Textos na Categoria 'Amor'

Centelhas Que São Iluminadas Num Círculo De Corações

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, Volume II, Carta 8: E depois de já ter adquirido essa vestimenta mencionada anteriormente, centelhas de amor prontamente começam a brilhar dentro de mim. O coração começa a desejar se unir com os meus amigos, e parece-me que os meus olhos veem meus amigos, meus ouvidos escutam suas vozes, a minha boca fala com eles, as mãos abraçam, os pés dançam em círculo, em amor e alegria juntamente com eles, e eu transcendo meus limites corporais. Eu esqueço a vasta distância entre eu e meus amigos, e a terra dispersa por muitos quilômetros não vai ficar entre nós.

É como se os meus amigos estivem dentro do meu coração e vissem tudo o que está acontecendo lá, e eu fico com vergonha dos meus atos mesquinhos contra os meus amigos. Então, eu simplesmente saio dos vasos corporais, e parece-me que não há nenhuma realidade no mundo, exceto meus amigos e eu. Depois disso, mesmo o “eu” é anulado e está imerso, misturado nos meus amigos, até que eu fico em pé e declaro que não há nenhuma realidade no mundo, apenas os amigos.

É claro que é impossível de alcançar tal estado por meus próprios esforços simples. Somente a Luz superior pode nos levar a este estado, à medida que ela age em nós por um longo tempo até que evoca em nós o desejo coletivo. Então, todos nós somos incorporados numa rede, e cada um sente a sociedade.

Cada um vai ver que este é o centro de sua vida, e este é o lugar onde recebe a força da vitalidade e sua impressão. Neste respeito mútuo, ela descobre gradualmente a forma do Criador, já que pela doação mútua, os amigos mantém um campo a partir do qual, como na matéria que se desenvolve e descobre, a forma do Criador é descrita e revelada.

Assim, quando atingimos um desejo coletivo, as condições corporais deixam de existir. O desejo é a única matéria, a partir da qual, pela doação mútua, nós começamos a estabilizar e esculpir a imagem do Criador, revelando-a a todos. A pessoa percebe que fora desta rede geral não há nada, exceto os amigos.

É por isso que nós estamos neste estado em tal mundo, e através das ações e dos estados corporais, podemos alcançar o mundo espiritual. Caso contrário, não poderíamos fazer nada.

Isso só pode ser assim, através das ações corporais e da Luz que nos eleva para ações espirituais, mas a impressão vem da conexão geral entre todos. Eu creio que isso já exista entre nós de certa forma.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 25/07/12

Roteiro Para O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso me relacionar com o Criador, se Ele é a qualidade de doação?

Resposta: Realmente, o que significa a “qualidade” de qualquer maneira? É uma força física? Eu posso realmente amar ou odiar a gravidade? Por exemplo, eu posso gostar dela na condição de que ela faça algo bom para mim. Mas isso não significa que eu a amo ou odeio. Eu percebo que é algo inanimado e, portanto, me relaciono com ela de acordo com meu sentimento, de acordo com os benefícios que recebo dela.

Eu gosto do sol. Mas, eu realmente o “amo”? Como nós podemos amar o sol comparado a amar uma planta, um animal ou uma pessoa?

Então, como me relacionar com o Criador? Primeiro de tudo, é dito sobre ele: “Eu HaVaYaH não mudo”. A Luz superior está em repouso absoluto; é o “Bom que faz o bem para o bom e o mau”; o Criador nos trata com amor absoluto.

Por outro lado, o Criador é chamado o Grande, o Terrível, e assim por diante. Todo o mal vem Dele; todo o bem é originário Dele. Tudo é tão contraditório que eu fico confuso.

Se algo é imutável, é ruim. Por que eles nos dizem que o Criador não muda?

Baal HaSulam explica em sua carta número dois, que se um pai se relaciona com seu filho com amor absoluto, ele faz o filho odiá-lo, em vez de amá-lo. Afinal, se não há reação alguma em nome do pai, o filho vê que não importa como ele trata o seu pai; de qualquer forma, o pai lhe responde com amor absoluto. Ele impede que o filho desenvolva amor, e não permite que ele mude, veja a conexão e fique em contato. É como se ele estivesse diante de um objeto inanimado. As plantas têm certo nível de reação, os animais respondem mais fortemente, sem mencionar o ser humano. Em seguida, as reações positivas e negativas penetram umas nas outras e criam uma nova conexão, uma inclusão mútua.

