Textos com a Tag 'Amor'

Como Construir O Amor Acima Do Ego?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é o amor acima do ego?

Resposta: Em primeiro lugar, pelos esforços que a pessoa faz no grupo, no estudo, ao utilizar todas as opções, ela deve valorizar muito o atributo de doação. A pessoa passa por vários estados de doação dos quais não tem consciência, como se sentisse “morto”. Ela pode estar em estados opostos, querendo apenas receber, ou se sentir decepcionada com a forma, ou o contrário, o que significa estar em alto astral. Mas a pessoa deve subir acima de todos esses estados opostos. Há o próprio estado e eu subo acima dele. O estado foi enviado do Alto pelo Criador que assim quer verificar como podemos responder e superar todos os estados.

A pessoa geralmente sente indiferença e desrespeito. Mas se ela diz que não quer acreditar no que vê e começa a fazer algo para recuperar sua inspiração, sensibilidade, sentimento de vitalidade na doação, sua atitude especial em relação à sua correção, ou seja, acima da indiferença e do desrespeito, então ela vai, gradualmente, atrair sobre si a Luz que Reforma.

Eu começo a valorizar o atributo de doação, o avanço em direção ao Criador, à Sua revelação, os estados que estão acima deste mundo. Se eu já valorizo e aspiro à doação, eu tenho um vaso. Eu quero sentir que estou perdido dentro do atributo de doação, que eu valorizo ​​mais do que qualquer coisa. Por que isso de repente acontece? É assim que a Luz superior doou a mim e agora eu também quero ter este atributo.

A questão também é por que eu quero isso? Eu posso achar que vou me sentir melhor com ela, que ela vai me libertar de todos os problemas e preocupações. É ruim sentir que não pertenço a este mundo? Muitas pessoas querem se separar dele.

Portanto, eu deveria verificar a razão pela qual estou fazendo isso. A Luz superior me estimula e insere a valorização da doação em mim. Porém, que tipo de doação, talvez a doação egoísta? Eu verificar a mim mesmo com a ajuda do grupo e os amigos, para ver se posso, com a ajuda da minha aparente aspiração ao atributo de doação, alcançá-la e senti-la. Eu quero doar a fim de doar aos outros, ou estou fazendo isso para receber algo, o respeito ou apreço? Eu verifico tudo isso dentro do grupo.

Por que eu faço isso? Para me sentir bem? Não! Para que os outros se sintam bem? Sim! Mas será que eu sei que é assim, e que por dentro eu realmente não espero conseguir algo em troca? Eu verifico isso, perguntando se aspiro dar prazer ao Criador através dos amigos. Aqui, o meu verdadeiro objetivo distante tem que ser revelado. De repente eu descubro que quero direcionar todas as minhas ações de doação para o Criador.

Mas aqui também eu ainda tenho que esclarecer as coisas, já que doar ao Criador realmente vale a pena. Afinal, Ele certamente irá entender, descobrir e me pagar por minha lealdade, e se eu alcanço isso, toda a minha vida é preenchida com prioridades diferentes. Mas não! Eu quero doar para que o Criador não saiba nada disso, só para estar no atributo de doação.

Eu examino minhas ações de acordo com o quanto posso subir acima dos meus desejos egoístas. Se eu não examino constantemente a mim mesmo a respeito de como aumentar a doação acima da recepção, eu não vou ser capaz de me manter na doação sob qualquer circunstância. Eu devo verificar constantemente o que ganhei e o que perdi, e se eu posso ignorar minhas perdas, ou seja, se posso receber uma satsifação e estar acima disso.

Eu tenho constantes cálculos em meus desejos de receber: até que ponto eu posso permanecer na verdadeira doação. Um se baseia no outro. Afinal, não há maneira de avaliar se você está ou não fazendo isso para si mesmo, nos vasos de doação, na aspiração de doar, mas somente se sob tudo isto existe desejos de receber, que eu restrinjo para construir sobre eles uma Masach e a Luz de Retoro, o que significa as minhas ações de doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/08/12, Escritos do Baal HaSulam

O Amor Adorna A Vida E Também Estraga

Dr. Michael LaitmanMinha esposa é meu espelho. Afinal, eu nunca vi a minha parceira, mas sim, nela vejo um reflexo de minhas qualidades. Por exemplo, eu não entendo o padrão de beleza aceito na China. Eu olho para uma mulher que tem a reputação de ter uma beleza verdadeira e pergunto: eu nunca a chamaria de bonita. Para o meu gosto, seu rosto é muito redondo, os olhos são muito estreitos, e seu cabelo é muito liso. Tudo parece pouco atraente para mim.

