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Rússia E Europa: No Caminho Para A Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanA fim de estar em equilíbrio com a natureza, é necessário consumir de forma inteligente, o que significa consumir apenas o que for necessário, dependendo das necessidades de cada pessoa. O Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo, “Paz no Mundo” e em outros artigos.

No entanto, esta prática não pode ser imposta através do terror. Isso só pode acontecer através da educação!  No entanto, em sua época, revolucionários russos tomaram um caminho diferente, abandonando o princípio da educação.

Além disso, isto estava ocorrendo em um país subdesenvolvido, com a maioria da população acostumada a viver em condições praticamente feudais até o dia de hoje. Hoje, o povo da Rússia, que é gentil e de bom coração, ainda concorda com as condições feudais que existem atualmente na Rússia. Este não é um país capitalista, mas um país feudal, com os mesmos costumes, estrutura, corrupção, e todas as suas relações sociais. É o feudalismo.

Pode nos causar estranheza: “Mas como isso pode acontecer? Em uma sociedade moderna? Isto já não é coisa do passado? No Ocidente, o feudalismo já não existe há mais de 300 anos”. Correto, no Ocidente ele já não existe há 300 anos, mas na Rússia, ainda existe. Ou seja, cada pessoa ainda concorda com isso. As pessoas ainda não evoluíram acima desse nível.

Apenas uma pequena parcela da população, cerca de 10-20%, não tolera estas condições, enquanto todos os demais concordam em viver com elas. Eles não se importam em ter um patrão, em se submeter a ele, sem lei e ordem, onde tudo pode ser comprado e vendido, e onde os ricos são poderosos e têm regalias. As pessoas concordam com isto! É por isso que ainda é considerado um nível feudal do desenvolvimento social.

Sem dúvida, Marx não acreditava que este tipo de país tentaria implementar a sua idéia. Ele praticamente apresentou a Cabalá sob a forma de leis econômicas. Mas o egoísmo do império pós-União Soviética é completamente diferente. Esse egoísmo é feudal e ainda não está pronto para um desenvolvimento sério.

No entanto, quando trabalhamos com cada pessoa individualmente ou com os nossos grupos na Rússia, vemos um resultado surpreendente, porque as pessoas têm pontos no coração. Elas são muito receptivas e com metas específicas.

A pergunta é: será a sociedade capaz de entender que tem que se unir, mas não através das leis criadas pelo regime soviético? A união tem que acontecer através de leis, onde todos são iguais, conscientes, e se unem conscientemente. O povo da Rússia não se une conscientemente. Será que eles chegarão a isso, serão capazes de fazê-lo? Na verdade, isso é uma pergunta.

Portanto, nossos grupos na Rússia são muito queridos por nós. Eu pessoalmente conheço esta nação muito bem, porque que cresci lá e minha língua nativa é o russo. Mas será que podemos olhar para a Rússia como um país que tem a capacidade de concretizar facilmente os princípios Cabalísticos? Isso é algo que eu não sei.

Por outro lado, na Europa, apesar do fato das pessoas serem muito diferentes da imagem Russa, tudo o que elas têm que fazer é superar certa oposição externa, certa casca ou invólucro. Depois disso, tão logo esta idéia penetre no pensamento delas, elas perceberão que isso é verdade e serão capazes de realizá-lo dentro de si através do seu desenvolvimento.

Na Rússia, é fácil aproximar-se de alguém. Mas na Europa é muito mais difícil! Entretanto, eu acho que se penetrarmos dentro dos indivíduos na Europa, eles encontrarão as forças e habilidades dentro de si para se unir. Seu coletivismo consciente surgirá.

Por outro lado, na Rússia o coletivismo não surgirá, apesar disso. Lá a sociedade não está desenvolvida coletivamente. Acho que ainda não é capaz de fazer isso.

No entanto, apesar de todas estas suposições, nós temos que desenvolver a Cabalá e divulgá-la em toda parte. Naturalmente, há um grande limite nos países que outrora eram socialistas. Mas isso não deve nos deter. Não devemos nos deter nem um momento pensando onde é mais fácil e onde é mais difícil, por que e como. Devemos trabalhar, e isso é tudo. Eu nunca faço nenhuma estimativa. Nós não sabemos o que é melhor e o que é pior, e como tudo irá ocorrer.