Mas se o Criador não muda, e ao mesmo tempo, Ele é tão bondoso e amoroso, então o que eu sinto por Ele? Não há como eu possa levá-Lo em consideração. Além disso, se eu não posso considerá-Lo, eu O deixo fora de cena, como se Ele não existisse. Por que eu consideraria alguém que nunca muda?

É uma noção muito profunda, que foi explorada não só pelos Cabalistas. No entanto, os Cabalistas se esforçaram em demonstrar que em todos os momentos o Criador significa “Venha e veja” (Bo-reh, em hebraico); assim eu O revelo. Eu não consigo revelar Ele mesmo, Sua essência, mas apenas Sua forma que está vestida na matéria. É por isso que quando nós O alcançamos em Sua totalidade, revelamos Sua forma final e perfeita e realmente O vemos como Absoluto, Perfeito, Eterno, o Bom que faz o bem.

Em todos os outros estados, nós consideramos o bem ou o mal que vem Dele dependendo do nível da nossa própria corrupção, como é dito: “Todo mundo julga de acordo com suas próprias falhas”. Assim, nós temos a oportunidade de nos relacionar com Ele de acordo com nossas próprias deficiências e correções, e vê-Lo como bom ou ruim.

Além disso, nós temos que acreditar no que disseram os grandes Cabalistas que O revelaram em Sua verdadeira forma, que Ele é totalmente bom e doador.

Portanto, nós temos que relacionar isso com os nossos desejos (Kelim): neste momento, nós vemos o Criador de acordo com a exatidão ou corrupção dos nossos desejos, mas quando nós o alcançamos no final da escada, vamos revelá-Lo como o Bom que faz o bem.

Assim, todas as contradições terão desaparecido, e nós receberemos um “roteiro do progresso”, que é dimensionado conforme nossa atitude para com o Criador. Ele nos permite ver como nós mudamos e, consequentemente, como o Criador muda aos nossos olhos.

Nós expressamos nossa gratidão ao Criador por nos dar a escada da ocultação; com a sua ajuda podemos alcançar a conexão com Ele. Caso contrário, não seremos capazes de nos conectar com perfeição.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/12, “O Livro do Zohar”

Prepare-se Seriamente Ou Divirta-se, Você Decide!

Dr. Michael LaitmanTudo depende da preparação e há a questão do grupo aqui, pois a conexão é a expressão da aquisição do atributo de doação, a aproximação, a adesão entre aqueles que trabalham juntos e seguem um caminho; é uma expressão de o atributo de amor que eles adquirem.

A unidade entre eles é semelhante à unicidade do Criador, pois se eles querem ser “como um homem em um só coração”, que significa estar mutuamente incorporado em pensamento e desejos, sem quaisquer diferenças entre si, como um sistema integral, eles anseiam se assemelhar ao Criador que é Um.

Assim, eles se preparam, todos eles juntos e cada um por si, para sentir o verdadeiro sabor da refeição que foi preparada pelo Criador.

É por isso que nos foi dado o livre arbítrio em nosso mundo, a fim de nos permitir chegar à refeição dos ímpios ou à refeição dos justos. Você decide se você se prepara a sério, ou se você brinca com os brinquedos!

Nós falamos daqueles que alcançaram a sabedoria da Cabalá. Nós não podemos exigir nada de quem ainda não chegou a ela. Eles simplesmente continuam a sofrer com a crise general que os empurra a se corrigir debaixo. Estas pobres pessoas não entendem o que está acontecendo. Elas esperam a salvação, mas a salvação só pode vir daqueles que se prepararam corretamente para a refeição do rei. Então, através deles, a refeição vai chegar a todos os outros que ainda não começaram a se preparar.

