Textos na Categoria 'Espiritualidade'

Uma Rede Envolvendo Todo O Universo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa que cada um dos nove estudantes do Rabbi Shimon representava uma Sefira diferente? Esses Cabalistas podem viver em nossa época?

Resposta: Os dez Cabalistas que tornaram possível a escrita do Livro do Zohar são as dez principais Sefirot. Cada um deles, ao alcançar a raiz de sua alma, entendeu que pertencia a uma das suas dez Sefirot, e a unificação interna deles produziu uma força tão grande que eles puderam revelar a Luz superior e “respingá-la” em nós. Por isso esse livro é chamado “O Zohar, de acordo com o nome da Luz que brilha na parte superior do mundo de Atzilut (GAR de Atzilut).

Eu não penso que hoje nós precisamos de Cabalistas de tal estatura. Eles já revelaram tudo, iluminaram todo o sistema de almas, e todos os outros Cabalistas se uniram ao mesmo sistema. Isso produziu uma completa rede corrigida de almas dentro do sistema comum de almas, que ainda não estão corrigidas.

Agora, se nós quisermos nos corrigir, basta lermos O Livro do Zohar tanto quanto possível, com toda nossa força, para tentarmos nos unir a seus autores, suas almas, bem como os Cabalistas que os seguiram. Eles se tornaram a parte corrigida do sistema comum das almas, e se nós quisermos nos unir a eles, seremos capazes de usar todas as Luzes e forças que operam na união mútua deles. É assim que seremos capazes de usar a Luz do Livro do Zohar.

Em essência, nós já recebemos tudo! Já existe um sistema corrigido de almas dentro do sistema que ainda não se corrigiu. Nós temos o livro à nossa disposição e toda a ciência da Cabalá, em geral, que estudamos pelo método do Baal HaSulam. Isso é suficiente para nós!

Está claro que ainda haverá novas revelações, nós iremos explicar tudo mais e iremos entender melhor o que está escrito nesse livro. Mas, nós já recebemos do alto tudo para completar nossa correção.

A Cabalá é estudada num grupo. E cada pessoa no mundo que sente que tem que corrigir sua alma e aspira revelar a razão de sua existência, onde se encontra a raiz de sua vida e sua razão, irá finalmente encontrar esse caminho dentro da mesma rede – dentro de um de nossos grupos. Lá ela começará a revelar o que estamos fazendo e como revelar a raiz da alma, como revelar o sistema espiritual no qual existimos, ainda que estejamos lá num estado inconsciente, por enquanto. Assim, como podemos perceber esse sistema?

Quando nós chegamos ao grupo e começamos a estudar, a princípio vemos pessoas a nossa frente. Mas, depois de termos estudado por algum tempo, nós começamos a entender que essas não são pessoas, mas uma rede de conexão interna que nos une.

Por enquanto, esse sistema é defeituoso, mas estamos tentando revelar certa conexão nele, procurando pela força que poderá nos corrigir, nos fazer uma pessoa com um coração, nos levar ao amor ao próximo, à garantia mútua, e à união mútua.

Essa aspiração mútua para revelar a conexão entre nós na união dos corações nos leva à sensação da rede. Nós sentimos que ela existe. De repente, nós começamos a sentir que ela está presente. Então, dentro desse sistema de conexão, nós nos vemos, e a todos os grandes Cabalistas que entram nessa rede com seus elementos corrigidos e a apoiam, conduzindo a Luz dentro desse sistema, nutrindo-o através da Luz da união, amor, e participação mútua entre todos os seus elementos.

Não importa como nos sentamos juntos: física ou virtualmente. A coisa mais importante é que nós nos sentimos juntos e queremos nos tornar parte do mesmo sistema, nos unir aos Cabalistas. E se lemos O Livro do Zohar, nós atraímos nutrição, força, entendimento, e sensação espiritual dessas almas, dessa rede corrigida, tal como as criancinhas arrancam dos adultos. Isso nos capacita a nos tornar parte desse sistema e alcançar reciprocidade, conexão, e concessões, nos anulando e nos unindo com todos.

Do programa sobre Lag B’Omer em 17/05/11

Espremido Entre O Bem Eo Mal

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como pode existir a “inclinaçãoao mal” se só existe o Criador e ninguém mais além Dele?

