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Justiça Social: Possível Apenas Como Uma Grande Família

Dr. Michael LaitmanEm todo o mundo existem chamamentos pela justiça social. Nós, de nossa parte, devemos explicar às pessoas que é impossível impor artificialmente a justiça social. A divisão padrão de recursos, como eles fazem na previdência social, não vai ajudar. Por exemplo, é impossível comparar um milionário que recebe mil dólares pelo terceiro filho com uma família pobre que recebe mil dólares pelo terceiro filho. Isso é justiça?

Como o Baal HaSulam explica, a medida da verdade não nos permite alcançar a justiça. Se você dividir as coisas igualmente entre todos, não haverá igualdade. Então, como podemos resolver este problema?

A fim de fazer isso, nós precisamos ser como uma família. Na família não há igualdade, mas todos recebem a sua parte porque tratamos a todos com amor. Quando eu amo a todos, eu posso ajudar um em detrimento de outro. Assim eu atuo de acordo com o princípio da garantia mútua, e por isso eu atuo de forma justa. Simplesmente não há outra maneira.

Isto é o que nós temos que transmitir gradualmente às pessoas. Afinal de contas, a sociedade de hoje é mais sensível do que nunca à desigualdade, incluindo setores que não muito tempo atrás estavam muito longe disso. Em cada país há uma abundância de razões para a insatisfação, e a única maneira de ter sucesso é educar as pessoas sobre a união. De acordo com o nível de conexão, as pessoas vão chegar a um acordo social sobre como dividir os recursos, graças à sua simpatia para com os sofrimentos dos outros.

Será que você pode pedir habitação barata para si mesmo quando os outros não têm nada para comer? Afinal de contas, nós temos uma “torta” comum, que não é suficiente para suprir todas as demandas. Então, se nós não unirmos as pessoas numa família, não vamos chegar a nada.

Então, nós seremos capazes de explicar que o mal atual é realmente para melhor: ele nos permite corrigir a nós mesmos e avançar na direção do bem. Afinal, graças à cooperação mútua nós vamos mudar e começar a compartilhar os recursos da mesma forma que é feito na família. Então, nós não vamos precisar nos voltar para o governo, que não vai ajudar com suas migalhas imaginárias de qualquer maneira. Há apenas uma solução: a união das pessoas.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 17/01/12, “O Estudo das Dez Sefirot

Reflexões Sobre Ética

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando um adulto entra num sistema de educação, a primeira coisa com a qual ele se preocupa é com as questões éticas: o que é certo e o que é errado. Ao mesmo tempo, nós sabemos que a ética bloqueia o desenvolvimento da pessoa…

Resposta: Nós somos categoricamente contra a ética. O problema é que a ética assume uma enorme quantidade de condições variadas que a pessoa tem que memorizar e absorver, e, assim, criar o seu “eu” interior, impostas a ela através de todas as possíveis limitações éticas, tornando-se “limitada”, fixa, e “amarrada”, e aparentemente interagindo com aqueles ao seu redor de forma precisa e correta. Naturalmente, neste processo ela constrói sua própria imagem: uma “mala” preta, embalada em aço.

Nós somos totalmente contra isso. Isto não é liberdade. A pessoa não consegue viver assim por muito tempo, e se ela consegue, ela perde toda a sensibilidade à percepção, sensação, bondade, e compreensão mútua. Uma pessoa eticamente correta poderia decidir que alguém deve ser morto e poderia facilmente matá-lo, porque isso corresponde às normas aceitas em seu ambiente, que ela domina bem. Em essência, este é o fascismo, o nazismo, todas as formas possíveis de extremismo máximo, e assim por diante. Estas formas são o oposto da anarquia.

Aqui nós oferecemos uma linha média, um estado intermediário entre os dois. Isto é, a pessoa deve compreender a necessidade de cada uma de suas posições éticas: será que correspondem à natureza, é aceitável na sociedade de hoje e nas interações com aqueles ao seu redor? Nós precisamos organizar isso de modo que o benefício da sociedade seja sempre colocado acima do individual e, além disso, toda sociedade se move em direção a uma integração cada vez maior, uma vez que isso é o que a natureza exige.

