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Derech Eretz (O Caminho Do Meio) Aquecido Pelo Sol

Dr. Michael LaitmanA correção é possível através de grandes sofrimentos que não podem sequer ser descritos, uma vez que requer o pleno reconhecimento do mal em cada propriedade individual, a fim de recusar receber em cada um e passar para o caminho de doação. Este caminho é impossível, já que a pessoa não consegue suportar tais sofrimentos.

Portanto, o avanço é geralmente em algum lugar no meio, entre o caminho do sofrimento e o caminho da Torá (o caminho da Luz), entre “eu vou apressá-lo” (Achishena) e “a seu tempo” (Beito), razão pela qual é chamado de “Derech Eretz (o caminho da terra)”. A pessoa avança à medida que é empurrada por trás pelos sofrimentos ou puxada pela frente pela Luz. Ela não pode estar no mesmo caminho o tempo todo.

É impossível mover-se pelo caminho da Torá desde o início, de forma incondicional, mas na medida em que tentamos fazê-lo – especialmente ao construir realmente a Shechiná, ou seja, ao construir a conexão entre nós na doação mútua, conforme o nosso esforço e nossa responsabilidade pelos outros-, nós deixamos o caminho do sofrimento e avançamos à meta ao longo do “Derech Eretz“, ao longo do caminho do meio.

Não é que a “linha média” seja melhor para a nossa ascensão espiritual, mas o “caminho do meio” é um compromisso entre as duas estradas em que devemos permanecer. A única opção é fortalecer a nossa sociedade, para que ela influencie a todos. Nós devemos ver os amigos como a área onde o Criador será revelado, o atributo de doação. Assim, eu vejo a minha alma e não a mim mesmo.

A pessoa pode verificar a si mesma e o seu avanço de acordo com a forma como se preocupa com os amigos e o grupo, de modo que a revelação ocorrerá neles, como uma mãe que se preocupa com seus bebês. Então ela pode ter certeza de que entende o que significa avanço, sabe o que adicionar a ele e pode realmente realizar isso neste mundo agora, e levar a sua intenção à totalidade.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 04/03/13

Os Três Componentes Da Ascensão

Dr. Michael LaitmanHá um sistema que na nossa percepção da realidade é descrito como a verdadeira realidade deste mundo. Nela a pessoa tem livros que foram escritos por Cabalistas no passado, um professor que é um Cabalista, amigos de todo o mundo, e o Criador que está oculto, ou seja, o atributo de doação que é o oposto de tudo o que ela descobre em seus cinco sentidos. Exceto por esse atributo, tudo está à sua disposição.

Portanto, como podemos utilizar corretamente todos os meios que temos para alcançar o atributo geral de doação?

Ele é externo à pessoa, fora do seu “vaso”, e ela pode adquiri-lo com a ajuda de três componentes: os livros, o grupo, e o professor. Com a sua ajuda, ela realiza o estudo, a disseminação e a conexão.

A combinação de todas essas coisas leva a pessoa a transformar seus vasos, seus desejos, de recepção para doação. Ela descobre vasos cada vez mais egoístas que ela transforma em “a fim de doar”, de acordo com seus esforços.

O que são esses esforços?

Uma pessoa mantém a intenção correta durante o estudo, se conecta com os amigos no grupo e segue os conselhos do professor, sem o qual não sabe como trabalhar com os livros e o grupo. No conjunto, esses três componentes são chamados de “Torá”, o que significa o estudo, o método, o meio para alcançar o atributo de doação.

A partir disso, nós escolhemos as ações e relações corretas, combinando os livros, o grupo e o professor nelas. Assim, a pessoa chega à contrariedade, ao subir “acima de sua razão”, acima de sua mente e sentimentos, ao próximo nível…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/02/13, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar

Avançar Na Velocidade Máxima Sem Reduzir

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que causa os atrasos no trabalho espiritual?

Resposta: Há atrasos que são intencionalmente dados a nós do Alto, mas estes não são atrasos ao longo do nosso caminho, mas interrupções benéficas chamadas “ajuda contrária”.

Interrupções que não nos ajudam a avançar não são “ajuda contrária”, mas sim atrasos reais pelos quais a pessoa é responsável, pois é a única que os cria, porque não usa os meios que recebeu e não organiza o apoio do ambiente. Esta é a razão para os atrasos, e por isso há atrasos benéficos e atrasos que nos impedem e nos afastam da meta.