Portanto, todo o nosso trabalho está no grupo, na reciprocidade, “como um homem em um só coração”, como se diz: “Cada homem deve ajudar o seu irmão”, “não faças aos seus amigos o que você odeia”, “Ama o amigo como a ti mesmo” e “Do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Todos estes princípios só podem ser preenchidos através de uma conexão, uma vez que esta é a preparação para a revelação de nosso relacionamento com o Criador, para que Ele seja revelado dentro de nossa preparação, dentro da conexão. Isso significa que o atributo de doação e amor se revela nos vasos que preparamos e corrigimos, a fim de revelar esse atributo de acordo com a lei da equivalência de forma.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/07/12, Escritos do Baal HaSulam

Estudando-Me No Espelho Do Mundo

Dr. Michael LaitmanEm nosso mundo nós estamos em contato com corpos físicos, e parece que temos livre arbítrio, independência, que pedimos e recebemos respostas. Mas depois, nós descobrimos que simplesmente estávamos diante de um espelho e não havia outros. Meus atributos parecem ser como a humanidade, como um grande mundo ao meu redor, com o qual eu tivesse que trabalhar.

Portanto, nós precisamos entender que o que fazemos aos outros, fazemos a nós mesmos. Não é apenas retornar a você de forma indireta, mas agir diretamente contra si mesmo. Tudo o que você vê ao seu redor são suas próprias qualidades internas estendidas para fora.

Esta é a única oportunidade de descobrir gradualmente a si mesmo, já que se descobríssemos dentro de nós o mesmo desejo com o qual o Criador nos criou, ficaríamos constantemente presos dentro dele, e não tentaríamos examiná-lo, mas o compreenderíamos como uma coisa boa, e só pensaríamos em como preenchê-lo. Nós nos preocuparíamos com ele como uma mãe amorosa que não está preocupada com nada, somente que seu filho fique gordo e saudável. Ela não critica seus atributos pessoais.

Assim, nós estamos nesta realidade especial. Diz-se: “A pessoa é um mundo pequeno”, e tudo o que está dentro, ela vê fora. Todo o mundo que o rodeia é você mesmo, como se ele se espalhasse. Agora, uma vez que você vê tudo o que existe como que fora de si mesmo e se relaciona com ele egoisticamente, você pode tentar alcançar o amor com todos os seus atributos egoístas.

O resultado é que tudo foi criado apenas com o propósito de sua correção. Se todos esses atributos ficassem dentro de você, você não seria capaz de descobri-los e corrigi-los. Assim, você não receberia o Kli (vaso) para a revelação do Criador. Mas como tudo isso parece estar fora de você, você é capaz de vê-lo e esclarecer a relação com ele, para descobri-lo 613 vezes maior, e assim descobrir o Criador. Portanto, dentro de você, apenas “ponto no coração” pode ser descoberto.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/12, Escritos do Rabash

Não Existem Contas No Amor

Dr. Michael LaitmanDentro de cada nação, se esconde uma força interna que a une. No entanto, os filhos de Israel, como Baal HaSulam explica, não são como o resto das nações que possui essa interligação natural. Se não há amor entre eles, eles se dispersam facilmente. Só o ódio das outras nações os une e os protege da completa assimilação.

Baal HaSulam usa o exemplo de um saco de nozes. Elas estão tão dispostas a se unir que ainda sacodem e batem umas contra as outras, mas o “saco”, ou seja, o antissemitismo, não as deixa cair. No entanto, isso não é amor nem unidade. Então, quanto tempo elas durarão?

É por isso que agora chegou o momento para eles se unirem entre si e não devido à “bolsa” que os envolve, mas baseado no amor e interligação. Então, a pressão externa não será necessária e cessará. De repente, os primos árabes mudarão a sua relação e realmente serão como irmãos para eles. Isso porque o ponto não está na outra pessoa, mas é assim que a governança superior influencia o povo judeu.

Se a nação se fundir, o “saco” deixará de ser necessário, e, desta forma, todas as forças negativas no mundo serão eliminadas, apenas por meio da unidade. Percebendo esta metodologia, as pessoas vão sentir algo que está incutido em sua alma e esquecido há muito tempo.

A semente já foi plantada, e é por isso que o Baal HaSulam escreve que a nação judaica precisa despertar novamente o amor dentro dela, enquanto que, é claro, precisa estar aberta a todos. Quem sabe para onde teriam ido as dez tribos que caíram fora durante o período do Primeiro Templo? Quem sabe onde os seus descendentes estão hoje e quantos são.

