Por Que Os Obstáculos São Necessários?
No artigo “Lishma e Lo Lishma”, Rabash busca esclarecer a diferença fundamental entre esses conceitos. A diferença reside no tipo de combustível que impulsiona uma pessoa a agir.
Antes de mais nada, precisamos entender o que são nossas ações em geral e se somos os senhores delas. Se agimos com base no desejo de receber, então, sempre que vemos algum prazer, alguma satisfação de desejo, imediatamente, sem qualquer cálculo, queremos obtê-la. O desejo precede o cálculo; primeiro o desejo é criado, depois a razão. A mente é um complemento ao desejo para alcançar o que se deseja.
Portanto, no momento em que o desejo de receber encontra alguma satisfação, ele a quer, e só então começa a calcular como alcançá-la e, se possível, simplesmente para se satisfazer. Se o desejo não fosse impedido por nenhuma limitação, ele seria satisfeito e não exigiria nenhum planejamento ou cálculo.
Mas, como existem condições para se sentir satisfeito, o desejo de receber precisa passar por um processo de cálculo para alcançar a plenitude. Então, desenvolve-se um sistema que chamamos de “razão”, “cálculo”, “o Rosh de um Partzuf”, em paralelo a si mesmo. Essas categorias surgem porque é impossível satisfazer diretamente o desejo de receber.
Acontece que, na medida em que surgem obstáculos na satisfação do desejo de prazer, existem mais oportunidades para o desenvolvimento mental e para o envolvimento pessoal desse desejo nesse processo.
Assim, para dar independência a esse desejo, é necessário colocar obstáculos diante dele em 100% dos casos, em todos os estados e nas diversas variações de sua manifestação, em todos os caminhos que levam à autorrealização.
Somente esses obstáculos darão ao desejo de receber a oportunidade de analisar o que eu quero, por que, como chego à realização, se é o que eu quero, se realmente me realiza e o que é preferível.
Da Lição Diária de Cabalá 26/01/26, Rabash, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma”