Textos na Categoria 'Espiritualidade'

A Antena Que Recebe Sinais Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você dá muitos exemplos da ciência quando falamos sobre a Cabalá. Houve um inventor famoso na Itália chamado Guglielmo Marconi, que aperfeiçoou o primeiro receptor de rádio, melhorando a sua sensibilidade a tal ponto que permitiu a conexão a uma grande distância. Então, será que nós precisamos melhorar a sensibilidade da nossa alma da mesma forma, para desenvolver uma conexão com os outros? A fé é a mesma antena que garante a nossa conexão com o Criador?

Resposta: Guglielmo Marconi foi um grande cientista, e ele tinha muitos segredos. Ele só nos revelou uma pequena parte das suas descobertas. Ele descobriu ondas que ainda desconhecemos, que prontamente envolvem o nosso planeta e até mesmo penetram-no completamente. Ele era um gênio único.

Quando “saimos” de nós mesmos, começamos a perceber o campo geral de energia, que preenche todo o espaço entre nós. Este campo é Deus, o Criador. Percebê-lo significa atingir o Criador, a força superior que conecta todas as almas. Então, nós, juntos, e Ele, essa força superior, o pensamento denominado “Pensamento da Criação”, tornam-se como um todo. É por isso que o homem é chamado de Adão, da palavra Dome em hebraico (semelhante ao Criador).

Nós chegamos a um estado em que simplesmente nos associamos a Ele, ou seja, existimos Nele, tendo consciência e compreendendo. Essa força a qual nos associamos é chamada de poder da fé.

A fé é a Sefira Biná (da palavra “Havana“ou compreensão). Em outras palavras, “crer” não significa fechar os olhos e mover-se como uma pessoa cega, confiando em algo que alguém disse. Não mesmo! A fé é baseada na força da doação. Quando eu sou capaz de mudar o canal do meu “receptor de rádio” interior, eu sintonizo a mesma onda, e a informação que recebo dele se chama fé.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

Entender O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na sabedoria da Cabalá, você fala sobre o ego do homem, sobre a união com todos, e sobre a necessidade de atingirmos o equilíbrio com a natureza. Mas como isso se relaciona com a conexão com Deus (Elohim)?

Resposta: Na sabedoria da Cabalá, nós falamos da natureza. De acordo com a Gematria (o valor numérico da palavra), “natureza” e “Elohim” são a mesma coisa. Ou seja, se falamos da força superior, da natureza, Deus ou o Criador, não importa como você quiser chamá-Lo, tudo à nossa volta é apenas uma manifestação dessa força.

Se nós falamos da força superior, qual é a diferença chamá-la de “Elohim” ou “natureza”? Ela é a força superior (realmente superior!) que cria e governa tudo, e nós queremos saber como nos conectar a ela, como revelá-la, entendê-la.

Assim, se eu saio de mim mesmo, do meu ego, e começo a revelar a realidade fora de mim, acima do meu ego, isso é chamado de entendimento, realização, revelação do Criador. Naturalmente, tudo isso ocorre dentro de mim e somente em relação a mim.

Aos poucos, eu organizo o meu desejo, minha estrutura espiritual, ou seja, a qualidade de doação e amor para com os outros: Keter, Hochma, Bina, Hesed, Gevurah, Tifferet, Netzach, Hod, Yesod e Malchut. De acordo com essa estrutura, eu conheço as conexões entre eles e, assim, revelo o Criador.

Elohim é também chamado de “Criador” (Boreh), das palavras hebraicas “venha” (Bo) e “veja” (Reh), porque temos que “vê-Lo”, alcançar o estado em que O entendemos, como se O víssemos pessoalmente. Nós fomos criados por Ele para essa finalidade.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

Cabalá Para Os Tempos Modernos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você está familiarizado com os escritos do Cabalista Isaac, o Cego (rabino Yitzhak Saggi Neor, 1160-1235, Provença, França)?

Resposta: Nós estudamos três fontes principais da sabedoria da Cabalá: O Livro do Zohar, os escritos do ARI (principalmente seu livro “A Árvore da Vida”, e as obras do Baal HaSulam, o grande cabalista do século XX). O Baal Há Sulam nos transmitiu a sabedoria da Cabalá sob a forma mais adequada para sua publicação e disseminação ao mundo inteiro.

