Textos na Categoria 'Alma Comum de Adão'

Conhece O Deus De Teu Pai E Serve-O

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, Kedoshim, 19:4: Não vos virareis para os ídolos nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus. Um ídolo é algo que obtemos a priori, sem qualquer prova, e deve ser tomado com base na fé, sem tentar compreendê-lo. Isso não é feito no nível do ser humano.

A pessoa deve observar os níveis de doação e amor mútuo entre nós, revelar, estudar e trabalhar com eles. Ela deve compreender plenamente, entender e sentir o sistema com o seu coração e mente. Só então ela pode dizer que não adora ídolos, nem aceita qualquer coisa de forma aleatória.

Apesar do fato de que esta é uma vida muito difícil, o Criador coloca esses problemas diante de nós para que possamos alcançar o nível de Adão (humano) e não permaneçamos no nível animal.

Portanto, não podemos nos dar ao luxo de aceitar algo como verdadeiro. O Criador quer que O estudemos: “Conhece o Deus Teu Pai, e serve-O”; ou seja, o maior ponto de nossa ascensão é a percepção e a conquista do Criador.

Comentário: Às vezes, a pessoa quer se desconectar de tudo, de modo que possa simplesmente ser levada adiante.

Resposta: É assim como o nosso egoísmo funciona dentro de nós. Por um lado, o ego sempre nos acompanha durante o correto desenvolvimento. Por outro lado, há a necessidade de uma distinta realização espiritual, desenvolvimento e absorção, caso contrário ela não se saciar sua sede ou sente a si mesma.

Doação é a fonte de água limpa que sacia a sede.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 23/03/14

Se Apenas Soubéssemos O Quanto Ganhamos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quais os benefícios que eu recebo quando contribuo para a disseminação do conhecimento da Cabalá no mundo? Que recompensas eu recebo do Criador quando digo ao mundo inteiro que é preciso alcançar a adesão com o Criador?

Resposta: Há apenas uma alma que caiu e se quebrou em muitos pedaços. Agora, cada parte, cada um de nós, restaura sua parte do vaso inteiro da alma. Eu reuni o vaso inteiro de acordo com minhas propriedades, organizei e juntei as peças de acordo com suas propriedades, a outra pessoa o faz de acordo com as suas, etc.

Portanto, é importante trazer um monte de gente neste mundo para estudar e para a correção. Por exemplo, eu fui capaz de trazer 50 pessoas para estudar a Cabalá com Rabash.

Nós somos uma alma integral onde todo mundo está incluído no outro e cada um contém partes de todos os outros. Obviamente, o que é bom para mim é despertar alguns fragmentos caídos da alma sem vida.

Eu os desperto, os incendeio, os reanimo e os convenço de que vale a pena estudar e se esforçar para atingir a meta e eles então começam a fazer alguma coisa. Assim, eu desperto os outros, e eles fazem uma correção para mim!

Não é que eu esteja fazendo um favor, empurrando-os para a correção, para a meta da criação e o Criador. Pelo contrário, alertando os outros, eu os convenço a realizar o trabalho para mim, uma vez que eles corrigem a minha alma.

Suponha que eu vá para uma Convenção e ensine vocês. Acredite, eu ganho muito mais do que todos, na medida em que passo o conhecimento para vocês e um despertar. Eu desperto vocês e vocês começam a se corrigir, mas, na verdade, vocês estão corrigindo minha alma.

Nós não compreendemos isso e, portanto, negligenciamos a disseminação. Parece-nos que não importa quantas pessoas sabem sobre Cabalá, nós não somos afetados pessoalmente. Internamente, eu possuo tais propriedades que nunca posso corrigir diretamente, mas apenas através de alguém, de uma forma indireta.

Se o grupo está acordado e me afeta ao me inspirar com a grandeza do Criador e a meta espiritual, eu desperto e começo a trabalhar enquanto sou abastecido pelos amigos.

Eu pego um estudante e começo a ensinar-lhe, e enquanto estuda, ele corrige minha alma. Se apenas soubéssemos quanto a pessoa se beneficia da disseminação, todos teriam corrido com entusiasmo ao grupo para disseminar. É como abrir uma fábrica onde seus empregados trabalham para você. Os estudantes corrigem a alma do professor.

Do Congresso em Verona “Dia Dois” 22/11/14, Lição 4

Prevenir Uma Terceira Intifada, Parte 1

Dr. Michael LaitmanPergunta: Uma onda de ataques terroristas por árabes israelenses atingiu Israel nas últimas semanas. Isto é muito preocupante e parece estar ficando pior e pode atingir as proporções de uma terceira intifada. Muito poucas pessoas entendem a razão para esta súbita explosão de violência.

Algumas pessoas pensam que a razão está em rumores sobre mudanças no status quo com respeito ao Monte do Templo. Outros acreditam que é outra expressão da ascensão do fundamentalismo e do surgimento de terroristas muçulmanos no mundo que afetam os árabes israelenses.

Existem diferentes explicações, mas o ponto principal é que as pessoas não sabem o que fazer nessa terrível realidade. É como se nós estivéssemos numa reprise de um filme que continua a nos levar de volta repetidamente a esses dias terríveis.

O mais chocante é que esses ataques terroristas não são contra os soldados, mas contra civis inocentes, mulheres e crianças. Nós somos forçados a viver em constante medo. A ameaça não é externa, mas de dentro de nossa própria casa, de árabes que são cidadãos israelenses, que são nossos vizinhos no mesmo bairro ou região.

Algumas pessoas dizem que esta é uma onda temporária e que vai terminar em breve e as coisas vão se acalmar, como já vimos muitas vezes antes. Outros, contudo, acham que este é apenas o início de uma revolta muito maior entre a população árabe. Como você vê o que está acontecendo a partir de sua compreensão do sistema interno?

Resposta: Eu olho para o que está acontecendo de um ângulo totalmente diferente. Não há coincidências ou eventos súbitos em todo o processo evolutivo. Tudo é predeterminado e a ação final começa com um pensamento.

Primeiro há um pensamento e uma imagem final. Isso determina tanto o estado mais inicial e todo o processo. Isso traz o inanimado, vegetal, animal e humano para a sua forma final, que o Criador, a natureza, e os desejos têm previsto desde o início.

Isso faz parte do processo evolutivo de cada criatura, embora o mundo inteiro passe por um longo processo de evolução que ainda não acabou e continua com todas as criaturas obedecendo a regras rígidas que não podem ser afetadas ou alteradas.

Cada estado é predeterminado, mas nós temos o direito de perguntar por que é assim, onde se origina, para onde ela está nos levando, e a que forma final. Nós podemos estudar e compreender, mas a questão é se podemos mudar algo.

Em primeiro lugar, nós temos que reconhecer o fato de que estamos num sistema que obedece a regras claras. Nossa falta de conhecimento e compreensão não significa que estamos livres de mantê-las. Estudos mostram que há uma força interna em tudo que move os níveis inanimado, vegetal, animal e humano de um estado para outro, com o mundo se desenvolvendo como resultado.

Nós estamos no meio de um processo histórico que nos leva de um estado inicial de caos absoluto que estava predestinado, chamado de quebra, a um estado oposto de uma realidade perfeita. O caos é a totalidade negativa, o que significa que ele contradiz a plenitude de diferentes formas em todos os níveis e em todos os atributos, enquanto a plenitude simboliza harmonia entre todas as partes do sistema em todos os níveis e em todas as formas de conexão.

Na medida em que este processo continua, há diferentes períodos de desenvolvimento, e há forças dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante. Toda essa evolução vem acontecendo há bilhões de anos. A matéria inanimada tem evoluído ao longo 14 bilhões de anos; o mundo vegetal há cerca de dois bilhões de anos, o mundo animal há meio bilhão de anos, e a humanidade há 2000 anos.

A humanidade passa por períodos importantes especiais em sua evolução que estão ligados ao desenvolvimento dos seres humanos que passam por um salto qualitativo. Externamente, a pessoa pode permanecer quase igual, talvez um pouco mais alta ou baixa, mais gorda ou mais magra, mas é principalmente sobre a evolução humana e social.

Primeiro a humanidade evoluiu inconscientemente num longo processo histórico. Isso durou até que um dia especial, 5775 anos atrás, quando uma das pessoas em nosso mundo descobriu o plano da criação, o processo de evolução, os seus estados inicial e final, e tudo o que aconteceria entre eles ao longo de uma linha do tempo.

