impermeável?

É por isso que os Cabalistas nos dão conselhos sobre como agir neste estado. Se não usarmos seus conselhos, os problemas nos ajudarão a ficar sábios.

Não há nenhum propósito em sentir ressentimento de que algo está oculto de você. Você não tem meios para ver a verdade; somente na união nós podemos ver a liderança do Criador e estar cientes do que está acontecendo.

Mas com a condição de que essa compreensão e esse sentimento não vão jogá-lo fora da pista. Afinal, quando você finalmente obtiver esta oportunidade, você não vai realmente querer sentir e compreender, a fim de evitar um “suborno”.

Você vai dizer ao Criador, “Não revele nada para mim”. Caso contrário, eu vou perder meu livre arbítrio e vou me transformar num “anjo” e descer para o nível “animal”. Eu prefiro ser um ser humano que se esforça e comete erros do que um “animal sagrado” que não tem livre arbítrio. Apenas no nível humano eu posso expressar a minha atitude e só lá eu existo.

Você vai querer colocar Masachim (telas) sobre a Luz, temendo não resistir às suas tentações. Afinal, os guardas que não permitem que você entre no palácio do Rei o mantém afastado, não por sofrimentos, mas por golpes de abundância, que são muito mais fortes e são revelados a você como um amor que o enlouquece. É muito mais difícil colocar uma Masach sobre ele do que sobre os problemas da inclinação ao mal.

Hoje ela realmente ajuda você a entrar em contato com o Criador. O sofrimento foca você na meta. Portanto, diz-se, que o Faraó aproxima os filhos de Israel do Criador. Depois, haverá outros obstáculos e eu vou entender suas reclamações. Afinal, os golpes da Luz são muito mais difíceis. Mas não importa o que aconteça, você sempre vai querer a luta entre estas duas forças opostas, já que apenas entre elas você pode determinar sua independência.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/05/13, O Zohar – Introdução

Bem-Vindo Ao Cruzeiro Eterno

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam diz no artigo “O Arvut (A Garantia Mútua)”que se a sociedade se preocupar com cada um de seus membros, ela pode neutralizar o desejo egoísta de uma pessoa.

Suponha que eu vá num prazeroso cruzeiro com “tudo incluído”, despreocupado, já que o serviço realmente inclui tudo o que eu possa pensar. Eu descanso na minha cabine me preparando para passar duas semanas de puro prazer. No entanto, quando partimos, dizem-me que vai ser um cruzeiro eterno. Portanto, eu vivo, e tudo é preparado para mim: café da manhã, almoço e jantar são servidos no horário certo, a minha cabine está sempre arrumada, há uma biblioteca, uma sala de cinema, internet, piscina, e assim por diante. Tudo está a meu dispor.

Além disso, todo mundo me trata muito bem e é muito atencioso, e não há nada com que se preocupar. As pessoas ao meu redor estão prontas para me ajudar a qualquer momento e de qualquer maneira. Estes são os princípios sociais neste barco, e se aplicam a todos, sem exceção.

Portanto, como a minha natureza vai reagir a isso? É possível que o ego entre em erupção sob tais condições? As pessoas ao meu redor me ensinam a me anular por sua atitude em relação a mim, e eu não procuro formas para preencher e satisfazer-me mais.

Por exemplo, eu não perambulo em bares e restaurantes em busca de iguarias que ainda não provei, mas me sinto satisfeito com uma simples alimentação saudável. Luxos não me excitam como antes. Lá, um buffet de sobremesas está aberto diariamente, e rapidamente freia minhas demandas. Depois de alguns dias, eu já restrinjo meu “consumo diário”, e depois de uma semana, estou satisfeito com uma xícara de café e um biscoito. A atmosfera está cheia de Luzes Circundantes que estão constantemente prontas para conter e acalmar o meu ego.

A questão principal aqui é o exemplo que eu tomo dos outros e a atitude que eles me ensinam. Eu estou na companhia de pessoas que estão satisfeitas com pouco. Isto é o que é aceito entre elas, e pronto. Elas realmente não precisam de mais do que isso. Elas preferem desfrutar as boas relações, que eu agora tomo em porções, em vez de alimentos. Se eu me sinto triste e retiro uma porção do “nosso amor”, estou imediatamente cheio de amor.

Isso porque eu estou numa rede de relações sociais, humanas, cuja mensagem clara é que nunca me faltará nada. Na verdade, o sentimento em si é o suficiente, e nada mais. Inicialmente, pela nossa natureza, nós dependemos do ambiente, e não há compromissos aqui. Assim, se o grupo irradia a atitude certa em relação a mim, imbuído de tranquilidade, paz e boa vontade, então, menos de um dia depois, eu também sinto que tudo é exatamente como deveria ser. No entanto, se eu me encontrasse em alguma gangue, eu também iria absorver seus princípios.

Existe uma inclinação natural dentro de uma pessoa de se adaptar ao ambiente. Eu simplesmente não tenho meios e não há como combater essa inclinação. Assim, dentro de um par de horas, eu fico incorporado na atmosfera geral da garantia mútua e paro de me preocupar comigo. As pessoas ao meu redor são a minha rede de conexões e estão mais próximas de mim. Eu não posso resistir a sua opinião, já que também faço parte da rede geral.

Portanto, quando é a minha vez de revelar o Criador, a raiz da minha alma, eu sou levado a um novo tipo de conexão, a um grupo. A mesma lei opera aqui: o grupo me diz que não há nada com que se preocupar e que eu vou parar de me preocupar com isso. Mas, além disso, ele tem que transmitir a mensagem de que eu tenho que me conectar com os amigos e aderir ao Criador. É porque a autoanulação não basta, eu também preciso da direção certa, e eu também receberei esta mensagem.

Meu livre arbítrio não é tirado de mim no grupo, já que eu simplesmente vou me anular. Na espiritualidade, as opiniões de outras pessoas não são transmitidas automaticamente. Este é outro barco que eu tenho que escolher sozinho. O Criador me leva até a escada, mas cada passo exige grande esforço e fortalecimento ao longo do caminho. No entanto, será que eu fico mais forte? Eu realizo o meu livre arbítrio? Sem o livre-arbítrio, eu nunca vou desenvolver o ser humano dentro de mim.

O “ser humano” (Adam) é só aquele que pressiona a si mesmo para entrar no grupo e ser incorporado aos amigos. Então, eu recebo tudo o resto deles automaticamente, já que não tenho mais qualquer controle sobre isso.

Em suma, nós podemos escolher apenas uma coisa: o ambiente. A primeira e principal condição é a garantia mútua. Se nós estamos conectados em garantia mútua e proporcionamos a todos tudo o que eles precisam para a autoanulação, então não precisamos de mais nada para começar.

A segunda condição é ter certeza de que todos tenham estímulos e incentivos para que certamente se prendam aos amigos. Isso garante a boa sorte de uma pessoa.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/04/13, “A Garantia Mútua”

Credores

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: O rabino Akiva descreve dois tipos de pessoas: as primeiras são do tipo “loja aberta”, que consideram este mundo como uma loja aberta, sem um lojista. Ele diz sobre elas, “O livro está aberto e a mão escreve”. Ou seja, apesar de não ver que há uma conta, todas as suas ações são, no entanto, escritas no livro, como explicado acima.

Nós existimos num sistema geral, e o influenciamos através de todas as nossas ações. Não importa o que eu penso ou o que faço, tudo influencia imediatamente o todo, do qual sou parte integrante.

Isto é feito através da lei do desenvolvimento impressa na Criação contra a vontade da humanidade, onde as obras dos próprios maus necessariamente instigam as boas ações…

Como isso é possível? Como pode um ato mau me corrigir e gerar boas ações? O caminho do sofrimento existe para este propósito. Se eu gero uma série de problemas, se eu não mantenho a direção do objetivo da criação, a fim de julgar a mim mesmo e o mundo inteiro à escala de mérito, então minhas más ações e metas opostas trazem o sistema para tais distorções que, como resultado, me influencia como a fonte do mal e me obriga a mudar o meu estado e se torna uma parte boa e útil.

Isso significa que, no final, os meus maus atos certamente irão voltar para mim duas vezes mais forte que o dano que causei ao sistema e vai me forçar a mudar para melhor.

O caminho do sofrimento é indesejável. Ele é prolongado e contínuo, já que todos os meus atos passam pelo sistema até que este responda. Isso leva tempo, mas certamente vai acontecer, uma vez que o sistema não muda.

Portanto, meus maus atos certamente irão me influenciar e, no final, me corrigir. No entanto, eles me só corrigem para que eu possa entender que sou um fator negativo no sistema geral e, portanto, sinto-me mal. Ele não me muda ou corrige. Diz-se sobre isso: “O próprio Criador coloca a mão da pessoa na boa sorte e diz-lhe: ‘Escolha isso por si mesmo’”. Eu sou apenas trazido ao lugar onde posso escolher, mas o sistema não escolhe nada para mim. Ele só me leva à decisão que eu tenho que fazer boas ações.

“As pessoas do segundo tipo são chamadas de “aquelas que querem tomar emprestado”. Elas levam o lojista em consideração, e quando tomam alguma coisa da loja, apenas o tomam como um empréstimo”.