Mas uma vez eu li um artigo de um jornalista chinês sobre o concurso de beleza internacional “Miss Ásia” e ele disse que a menina não teria vencido na China porque os olhos eram grandes demais. Eu estava simplesmente impressionado sobre quão diferente as nossas percepções de beleza eram; elas eram totalmente opostas. É por isso que não podemos entender o outro.

Conclui-se que eu olho para a menina a minha frente e projeto sobre ela todas as minhas idéias sobre beleza. Se eu não subir acima delas, isso irá afetar todo o nosso relacionamento. Eu não vou perceber como ela é, com todas as suas verdadeiras qualidades, mas vou ver nela o reflexo de minhas propriedades, o meu gosto.

Quando uma pessoa olha para outra pessoa de uma maneira imparcial, é impossível determinar se ela é bonita ou não. Pergunte a qualquer mãe, e ela irá lhe dizer que ninguém é mais bonito no mundo do que seu filho. Como se diz, “o amor cobrirá todos os pecados”.

Por outro lado, o nosso ego, o ódio, desfigurará toda a beleza. A aparência de uma pessoa que eu odeio também se torna insuportável. Para ser objetivo, embora eu esteja pronto a admitir que de acordo com os meus critérios, ela aparentemente tem um rosto bonito, eu odeio isso por outros motivos.

Somente os seres humanos exibem tal atitude. Os animais não olham para a beleza, pois eles valorizam no outro o poder, a capacidade de procriar, ter filhos saudáveis, e criá-los até que se tornem independentes.

O homem, entretanto, é corrompido com a noção de beleza. Na verdade, esta não é a beleza, mas a demonstração do meu ego: condições especiais que eu apresento no lado oposto, que excede o mínimo necessário do corpo físico.

Se nós olhássemos um ao outro de forma racional e natural, eu veria diante de mim uma mulher saudável, forte, que estou pronto para desposar. Afinal de contas, eu vejo que ela vai manter a casa bem. No passado, as pessoas costumavam escolher um cônjuge com base neste simples princípio egoísta. Ou eles levavam a posição social, a riqueza, em conta. As pessoas não prestam muita atenção para a beleza, mas costumavam escolher um cônjuge com base em razões simples e pragmáticas: o que é bom para a vida.

Mais frequentemente, até os pais estavam acostumados a escolher e agir como agentes casamenteiros para os casais, e não os jovens. Este era costume na maioria das culturas. Ou eles se voltavam para o conselho de uma pessoa inteligente e respeitada. Em nossos tempos, nós subitamente chegamos a tal distorção que particularmente nos obriga a realizar a correção.

Hoje nós consideramos apenas se amamos uns aos outros ou não. Todos os filmes contam apenas sobre esse amor. Não era assim antes. Nós não entendemos como as pessoas viviam cem ou duzentos anos atrás. Amor ou atração mútua não estavam no campo de visão. A atração sexual tinha um papel, mas não aquele que hoje queremos dizer com o conceito de amor. Ele se desenvolveu muito recentemente e estragou toda a nossa vida… Portanto, se o utilizarmos corretamente e “cobrirmos todos os pecados com o nosso amor”, se lidarmos com o nosso impulso de amar ou odiar o outro, desta forma particular, seremos bem sucedidos.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 31/07/12

Espelho, Espelho Meu, Mostre-Me Toda Verdade

Dr. Michael LaitmanEu aprendi a amar tudo o que está no meu parceiro como uma mãe que ama seu filho, sem cálculos, amando-o devotadamente, não importa o que ele faça. Para ela, ele é o mais belo, o mais bem sucedido, o melhor de todos; ela cobre com amor todas as suas falhas, todos os seus defeitos.

