Textos na Categoria 'Amor'

Doação Verdadeira ou Egoísta

Uma pergunta que recebi: Neste mundo, nós recebemos o prazer egoísta de dar. Qual é a vantagem de estar no Mundo Superior, se recebemos o prazer de receber doação lá também?

Minha resposta: Se  nos fosse permitido desfrutar da doação no mundo, então, estaria dando o tempo todo. A pergunta é porque damos neste mundo? É a fim de receber prazer. Essa é a diferença entre este mundo material e o mundo espiritual.

Neste mundo as pessoas estão dispostas a desistir de tudo apenas por um momento de prazer. Prazer é tudo e a própria ação não importa para nós. Quando amamos alguém, nós estamos prontos para dar-lhe tudo, incluindo a nossa vida. Isto é porque há um mecanismo dentro de nós que segrega amor e prazer “drogas” dentro de nós. Mas se nós não sentimos o amor, então não estamos dispostos a dar porque não vai sentir nenhum prazer com isso.

Agora, aqui está a questão: Será que precisamos de amor para dar ou sentir prazer? Esta é a diferença entre os dois mundos.

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O Criador é um puro desejo de doar. Ele recebe prazer da doação. Ele cria a criatura, o desejo de receber, de modo a doar a ele. Será que o Criador sente prazer em doar? Sim! Será que Ele concede, a fim de sentir prazer? Não! Ele recebe o prazer do fato de que Ele quer oferecer. Nós dizemos que ele sofre por causa da nossa relutância em receber o prazer, mas é apenas a nossa percepção limitada pela qual percebemos o seu “sofrimento “em relação a nós mesmos.

Nós, por outro lado, somos o desejo de receber, e a nossa alegria reside unicamente na recepção. Esse desejo não pode ser apagado dentro de nós, ele só precisa ser corrigido. O desejo corrigido terá prazer em ser realizado, mas a sua realização virá na realização do outro. [Leia mais →]

Elevando-se Ao Infinito Seguindo Os Passos Do Amor

Laitman_415_01Se nós devêssemos doar ao Criador, devido ao desejo que Ele inseriu em nós, haveria amor mais superficial que esse? Basicamente, nós O amaríamos porque Ele nos fez amá-Lo. O amor só é possível se o desejo se origina em nós.

É por isso que não foi uma opção criar-nos com um desejo pronto para amá-Lo, por que isso teria sido repugnante. O amor deve ser totalmente autêntico em sua origem, ele deve florescer num espaço vazio, totalmente desinteressado e independente de qualquer prazer recebido.

Como nós podemos atingir esse amor absoluto, puro e eterno, totalmente desinteressado, sem exigir qualquer recompensa? Como pode a criatura alcançar a mesma atitude para com o Criador, do mesmo modo que Ele tem por ela? Esse desejo, a necessidade de doação, deve ser desenvolvido por nós. Nisto reside todo o nosso desenvolvimento, deste mundo até o Mundo do Infinito: atingir a necessidade de amor.

Como nós a desenvolvemos dentro de nós, esta necessidade de amor não desaparece. Nós nos agarramos a essa carência, graças à qual podemos amar e doar. Por esta razão, o vaso espiritual nunca pode ser cheio. Ele não pode ser preenchido; nós simplesmente o cobrimos a partir do Alto, como está escrito: “O amor cobrirá todos os pecados”. O ato de cobrir só aumenta a carência. Nós a cobrimos, mas ela continua crescendo, mantendo a chama mais luminosa.

É por isso que o processo pelo qual passamos não pode ser diferente, como decorre do objetivo final. Com efeito, se o Criador quer levar-nos ao amor mútuo, o mesmo amor que Ele tem por nós, então não há outra escolha. Toda a escada espiritual já se expandiu, do ponto final até nós, ao princípio do caminho, e nós devemos continuar nossa viagem até o fim.

Da terceira parte da Lição Diária de Cabalá 03/05/10, Artigo “Matan Torah”

A Lei do Amor Superior


Uma pergunta que recebi: Eu cheguei até a ciência Cabalística, a ciência da recepção, a fim de receber. Mas de repente eu vejo que ela ensina sobre como aumentar o desejo da pessoa. Onde está a recepção aqui?

