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A Espiritualidade Não Pode Ser Expressa Em Palavras

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu preciso me anular perante a opinião do professor, é correto que alguns amigos digam que eles só estão dispostos a fazer o que o professor lhes diz, mas não de qualquer outra supervisão?

Resposta: O professor não deve ser o administrador pessoal de alguém. Ele não deveria estar explicando a todos o que é que ele quer com eles. Ele pode ser quase tão oculto como o Criador e não dizer absolutamente nada. Quem estiver disposto pode anular-se por conta própria e revelar a opinião do professor.

Isso pode ser observado a partir do comportamento dos Cabalistas do passado, o grupo em Kotzk, ou o Baal HaSulam que só dava uma lição aos seus alunos uma vez por semana ou até mesmo uma vez por mês. O professor revela sua opinião ainda que levemente, e o resto é trabalho do aluno. Se o aluno compreende o que procurar, como revelar a opinião professor para ajudar a si mesmo em direção à meta, ele será capaz de fazê-lo. Caso contrário, ele não o fará.

A espiritualidade não pode ser expressa em palavras. Como você poderia explicar como direcionar o seu coração em direção à meta?

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/11Shamati # 25

Há Um Lugar Para Tudo

Dr. Michael LaitmanMesmo no mundo material, nós não temos qualquer oportunidade de nos transformar em uma nação que viva em seu próprio país, em sua própria terra, a menos que primeiro nos corrijamos espiritualmente. Somente as forças que descem do alto fornecem as condições materiais para nós aqui.

Em geral, nós devemos tentar compreender, da melhor forma possível, o que significa o mundo material. Ele não é a meta, mas o menor e mais externo meio para se começar a ascensão. Nesta realidade material extremamente falha, que repousa no nível mais inferior, devemos começar a executar a obra de união, a fim de entrar no mundo espiritual.

Depois disso, vamos recorrer a todas as outras nações e mostrar a elas este trabalho, para que elas também se unam umas com as outras. Como resultado, todos nós, o mundo inteiro se tornará um todo único, uma só família, e ascenderá ao seu nível espiritual. Essa é a única maneira de nós realizarmos a nossa predestinação, o propósito pelo qual nós existimos.

Nós temos que dar a tudo a sua devida importância: o nosso mundo em comparação com o mundo espiritual, a nação de Israel material em comparação ao seu análogo espiritual, o estado de Israel material em comparação à terra espiritual de Israel. Cada coisa deve ter seu próprio lugar conforme a meta final. É exatamente isso o que determina a importância de um objeto e os meios para utilizá-lo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/05/11, “Herança da Terra”

O Que É Uma Necessidade Espiritual?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é uma necessidade espiritual?

Resposta: A necessidade espiritual é o sentimento dentro de mim que me falta a aspiração em relação ao próximo, em relação ao Criador. É a sensação do quanto eu ainda estou desconectado em relação ao interior do sistema que eu imagino como o nosso desejo comum, o coração unido “como um homem com um coração”.

Eu estou atormentado do quão longe ainda estou desse estado e da revelação do Criador  no interior deste centro comum. É exatamente sobre isso que devem ser todos os meus sofrimentos. Eu devo sempre tentar verificar e ver o quanto posso aspirar a isso e quanto desejo alcançar isso o mais rápido.

Certamente, o ambiente tem que me ajudar a fazer isso. Ele deve estar imbuído pela atmosfera de uma busca espiritual comum, onde todos nós estamos nos matando simplesmente por este objetivo. E isso não tem qualquer relação com o que acontece em nossas vidas normais em nosso mundo. Esta é uma aspiração muito mais profunda e uma forma de seleção interna para avaliar uma pessoa e o grupo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/04/11, Escritos do Rabash

A Disseminação É Como Dar À Luz Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: A minha pergunta diz respeito à disseminação. Na escola, eu falo com meus colegas sobre a Cabalá. Há uma impressão de que eles estão interessados nela, o que cria um certo contato entre nós, mas assim que eles vão para casa, a atitude de desprezo das suas famílias e ambiente em relação à Cabalá estraga tudo. O podemos fazer para que estas famílias percebam a importância da meta?

