Textos na Categoria 'Espiritualidade'

Conheça Todas As Formas Do Superior E Molde-Se

Dr. Michael LaitmanO desejo não se desenvolve até que tenha sido submetido às quatro fases de desenvolvimento sob a influência da Luz e chegue a um estado de consciência, de sensação de si mesmo, quando é capaz de tomar decisões independentes e responder à Luz em certa medida. Isto significa que, em qualquer ponto da criação, sempre que a fase da “raiz” (zero) for encontrada, demonstra a doação do Criador, que pretende causar certa reação na criatura, na “existência a partir da ausência” (Yesh Mi Ain).

Começando com a fase zero, a partir da chamada “ponta da letra Yod“, é necessário passar por quatro fases de HaVaYaH (Yod, Key, Vav, Key), ou a primeira, segunda, terceira e quarta fases da Luz Direta. Somente na fase quatro (Behina Dalet) é que o desejo responde.

Em qualquer lugar da criação, não importa o ponto que tomemos em todo o universo, descobriremos um estágio zero nele: a conexão do Criador com algum ponto “a partir da ausência ” (Yesh Mi Ain). A partir daí, afetado pela Luz, o desejo de receber começa a desenvolver-se e tem que passar pelas quatro fases, a fim de se transformar em uma criatura, começando a sentir e responder aos efeitos da Luz

Assim, tudo começa a partir da “ponta da letra Yod“,  da “existência a partir da existência”, do Pensamento da Criação, Seu pensamento. Em seguida, ela começa a trabalhar, e as fases um, dois, três e quatro surgem (ou YodKey-VavKey), até alcançarmos a quarta fase (Dalet), que neste momento experimenta a si mesma como existente.

Existem duas forças aqui: a que governa e a que é governada. Cada uma delas está ativa e em potência, ao mesmo tempo. As três primeiras fases (zero, um e dois – Keter, Hochma, Bina) ainda pertencem ao Criador. As fases três e quatro (Zeir Anpin e Malchut) referem-se à criatura.

Uma divisão semelhante pode ser observada posteriormente em todos os objetos espirituais, Partzufim, nos mundos. Os três primeiros graus (GAR) dizem respeito ao pensamento ou ao programa do superior. ZAT (Zeir Anpin e Malchut) refere-se ao inferior, à criatura, onde Zeir Anpin serve como um adaptador entre o superior e o inferior.

A parte superior é Keter. Sua qualidade de doação é Hochma (Sabedoria). A forma na qual Ele deseja doar é Bina. A forma na qual Ele se relaciona com o inferior é Zeir Anpin. Esta é uma relação multidimensional: Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, Yesod, Malchut. Assim como a Malchut, esta é a matéria que absorve todas as formas anteriores, pois quer conhecer e construí-las dentro de si, a fim de obter a forma das fases anteriores.

Assim, Malchut implementa este ato internamente. Por isso, ela precisa experimentar todas as fases anteriores, receber uma impressão das mesmas, moldar-se, e desenvolver o desejo de ser como elas. Assim, em resposta, ela cria uma conexão idêntica à raiz, tornando-se a própria raiz

A criatura não pode se desenvolver até que todas as quatro fases tenham surgido antes dela. É só na última fase (Dalet) de desenvolvimento, quando eu tenho tanto o desejo quanto a intenção (o que significa que tudo vem de mim), em diante, que podemos falar da criatura. Até então, só existem as qualidades do Criador, através das quais Ele constrói a criação.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 26/05/11, Talmud Eser Sefirot

Um Ponto Que Contém O Infinito

Dr. Michael LaitmanTudo começa com um ponto negro “criado a partir da ausência”, sobre o qual a Luz superior age e desenvolve a criatura. Todo o desenvolvimento, com exceção desse ponto de “Yesh Mi Ain” (existência a partir da ausência) é feito pela Luz, a força que atua na criatura, na parte que está sendo “guiada”.

