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Escolha Do Grupo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante um dos programas, ao falar sobre o sistema de ensino superior, você enfatizou que é muito importante para um indivíduo participar de vários cursos pessoalmente e escolher aquele que ele sinta mais próximo de si.

Digamos que no curso de formação integral nós formemos grupos com base nas propriedades internas das pessoas. Nós devemos proporcionar-lhes a oportunidade de visitar outros grupos e encontrar o que realmente lhes convém? Ou, inversamente, devemos definir uma condição desde o início que seja melhor para ele estudar precisamente num determinado grupo e não em outro?

Resposta: Eu acho que a composição de grupos físicos para estudos presenciais deve ser fixa. Mas, claro, também é possível haver casos especiais quando uma pessoa muda de um grupo para outro.

Mas eu duvido que a transição para um grupo diferente seja fácil para uma pessoa que já aderiu e está interagindo com um grupo onde os estudos são combinados com a prática, discussões e exercícios de interações. Ela não seria capaz de fazer isso até começar (o qual levará certo período de tempo) a entender a integralidade, e a interação correta e fácil com os outros, independente de seu nível de percepção, seja ele emocional ou intelectual.

Eu acho que a fase inicial, que dá à pessoa a liberdade de seu próprio eu através da influência do grupo, deve ser rigorosamente fixa.

Da “Discussão sobre Educação Integral”, 13/12//11

Os Elementos Da Formação Do Grupo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante um dos programas anteriores, você mencionou que é melhor começar um curso sobre educação integral com a história do desenvolvimento do egoísmo e só depois introduzir os cursos sobre percepção da realidade e psicologia. Do seu ponto de vista, em que ordem essas disciplinas devem ser adicionadas?

Resposta: Eu acho que isso também depende das pessoas que se inscreverem. Devemos organizar esses grupos por tipos. Afinal, uma massa de pessoas tem suas próprias leis: um indivíduo influencia o outro. Às vezes, uma pessoa entre cinquenta poderia facilmente quebrar todo o nosso sistema com suas observações e desviar todos para uma direção completamente diferente, seja com o niilismo, o fanatismo, ou qualquer outra coisa.

Isto é, inicialmente, devemos formar grupos de pessoas, considerando quem elas são, sua visão geral do mundo, a compreensão da vida e a filosofia. Elas poderiam ser simples pessoas comuns, donas de casa, engenheiros e técnicos, cientistas ou pessoas das artes.

É por isso que os grupos precisam ser organizados de acordo com a composição das pessoas e sua percepção inicial do mundo, embora essa percepção seja imposta, evocada e acumulada nas pessoas através de relações distorcidas em sua ocupação, sociedade, e assim por diante. Mas precisamos levar isso em conta, porque é o material que temos para trabalhar. Nossa tarefa é levá-las a um denominador comum já que, em última análise, esperamos que todas essas pessoas estejam conectadas através de uma base comum de conhecimentos, sentimentos e compreensão.

No final, teremos vários protótipos de grupo, que precisamos para ter um tipo de forma comum através do processo de estudos. E cada um desses grupos terá o seu próprio caminho para esse denominador comum.

Naturalmente, alguns grupos perceberão o material de estudo de forma mais emocional, enquanto outros de forma mais árida, científica e técnica. Alguns grupos vão percebê-lo no nível do seu desenvolvimento egoísta, sem transcender sua referência atual (embora de forma alguma eu queira dizer para diminuir essa parte da humanidade), enquanto outros grupos se esforçarão exatamente para análise, obtenção e realização deste processo ao máximo, tanto em si mesmos e nos outros.

Ou seja, o conjunto de disciplinas deve ser praticamente o mesmo para todos os grupos, mas em grupos diferentes cada disciplina precisa ser desenvolvida com uma profundidade variável. Os cursos precisam seguir um ao outro, com exceção do curso sobre o desenvolvimento do egoísmo, que continuará durante todo o estudo, até o seu fim e permanecerá com a pessoa após a conclusão dos estudos.