Dentre todos os grandes Cabalistas, começando com a Babilônia e até hoje, cada geração produziu vários outros Cabalistas. Mas alguns deles se ocultaram e outros escreveram muito pouco, já que até recentemente, apenas 30 anos atrás, para revelar uma parte da Cabalá, a pessoa tinha que receber uma permissão especial do Alto. Por isso, os Cabalistas raramente escreveram, e quando o faziam, era de uma forma secreta.

E só no século XX, quando chegou o momento da revelação da Cabalá às massas, de modo a corrigir o ego coletivo, o Baal HaSulam escreveu aquilo que foi autorizado a divulgar. Essa parte específica da Cabalá nós estamos oferecendo ao mundo.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

A Cabalá Sem Um Traço De Misticismo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que os primeiros mestres da sabedoria da Cabalá receberam esse conhecimento? Onde está a sua origem? As pessoas pensam que a Cabalá é algo próximo da magia, e muitos mitos a cercam.

Resposta: Adão foi o primeiro Cabalista e viveu há 5772 anos. Ele foi o primeiro de toda a humanidade que descobriu que existe um sistema integral da natureza e é possível revelá-lo.

Pessoas viveram antes dele, mas ele foi o primeiro homem na história que questionou: “Para que eu vivo? Qual é o segredo da vida? Onde está a sua origem?”. Ele escreveu um livro sobre isso; ele chegou até nós e é chamado de O Anjo Secreto (Raziel HaMalach). Um anjo é uma força. O “anjo secreto” significa a “força oculta”. É um livro pequeno, com algumas dezenas de páginas.

O próximo livro foi escrito por Abraão há cerca de 3700 anos e é chamado de O Livro da Criação (Sefer Yetzirah). Pela primeira vez, de forma sistemática, este livro explica: as “Sefirot“, as 32 forças que descem até nós e estão conectadas entre si.

Ao mesmo tempo, vários Cabalistas escreveram juntos mais um livro Cabalístico, O Grande Midrash (Midrash HaGadol), que significa explicação, comentário. Muitos mais livros foram criados depois desse, até o surgimento do maior livro Cabalístico, O Livro do Zohar, escrito por volta de 2.000 anos atrás.

Depois disso, muitos livros foram escritos, até a época do Ari, que viveu no século XVI. O principal livro do Ari foi “A Árvore da Vida” (Etz Chaim), que fala sobre as Sefirot e os mundos e é cheio de desenhos e diagramas.

Do imenso número de livros que surgiram depois dele, os mais importantes para nós são os livros do Baal HaSulam, escritos no século XX.

Todos estes livros não eram conhecidos do público em geral. Eles eram mencionados apenas ocasionalmente, como se ocorresse uma “fuga de informação”. Isso formou uma aura misteriosa em torno da Cabalá, como se ela estivesse envolvida em misticismo, forças secretas, ajudasse a realizar milagres e prever o futuro através das cartas de Tarô. Na realidade, isso não tem qualquer relação com a Cabalá!

É claro que a Cabalá usa símbolos, diagramas, gráficos, desenhos, Gematria (o valor numérico das palavras). A Cabalá estuda a alma e suas fases de crescimento. Mas não há nada de místico nisso. Eu diria que é simplesmente a física da dimensão superior.

A Cabalá não está associada com a religião e as práticas místicas. É uma ciência para as pessoas que querem saber. Naturalmente, elas têm que trabalhar e corrigir-se. Eu gostaria de comparar isso com o ato de sintonizar o aparelho de rádio, o qual é cercado por muitas ondas de rádio de freqüências variadas. Se eu sintonizar o aparelho de rádio e criar a onda que corresponde à onda existente fora, eu recebo essa onda externa e posso ouvir o sinal.

A ciência da Cabalá nos ajuda a criar essas ondas dentro de nós, e começamos a sentir a força existente fora de nós, a perceber e estudá-la. Nós desenvolvemos os sentidos internos da audição e da visão. O sentido interno da audição é chamado de nível de Biná (Sefira Biná), e o sentido interno da visão é chamado de nível de Hochmá (Sefira Hochma).

Da Palestra em Roma , 20/05/11

Revelar A Conexão Entre Tudo

Dr. Michael LaitmanBasicamente, a Cabalá é o método de correção do homem, da sua natureza. Assim, no âmbito dos nossos estudos, nós estamos envolvidos em uma ampla disseminação.