Primeiro de tudo, eu preciso aprender a olhar para o meu cônjuge com estes olhos, e depois vou ver a sua beleza, e não um reflexo do meu egoísmo. Afinal, eu costumo ver qualidades negativas em meu cônjuge que na realidade não lhe pertencem, mas são causadas por minha atitude para com ele. Esse egoísmo que eu projeto no meu companheiro pinta essas imagens negativas para mim.

Eu estou aprendendo a ser objetivo, independente do meu ego. Se eu cobrir todas as transgressões com o amor, devido a isso, eu vou sair de mim mesmo, fora dos limites dos meus interesses egoístas, meu corpo, e começar a subir acima do meu egoísmo. Então eu vejo uma nova realidade, que não é má de todo.

O amor cobriu todas as transgressões, e elas se foram! Mas não é porque eu fechei os olhos para elas como uma mãe que ama seu filho com amor cego, instintivo. O fato de eu ter neutralizado meu ego me permitiu ver o mundo do bem. Na verdade, a força do bem está além de mim, e a força do mal está dentro de mim.

Acontece que a realidade é dividida em duas partes. Uma parte está dentro de mim, onde a inclinação natural, má e egoísta, vive desde o nascimento. E fora de mim, eu vejo um mundo cheio de bondade. Assim, eu me encontro num laboratório maravilhoso. Na medida em que eu tentar subir mais alto e anular a mim mesmo em relação ao meu cônjuge, meu ego vai ser capaz de me mostrar novos fenômenos internos revelados em mim.

Eu vou ver várias falhas em meu cônjuge, as deficiências que me darão a oportunidade mais uma vez de cobrir todas essas transgressões com amor. Então, eu vou me corrigir com maiores esforços e o mundo será apresentado a mim mais benevolentemente e corrigido.

Isso continuará até que todo o meu egoísmo me seja  revelado através desses motivos internos. Depois de dezenas, centenas ou mesmo milhares de casos, quando a raiva e o desejo de acusar o meu parceiro despertar em mim, eu terei corrigido toda esta atitude. Como resultado, eu também desenvolvi a técnica para me relacionar com tudo o que está além de mim.

Uma vez eu fiz tal correção com respeito ao meu cônjuge, eu vejo que não há nada especial a acrescentar em relação aos outros. Afinal, eu não trabalhei em outras pessoas, as quais diferem entre si, mas no próprio egoísmo!

Na verdade, eu trabalhei em mim mesmo. E tudo que eu vi antes me serviu como um espelho, refletindo o meu egoísmo e que me permite reconhecê-lo. Afinal, eu não vejo nada em mim, mas apenas no espelho. Acontece que tal situação natural, como a família, é projetada para nós pela natureza e nos permite alcançar a correção.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 11/07/12

O Amor Cobre Todas As Transgressões

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os cursos de educação integral para casais me dão esperança de que, ao passar por este processo e construir um novo homem dentro de mim, eu vou corrigir não só as relações no seio da minha família, mas também todas as conexões no sistema e alcançar o sucesso em todos os sentidos. Afinal de contas, o sistema de laços familiares vai se tornar a escola onde estarei me desenvolvendo. Existem algumas diferenças na forma como esse processo ocorre num homem e numa mulher?

Resposta: Acontece que nós devemos manter a família unida, porque através dela podemos alcançar o sucesso na vida. Nós não só corrigimos as relações dentro da família, mas também obtemos um benefício adicional, como se todo este processo tivesse um propósito maior.

Não é um problema restrito a um casal, mas um problema global da nossa conexão corrompida, e nós vamos ter que resolvê-lo de alguma forma. As relações na família podem se tornar o laboratório onde poderemos aprender a melhorar as nossas relações com o mundo para ter sucesso em tudo.

Existem algumas diferenças entre a forma como esse processo ocorre num homem ou numa mulher, mas elas são tão internas que não podemos compreendê-las agora, cada um de seu lado, olhando para o outro. Se começarmos a aprofundar a psicologia do outro e tentarmos descobrir o que está acontecendo dentro da outra pessoa, isso só irá nos confundir. Nós não sabemos o que realmente está acontecendo lá.

