Textos com a Tag 'Espiritualidade'

Por Que É Tão Difícil Perceber A Espiritualidade?

Dr. Michael LaitmanA resposta é simples: porque a espiritualidade é oposta a nós, à nossa essência, à nossa natureza egoísta. O egoísmo nos governa; nós desejamos satisfazê-lo. Assim, como resultado de tudo que nos rodeia, nós somente vemos o que desejamos ver em nosso egoísmo: algo agradável ou, no máximo, ameaçador.

É por isso que a pessoa que deseja revelar o mundo superior, descobrir o que a cerca, mas que permanece despercebido em sua percepção egoísta, precisa se reconstruir. Por essa razão o ambiente é tão crítico para a pessoa: ele ajuda a reconstituir a percepção da pessoa, a atraí-la para a importância de perceber o que é desagradável ao egoísmo, o que é oposto a ele. Então, a pessoa será capaz de testemunhar um mundo extenso que sempre a cerca. Isso é chamado de mundo espiritual porque está acima do egoísmo da pessoa.

Parece-nos que nossos pontos de vista são resultado de nossas experiências, mas eles são resultado do acúmulo de informação conveniente para nosso egoísmo. E não faz diferença o que eles dizem, se for verdade ou mentira: para nós a verdade é o que coincide com nossa opinião: o egoísmo.

Nós sempre olhamos somente para o que apoia nossa opinião, e rejeitamos o que se opõe a ela. Em última análise, nós nos formamos e não desejamos mudar. Somente o sofrimento (as tentativas de encontrar o sentido da existência) e um forte ambiente espiritual (o grupo) ajudarão a pessoa a se tornar objetiva, a substituir a percepção egoísta com a opinião do ambiente. Então, o mundo superior que sempre existiu a seu redor se abrirá para ela!

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Dr. Michael LaitmanPergunta: Minhas sensações e estados espirituais são refletidos na realidade que observo ao meu redor. Isso significa que eu posso julgar a internalidade baseado na exterioridade?

Resposta: De forma alguma! Como se diz: “O mundo vive de acordo com um plano”. No mundo material eu atravesso vários estados e relacionamentos; alguns são mais agradáveis ​​do que outros, mas eu não consigo identificá-los com “rótulos espirituais”.

Eu tenho que me agarrar ao meu objetivo espiritual, acima de todas as sensações do mundo corpóreo. Mesmo que o Criador faça algo terrível para mim, eu ainda tenho que me agarrar a isso.  Eu não sei porque isso acontece e porque está acontecendo comigo. Estou unido com outras almas, eventos e estados que não tenho idéia de como se passam.

Hoje ainda me falta a sensação de todo o sistema que me permite investigar estes assuntos. É bobagem eu pensar que posso traçar uma ligação entre a espiritualidade e a corporeidade. Eu não sou um especialista em nenhuma delas.

Nenhuma ferramenta de busca está disponível para mim neste momento: eu não possuo o intelecto, a sensibilidade, ou o insight. Eu não posso observar os sistemas (mundo) superior e inferior, nem posso traçar qualquer conexão entre eles. Isso ainda está muito distante de mim. Até mesmo no nível espiritual mais simples eu não compreendo isso. Eu ainda não consigo entender porque ele se baseia na anulação do ego de cada um. Sou incapaz de esclarecer isto, pois ainda não tenho esse desejo, embora queira ser incluído no sistema superior.

O que eu tenho, exceto o egoísmo? Existe alguma coisa que eu tenho que alcançar, exceto a doação? Para isso, eu tenho que anular o meu ego e realizar trabalhos internos no grupo com os meus amigos. Nós construímos nossa unidade interna para obter uma força comum que existe fora de cada um de nós e pertence a todos nós.

Por que eu fantasio sobre a essência espiritual oculta de uma doença, problemas familiares ou financeiros, ou conflito com meu chefe? Isso é um absurdo! Eu ainda não estou pronto para esses tipos de cálculos.

Um novo computador é apenas um pedaço de metal até eu instalar o sistema operacional, ligá-lo, executar o programa e inserir dados. Só quando eu me familiarizar com o software é que poderei começar a trabalhar com ele.