Nós temos cerca de dois milhões de estudantes em todo o mundo; nós ensinamos em 26 idiomas em vários países. Nós vemos que diferentes tipos de pessoas, representantes de diferentes nações, expressam sua necessidade dessa sabedoria e começam a compreender que o mundo não tem futuro sem ela.

Além disso, nós ensinamos as crianças e vemos o quanto elas se tornam mais desenvolvidas, como ela as desenvolve. Nós publicamos livros, transmitimos pela televisão, trabalhamos ativamente na Internet. Nós defendemos o desenvolvimento.

Nós estudamos a sabedoria da Cabalá em grupos. Não se trata de crescer separado dos outros; pelo contrário, a pessoa se desenvolve individualmente quando está no grupo, no ambiente, e muda constantemente através da dinâmica do grupo. Essencialmente, a pessoa se adapta ao ambiente, que deve mostrar-lhe, repetidamente, a necessidade de elevar-se acima do egoísmo, sair de si mesma para amor aos outros. A pessoa pratica isso no grupo.

Ao estabelecer contato com o ambiente, a pessoa sente a necessidade de unir-se com ele. Então, revela-se uma rede de conexão entre todos; ela está acima do egoísmo pessoal, e a pessoa sente laços comuns e a força comum que habita entre eles. Como resultado, é como se todos saíssem e começassem a se conectar com essa força coletiva.

Graças a isso, nós descobrimos que, acima da realidade que temos consciência, existe uma realidade mais elevada. Nós percebemos nossa realidade atual interiormente, no nosso vaso, e, portanto, somos limitados. Nós queremos receber prazer, e quando o prazer penetra o desejo, eles se anulam devido à sua oposição mútua.

Acontece que cada vez que nós conseguimos algo, o apreciamos por um momento e o prazer desaparece imediatamente. Nós corremos atrás do próximo prazer, o tocamos, e ele também desaparece. Assim que o prazer entra no desejo, neutraliza-o imediatamente: um curto-circuito entre o positivo e o negativo leva à aniquilação.

Por outro lado, quando a pessoa sai de si mesma e, acima de seu egoísmo, começa a se unir com o grupo, com outras pessoas, ela cria um vaso acima de si, um desejo externo. Agora, ela sente fora de si tanto o desejo quanto o prazer, e eles não desaparecem. Pelo contrário, a realidade se transforma no fluxo da vida infinita acima do tempo.

O prazer que entra e desaparece várias vezes cria em nós a sensação de tempo. Mas se o prazer não se extingue, se sentimos que ele flui sem parar, então nos elevamos acima da sensação de tempo e começamos a perceber a força geral da natureza, que nos envolve e organiza.

Nós começamos a perceber as conexões entre todas as partes da realidade, semelhante aos fios entrelaçados no verso do bordado. Lá fora, vemos um “padrão” do nosso mundo, mas se olharmos por trás de sua superfície, veremos os fios amarrando as partes da imagem. Isto é o que descobrimos com a ajuda da ciência da Cabalá: a conexão e a influência mútua entre nós.

Isso produz um grande impacto nas pessoas e elas mudam. Tendo em vista esta realidade, elas entendem que não teremos êxito sem a a conexão e a compreensão mútua, porque elas percebem o dano que podem causar aos demais.

Assim, nós não precisamos da fé, mas da realização. Desta forma, a pessoa torna-se livre e começa a ver o mundo de forma clara. Então, de acordo com seu grau, ela determina o curso correto das ações para si mesma.

Da Palestra em Roma , 20/05/11

“Quem” criou “Isso”

Pergunta: Como uma pessoa pode revelar o seu papel nesta vida?

Resposta: Isto vem após a pergunta sobre o propósito da vida: “eu vivo para quê?” Essa questão se torna mais aguda a cada vez, levantando-se acima de outras questões do coração.

Há muitas perguntas (desejos) em meu coração, e eu tenho que lidar com elas, organizá-las em ordem, e levar a mais importante para que não seja obscurecida. Eu tenho que ir com essa questão em particular, e o resto só me apoia em alcançar a resposta a esta indagação mais importante.