Assim, sem dúvida, a estrutura ética é necessária, mas uma que esteja continuamente se desenvolvendo e seja flexível, existindo sob o autocontrole e o controle da sociedade, sem as chamadas “vacas sagradas”. Portanto, esta não é a ética oferecida pelos proponentes do “treinamento Prussiano”: “O que vamos ensinar a você vai ficar com você por toda a vida”.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 5, 13/11/11

O Princípio Fundamental De Todos Os Cursos De Estudo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que o currículo da educação geral e integral consiste em cerca de dez cursos. A história da evolução do egoísmo é um curso cotínuo, que continua até a completa integração da humanidade. Quais outros cursos estão incluídos além da percepção da realidade e a psicologia?

Resposta: Nós deveríamos definitivamente estudar a fisiologia humana e demonstrar apenas até que ponto o nosso corpo é estruturado de uma forma holística, onde todos os órgãos do corpo estão interligados. Todos eles são compostos de elementos opostos e funcionam de forma diferente, mas cada órgão atua em harmonia consigo mesmo e com os outros. O desaparecimento desta harmonia é o que chamamos de doença, e ela causa imediatamente o mau funcionamento na operação de todo o organismo.

Da mesma forma, dentro do organismo da sociedade cada pessoa deve ser uma parte única e individual, bem como uma parte integral e unida da sociedade. Ninguém viola a minha individualidade, mas eu preciso me equilibrar corretamente com toda a sociedade, e a sociedade vai representar um único organismo saudável, um coletivo saudável. Juntos, este coletivo irá se unir com a natureza.

Geralmente, eu preciso pensar constantemente em como estar conectado de forma orgânica e integral a mim mesmo, à sociedade e à natureza. Inicialmente, eu não consigo me conectar com outras pessoas, e eu preciso saber se em relação à natureza, esta também seria uma unificação ou não. Em outras palavras, tudo precisa ser formado simultaneamente: indivíduo, grupo, sociedade e natureza.

É por isso que nossos cursos precisam incluir os seguintes estudos sequenciais:

  1. Fisiologia humana, fisiologia dos sistemas integrais, a estrutura dos sistemas integrais, sua interdependência e mecanismos de realimentação, o fator de controle e equilíbrio do sistema ou a progressão ao longo de um curso fixo a um objetivo particular, como em pequenos sistemas cibernéticos com curvas simples de realimentação;
  2. A estrutura da criação e da sociedade, a percepção da realidade, e história;
  3. Aplicação prática dentro de um grupo, família, sobre si mesmo, e na sociedade;
  4. Crise, sua causa e efeito;
  5. Cursos sobre educação, onde suprimos todos com atividades práticas. Isso inclui viagens, excursões, e assim por diante.

O princípio orientador de todos os cursos é fornecer à pessoa a sensação de integralidade do mundo, que é percebido por nós egoístas, como isolado, oposto e antintegral. É mais conveniente para nós imaginá-lo desta maneira, de modo a “engolí-lo” em partes, para explorá-lo ao máximo em nosso próprio benefício.

Mas quando eu penso sobre o fato de que este sistema deve trabalhar precisamente nessa forma integral e que vou me sentir bem por causa dele, então eu tenho que estudá-lo, sua interação, interdependência e alcance global. Isso me ajuda a ser um co-participante compassivo e compreensivo.

É por isso que todos os cursos acima mencionados são necessários e não incluem mais que dez disciplinas interconectadas. Todos os cursos (cada um com sua própria ênfase particular) desenvolvem um esclarecimento dos temas: desde os pequenos detalhes técnicos dos sistemas integral, analógico e servo, passando pela estrutura do nosso organismo, fisiologia e psicologia, até uma transição gradual para o envolvimento mútuo.