Por enquanto, nós não temos os Kelim (o computador), sem mencionar o software! É por isso que não podemos compreender a interioridade observando a externalidade.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 04/11/10, Escritos do Rabash

Nós Construimos A Espiritualidade Por Nós Mesmos!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando estamos a educar uma criança, fazemos o nosso melhor para a preparar para a vida neste mundo. Porém, como podemos entrar no mundo espiritual se não fazemos ideia de como ele é?

Resposta: Uma pessoa que, depois de deixar a casa dos seus pais, entra na idade adulta e quer ter sucesso nela pode apoiar-se na experiencia de vida de outras pessoas. Não interessa o que ela queira ser, quer seja um ladrão, um padre, um cientista, ou apenas um vendedor no mercado. Todos estes modelos podem ser encontrados na sociedade.

Contudo, uma pessoa que queira avançar espiritualmente não tem quaisquer exemplos ou suporte. Ela deve construir o seu ambiente por si mesma. Afinal de contas, a única coisa que preenche toda a realidade é a Luz superior, e não há mundos sem uma pessoa.

No instante que eu activo o meu desejo pela espiritualidade, eu imediatamente disponho todos os mundos entre eu e o Infinito. É como se eu ergue-se uma escada conduzindo ao mundo espiritual que existe apenas na forma de Reshimot, genes de informação espiritual.

No artigo “A Matéria da Realização Espiritual” do livro Shamati, o Baal HaSulam escreve que todos os mundos, com seus múltiplos níveis, existem apenas em relação às almas. Por isso, não posso exigir, como fazemos no nosso mundo, ser ensinado como comportar-me na espiritualidade. Eu tenho de formar um mundo espiritual, que não existe, por mim mesmo.

É meu trabalho visualizar como o superior se relaciona comigo e como eu me relaciono com ele. Se aquilo que vejo na minha imaginação corresponde às Reshimot, então tudo é maravilhosamente disposto nesse mesmo instante, de acordo com a lei de equivalência de forma. Se isso não ocorre, a realidade espiritual não existe para mim.

Afinal de contas, ela existe apenas em relação à pessoa que a revela, constrói, e forma. Por outras palavras, nós somos aqueles que devemos construir o mundo espiritual, e precisamos nos voltar ao Criador com um pedido que corresponda precisamente àquilo que está definido pelo Alto nas Reshimot.

Assim, em hebraico o Criador é visto como Boreh (Bo é “vjaenha” e Reh é “vê”) uma vez que é você que O está criando. Você é aquele que constrói esta forma.

Da Lição Diária de Cabalá 18/3/11, Escritos do Rabash

Como Eu Supero A Minha Natureza?

Dr. Michael LaitmanMuitas pessoas pensam que a espiritualidade é um método comum para realizar-se. A pessoa pensa que muito em breve o Criador será revelado a ela, e que ela será capaz de obter todo o mundo as seus pés. Mas essa é uma idéia falsa, pois, na verdade, a espiritualidade é a doação.

Em outras palavras, eu não sou preenchido por aquilo que está sendo revelado a mim. Porém, se eu me abro corretamente, eu fico cheio de doação. Afinal, a Luz nunca entra em um Kli (desejo) diretamente, mas somente quando está vestida com a Luz Refletida. Daí, eu devo me tornar um doador e desfrutar da doação. Mas como faço para conseguir isso?

Para alcançar isso, a pessoa precisa de um ambiente que possa lhe influenciar de forma que ela pense que a doação é uma qualidade muito profunda e elevada, que é a satisfação. Todos devem elevar o valor da doação aos olhos do amigo, passando-lhe sua parte da garantia mútua.  Então, graças a sua consciência da importância dessa meta, a pessoa recebe a iluminação que lhe ajuda no progresso espiritual.

Mas, acima disso, a pessoa deve entender que isso é um jogo, já que da sua condição atual ela não consegue ver a meta. Portanto, todo este trabalho é considerado como ascender ao estado que, agora, não é claro e perceptível a ela, em oposição ao que ela é capaz de compreender hoje. Em outras palavras, a pessoa deve pensar constantemente na importância de uma falsa meta. Mas ela é falsa só para ela, pois se opõe ao seu desejo egoísta.