Cada pessoa escolhe o seu objetivo para esta questão central, seja dinheiro, honra, poder, ou conhecimento. Alguém gostaria de se tornar um cientista, outro, membro do governo, e um terceiro apenas sonha em se tornar bem sucedido e curtir a vida. E há também pessoas que se perguntam sobre o sentido da vida. [Leia mais →]

O Milagre Da Criação

Dr. Michael LaitmanAté que a Luz se propague no desejo de receber através das quatro fases de HaVaYaH , a força criativa não se revelará na criatura. Portanto, o autêntico desejo de prazer não será revelado, o qual, de outro modo,permite a determinação do que esta criatura é, o que ela quer, e como responde ao Criador.

Assim, HaVaYaH é considerado o nome sagrado do Criador. Por que ele é sagrado, se um nome é sempre o que a criatura atribui? Este nome é sagrado porque somente desta forma, depois de todas as quatro fases do impacto da Luz sobre o desejo, é que as qualidades do Criador se revelam na criatura, as quais afetam e imprimem Sua forma nela. É por isso que é chamado de nome do Criador. Esta impressão, deixada pela Luz dentro do desejo, transmite desejo com a forma da Luz.

A Luz não tem forma, e não há como descrever o que ela é e como se parece. Ela é algo transitório e desconhecido, certo tipo de forma abstrata. Como, então, pode a criatura aprender alguma coisa sobre ela, conectar e trocar impressões, criar um relacionamento com ela?

Para que isso ocorra, o Criador, “a ponta da letra Yod”, a principal força criativa, dirige sua influência à matéria criada por Ele “a partir da ausência” e começa imprimindo-Se nela. Por conseguinte, semelhante à massa de modelar ou argila, esta matéria começa a mostrar o carimbo da Luz. A matéria começa a demonstrar-nos o que a Luz é, a qual não pode se revelar.

Todas as forças do mundo estão relacionadas com a Luz. Ela percorre tudo como a electricidade, os ímãs, as reações nucleares e sub-nucleares. Nós pensamos que há uma variedade de forças no mundo, mas, em essência, tudo é sustentado por esta força única da Luz que não podemos ver. Nós a vemos apenas em ação, e quando as ações da Luz são reveladas na matéria, ela é descrita como o nome do Criador, a expressão da própria Luz na matéria.

Essa é uma maravilha que nós somos incapazes de compreender. Como a forma do Criador, a Sua própria qualidade, pode se desdobrar na matriz de HaVaYaH, a sua criação? Para tornar isto possível, a criatura tem que atravessar todas as quatro fases de desenvolvimento. Somente na quarta e última fase ela pode começar a entender e se reconhecer.

Mas como ela se reconhecerá? Quando ela vir a conhecer o Criador, e é isso que a criatura é.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/05/11, Talmud Eser Sefirot

O Livro Que Conecta O Céu E A Terra

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial na Torá que mesmo O Livro do Zohar é só um comentário dela?

Resposta: Os registros que Moisés fez em pergaminho são a expressão material, através de símbolos materiais, das ações espirituais da Luz no desejo. Moisés escreveu em um livro tudo que ele ensinou a seus estudantes. Durante o curso de 40 anos vagando no deserto, eles escreveram toda a Torá, atravessando todo o processo registrado, tanto em corpos como na espiritualidade. Esse é todo o caminho desde o exílio do Egito (material e espiritual), através do deserto (material e espiritual), e na terra de Israel (material e espiritual). Tudo isso se realiza na conexão entre a raiz e o ramo. Moisés expressou todo esse processo na sua forma concreta, e simbólica.

O Zohar expressa o mesmo processo num nível diferente, numa forma diferente, porque o desejo geral de desfrutar que o Criador criou havia, naquela época, avançado bastante e fora aperfeiçoado pela influência da Luz. Desta forma, esse desejo, que passou por altos e baixos, pela destruição do Primeiro e do Segundo Templos, o exílio, e depois alcançou a última quebra antes do último exílio, tinha que receber o método que é apropriado para o final do exílio, para a nossa época.

É por isso que O Livro do Zohar foi escrito, e seus autores foram os sucessores de muitas gerações de Cabalistas, começando com Abraão até a destruição do Templo. O Rabbi Shimon foi estudante do Rabbi Akiva, que revelou uma grande Luz, e assim, ele foi capaz de expressar isso no Livro do Zohar.