De qualquer forma, se o mundo inteiro tem que chegar à mesma unidade, obviamente, a nação judaica está pronta para aceitar todos que a querem. Não existem contas no amor. Aqueles que desejam o mesmo, juntem-se!

Da “Conversa em 06/05/12”

Tornar-se Nada E Ficar Diante Do Criador

Dr. Michael LaitmanA pessoa constantemente se anula, constantemente realiza a vontade do Criador, constantemente “envia-se para o nada” acima do desejo, crescendo nele.

No início, eu me anulo acima do pequeno desejo do nível inanimado, e depois estou como que no ventre da mãe, no “repouso de nove meses”. Em seguida, um grupo de desejos, que pertencem ao nível vegetal, desperta em mim, e novamente, eu tenho que me anular contra ele.

No entanto, a fim de me anular, para me tornar nada, eu preciso me empenhar. Através das ações opostas ao Criador, eu crio o que é chamado “ajuda contra Ele” e anulo a mim mesmo ao doar a Ele.

No final, eu não descarto nada. Todos os desejos são usados, como é dito: “Tudo é adicionado à conta geral”. Eu peço apenas para me anular, mas isso vem somente através de meu entendimento e sentimento de mim mesmo e de cada um, o mundo inteiro. Isso me permite aderir ao Criador.

Pergunta: Eu posso dizer que a auto-anulação é amor?

Resposta: O amor não se manifesta na auto-anulação, mas na grandeza, quando eu uso todas as minhas propriedades para dar, doar. Amor significa que eu doo, estabeleço conexão e em geral sou ativo.

A auto-anulação é a qualidade de um feto ou bebê, e não uma expressão de amor.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar

Fique Firme Diante Da Grandeza

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando eu recebo para doar, a abundância flui através de mim. Eu posso desfrutá-la?

Resposta: Você não desfruta a abundância que passa por você. É um tipo completamente diferente de abundância, não como a satisfação egoísta. Você, como um convidado, quer provar um delicioso bolo para fazer um favor ao anfitrião que o preparou. Aparentemente o bolo deveria ter o mesmo sabor, mas não tem.

Pergunta: Mas, quando eu amo alguém de todo o coração, esquecendo-me de mim mesmo, esse sentimento, no entanto, surge em mim. O amor é direcionado para o outro, mas sou eu que o sente.

Resposta: Sim, o sentimento surge dentro de você; no entanto, ele consiste de vários parâmetros. Afinal, você recebe o prazer de querer dar à pessoa amada.

Imagine isso. Há o desejo de receber do Criador e o desejo de receber da criação, que é o que você é. Você deve senti-Lo recebendo o desejo, sentir como Ele quer doar a você,  assimilar esse desejo de receber dentro de si mesmo e agradá-Lo.

E o principal, você está experimentando prazer na “cabeça”, ou seja, no desejo que você recebeu Dele. Assim, verifica-se que lá, dentro do desejo Dele, você faz o cálculo: “Como posso satisfazê-Lo?” – pelo menos na medida do quanto você vai envolver a sua recepção do desejo. Em outras palavras, em seu desejo você sente o quanto está satisfazendo-O, e esta já é a vestimenta da Luz de Hassadim.

Como resultado, nós estamos falando sobre o prazer de um tipo muito diferente.

Pergunta: Então, como é que a separação emerge se tudo está dentro de mim?

Resposta: A intenção estabelece a diferença entre um e outro. Quando o desejo de doar ao Criador reina em sua “cabeça”, os prazeres também se tornam diferentes.

Pergunta: Nós podemos comparar isto com o amor para com o nosso próprio filho? Eu lhe dou um bolo sem sequer ter provado?

Resposta: Não, o prazer passa por você, mas agora tudo é definido pelo desejo Dele, não o seu.

Pergunta: Como eu posso fazer essa diferenciação interna entre eu e Ele?

Resposta: Na primeira etapa, nós subimos acima do nosso próprio desejo e só na segunda fase somos capazes de perceber algo estranho, tornando-o nosso.