Cada curso deve ser ministrado por um especialista. Cada especialista, naturalmente, deve ser apropriado para determinado grupo, ou seja, como é conhecido na prática psicológica, ele deve ser compatível com o curso para que as pessoas o aceitem, respeitem e valorizem, e ouçam o que ele tem a dizem. Ele deve tratá-los correspondentemente, ser de uma idade correspondente, título, e assim por diante, porque estamos lidando com iniciantes que julgam os outros “pelo envoltório” por assim dizer. Embora, em princípio, qualquer um possa ser um instrutor se estiver estudando atualmente em nosso sistema e não tenha títulos acadêmicos. Mas é preferível que o instrutor seja alguém a quem os ouvintes respeitem.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 4, 13/12/11

Alegres Tormentos Do Nascimento

Dr. Michael LaitmanNós estamos nos aproximando de um período onde haverá muitas pessoas desempregadas. Atualmente, existem 200 milhões de pessoas desempregadas no mundo. Durante o próximo ano este número vai crescer catastroficamente. Essas pessoas representam um grande problema para si, bem como para a sociedade como um todo e para os governos; as dificuldades vão desde a depressão até potenciais revoluções e guerras sangrentas.

É por isso que a nossa organização está explorando oportunidades de educação integral e preparou um curso destinado a capacitar pessoas que estão desempregadas. Nós esperamos que o nosso curso as ajude a abrir seus corações para o mundo em transformação e lhes permitam sentir e compreender melhor o seu lugar entre os seus amigos e a família, na sociedade humana como um todo, em seus países, e dentro do mundo contemporâneo.

Nós acreditamos fortemente que essas conversas são indispensáveis ​​e que sem elas o mundo entrará rapidamente num cataclismo. Suponha que nós já convencemos os governos dos países e o mundo inteiro sobre a necessidade de começar a ensinar este curso de forma obrigatória. Vamos imaginar que algum país aprovou este projeto, pois avaliou seus benefícios práticos e não vê nenhuma outra saída. Então, aqui está o primeiro grupo de cerca de 30-40 pessoas desempregadas que receberam bolsas do governo para estudar. O que eu digo a elas no nosso primeiro encontro para ajudá-las a identificar as transformações que estão acontecendo ao seu redor? Como eu poderia ensiná-las a compreender e reconstruir suas vidas?

Primeiro de tudo, eu diria: “Eu estou muito contente em conhecê-los. Talvez vocês considerem seu desemprego como um acontecimento trágico causado por fatores adversos, e talvez vocês não tivessem vindo aprender a menos que fossem forçados por estas circunstâncias. Mas nós devemos ver este estado como alegre ao invés de uma crise”.

Eu diria: “Vamos imaginar que vocês foram trazidos aqui não pelas dificuldades que estão enfrentando, mas sim porque todos estamos no limiar de uma nova vida, feliz e alegre. Para isso, temos que entender o que está acontecendo com cada um de nós em particular, e com todo o mundo em geral, e discernir porque está acontecendo.

“A situação pela qual vocês estão passando é resultado de certos erros infelizes que vocês fizeram? Talvez seja um processo normal que vocês não puderam evitar? Vocês tiveram que passar por estes problemas por causa de certas leis inevitáveis ​​da natureza? Será que elas resultam de uma tendência geral de desenvolvimento que acabará por levar-nos a grandes resultados?

“Nós chamamos a nossa situação de ” crise “, mas na verdade é parte de uma situação difícil geral, global e integral, que está ocorrendo na economia, educação, cultura, ciência, finanças e em todas as camadas da vida humana material. Na verdade, a palavra “crise” não tem uma conotação negativa. Ela significa uma nova etapa que é semelhante ao nascimento.

“Com base em nossa experiência de vida, sabemos que a transição de um estado para outro é difícil porque temos que deixar nossa zona de conforto se estivermos mudando de emprego ou modificando qualquer outra esfera da vida. Nossos hábitos nos impedem. Ficar dentro de um sistema operacional que funcione bem não exige que façamos muito esforço; isso nos faz felizes porque resistimos às mudanças naturalmente.