Essa pessoa foi chamada de Adão e não é por acaso que ela recebeu este nome. Nós já sabemos que não há coincidências no mundo e que tudo é regido pelas leis da natureza. Seus pais o chamavam de Adão e nem sabiam que isso significa que ele se parecia com o Criador (Domeh – da mesma raiz em hebraico).

Adão descobriu as leis da natureza e a evolução, e passou essa informação para nós através de seus alunos. Desde aquela época, a humanidade recebeu certo conhecimento sobre o que está acontecendo com ela e o mundo que a rodeia e sobre as forças que operam dentro dela e influenciam o nosso mundo.

Nós podemos gerir esse mundo no nível animal. Nós somos melhores do que os animais porque temos uma mente e sentimentos que são mais desenvolvidos. Embora nós sejamos fracos e moderados, esta vulnerabilidade nos permite ser mais sensíveis e nos adaptar melhor ao ambiente e mudar de acordo.

Como resultado, a nossa fraqueza se torna uma vantagem e está em nosso favor, e uma pessoa se desenvolve dessa forma e adquire maior controle da natureza. Nós podemos nos proteger, construir casas, costurar roupas, etc., o que significa que uma mente desenvolvida e a sensibilidade nos permitem nos proteger de caprichos da natureza exatamente onde somos fracos em comparação aos animais.

Nas gerações que se seguiram a Abraão, seus alunos desenvolveram essa sabedoria ainda mais. Eles não a desenvolveram por seu pensamento racional como a filosofia abstrata, mas com base em sua experiência. Adão deu-lhes as ferramentas para estudar o mecanismo interno da natureza, que define cada um de nós em movimento, separadamente e todos juntos, e nos leva em direção a um determinado objetivo. Nossa próxima forma já existe no plano da criação e temos que alcançá-la.

Todo esse processo é revelado à humanidade de modo que nós vamos poder estar incorporados nele e até mesmo participar neste plano, tornando este processo mais fácil e agradável. Se passarmos por isso voluntariamente, vamos aproveitar. Se eu quero me desenvolver e ajudo a mim mesmo a fazê-lo, é um processo agradável, desejável e prazeroso, que é abençoado.

É uma grande vantagem que nos fornece a sabedoria que Adão descobriu, chamado a sabedoria da Cabalá.

De KabTV “Uma Nova Vida” 12/11/14

Quanto Ao Benefício Da Quebra

Dr. Michael LaitmanShamati # 1, “Não Há Outro Além Dele”: E somente se essa pessoa tem um verdadeiro desejo é que recebe ajuda do Alto. E a ela é constantemente mostrado como ela é a culpada de seu estado atual. Ou seja, ela recebe pensamentos e opiniões que são contra a obra.

Todos esses pensamentos são resultado das Reshimot que aparecem, surgem de dentro de uma pessoa e exigem realização. Antes existia um único desejo, mas ele foi esmagado em muitos desejos, fragmentos.

Este único desejo era apenas um pequeno Kli de doação que se chamava Adam HaRishon (Primeiro Homem), que foi circuncidado, nasceu sem um ego, como um anjo. Primeiro havia apenas um pequeno desejo de doação nele. Mas depois ele anexou a si mesmo o desejo de receber, o AHP, ao provar da árvore do conhecimento. A partir daí, um desejo poderoso foi adicionado a ele que esmagou o desejo de doar em pequenas partes.

Desta forma, em vez de um desejo de doar, muitos desejos de doar foram criados. A pergunta é: “Como poderia o desejo de doar ser esmagado em muitos pedaços?” Afinal, isso é contrário à natureza de doação, que sempre nos atrai para nos conectar juntos, como algumas gotas de água que se conectam imediatamente numa gota.

Mas o desejo de receber tinha um pequeno desejo de doar cativo e o mantinha dentro de si em servidão, como o povo de Israel no Egito. Portanto, há um desejo de doar dentro, mas ele está totalmente embrulhado dentro de uma intenção em prol da recepção. Segue-se que mesmo dentro do desejo de doar, a pessoa é obrigada a trabalhar a fim de receber.

É por isso que o desejo de doar se encontra sob o controle do Faraó. Mas, por enquanto, esse estado é o oposto do Criador, uma nova tendência é descoberta dentro de si, um novo e poderoso Kli. Pois o desejo de doar que se encontra no cativeiro do desejo de receber cresceu por conta do AHP, o coração de pedra, que conectava os Kelim do povo de Israel. Assim, no momento da correção, houve uma grande melhora. Como está escrito, o povo de Israel saiu do Egito com grande riqueza. Eles levaram tudo o que era possível levar da presença de Faraó. E só o que era impossível corrigir permaneceu no Egito.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/14, Shamati # 1

Contos: O Áspero Caminho De Abraão

Dr. Michael LaitmanNão foi fácil para Abraão disseminar suas ideias, pois a maioria dos babilônios era contra o seu método.