A ação espiritual não leva muito tempo se a pessoa organiza antecipadamente as forças, os meios, o ambiente e todo o sistema. Assim, ela responde em “tempo real”, ou seja, só com o atraso que esperado por parte do Criador tendo em conta os atributos da pessoa. Por conseguinte, isso não é considerado um atraso.

Digamos que era para eu esclarecer uma determinada questão em dois dias, já que este é o tempo que leva para os processos que atravesso naturalmente. Se eu fiz isso em dois dias, isso significa que não causei qualquer atraso e que avancei normalmente. Portanto, o tempo de correção espiritual de uma pessoa é chamado de “60 anos”, “70 anos” ou “80 anos”.

Mas se eu não mobilizar todos os meios que me foram dados para responder corretamente, eu é que causo o atraso. Assim, os atrasos podem ser expressos não só no tempo, mas também em muitas camadas de pensamentos e cálculos estranhos em que eu me envolvo e, assim, bloqueio-me, incapaz de decifrar corretamente o contato Criador comigo. É como se eu me tornasse cego e surdo e não pudesse fazer os esclarecimentos necessários e, assim, fico preso neste estado por um longo tempo. Estes são os obstáculos que a pessoa cria para si mesma que prolongam seu avanço.

Portanto, nós devemos sempre nos manter no ambiente correto, chamado “professor, grupo, e livros”, que é o único meio pelo qual a pessoa pode se conectar com o Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Nós Precisamos De Um Novo Começo

Dr. Michael LaitmanQuando eu tento imaginar como o meu nível espiritual realmente tem que ser e se posso subir até ele por meus sentimentos, meu conhecimento e meus esforços, eu percebo que não posso. Se eu chego às conclusões certas, descubro que sem a ajuda do Criador não conseguirei. Depois de tudo, eu tenho que corrigir minha intenção para doar ao Criador e só consigo alcançar isso através do amor dos outros, pela conexão com os amigos.

Aqui eu vejo até que ponto trabalho na direção oposta, esquecendo tudo sobre o amor dos outros, incapaz de pensar constantemente na garantia mútua, na conexão e no amor dos amigos.

Parece que o amor dos amigos e a correção dos meus desejos são duas coisas diferentes. Eu tenho que amar os amigos e depois vou estar pronto para fazer-lhes um favor e ficar um pouco mais perto deles. Mas a correção dos meus desejos e a revelação do Criador são coisas íntimas e pessoais que pertencem apenas a mim. Eu não consigo me conectar a essas condições, e este é o nosso principal problema.

Portanto, nós temos que trabalhar constantemente na conexão de “Israel, a Torá e o Criador”. A Torá é revelada somente pela Luz que Reforma, que conecta todos estes componentes. Afinal, a importante regra da Torá é “Ama o teu amigo como a ti mesmo”. A Torá significa todos os vasos e Luzes onde o amor é revelado: a partir de uma forte conexão que se transforma em amor.

Nós temos que imaginar um vaso comum chamada “Torá”, que é todo o desejo de receber que foi criado e está quebrado em pedaços que estão muito longe uns dos outros, cheios de ódio mútuo. Eu quero tudo isso seja coberto com amor; eu realmente quero isso! Então eu preciso do Criador e me concentro Nele através deste desejo coletivo.

Nesse caso, eu realmente preciso do Criador. Eu O atraio não apenas para que Ele me traga prazer, mas como resultado de uma dor insuportável causada por minha incapacidade de me conectar com o amor geral nas relações entre nós.

Este amor tem que ser expresso em relação ao grupo de alguma forma, em relação aos amigos, mesmo se não seja aberto, mas mais internamente. Isso já depende da pessoa, do tempo, da altura em que ela está. Os Cabalistas de Kotzk costumavam expressar uma atitude oposta externamente; nós seguimos as instruções do Rabash para mostrar amor e preocupação pelos amigos abertamente.

Nós temos que constantemente nos preocupar apenas com o vaso geral, a conexão geral que atrai a Luz que Corrige e a Luz que enche o vaso. O Criador é revelado somente nesse vaso, como aquele que o constrói, sustenta, cura e preenche.