“O nosso ego nos leva a buscar uma ordem confiável e estável. A transição para algo novo é sempre desagradável. Bem, a menos que tenhamos certeza absoluta de que ela promete um futuro mais agradável e seja facilmente atingível. Mas se é uma transição difícil e perigosa e o futuro é incerto e imprevisível, então é um estado trágico.

“Portanto, vamos ver se a nossa situação é realmente terrível e trágica e se estamos à beira de grandes problemas, graves inundações, terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, motins, guerras, golpes revolucionários, e derramamento de sangue nas ruas (caos completo), ou é apenas uma nova ordem e tudo o que está acontecendo conosco agora é como o nascimento desta ordem, que nós ainda não vemos. Nós podemos considerar tudo que nos rodeia, que força a humanidade a fazer enormes esforços e derramar suor, como o nascimento de uma nova forma? Como um bebê durante o parto, nós estamos passando pela difícil situação.

“Antes do parto, a criança cresce pacificamente dentro do útero de sua mãe, um local seguro e protegido. Depois, o nascimento é desencadeado por um processo muito “desagradável”. A mãe sente imensa tensão e experimenta contrações. A criança também sente uma enorme pressão. Elas começam a se empurrar a tal ponto que não conseguem mais tolerar estar juntas.

“A criança sente que tem que sair do ventre de sua mãe. Se traduzirmos esta situação aos nossos sentimentos, nós diríamos que é intolerável para esta criança permanecer dentro do organismo de sua mãe por mais tempo; nem ela pode segurá-la dentro de si. Como resultado da repulsa mútua, o processo de parto é iniciado e a criança nasce para um mundo maravilhoso e brilhante que a recebe com grande amor. Assim, ela obtém uma nova vida e chega a uma nova etapa de sua existência.

“Em vez de ser um pedaço de carne de vários quilos, ela deixa de ser uma criatura que vive dentro do organismo de outra pessoa e se transforma num ser humano! Não importa que ela ainda seja muito pequena e não entenda o que está acontecendo; o que importa é que ela nasceu numa nova vida. É muito semelhante ao que está acontecendo conosco neste momento. Nosso estado atual é semelhante à dor de parto de um novo mundo”.

Do KabTV “Uma Nova Vida” Episódio # 1, 27/12/11

Ele Começa Com O Indivíduo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando a pessoa vier para os cursos de educação integral, vamos começar lhe contando sobre o maravilhoso mundo integral que já estamos começando a construir. No entanto, agora, ela vive num mundo horrível que coloca pressão sobre si. Onde ela pode encontrar a motivação para permanecer neste caminho?

Resposta: Nós temos que educar as pessoas, e elas vão construir o seu mundo. Quando grandes massas de pessoas começarem a mudar gradualmente, isso naturalmente vai trazer uma mudança no estado da sociedade, sua estrutura, e na interação entre os adultos. Quando esses “filhos crescidos” crescerem, tudo vai mudar.

No entanto, nós ainda devemos começar com o indivíduo, já que ele é o centro de tudo. Então, as interações públicas irão mudar gradualmente. Atividades de creche, escola, família e das crianças devem estar interligadas de forma a criar uma geração que vai mudar o nosso mundo porque ele vai mudar no processo de amadurecimento.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” 13/12/11

O Ambiente Pode Fazer Qualquer Coisa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você geralmente traz o exemplo da relação de uma mãe para com seu filho e sua relação com o filho de um vizinho dizendo que se ela visse o filho do vizinho como seu, ela deixaria de perceber as falhas dessa criança. Como você pode fazer um coração humano amar alguém?

Resposta: Isso só pode acontecer através da força do hábito. O hábito torna-se então uma segunda natureza, através da convicção da sociedade circundante, seus bons exemplos, através de canções e filmes, e tudo que influencia uma pessoa. A influência da sociedade circundante pode me programar a odiar o meu próprio filho e a amar o filho do vizinho.

