Textos com a Tag 'Amor'

Espelho, Espelho Meu, Mostre-Me Toda Verdade

Dr. Michael LaitmanEu aprendi a amar tudo o que está no meu parceiro como uma mãe que ama seu filho, sem cálculos, amando-o devotadamente, não importa o que ele faça. Para ela, ele é o mais belo, o mais bem sucedido, o melhor de todos; ela cobre com amor todas as suas falhas, todos os seus defeitos.

Primeiro de tudo, eu preciso aprender a olhar para o meu cônjuge com estes olhos, e depois vou ver a sua beleza, e não um reflexo do meu egoísmo. Afinal, eu costumo ver qualidades negativas em meu cônjuge que na realidade não lhe pertencem, mas são causadas por minha atitude para com ele. Esse egoísmo que eu projeto no meu companheiro pinta essas imagens negativas para mim.

Eu estou aprendendo a ser objetivo, independente do meu ego. Se eu cobrir todas as transgressões com o amor, devido a isso, eu vou sair de mim mesmo, fora dos limites dos meus interesses egoístas, meu corpo, e começar a subir acima do meu egoísmo. Então eu vejo uma nova realidade, que não é má de todo.

O amor cobriu todas as transgressões, e elas se foram! Mas não é porque eu fechei os olhos para elas como uma mãe que ama seu filho com amor cego, instintivo. O fato de eu ter neutralizado meu ego me permitiu ver o mundo do bem. Na verdade, a força do bem está além de mim, e a força do mal está dentro de mim.

Acontece que a realidade é dividida em duas partes. Uma parte está dentro de mim, onde a inclinação natural, má e egoísta, vive desde o nascimento. E fora de mim, eu vejo um mundo cheio de bondade. Assim, eu me encontro num laboratório maravilhoso. Na medida em que eu tentar subir mais alto e anular a mim mesmo em relação ao meu cônjuge, meu ego vai ser capaz de me mostrar novos fenômenos internos revelados em mim.

Eu vou ver várias falhas em meu cônjuge, as deficiências que me darão a oportunidade mais uma vez de cobrir todas essas transgressões com amor. Então, eu vou me corrigir com maiores esforços e o mundo será apresentado a mim mais benevolentemente e corrigido.

Isso continuará até que todo o meu egoísmo me seja  revelado através desses motivos internos. Depois de dezenas, centenas ou mesmo milhares de casos, quando a raiva e o desejo de acusar o meu parceiro despertar em mim, eu terei corrigido toda esta atitude. Como resultado, eu também desenvolvi a técnica para me relacionar com tudo o que está além de mim.

Uma vez eu fiz tal correção com respeito ao meu cônjuge, eu vejo que não há nada especial a acrescentar em relação aos outros. Afinal, eu não trabalhei em outras pessoas, as quais diferem entre si, mas no próprio egoísmo!

Na verdade, eu trabalhei em mim mesmo. E tudo que eu vi antes me serviu como um espelho, refletindo o meu egoísmo e que me permite reconhecê-lo. Afinal, eu não vejo nada em mim, mas apenas no espelho. Acontece que tal situação natural, como a família, é projetada para nós pela natureza e nos permite alcançar a correção.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 11/07/12

O Amor Cobre Todas As Transgressões

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os cursos de educação integral para casais me dão esperança de que, ao passar por este processo e construir um novo homem dentro de mim, eu vou corrigir não só as relações no seio da minha família, mas também todas as conexões no sistema e alcançar o sucesso em todos os sentidos. Afinal de contas, o sistema de laços familiares vai se tornar a escola onde estarei me desenvolvendo. Existem algumas diferenças na forma como esse processo ocorre num homem e numa mulher?

Resposta: Acontece que nós devemos manter a família unida, porque através dela podemos alcançar o sucesso na vida. Nós não só corrigimos as relações dentro da família, mas também obtemos um benefício adicional, como se todo este processo tivesse um propósito maior.

Não é um problema restrito a um casal, mas um problema global da nossa conexão corrompida, e nós vamos ter que resolvê-lo de alguma forma. As relações na família podem se tornar o laboratório onde poderemos aprender a melhorar as nossas relações com o mundo para ter sucesso em tudo.