Tudo isso acontece nesse estado, o problema é que nós não o imaginamos corretamente, mas acreditamos que o Criador pode ser revelado dentro de nós, que entrará em nossos corações individuais. Esta é a forma como cada egoísta pensa, uma vez que costuma atrair toda a bondade e todas as conquistas para si mesmo.

Este é todo o problema. Só através da garantia mútua podemos apoiar um ao outro, a fim de manter o foco no centro do grupo, a nação de Israel, e todo o mundo como um sistema onde tudo acontece. Não há nada além disso.

Caso contrário, simplesmente não estamos vivendo na realidade. Todas as perspectivas, exceto esta são chamadas de “uma realidade imaginária”. Não é sequer tão imaginária quanto o nosso mundo, mas, na verdade, fictícia e totalmente egoísta.

Portanto, nós temos que descobrir a cobra que está no nosso caminho, que constantemente nos leva de volta para o nosso coração impuro. Nesse caso, é impossível administrar sem a decisão do grupo, que este tem que ser a nossa única preocupação, e só com a ajuda dos amigos eu posso manter corretamente o foco no grupo, a fim de ver a minha correção nele.

Esta é a razão porque não conseguimos pensar no benefício do Criador, na verdadeira doação, mas tudo depende um do outro, e nossos pensamentos são destinados no sentido de receber e não doar. A revelação do Criador parece um doce.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalé 13/02/13, Escritos do Baal HaSulam

O Ponto Que Não Vai Trai-lo

Dr. Michael LaitmanInfelizmente, a pessoa geralmente define o esforço de forma incorreta e desperdiça muita energia fazendo coisas que não vão ajudá-la a avançar em direção à revelação espiritual e trazer contentamento ao Criador. Inicialmente, ela assume diferentes tarefas difíceis, mas, desta forma, luta apenas com moinhos de vento, contra inimigos imaginários e forças irreais que ficam em seu caminho.

Não é fácil revelar as forças que se interpõem no caminho de uma pessoa. Elas estão muito próximas da pessoa, e ela não consegue discerni-las, uma vez que pensa que elas são ela mesma. Elas se agarram tão fortemente a ela que lhe forçam a pensar como se fossem parte inseparável dela. Ela não consegue mantê-las longe, a fim de ver que são seus inimigos, como se diz, “Os inimigos do homem estão vivendo em sua própria casa”.

O principal é localizar os inimigos que estão em seu caminho para o Criador. Quando a pessoa começa a localizá-los e se aproxima dos verdadeiros discernimentos, percebe que tudo o que tem são seus inimigos. Ela não tem nada seu, nenhum aliado que possa confiar e contar com o apoio ao longo deste caminho ao confiar em sua ajuda de forma pura e correta. Isso porque todas as forças próximas são reveladas como opostas a ela.

Alguns de seus desejos, pensamentos e atributos riem dela agora; outros obstáculos intencionalmente colocam obstáculos ao longo do seu caminho, tornando o seu caminho futuro mais difícil, mas ao mesmo tempo se disfarçam tão engenhosamente que ela acredita que eles estão lhe fazendo um favor. Outros a enfraquecem, retendo-a, colocando pregos em suas rodas, inserindo assim uma força que age contra ela e faz com que ela pare. Assim, eles agem contra a pessoa sob diferentes máscaras, perturbando-a de diferentes maneiras, direta e indiretamente, engenhosamente e usando truques terríveis.

Por fim, a pessoa descobre que não pode contar com nenhum dos seus atributos, desejos e pensamentos. Portanto, com a ajuda de quem ela pode contar, com quem pode avançar? Acontece que não há ninguém! Somente se ela se voltar ao grupo desde o ponto no coração, ela vai ser capaz de avançar com os pensamentos e forças corretos, com os quais pode confiar no caminho.

Ela se volta ao grupo a partir do seu ponto no coração, pois é o único ponto puro nela, e tenta usá-lo apenas em relação aos amigos, percebendo que não há nada mais que possa investir neles, exceto esta centelha. Ela é cuidadosa para não recorrer a eles com todos os outros pensamentos e desejos, como uma pessoa que está doente e tem medo de infectar as pessoas que estão perto dela com seu vírus.