Portanto, onde nós conseguimos tais qualidades especiais como indivíduos? Da Luz! O ponto da criação “a partir da ausência” é um mero ponto. Mas o Criador divide Sua relação em bilhões de criaturas e depois as reune e amarra juntas, de todas as formas possíveis, para que cada uma esteja conectada com as outras sete bilhões. Assim, Ele deseja se expressar dentro da matéria da “existência a partir da ausência”.

Ele não seria capaz de expressar isso de outra forma, exceto através de tal número elevado de pequenas criaturas, cada uma delas criada de uma maneira única e especial, diferente de qualquer outra. Toda criatura alcança sua correção individual ao renunciar a parte do “Yesh Mi Ain” (existência a partir da ausência) em si mesma e adquire o desejo de ser formada pelas qualidades de “Yesh Mi Yesh” (existência a partir da existência), que podem ajudá-la a unir-se com as demais. Assim, ela aumenta sua “Yesh Mi Yesh” a partir de um pequeno ponto fornecido pelo Criador até o Infinito, até o estado elevado do Criador.

Como eu, este ponto minúsculo que surgiu do nada, que foi criado com praticamente zero de conexão com o Criador, alcanço a Sua revelação? Eu me uno com todos os outros pontos (desejos), anulando a minha “existência a partir da ausência”, o que permite com que a minha “existência a partir da existência” cresça até o tamanho de toda a criação, a qual eu uno a mim.

Em outras palavras, conectando-se assim, eu crio a partir deste ponto todo o vaso espiritual (“Yesh Mi Yesh“), preenchido com a conexão infinita com o Criador (“Yesh Mi Yesh“) em relação a todos. Isso só pode ser feito multiplicando essas pequenas partes, cada qual unida com o restante, e assim, todas elas se entrelaçam com as demais como várias camadas.

A pessoa se une com outra; então, as duas anteriores, que se tornaram uma, unem-se  a uma terceira e se entrelaçam interiormente, e depois as três se unem com mais uma, e assim por diante. Então, não é apenas a minha conexão com todos os outros, mas sim um sistema multidimensional de conexão. Este é o único meio para o Criador se expressar dentro da criação em geral até a conclusão deste trabalho, no final da correção (Gmar Tikun).

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/05/11, Talmud Eser Sefirot

Os Dois Lados Do Pensamento Da Criação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre o Pensamento da Criação e o Criador?

Resposta: Tudo o que dizemos é em referência (relação) a nós. Nós não sabemos nada, exceto as coisas que acontecem dentro do nosso desejo. E mesmo quando revelamos a existência da Luz (“a existência a partir da existência”), que criou o desejo (“a existência a partir da ausência”), também baseamos isso no desejo que nos revela o que supostamente aconteceu diante de nós desta maneira. Todas as nossas conquistas vêm da sensação da matéria em nosso desejo.

Por esta razão, quando falamos de percepção, uma sensação dentro do desejo, dividimos toda a nossa percepção em três componentes:

  • aquele que percebe (eu sou o sujeito que percebe),
  • o que está sendo percebido ( o que eu percebo do Criador),
  • de quem isso está sendo percebido (a origem da sensação, o Criador).

À medida que eu descubro a minha capacidade de mudar a percepção do Criador, a quem eu sinto em termos daquilo que Ele quer com base em uma conexão comigo, eu começo a ter um vínculo com Ele e mudo o nosso relacionamento. Como sei que estou mudando? Isso vem das minhas sensações. Como eu sei o que Ele sente e como Ele reage ao mesmo tempo? Isso também vem das minhas sensações. Tudo é baseado apenas em minhas sensações; eu não tenho nenhuma outra qualidade de percepção. Tudo existe apenas dentro do desejo.

É por isso que dizemos que HaVaYaH (o nome de quatro letras do Criador , “Yod-Key-Vav-Key“) são os quatro estágios do desenvolvimento do desejo. A revelação do Criador no homem (Criador ou ” Bo-Reh” refere-se a “venha e veja”) ocorre apenas depois disso.