A partir da terceira aula na Convenção de Berlim em 28/01/11

O Problema Comum De Sete Bilhões De Pessoas

Dr. Michael LaitmanNós pensamos que cada um tem seus próprios questionamentos, seus próprios problemas. “Eu quero alcançar a espiritualidade, e eu não ligo para o resto do mundo. Às vezes eu penso neles, mas, essencialmente, o que importa? Onde está o mundo, e onde estou eu?”.

Obviamente, esta é uma resposta egoísta normal. Mas o que se pode fazer? Temos apenas uma escolha: pense o quanto estamos fortemente conectados uns com os outros. A Cabalá diz que todos os seres humanos estão interconectados. Nós já sentimos isso, e hoje estamos mais ou menos conscientes disso.

Infelizmente, ainda não temos quaisquer resultados com relação a isto. É evidente que tanto governos quanto indivíduos, não importa quão inteligentes sejam, não conseguem mudar e continuam vivendo dentro de suas cascas pessoais e egoístas. Mas o problema é realmente global e pode ser resolvido somente se estivermos conectados.

A sabedoria da Cabalá diz que todos nós somos indivíduos separados, ligados por vários tipos de conexões. É um sistema enorme, pesado, muito intrincado e multifacetado, composto por sete bilhões de partes interconectadas.

Nesse sistema, eu posso sentir meu “eu” dentro de mim, e então sinto o nosso mundo. Ou, eu posso sentir o que está fora de mim: as outras partes, os laços entre eu e todos os outros. Nesse caso, eu perceberei o mundo superior fora de mim.

Ele é considerado superior porque eu sou regido por aquilo que é fornecido a mim de todo mundo. Tudo o que ocorre em mim acontece porque os laços de todas as sete bilhões de partes vêm ao meu encontro.

Então, como vamos resolver o problema atual que a Natureza nos impõe? Parece que temos de encontrar uma conexão benevolente entre nós, porque é o sistema inteiro que nos envia todos estes sinais preocupantes.

Isto requer que nós transcendamos a nós mesmos e comecemos a sentir o espaço circundante. Fora de mim, existe o mundo do Infinito. Assim, todos nós temos que sair e experimentar o campo que vive entre nós. Ninguém pode senti-lo dentro de si.

Lição 2 Convenção de Berlim  28/01/2011

Faça O Seu Trabalho Como Um Profissional

Dr. Michael LaitmanPergunta: Podem os nossos esforços ser vistos como uma preparação para a vida espiritual?

Resposta: Sim. O esforço é uma idéia ampla. No entanto, observe o seguinte:

1. Não que eu corra por aí sem nenhum motivo, como uma criança, para quem o simples fato de correr já é motivo suficiente por si mesmo. Pelo contrário, o meu esforço tem que ter um propósito. Eu o realizo onde ocorreu a quebra, na união com os outros, uma vez que do amor ao próximo eu atingirei o nível do amor ao Criador.

2. O esforço deve ser motivado pela Luz que, essencialmente, organiza o próximo passo para mim. Lá, eu posso ter que enfrentar um desespero maior ou um nível mais elevado, um profundo vazio ou uma grande satisfação. Não importa qual seja. Esta é a próxima etapa da viagem, já que nós avançamos entre a linha direita e a linha esquerda.

 Assim, além do lugar correto para realizar o esforço, eu preciso da fonte correta da Luz, os livros que me conectam a ela. Portanto, eu tenho que estar no grupo que estuda as fontes.

3. Além disso, eu preciso de um mentor para aprender a maneira certa de trabalhar com os livros e como me relacionar com o grupo.

Se a pessoa tem estas três ferramentas e sabe como usá-las, ela  está pronta. Agora, tudo depende dela. De tempos em tempos, ela deve avaliar esses três componentes: o professor, os livros, e o grupo, e procurar uma oportunidade de utilizá-los da maneira mais eficaz.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 9/1/11 , “Quais São Os Poderes Necessários Para O Trabalho”

Ao Atravessar Para A Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanFalando sobre atualizar a sabedoria da Cabala, nós devemos levar em consideração que o nosso atual Gilgul (ciclo de vida) está longe de ser o primeiro. Temos passado por múltiplos ciclos, e ninguém sabe exatamente quantos cada um de nós tem. Isto será revelado para nós mais adiante, mas, francamente, não há muita utilidade em rever as nossas encarnações passadas, já que todas estavam ainda nos níveis vegetal ou animal da evolução do desejo de desfrutar.