Nós só precisamos adquirir a abordagem correta que nos permitirá construir relacionamentos mútuos de acordo com o princípio: “O amor cobre todas as transgressões”. Isso não significa que queremos esconder as injustiças cometidas em relação uns aos outros: nosso ódio, orgulho, ambição, descuido e desrespeito. Nós não escondemos nada.

Mas se eu quiser mudar alguma coisa e construir, eu não devo me afundar em brigas mútuas e repreender o quanto cada um de nós é um egoísta, ou seja, o quão ruim ele é e não percebe o seu mal, mas vê-lo em sua parte. Na verdade, ele não vê os vícios do outro, mas sim o seu próprio egoísmo, transferindo-o ao seu parceiro e reconhecendo o seu reflexo nele.

Em vez de distinguir as faltas em mim, eu as vejo em minha esposa como se fosse um espelho. Eu não percebo isso em mim. Acontece que nós precisamos desenvolver uma atitude boa e positiva, amor, flexibilidade, atenção e uma abordagem madura e elevada em relação ao outro. Nós precisamos concordar com antecedência que isso vai estar acima de tudo o que vemos com nossa visão egoísta.

“O amor cobre todas as transgressões”, isto é, eu cubro com ele todos os males que vejo. Como resultado de exercícios mútuos e workshops, eu começo a desenvolver novas qualidades em mim que antes estavam adormecidas dentro de mim: sensibilidade, concordância, consentimento e capacidade de comprometimento.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 18/07/ 12

Não Existem Contas No Amor

Dr. Michael LaitmanDentro de cada nação, se esconde uma força interna que a une. No entanto, os filhos de Israel, como Baal HaSulam explica, não são como o resto das nações que possui essa interligação natural. Se não há amor entre eles, eles se dispersam facilmente. Só o ódio das outras nações os une e os protege da completa assimilação.

Baal HaSulam usa o exemplo de um saco de nozes. Elas estão tão dispostas a se unir que ainda sacodem e batem umas contra as outras, mas o “saco”, ou seja, o antissemitismo, não as deixa cair. No entanto, isso não é amor nem unidade. Então, quanto tempo elas durarão?

É por isso que agora chegou o momento para eles se unirem entre si e não devido à “bolsa” que os envolve, mas baseado no amor e interligação. Então, a pressão externa não será necessária e cessará. De repente, os primos árabes mudarão a sua relação e realmente serão como irmãos para eles. Isso porque o ponto não está na outra pessoa, mas é assim que a governança superior influencia o povo judeu.

Se a nação se fundir, o “saco” deixará de ser necessário, e, desta forma, todas as forças negativas no mundo serão eliminadas, apenas por meio da unidade. Percebendo esta metodologia, as pessoas vão sentir algo que está incutido em sua alma e esquecido há muito tempo.

A semente já foi plantada, e é por isso que o Baal HaSulam escreve que a nação judaica precisa despertar novamente o amor dentro dela, enquanto que, é claro, precisa estar aberta a todos. Quem sabe para onde teriam ido as dez tribos que caíram fora durante o período do Primeiro Templo? Quem sabe onde os seus descendentes estão hoje e quantos são.

De qualquer forma, se o mundo inteiro tem que chegar à mesma unidade, obviamente, a nação judaica está pronta para aceitar todos que a querem. Não existem contas no amor. Aqueles que desejam o mesmo, juntem-se!

Da “Conversa em 06/05/12”

Uma Prova De Altruísmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é o amor pelo Criador?

Resposta: Amor é uma oportunidade de preencher a deficiência (vaso) de alguém usando os meus próprios vasos. No nosso mundo nós amamos porque isso nos dá prazer: uma comida deliciosa e familiar, pessoas que nos agradam, os meus filhos a quem estou naturalmente ligado. Nós chamamos isto de amor.

Mas o amor espiritual não é quando eu encho os meus vasos com alguém ou algo, mas quando eu encho os vasos dos outros. Isto é exatamente o oposto do que estamos habituados a pensar sobre o conceito de amor. O mundo espiritual é oposto ao mundo corpóreo. Se eu me preocupo com os vasos de outra pessoa e quero enchê-los da forma como essa pessoa os quer preenchidos, significa que eu a amo.