Os mundos também existem apenas em nossa percepção, sob a forma de revelações e ocultações (“mundo” ou ” Olam” vem da palavra “Alama” ou “ocultação”). A escada de níveis espirituais também existe dentro do homem. O grupo, a humanidade, toda a realidade, o mundo do Infinito, tudo está dentro de nós.

Mas o que eu alcanço através de todos os meus esforços em querer saber quem sou e o que sou, quem é o Criador, o que Ele quer de mim, e qual é a minha conexão com Ele? Como resultado de todos estes esforços e de uma longa jornada, quando nos damos conta de todas as possibilidades que recebemos, nós alcançamos uma percepção única, um entendimento único, uma sensação única, chamada de “o Pensamento da Criação é dar alegria às criaturas”. Este plano inclui tudo: Quem é Aquele que agrada as criaturas, que tipo de prazer é esse, quem são estas criaturas, tudo.

O estado em que atingimos o Pensamento da Criação é chamado “o ponto de adesão” ou “uma gota de adesão”, porque em nossa percepção tudo se concentra em um ponto do Pensamento da Criação. Nós o alcançamos através de nossos esforços, à medida que desejamos unir-nos com o Criador, e é por isso que chamammos de “uma gota de adesão”.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/11, Talmud Eser Sefirot

“As Coisas Que Vêm Do Coração, Entram No Coração”

Dr. Michael LaitmanShamati # 25: Com respeito às coisas que vêm do coração, entram no coração. … A questão é que quando alguém ouve as palavras de seu professor, imediatamente concorda com ele, e resolve observar as palavras de seu professor com o seu coração e alma. Mas, depois, quando ele sai para o mundo [para um ambiente diferente] , vê, cobiça, e é infectado com uma multiplicidade de desejos vagando pelo mundo, e ele e sua mente, seu coração, e sua vontade, são anulados perante a maioria.

… Ele se confunde com seus desejos e é levado como ovelha para o matadouro. Ele não tem escolha; ele é obrigado a pensar, querer, desejar, e exige tudo o que a maioria exige. Nesse caso, há apenas um conselho: apegar-se ao seu professor e aos livros [no nível interno]. Isso é chamado de “[Ser alimentado] da boca dos livros e da boca dos autores”.

Uma pessoa que nasce e vive neste mundo material desenvolve-se em um ambiente que está longe da espiritualidade e, obviamente, não consegue entender nada no caminho espiritual. Mesmo que ela tenha uma aspiração à espiritualidade, esse ponto está imerso no desejo egoísta, que é cercado pela sociedade egoísta. Portanto, ela não tem nenhuma chance de se desenvolver corretamente.

Só uma pessoa que faz o seu caminho no ambiente correto merece o desenvolvimento espiritual. Este é um ambiente que tem um professor, e um grupo que realiza os conselhos do professor. Além disso, este grupo deve estudar as fontes Cabalísticas autênticas, mas isso já é o resultado da forma como eles aceitam a orientação do seu professor.

Portanto, a linha de fundo é que o desenvolvimento do grupo depende do professor, o Rav (que significa “grande”). À medida que os estudantes são capazes de anular a sua opinião em relação à opinião do professor, é assim que eles vão se desenvolver. Isso porque o ambiente espiritual é baseado na opinião, no pensamento e no método do professor, bem como no reconhecimento de sua  autoridade.

Uma condição necessária para o aluno é veificar constantemente quem e o que determina a sua opinião. Afinal, ele está sob a influência de duas forças e deve sempre decidir que a opinião do professor tenha força maior do que sua própria opinião. E se ele não sente qualquer tipo de luta e resistência, isso significa que ele não fez esta verificação e, em vez disso, pensa que está tudo bem do jeito que é.

Às vezes, o aluno vai contra a opinião do seu professor e acha que ele tem uma compreensão melhor de como deve agir a partir do ponto de vista da sua lógica e razão. Isto é, ele não anula a si mesmo. Mas, anular-se significa que ele vai contra a sua vontade, contra a sua lógica.

