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Os Pensamentos são o Meio para Satisfazer os Nossos Desejos


O Criador criou o desejo de desfrutar, e nada mais foi criado além deste desejo. Um desejo maior pelo prazer domina um desejo menor. O pensamento ou a mente nos ajudam a ir de um desejo para outro, de um estado para outro, de um determinado tipo de desejo para outro tipo.

Os desejos são a matéria da natureza. Entretanto, o pensamento é o meio, o instrumento que nos ajuda a utilizar os desejos, a nos deslocar dentro do campo de forças desses desejos – de uma força maior de desejo para uma menor, ou vice-versa, como se aproximar cada vez mais de um ímã ou se afastar cada vez mais dele. O pensamento é a força do movimento entre os desejos. Ele permite com que eu mude a minha posição entre os diferentes desejos, deslocando-me entre eles. No entanto, não importa em que desejo eu esteja, ele ainda me domina.

Portanto, eu preciso usar o poder do pensamento para me ajudar a entender e me a convencer de que o meu desejo, o meu estado, e as circunstâncias em que eu estou, são ruins. Há circunstâncias melhores, mas para chegar lá eu tenho que mudar o meu desejo com a ajuda dos pensamentos. Eu tenho que me transferir de uma onda do campo de força desses desejos (a intensidade do campo) para outra onda (intensidade), como a carga num campo magnético.

Na ciência Cabalística, a análise do pensamento do desejo, dentro do qual eu estou, é chamada de realização do mal. O desenvolvimento do pensamento em mim ocorre sob a influência do ambiente ou sob a influência da Luz Superior. Desta maneira, nós podemos “fluir” através do campo dos desejos, alternando entre eles, de um desejo menor para um desejo maior. O pensamento (a realização do mal) nos ajuda a ir de um estado ou de um desejo para outro.

Assim, a mente e os sentimentos trabalham em nós indistintamente. No entanto, nós sempre nos movemos de acordo com um esquema: o desejo – o pensamento – o desejo.

Ordenando Nossos Desejos


Temos muitos desejos e temos que ordená-los. Não podemos conectar uma parte desses desejos de doar ao próximo dessa forma. Mesmo que eu entenda que todos os meus desejos são direcionados à autogratificação, e eu não tenha outros desejos além desses, eu ainda sou capaz de usá-los para me conectar com outras almas – eu posso trabalhar com eles na linha média, na “tela De Hirik”.

Por um lado, existe um desejo de receber prazer, mas por outro lado, eu posso trabalhar com ele para doar. Eu conecto a linha direita e a linha esquerda, usando essa conexão para conectar-me com o próximo. Isso é chamado “rezando para o público”, uma prece que eu elevo e recebo em resposta a força do Alto habilitando-me a criar a correta conexão. Está em minha capacidade desejar que isso aconteça; eu elevo MAN e recebo a força chamada “a chave” (Miftecha) que me deixa revelar os céus – o Mundo Superior.

Além disso, existem outros desejos ou partes de desejos que eu não posso conectar a outros. Eu só posso fazer isso até certo limite, mas não mais adiante. Por isso eu golpeio esses desejos ou partes de desejo e os jogo fora. Eu não trabalho com eles por agora, mesmo que mais tarde eu possa ter as forças para fazê-lo, porque eu verei que, ao não usá-los para me conectar com outras almas, eu perco muito e causo dano. Porém, por agora, eu não percebo o mal neles; eu somente vejo que sou incapaz de trabalhar com eles e assim eu simplesmente os descarto.

Quanto aos desejos que sou capaz de usar para me conectar com o próximo, eu trabalho com eles em parceria. Essa parceria é chamada “a tela De Hirik”.

Isso é como a pessoa sempre trabalha dentro de si mesma, ordenado seus desejos, forças e qualidades, e os unificando em diferentes grupos para constantemente criar uma atitude especial para com o próximo a partir daí. Mas, enquanto parece a ele que está se relacionando com o próximo, ele sempre revela que em realidade isso é parte dele mesmo. Dessa maneira, ele tenta ascender desse quadro imaginário para o mundo espiritual, onde ele revela que nós estamos todos conectados a um corpo da alma comum.