Resposta: E quem criou esta “inclinação ao mal” se não há mais nada além do Criador? O Criador criou esse mal. E ela vive sob o jugo do Criador. O Criador a controla; Ele a gerou; ela é Seu filho, como está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal”.

Pergunta: Mas o Criador é o bom que faz o bem; portanto, como o mal pode derivar Dele?

Resposta: O bom que faz o bem criou esta “inclinação ao mal”, como é dito: “O resultado final está no pensamento inicial”.  Na verdade, se você decide criar alguém além de você, para que sua criação possa alcançar o seu nível, e se você quer assisti-la com todo seu coração e alma, com tudo o que você tem, então você não tem escolha: você deve criar um vaso nela, um desejo que será exatamente como o seu em quantidade , qualidade, nível de compreensão, e tudo mais, mas com uma impressão inversa. E isso é exatamente o que o Criador fez.

Portanto, a “inclinação ao mal” é a criação inteira; nada mais é necessário. Nós não entendemos isso. Nós pensamos que existem objetos materiais, por exemplo, um lápis. Por que não? Afinal, você vê que ele existe. Tem cor, forma e peso. Mas na espiritualidade ele não existe. Na espiritualidade, a pessoa só existe se ela tiver uma essência individual, algo de si mesma, em vez de existir somente porque alguém a criou.

Digamos que um lápis não existe na espiritualidade, pois não há ação proveniente dele, nenhum desejo de ser semelhante ao Criador. Portanto, ele não existe na dimensão espiritual. Tudo o que vemos em nosso mundo não existe na espiritualidade. Este mundo não existe, porque ele é uma realidade que não tem qualquer movimento pessoal em relação à equivalência com o Criador, em nenhum objeto ou desejo.

Por esta razão, se quisermos criar um ser, devemos programar nele a capacidade de se mover de forma autônoma, independente. Que tipo de criatura o Criador criou? Foi a “inclinação ao mal”. Mas será que essa “inclinação ao mal” tem a sua própria capacidade de mover-se? Será que ela é realmente independente e respeitável? Sim, é sim.

A inclinação ao mal é a linha esquerda na espiritualidade, onde ela reage ao Criador, compreende-Lo, e deseja ser o oposta. É onde tudo começa. A inclinação ao mal não começa com o meu desejo de devorar comida ou dormir.

Depois de passarmos pela preparação neste mundo e atravessarmos a Machsom (barreira), de um lado nós recebemos a “inclinação ao mal” (a linha da esquerda, a recepção) e do outro a “inclinação ao bem” (a linha direita, a doação). É nosso trabalho restaurar a linha do meio entre ambas.

No lado esquerdo, há a “inclinação ao mal”, o Faraó, que afirma: “Eu mando!”, e isso só depois da Machsom. E bem diante dele, existe a força superior, de doação. Quanto a nós, estamos na linha média (ou do meio).

Esta é a própria “inclinação ao mal” criada pelo Criador, enquanto que tudo o que temos durante a nossa preparação neste mundo é uma mera existência animal, nem boa nem má. Não é disso que estamos falando. Portanto, esse mundo não existe, é imaginário e não há nem bom nem ruim nele.

As inclinações ao “bem” e ao “mal” só existem na espiritualidade. Elas são os dois anjos, as duas forças, os dois servos. A quem elas servem? Elas servem ao homem que está construindo a si mesmo, ou seja, seu próprio desejo, o seu “Eu”, a partir de ambas. Isso é o que o Criador deseja.

Portanto, como pode o meu “Eu” se concretizar se não tenho essas duas forças a partir das quais vou construira mim mesmo no meio, entre “prós” e “contras”, fazendo minha própria escolha? Portanto, o Criador criou intencionalmente a “inclinação ao mal” como uma força que se opõe a Ele. Afinal, a doação, a “inclinação ao bem”, é o próprio Criador. Então, entre essas duas forças, na parte média de Tifferet, entre os seus e terços superior e inferior, há espaço para o homem.

Somente assim você pode construir um espaço livre ou o ponto de livre-arbítrio. A liberdade reside apenas entre os dois estados bem definidos, que pressionam você de ambas as direções, e você deve escolher entre eles.