Se ele permanece nessa resistência, isso significa que ele escolhe o caminho espiritual e avança sobre ele. Mas, se não houver oposição e luta interior, então surge a pergunta: Será que ele não chega a compreender que está sempre seguindo a sua própria opinião, o tempo todo pensando que está avançando corretamente?

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/11, Shamati

A Saída Do Labirinto Do Sofrimento

Dr. Michael LaitmanA ciência da Cabalá revelou-se a nós desde tempos imemoriais. Em essência, é a primeira ciência descoberta pela humanidade na forma de ensinamento sobre a estrutura do mundo. Contudo, à semelhança do que é hoje, nas gerações anteriores, a maioria das pessoas não precisavam dela porque o seu ego ainda estava a evoluir. Nós passámos por todas estas reencarnações, desenvolvendo de geração para geração, e a vida parecia boa. Estivemos lutando constantemente para novas concretizações, desejando satisfazer-nos com prazeres maiores.

A sabedoria da Cabalá disse milhares de anos atrás que a sua busca por prazer é apenas uma corrida para a máquina interna a trabalhar dentro de nós, e não nos dá verdadeira satisfação. Tudo é falso; estamos simplesmente a brincar com os nossos desejos, com estes desejos transitórios, que desaparecem instantaneamente. Qual é o ponto em tudo isso?

Ainda assim, as pessoas não quiseram ouvir isso. Apenas alguns se perguntaram sobre o significado da vida: Qual é o propósito da vida, esta corrida entre nascimento e morte? Estas poucas pessoas desenvolveram a sabedoria da Cabalá cada vez mais. Elas descobriram que de facto, este jogo que o nosso ego (a nossa natureza) joga conosco é apenas um jogo mortal; que por acaso caimos numa trituradora que nos tritura, empurrando-nos constantemente para acções indesejadas: quer prazeres que não podemos recusar ou sofrimentos de que tentamos escapar.

Assim, sob a influência destas duas forças, prazer e sofrimento, eu corro constantemente como um pequeno animal. Elas batem-me, eu fujo para evitar os golpes. Elas mostram-me prazer, eu apresso-me para tal. Acabo a minha vida preenchendo os meus dias com esta corrida.

Observando tais desenvolvimentos da humanidade, estas pessoas procuraram uma via fora desta corrida sem sentido, até que descobriram que todo este processo tem um fim. Perceberam que não vivemos numa corrente infindável de vida entre duas forças, bem e mal, na procura eterna por prazeres e fugas de um sofrimento sem fim, tentando melhorar a nossa vida e evitar o mal. Elas descobriram que finalmente chegamos ao fim deste desenvolvimento.

Este fim está a tomar lugar precisamente hoje, depois de um processo longo de evolução humana. Somos a primeira geração que, depois de um número de reencarnações, como resultado do desenvolvimento de todas as gerações passadas, começa a perceber o que lhe acontece.

Começamos a reconhecer que atingimos certa satisfação, e muitas pessoas ficaram desapontadas com essa corrida. Embora não percebam que durante a sua vida inteira elas andam atrás de prazeres e fogem de sofrimentos, elas sentem mesmo frustração e mergulham na depressão. Muitas pessoas começam a perceber que isto é loucura, não vida: chegar a este mundo devido a certa corrida e depois deixá-lo como se entrassem num casino, apostassem e saissem, não tendo feito nada, porque elas foram forçadas a fugir da dor e a ir atrás de prazeres.

Assim, elas chegaram à percepção que isto evidentemente não é assim, porque nada na natureza ocorre sem um propósito. Tudo nela é precisamente determinado pela ordem da causa e efeito, e este processo inteiro é, aparentemente, ditado pela lei de desenvolvimento que deve levar-nos a certo objectivo.