Enquanto nos amamos uns aos outros e tudo está bem, podemos fazer um acordo com o Criador de forma a sustentar esta relação, mesmo se tudo mudar devido a diferentes razões externas. Não interessa o que ocorra – eu quero manter a mesma força de amor e conexão entre nós.

A questão é como pode isto ser feito se eu de repente descobrir que o Criador é responsável por todos os meus problemas? O meu fiel e amado parceiro de repente para de olhar para mim e causa-me todo o tipo de aflições e problemas. Ele trai-me de todas as formas e faz tudo contra mim e torna-se o meu principal inimigo. Então como posso manter a atitude boa em relação a Ele sob tal condição?

Mas a adesão ao Criador significa que eu atravessei diferentes etapas e alcancei uma etapa na qual eu não recebo nada Dele, nada excepto o sentimento de escuridão. Mas acima de tudo isso, eu construo uma relação de amor, doação e ligação apesar dos problemas e dos sofrimentos que Ele causa ao meu ego. Em tal caso isso pode ser chamado de adesão.

Os vasos nos quais eu alcanço a adesão têm de ser restringidos e ocultados. Acima deles está a minha Masach (tela) e a Luz de Retorno, e existe a adesão nos vasos de doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/6/12, Shamati #76

Por Que Amar O Outro?

Dr. Michael LaitmanPergunta: A obrigação, ou como você diz, o mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, já foi discutido várias vezes, e muitos desejaram implementá-lo, até se transformar no apelo para as crianças serem pacíficas, e não a verdadeira obrigação para os adultos mudarem seus relacionamentos. Qual é a diferença entre o seu apelo e os outros, e por que você tem certeza que será capaz de realizar sua fantasia?

Resposta: Quando as pessoas comuns, os 99%, falam sobre a conexão, elas se referem à correção da sociedade humana, semelhante à forma como nós aconselhamos as crianças a serem amigas e não discutir. Quando os Cabalistas, os 1%, falam sobre a conexão, para eles essa conexão é o meio para alcançar um objetivo maior: a revelação e a realização do Criador, a força superior da natureza, e alcançar o próximo nível de desenvolvimento, a sensação do mundo superior.

Amor: Uma Ponte Acima Do Ódio

Dr. Michael LaitmanToda a realidade é dividida em três partes: eu, a centelha espiritual dentro de mim, não me deixando em paz e querendo descobrir uma outra realidade, e o mundo que me rodeia.

O mundo à minha volta está dividido em pessoas que estão perto ou distantes de mim, a natureza inanimada, a vegetação e os animais. Por trás de tudo isso, reside ainda uma força maior. Por enquanto, eu percebo toda realidade como estranha, não relacionada a mim. No entanto, tudo isso são partes de mim que eu não percebo devido à separação que ocorreu em minha consciência e sentimento.

É como se eu tivesse recebido uma injeção de analgésico no meu braço e, como resultado, perdi completamente a percepção e não sinto que é meu. Ele poderia ser cortado e eu não iria nem perceber, tão poderoso é o anestésico.

É assim que eu percebo o mundo todo, como se ele não pertencesse a mim. E o trabalho é lutar contra esse anestésico, contra este sentimento.

Isso é intencional, porque se eu pensar que este mundo não pertence a mim, como se tivesse sido anestesiado, eu posso me voltar para o meu egoísmo e me relacionar com ele de forma altruísta, doando, como se fosse outra pessoa. Eu posso aprender a amá-la.

Eu não preciso desenvolver amor por mim mesmo, porque eu me amo egoístamente de qualquer maneira. No entanto, agora eu posso aprender a amar os outros que estão separados de mim por meio deste anestésico, desta ilusão da separação. Afinal, o amor é uma qualidade do Criador, e não uma qualidade da criação.