Então, ela recebe do ambiente tudo o que os outros têm, para avançar na direção certa. Por sua análise pessoal, ela já esclareceu que sua percepção real deve incluir apenas os atributos certos que foram recebidos do ambiente. Por isso, o ambiente se torna uma “sociedade funerária” que a ajuda a enterrar todos os seus pensamentos e desejos egoístas naturais, e recebe do ambiente, na verdade do Criador, novos atributos.

Ao acender a centelha em seu coração com a ajuda deles, ela começa a construir o seu vaso espiritual. Isso significa que ela absorve os poderes e desejos da sociedade, de todos os outros e, assim, alcança a sua primeira correção.

A menos que a pessoa mude totalmente todos os seus atributos para os atributos da sociedade, ela não será capaz de construir o vaso de sua alma. Nós devemos entender isso, pois sabemos que o desejo de receber não é refinado e não muda, mas a pessoa restringe seu desejo de receber inicial e sua forma natural.

Quando ela recebe um desejo do ambiente, ela adquire suas primeiras dez Sefirot, seus atributos de doação. Na medida em que se anula, ela recebe de Cima atributos que vêm no lugar dos que ela parou de usar. Assim, em vez de um vaso restringido, ela recebe um vaso novo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Quando Você Ficar Sem Combustível

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando eu encontro pessoas ultimamente, vejo que elas não estão buscando sucesso como faziam antes e não estão tentando conseguir algo. É como se o ego parasse de crescer e está inclusive indo para trás; as pessoas decidem ter menos, por que é assim?

Resposta: Não é uma pergunta simples. Por que o ego parou de crescer? Além disso, por que o ego “admite e desiste”, ficando mais fraco? Será que realmente fica mais fraco?

A questão é que o ego muda; ele se torna “redondo”, integral. Nós estamos nos movendo de um tipo de ego (individualista, simples e “direto”, com a abordagem “agarre tanto quanto você pode”) para outro tipo de ego que não compreendemos ainda. Ele ainda não foi totalmente revelado em nós. É um tipo de ego integral que é acompanhado por uma conexão mútua geral. Nós já o sentimos e não sabemos como gerenciar e lidar com ele.

Até agora nós desenvolvemos tecnologias, ciência e conhecimento, mas agora é hora da realização, que se caracteriza por um novo tipo de desejo. Antigamente o mundo era dominado pelo poder, depois pela tecnologia, e depois foi a vez da ciência. Por fim, a informação se tornou a chave, e agora o mais importante é a compreensão. Todos os métodos anteriores, não nos ajudarão mais; eles deixarem de ser eficazes.

Isso nunca aconteceu antes. Todos os níveis anteriores eram utilizados para apoiar os novos e mais avançados níveis, mas hoje é diferente. É como se tudo o que conseguimos se foi, deslizando entre nossos dedos, não causando qualquer resposta interna. É realmente assim. É porque o “mundo” são os vasos (desejos) com as Luzes neles. Estes vasos desaparecem e gradualmente se transformam em vasos diferentes. Pela primeira vez não há um atributo discreto que é revelado neles, de um vaso e outro vaso, mas a conexão com as primeiras dez Sefirot, o primeiro nível espiritual.

Por isso, não conseguimos identificar esse estado. Não temos o necessário padrão interno de percepção, o “sensor”, o sentido correto que nos permite ver a nova realidade. Assim, as pessoas param a sua busca e nada mais as atrai. Elas sentem o resultado do processo: o vaso começa a “arredondar” para se conectar com todas as dez Sefirot.

Pela primeira vez revelou-se o primeiro nível do mundo superior, por enquanto nos vasos posteriores, mas isso já está sendo revelado. Por sermos incompatíveis a ele, encontramos o vazio, e o sofrimento vai crescer mesmo se não aprendemos a nos adaptar à realidade. Esta situação pode realmente fazer as pessoas se sentirem impotentes, não querendo nada, não querendo trabalhar, enquanto a alma se sente sem esperança e a pessoa sente desespero.