Essa é a condição para revelar o Criador, a Força Superior – nós temos que nos tornar “um homem com um coração”.

O Desejo é um Meio para Alcançarmos O Criador


O desejo criado pelo Criador é dividido numa infinidade de partes ou desejos; então, ele passa por uma série de transformações, até que se estabiliza num estado onde ele é revelado e chamado de “eu” (self). Este desejo é percebido como um desejo interior existindo num desejo externo, num mundo de desejos estranhos, na imagem de pessoas, animais, aves, peixes, vegetação e rochas. Entretanto, tudo isso faz parte do mesmo desejo que desceu de Malchut de Ein Sof (Infinito) para um estado onde ele começa a perceber e sentir que se origina do ponto interior chamado Adam HaRishon, após a quebra.

Este é o “eu” dentro de cada um de nós – o menor grau do desenvolvimento do desejo. Neste nível, o desejo começa a reunir todos os desejos fragmentados que pareçam estranhos, retornando assim a um estado de plenitude e perfeição. Ao reunir todos os desejos, nós estudamos o nosso “eu”, a forma como foi ele criado, e o nosso Criador. Como resultado, esse “eu” torna-se semelhante e equivalente a Ele.

No entanto, eu não sou o desejo. Eu sou o ponto fora do desejo criado. Assim como eu, o Criador também existe fora do desejo que Ele criou. Ele criou esse “eu”, e criou o desejo diante d’Ele, de modo que estudando esse desejo, “eu” pudesse alcançá-Lo.

O desejo entre nós é como o alimento entre o cliente e o anfitrião: ele permite que ambos se aproximem mais, até alcançarem o amor absoluto e a integração. Em outras palavras, o desejo criado pelo Criador, é o meio para a minha união com Ele.

O Criador existe fora desse desejo, assim como “eu”. O Criador tem um ponto de contacto com o desejo, como eu. Conseqüentemente, nós dois somos iguais! Entre nós está o desejo que Ele criou, bem como a Luz que o preenche. Eu sou a sensação ou a consequência da quebra, uma centelha existindo fora do desejo, a qual me é dada para que eu possa alcançar o Criador.

Dentro do desejo, Ele construiu mundos, Partzufim e Sefirot – e o meu trabalho é restabelecer a sua plenitude e perfeição, para trazer de volta o Uno, Único e Indivisível. Então, eu serei completamente equivalente a Ele, e eu O conhecerei de acordo com Suas ações.

O Mundo Espiritual é Sentido Através dos Desejos dos Outros


Quando você atrai os desejos dos outros para mais perto de você, você preenche a condição necessária para sentir o mundo espiritual: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Ao transformar os desejos dos outros em seus próprios desejos, você sentirá o Mundo Superior através deles. Então, o que você deve fazer para atrair os desejos deles para mais perto de você? Você deve tentar vislumbrar a correlação entre você e os outros, da seguinte forma.

O que para você parece ser outra pessoa, o “próximo”, na verdade é o seu próprio desejo. Ele está fora de você para lhe dar a oportunidade de aceitá-lo como se fosse corrigido. Existem desejos egoístas dentro de você que você não pode corrigir, você só pode “congelá-los”, elevar-se acima deles. Além disso, há também um desejo de desfrutar “estranho”, que está fora de você, mas ele só parece estranho, porque está corrigido em relação a você e tem a forma de doação!

Existe um grande Kli (ou o desejo comum) que é inteiramente destinado à doação. Depois existe você, o receptor, apenas com sua própria caixinha preta. Você quer ver a verdadeira realidade? Vá em frente – ela está dentro desse Kli comum! Está aqui! Tudo que você precisa fazer é entrar nele, fazer parte dele e senti-lo! Ele está acima e além de todas as fronteiras e limites; é totalmente bom e faz somente o bem. Ela não tem vida nem morte, mas apenas a satisfação Infinita.