Depois que a pessoa é “liberada” para a vida, ela não vai parar de trabalhar com as informações que recebeu, o que significa que é como se ela ainda continuasse o nosso curso. Estes cursos são praticamente infinitos, porque temos que chegar a uma união completa com a natureza. O trabalho da pessoa em si mesma não se restringe a um segmento definido de tempo, onde ela apenas passa nos exames e pronto. Ela está realizando exames a cada minuto de sua vida, tentando encontrar o ponto de equilíbrio consigo mesma, seu ambiente e natureza, onde ela sente um completo conforto.

Nós precisamos ajudar continuamente a pessoa e acompanhá-la toda a sua vida através da mídia, da educação por meio de sistemas virtuais, televisão e rádio.

É por isso que não eu não posso nomear a sequência exata na qual organizar os cursos e em que medida cada um deles deve ser sujeito à elaboração ou truncamento, por exemplo, um curso sobre psicologia ou sobre a mecânica de desenvolvimento egoísta. Deve haver apenas um resultado: uma forma comum em cada grupo que inicialmente seja composto de pessoas que são mais ou menos semelhantes em seu nível social, desenvolvimento e atitude para com o mundo em que se encontram.

Naturalmente, mesmo dentro dessa comunhão elas ainda vão se diferenciar com base no nível de sua participação no processo integral de unificação e apoio mútuo. Existem grupos menores que participam num pequeno nível egoísta e, consequentemente, pequeno nível emocional e mental de desenvolvimento. Há grupos mais avançados. Então, não podemos excluir a existência de tais grupos que poderiam ser considerados não só pelo seu nível de egoísmo, mas também por sua sensibilidade e inteligência.

Nós temos um monte de trabalho de estatística e de diagnóstico à nossa frente na análise e síntese de todos os grupos. Em si mesmo, este é um desafio psicológico muito interessante. Eu acredito que um dia este grande campo será incluído na ciência da concórdia integral da humanidade.

Da “Discussão sobre Educação Integral”, 13/12/11

Lições Sobre Um Novo Mundo: Conectar Todo O Conhecimento Em Um

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde nós podemos encontrar especialistas que irão conectar diferentes assuntos em conjunto, tais como psicologia, sociologia, e assim por diante? Nós podemos convidar um psicólogo que vai falar sobre seu assunto, mas onde podemos encontrar pessoas que conseguirão ver todo o quadro e serão capazes de conectar todos os temas juntos?

Resposta: Eu acho que um aluno que estude esses assuntos simultneamente vai começar a conectá-los em um só. No entanto, é claro, deve haver um outro assunto que conecte tudo em um, especialmente através da discussão.

Eu acho que nós podemos adaptar os artigos do Baal HaSulam, omitindo tudo que tenha a ver com a Cabalá ou religião, de modo que tenhamos uma grande quantidade de material que conecte tudo num único quadro. Ele conteria tal poder interior que permitisse que a pessoa aplicasse todos os conhecimentos adquiridos anteriormente.

A mesma coisa acontece quando eu uso todo o conhecimento que adquiri anteriormente, embora eu estudasse sem saber nada sobre a Cabalá. Agora, usando as ferramentas dadas pelo Baal HaSulam, eu vejo os mesmos princípios na eletrônica, física, química e medicina. Isso me permite conectar todas estas ciências juntas. Eu acho que nós podemos conseguir isso simplificando nossos materiais.

É claro que se um capítulo de um livro sobre educação integral é dedicado a história, é preciso duas pessoas para trabalhar nele: um historiador, um especialista neste assunto, e um Cabalista, alguém que possa ver toda a imagem. Todos os materiais de estudo e os programas devem vir de nós.

Mesmo um curso de fisiologia e psicologia devem ser estudados na estrutura estabelecida por nós, porque ninguém precisa estudar o esqueleto humano simplesmente por conhecimento. Nós devemos extrair apenas o conhecimento básico, geral dessas ciências.