Portanto, o ambiente deve educar a pessoa, fornecer-lhe a correta escala de valores, e ser forte o suficiente para substituir sua natureza egoísta. Quanto à pessoa, ela deve apoiar seu ambiente, rebaixar-se diante dele, submeter-se, e, literalmente, dissolver-se nele. Então, ela será capaz de receber dele a importância da meta, apesar do seu ego que se revela nela cada vez mais.

Caso contrário, ela não será capaz de avançar, uma vez que existem duas forças que agem nela: a força que rejeita e a força que atrai. A força da rejeição, da resistência, emerge naturalmente: é o seu ego. E a questão reside apenas em saber se ela conseguirá se opor a ele com uma força maior em qualidade, a força do ambiente, que irá atraí-la à espiritualidade.

Portanto, todos devem estar preocupados com a forma de organizar o ambiente certo para si. Isto é o que está implícito no que o Rabash descreve como: “Reunimo-nos aqui para ascender ao grau do homem”.

Da Lição Diária de Cabalá 4/03/11, Escritos do Rabash

Começar A Viver Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanA medida que avançamos no caminho espiritual e passamos por diferentes estados, nós somos como bebês, porque não sabemos como nos desenvolver ou o que acontece conosco, e ficamos confusos. Isso é o que acontece com crianças pequenas: elas estão prontas para aceitar qualquer coisa que você disser a elas, pois como elas poderiam conhecer a verdade? Elas estão completamente em seu poder.

No mundo espiritual nós passamos pelos mesmos estados “infantis”. Portanto, o que nos resta fazer? Depois de fazer grandes esforços para entender qualquer coisa através da razão e da correta organização do nosso trabalho, como em qualquer ciência, nós precisamos compreender que na Cabalá um cientista é uma pessoa que desenvolveu qualidades espirituais de percepção para sentir o mundo que ele começa a investigar.

Desta forma, quando aborados o estudo, temos que pensar na Luz que nos corrige. Isso irá nos habilitar a entrar na sensação, e também no entendimento do mundo que se revela a nós. Primeiro nós o sentimos e, então, entendemos o que sentimos.

Isso pode ser visto nos bebês: primeiro eles somente sentem “bom” ou “mau”, e nada além disso. Mais tarde, eles começam a entender do que isso depende, como se aproximar do bom e evitar o mau, e assim por diante.

As sensações vêm antes, com as sensações sendo especificamente satisfeitas dentro do desejo. Mas, para ser satisfeito, o desejo tem que mudar a influência da Luz, indo da recepção à doação. Nesse nível ele começará a sentir a satisfação espiritual – satisfação pela qualidade de doação, satisfação em doar.

Desta forma, é proibido para nós lamentar o fato de que não entendemos o material que estudamos ou o jeito do nosso trabalho. A pessoa que pensa que entende qualquer coisa é uma tola. A pessoa que está orgulhosa de saber, entender, e perceber, e que deixa a aula cheia de energia, entendimento e orgulho, é aquela que tem que compreender quão baixa está nesse estado, pois não há oração ou pedido em o seu coração, e assim não progride.

Precisamente quando a pessoa experimenta a falta de satisfação, o sentimento de sua própria insignificância, a total falta de compreensão ou sentimento, e confusão, quando ela está num nevoeiro total e não entende o que está acontecendo consigo, aí é quando ela está no melhor estado possível para que a Luz superior a influencie. Esses momentos vêm a nós somente algumas vezes. A princípio nós não gostamos muito deles, mas depois começamos a dar valor a eles.

Assim, o que devemos preparar antes do estudo? É o desejo de mudança. Ao mudar nossas sensações iremos entender onde estamos e o que está acontecendo. Mas, primeiro precisamos sentir e estar no estado espiritual, isto é, viver em ações de doação.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 3/3/11, O Zohar

Tolerância Espiritual

Dr. Michael LaitmanTudo depende do quão capazes somos de suportar os desejos que se revelam em nós. No caminho espiritual a pessoa revela desejos maus, incorrectos dentro dela, mostrando o quão longe ela está do objectivo e quão oposta ela é dele. Mas se o seu ambiente age correctamente, então ela imediatamente descobre que tudo isto é para o seu próprio bem.