Embora este processo seja muito longo e pareça ilógico, na verdade, uma lógica interna especial está escondida nele: nós devemos reconhecer o mal inerente na nossa natureza, de forma a obter o bem dela. A possibilidade de atingir esta bondade aparece actualmente, se nós aceleramos o reconhecimento do mal.

É por isso que a ciência da Cabalá tem sido revelada de forma que não avancemos como antes, por um caminho longo e aleatório, numa escolha infindável entre bem e mal, encontrando sempre problemas, resolvendo-os e fugindo para algo melhor, mas que depois de muitas pesquisas, tendo ficado frustrados no caminho anterior, desejemos ver o que nos espera e avançamos conscientemente.

Esta sabedoria da Cabalá é divulgada por tais pessoas. O ponto no coração desperta nelas e não lhes dá descanso. Elas chegam ao lugar onde podem ganhar conhecimento sobre como definir o caminho correcto para elas próprias, não andando às voltas, mas directas, de acordo com a lei da natureza, tornando-se como ela e usando-a correctamente.

No fundo, não somos patrocinados nem nos são garantidos milagres; nós apenas conhecemos a lei. Em vez de atingir um objectivo aos ziguezagues, vamos directo, se quisermos seguir esta lei. Este é um caminho mais curto e fácil, mas ao mesmo tempo mais complexo. Afinal de contas, temos de estudar e perceber esta lei em nós mesmos em vez das forças da natureza nos amassarem como massa, moldando-nos em suas formas. Nós próprios temos de participar nisto, talhando em nós mesmos a forma pedida pela natureza. Se tivermos sucesso, damo-nos a mesma forma que devemos adquirir no fim, atingindo o propósito da criação.

Da 1a Lição na Convenção em Roma em 21/05/11

A Cabalá É Pura Prática

Dr. Michael LaitmanO desenvolvimento ocorre em virtude da força “elétrica” que circula no sistema. Quando eu me conectar a ele com as duas forças que tenho, a egoísta e a altruísta, a sua força também começa a circular através de mim. Nesse caso, o sistema está trabalhando comigo, e eu sinto a “corrente” que o permeia inteiramente; eu descobro o seu programa e propósito, e entro nele cada vez mais.

Assim, nós ascendemos aos níveis espirituais, subindo em direção à força unificada. Mais e menos, positivo e negativo, unidos, nós encontramos a nossa vida eterna, o objetivo final da nossa existência. Esse é o programa.

Isso nos permite ver a causa da crise e suas conseqüências. Nós entendemos o porquê de não recebermos a sabedoria da Cabalá, e não descobrirmos o grupo até que o nosso egoísmo tenha crescido até o limite. Só agora é que vamos sentir, dia a dia, como tudo está mudando ao nosso redor. Tantas coisas estão acontecendo no mundo, as quais são planejadas para revelar a crise e demonstrar a nossa situação desesperada, bem como a desesperança e a falta de entendimento que prevalece no mundo. Dia após dia, em um ritmo rápido, estaremos dando passos neste caminho.

Assim, muito em breve, teremos que mostrar ao mundo que entendemos o plano da criação. Obviamente, nós não sabemos tudo, uma vez que o atingimos ao escalar os degraus do desenvolvimento. No entanto, nós sabemos como realizar e começar este processo. Quanto ao resto, vamos estudar à medida que avançamos.

Entre nós, não existem indivíduos que tenham atingido a linha de chegada, o que não faria diferença mesmo. Basicamente, nós aprendemos com os Cabalistas, que nos contaram todo esse processo, toda a história humana. Além disso, eles nos deram essa informação há milênios atrás, mas, hoje em dia, suas palavras ainda se tornam realidade.

Portanto, precisamos apenas ouvir quais leis obedecer, a fim de rapidamente fazer parte do sistema integral. Assim que eu me revelo como sendo essa parte, todas as leis começam a trabalhar através de mim. Eu começo a entender e a experimentar o que está acontecendo em nosso mundo. Eu vejo através dela as forças que me permeiam; eu também descubro o que as está causando, assim como a essência do seu trabalho.

Está escrito: “De Suas ações O conheceremos”. A sabedoria da Cabalá é um método puramente prático que eu aplico somente em mim. Eu não estudo nenhum inseto em um microscópio, nem estudo o mundo externo. Pelo contrário, eu revelo a sabedoria da Cabalá e toda a criação, em geral, em mim mesmo. Nenhuma ciência é mais prática e experimental do que a Cabalá.

Os Cabalistas explicam que as leis devem ser seguidas para que nos tornemos parte ativa de um todo maior. Afinal, a humanidade é apenas uma pequena parte do enorme sistema do mundo do Infinito. Eles falam sobre as leis simples que precisamos observar no grupo. Nós devemos estruturá-lo como um mini-modelo de uma realidade imensa e integral, para que dentro deste modelo tenhamos a oportunidade e nos esforcemos em executar de acordo com as leis básicas da criação pertencentes ao nosso egoísmo e à força criativa positiva.

Então, o grupo vai se tornar uma “área de construção” para mim, uma espécie de “laboratório” onde eu examino os amigos e a mim mesmo; onde nós, todos juntos e, entre nós, trabalhamos, construimos, criamos e moldamos o mundo futuro, a parte superior mundo e a humanidade do amanhã. Nossos atos estão em sintonia com o que os Cabalistas aconselham, e nós agimos apenas experimentalmente, testando e verificando os resultados do nosso trabalho.

Da 2ª Lição da Convenção de Roma

“Este Mundo” Não É O “Nosso Mundo”

Dr. Michael LaitmanPergunta: No “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, o Baal HaSulam escreve que o desejo de prazer, que tomou sua forma final, está “neste mundo”. O que é “este mundo”?

Resposta: É exatamente o que está escrito lá: o estado do “desejo de receber que tomou sua forma final”. Na realidade, existem duas coisas na existência: Luz e desejo. Tudo o resto são apenas nomes para essas forças.

Quando o desejo de receber sofre alterações, ele finalmente alcança o estado mais inferior, chamado de “este mundo”. Esta é uma noção espiritual, sendo essa a razão de diferenciarmos ele e o “nosso mundo”, no qual existimos agora no nível animal. Só uma pessoa que sente que está na última fase, na forma final do desejo egoísta, determina sua posição como “este mundo”. Isso já pode ser chamado de realização espiritual, em certo sentido, porque a pessoa está ciente de onde ela está de acordo com as coordenadas espirituais. Mas uma “pessoa da rua” ainda não vive “neste mundo”, mas está ainda em seu próprio mundo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/05/11 , “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

O Gosto Do Prazer

Dr. Michael LaitmanTudo o que precisamos é desenvolver o desejo. Lembro-me de quando eu era o dono de uma clínica, e um dos empregados costumava trazer comida iemenita (do Iêmen) consigo. No começo eu não podia me aproximar dela, já que eu simplesmente não entendia o que era aquilo. Isto é, quão diferente era o gosto de tudo aquilo que eu estava acostumado. Mas com o tempo eu comecei a familiarizar-me com esta comida e degustá-la, e, pouco a pouco, desenvolvi um apetite por ela.

É como um bebê nascido no mundo sem ter qualquer gosto. Depois, dependendo dos costumes e preferências de sua sociedade, ele começa a se acostumar com a comida e adquirir um gosto por ela. Sem o gosto, sem o desejo de comer algum prato específico, nós não seríamos capazes de apreciá-lo. Obviamente, é possível comer, assim você não morre de fome, mas isso não é o mesmo que o prazer. Você pode receber os prazeres deste mundo como uma necessidade vital, mas nada, além disso, é admissível, somente se você tiver desejo de desfrutar – e esse prazer deve vir da doação.

Pergunta: O Baal HaSulam escreve que isso exige apenas uma mudança psicológica. O que é isso?