A própria Torá está dividida em duas partes: oral e escrita. Isso vem da diferença entre Zeir Anpin e Malchut. Zeir Anpin do mundo de Atzilut é a “Torá oral”, enquanto que Malchut do mundo de Atzilut é a “Torá escrita”.

A Torá é a revelação da Luz. A Luz que chega a Malchut contém tudo que é necessário para transformar Malchut. Mas essa Luz ainda não se realizou na prática; desta forma, é chamada de “Torá oral”. Por enquanto, isso significa trabalhar com as telas.

Sob a influência da mesma Luz em Malchut, mudanças internas acontecem e são impressas em Malchut; isso se chama “Torá escrita”. Ela fala somente das ações da Luz nos desejos desde o começo da criação até seu final. Isso ocorre porque não há nada na existência além dos desejos.

Entre esses desejos alguns sentem que existem por si mesmos, separados de todos os outros. Esses somos nós. Esses desejos contêm qualidades que podem ajudá-los no caminho da correção. É por isso nós recebemos a sensação de carência, nossa própria carência de correção, a compreensão do mal. Assim é que nós nos percebemos.

São exatamente esses desejos que precisam receber “a Torá”– as instruções explicando como eles podem participar da sua própria correção por sua livre escolha, como eles podem atrair a Luz ao desejarem ser corrigidos mais rapidamente, ao invés de esperar que a Luz venha e os sacuda.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 29/05/11, Shamati

Conheça O Mundo Em Que Você Vive

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que nós vamos atingir as pessoas em posição de autoridade? Afinal, nós queremos quebrar as paredes da caixa em que elas vivem.

Resposta: Nem um pouco. Nós não brigamos com o governo, não destruimos a política e a economia, não quebramos o estilo de vida habitual. Nós lutamos apenas pela educação do povo e nada mais. Eu sou a favor de deixar tudo no mundo como está, apenas acrescentando o princípio do “amar o próximo como a si mesmo”.

Não é da minha conta o que foi construído até agora. Deixe-os construir mais. Apenas uma coisa é importante para mim: as pessoas devem saber em que mundo elas vivem, para que vivem, e como podem realmente se satisfazer de modo que cheguem à meta sem cair no auto-engano e se divertindo com todos os tipos de jogos que dão apenas  uma satisfação transitoria, inadequada e que terminam com a morte.

Eu não anulo nada, não me oponho aos programas do governo, bancos, prefeituras, etc. Eu não me importo com isso. Faça o que quiser: se você quer roubar, roube, faça outras coisas bobas. Isso não é importante; eu não olho para isso. Tudo o que eu quero é acrescentar a educação.

A finalidade da educação é dar conhecimento sobre o mundo em que vivemos, como ele funciona, o que o move, qual o seu objetivo, o que aconteceria se nós seguíssemos este programa, e o que aconteceria se nós nos desviássemos dele ou seguíssemos na direção oposta. Quanto sofrimento isso nos trará? Que tipo de sofrimento? Se vale a pena ou não? Eu quero que as pessoas saibam, vejam o que elas enfrentam, para poder ler o mapa e nada mais.

Todas as outras questões estão em outro plano, e eu não me sobreponho a ele em nada: Meu escritório fica no andar de cima. Nós estamos falando apenas do que estamos destinados a entrar de qualquer maneira. Nós esgotamos os recursos naturais e poluimos a Terra. Assim, nós temos que passar de uma sociedade de consumo para uma sociedade equilibrada; em outras palavras, parar de de agir feito bobos.

As pessoas precisam das coisas simples do dia a dia: moradia, trabalho, alimentação, vestuário, etc. Isto deverá ser fornecido a todos, e todo o resto tem que ser interrompido. Temos que parar a produção de bens inúteis, parar de medir o sucesso pessoal por meio da produção. Esses bens esvaziam o planeta e poluem o ambiente.

Assim, você vai trabalhar metade do dia para suprir as necessidades e estudar o resto do dia, passando por exames de tempos em tempos. Você será pago por isso e só por isso.

As pessoas não conhecem o mundo em que vivem. Elas se formam na escola, sem corresponder com a realidade em que vivem. Elas vivem em suas ilusões, no isolamento do mundo, surpresas com os problemas que atraem para si. Esses problemas surgem porque, como crianças, nós agimos para prejudicar a nós mesmos.