O ponto de liberdade, de escolha, do livre arbítrio, é a escolha que você faz no espaço estreito e contraído entre as lâminas da tesoura. Imagine isto: duas paredes começam a se mover de repente e nos apertam entre elas… Isso é que é a liberdade. E quanto mais alto você subir nos degraus da escada espiritual, mais estreito fica o espaço entre elas e mais forte elas lhe pressionam. Mas é a partir dessa própria pressão muito, da horrível tensão entre elas, qu você encontra sua expressão do Eu.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/05/01, O Zohar

Desembrulhe O Ponto No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há muitos grupos e comunidades em todo o mundo que perseguem todos os tipos de metas. Será que uma conexão sem os pontos no coração ajuda as pessoas a superar o desejo egoísta?

Resposta: O ponto no coração é o desejo de revelar a raiz; ele é uma parte do Criador proveniente do Alto. Eu tenho um ponto negro, a necessidade por algo que eu não posso definir. Nesta vida, falta-me uma sensação, um entendimento: Pra que serve a vida? Por que ela existe? De onde ela vem? Qual é a sua finalidade? Quem está me controlando?

Eu começo a ter dúvidas sobre o propósito da vida. É como se do Alto houvesse um fio ligado a mim, um canal de forças e o governo superior, e eu quero alcançá-lo, para saber a razão de viver. Eu faço perguntas que uma pessoa normal tem medo de perguntar, envergonhada de fazê-la.

Estas questões finalmente fundem-se em uma só: “Qual é o sentido da vida?”. Sem respondê-la, eu não vejo porque eu deveria viver. Eu preciso quebrar a fechadura desta “caixa de jóias”. E se a minha pergunta for até a própria essência, na fonte da vida, isso significa que eu tenho o ponto no coração.

Uma pessoa com o ponto no coração chega ao grupo que estuda com esta questão específica: “Como faço para encontrar o propósito da vida, a sua fonte? Como faço para descobrir o governo superiores e juntar-me a ele com tudo o que eu sou?”. A pessoa não pode desistir no meio do caminho, pois este desejo dirige-se a própria essência da criação, e nada irá detê-lo agora. Ela está pronta para enfrentar o Criador e não sucumbir a qualquer limitação. Não importa o quão duro os outros possam tentar segurá-la, não importa o que possam dizer, a pessoa simplesmente não se importa.

Essas pessoas chegam à sabedoria da Cabalá.

Também há outro tipo, aqueles que ainda estão pensando. Seu ponto no coração também despertou, mas ainda está “embrulhado” com todos os tipos de embalagem. Então, eles estão satisfeitos com o misticismo, práticas holísticas, filosofias orientais, meditação, vegetarianismo, naturalismo, e assim por diante. Todas essas tendências começam com a mesma pergunta, e é por isso que elas são tão populares em nossa época. No nível subconsciente, o homem sente que é hora de transcender um pouco, de mudar …

Assim, gradativamente, nós avançamos. Nós temos que esperar até que as pessoas verifiquem essas direções. Enquanto isso, o desejo delas cresce, de modo que, pouco a pouco, elas vão suspender suas buscas e chegarão à fonte, ao método que possa revelar-lhes essa fonte. Esse é o caminho.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/05/11, “A Liberdade”

A Lei Da Adesão Com O Criador: 1+1=1

Dr. Michael LaitmanPor que a força unificada da natureza, que chamamos de Criador, que nos criou, desenvolve-nos de um jeito tão peculiar, ao nos manter completamente perdidos em nossos pensamentos e desejos? Por que e com que propósito Ele nos deu a ilusão enganadora dessa realidade e continua a nos enrolar para que, como criancinhas, continuemos correndo continuamente, procurando por prazeres, tentando agarrar mais e mais? O que conseguimos com toda essa bagunça?

Especificamente, ao tentar reconhecer uma força causadora, uma origem nessa confusão, nós nos tornamos equivalentes a essa força. Como resultado dos 613 desejos, dos 613 pensamentos, e de uma variedade incontável de situações desagradáveis, nós construímos a nós mesmos como um todo.

Assim, todo o propósito do nosso trabalho espiritual é alcançar a união, a garantia mútua, tornar “como um homem com um só coração”, e nos unir em um desejo, um vaso espiritual. Estamos fazendo tudo isso para nos aproximar da adesão com a força única e unificada, o Criador, quando todos nós como um todo, e o Criador, nos uniremos.