Desta forma, a minha vontade de suportar significa que eu me preparo a mim próprio para aceitar qualquer revelação do mal e transformá-la em bondade. Se, contudo, não estiver preparado para isto, então cada nova revelação do mal engana-me e eu não quero recuperar, caindo no desespero ou simplesmente não sabendo o que fazer. E é assim que a oportunidade que me foi dada é retirada.

A influência do ambiente que mantém a conexão com o objectivo, direcciona a pessoa constantemente para este objectivo. Esta é a preparação correcta, a vontade de tolerar (suportar). Se eu preparei esta força, então o mal revela-se em conformidade com ela e vejo-a como o elevador para ascender à bondade.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/03/11, Escritos do Rabash

Transformando A Multidão Em Um

Dr. Michael LaitmanHá uma lei: “Na vida espiritual, ‘siga o exemplo do indivíduo’, e na vida corpórea, ‘siga o exemplo do coletivo’”. No entanto, isso não significa que eu precise correr para uma praça da cidade, onde milhares de pessoas estão reunidas, e comece a perguntar o que elas querem, e comece a compartilhar seus desejos. “Seguir o exemplo do coletivo” significa preocupar-se com a unificação de muitas pessoas, porque somente através dessa unificação eu transformarei meu Kli (vaso), meus desejos.

Eu corro atrás deles, a fim de adicioná-los a mim e conectar-me aos seus desejos internos. Eu não olho para suas necessidades materiais e animais, mas me esforço em descobrir seus desejos internos, que os amarra em uma rede.

Se eu desejo me engajar nesta rede espiritual superior, que conecta tudo em um, isso é considerado “seguir o exemplo do coletivo”, onde o meu desejo é levar o coletivo à união e participar dela. Como resultado, a multidão se torna como um para mim.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/02/11, “A Liberdade”

Diagnóstico Espiritual – A Quebra Total

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se todo o nosso trabalho é encontrar o lugar da nossa quebra, o que nos falta fazer?

Resposta: Você simplesmente não quer encontrá-lo! Por que você iria expor a sua inveja e ódio? É muito mais fácil e seguro ficar indiferente.

A pessoa sente que os amigos, “os outros”, simplesmente não parecem existir. Na Cabalá, “o outro” é a pessoa a qual eu sinto como estando fora de mim. Eu sei que todo mundo supostamente deveria estar dentro de mim se a minha percepção da realidade fosse correta, mas eu os sinto como estranhos em relação a mim, alguém que está distante e é odioso. E isso me assusta: será que eu realmente odeio tanto assim as partes da minha própria alma? É exatamente assim que eu sinto a força da quebra. Eu sei que isso é uma mentira, e eu quero corrigir minha visão distorcida!

Tente se esforçar em ver que todos os amigos estão relacionadas a você.  O mundo todo já vê como isso é circular e interconectado. Mas nós não chegamos a essa conclusão a partir do lado de fora devido à falta de escolha. Isso é o que o resto do mundo faz, recebe golpes que apontam para a interconexão das pessoas. O nosso caminho é interno e, desta forma, aos poucos descobrimos que todos somos um só e estamos ligados a um sistema integral.

Sabendo de tudo isso, eu olho em volta e vejo pessoas que são estranhas para mim. Eu não sinto o que elas estão pensando, o que desejam. E mais, eu sequer me preocupo com elas; eu sou incapaz de manter o foco nelas, quanto mais senti-las. Nem mesmo uma só delas!

Em outras palavras, eu percebo que isto é a quebra total: eu estou doente, com uma doença horrível. Na verdade, eu vejo que perdi completamente a minha sensibilidade, minha capacidade de sentir todas essas partes que devem tornar-se minhas. Eu estou deteriorando como um cadáver. Afinal, a morte é quando a força da vida deixa o corpo e este começa a se transformar em pó. Eu sinto como se estivesse perdendo meus braços e pernas. Isso me deixa em pânico.

Eu posso ver e sentir tudo isso nos órgãos de percepção (Kelim) que se desenvolvem em mim graças ao estudo da Cabalá, e que no futuro se tornarão minhas qualidades de amor e doação. Mas o amor começa com a revelação do nosso ódio pelos outros, e nós começamos a odiá-los dentro de nós mesmos.