Por meio dessa separação, o Criador nos dá a oportunidade de receber uma qualidade, que não é característica para nós, por natureza, e não nos pertence . Nós não entendemos o que é o amor. Mas quando eu tento aprender a amar aqueles que estão fora de mim como eu faço comigo mesmo, ou seja, me relacionar com o meu próximo da maneira que faço comigo mesmo, isso é chamado de amor. Eu estou trabalhando contra meu egoísmo. Esta é uma força especial dentro de mim que sempre resiste a isso. Assim, existe uma oposição de duas forças que atuam em duas direções diferentes. O desejo atrai para si o prazer, mas acima dele existe uma tela (a força da minha resistência), que afasta este prazer e está pronto para doar-se acima dele.

Então, a partir da interação entre essas duas forças, eu posso entender o que é amar verdadeiramente outra pessoa em vez do meu próprio filho, do meu próprio cão pequeno, ou do meu próprio corpo.

E como eu me desenvolvo mais, o meu ódio contra os meus vizinhos cresce constantemente, mas eu desenvolvo a força do amor acima dele. Isso é chamado de amor somente após se elevar acima do ódio. Como se diz: “O amor cobre todas as transgressões”. Devido à colisão das duas qualidades opostas, a criação é capaz de obter a qualidade do Criador. Caso contrário, seria impossível e permaneceríamos dentro da natureza com a qual fomos criados.

No entanto, se quisermos ser criações (Nivraim), ou seja, personalidades independentes (Bar) do Criador, e ao mesmo tempo, alcançar Suas qualidades e o estado elevado, então somos obrigados a construir tal mecanismo de resistência dentro de nós. Haverá sempre duas forças opostas que agem dentro dele: a força do desejo de desfrutar e o desejo de doar que nós construímos acima do nosso egoísmo por nós mesmos, amor acima do ódio.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/06/12, Escritos do Rabash

A Religião Do Amor

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, do artigo “A Arvut (Garantia Mútua)”: O Rabino Elazar, filho de Rashbi (Rabino Shimon Bar Yochai), esclarece este conceito da Arvut ainda mais. Para ele, não é suficiente que todo Israel seja responsável por todos e cada um, mas que o mundo inteiro esteja incluído nessa Arvut. De facto, não há disputa aqui, pois todos admitem que para começar, é suficiente começar com uma nação no cumprimento da Torá para começar a correcção do mundo. Foi impossível começar com todas as nações ao mesmo tempo.

Assim, a implantação da Torá é chamada “correcção do mundo”, que foi designada para levar todos do ódio ao amor. Como está escrito no artigo do Baal HaSulam “A Essência da Religião e o seu Propósito”, a verdadeira “religião” é a sabedoria da Cabalá e o seu propósito é levar o mundo ao amor. O mandamento principal da Torá é “ame o seu próximo como a si mesmo”. Não há mais nada além disso.

Mas depois da destruição do Templo e da separação da verdade, como resultado da ocultação e da impureza, todos os tipos de religiões começaram a se desenvolver de acordo com o significado actual deste mundo. Elas começaram a se desenvolver a partir da sabedoria da Cabalá, que é a “religião” geral do mundo inteiro. Elas construíram uma relação egoísta para com o Criador e para com a vida quando deram a base das concessões mútuas: “Vamos de alguma forma ganhar o paraíso no outro mundo”.

Isso não pertence de forma alguma à verdade que precisamos descobrir aqui e agora, como é dito: “Você verá o seu mundo no seu período de vida”. De acordo com a definição, a sabedoria da Cabalá é a descoberta do Criador pelos seres criados neste mundo. Assim, não é necessário que acreditemos em nada ou realizemos quaisquer tipos de rituais, actos físicos, de forma a receber algum tipo de recompensa depois da morte do corpo animal. O “outro mundo” é Bina, doação, amor, onde está a intenção dirigida à doação pelo bem dos outros. Você está preparado para isto? Quer você atingir este tipo de mundo futuro durante a sua vida?

Precisamos diferenciar entre a verdadeira “religião” – a sabedoria da Cabalá – e as religiões normais, entre o verdadeiro acto de amor pelos outros – o principal e único mandamento – e entre todo o tipo de acções que o homem fabrica para si mesmo na esperança de receber recompensa depois da morte do seu corpo. Em geral, religiões, crenças, e vários tipos de sistemas causam separação entre pessoas e transmitem ódio entre elas, oposto à sabedoria da Cabalá, que fala sobre a união acima de todas as diferenças.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/6/12, “A Arvut (Garantia Mútua)”

Os Criador Governa Com Amor

Dr. Michael LaitmanPergunta: No caminho espiritual, o meu desejo egoísta se depara com sensações desagradáveis.