O Baal HaSulam escreve sobre isso em seu conhecido artigo: Não Há Ninguém Além Dele”. Está escrito: “Não há ninguém além Dele”. Isso significa que não há outra força no mundo que tenha a habilidade de fazer qualquer coisa contra Ele. E se que homem vê que há coisas no mundo que negam  o Senhor Altíssimo, a razão é que essa é Sua vontade (de Se mostrar para nós em tal condição dividida, como se existisse Ele e as forças opostas a Ele).

Por causa disso, nos foi dada a oportunidade de conquitar isso e nos recriar, enquanto superamos a confusão que nos faz duvidar da força única, o Criador, e tentar constantemente encontrá-Lo somente na imagem apresentada a nós. É nisso que implica o nosso trabalho.

Da Lição 8, Convenção NÓS! 03/04/11

A Cabalá É A Física Do Mundo Integral

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá é a física do mundo integral. Do que trata esse mundo integral, nós não sabemos. Nós alcançamos somente um pedacinho dele, que somos capazes de perceber através dos órgãos sensoriais do nosso mundo físico, da mesma forma como os outros animais.

Por outro lado, diferente deles, nós temos uma mente mais capaz, um desejo maior, e assim nos ajustamos no mundo um pouquinho melhor que os animais comuns, enquanto que tentamos tirar mais vantagem dele. Todavia, na medida em que nossa percepção sensorial se baseia nos nossos cinco órgãos sensoriais (visão, audição, gosto, olfato e tato), ela é um pouco pior do que a deles. Eles são bem melhores em sentir a natureza do que nós.

Somente a nossa mente e o nosso ego são mais avançados, e é por isso que nós somos maiores do que os animais, mais crueis e perversos. Podemos tirar vantagem desse mundo do qual eles também estão cientes. Porém, de qualquer forma, somos capazes de perceber só uma pequena parte da realidade.

A sabedoria da Cabalá nos explica toda nossa existência, a conquista da verdadeira realidade. De acordo com a sabedoria da Cabalá, a maior diferença entre a nossa percepção limitada desse pedacinho da realidade e a habilidade de ver uma realidade mais ampla, como sair desta gaiola estreita do nosso pequeno mundo fechado para o enorme e belo mundo lá fora, está em saber como não nos tornar dependentes de todo tipo de mudanças, forças, e atos, mas ao invés disso perceber uma única força.

No momento que começamos a levar cada vez mais esse número infinito de forças, ações, mudanças, e pensamentos, toda essa bagunça que nos cerca, para uma única força, isso significa que nós estamos subindo a escada dos mundos, até alcançarmos o mundo do Infinito, onde existe, de fato, somente uma força e onde todos os pensamentos, desejos, percepções, situações difíceis, e ações; dessa forma, tudo que era tão confuso para mim antes, se torna unificado. É quando nós alcançamos que “não há nada além Dele”, essa força singular, o Criador.

Da Lição 8, Convenção NÓS! 03/04/11

Há Um Lugar Para Tudo

Dr. Michael LaitmanMesmo no mundo material, nós não temos qualquer oportunidade de nos transformar em uma nação que viva em seu próprio país, em sua própria terra, a menos que primeiro nos corrijamos espiritualmente. Somente as forças que descem do alto fornecem as condições materiais para nós aqui.

Em geral, nós devemos tentar compreender, da melhor forma possível, o que significa o mundo material. Ele não é a meta, mas o menor e mais externo meio para se começar a ascensão. Nesta realidade material extremamente falha, que repousa no nível mais inferior, devemos começar a executar a obra de união, a fim de entrar no mundo espiritual.

Depois disso, vamos recorrer a todas as outras nações e mostrar a elas este trabalho, para que elas também se unam umas com as outras. Como resultado, todos nós, o mundo inteiro se tornará um todo único, uma só família, e ascenderá ao seu nível espiritual. Essa é a única maneira de nós realizarmos a nossa predestinação, o propósito pelo qual nós existimos.

Nós temos que dar a tudo a sua devida importância: o nosso mundo em comparação com o mundo espiritual, a nação de Israel material em comparação ao seu análogo espiritual, o estado de Israel material em comparação à terra espiritual de Israel. Cada coisa deve ter seu próprio lugar conforme a meta final. É exatamente isso o que determina a importância de um objeto e os meios para utilizá-lo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/05/11, “Herança da Terra”

O Criador Aos Olhos Da Criatura

Dr. Michael LaitmanNós estamos separados do Criador apenas por um pequeno ponto preto no interior da Luz infinita, que é considerada como “a existência a partir da ausência” (Yesh Mi Ain). Esta é, de fato, a base de toda a criação, a nova realidade “a partir da ausência”. O resto é “a parir da existência”, do Criador.