O avanço linear nos permitiu encontrar um substituto para algo que tínhamos perdido a esperança. A força de proteção do ego ainda nos empurrava para frente. Mas hoje, muitos não têm a energia para se levantar de manhã e começar um novo dia, “eu não preciso de nada e tudo o que será, será”. Na verdade, isso decorre da desorientação na rede de conexão global que está sendo revelada agora. A pessoa ainda não sente a rede, mas vê que os vasos anteriores não funcionam mais. Esta é realmente uma situação muito triste…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/02/13, “Discurso Para a Conclusão do Zohar

Perigosas Transações Fictícias

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Carta 47: Portanto, afastem-se de todas as transações (relações) fictícias, e prestem atenção para pensar e vir com as invenções corretas para conectar seus corações como um só coração … e comecem a se conectar amorosamente na medida certa, e vão encontrar um gosto nisso.

Pergunta: O que são “transações fictícias”?

Resposta: Transações fictícias são todos os tipos de esforços que não são destinados a atingir a meta espiritual. Isto inclui qualquer esforço que esteja acima do esforço para fornecer ao corpo as necessidades básicas e dedicar o resto para atingir a meta.

Qualquer esforço que esteja um pouco fora dessa faixa é fictício, o que significa que só parece que você vai ganhar com isso, mas na verdade, ele imediatamente empurra você para o caminho do “em seu tempo” (Beito), o caminho do sofrimento.

Parece que há uma meta espiritual diante de mim (!), e se eu trabalhar por ela, vou ganhar algo. Eu me esforço e ganho com isso. Se for uma meta real, ou seja, que está no caminho para o Criador, então eu trabalho corretamente.

Mas essa meta não pode ser dirigida ao Criador (!), e eu não sei a direção certa, e parece que essa meta é real. Se eu invisto minhas forças nela, em troca, eu recebo sofrimentos que me empurram por trás, em vez de um ganho. Estes são chamados de “transações fictícias”.

Parece que eu lucro com eles e que anseio pela verdadeira meta. Mesmo o lucro material: lucro físico, dinheiro, respeito, conhecimento, todos estes, no final, levam-me, depois de muitos esforços ao longo do caminho, para um vazio, para sofrimentos.

Esta meta fictícia, as transações fictícias, podem ser muito complexas e complicadas. Pode levar de 30 a 40 anos para que eu finalmente perceba que a meta era fictícia. Não é apenas um negócio e pode muito bem ser muitas transações. Tudo que você faz além das necessidades básicas do corpo pertence a estas transações fictícias.

Lidar com as necessidades básicas é uma obrigação, já que você não tem escolha. Toda a sua atenção, 100% dela, deve ser focada numa direção: no Criador. Então, na medida em que você tem que se esforçar por sua família, já é uma necessidade, porque todo o seu pensamento estará focado no Criador.

Não está claro que essa meta é fictícia. É uma grande questão para você. Mesmo que você esteja racionalmente ciente disso, você não concorda com isso emocionalmente. Então você se encontra numa luta interna, sem saber o que fazer. Você faz diferentes concessões, perdoa diferentes fraquezas pequenas, pensando: “Bem, não importa, eu estava um pouco distraído”. Transações fictícias aparecem de várias maneiras diferentes.

Portanto, como podemos esclarecer quais relações são fictícias? Tudo o que não se relaciona com o grupo, o professor, o estudo, a disseminação, a inclinação à unidade com o Criador, são todas transações fictícias! Se você concentrar todos os seus esforços na meta, as preocupações da família também estarão incluídas nisso. Então, você descobre que o Criador dispôs todas essas coisas para você da forma mais perfeita. Mas só se a sua família não se opõe ao seu caminho e permite que você estude.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/02/13, Escritos do Baal HaSulam

O Embrião É Parte Da Mãe “Bina”

Dr. Michael LaitmanAlgum tempo antes da última Convenção nós começamos nossa preparação para o estado de “embrião” espiritual e continuamos persistentemente.

Este é o objetivo no curto prazo para a maior parte do nosso grupo global. No grupo há estudantes mais avançados e os menos avançados, mas a maioria está num estado que deve se preparar para as condições de existir sob a forma de um “embrião” no mundo espiritual.

Diz-se que um embrião é parte de sua mãe, o que significa que ele se anula totalmente e “come o que a mãe come”. A mãe esclarece o que é melhor para ele, e ele recebe tudo com gratidão como algo que vem do “não há outro lado Dele”. Ele está completamente incorporado no Criador sem tomar decisões independentes. Todos os seus poderes são focados apenas em como seguir com os olhos fechados.