Então, de onde é que vêm essas pessoas boas e inteligentes? Tal como o primeiro tipo, elas também têm sofrido, já que nenhuma recebe qualquer tratamento especial, e a mesma força de bem e de mal existe em todos nós. Se a sua inclinação ao mal é grande, nesse sentido, você tem suficiente inteligência, sabedoria e persistência. Assim, no fim da correção, nenhuma vai sentir que está desprovida em relação aos outros, mas sim que cada um tem seus próprios atributos especiais e que eles são compatíveis uns com os outros, enquanto que na relação ideal eles são iguais.

Há pessoas que passaram por grandes dificuldades nesta ou numa vida anterior e tornaram-se mais sábias, não em suas mentes, mas em sua interioridade. Elas já têm a preparação interior que lhes permite compreender que estão num sistema geral e que devem ser atenciosas com todos, pois não há outra maneira. Isso vale a pena, já que sofrerão menos desta forma.

Elas querem curar o sistema ou até mesmo amarrá-lo ao Criador, dependendo do seu nível atual, o qual, por fim, é determinado pelo nível de dor que elas experimentaram. Assim, não é de se admirar que, relativamente, a nação de Israel sofra muito mais do que as outras. Isto é determinado pelas condições do sistema geral.

“Elas prometem pagar ao lojista o preço desejado, ou seja, alcançar o objetivo através disso”.

Este é o preço. Eu peço, exijo que o Criador me dê uma mente, sentimentos e o poder de fazer exatamente o que Ele exige de mim. Eu vou me esforçar, vou conseguir me convencer, e então, vou ver que realmente vale a pena se comportar precisamente dessa maneira. Nesse meio tempo, eu avanço sob a pressão dos golpes que recebo, mas depois, aos poucos vou mudar meu ponto de vista, à medida que reconsidero o que está acontecendo e não vou avançar “sob pressão”, mas pela singularidade que está na doação, no amor ao próximo.

Assim, eu peço um empréstimo. Eu peço ajuda, o que é chamado de elevar MAN, um pedido de correção, à medida que quero preencher o desejo do superior. Isso sempre requer uma subida acima da razão. Eu tomo uma decisão que não é baseada em meus desejos egoístas, mas nos desejos que estão acima deles.

As do primeiro tipo, cuja dívida é recolhida pelos coletores do desenvolvimento, pagam sua dívida sem saber, mas as ondas de tempestade vêm sobre elas, através do forte vento do desenvolvimento, e as empurra por trás, forçando-as a dar um passo à frente.

Assim, a sua dívida é recolhida contra a sua vontade e com grandes dores pelas manifestações das forças do mal, que as empurram por trás. Mas as do segundo tipo pagam sua dívida, que é a realização consciente do objetivo, por vontade própria, ao repetir as ações que aceleram o desenvolvimento do sentido de reconhecimento do mal.

É claro que elas recebem a força positiva que as puxa para cima em direção ao objetivo, mas são elas que despertam como se realmente avançassem de acordo com o seu próprio livre arbítrio.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/05/13, “A Paz”

Odiar O Mal Nos Aproxima Da Bondade

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, Artigo 52, “Transgressão não Extingue uma Mitzva“: É preciso saber que não é preciso extirpar o mal, pois isso é impossível. Em vez disso, só se deve odiar o mal, como está escrito: “Vocês que amam ao Senhor, odeiam o mal”.

Trata-se da nossa escolha. Há um plano que leva ao propósito da criação que deve ser cumprido. Nós não podemos mudar este plano, porque o contraste entre a Luz e o vaso existe desde o princípio da criação, e deve chegar a um fim, para que no final do processo eles não se oponham, mas se fundam num todo.

Portanto, esse processo deve incluir os seguintes três estados: o estado inicial da criatura, o processo de correção e o estado do fim da correção. A única coisa que podemos fazer é acelerar o tempo, perceber todos os estados corretamente, ou seja, conseguir justificá-los e desejar-lhes com antecedência. Graças a isso, nós adquirimos a compreensão e o sentimento de quem é o Criador, e como podemos nos conectar a Ele e nos tornar semelhante a Ele.

Nós aprendemos sobre a escolha a partir de diferentes exemplos. No entanto, a base da escolha é o seguinte: se eu quiser me aproximar dos estados futuros que são esperados ao longo do caminho, para apressar o meu desenvolvimento, eu devo fugir do passado e me aproximar do futuro de acordo com o cronograma do plano do meu desenvolvimento. Isso significa que eu me afasto do meu desejo egoísta e me aproximo do desejo de doar.