Para agradar o Anfitrião, eu devo sentir Seus prazeres, sentir o quanto Ele gosta de doar para mim e que prazer eu devo receber Dele. Eu devo sentir que este prazer veio Dele e é dotado de amor, e não razão.

Por meio deste amor, Ele me transmite o sentimento de vergonha, que agora me ajuda a lidar com a situação e a compreender isto a fim de construir uma relação diferente. Eu aproveito Seus prazeres, eu os recebo para Ele, mas eu não faço o cálculo pelo “bolo”, mas especificamente para esta doação. O “bolo” é o nível mais baixo, Nefesh de Nefesh, e o prazer, que eu dou para Ele, é todo o NRNHY.

Aqui é onde a pessoa deve tomar cuidado para não considerar a si mesma: “Visto que estou dando prazer ao próprio Criador! Basta olhar como Ele gosta de mim!”. É aqui que se encontra o cálculo principal, e não no “bolo” em si, que lhe foi dado simplesmente como um meio, que lhe permite construir a conexão com todos os mundos. O cálculo na cabeça do Patzuf é voltado para as relações com o Criador.

É por isso que você precisa saber quem é o Criador, como Ele age e como agradá-Lo, já que Seus vasos, desejos, são infinitos. Então, como proteger a si mesmo em tal situação? Comparado a isto, os prazeres diretos não são mais do que uma centelha que criou o desejo, enquanto todo o resto é condicionado pela grandeza do Doador.

Da 4a parte da  Lição Diária de Cabalá 27/06/12, “Introdução ao Livro do Zohar”

Dançando No Ritmo Do Criador

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Carta 13” : … e este será o seu tratado de negligência ignorando meu pedido de se esforçar no amor dos amigos.

Baal HaSulam escreve aos seus alunos que o problema do grupo é negligenciar o amor dos amigos, o que significa a ajuda mútua necessária para o nascimento espiritual.

Como vocês podem revelar o amor e união? Ao tomar um desejo de cada amigo que quer preenchê-lo; com a ajuda dos meus atributos, o meu desejo se torna um assistente, uma “parteira” para o desejo do amigo. Claro, eu tomo os desejos que são destinados à espiritualidade e constantemente a tento fortalecê-lo e elevá-lo. Assim, mutuamente, nós ajudamos uns aos outros de acordo com o princípio de “cada um deve ajudar o amigo”.

Amar o amigo significa receber o seu desejo em vez do meu desejo. Eu sempre procuro uma oportunidade de satisfazê-lo e fortalecê-lo, para ajudá-lo e empurrá-lo para frente, para tornar a meta importante para ele, para lhe dar energia e ajudá-lo a estar num bom humor.

Eu expliquei a vocês de todas as formas possíveis (em cerca de setenta línguas) que este mérito é o suficiente para satisfazer todas as suas necessidades.

Em outras palavras, ele usou todos os atributos, todos os tipos possíveis de doação. De acordo com a sabedoria da Cabalá, o Partzuf superior, no que diz respeito ao Partzuf inferior, é como Zeir Anpin com relação à Malchut; Zeir Anpin tem sete Sefirot, enquanto Malchut é uma Sefira. No geral, dez Sefirot multiplicadas por sete chama-se “setenta línguas”, o que significa os tipos de doação que Zeir Anpin pode doar à Malchut. Além disso, significa também o pivô que determina como a balança será inclinada.

Isto é o que Baal HaSulam fala: “Eu sempre tento transmitir a sensação de que depende de vocês elevar a força positiva acima da força negativa. Portanto, preencham-no, esforcem-se, está em seu poder, e é o suficiente para concluir tudo o que lhes falta. Mesmo que vocês sejam insensíveis e preguiçosos, mesmo que vocês sejam egoístas e individualistas, não faz diferença, todo mundo recebeu sua própria natureza. O que importa é que vocês se esforcem”.

E se vocês não podem subir ao céu, eu lhes dei aqueles que andam sobre a terra.

Ao “Céu” é o nível de doação, Bina, e não devemos pensar que é inatingível. Claro que você não pode fazer isso, mas tente e seus esforços irão atrair a Luz que Reforma, a força superior. Ao tentar se aproximar da Luz, vocês atraem sua influência que coincide com a tensão que vocês exibem. É uma lei da natureza: vocês recebe a força para nascer, por seus esforços.