Este ponto é criado pelo Criador, enquanto que toda “existência” (Yesh), que é adicionada a este ponto, deve vir de nós, do nosso próprio esforço. Assim, no final, nós atingimos a equivalência com o Criador, a adesão, o nível igual ao Dele.

Primeiro de tudo, este ponto da criação evolui nas quatro fases de expansão da Luz Direta, onde estas quatro fases de doação instilam no ponto “a partir da ausência” todos os fundamentos. Por parte da Luz, as ações não mais são necessárias; é o suficiente. O resto surge como reação a este ponto, que recebeu a impressão da Luz, absorveu suas propriedades e, portanto, é capaz de agir por si só.

Assim, a partir do mundo do Infinito, do estado onde ele se fundiu com a Luz, o ponto começa a se retirar em direção ao nosso mundo através das dez “Sefirot de ocultação” (Sefirot Blima) que absorvem (Bolim) a Luz interiormente, dentro da criatura. Devido a isto, a criatura cresce a partir do ponto de oposição ao Criador, atingindo a máxima distância possível Dele, que é considerado como “este mundo”.

Esta retirada (qualitativa e quantitativa) abrange todas as propriedades e locais. Como resultado, a criatura não tem nenhuma qualidade que possa ser compatível com o Criador no mínimo grau. Nós achamos que isso significa uma queda, uma descida, a retirada, a escuridão, mas é completamente o oposto. É o desdobramento de nossa natureza, o próprio ponto negro criado pelo Criador!

Este desenvolvimento é necessário para revelar o quanto este ponto de “ausência” é oposto à existência, ao que “existe”. É o que nós atingimos a partir de toda essa descida, embora não todos de uma vez, mas com o tempo, descendo cada vez mais, depois de chegar a “este mundo” e experimentar o desenvolvimento de nosso egoísmo, o que significa perceber nossa oposição ao Criador. Assim, nós passamos através dos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, até chegar ao menor, o “humano”.

O ser humano se torna consciente de estar longe e oposto ao Criador e conclui que é mal. A partir da consciência do mal, ele continua a estudar ainda mais a si mesmo e o Criador, como a “vantagem da Luz vinda da escuridão”, e entende que é necessário tornar-se corrigido. Assim, ele alcança a verdadeira oposição ao Criador.

Quando ele começa a sua correção, por um lado, ele começa a subir de volta para o mundo do Infinito ao igualar-se com o Criador. Por outro lado, mesmo ao fazer isso, ele alcança o quanto oposto ele é em relação ao Criador.

Só no fim da correção (Gmar Tikun), quando ele retorna ao ponto inicial (Malchut do Infinito), ele obtém o entendimento, a consciência plena, e a experiência do que significa a existência (Yesh), a propriedade do Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/05/11: “Todos Que Sofrem Pelo Público”

Os Dois Grandes Parceiros

Até alcançar a força da unidade, onde vivemos no centro da esfera de todos os mundos (no mundo do Infinito) e de onde saimos e descemos ao nosso mundo externo, a mesma fonte, o Criador, afeta-nos com o bem e o mal e confunde-nos em todas as direções, como está escrito: “Tu me cercaste por trás e pela frente”.

O que significa “por trás e pela frente”? O Baal HaSulam explica que “Tu me cercaste por trás e pela frente” significa tanto quando o Criador se revela como quando se oculta. Afinal, Ele é o único que governa, e todos o alcançarão. Então, a noção de tempo e a sensação de passado, presente e futuro desaparecerá. Se há somente uma força agindo, nada muda e tudo está em repouso absoluto.

A realização vem gradualmente, em correspondência com a forma com que nos unimos a essa força única, o Criador. Além disso, nós não perdemos o controle da realidade e nos transformamos em nada; pelo contrário, nos tornamos como Ele. Nós, juntamente com Ele, nos tornamos a mesma força singular, governante e magnífica. E nenhum anula o outro: o Criador não anula a criatura, nem esta anula o Criador. Seguindo em frente e mais perto Dele, eu não me anulo. Em vez disso, é o meu ego que fica anulado, enquanto eu me elevo como o Criador e alcanço a adesão com Ele em toda a Sua perfeição.