De “Lições Sobre um Novo Mundo” 01/12/11

Não Tenha Vergonha De Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: A pessoa moderna acumulou uma riqueza com várias limitações: ela foi impedida de expressar seus sentimentos, eles foram banalizados, e assim por diante. É por isso que sua reação normal a algo novo é negativa. Inicialmente, uma batalha dentro da pessoa sempre ocorre, entre um interesse por algo novo e um medo dele. Como nós podemos manter o interesse da pessoa apesar de seu medo e resistência?

Resposta: Quando começarmos a falar de uma pessoa, sua fisiologia, psicologia, sociologia, relações familiares e assim por diante, nós precisaremos fazê-lo objetivamente, de forma abstrata, e não em relação à própria pessoa. Somente depois devemos gradualmente incluir exemplos: aqui está um homem, uma mulher, uma criança; aqui está uma pessoa como ela é, ela reage a si mesma de certa maneira e é composta de certas imagens de percepção, visão e assim por diante. Em outras palavras, nós começamos a falar de algum objeto abstrato e, gradualmente, trazemos esse objeto para a própria pessoa. Acho que desta forma não vamos ter problemas.

A questão é que a pessoa moderna não sabe nada disso. Nós escondemos nossa natureza, temos vergonha de nós mesmos, vergonha diante dos outros, temos medo de mostrar qualquer tipo de fraqueza, porque pensamos que os outros poderiam tirar vantagem disso. Eu tenho que mostrar que estou firme como uma parede atrás de minhas opiniões imutáveis, as quais eu realmente não tenho de todo.

Quando nós gradualmente revelamos o que significa o homem, a sociedade e a natureza em sua forma global e geral, pouco a pouco nós nos acostumamos com o fato de que somos da maneira como somos criados: não sou eu, e tudo em mim funciona independentemente de mim.

Então, o que exatamente é esse “eu”? O “eu” é só aquele que pode pesquisar o que é criado nele pela natureza.

Como médicos que não têm vergonha na frente uns dos outros ou de seus pacientes, ou psicólogos que podem expressar os seus próprios sentimentos, e os de outras pessoas, sem constrangimento, entendendo que tudo isso é uma realidade objetiva, nós, também, somos da maneira que somos. Da mesma forma, nós também precisamos levar a pessoa a tal estado.

Tudo precisa ser baseado precisamente no fato de que a próxima etapa do nosso desenvolvimento é a integração completa de todos em tudo, quando todas as partes da natureza são incorporadas na pessoa, a pessoa dentro delas, e as pessoas umas nas outras, e junto com a natureza nós representamos um todo orgânico.

Nesse caso, não há nada aqui que eu tenha que esconder, me envergonhar, ou tentar ocultar dos outros. Eu devo finalmente chegar a um estado onde, ao contrário, sou obrigado a me revelar totalmente e estar conectado a todos.

É como uma criança que está nos braços de sua mãe: ela não é ninguém, mas concentra toda a atenção da mãe sobre si, e do ponto de vista da natureza, em relação à sua mãe, ela não tem absolutamente nenhuma barreira, fronteira ou tela; pelo contrário, existe uma ligação completa. Nós também, como resultado da nossa educação e criação integral, precisamos alcançar uma conexão no futuro.

É por isso que o nosso fluxo no ensino, experimentando esses cursos, em sua estrutura e interconexão (onde um curso começa e outro termina, ou alguns deles vão em paralelo) precisa ser estruturado precisamente assim: ao longo do eixo do tempo. Os cursos devem se complementar e seguir de forma consecutiva ou sobrepor-se uns aos outros para que as pessoas desenvolvam gradualmente uma atitude correta consigo mesmas, com outros alunos estudando em grupo, e com o mundo inteiro.

Da “Palestra sobre a Educação Integral”, 13/12/11

Mudar Para Doação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós estamos apresentando uma nova ideologia para a humanidade: a transição da separação e competição para a união e preocupação mútua, a fim de suprir as necessidades vitais e sociais de cada pessoa. Isto significa que precisamos oferecer às pessoas um novo paradigma das relações sociais. O que vai atraí-las para isso? O que vai acontecer com a enorme massa de pessoas que ficarão sem emprego ou trabalharão apenas em meio expediente?