E agora eu estou vivendo esse ódio, a minha incapacidade de sentir o outro, porque eu não me preocupo com ele. E pior do que isso, eu meço o meu sucesso em relação aos fracassos deles. Quanto pior eles se sentem, melhor eu me sinto. Que percepção distorcida e perversa é esta, e como sou cego por pensar nos outros desta maneira.

O Rabash dá o exemplo da pessoa que repentinamente descobre que aquela criança da casa ao lado que a incomodou tanto é de fato seu filho. Essa imagem só pode ser consertada se você se esforçar em ver como todos no grupo estão ansiosos em corrigir esta distorção juntos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/02/11, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”

Não Há Nenhum Esquecimento Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Introdução, “O Segundo Mandamento”, Item 203: … Então, o temor se agarra de ambos os lados, do lado do bem e do amor e do lado do Din (rigor) duro, e ele está incluído neles. Se o temor está incluído no lado do bem e do amor, ele é amor completo, como deveria ser. … uma vez que existe amor somente em dois lados – GAR e ZAT de Bina – e o amor está incompleto em qualquer dos dois lados, a menos que haja temor em cada um deles, já que não pode haver Hochma sem Bina, que é o amor sem temor.

Isso explica a conclusão de todo o nosso trabalho: como alcançar o amor nos Kelim ou desejos de doação, e também nos Kelim de recepção. Em essência, isso já é a correção completa da criação em Malchut, a qual se une à Bina de tal forma que atinge Keter, onde a sua doação é perfeita em todos os seus Kelim.

Pergunta: O que é o temor?

Resposta: O temor é o primeiro mandamento, ou seja, a primeira correção que temos que passar. É a preocupação e o temor da pessoa: será que ela é capaz de alcançar a doação para com o Criador? Este é o temor: “Será que eu atingirei isso? Eu sou capaz disso? Será que algum dia eu desejarei isso?”. Então, a pessoa tem um trabalho.

Como regra geral, o nosso trabalho visa manter o que alcançamos. O Baal HaSulam escreve sobre isso na Carta nº 2 de 1920:

A sabedoria só vem com a experiência. Eu lhe aconselho a despertar o temor interno, pois o amor entre vocês pode esfriar, mesmo que a mente rejeite esta visão das coisas. De qualquer, você deveria atravessar essa dificuldade. Se alguém tiver a oportunidade de acrescentar mais amor, mas não o faz, isso será considerado uma falha.

É semelhante à forma como a pessoa dá ao seu amigo um grande presente. O amor por seu amigo, que se revela no momento da ação no coração do receptor do presente, não é semelhante ao amor que permanece em seu coração quando a ação for concluída. Dia após dia ele esfria, até que ele possa atingir o esquecimento total do presente do amor. Isto é porque a pessoa que recebeu o presente tem que inventar truques de forma a olhar para ele com novos olhos a cada dia.

A Espiritualidade é construída sobre o fato de que nós não esquecemos a inspiração que alcançamos, e nós constantemente mantemos a mesma inspiração enquanto a expandimos cada vez mais.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 13/02/11, O Zohar

Reincialização Da Percepção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na espiritualidade, por que nós temos que formar um desejo para cada novo prazer?

Resposta: Porque na espiritualidade não há prazer sem desejo. Sem desejar, você não conseguirá nada. E o desejo tem que ser novo a cada vez. Estes não são os desejos com os quais você nasceu no nosso mundo.

Quando nós nascemos aqui, nossos sentidos ainda não funcionam. Um bebê praticamente não percebe nada. Ele não ouve ou vê. Ele só tem algumas reações no nível animal. Então, nós imediatamente começamos a bombear e enchê-lo com os nossos programas de percepção.

Se nós dotássemos esta criatura que acabou de sair do ventre da mãe com outros programas, nós a transofrmaríamos em algo completamente diferente. Nós seríamos capazes de construí-la espiritualmente. Isso depende da educação, da criação, do método de desenvolvimento.

Com a nossa atitude desde o primeiro dia, nós criamos a criança para ser egoísta. Não obstante, ela está aberta a tudo: ela pode ouvir e ver de maneira diferente, pode perceber o mundo de forma oposta. No final, tudo depende do ambiente.

Agora, com a ajuda do ambiente, através do mesmo princípio, nós devemos transformar a nossa visão do mundo, a nossa atitude perante a vida.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/12/10, Escritos do Rabash