Ele acreditava que tudo decorre de uma única força, embora posteriormente ela se divida em muitas forças opostas que não têm livre arbítrio.

Os babilônios, no entanto, afirmavam que existem várias forças que governam o mundo e que elas estavam todas conectadas por um sistema de diferentes relacionamentos mútuos. As mitologias sobre diferentes deuses que lutam entre si, devoraram-se, têm filhos, e assim por diante, surgiu dessa base.

Abraão refutou todas essas crenças, mas, ao mesmo tempo, entendeu que não seria capaz de levar tudo da Babilônia. Esta era a situação dramática em que ele se encontrava. De acordo com seu método, é possível atingir o objetivo da criação somente quando todas as pessoas do mundo reconhecem e percebem que só há uma maneira de chegar a uma forma que criamos entre nós: ao nos conectarmos num todo. O ponto principal é a unidade interna entre nós, apesar da heterogeneidade de nossos corpos materiais.

Nós temos que cuidar do corpo, dar-lhe o que ele precisa para manter a sua existência, de modo que elevando-se acima dele, a pessoa se ocupe da conexão e unidade entre nós e avance em direção à meta. Isso é chamado de evolução do ser humano dentro de nós. Além disso, esse ser humano é a nossa imagem geral.

Ao nos unirmos internamente entre nós, recebemos uma imagem geral chamada Adão (homem – com a mesma raiz de “Domeh” – aquele que se assemelha ao Criador), que era o mesmo nome dado à primeira pessoa a investigar o mundo espiritual.

Abraão passou por um caminho áspero antes de descobrir o método de conexão e unidade espiritual. Seu primeiro professor foi seu pai, Tera, que lhe ensinou de acordo com o método de Noé. Tera acreditava que o paganismo é justificado e Abraão tentou aceitar seus pontos de vista, até que se rebelou contra o seu mestre. Este é o ponto de ruptura dramática, o desacordo com o professor, quando o aluno supera seus professores ao ascender a um nível acima.

Por outro lado, Tera tentou forçar seus ensinamentos a Abraão e lhe mostrou todas as qualidades ruins e o mal no politeísmo, após o que Abraão poderia encontrar o caminho certo. Ele percebeu que apenas uma força de bondade e amor gere o mundo, e isso inclui a força do mal, apenas para que ela seja usada para ascender acima do mal.

Ao descobrir isso, Abraão tornou-se um inovador, um revolucionário, que mudou o curso da história e mostrou à humanidade o caminho certo.

De KabTV “Contos” 15/10/14

Sutilezas Da Cooperação Mútua Entre As Partes Da Alma Comum

laitman_423_01Torá, “Levítico” (Acharei Mot ), 18:9: A nudez da tua irmã, filha de teu pai, ou filha de tua mãe, quer nascida em casa ou fora de casa, a sua nudez não descobrirás.

Trata-se de um sistema de cooperação mútua entre as partes masculina e feminina do vaso (Kli) geral.

Cada parte do vaso de recepção é de um atributo feminino. O atributo masculino é o atributo de doação que não pode se conectar com o atributo feminino (o desejo de receber) se ambos resultam de conexões incorretas entre si.

Assim, a proibição de “A nudez da tua irmã… tu não descobrirás” se refere ao fato de que é impossível para estes dois elementos se conectar quando não há Luz de Hassadim nele. Essa é a vestimenta, o vestir-se na Luz de Hochma.

Pelo menos vinte atributos de cada Luz e os seus nomes são esclarecidos no Talmud Eser Sefirot (O Estudo das Dez Sefirot), uma vez que é muito difícil de explicar. No entanto, nós devemos entender que estamos nesse mundo apenas para trabalhar na correção da alma.

Agora, no nível atual de nossa evolução, nós entramos no sistema chamado “este mundo”, e devemos existir nele por um tempo e executar determinadas ações, e depois, seguir em frente.