Resposta: Eu não tenho certeza, pois nunca lidei com isso. Afinal, estamos falando do amor dos amigos e do amor dos outros não com estranhos, mas com aqueles que já se juntaram a nós.

A sabedoria da Cabalá ensina que devemos disseminá-la passivamente, sem forçar ninguém a ela. Eu preciso fornecer certas informações à pessoa: porque o mundo está sofrendo, qual é a causa disso, para qual direção estamos indo, e porque as crises ocorrem.

Também tentamos explicar a ela que tudo isso está acontecendo devido ao programa da natureza, de modo a demonstrar-nos que a evolução egoísta da crescente curva exponencial atingiu o seu ponto final e agora estamos caminhando para a ruína. Isto significa que iremos sentir a dor e os problemas (possivelmente graves), visto que o nosso desenvolvimento egoísta acabou, e precisamos superar o ego.

Este é o tipo de informação que precisamos para disseminar ao mundo. Mas se eu começar a falar com as pessoas sobre isso, vai demorar muitas horas para explicar as coisas a elas, até que elas compreendam. É por isso que disseminamos a sabedoria da Cabalá de maneira passiva, através de livros ou pela Internet, e aqueles que se interessam por ela, e sentem que ela satisfaz certa necessidade neles, vão nos encontrar.

Nós estamos no campo da força superior, em um campo de Luz. E se a pessoa tem uma inclinação para a correção pessoal e um tipo de tendência à unificação, à espiritualidade, o que equivale ao amor aos outros, à doação ao Criador, ela encontrará as nossas fontes. Não há absolutamente nenhuma necessidade de chegar às pessoas, pressionar, e começar uma enorme propaganda.

Você pode conversar com os amigos sobre a Cabalá, o que não é proibido. Mas se você perceber que depois eles imediatamente se esquecem ou perdem o interesse nela, ou se eles mudaram rapidamente o pensamento, mesmo que inicialmente concordassem com alguma coisa, tudo isso é um sinal de que esta sabedoria provavelmente não é para eles.

Se eu estivesse no seu lugar, eu lhes daria um livro para ler que, em sua opinião, melhor lhes convêm. Tenha uma pequena biblioteca em casa. Eu sugiro que todo mundo faça o mesmo.

Todos aqueles que estudam a Cabalá devem ter uma coleção completa de nossos livros. Além disso, mantenha três ou cinco livros mais adequados para iniciantes e empreste-os a outras pessoas para ler um por um, e depois que elas terminarem pegue-os de volta. Então você vai ver se elas mostram algum interesse ou não.

Um livro tem um poder exclusivo. E mesmo que eu costume ler e trabalhar com um texto em um computador, eu ainda mantenho um livro na minha frente. Ele tem uma raiz espiritual, que o computador não tem.

Mas o que eu realmente aprecio neste jovem e o elogio por isto é seu desejo de disseminar a sabedoria da Cabalá. Ele é tão grande! E nós devemos seguir seu exemplo.

Cada um de vocês deve verificar o que pode fazer na disseminação, visto que quanto mais você dissemina a sabedoria da Cabalá, mais internamente enriquecido você se torna. Em correspondência, quanto mais pessoas recebem o conhecimento do mundo espiritual ou a realização espiritual através de você, o mesmo grau de realização espiritual também passará por você. É como se você desse a luz a elas, e elas se tornassem seus filhos mais tarde, o que estimula seu crescimento.

E a pessoa que não aproxima ninguém da sabedoria da Cabalá e não impacta ninguém espiritualmente neste mundo é semelhante a alguém que nunca deu vida a ninguém e não tem continuação. Cada um de nós deve se tornar um disseminador.

Da Lição 5, Convenção NÓS 02/04/11

O Ponto De Entrada Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é que está escrito que “este mundo foi criado somente para Israel” em vez das nações do mundo, embora as suas correcções sejam o objectivo da criação?