Isso não significa que ele não tem a sua própria opinião e seus próprios sentimentos, mas ele tenta se parecer com a parte superior em todos os sentidos possíveis. Ele ainda não tem “vasos” internos, e nem em sua mente e nem em seu coração, que lhe permitem começar a trabalhar com esses desejos por si mesmo. Ele só pode se elevar acima deles.

Isso significa que ele não tem “boca”, mas que recebe tudo através do “Tabur” (o cordão umbilical), ou seja, diretamente em seus “vasos”. “Peh – boca” (a boca do Partzuf ) é o lugar da Masach (tela), 32 dentes, 32 rotas de sabedoria. Quando ele tiver dentes, já será capaz de mastigar com eles, para examinar, dividir e decidir se este preenchimento é adequado para ele ou não. Por enquanto, tudo isso não existe no embrião, e ele recebe tudo graças à doação de Hassadim de seu superior, da mãe Bina, embora esteja na escuridão total.

Se conseguirmos imaginar esse estado de Ibur (gestação), e nos ver como um “embrião” em relação ao grupo, ou seja, nos anular perante o grupo, então, pelo nosso esforço coletivo, entraremos no mundo espiritual.

Este é um nível muito elevado. Ele é ilimitado, uma vez que pela anulação de seus vasos  a pessoa se torna independente e ilimitada. Ela recebe tudo que chega até ela e está pronta para qualquer condição. Ela aceita tudo o que vem até ela da parte superior “acima da razão”, e assim avança através de todos os meses de gravidez.

Tudo depende de nós, do nosso esforço. Nós não temos que esperar que isso venha de Cima por si só. Nada virá assim à toa, com exceção dos sofrimentos que vêm ao longo do caminho “em seu tempo”, em vez do caminho “eu o acelero”, o caminho da Luz.

Mas se quisermos acelerar este estado de forma a não nos desenvolver de acordo com a velocidade natural que vai demorar muitos anos antes de alcançá-la, temos que estimular um ao outro, como se diz: “Cada um deve ajudar o amigo”. Temos que dar o exemplo do embrião espiritual um ao outro, ou seja, mostrar como cada um se anula diante do grupo e aceita tudo de bom grado, com entusiasmo, na alegria e no despertar. Embora a pessoa não sinta isso internamente, ela se anula perante o superior.

Este estado é chamado de embrião, já que tudo isto não corresponde ao seu desejo, mas é contra ele, em contraste com seus sentimentos e sua mente. Mas se ela se erguer acima de si mesma, acima de sua mente e sentimentos, e começar a receber do superior, que é inteiro, ela vai avançar e se tornar progressivamente um embrião.

Este estado é construído acima dos sentimentos corporais e mentais e é o primeiro nível que é construído acima deles. Nele já temos que esclarecer como cumprir o conselho dos Cabalistas através da ajuda mútua, despertando e sentindo a importância da meta. Esta é a meta imediata diante de nós.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 08/02/13

Avançar Para Um Novo Mundo Sem Revoluções

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qualquer avanço qualitativo é sempre difícil em termos de consciência. Por exemplo, a teoria da relatividade, essencialmente negou os próprios fundamentos da percepção habitual; portanto, ela não foi imediatamente recebida e só foi entendida com dificuldade. Como é que uma compreensão integral do mundo se espalha no sistema geral da humanidade?

Resposta: Realmente, Einstein sugeriu uma abordagem revolucionária para a compreensão das características espaciais. Até então, as pessoas viviam nas habituais três dimensões e que não conseguiam imediatamente entender e concordar que tudo depende da percepção, que “o ponto de referência” poderia mudar e entrar em outro sistema de coordenadas.

Acontece que os três eixos não são fixados numa estrutura monolítica, mas podem se mover em relação uns aos outros, dependendo do observador. Por exemplo, eu vejo o sistema em movimento e você o vê em repouso. Assim, nós vemos fenômenos diferentes, imagens diferentes, e não nos entendemos.

Assim, era difícil para as pessoas compreender a teoria da relatividade, e só depois de alguns anos ela foi indiretamente confirmada, quando experimentos e estudos físicos previram seus resultados. Ainda assim, mesmo hoje, apenas alguns realmente compreendem a essência dessa abordagem e os resultados que se seguem disso.