A Torá fala apenas sobre as correções que devemos executar enquanto estamos no nível deste mundo, quando nos sentimos dentro de um corpo, por meios corpóreos. A Torá não fala sobre o resto do enorme ciclo que devemos passar e sobre as outras partes do nosso caminho.

Quando falamos sobre esse mundo ou sobre o nosso mundo, nos referimos ao nosso estado atual, e ao que pensamos e sentimos agora. É porque o nosso mundo é uma determinada condição. Nós somos colocados num determinado bloco que foi quebrado em tempo, espaço, movimento e assim por diante, e temos que executar determinadas ações em nós mesmos, enquanto vivemos nele.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 19/03/14

Evolução Do Método Desde Adão Até Os Nossos Dias

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá trabalha apenas no reino das leis físicas. Não há nenhuma complexidade, misticismo ou religião nela. Nós estudamos a lei mais essencial da criação, que é a descoberta da força superior, a energia mais elevada. É mais elevada porque, de acordo com a sua categoria, inclui dentro dela todo o resto das forças.

Assim como todas as ciências estão empenhadas em descobrir as características da natureza, a sabedoria da Cabalá também está envolvida na descoberta, mas apenas de sua característica essencial, que é essa força universal.

Nós estudamos de que maneira ela é revelada em nosso mundo e como os Cabalistas conseguiram descobri-la através de seu desejo de compreender que o mundo é fragmentado e deve estar conectado em completa harmonia. Através de seu anseio pela harmonia do mundo, eles começaram a entender que o poder de unificação está faltando em nosso mundo.

A primeira pessoa que descobriu esta força 5774 anos atrás, foi Adão, que entendeu que o mundo existe graças a uma força única e singular que une todos os componentes da criação.

O próximo grande Cabalista foi Abraão. Ele não descobriu apenas A Força Superior e sua revelação, como Adão e dez gerações de estudantes que vieram depois dele, mas o movimento, a evolução da natureza. Abraão compreendeu a razão para a evolução que necessariamente levou Adão a descobrir a força superior, a revelação da força dentro dele de se transformar para se tornar como ela, ou seja, para subir ao mais alto nível de realização e desenvolvimento.

Todos os níveis, inanimado, vegetal, animal, e especialmente humano, que existe dentro das três categorias anteriores, são direcionados para isso, a fim de levar a humanidade à necessidade de se unir sob a influência de duas forças opostas.

Uma delas é a força egoísta, negativa, que afasta as pessoas umas das outras. A segunda é a força positiva, altruísta, que pode ser revelada para ajudar a unir todos.

Quando estas duas forças são gradualmente reveladas cada vez mais, a pessoa começa a trabalhar. Ela as encerra em si mesma, muda, e compreende a sua reciprocidade. Ao estar entre elas, ele as manipula como duas rédeas ao construir a si mesmo, e, assim, sobe cada vez mais até a realização completa das duas forças dentro dele.

Este é todo o desenvolvimento do homem, a sua evolução. Isso é especificamente o que Abraão descobriu, e por isso seu método é evolutivo. Ele foi descoberto durante a crise que a humanidade experimentou na antiga Babilônia.

As próximas gerações de Cabalistas descobriram mais profundamente a espiritualidade. Primeiro de tudo, a Shevirah (quebra) de um desejo humano num número imenso de desejos particulares que existem em cada um de nós, e como conectá-los, foi descoberta.

Nós ainda não sentimos isso, não vemos o desejo interior de cada um, de que forma é possível usá-lo, em que tipo de combinação, nem como ver esse padrão dentro do qual estamos conectados ao completar um ao outro. Cada um de nós é versátil, e em cada aspecto de nossa natureza multifacetada e suas características, seus gostos, deve-se conviver com os outros de forma muito precisa.

Acontece que um sistema n-dimensional foi criado onde cada um preenche a todos de forma absoluta e ninguém pode estar fora deste sistema. Só então, quando todos os fragmentos egoístas separados começam a ansiar pelo outro e a se conectar, eles vão começar a procurar por si mesmos dentro deste sistema.

Ao se mover em direção um do outro, com dificuldade, eles se encontram, usando a força superior geral. Nós nos voltamos a ela para que ela execute estes movimentos em nós. Nós queremos nos aproximar, mas não sabemos como. Sob a influência da força superior, nós começamos a perceber e entender isso. E o que é exigido de nós, em suma, é um desejo de que podemos criar juntos um no outro ao mostrar um exemplo do quanto queremos essa proximidade e unidade.