Resposta: Elas aprenderão a participar de diferentes atividades voltadas à aquisição gradual do desejo do nível humano e sua satisfação.

Pergunta: Mas elas não querem isso ….

Resposta: Eles querem viver e desfrutar, além de prover suas necessidades básicas. Cada pessoa tem um grande vaso de desejo. Sua parte inferior pertence às necessidades básicas – vamos chamá-las como um todo de “alimento”. Este é o nível animal, os desejos que têm a ver com comida, sexo e família.

Acima disso estão os supostos “extras”: desejos de riqueza, honra e conhecimento, que dizem respeito ao nível humano. E aqui me dizem, “Você precisa preencher toda essa parte com doação ao próximo. Tudo que você queria antes, agora precisa ser direcionado para beneficiar os outros. Só assim você será capaz de receber satisfação nesta parte do vaso.

Hoje, as pessoas vivem para satisfazer suas próprias necessidades. Nossas necessidades básicas serão satisfeitas mas, em todos os aspectos, a pessoa experimentará o vazio: “Meu corpo está satisfeito, mas e agora?”. A pessoa não recebe nada a mais por causa da crise. Isso vale até mesmo para aqueles no topo, já que eles também vivem dos lucros, que desaparecerão à medida que a bolha econômica se esvaziar.

Então, do que eu posso receber prazer como ser humano? Eu comi e agora? É aí que ocorrerá uma substituição da satisfação. Enquanto antigamente cada um queria se destacar, mostrar o quão bom, forte e rico ele era, para que os outros tivessem inveja dele, agora esse já não será o caso. O globo terrestre não se destina a suprir eternamente estes nossos jogos. A partir de agora, a satisfação do nível humano será alcançada mediante a preocupação com a humanidade. Já não podemos cavar longe um do outro; agora, ao contrário, é preciso satisfazer uns aos outros.

Esta é a única solução e ela nos é oferecida pela ciência da Cabalá. Você pode satisfazer a todos, inclusive você mesmo, em prol da doação; e, em prol da recepção, você não será capaz de satisfazer-se nem mesmo um pouquinho.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/12, “A Liberdade”

A Necessidade De Uma Compreensão Contemporânea Do Mundo

Dr. Michael LaitmanOpinião: (Nikita N. Moiseev, acadêmico da Academia Russa de Ciências): “Eu espero que no futuro próximo nossos professores tenham a necessidade de um [uma instrução ou estudo preparatório] curso propedêutico: “Compreensão Contemporânea do Mundo”. Isto se deve ao fato de que a crise nas relações entre a natureza e a sociedade é crescente, e a demanda social por educação, que vai muito além do restrito profissionalismo, está também aumentando.

“Uma pessoa moderna deve ver o mundo em sua totalidade. Apenas a compreensão de uma lógica geral do desenvolvimento do mundo em que vivemos irá ajudar a superar as conseqüências desastrosas da implacável crise que se aproxima, e talvez até mesmo evitá-la!

“Esse curso deve preceder o estudo das ciências sociais e filosofia, para os quais é necessária uma introdução. Ele é particularmente necessário aos especialistas do futuro em ciências humanas e sociais, para quem as ciências naturais e a ecologia estão na periferia dos seus interesses.

“Futuros engenheiros e físicos também precisam dele, porque as ciências naturais e os departamentos de engenharia não têm o conhecimento geral sobre os processos de desenvolvimento do mundo contemporâneo e os processos de cognição, embora esses profissionais tenham de resolver muitos problemas da moderna ecologia, política e ética”.

Meu comentário: O curso “Compreensão Contemporânea do Mundo” é exigido por todos, pois a própria causa dos nossos problemas é a falta de compreensão do significado, razão, processo e propósito da vida, que a pessoa só consegue entender estando familiarizada com a estrutura do mundo. Esse curso está sendo criado agora por nossa organização. Nós esperamos que ele seja basicamente concluído e oferecido dentro de meio ano.