A nossa evolução aconteceu com base nisso. Primeiro, nós existíamos no nível inanimado de desenvolvimento, seguido do vegetal, quando experimentávamos a realidade como as plantas fazem. Mais adiante, cada um de nós evoluiu para nível animal, percebendo a realidade da mesma forma que os animais.

Assim, nós passamos por várias vidas, até que (como está escrito na Árvore da Vida do ARI e no Estudo das Dez Sefirot, Parte 3, do Baal HaSulam), do nível animal, através dos símios (nível intermediário entre o animal e o homem), nós finalmente alcançamos o nível humano neste mundo. Os seres humanos também são uma espécie animal, mas muito mais evoluídos do que os animais.

No nível falante deste mundo, nós também passamos por muitas vidas, até atingir nossa condição atual. Agora, nesta encarnação, estamos fazendo um tipo especial de trabalho, a fim de ascender a um nível completamente novo e experimentar uma nova realidade espiritual: a realidade do Criador.

Durante as transições, de nível em nível e de estado para estado, existem fases intermédiárias. Como o ARI descreve, entre os níveis inanimado e vegetal, existem corais que combinam ambas as características: inanimada e vegetal. Entre os níveis vegetal e animal, há uma criatura intermediária, um pequeno animal chamado de “cachorro do campo” que vive na terra e alimenta-se da terra como uma planta, mas cujo corpo se comporta como o de um animal. Entre o animal e o humano, existe o macaco, um mamífero com características humanas rudimentares.

Atualmente, nós estamos na transição entre o ser humano deste mundo, que vive como todos os outros sete bilhões de pessoas, e algo espiritual. Nós não sabemos ainda o que significa este “espiritual”, mas estamos entre estes dois estados.

Pela primeira vez, nestas transições que temos passado desde os níveis inanimado ao vegetal, do vegetal ao animal, e do animal ao falante (humano), ignorando o que aconteceu conosco e vivendo como todas as pessoas neste mundo, nós agora temos de fazer a transição conscientemente, participando dela de forma plena. Seremos nós que decidiremos se isso acontecerá ou não. Apenas o nosso desejo pode fazer com isso aconteça.

Esta evolução depende de nós. Essa transição é única e diferente de qualquer outra, porque somos nós que cultivamos o ser humano em nós, o humano idêntico ao Criador.

Assim, pela primeira vez na nossa história, em toda a nossa evolução, a sabedoria da Cabalá está sendo revelada para nós. Ela se destina a acompanhar-nos como um manual de instrução, a diretriz principal, um código de leis, uma ciência, com a ajuda da qual completaremos essa transição. Afinal, se não esclarecermos isso para nós mesmos, não a desejaremos e não a estudaremos; não seremos capazes de triunfar.

É por isso que somos chamados de “judeus” (“Ivrim”, da palavra hebraica “Laavor”, atravessar), pois estamos atravessando do estado de humano deste mundo para o nível humano espiritual, semelhante a Adam HaRishon, ou a imagem do Primeiro Homem. Épocas atrás, ele parecia ter sido quebrado em fragmentos, e agora temos que voltar a remontá-lo de novo, suas partes masculina e feminina.

Tudo isso tem que ser implemenatdo em nosso trabalho coletivo. Nós temos todas as ferramentas necessárias para isso, mas cabe a nos esclarecer tudo, aprender o que nos falta para nos transformarmos nesse Humano, e desenvolvê-lo.

Da Lição 2, da Convenção no Deserto de Arava 31/12/10

Preparando-Se Para A Eternidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Baal HaSulam escreve que para avançar pelo caminho da Luz (“Achishena“, antes do tempo), eu tenho que transformar minhas qualidades más em qualidades de amor. Mas você disse que eu só descobrirei minhas qualidades más ou a inclinação ao mal depois que eu cruzar a Machsom (barreira que nos separa da espiritualidade).