Por que vocês não acrescentaram a este trabalho, afinal?”

Porque vocês só são obrigados a tentar, e a Luz sempre completa a outra metade do trabalho. Em nosso mundo egoísta, não vemos o início de nossas ações: de onde vem o desejo? Por que eu quero isso em particular? Por que sou atraído neste sentido? De repente, sinto uma vontade, de repente, um pensamento é evocado, mas eu não sei de onde vem. O Criador diz: “Eu sou o primeiro”, Mas esse fator inicial que me estimula está oculto de nós. De repente, eu anseio por alguma coisa, me esforço e vejo um resultado, como no caso de sucesso e no caso de falha. Eu nem percebo que são as ações da Luz, que estão voltadas ao objetivo, que causaram este resultado e não minhas próprias ações.

Eu não vejo o início do processo nem o fim, e no processo em si eu não presto atenção ao que me motiva. Eu sou como um bebê instintivamente respondendo aos diferentes estímulos.

Não há tal coisa na espiritualidade. A revelação espiritual que queremos atingir é a revelação de ações do Criador, as ações da Luz. Isto significa que com todos os nossos esforços eu exijo sua participação ostensiva. Eu sempre realizo a minha primeira metade do trabalho ao querer descobrir a sua segunda metade. Assim, eu encontro o meu parceiro, o Criador, crio um vaso para o Seu estímulo e, portanto, avanço repetidas vezes.

Agora no início deste processo nós não sentimos nem compreendemos isso. Enquanto isso nós temos que descobrir a segunda metade, a tal ponto que possamos aprender a trabalhar com o Criador, assim como um cavalo e seu cavaleiro agem mutuamente, como dois bailarinos que dançam de braços dados. No final, eu vou descobrir que o Criador está vestido em mim e preenche tudo, mas só se eu concordar com isso, se eu quiser descobrir Sua liderança, Seu controle sobre mim.

Então é como se eu desaparecesse ao preencher tudo com Luz. Meu eu e a Luz se tornam um todo se eu subir acima do meu ego e sair de mim mesmo.

Todo o  método Cabalístico é sobre isso: como podemos sair de nós mesmos e sentir o movimento do nosso “parceiro” de tango. A principal coisa é segui-Lo harmoniosamente. Para fazer isso nós precisamos conhecer Seus atributos, e os passos que Ele quer realizar conosco.

O primeiro passo é chamado de “submissão”: nós apenas tentamos anular nosso ego, que quer ir para onde gosta de ir, e criar um lugar para as ações da Luz. Assim, nós a ajudamos a dar à luz a nós; nós permitimos que a “força da parteira” nos tire deste mundo sombrio.

Da Convenção em Miami 23/06/12, Lição 1

Uma Prova De Altruísmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é o amor pelo Criador?

Resposta: Amor é uma oportunidade de preencher a deficiência (vaso) de alguém usando os meus próprios vasos. No nosso mundo nós amamos porque isso nos dá prazer: uma comida deliciosa e familiar, pessoas que nos agradam, os meus filhos a quem estou naturalmente ligado. Nós chamamos isto de amor.

Mas o amor espiritual não é quando eu encho os meus vasos com alguém ou algo, mas quando eu encho os vasos dos outros. Isto é exatamente o oposto do que estamos habituados a pensar sobre o conceito de amor. O mundo espiritual é oposto ao mundo corpóreo. Se eu me preocupo com os vasos de outra pessoa e quero enchê-los da forma como essa pessoa os quer preenchidos, significa que eu a amo.

Enquanto nos amamos uns aos outros e tudo está bem, podemos fazer um acordo com o Criador de forma a sustentar esta relação, mesmo se tudo mudar devido a diferentes razões externas. Não interessa o que ocorra – eu quero manter a mesma força de amor e conexão entre nós.

A questão é como pode isto ser feito se eu de repente descobrir que o Criador é responsável por todos os meus problemas? O meu fiel e amado parceiro de repente para de olhar para mim e causa-me todo o tipo de aflições e problemas. Ele trai-me de todas as formas e faz tudo contra mim e torna-se o meu principal inimigo. Então como posso manter a atitude boa em relação a Ele sob tal condição?