À exceção de um desejo e anseio de unificação, nós não precisamos de nada. A força superior executa a segunda metade do trabalho, razão pela qual isso é chamado de meio-shekel. Isso significa que eu tenho que dar a primeira metade, e o Criador dá a segunda metade. Do meu lado, só anseio e desejo são necessários, e que esse desejo vai ser certo num determinado grau. E será certo se eu mantiver as regras de comunicação no grupo. Então nós vamos atrair a força de unificação e ela vai terminar o trabalho, nos infectar e ser descoberta dentro de nós.

Da Convenção em São Petersburgo 18/09/14, Lição Preparatória 2

Benevolência Sob Raios-X

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) é o dia mais importante do ano para o povo de Israel. Qual é o significado espiritual deste dia especial? Como devemos nos relacionar com ele, a fim de corresponder às suas raízes espirituais e transferir a nossa vida para um novo grau?

Resposta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) não é simplesmente uma tradição. Ele reflete um estado de espírito especial no desenvolvimento de uma pessoa. Não devemos olhar para este dia separadamente, mas como parte do ciclo de todo o ano.

Após a conclusão de um ano, sendo este o ciclo de mudanças internas, nós avaliamos tudo que passamos, o que é chamado de “arrependimento”. Assim, nós decidimos que isso é necessário para se subir a um novo grau, para se começar o ano novo (Rosh Hashaná), para fazer a transição para um novo estado, superior, mais puro e exaltado. Então, nós coroamos o Criador, a força de doação e amor, estabelecendo-O a reinar sobre nós como a propriedade mais sublime.

É quando nós começamos a nos julgar: será que nós estamos realmente na propriedade de doação? Todas as nossas propriedades são divididas em dez partes, dez Sefirot. E nós estamos esclarecendo que desejos nessas dez partes podem ser corrigidos, e quais não podem.

Em essência, a alma de uma pessoa precisa ser corrigida. E a alma é todos os nossos desejos, que ainda estão corrompidos e precisam de correção.

Pergunta: O que exatamente precisa ser corrigido: suas ações ou a alma?

Resposta: Em nosso mundo, as ações são realizadas com mãos e pés, ou através de palavras. Mas a sabedoria da Cabalá explica que o mais importante é a intenção corrigida, que é o verdadeiro desejo de uma pessoa.

Ações sozinhas não são suficientes, porque eu posso realizá-las simplesmente por hábito. Então, é realmente mais difícil para eu não fazê-las do que fazê-las. E estas podem ser as ações que eu de outra forma nunca teria feito na minha vida se não tivesse me acostumado a elas desde a infância.

Neste caso, já não é o cumprimento de um mandamento, mas tradições incutidas na infância que são executadas automaticamente. Para alguém poderia ser difícil realizá-las, mas para outra pessoa, é difícil não fazê-las.

É por isso que não estamos falando de uma ação, mas de uma intenção. Uma ação, afinal de contas, não muda: como a temos feito, assim vamos continuar. Mas, na intenção, na atitude de uma pessoa em relação à ação executada, sempre há mudanças.

A chave é a atitude de uma pessoa para com aqueles que a rodeiam. Afinal, “ama ao próximo como a si mesmo” é a grande lei da Torá. Este é o ponto de vista do qual eu preciso verificar a mim mesmo, a fim de ver o quanto sou capaz de amar o meu próximo.

A força superior é uma força de doação e amor, e nosso objetivo é nos tornarmos como ela. É por isso que precisamos alcançar o grau de homem, Adão, que significa semelhante (Domeh) ao Criador. Mas como podemos verificar isso? Onde está o médico que me irradiará com Raios X e me dirá exatamente o quanto sou semelhante ao Criador?

Esse médico não existe. Portanto, a pessoa precisa verificar a si mesma por conta própria. Este tipo de máquina de Raios-X requer uma luz especial, que nos abalisa. Esta Luz é chamada de Luz que Reforma.

Se eu estou estudando a verdadeira Torá, ou seja, a sabedoria da Cabalá, graças a ela eu começo a ver a verdade. Eu vejo o quanto sou egoísta, o que é exatamente é ruim em mim, e o que precisa ser corrigido, como se eu brilhasse Raios-X em mim mesmo.