Portanto, neste momento, parece que eu não avanço pelo caminho da Luz, mas pelo caminho do sofrimento (“Beito,” a seu tempo).

Resposta: Em ambos os casos, de certa forma, você já reconhece o seu mal, uma vez que está na fase de preparação. Você pode existir em quatro níveis de desenvolvimento:

1. Como todas as pessoas normais deste mundo;

2. Na fase de preparação;

3. Na qualidade de “Hafetz Hesed” (não deseja nada para si);

4. Na qualidade de amor.

“Hafetz Hesed” e amor são níveis espirituais. “Como todas as pessoas normais” e “na fase de preparação” são corpóreos. Os níveis corpóreos significam a intenção “para si mesmo”; a espiritualidade significa “para doar”. O mundo espiritual é separado do material pela Machsom.

Por um lado, quando você está na espiritualidade, você tem uma inclinação ao mal, a matéria da criação; por outro lado, você tem uma  inclinação ao bem e a Luz que Corrige. Abaixo, no mundo material, elas não existem.

Mas, mesmo agora, na fase de preparação, você sente alguns reflexos da espiritualidade, uma compreensão aproximada das linhas esquerda e direita, subidas e descidas. É por isso que esta fase é chamada de preparação. É nisso que você está trabalhando.

De qualquer forma, você está avançando. Você tem noções sobre o que está escrito nos textos Cabalísticos, embora, por enquanto, eles apenas se projetem sobre sua substância egoísta. No entanto, você compreende e sente algo. É uma grande conquista! O tempo de preparação é inútil? Ele pode durar décadas. E daí? Você passa por ele e entra na eternidade!

Por conseguinte, não despreze o tempo de preparação. Você está passando por um processo muito intenso, grande e poderoso. E você deve valorizá-lo! Se a pessoa não apreciá-lo, é privada de todo o seu poder. Devemos permanecer constantemente neste processo e cada vez adicionar um pouco mais, organizando convenções cada vez mais poderosas, acompanhadas por um discernimento mais profundo.

Mesmo as descidas tornam-se mais claras e nítidas, e você é capaz de compreender melhor as suas causas e reconhecer as qualidades internas. E isso é o que importa.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá  23/12/10, “Paz no Mundo”

Momentos Comprimidos

Dr. Michael LaitmanO sucesso em alcançar a meta não depende da habilidade especial da pessoa. Nós ainda seremos surpreendidos ao descobrir que nada do que existe atualmente em cada um de nós consegue cruzar para a espiritualidade.

Entra-se no mundo espiritual através de um fino filtro que não permite que você carregue através dele nada do que você possui agora. Tudo permanece dentro do seu desejo egoísta, sua mente corporal; todas as posses do passado desaparecem e nada é preservado.

O sucesso é determinado somente pelo esforço exercido para compensar todas as dificuldades, problemas, e desapontamentos. Se, a despeito de tudo, a pessoa ainda avança e não recua, somente então ela entra no mundo espiritual; e essa é a única coisa que ela tem a permissão de manter. Essa determinação é que dá a ela o direito de entrar. Não há nada mais.

Quando nós deixamos o Egito levando os vasos Egípcios (Kelim) conosco, eles precisam estar completamente vazios: nossos desejos limitados preenchidos com nada. Isto significa que nós jogamos fora todos os bens egoístas acumulados no Egito e não queremos levar conosco nada dele. Nós levamos somente o pão mais básico (Matza) e vasos vazios (desejos) ou será impossível deixar o Egito.

Assim, só há uma sugestão: a despeito de todos os problemas e fardos, desapontamentos e falta de força, continuarmos avançando. Isso só funciona quando a pessoa realmente valoriza seu tempo e tenta preenchê-lo o máximo possível, a fim de simplesmente comprimir cada momento.

É muito importante o quanto ela escreve durante a aula e o quanto ela dissemina durante o dia, isto é, com o que ela está preenchendo seu tempo.

De Conversa Durante a Refeição 24/12/10

Só Subidas Pela Frente!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos ter certeza de que não haverá mais quebra?