Não Há Ser Humano Sem Conhecimento

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o propósito de obter conhecimento no novo sistema de educação integral?

Resposta: É impossível fazer um humano a partir de um estudante sem conhecimento, ou seja, a consciência, o entendimento e sua participação voluntária no processo de distinguir o ser humano do animal. Tendo recebido conhecimento sobre o mundo, ele saberá onde vive, como é governado, e como deve agir. A meta é tornar cada um parte da humanidade integral, para que ele possa ver que é impossível de outra forma, e que ele precisa participar em tudo junto com os outros e ser parte de um quadro completo.

Mesmo se ninguém disser a ele, ele verá que não há outra maneira, porque nós damos à pessoa a educação integral. Com base nesse conhecimento, ele precisa gradualmente chegar às suas próprias conclusões. E o treinamento prático lhe dará as emoções e sentimentos apropriados, isto é, nós trabalharemos em paralelo tanto com a mente como com o coração.

Das “Lições sobre o Novo Mundo” 01/12/11

De Volta À Escola!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em nossa metodologia de educação integral das crianças, existe alguns princípios fundamentais: educação separada para meninos e meninas; os mais jovens são ensinados por seus colegas mais velhos; crianças aprendem “num círculo” e através de discussões. Atenção particular é dada à educação prática e realista, em oposição à sua parte abstrata. Esses princípios são diferentes de qualquer forma para os adultos?

Resposta: Praticamente não, porque com relação a isso nós somos totalmente como crianças que estão prestes a dominar algo novo. Nós estamos agora começando a revelar um novo mundo, uma nova vida, e uma nova atitude para com ela. Nós temos que mudar e revelar um mundo novo para nós. Nós somos como crianças que têm que entender esse novo mundo integral que está se aproximando de nós.

Para evitar experimentar essa abordagem como uma crise moderna, todas as nossas ações devem ser dirigidas para entrar num estado de harmonia com esse mundo integral.

Hoje, a natureza está começando a nos tratar como um sistema integral, interconectado e reciprocamente equilibrado no qual todas as partes existem em equilíbrio, apoio, e concessões mútuas. Nós somos o elemento mais importante nesse sistema! Para isso, nós precisamos trabalhar duro em nós mesmos e entender que tudo isso não é algum capricho, invenções ou especulações filosóficas de alguém, mas verdadeiramente uma lei da natureza.

Essa lei se realiza de forma gradual e inevitável dentro da sociedade humana, exceto se não correspondermos a ela. Digamos que alguém está tentando nos inserir numa estrutura circular, mas nossa forma é quadrada e não pode funcionar dentro de uma estrutura redonda – aí reside a crise. Assim, todos os adultos terão que se sentar novamente nos bancos escolares e aprender a viver num novo mundo, se preparando para ele.

Pergunta: Você falou sobre o fato de que baseado em sua experiência com a educação de crianças em seu centro, as aulas precisam ser dadas num círculo e filmadas em para que as crianças possam mais tarde ver como elas se parecem vistas de fora. Esse é uma metodologia muito efetiva. Pode-se aplicá-la aos adultos?

Resposta: Você pode aplicar absolutamente o mesmo método, porque a idade não importa. A única coisa que importa é nosso status com relação a esse novo mundo, o novo sistema social no qual precisamos entrar. Com relação a isso todos nós somos crianças, e temos que estudar e, gradualmente, nos transformar, nos moldar para corresponder a ele.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Um Jogo Como Oportunidade De Auto-Expressão

Dr. Michael LaitmanPergunta: No sistema integral de educação para crianças, os grupos não devem ser grandes, apenas com cerca de dez pessoas, duas das quais são instrutores. Este princípio também vale para os adultos?

Resposta: É muito mais fácil com os adultos, uma vez que eles são pessoas mais responsáveis. Eles se concentram alegremente no instrutor e participam das discussões com ele. Um instrutor é mais do que suficiente para 30-40 pessoas, ou talvez dois para 50 pessoas. Você não precisa manter os adultos unidos, motivá-los, ou ser brincalhão com eles, mas apenas educá-los na forma de um jogo. Essa é a primeira coisa.