O ambiente pode fazer qualquer coisa! O ambiente é mais forte que a minha natureza, porque pertence ao nível humano e minha natureza age no nível animal. Nós vemos quão drasticamente uma pessoa pode mudar devido ao seu ambiente. Isso ocorre porque a influência da sociedade é mais forte do que qualquer outra influência.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 5, 02/01/12

O Medo Que Eleva

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os idosos têm um medo especialmente enfático que surge em qualquer grupo: e se eu não tiver tempo suficiente para alcançar a sensação de eternidade e perfeição? Como lidar com esse medo?

Resposta: Nós precisamos definir tarefas muito concretas diante deles, não futuras, como para os jovens, e ajustar metas definidas que sejam atingíveis e realizáveis muito rapidamente. Ao mesmo tempo, precisamos dizer-lhes sobre toda imagem global do sistema da natureza, sua eternidade, seus ciclos de vida, bem como nossos ciclos de vida dentro dele. Ou seja, aqui precisamos de um apoio psicológico sério desde o início.

Pergunta: Durante um dos programas você explicou que o medo da morte paralisa a vida de uma pessoa, impedindo-a. Ela se manifesta menos em pessoas jovens e mais em certa idade. Como é que a metodologia da educação integral considera a atitude em relação ao medo? Como trabalhar com ele?

Resposta: Eu acho que um esclarecimento correto de nosso lugar na natureza é a chave para compreender o lugar da pessoa dentro dela, o lugar da morte e da nossa vida biológica. Precisamos levar a pessoa ao próximo nível de entendimento, sem nem mesmo sentindo-lo ainda, mas simplesmente compreendendo isto.

A pessoa chegará à sensação de eternidade e perfeição quando ela estiver integralmente conectada com certa massa crítica de outras pessoas que também estão atingindo essa integração. É como se nos elevássemos acima de nós mesmos, criando alguma imagem acima de nós de uma pessoa com um coração e mente. E nosso corpo físico existe nas proximidades, como um animal que acompanha esta imagem, do mesmo modo que nosso cão ou gato vive ao nosso lado.

Nós devemos concentrar a atenção das pessoas nisso e tentar trazê-las para esse tipo de sensação. Em princípio, psicologicamente, isso não é tão difícil, considerando que não há resistência do seu lado; pelo contrário, há apoio e antecipação de resultados. Elas representam a parte da humanidade que se esforça com alegria pela integração e proximidade, entendendo que tudo mais passa e desaparece.

Pessoas idosas facilmente partme com tudo para alcançar o sentimento de ascensão acima da morte, elevando-se acima de muitos fatores do fim inevitável e aparentemente iminente. Precisamos dar-lhes uma sensação como se estivessem num avião prestes a bater numa montanha, mas que de repente alguma grande força eleva-o, e ele acelera para cima com força aumentada. Acho que tal sensação pode ser criada nelas rapidamente.

Além disso, os cursos para idosos naturalmente precisam ser mais fáceis. Eles não necessitam de grandes estudos teóricos e práticos; eles terão prazer apenas de participar. Eu acho que justamente o egoísmo e o medo que surgem em todos os idosos, o desejo de alcançar um resultado que os eleve, tudo isso dará uma base muito importante para impulsionar outros grupos na sociedade.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 4, 13/12/11

Não Ver A Vida Como Má, Mas Dar-lhe As Boas Vindas

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós conversamos sobre o fato de que nos cursos de educação integral as pessoas se encontram 7-8 horas por dia, e juntas elas passam primeiro pela fase preparatória informativa, ou seja, recebem uma educação, e depois prosseguem para a parte prática, a educação, onde agora em sua interação psicológica eles passam por vários estados. Além de estudo e educação, há espaço neste programa para a celebração conjunta de férias?

Resposta: Constantemente. Afinal de contas, ao passar 7-8 horas juntos, eles precisam participar de algum tipo de refeição pelo menos uma vez, talvez até duas vezes. Deve haver um almoço e também uma pequena pausa, como um lanche da tarde. É preciso haver pausas para descanso e uma mudança constante nas atividades, caso contrário, a pessoa simplesmente será incapaz de lidar com isso, especialmente os idosos: eles vão todos dormir.