Resposta: Devemos seguir as definições científicas da sabedoria da Cabalá. O “mundo” (Olam) significa “oculto” (Alama). Aocultação foi criada apenas para Israel, aqueles que aspiram “directamente ao Criador”. Aqueles que desejam atingir o Criador precisam de atravessar ocultações, sofrimentos, e choques de forma a construírem dentro de si mesmos uma forma negativa oposta ao Criador e então desejarem alcançar a qualidade do Criador: doação afastada da recepção.

Este é o ponto que precisamos alcançar. Entretanto, o nosso desejo não deve ser semelhante ao do Criador em toda a Sua força. De maneira alguma! Você pode ter um desejo que pese apenas 1 grama, mas ele deve ser correcto! Um desejo correcto significa que você sente o que significa estar afastado da recepção. Esta qualidade é a mais importante, e precisamos de a experienciar.

Afinal de contas, por enquanto somos capazes de dar apenas se vemos um benefício. Como está escrito, nós “trocamos uma vaca por um burro”, à medida que recebemos o que consideramos preferível. Por exemplo, um livro é para mim mais importante que dinheiro. Então dou o dinheiro e recebo um livro. Isso se chama aquisição.

Mas porque é que é uma aquisição? Você não pagou? Você não deu o seu dinheiro? Não. Aquilo que eu dei é menos importante para mim que aquilo que recebo. Se eu precisasse de dar algo de igual valor em troca, seria incapaz de o fazer. Eu preciso sempre de imaginar que aquilo que recebo é para mim preferível que aquilo que dou. E quanto maior a diferença entre eles, mais me satisfazem, uma vez que me beneficio disso: “Olhe o que encontrei! Foi quase grátis!”.

É assim que você vive: a sua satisfação deve ser o mais preferível possível em relação àquilo que você dá em troca. Então isso não é chamado de doação.

Como é que uma pessoa sente a separação da recepção, de forma a dar e não a receber algo em troca? Estou disposto a trabalhar sem receber nada em troca se eu acreditar que assim ganho para mim o outro mundo. É como se abrisse uma conta no futuro e fizesse lá pagamentos. Isto é ainda mais crível: ninguém o tirará e nada será perdido como neste mundo.

Mas como é que você sente que está completamente fora do resultado de doar, que não se beneficie de forma alguma dele, e está completamente isolado de si? Você trabalha arduamente toda a sua vida, e ninguém, incluindo o Criador, sabe nada sobre você. Mas você sabe; você trabalha e deseja permanecer apenas nisto. Contudo, se você trabalhar de forma a não sentir culpa, este é o seu pagamento.

Assim, como podemos afastar-nos dos desejos de recepção? Você precisa sentir este afastamento como tão pequeno quanto uma grama, e isso é tudo; você não precisa nada mais que isso. Então você está pronto para a revelação. Afinal de contas, isso já é uma imagem da qualidade genuína de doar, uma imagem do Criador.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/4/2011, O Zohar

A Base Da Cabalá

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá é oposta à opinião do leigo, porque a espiritualidade é oposta à materialidade. A espiritualidade concentra-se exclusivamente na doação, enquanto que a materialidade refere-se à recepção, de acordo com suas correspondentes intenções. Apesar de julgar a partir das ações da pessoa, isso nem sempre é claro.

Na espiritualidade, é fundamental nunca dividir a criação em diferentes forças, opostas e contraditórias, mas sim atribuir tudo a uma única força: “Não há outro além Dele”. Essa é a base da Cabalá.

Portanto, nós devemos atribuir a uma única força o que nos parece bem e mal, em todos os graus. A pessoa deve se ver segurando duas rédeas: a força do bem e a força do mal. O Criador segura essas duas rédeas do Alto: o bem e o mal, e através delas conversa com o homem, a fim de ensiná-lo.