Então, eu descubro que tenho sido governado por esta força o tempo todo, mas ela estava simplesmente se ocultando de mim de propósito, para que eu a conquiste por conta própria e torne-me tão autônomo e magnífico como esta força singular, o Criador. A medida que eu continuo construindo a mim mesmo em equivalência a Ele, o Criador surge diante de mim como um parceiro magnífico e igual, e assim nos unimos.

Toda vez que eu ganho autonomia, ao transcender o meu ego em união com o grupo, descubro o Criador dentro de nós, e assim nos unimos.

Da Lição 8, Convenção NÓS! 03/04/11

O Jogo “Nos Bastidores”

Dr. Michael LaitmanOs graus de nossa conexão, de como nos unimos mais ainda entre nós, são os degraus da escada espiritual, a escada dos mundos. Nós nos unimos no mínimo grau, superamos a espessura mínima do nosso desejo (Aviut Shoresh), e, assim, alcançamos o Criador só no nível da Luz de Nefesh .

Quando nos unimos em um grau maior, nós O alcançamos como a Luz de Ruach, seguido pela Luz de Neshamah, Haya , e Yechida. Assim, nós passamos do mundo de Assiya para o mundo de Yetzirah, seguido pelos mundos de Beria, Atzilut, Adam Kadmon, e, finalmente, alcançamos o mundo do Infinito, onde a nossa união não tem fronteiras e tudo está ligado como um todo.

Até que isso ocorra, essa força original continua agindo em nós, confundindo-nos, e alimentando-nos de todas as maneiras possíveis, para que possamos desenvolver uma necessidade de união entre nós e nos unamos a ela. No entanto, essa força atua “nos bastidores”. É assim que brincamos com as crianças, pois queremos que elas ” tenham uma idéia genial” e usem toda a sua habilidade para fazer algo independente. Nós sabemos que somente quando a criança se esforça pessoalmente é que ela ganha sabedoria e entendimento da vida. Nesse sentido, nós somos iguais.

Por outro lado, as crianças têm um enorme desejo e anseio natural de crescer, pois estão sempre prontas para agir e aprender sobre o mundo, enquanto nós somos preguiçosos e incapazes de realizar o esforço necessário. É aqui que a força externa, a força do grupo (e nunca a força do Criador!) pode agir, como está escrito: “Eles ajudaram cada um de seus amigos”.

Da Lição 8, Convenção NÓS! 03/04/11

A Fórmula Do Criador

Dr. Michael LaitmanEm nosso trabalho espiritual, nós não podemos fazer nada, porque não sabemos como identificar a força unificada e relacioná-la a muitas situações na nossa vida. Com o que nós devemos sintonizar? Simplesmente dizer que o Criador está em toda parte não ajuda.

É por isso que nos é dado o grupo, e se nos unirmos, descobriremos entre nós esta força unificada chamada “Não há outro além Dele”. O Criador dividiu intencionalmente a criatura que Ele tinha criado em uma infinidade de partes para que elas pudessem se reunir de novo em um único pensamento, um único desejo. Então, neste desejo comum, elas revelarão a força unificada que só existe na conexão que elas formaram, na unidade e na adesão entre si.

Ao nos unir em um único desejo, não alcançamos esta força fora de nós, mas revelamos a nós mesmos e esta força juntos, como um todo. Na verdade, não há Luz sem vaso (Kli), não há Criador sem criatura. Quanto mais nos unirmos mais revelaremos o Criador dentro de nossa união.

Em outras palavras, a nossa união é o Criador. Assim era no início da criação; depois, nós nos dispersamos e descemos a este mundo na forma de pequenas criaturas egoístas.

Portanto, ao nos unir estamos construindo o Criador. Nós estamos criando-O de forma independente. É por isso que Ele é chamado de Criador (em hebraico, BoReh, ou “venha e veja”). Não há outro lugar onde possamos construí-Lo, discerní-Lo, unir e alcançar a adesão com Ele, exceto dentro de nossa união no grupo. Toda a humanidade precisará se conectar da mesma maneira.

Da Lição 8, Convenção NÓS! 03/04/11