Resposta: Nós estamos no nível final, o mais inferior. Não há como cair mais baixo; nada é pior do que o nosso estado. A partir de agora, somente subidas são possíveis. Não pode haver uma quebra. O que mais poderia quebrar em nós se estamos separados da espiritualidade? O que quebrou foi a espiritualidade, a intenção em prol da doação, a tela, a consciência do Criador. Nós estamos em um estado de escuridão; mas como não sentimos a espiritualidade, nós também não sentimos que estamos em contraste com ela.

Por enquanto, nós só podemos dizer que nos sentimos mal. No entanto, nós não nos sentimos mal porque o Criador está oculto ou porque não podemos doar a Ele. Eu me sinto mal pessoalmente, e Ele não me preocupa. Este é o estado da quebra e da queda nas mãos das Klipot. Portanto, mesmo que uma reflexão sobre o Criador desperte em você, só depende de como usá-Lo, em vez de Lhe dar prazer. Vocês estão reclamando: “Quando eu já me sentirei bem?”.

Assim, como podemos romper com este estado em que estamos completamente adormecidos, sem qualquer movimento? Nós estamos revelando o nosso pior estado, até mesmo pior do que as Klipot. As Klipot já são a inclinação ao mal, que eu percebo na Luz que brilha para mim. Então, eu posso diferenciar quais desejos dentro de mim pertencem às Klipot: “o vento tempestuoso” (Ruach Seara), “a grande nuvem” (Anan Gadol) ou “o fogo consumidor” (Esh Mitlakahat), onde está a Klipat Noga e onde está a santidade. A estrutura da minha alma surge claramente diante de mim. Porém, para atingir tais discernimentos, nós temos que ascender a um nível espiritual muito elevado.

No entanto, em nosso estado atual, nós somos incapazes de discernir qualquer coisa. Tudo é insípido e vazio. Nós lemos o que os Cabalistas escrevem, mas tudo isso são apenas palavras para nós, ou várias sequências de letras. Que nos importa?

Portanto, não pode haver mais quebras para nós. Não há lugar mais baixo que possamos cair.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/12/10, Talmud Eser Sefirot

Um Trio Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre ” Zivug” (acoplamento por golpe) e “Bitush” (colisão, batida)?

Resposta: Zivug é a fusão de dois objetos espirituais que não são opostos um ao outro e são capazes de se unir de acordo com sua equivalência de forma, intenção e propósito, semelhante à forma como duas pessoas se unem em parceria ou casamento.

Suponha que existam duas pessoas que têm um objetivo espiritual comum. Elas estão em constante oposição e confronto entre si, devido à força da quebra que as controla. Mas elas descobrem que são incapazes de atingir este objetivo individualmente. Se eu avanço sozinho, deparo-me com um obstáculo imóvel. Se o outro avança sozinho, ele também se depara com uma barreira.

Então, o que nós fazemos? Nesse caso, eu anulo o meu ego, e ele anula o seu. À medida que conseguimos fazer isso, somos capazes de unir-nos como um só. Dessa forma, alcançamos o objetivo.

Esta é a condição do Criador, visto que o objetivo só é alcançado na relação mútua entre todos; afinal, o objetivo em si é a doação. Você deseja alcançá-la? Vá em frente! Anule seu ego e, ao fazer isso, você construirá um Kli (vaso) para a doação. Conforme fizer isso, você se tornará preenchido com a Luz da doação.

Mas isso acontece com uma condição: se eu anular o meu ego e o outro fizer o mesmo com o seu. Portanto, eu golpeio meu ego (Hakaa) e o outro golpeia o dele, e como resultado, nós realizamos a união mútua (Zivug de Hakaa). Eu realizo um golpe dentro de mim, no meu ego, mas realizo um Zivug com o outro, fora de mim.

Agora, surge uma pergunta: Por que ocorre  um Zivug, apesar do fato de que mesmo depois de bater no meu próprio ego eu não desejo unir-me com o outro? Isso acontece porque, ao rejeitar o meu ego com um golpe, eu atraio a Luz que Corrige, que me empurra para a união (Zivug).

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/12/10, explicação do Artigo, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

Você Verá Isso E Nenhum Outro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você explicou que o texto que lemos no Talmud Eser Sefirot e no Livro do Zohar descreve as forças de conexão entre nós. Você pode me dar um exemplo desta conexão?