Esta aproximação depende do meu ódio da recepção e da minha atração à doação. Da parte da natureza, o Criador me empurra a ela pela força da Luz, quando revela para mim mais e mais golpes do meu ego de cada vez. Portanto, eu sinto sofrimento, mal, e, assim, odeio meu ego. Em contraste com este sentimento ruim, eu começo a amar os atos de doação, a conexão em que acredito que vou me sentir melhor. Assim, a natureza, o Criador, a força da Luz, me avança.

Este é o lugar onde reside o meu livre arbítrio: até que ponto eu posso aumentar meu reconhecimento do mal que se expressa no meu ódio ao mal. Eu posso fazer isso com a ajuda do ambiente. Se o ambiente começa a me contar mais sobre o mal, que eu alcancei através dos meus golpes pessoais, eu vou me afastar do meu desejo egoísta muito mais rápido e desejar a doação. Portanto, eu tenho que receber inúmeros exemplos de tudo o que me rodeia, o que me prova como o ego é mal e como é boa a doação.

Aqueles em torno de mim têm que me deixar ver e sentir isso, fazer uma lavagem cerebral em mim. Por fim, o ódio ao mal vai queimar em mim, e eu vou avançar muito mais rápido para aquilo que é oposto a ele, para o bem. Portanto, como está escrito: “Vocês que amam o Senhor, odeiam o mal”. Por isso, eu já vou saber o que devo fazer: como posso transformar meus desejos, que não desaparecem, em sua forma oposta, utilizando-os de uma nova maneira.

Eu quero me sentir bem! E se eu tiver que doar para me sentir assim, eu estou pronto para fazer isso. Se eu tiver que tratar os outros de maneira mais agradável, eu não tenho escolha, e concordo em tratá-los de maneira mais agradável para que todos se sintam bem. Assim como em tempos de guerra ou em outros momentos difíceis, quando as pessoas se aproximam, já que sentem que isso vai ser melhor para todos, a pessoa sente que, no final, vai ser melhor.

Assim, de Lo Lishma (não em Seu Nome) chegamos à Lishma (em Seu nome). Primeiro, a pessoa reconhece a vantagem de uma boa atitude egoísta, quando entende que não temos escolha senão nos conectar, para sermos compatíveis com a natureza, e para deixarmos de prejudicar o outro. Por fim, ela começa a sentir que há um poder especial na conexão, um novo estado especial que ela nunca tinha experimentado antes.

Assim como quando duas pessoas se conectam, tentando não prejudicar uma a outra no início e dando prazer uma a outro, de repente elas começam a sentir que há algo mais entre elas, uma sensação que nunca experimentaram antes. Portanto, de Lo Lishma nós chegamos à Lishma. É tudo graças ao nosso ódio crescente pelo desejo egoísta de desfrutar e à separação.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 03/05/13

Mesma Peça, Cenário Diferente

Dr. Michael LaitmanNós todos estamos conectados por uma “teia” de forças que penetra em todos os nossos relacionamentos. Em geral, estas são forças de recepção ou forças de doação. Se a pessoa não descobre nenhuma das forças, é como se ela estivesse pendurada no vazio. Geralmente, no entanto, as forças positivas ou negativas são reveladas a ela, e juntas tecem a rede geral.

Portanto, existe a “teia” e depende da pessoa em que medida ela a sente, até que ponto está nela e até que ponto quer que estas forças sejam corporais ou espirituais.

Nós podemos dizer que estamos numa posição “fixa” nesta rede, independentemente da nossa localização física. E o ditado, “quem muda seu lugar, muda sua sorte”, refere-se às “coordenadas” espirituais. Se eu passo de um país para outro, vejo pessoas diferentes e um ambiente diferente em torno de mim, isso não significa que eu mudei minha posição no sistema de alguma forma.

Eu estou no mesmo ponto, na mesma rede, mas agora ela simplesmente parece ser diferente. Mesmo que minha “sorte” tenha mudado, ou seja, as forças que atuam sobre mim, isso não significa que eu mudei minha posição na rede espiritual. Apenas as manifestações, as “vestimentas”, a cena no teatro do Criador, pelo qual Ele me maneja, mudou. Mas o diretor é o mesmo, a peça é a mesma peça e por trás do novo cenário, existem as mesmas cenas…

Pergunta: Mas o que eu devo enfatizar? Onde eu deveria fazer um esforço?

Resposta: O Criador me diz: “eu trouxe você para um ponto de escolha, agora realize-o”. Ele me trouxe ao grupo, mas é apenas o local de escolha, enquanto a escolha em si está em minhas mãos. É como chegar à urna de votação que já foi preparada para mim, e agora a escolha é minha.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/04/13, “A Garantia Mútua”