Resposta: Até o ponto em que você finalmente desiste e sente o quão bom isso realmente é. Agora você tem orgulho de si mesmo como um galo pomposo, então é claro que não sente agradável. Mas depois, você vai começar a valorizar a atitude do Criador e verá que Ele está realmente mostrando humildade. Diz-se que onde você revela a grandeza do Criador, lá você vai revelar Sua modéstia.

Não há nada maior do que a modéstia, mesmo que o egoísmo não concorde. A modéstia é resultado de uma reação à Luz Circundante do Criador, isto é, ao grau superior. Ela não aparece de imediato, é precedida pela compreensão do fato de que o Superior governa com amor. Para nós, o poder significa a tirania e a opressão, enquanto na espiritualidade é o oposto: o Superior se mostra a medida em Ele se curva diante de você. E você começa a valorizá-Lo por isso.

Pergunta: Nesse caso, quem trabalha com quem: Ele comigo, ou eu com Ele?

Resposta: É um trabalho mútuo. Diz-se “Eu sou o primeiro”. Em outras palavras, o Superior causa todos os seus estados; você sempre existir dentro das circunstâncias criadas por Ele. Portanto, primeiro de tudo, é preciso lembrar que vivemos num mundo que Ele criou. Depois, você precisa olhar para si mesmo de fora: “Como estou reagindo a isso? Sou capaz de fazer algo ou estou completamente enfraquecido? Eu estou com raiva? Não me rendo? Como posso responder ao meu estado atual? Posso ir para um estado desejado? E o que é isso exatamente?”.

Na busca por meios para fazer essa transição, você descobre que só é possível mudar seu estado por meio do Superior. Isso significa que você terá que pedir a Ele para fazer isso.

Quanto ao Superior, Ele construiu uma ordem estrita, uma cadeia de estados através da qual precisa levá-lo. Se você concordar com seu plano, se você pedir para ir para o próximo estado, você o revela como bom e favorável. Afinal, você O deseja e Ele o preenche. No entanto, se você não pedir o próximo estado, ele irá se manifestar através de qualidades más e sensações desagradáveis.

Portanto, a cadeia foi definida e tudo depende de sua preparação. Ao forçar o próximo estado, você o recebe como um presente, e, inversamente, rejeitando o novo grau, você o sente na forma de sofrimento, o qual, no entanto, ainda lhe ensina alguma coisa.

Pergunta: Isso significa que o meu pedido determina as sensações ao longo do caminho?

Resposta: Sim. Você precisa elevar MAN, um pedido de correção.

Pergunta: No entanto, a humildade me priva da força. É impossível avançar como isso já que o desenvolvimento se baseia num forte desejo egoísta. O que será deixado de mim depois da renúncia pessoal? Talvez eu obtenha uma nova mente, mas eu, eu mesmo, deixarei de existir.

Resposta: A renúncia pessoal é realizada através do poder da mente, por meio de uma familiaridade com o Criador, quando me curvo diante Dele, isto é, quando trabalho fundo no meu desejo. A renúncia pessoal é uma transição para uma ação de doação. Eu começo exatamente com a renúncia pessoal, eu aceito uma nova ordem de trabalho de acordo com a qual eu preciso me unir mais com os que me rodeiam, penetrar seus desejos, e formar um novo vaso. Isso requer uma série de ações diversas e interdependentes, uma vez que estou juntando partes mutuamente dependentes.

Portanto, aqui não há beco sem saída. O Criador simplesmente quer que você seja “um menino bom e inteligente”. Quando você se curvar diante do Criador, você está realmente se curvando diante da qualidade de doação, elevando-a acima do seu egoísmo, e continuando a trabalhar com esta qualidade. Portanto, comece anexando o seu ego à doação.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/05/12 , Baal HaSulam “600.000 almas”