Uma vez que eles têm tempo livre, é preciso quebrar o seu dia em aulas de manhã e à noite, e no meio dar-lhes algum tempo para descansar, para o trabalho doméstico, para as suas necessidades naturais. Afinal, esta é uma faixa etária especial cuja fisiologia pode não ser completamente saudável.

Nossa tarefa é fazer com que a pessoa se conecte a um grupo e, assim, adquirir para si uma nova sociedade em que vive e não apenas passa o tempo, mas encontra lá o seu futuro brilhante. Nós precisamos criar para eles uma atmosfera de expectativa prazerosa que psicologicamente os apoie e cure de fato. Começando com as primeiras horas deles conosco, precisamos trabalhar especificamente nisso.

Devemos organizar danças para eles, algum tipo de funções especiais à noite. Em outras palavras, é preciso haver uma abordagem especial aqui.

Eu gostaria de enfatizar mais uma vez que sua disposição para a nossa metodologia, seu desejo de que isso se torne realidade, e sua boa vontade vai desempenhar um papel positivo dentro de outros grupos etários. Os idosos podem e sabem influenciar a todos. Nós estamos bem familiarizados com esta idade: na realidade, eles são bem ativos. Nós só pensamos, com base na sua aparência física, que eles são passivos, mas na verdade a sua influência é muito forte.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 4, 13/12/11

O Valor Da Experiência De Vida

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de único em ensinar a abordagem integral aos idosos?

Resposta: Eu acho que eles vão recebê-lo com grande compreensão, porque uma pessoa que já viveu uma vida inteira compreende até que ponto não é mestre de sua própria vida. É como se a vida passasse por cima dela, comandando-lhe, e não ela comandando a vida.

Pessoas dessa idade estão mais de acordo com o fato de que a natureza trabalha em nós, e agora, quando elas não têm muito mais tempo para entender, perceber, e possivelmente corrigir isso de alguma forma, elas são mais diligentes, sensíveis e compassivas.

Além disso, a enorme experiência de vida duramente conquistada dá a pessoa uma abordagem completamente diferente a que está sendo oferecida. Desde o início, a pessoa está aberta a aprender, tão naturalmente, que sua participação nos estudos é mais amigável. Nós estamos oferecendo à pessoa a possibilidade de alcançar a harmonia nesse curto espaço de tempo que ela tem.

Estas são pessoas que vivem e medem-se não em relação a algumas conquistas, mas em relação ao fim da vida. De modo geral, essa constante sensação inconsciente da pessoa determina todo seu comportamento.

E aqui é onde nós precisamos impregnar o ponto final de sua vida com alegria, realização e ascensão para um novo estado, que existe para além do fim da vida corporal. Devemos dar-lhes uma sensação semelhente a como se eles estivessem voando e prestes a bater em algo, e de repente, surgisse um motor que os transportasse acima do obstáculo. É justamente a sensação desta possibilidade que lhes dará força; depois, claro, será muito fácil para eles trabalharem em grupo.

Espero que estes grupos sejam uma séria ajuda para nós, porque, em princípio, quantos mais grupos deste tipo podermos criar, mais fácil será para nós incluir-nos em toda a humanidade.

A propósito, a longevidade inerente ao nosso tempo (a esperança de vida mais do que dobrou em relação aos séculos anteriores) significa um acúmulo de experiência de vida por um indivíduo. Em algum ponto, as pessoas viviam 30 ou 40 anos e morriam jovens, sem ganhar qualquer experiência na vida. Desde os tempos antigos até o século XVIII, uma pessoa vivia não mais de 35-40 anos. É difícil acreditar agora que houve certa vez um ciclo de vida tão curto. A pessoa praticamente não tinha tempo de conquistar algo na vida, envelhecia muito rapidamente, e morria. De alguma forma, tudo cessou muito abruptamente.

Precisamos tirar proveito do fato de que em nosso tempo, o ego em desenvolvimento nos oferece a oportunidade, de acordo com seu desenvolvimento, de simultanemanete viver e interiorizar a experiência e o ponto de vista que se desenvolve numa pessoa com a idade de sessenta anos ou mais. Hoje, os idosos formam a grande maioria da humanidade. Precisamos aproveitar esse grupo, que é simpático em relação à nossa metodologia e seus resultados, e através deles criar em toda a humanidade uma base  correta para a integração.