Em segundo lugar, precisamos entender que as pessoas devem passar por uma transformação interior muito séria. É um tremendo trabalho psicológico da pessoa no seu próprio eu; é sua introdução em si mesma: Quem sou eu? É por isso que é necessário filmá-la neste jogo para que ela se veja de fora.

Afinal, nós estamos jogando o tempo todo. Eu represento certa imagem que eu vi há muitos anos atrás, adotei-a e estou recriando-a hoje. É assim que conduzimos a nós mesmos. Isso está claro na psicologia. É por isso que a tarefa mais importante nesses cursos práticos é prover a pessoa com o máximo sortimento dessas imagens para que ela possa reproduzir depois.

Baseado no fato de que a pessoa as criará e controlará, ela entenderá quem realmente ela é, porque suas faculdades e atributos interiores constantemente se revelarão em relação à imagem que ela representou no jogo. Essa distância, a diferença entre quem eu sou e o que estou interpretando, ajudará a pessoa a finalmente alcançar e conhecer a si mesma. Essa é a coisa mais importante. Então, ela vai realmente ser capaz de expressar a si mesma, suas qualidades internas, propriedades e talentos inatos. É aí que o mundo vai realmente tornar-se integral, porque cada um terá a oportunidade de se expressar.

Além disso, temos que preparar instrutores para a nova sociedade integral de todos e cada um dos nossos estudantes, mesmo os mais atrasados. A pessoa não tem o direito de ser apenas um aluno passivo e estudar somente para si: ela tem que estudar a fim de educar os outros. Ela tem que sentir que, na medida em que adquire essa nova forma de conexão entre as pessoas, ela mesma se torna parte ativa desta conexão e deve necessariamente levá-la adiante.

Assim, os estudantes que estudam conosco por meio ano a um ano devem necessariamente conduzir grupos de iniciantes. A princípio, claro, eles devem abranger apenas tópicos muito limitados e trabalhar com instrutores seniores. Para eles isso é totalmente necessário. É precisamente ali onde eles desenvolvem suas habilidades!  É exatamente assim que os outros aprendem com eles!

Nós não precisamos esconder o fato de que estamos preparando nossos alunos para se tornarem professores, e devemos colocá-los imediatamente numa estrutura de ensino apropriada. Primeiro de tudo, isso deveria forçá-los a estudar o material mais cuidadosamente e compreendê-lo melhor. Em segundo lugar, isso vai desenvolver uma conexão mais estreita entre eles e os outros. A coisa mais importante em todo esse estudo é precisamente as atividades práticas.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Educação Mista Ou Educação Em Separado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual deve ser a composição da classe nos cursos de educação integral? Homens e mulheres devem estudar juntos, ou é melhor estudar em separado, como acontece com as crianças?

Resposta: Eu acho que precisamos eliminar tantos obstáculos quanto pudermos. Quando homens e mulheres sentam-se juntos, como uma regra, isso leva a obstáculos adicionais. Afinal, todos nós somos pessoas e temos instintos normais, mas o melhor é eliminá-los enquanto estudamos.

Até hoje existem muitas instituições de ensino em todo o mundo que praticam a educação em separado. E a prática mostra que ela é mais eficaz do que a educação mista. Portanto, é melhor separar homens e mulheres.

No entanto, após certo período de preparação dos grupos masculino e feminino, estes precisam ser reunidos com o objetivo de discutir e esclarecer questões comuns em conjunto. Então, nós seremos capazes de ver como, com base no material coberto e tendo mudado e recebido uma visão objetiva integral do mundo, eles usam as discussões ou disputas para começar a estabelecer um novo sistema de relações. Ao controlar um ao outro, eles começam a criar algo em comum: não uma parte masculina ou feminina, mas comum a todos; o protótipo da futura sociedade integral.

Mas aqui nós precisamos discutir nossa atitude para com as crianças e os pais, incluindo várias gerações, e esclarecer, debater e atualizar estas coisas nesse sentido.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11