É preciso entender que a atitude do Criador chega até a pessoa dessas duas formas, isto é, que a mesma força superior está agindo, seja com a sua frente ou com a parte de trás: o Criador ou Faraó. Então, a pessoa cresce com a ajuda das duas forças, e é grata tanto pelo mal quanto pelo bem. Afinal, ambos vêm para aproximá-la da adesão com a força superior.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/04/11, Escritos do Rabash

Anular O Ego Para Crescer

Dr. Michael LaitmanPergunta: A vida material me diz para ser um líder, expressar-me e alcançar meus objetivos. Na espiritualidade, eu devo dissolver-me no grupo. O que está por trás dessa contradição?

Resposta: Conectar-se com o grupo não significa que você está se anulando. Você só recebe dos amigos a força que o ajuda a cultivar o seu Ego. Como uma gota de sêmen que se adere à parede do útero, você se anular apenas para receber o alimento, forças de crescimento. Mas é isso o que cresce e não nada mais.

Eu anulo parte de mim mesmo para receber a força do Partzuf superior, mas isso ainda não é suficiente para me controlar; pelo contrário, com a sua ajuda eu devo evoluir, elevar o meu Ego. Caso contrário, não haverá crescimento, e na próxima fase, não serei capaz de agarrar-me à parede do útero.

Há dois opostos combinados aqui. Por um lado, eu renuncio a mim mesmo diante da mãe, para que eu não me torne um corpo estranho como causa de toxicidade. Por outro lado, anulando-me, eu recebo o sangue da mãe e cresço graças a isso. São minhas propriedades e genes que desenvolvem, na medida em que eu posso até ser do sexo masculino, embora ela seja do sexo feminino.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/11, “A Liberdade”

Por Que É Tão Difícil Perceber A Espiritualidade?

Dr. Michael LaitmanA resposta é simples: porque a espiritualidade é oposta a nós, à nossa essência, à nossa natureza egoísta. O egoísmo nos governa; nós desejamos satisfazê-lo. Assim, como resultado de tudo que nos rodeia, nós somente vemos o que desejamos ver em nosso egoísmo: algo agradável ou, no máximo, ameaçador.

É por isso que a pessoa que deseja revelar o mundo superior, descobrir o que a cerca, mas que permanece despercebido em sua percepção egoísta, precisa se reconstruir. Por essa razão o ambiente é tão crítico para a pessoa: ele ajuda a reconstituir a percepção da pessoa, a atraí-la para a importância de perceber o que é desagradável ao egoísmo, o que é oposto a ele. Então, a pessoa será capaz de testemunhar um mundo extenso que sempre a cerca. Isso é chamado de mundo espiritual porque está acima do egoísmo da pessoa.

Parece-nos que nossos pontos de vista são resultado de nossas experiências, mas eles são resultado do acúmulo de informação conveniente para nosso egoísmo. E não faz diferença o que eles dizem, se for verdade ou mentira: para nós a verdade é o que coincide com nossa opinião: o egoísmo.

Nós sempre olhamos somente para o que apoia nossa opinião, e rejeitamos o que se opõe a ela. Em última análise, nós nos formamos e não desejamos mudar. Somente o sofrimento (as tentativas de encontrar o sentido da existência) e um forte ambiente espiritual (o grupo) ajudarão a pessoa a se tornar objetiva, a substituir a percepção egoísta com a opinião do ambiente. Então, o mundo superior que sempre existiu a seu redor se abrirá para ela!

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Dr. Michael LaitmanPergunta: Minhas sensações e estados espirituais são refletidos na realidade que observo ao meu redor. Isso significa que eu posso julgar a internalidade baseado na exterioridade?

Resposta: De forma alguma! Como se diz: “O mundo vive de acordo com um plano”. No mundo material eu atravesso vários estados e relacionamentos; alguns são mais agradáveis ​​do que outros, mas eu não consigo identificá-los com “rótulos espirituais”.

Eu tenho que me agarrar ao meu objetivo espiritual, acima de todas as sensações do mundo corpóreo. Mesmo que o Criador faça algo terrível para mim, eu ainda tenho que me agarrar a isso.  Eu não sei porque isso acontece e porque está acontecendo comigo. Estou unido com outras almas, eventos e estados que não tenho idéia de como se passam.