Mas a adesão ao Criador significa que eu atravessei diferentes etapas e alcancei uma etapa na qual eu não recebo nada Dele, nada excepto o sentimento de escuridão. Mas acima de tudo isso, eu construo uma relação de amor, doação e ligação apesar dos problemas e dos sofrimentos que Ele causa ao meu ego. Em tal caso isso pode ser chamado de adesão.

Os vasos nos quais eu alcanço a adesão têm de ser restringidos e ocultados. Acima deles está a minha Masach (tela) e a Luz de Retorno, e existe a adesão nos vasos de doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/6/12, Shamati #76

Amor: Uma Ponte Acima Do Ódio

Dr. Michael LaitmanToda a realidade é dividida em três partes: eu, a centelha espiritual dentro de mim, não me deixando em paz e querendo descobrir uma outra realidade, e o mundo que me rodeia.

O mundo à minha volta está dividido em pessoas que estão perto ou distantes de mim, a natureza inanimada, a vegetação e os animais. Por trás de tudo isso, reside ainda uma força maior. Por enquanto, eu percebo toda realidade como estranha, não relacionada a mim. No entanto, tudo isso são partes de mim que eu não percebo devido à separação que ocorreu em minha consciência e sentimento.

É como se eu tivesse recebido uma injeção de analgésico no meu braço e, como resultado, perdi completamente a percepção e não sinto que é meu. Ele poderia ser cortado e eu não iria nem perceber, tão poderoso é o anestésico.

É assim que eu percebo o mundo todo, como se ele não pertencesse a mim. E o trabalho é lutar contra esse anestésico, contra este sentimento.

Isso é intencional, porque se eu pensar que este mundo não pertence a mim, como se tivesse sido anestesiado, eu posso me voltar para o meu egoísmo e me relacionar com ele de forma altruísta, doando, como se fosse outra pessoa. Eu posso aprender a amá-la.

Eu não preciso desenvolver amor por mim mesmo, porque eu me amo egoístamente de qualquer maneira. No entanto, agora eu posso aprender a amar os outros que estão separados de mim por meio deste anestésico, desta ilusão da separação. Afinal, o amor é uma qualidade do Criador, e não uma qualidade da criação.

Por meio dessa separação, o Criador nos dá a oportunidade de receber uma qualidade, que não é característica para nós, por natureza, e não nos pertence . Nós não entendemos o que é o amor. Mas quando eu tento aprender a amar aqueles que estão fora de mim como eu faço comigo mesmo, ou seja, me relacionar com o meu próximo da maneira que faço comigo mesmo, isso é chamado de amor. Eu estou trabalhando contra meu egoísmo. Esta é uma força especial dentro de mim que sempre resiste a isso. Assim, existe uma oposição de duas forças que atuam em duas direções diferentes. O desejo atrai para si o prazer, mas acima dele existe uma tela (a força da minha resistência), que afasta este prazer e está pronto para doar-se acima dele.

Então, a partir da interação entre essas duas forças, eu posso entender o que é amar verdadeiramente outra pessoa em vez do meu próprio filho, do meu próprio cão pequeno, ou do meu próprio corpo.

E como eu me desenvolvo mais, o meu ódio contra os meus vizinhos cresce constantemente, mas eu desenvolvo a força do amor acima dele. Isso é chamado de amor somente após se elevar acima do ódio. Como se diz: “O amor cobre todas as transgressões”. Devido à colisão das duas qualidades opostas, a criação é capaz de obter a qualidade do Criador. Caso contrário, seria impossível e permaneceríamos dentro da natureza com a qual fomos criados.

No entanto, se quisermos ser criações (Nivraim), ou seja, personalidades independentes (Bar) do Criador, e ao mesmo tempo, alcançar Suas qualidades e o estado elevado, então somos obrigados a construir tal mecanismo de resistência dentro de nós. Haverá sempre duas forças opostas que agem dentro dele: a força do desejo de desfrutar e o desejo de doar que nós construímos acima do nosso egoísmo por nós mesmos, amor acima do ódio.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/06/12, Escritos do Rabash