Isso só é visível para mim, e os outros podem não notá-lo. Depois de eu ter me visto na imagem de Raios-X, torna-se claro para mim o que precisa ser corrigido. A Torá organiza esta imagem em que eu só vejo intenções, e apenas ao nível da profundidade que sou capaz de corrigir. Tudo o resto eu não vejo, e pode permanecer até o próximo ano.

Logo após o início do novo ano, eu me encontro nestas sessões de Raios-X, que são chamadas de dez dias de arrependimento. Eu irradio o meu coração, esclarecendo minhas intenções no que diz respeito aos que me cercam em cada ação, e recebo de volta as imagens.

A Cabalá explica que Malchut ascende à Bina e compara-se a ela. Malchut é o nosso desejo egoísta, que se eleva à Bina, o desejo de doação, esclarecendo o quanto difere dela, o quanto estamos longe de cuidar de nossos próximos, das boas relações, e como estamos apenas pensando em nosso próprio benefício.

Pergunta: O que é mostrado nestas imagens de Raios-X?

Resposta: Esta imagem é em preto e branco. Ela mostra o quanto de branco há em você, isto é, as intenções para o benefício de seu próximo. E o preto aponta para as intenções para o seu próprio benefício, que você pode corrigir.

Assim, o escopo do nosso trabalho nos é revelado. Este é um trabalho pessoal que está guardado cada um de nós, mas visa ao que é comum, à doação a todos, e através deles, ao Criador, visto que do amor pelos seres criados chega-se ao amor pelo Criador. O Criador é uma força, integrando todos juntos, e não algo que existe fora. Está escrito: “O Criador habita entre o seu povo”.

Assim, se eu me esforço em unir com todos e quero me transformar num todo com eles, eu revelo o sistema integral global que generaliza a nossa unidade, o qual é chamado de Criador. É assim que ele se revela em nossa percepção.

Portanto, durante o Yom Kippur, nós precisamos nos esforçar em amar o nosso próximo tanto quanto possível e o máximo possível, e mesmo para além do povo de Israel, estendendo-o a toda a humanidade. Esta é a razão pela qual durante o Yom Kippur é costume ler a história sobre o profeta Jonas, a quem o Criador instruíu a conduzir a cidade de Nínive, que simboliza o mundo, à correção.

De KabTV “A Nova Vida”, 30/09/14

Os Benefícios E Os Perigos Dos Feitos Científicos

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão ruim na ciência, se procurar o segredo da vida é uma inclinação natural que se desenvolve naturalmente numa pessoa?

Resposta: Nós temos uma inclinação para descobrir o segredo da vida porque a nossa fonte superior nos ilumina. A questão é apenas quando, como e por que meios eu posso procurá-lo? Na ciência normal eu o procuro pela minha mente e sentidos bestiais.

Será que eu quero encontrar a fonte superior por meios físicos? Não entendo que Ele é tão alto, influente, e distante do desejo de receber e de sua baixeza repugnante, de suas limitações?

O desejo de receber, o ego, que quer receber para si mesmo o tempo todo, não pode ser completo porque sempre sente uma carência. Por isso, ele não pode ser adaptado à fonte superior. Quanto mais ele quer para si e descobre suas limitações, mais baixo ele cai.

Por esta razão, os povos antigos pensavam que o sol era divino, uma vez que para eles era a origem da vida.

Pergunta: Como Abraão procurou o segredo da vida?

Resposta: Abraão passou a olhar para as estrelas, a lua e o sol, procurando a força que poderia ser chamada de universal e suprema. Mas esta era uma busca interior.

Pergunta: Será que ele não procurou isso com sua mente e sentidos físicos, como em qualquer ciência?

Resposta: Abraão não confiava em sua mente. Ele estava procurando por algo superior, separado dele, universal. Ele atingiu tudo, graças a sua alma, como o primeiro Adão (homem). Portanto, basicamente, ele conseguiu alcançar tudo sem um professor.

Com a gente isso não pode ocorrer, porque ninguém em nossa geração é capaz de descobrir o Criador por si mesmo. Há muitas pessoas que têm certeza que sentem o poder superior, mas, na verdade, nenhuma delas está nem perto. É assim que a nossa geração é, e este é o resultado do crescimento do egoísmo que provoca o declínio das gerações.