Portanto, sob nenhuma circunstância devemos passar por estes grupos sem os envolver, embora a nossa habitual atitude automática para com este segmento da população seja: “Nós vamos criar todas as condições necessárias para que eles não nos incomodem. Deixe-os sentar em algum lugar num banco e calmamente viver a sua vida”. Não, nós precisamos construir grupos muito poderosos deles, e eles vão disseminar entre seus filhos e netos este método, a sua utilidade, e a solução salvadora que ele oferece para a humanidade.

Pergunta: Sabemos por experiência que a maioria dos idosos realmente gosta de contar a história de sua vida. Devemos dar-lhes a oportunidade de compartilhar suas histórias?

Resposta: Só se isso nos ajuda na capacidade de um exemplo psicológico: O que você contou, o que você viu, o que você viveu. Naturalmente, os idosos adoram isso, mas suas histórias têm de ser acompanhadas por meio de investigação e análise: por que isso aconteceu, o que proporcionou, o que isso deveria ensinar-nos hoje, e assim por diante.

Os idosos passado o tempo em vários encontros é o seu próprio negócio, mas precisamos levar isso em consideração e ensinar-lhes como se relacionar com a experiência vivida da vida.

 Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 4, 13/12/11

Lições Sobre Um Novo Mundo: A Quem Você Se Entrega?


Todo o nosso processo de evolução é através do ambiente. Se não houvesse o ambiente, eu não me desenvolveria, apesar das Reshimot (reminiscências) em mim. Nós vemos que crianças deixadas na floresta e encontradas apenas algum tempo depois, se desenvolvem como os animais que cuidaram delas na floresta. Elas se desenvolvem de acordo com as características desses animais, sofrem as mesmas doenças que eles, pensam e querem as mesmas coisas que os animais, e até mesmo vivem o mesmo tempo de vida que eles viveram.

Isso significa que seu corpo se acostumou a viver com os animais a tal ponto que elas foram impressionadas por estes animais, de modo que se uma criança é encontrada na idade de 6 ou 9 anos (e houve vários casos), apesar do tratamento e boas condições em que viviam depois, elas viveram o mesmo número de anos que os animais com quem tinham vivido. Elas viveram 12 a 20 anos no máximo.

Em outras palavras, o nosso corpo depende muito da sociedade em que nos desenvolvemos, e nesse sentido a pessoa é muito flexível. Se tomarmos um cão ou gato, por exemplo, que viveu muitos anos com seres humanos, estes só se acostumam um pouco com as pessoas. Claro, eles não podem viver na floresta como cães e gatos selvagens, uma vez que têm um caráter diferente. Eles também transmitem a sua descendência uma atitude diferente para com o homem e o ambiente. No entanto, eles não são tão flexíveis. O homem, por outro lado, quando incorporado num determinado ambiente, é impressionado muito fortemente por ele, até mesmo de forma fatal. Comparado a um animal que se acostuma a viver com as pessoas, o homem é impressionado de forma muito mais poderosa e se acostuma com a vida dos animais.

Isto significa que todos nós dependemos de nosso ambiente. Portanto, na educação, nós também devemos primeiro prestar atenção no ambiente como um fator que determina o desenvolvimento de uma pessoa. Todo o futuro de uma pessoa depende disso. Se mudarmos o ambiente, mudamos nossa personalidade, nosso desejo, nossa perspectiva, e nosso paradigma de vida. Portanto, é muito importante ser cuidadoso, pensar, verificar e considerar o lugar que entramos, os amigos e os círculos onde passamos nosso tempo, e a quem nos entregamos.

Nós devemos ensinar a pessoa a conhecer e aprender o que a rodeia, e explicar-lhe como ela é dependente do ambiente e como pode gerenciar sua vida através dele.

Das “Lições Sobre um Novo Mundo” #3, 29/12/11