Resposta: Se você estivesse na espiritualidade, você realmente revelaria tudo o que lemos nos livros. Você revelaria as forças de conexão entre nós, incluindo o seu poder, caráter, como elas funcionam e como elas se unem em rede, conectando-nos.

Você participaria dessa rede de forças e do seu trabalho: a iluminação da Shechiná. Você veria o quanto é capaz de tomar parte ativa na mesma, o quanto você pode adicionar-se a ela. Ao ler o texto, você perceberia como se comporta toda esta rede.

No entanto, se você não vive dentro da realização espiritual, é impossível transmitir isso a você. O Baal HaSulam escreve em seu poema, “O que quer que seus olhos vejam, você verá e nenhum outro”.

Enquanto você não sentir a espiritualidade, você deve ler os textos na esperança de que ela seja revelada a você. Nós lemos os textos Cabalísticos na qualidade de Segula (uma qualidade milagrosa), e não sob a forma de fatos.

Por exemplo, suponha que eu sou cego e estou ouvindo um professor de física falar sobre as leis da óptica. Ele me diz como um raio de luz se divide em várias cores. No entanto, eu só estou ouvindo isso. Eu não entendo o que ele está falando, mas apenas ouço que esses fenômenos existem.

Eu posso continuar estudando dessa forma toda a minha vida, sem entender o que ele está falando. No entanto, se eu fizer esforços especiais e começar a sentir os fenômenos que eu ouvi falar, então eles se tornarão a minha vida. Isso é chamado de “Prove e veja o quão bom é o Criador”. Você tem que prová-lo – para receber essas Luzes e sentir seu gosto.

A verdadeira ciência Cabalística só começa depois que você tem essa sensação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/12/10, Talmud Eser Sefirot

Nós Precisamos De Uma Vitória

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que devemos fazer em Chanucá para que o mundo espiritual se torne realidade?

Resposta: Todos nós ao redor do mundo alcançamos o ponto de avanço. Nós estamos nos aproximando do êxodo do Egito, da sensação do nosso mundo existir apenas dentro do nosso ego.

Por um lado, sentimos que o Faraó (o egoísmo) nos agarra pelos pés e teima em não nos deixar partir. Por outro lado, entendemos que devemos sair de nosso ego. Estas forças estão lutando entre si.

Cada novo dia nos dá uma compreensão maior de que o mundo espiritual e sua percepção estão acima do ego, e isso se chama fé acima da razão. No entanto, quando tentamos alcançar o mundo espiritual, sentimos que ainda não temos forças para avançar e fugir do Egito.

Portanto, nós precisamos de mais eventos como o recente Dia da União, que foi realizado com grande sucesso por todos os grupos do mundo. Nosso grupo mundial já está suficientemente grande e diversificado, dando grande poder de união ao nosso Kli. Portanto, chegamos a um estado em que estamos lutando contra os “gregos” dentro de nós, desejando nos livrarmos deles.

A diferença entre o Faraó e os “Gregos” é o nível da luta: O Faraó representa as paixões do mundo material, como os desejos por comida, sexo, família, riqueza, fama, e assim por diante, enquanto que os Gregos representam a luta entre o materialismo e a Cabala. A pessoa que deixa de ser tentada por essas coisas, apesar de ter todas elas, e que percebe que outras coisas são mais importantes na vida, trava uma guerra pela ascensão acima deste mundo, já que sua vida carece de sentido. Ela não sabe para que viver.

Assim, a Guerra dos Macabeus é uma guerra espiritual. Os antigos filósofos Gregos argumentavam que o nosso mundo é real e que devemos viver nele e desenvolvê-lo. Esta abordagem é oposta à sabedoria da Cabala, que diz que devemos nos elevar acima deste mundo, porque ele já não consegue nos satisfazer; nós devemos compreender o pensamento da criação.

Nós atingimos um nível muito avançado, apesar de querermos sempre mais. Eu acho que todos nós, incluindo aqueles que estão avançando junto conosco em grupos, bem como os alunos individualmente em todo o mundo, vencerão rapidamente esta guerra.

Da palestra em 30/11/2010