Nossos ancestrais estavam em uma situação única chamada de “mérito dos antepassados”, porque sua Shevirah (quebra) era de cima em sua fonte e foi derivada do próprio sistema. Mas depois de nossa queda, nós corrigimos nossa própria divisão, e não temos nenhum mérito ancestral. O mérito ancestral existiu até a descoberta da inclinação ao mal, que foi chamada de Faraó.

Depois da morte de Jacó no Egito, nenhum mérito ancestral permaneceu. Na verdade, poderíamos usá-lo, mas apenas por meio da adesão ao mesmo nível, e, na verdade, não por nós mesmos.

Pergunta: Abraão não foi um cientista como todo Cabalista? Então, por que a ciência é prejudicial?

Resposta: A ciência é como um veneno de cobra que pode ser usado como veneno ou remédio, dependendo de como é usado. É necessário usá-lo para descobrir o poder superior, onde entendemos que o nosso ego é inferior, e que é impossível atingir qualquer coisa de verdade com ele. Nós estamos limitados pelos nossos sentidos físicos e pelo desejo egoísta que está por trás desses Kelim (desejos).

Não podemos nos afastar desse desejo que nos obriga a pensar, ver, entender e sentir apenas o que é para o nosso próprio bem ou o que pode nos prejudicar. Isto significa que toda a percepção é direcionada apenas para o desejo de receber e não vemos mais nada. Em torno de nós poderia haver mundos inteiros e forças, mas não temos os sentidos para percebê-los.

Se esta é a forma como estamos organizados, não temos meios para procurar dentro de nós, não com a ciência que desenvolvemos. Desta forma, nunca alcançaremos a verdade, a divindade ou universalidade.

Assim, na ciência, há apenas o que a pessoa descobre em seus Kelim egoístas, e assim a ciência também é egoísta. Essa é a maneira como a descobrimos e como a usamos. Nós não podemos usá-la com qualquer outra intenção ou inclinação, porque todo o seu desenvolvimento é obtido para o nosso benefício egoísta.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/8/14, Escritos do Baal HaSulam

A Ciência Nos Colocou No Caminho Do Sofrimento

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, seção 41: O Zohar escreve sobre o texto “e aqueles que Me buscam, Me encontrarão”, e pergunta: “Onde se encontra o Criador? Eles disseram que o Criador é encontrado apenas na Torá”.

Nós devemos entender completamente as suas palavras. Parece que o Criador está escondido somente em coisas corpóreas e realiza todas as futilidades deste mundo, que estão fora da Torá. Assim, como você pode dizer o contrário, que Ele se oculta apenas na Torá?

Isto significa que nunca podemos descobrir o sistema correto, as verdadeiras forças da natureza que nos governam, a supervisão e o governo superior, nem o poder superior que está trabalhando numa ação, se não estivermos envolvidos na Torá interior, que é a sabedoria da Cabalá, da maneira correta. Mesmo a ciência do mundo físico não pode nos aproximar disso.

Ao se envolver com o desenvolvimento científico, a pessoa se insere no caminho do sofrimento; já que ela espera e quer chegar a uma boa vida através de realizações científicas, uma situação oposta é criada, e ela só prejudica a si mesma. E isso é claro, pois desta forma ela não desenvolve seus Kelim (vasos) para a descoberta do poder superior que é bom e benéfico.

Conclui-se que a ciência nos leva ao fracasso e nos desvia do caminho certo. Tanto quanto nós valorizamos e respeitamos a ciência moderna, em última análise, deve ser entendido e reconhecido que ela nos leva ao caminho do sofrimento. Certamente tudo foi planejado desde o início, pois sem descobrir o mal é impossível alcançar o bem. Isso ocorre porque o intelecto humano deve descobrir sua impotência vazia.

Mas se desde os dias do primeiro Adão (homem), da primeira descoberta da sabedoria da Cabalá, a humanidade a tivesse aceitado como o único meio para descobrir o poder bom e benéfica, em seguida, ela teria ido pelo caminho ideal diretamente ao objetivo da criação.

Então não teria havido nenhuma necessidade do progresso científico e da evolução da sociedade humana. Uma pessoa teria se envolvido em seu desenvolvimento espiritual, enquanto o trabalho físico obrigatório teria sido apenas para cumprir os requisitos da existência bestial, para alimentar a sua “besta”. E todos os desenvolvimentos restantes teriam sido apenas para a necessidade de desenvolver o Adão dentro de nós.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/08/14, Escritos do Baal HaSulam