Os desejos das outras pessoas já estão corrigidos. Eles estão todos dentro de Malchut do Mundo Infinito, que inclui tudo. No entanto, você deve adquiri-los, e você só pode fazer isso gradualmente, pouco a pouco. Você entra lá um pouco de cada vez, até que engloba tudo. Neste caminho você atravessa cinco mundos e 125 níveis, adquirindo gradualmente todo esse enorme desejo.

No entanto, você adquire aquilo que está pronto e corrigido! Você só deve saber como recebê-lo, corrigindo a sua atitude em relação a ele, conectando-o ao caminho certo. Este é o significado de Malchut de Ein Sof (Mundo Infinito).

Os Cabalistas escrevem que o “próximo” é o seu Kli espiritual que já está corrigido, e está fora de você, em outras pessoas. Você só tem que torná-lo parte de você, conectar-se a ele e abordá-lo corretamente. Você deve fazer uma restrição (Tzimtzum Alef) no seu egoísmo, a fim de se certificar que você não exige mais do que seu corpo animal precisa. Então, tudo o resto será o seu Kli, e você pode pegá-lo!

Este desejo que está fora de você é a sua alma, ao passo que o “você” atual é uma ilusão que desaparecerá.

O Mundo é um Filme Rodando Dentro de Nós


Os nossos desejos existem fora do nosso corpo. Entretanto, no passado, as pessoas costumavam pensar que suas qualidades estavam contidas no coração, ou seja, se você pudesse mudar o coração de uma pessoa, esta também mudaria. Mas o primeiro transplante cardíaco mostrou que todas essas conjecturas eram falsas, mostrando que o coração é simplesmente uma bomba. O mesmo ocorre com o cérebro; na verdade, ele nem sequer pode ser chamado de computador.

Quanto ao corpo, ele é apenas uma imagem que nós imaginamos como sendo a nossa existência. No entanto, o nosso verdadeiro eu – o eu espiritual – está além desta imagem.

O mundo inteiro é representado exclusivamente no interior de nossas sensações, dentro de nós. A tela tridimensional que estamos assistindo não está realmente retratando o mundo à nossa volta, mas a imagem das forças em nosso interior. Nós não vemos mais nada fora disso; é por isso que parece que estamos rodeados por um mundo vivo.

O que nos rodeia é uma tela panorâmica. Nós só sabemos o que percebemos, e só percebemos o que está sendo mostrado para nós neste momento. Somente quando surgir a imagem espiritual é que nós compreenderemos que estávamos assistindo a um filme todo este tempo.

A ciência Cabalística é um método que nos ajuda na transição para uma nova percepção. E é exatamente isso que devemos esperar dela. Não devemos desejar um conhecimento teórico e vazio dos livros Cabalísiticos, mas uma visão de um outro mundo, mais elevado – uma visão clara de nós mesmos e do Criador.

Num Tango Perfeito com o Criador


Uma pergunta que recebi: O que devo fazer se eu sinto que sou controlado pelo Alto de todas as maneiras possíveis?

Minha Resposta: Se você sente que tudo é totalmente controlado pelo Alto, isso é maravilhoso! O que o faz pensar que você deve fazer algo em relação a isso? É muito bom se você sente que o Criador o conduz, e que você está andando junto com Ele. Ambos estão juntos em cada movimento, “corpo e alma” (com o corpo sendo seus desejos, e a alma – o lugar onde você percebe Seus mandamentos).

Você sente os desejos d”Ele e muda imediatamente os seus desejos. Você sente que se une a Ele, repetindo todos os Seus passos diante d’Ele. Vocês se movem juntos, até alcançar a correção completa, onde ele já não será possível diferenciar os desejos d’Ele dos seus, dizer quem é primeiro e quem é segundo. Você se moverá junto com Ele sem qualquer retardo. Este estado é chamado GMar Tikkun – O Fim da Correção. É quando não há nenhuma diferença entre você e Ele!