Minha resposta: Esta é a recepção. Eu recebo uma força especial do Criador, chamada “amor”, que é algo completamente desconhecido para nós. Com a ajuda dessa força eu uno a mim todos os desejos existentes na realidade. Todos eles se tornam meus desejos e eu os recebo, juntamente com a satisfação deles.

Isso se chama ciência Cabalística, a qual fala sobre como receber os desejos cheios de bondade. Eles são todos seus. Tudo que você precisa fazer é sentir amor por eles. Assim, você descobrirá que eles estão no estado chamado Fim da Correção, e tudo isso é seu.

Quando você adquire a força do amor, você começa a sentir os desejos do seu próximo melhor do que ele, e assim você o satisfaz de acordo com suas sensações. É como a mãe, que sente aquilo  que seu filho precisa.

Na espiritualidade o Superior conhece melhor sobre as necessidades do inferior. O inferior simplesmente grita, revelando o desejo dele a você. Mas você conhece todos os componentes do seu desejo, embora ele não o conheça. Isso porque você é o superior. Se você é aquele que doa e o satisfaz , então você é superior em relação a ele e sabe mais sobre ele do que ele mesmo.

Esta é a lei do amor superior, que não tem nada em comum com as noções que atribuímos à palavra “amor” em nosso mundo.

Da terceira parte da Lição Diária de Cabalá 03/05/10, “Matan Torah”

Mundo Animal Versus Mundo Humano


O Rabino Akiva disse: “Ama teu próximo como a ti mesmo; essa é a grande lei da Torá!”. Por que o amor ao próximo é uma grande lei, o fundamento que categoricamente nos divide em duas metades: animal e humana? Se eu me amo a mim mesmo, então eu sou um animal, e se eu amo o meu próximo, então eu sou um humano. Como um animal, eu sinto apenas esta vida material, mas quando eu começo a amar os outros, eu sinto o Criador e o mundo espiritual.

A espiritualidade é sentida dentro da força do amor que é chamada o meu recipiente (vaso) espiritual ou Kli. Neste momento o meu recipiente (vaso) é amor egoísta, o desejo de amar a mim mesmo. O mundo que eu sinto hoje é sentido dentro deste desejo. Nesta realidade egoísta, eu revelo apenas o que é bom ou mau para mim.

Eu revelo o mundo e toda diversidade de suas sombras apenas em relação a mim mesmo. Todas as cores e sons no mundo dependem do que me é útil e do que é prejudicial. Eu tenho medo de uma coisa e eu desejo outra qualquer. Eu afasto uma coisa e atraio outra qualquer. Cada influência é revelada dentro dos meus sentidos, que operam em relação ao meu amor por mim mesmo. Desta forma, eu não vejo nada que não pertença ao meu amor próprio, eu simplesmente não percepciono sua existência.

O facto é que eu estou em frente ao infinito, mas eu não o sinto. Em relação a mim ele parece-me não existir de todo, porque ele não me faz sentir bem ou mal. O amor egoísta determina o volume do universo que eu sinto. Logo, fora de todo Mundo do Infinito, eu sinto apenas uma pequena esfera, o meu mundo.

Quando eu começo a sair de mim mesmo, no meu desejo anterior eu sinto o que é bom para os outros. Por outras palavras, eu começo a amar o meu próximo. Isto é chamado o Mundo Superior, espiritual. Quando eu o revelo, eu revelo um universo completamente diferente.

Se eu me dessintonizar dos pensamentos egoístas sobre mim mesmo, até mesmo num sentido puramente material, e começar a pensar sobre o meu próximo, então eu irei sentir um mundo completamente diferente, com problemas e soluções completamente diferentes. Quando eu revelo o que é bom para alguém mais, então, em relação a mim, isso será chamado o  Mundo Superior, espiritual. Essa pessoa irá ver a mesma coisa como seu mundo material e egoísta, mas quando eu desejar me vestir na sua realidade e revelar o seu mundo de dentro dela, isso irá tornar-se o meu mundo espiritual.

Este exercício permite-me sair de mim mesmo e sentir o Criador. Eu irei senti-Lo dentro de vocês, como está escrito: “O Criador habita dentro de Sua nação”.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 26/04/10, “Matan Torá”