Assim, eu quero apenas uma coisa para você: acrescentar a educação e, o mais importante, a formação, o treinamento, a essência do que é a correção do relacionamento entre as pessoas. Então, você vai estar em sincronia, em equilíbrio,com o mundo, você vai se tornar um todo completo, que é o imperativo do tempo. Todos os elementos têm que estar corretamente conectados com o mecanismo principal, com as redes de interconexão natural, e você ainda não sabe disso.

É disso o que estou falando. Na verdade, essa educação vai mudar a pessoa, mas isso acontecerá gradualmente, como que por si mesmo. Eu não luto com a natureza das coisas; eu só explico o mundo para você, mostro onde você vive, e, como conseqüência, você muda. Você vê os fatos na sua frente, e o que você pode fazer? Nós não podemos fazer nada: ao ver as leis imutáveis, nós vamos levá-las em conta.

Nada pode ser mudado de uma só vez. As pessoas agem de acordo com sua natureza. Isto pode ser corrigido? A destruição é inerente à natureza humana, e até dar aos seres humanos uma educação correta, até que eles não vejam por si mesmos que arriscam perder suas vidas, eles não irão parar. Eles devem ver isso da forma mais clara, como se estivessem às porta da morte. Esta é a educação, a formação que nós precisamos.

Caso contrário, nós não iremos sobreviver na Terra. Isto é confirmado pelas pesquisas. Não há nenhum outro meio, exceto a educação. Nós não temos que moralizar e dizer às pessoas se elas são boas ou más. Elas são como a natureza as criou. Elas não podem roubar menos, mentir menos, pois não conseguem. Esta escrito: “Vá ao Criador que me criou”. O Criador lhe disse desde o início: “Eu criei a inclinação ao mal”. Você não vai reclamar com Ele sobre as ações Dele, não é?

Você só tem uma solução: “A Torá como um tempero”; em outras palavras, a educação de acordo com o método da Cabalá.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/05/11, “A Liberdade”

O Mestre E Sua Criação Divina

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, Item 1: Rabi Hanania Filho de Akashia diz: “O Criador quis limpar Israel; portanto, Ele lhes deu abundante Torá e Mitzvot (mandamentos), … É como os nossos sábios disseram: “As Mitzvot só foram dadas para a purificação de Israel”. (Bereshit Rabba, Parasha 44). Devemos entender esta limpeza, que alcançamos através da Torá e Mitzvot, e o que é a Aviut (espessura/ grossura/desejo de receber) dentro de nós, que devemos limpar com a Torá e Mitzvot.

Nós sabemos que só uma força age no mundo além da qual não há mais nada. Mas, nesse caso, ela parece estar fazendo algumas coisas realmente “tolas”. Por que ela nos faz egoístas, grosseiros, escuros, insensíveis, e, basicamente, ruins?

É realmente uma boa criação? Se o Criador é perfeitamente bom, como podemos obter algo de ruim Dele? Se a criatura é má, devemos culpar o Criador que a criou. De onde mais pode vir a falha, se não de sua raiz? Além disso, se o Criador criou tal vício e, intencionalmente, nos criou imperfeitos e egoístas, por que Ele mais tarde nos deu um remédio chamado Torá e Mitzvot (mandamentos) e nos força a corrigir o que Ele corrompeu e tornou mal em nós?

Estas questões são profundas. Na verdade, nós só começamos a compreendê-las quando começamos a subir os degraus espirituais. É aí que chegamos a perceber que a vantagem da Luz só pode ser aprendido na escuridão. Se não tivéssemos esta escuridão, em primeiro lugar, não seríamos capazes de alcançar a Luz. Ela não pode ser encontrada de outra forma.

Não pense que ela é um pagamento pelo seu trabalho e que alguém precisa de você para fazer o seu trabalho primeiro e ser recompensado por isso depois. É só você que precisa dela, porque se não fosse por essa escuridão que você se dirige à Luz, você não teria nenhuma chance de sentir o que é a Luz!

Nós começamos a percebê-la apenas quando entramos no mundo espiritual e começamos a executar os atos de correção, transformando a escuridão na Luz com a ajuda da Torá e Mitzvot, uma seqüência específica de atos espirituais que precisamos executar com precisão perfeita.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/05/11, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”