Resposta: Nós não entendemos como é possível desfrutar amando e satisfando alguém que você ama. “Alguém que você ama” não é apenas o meu filho, cuidar de quem me dá prazer naturalmente. Pelo contrário, estamos falando de alguém que é estranho, distante, oposto e mesmo odioso para mim. É como a comida de um país estrangeiro que me enjoa. Então, eu deliberadamente começo a desenvolver o gosto por ela, procurando aproximar-me dela, endentê-la. Gradualmente, os desejos correspondentes nascem dentro de mim e, de repente, eu sinto que amo essa pessoa.

Surge uma pergunta: Se eu a amo, não será a minha doação para ela egoísta? Afinal, eu estarei desfrutando-a.

Isso é verdade, mas o meu amor não revoga o ódio que eu senti antes. Esse ódio permanece comigo constantemente e até mesmo aumenta, assim como aconteceu com os alunos do Rabi Shimon, que escreve no Livro do Zohar que no início eles se odeiam, mas depois alcançam o amor. Nós estamos constantemente avançan em duas linhas, elevando o amor acima do ódio, como está escrito: “O amor cobrirá todos os pecados”.

Precisamente o ódio e o amor juntos, criam o gosto, o “caldo”, o poder do prazer. Eles são como dois reinos. Se você anula o ódio, apenas um pequeno prazer material permanecerá com você de todo o nível de prazer, mas se você se eleva acima do ódio, cobrindo-o continuamente com a tela do amor, você acaba com um vaso enorme que tem um enorme prazer dentro.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/05/11, “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

Lag B’Omer: O Feriado da Luz

O feriado de Lag B’Omer (o dia 33 de Omer) é celebrado em honra ao Rabi Shimon Bar Yochai, o autor do Livro do Zohar, que morreu naquele dia. No capítulo”Idra Zuta,”artigo “Azinu,” O Livro do Zohar descreve a morte do Rav Shimon desta forma: Porquê o Senhor deu benção, até mesmo a vida eterna sobre ele (Salmo 133).

Rabi Abba disse: A santa Luz não terminou de proclamar a vida até que seus discursos fossem concluídos. Eu os gravei e pensei em gravar um pouco mais, mas não escutei. E eu não levantei minha cabeça, porque havia uma Luz muito grande para a qual eu não podia olhar.
Rabi Eleazar levantou Rabi Abba e o levou longe do seu lugar. E a casa encheu-se de um aroma perfumado. Eles o colocaram na cama e ninguém tocou além de Rabi Eleazar, e Rabi Abba. Quando eles levaram para fora da casa a cama, ouviram uma voz. Então, todo mundo entrou e se reuniu para a celebração para honrar Rabi Shimon.

O Zohar usa essas descrições coloridas, porque está escrito na língua do Midrash (contar histórias). Mas, claro, ele não está falando sobre sua morte física, mas a passagem da alma, que vai para o estado do fim da correção. É por isso que este é um evento tão importante e, por isso, todo o sistema, que inclui os seus alunos, recebe como uma grande Luz.

Isto não fala sobre a morte de uma pessoa, mas sobre o afinamento de um Partzuf espiritual. Primeiro, a Luz vem e veste-se em um Partzuf, formando em seu interior Taamim, Nekudot,Tagine e Otiyot. A roupa da Luz em um Partzuf e seu desaparecimento fazem o ajuste de Luz para ser utilizado, e é assim que a alma de Rabi Shimon atinge a sua verdadeira ação do último nível, o fim geral de correção. Isto é o que o Zohar descreveu.

Todos os outros amigos, todas as almas que dependiam dele e que resultaram de seu Partzuf, que se encheram de Luz e agora estão livres, recebem através dele toda a luz que restou. São aqueles que estavam unidos a ele, conectados a ele, e participaram na atração da Luz quando ele faleceu.