Muitos estão satisfeitos com uma compreensão superficial no nível das fórmulas e não através de uma interpretação emocional mais profunda e interna, já que para “sentir” esta teoria, é preciso ser capaz de se desconectar da nossa realidade, pelo menos um pouco. Parece-nos que o próprio Einstein teve princípio deste sentimento que acompanha a saída do sistema de eixos regulares.

Por outro lado, o problema não é tão grande. Nós não disseminamos a sabedoria da Cabalá e sua aplicação, mas sim, disseminamos a educação integral ao público em geral. Nós mostramos às pessoas como as relações integrais são benéficas e como isso ajuda a resolver todos os tipos de problemas. Para isso, a pessoa não precisa ir para diferentes eixos e experimentar revoluções internas.

Nós sugerimos simplesmente nos conectar e trabalhar em nós mesmos por meio de workshops, debates e da comunicação entre nós, e a partir disso, será bom para nós. Graças a isso, as pessoas vão finalmente sentir o que constitui o mundo “redondo”, e por isso, vão entender o que a natureza quer delas.

Nós não lhes damos tarefas que sejam impossíveis de executar. Pelo contrário, inconscientemente cada pessoa entende que a integralidade, sem dúvida, não causa mal, e que a conexão e união de forças e desejos, e a proximidade entre as pessoas, vão necessariamente trazer benefícios.

Enquanto isso, se elas não quiserem muito isso, tudo bem, talvez depois de mais alguns distúrbios e problemas, elas vão ter o desejo. Nós estamos falando de coisas realistas e exequíveis.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/01/13, Shamati # 66

Um Caminho Suave E Sem Altos E Baixos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando tentamos manter o pensamento sobre o que é importante, somos distraídos repetidamente por outros assuntos. Com que frequência essas entradas e saídas devem mudar?

Resposta: Uma vez, um dos alunos do Rabi Zusha disse-lhe que ele tinha experimentado várias subidas e descidas, naquela manhã. Em resposta, o Rabi Zusha disse que tinha experimentado cerca de 400 subidas e descidas em alguns minutos.

Aparentemente, é impossível medir essa variável, uma vez que, no geral, a espiritualidade está acima da faixa de frequência das entradas e saídas, das subidas e descidas, numa frequência infinita. Há também frequências mais altas em nosso mundo, como por exemplo, em computadores, rádios, tecnologia a laser, etc. A espiritualidade é muito maior do que isso.

Portanto, quando uma pessoa se conecta a frequência infinita? Quando ela começa a perceber as subidas e descidas como um todo. Nesse caso, elas se tornam uma espécie de “tensão uniforme”: Não há “picos” nem “buracos”, tudo é incorporado numa direção comum.

Só em nosso mundo, o positivo está associado à direção positiva, e o negativo à direção negativa. De acordo com essa abordagem mesmo o positivo não leva a nada de bom.

Mas quando eu percebo tal escuridão como Luz, a descida como subida, quando percebo que tudo vem de uma fonte e apenas para nos fazer avançar, então eu estou igualmente feliz com as subidas e descidas. Eu estou ainda mais feliz com as descidas, já que através delas eu percebo que estou avançando. Uma subida pode ser resultado de diferentes motivos, como por exemplo, do suborno do meu ego. A descida, no entanto, certamente será benéfica, pois o Faraó está me aproximando do Criador.

Eu deveria imediatamente me alegrar quando vem a descida, embora existam momentos do endurecimento do coração e da confusão que não conseguido sequer distinguir. Mas no momento em que percebo que eu estou separado, desconectado da espiritualidade, no momento que percebo que fui “jogado fora” por talvez um quarto de hora já, meio minuto, ou até mesmo um segundo, eu fico feliz. Afinal de contas, eu reconheci o problema. Ele foi criado de Cima, mas eu cheguei a sua essência e estou feliz com isso, já que tenho certeza que adquiri uma nova profundidade e a “santifiquei” agora.

Assim, verifica-se que eu não me movo ao longo de uma estrada demolida que é deformada e espinhosa, mas ao longo de uma estrada maravilhosa. É realmente assim. No final, nós só devemos mudar a nossa perspectiva do mundo. Neste novo quadro, na medida em que aceitamos o que está acontecendo, descobrimos o sistema de liderança e Providência, a força diretora, e, de repente, a perfeição se abre diante de nós…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/01/13, Shamati # 26