Hoje ainda me falta a sensação de todo o sistema que me permite investigar estes assuntos. É bobagem eu pensar que posso traçar uma ligação entre a espiritualidade e a corporeidade. Eu não sou um especialista em nenhuma delas.

Nenhuma ferramenta de busca está disponível para mim neste momento: eu não possuo o intelecto, a sensibilidade, ou o insight. Eu não posso observar os sistemas (mundo) superior e inferior, nem posso traçar qualquer conexão entre eles. Isso ainda está muito distante de mim. Até mesmo no nível espiritual mais simples eu não compreendo isso. Eu ainda não consigo entender porque ele se baseia na anulação do ego de cada um. Sou incapaz de esclarecer isto, pois ainda não tenho esse desejo, embora queira ser incluído no sistema superior.

O que eu tenho, exceto o egoísmo? Existe alguma coisa que eu tenho que alcançar, exceto a doação? Para isso, eu tenho que anular o meu ego e realizar trabalhos internos no grupo com os meus amigos. Nós construímos nossa unidade interna para obter uma força comum que existe fora de cada um de nós e pertence a todos nós.

Por que eu fantasio sobre a essência espiritual oculta de uma doença, problemas familiares ou financeiros, ou conflito com meu chefe? Isso é um absurdo! Eu ainda não estou pronto para esses tipos de cálculos.

Um novo computador é apenas um pedaço de metal até eu instalar o sistema operacional, ligá-lo, executar o programa e inserir dados. Só quando eu me familiarizar com o software é que poderei começar a trabalhar com ele.

Por enquanto, nós não temos os Kelim (o computador), sem mencionar o software! É por isso que não podemos compreender a interioridade observando a externalidade.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 04/11/10, Escritos do Rabash

Nós Construimos A Espiritualidade Por Nós Mesmos!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando estamos a educar uma criança, fazemos o nosso melhor para a preparar para a vida neste mundo. Porém, como podemos entrar no mundo espiritual se não fazemos ideia de como ele é?

Resposta: Uma pessoa que, depois de deixar a casa dos seus pais, entra na idade adulta e quer ter sucesso nela pode apoiar-se na experiencia de vida de outras pessoas. Não interessa o que ela queira ser, quer seja um ladrão, um padre, um cientista, ou apenas um vendedor no mercado. Todos estes modelos podem ser encontrados na sociedade.

Contudo, uma pessoa que queira avançar espiritualmente não tem quaisquer exemplos ou suporte. Ela deve construir o seu ambiente por si mesma. Afinal de contas, a única coisa que preenche toda a realidade é a Luz superior, e não há mundos sem uma pessoa.

No instante que eu activo o meu desejo pela espiritualidade, eu imediatamente disponho todos os mundos entre eu e o Infinito. É como se eu ergue-se uma escada conduzindo ao mundo espiritual que existe apenas na forma de Reshimot, genes de informação espiritual.

No artigo “A Matéria da Realização Espiritual” do livro Shamati, o Baal HaSulam escreve que todos os mundos, com seus múltiplos níveis, existem apenas em relação às almas. Por isso, não posso exigir, como fazemos no nosso mundo, ser ensinado como comportar-me na espiritualidade. Eu tenho de formar um mundo espiritual, que não existe, por mim mesmo.

É meu trabalho visualizar como o superior se relaciona comigo e como eu me relaciono com ele. Se aquilo que vejo na minha imaginação corresponde às Reshimot, então tudo é maravilhosamente disposto nesse mesmo instante, de acordo com a lei de equivalência de forma. Se isso não ocorre, a realidade espiritual não existe para mim.

Afinal de contas, ela existe apenas em relação à pessoa que a revela, constrói, e forma. Por outras palavras, nós somos aqueles que devemos construir o mundo espiritual, e precisamos nos voltar ao Criador com um pedido que corresponda precisamente àquilo que está definido pelo Alto nas Reshimot.

Assim, em hebraico o Criador é visto como Boreh (Bo é “vjaenha” e Reh é “vê”) uma vez que é você que O está criando. Você é aquele que constrói esta forma.

Da Lição Diária de Cabalá 18/3/11, Escritos do Rabash