A morte de um cabalista significa a Luz que ele absorveu toda dentro de sua alma, juntamente com seus alunos, acumulando-a com a ajuda deles para toda a humanidade, agora é liberada por ele transmite a todas as outras almas. Agora, esta Luz se torna como uma iluminação, como a Luz circundante que ele dá aos outros. Sua passagem simboliza a passagem da Luz.

É por isso que nós celebramos este dia, desta forma e estamos felizes em receber essa Luz superior, que é chamada de “O Zohar,” capaz de corrigir todas as almas, na conexão e elevando cada pessoa ao nível do Criador. É por isso que esse feriado é chamado de o feriado da Luz – da Luz que reforma, a Luz da correção. Cada pessoa tem que se perguntar: Será que ele realmente usou essa Luz

corretamente? Essa Luz tem sido dada a nós, mas nós estamos usando, estamos realizando a nós mesmos? Isso é chamado de participar no feriado de Lag B’Oomer.

A Partir do programa exibido em Lag Baomer. 17/05/11

Para Que e Para Quem Serve A Minha Singularidade?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Com base na minha experiência de ensino, vejo que a Cabalá revela a singularidade de um indivíduo, mas ela faz isso a sua própria maneira. Qual é o segredo aqui?

Resposta: O meu desejo de exclusividade vem do Criador, mas de uma forma corrompida. Eu percebo isso através de exemplos: eu aprendo com o mundo como ser exclusivo. Por exemplo, eu quero ser um jogador de futebol famoso, seguir as últimas tendências da moda, sou atraído para a riqueza, o poder, a desilusão, ou sonho com uma carreira como mafioso ou reitor de universidade.

De qualquer forma, eu aprendo com o ambiente, o qual me impõe certos valores. Eles puxam para o que me satisfaz mais, de acordo com minha natureza. Cada um fica impressionado com alguma coisa; o mais importante é demonstrar a singularidade da pessoa.

Assim, durante o meu desenvolvimento, a sociedade dita princípio para mim, e eu tenho que expressar minha singularidade de acordo com eles. Eu não posso decidir nada sozinho. Por exemplo, se eu tivesse nascido na Colômbia e me encontrasse no meio de traficantes de drogas, eu os seguiria, sonhando com a emocionante carreira de um barão da droga, porque eu não veria outros exemplos.

Acontece que neste mundo, eu jogo a minha singularidade à mercê da sociedade. Parece-me que eu subi acima de todos, mas, na realidade, eu os servi. Finalmente, eu faço o que eles querem.

Por outro lado, ao me desenvolver espiritualmente, eu recebo do ambiente a realização da grandeza do Criador, a grandeza da vontade de doar. Esta é uma idéia abstrata, e eu não sei o que ela é. Através do estudo, eu recebo a Luz que Corrige. Novamente, não tenho idéia do que é e sinto apenas o resultado de sua influência.

O que evolui em mim? É o ponto no coração com a seus “genes espirituais”. Assim, eu me desenvolvo e percebo minha exclusividade apenas na espiritualidade. Aqui, tudo é decidido pela Luz que Corrige. Eu corrijo minha forma externa, e o meu “eu” se desenvolve dentro.

Se pudéssemos reconhecer nossos “genes espirituais”, cada um veria a si próprio no estado final, do jeito que ele deve ser. No entanto, surge uma pergunta: Qual é a minha singularidade? Se ela já está incorporado em mim, onde eu estou?

Eu me expresso na realização da minha própria exclusividade. Eu atraio a Luz para desenvolver um ser humano a partir da minha “semente espiritual” e, assim, adquirir um complemento aos meus estudos, o coeficiente de desenvolvimento: a adesão com o Criador, a Sua forma, a capacidade de estar em Seu lugar.

Assim, cada um de nós realmente compreende sua excepcionalidade, a fim de se tornar como o Criador, para chegar à adesão. Eu não estou crescendo apenas em tamanho; ao longo do caminho, eu posso obter tudo o que Ele tem, vestir-me com Suas vestimentas.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/05/11Escritos do Rabash