Existem algumas diferenças entre a forma como esse processo ocorre num homem ou numa mulher, mas elas são tão internas que não podemos compreendê-las agora, cada um de seu lado, olhando para o outro. Se começarmos a aprofundar a psicologia do outro e tentarmos descobrir o que está acontecendo dentro da outra pessoa, isso só irá nos confundir. Nós não sabemos o que realmente está acontecendo lá.

Nós só precisamos adquirir a abordagem correta que nos permitirá construir relacionamentos mútuos de acordo com o princípio: “O amor cobre todas as transgressões”. Isso não significa que queremos esconder as injustiças cometidas em relação uns aos outros: nosso ódio, orgulho, ambição, descuido e desrespeito. Nós não escondemos nada.

Mas se eu quiser mudar alguma coisa e construir, eu não devo me afundar em brigas mútuas e repreender o quanto cada um de nós é um egoísta, ou seja, o quão ruim ele é e não percebe o seu mal, mas vê-lo em sua parte. Na verdade, ele não vê os vícios do outro, mas sim o seu próprio egoísmo, transferindo-o ao seu parceiro e reconhecendo o seu reflexo nele.

Em vez de distinguir as faltas em mim, eu as vejo em minha esposa como se fosse um espelho. Eu não percebo isso em mim. Acontece que nós precisamos desenvolver uma atitude boa e positiva, amor, flexibilidade, atenção e uma abordagem madura e elevada em relação ao outro. Nós precisamos concordar com antecedência que isso vai estar acima de tudo o que vemos com nossa visão egoísta.

“O amor cobre todas as transgressões”, isto é, eu cubro com ele todos os males que vejo. Como resultado de exercícios mútuos e workshops, eu começo a desenvolver novas qualidades em mim que antes estavam adormecidas dentro de mim: sensibilidade, concordância, consentimento e capacidade de comprometimento.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 18/07/ 12

Não Existem Contas No Amor

Dr. Michael LaitmanDentro de cada nação, se esconde uma força interna que a une. No entanto, os filhos de Israel, como Baal HaSulam explica, não são como o resto das nações que possui essa interligação natural. Se não há amor entre eles, eles se dispersam facilmente. Só o ódio das outras nações os une e os protege da completa assimilação.

Baal HaSulam usa o exemplo de um saco de nozes. Elas estão tão dispostas a se unir que ainda sacodem e batem umas contra as outras, mas o “saco”, ou seja, o antissemitismo, não as deixa cair. No entanto, isso não é amor nem unidade. Então, quanto tempo elas durarão?

É por isso que agora chegou o momento para eles se unirem entre si e não devido à “bolsa” que os envolve, mas baseado no amor e interligação. Então, a pressão externa não será necessária e cessará. De repente, os primos árabes mudarão a sua relação e realmente serão como irmãos para eles. Isso porque o ponto não está na outra pessoa, mas é assim que a governança superior influencia o povo judeu.

Se a nação se fundir, o “saco” deixará de ser necessário, e, desta forma, todas as forças negativas no mundo serão eliminadas, apenas por meio da unidade. Percebendo esta metodologia, as pessoas vão sentir algo que está incutido em sua alma e esquecido há muito tempo.

A semente já foi plantada, e é por isso que o Baal HaSulam escreve que a nação judaica precisa despertar novamente o amor dentro dela, enquanto que, é claro, precisa estar aberta a todos. Quem sabe para onde teriam ido as dez tribos que caíram fora durante o período do Primeiro Templo? Quem sabe onde os seus descendentes estão hoje e quantos são.

De qualquer forma, se o mundo inteiro tem que chegar à mesma unidade, obviamente, a nação judaica está pronta para aceitar todos que a querem. Não existem contas no amor. Aqueles que desejam o mesmo, juntem-se!

Da “Conversa em 06/05/12”

Uma Prova De Altruísmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é o amor pelo Criador?

Resposta: Amor é uma oportunidade de preencher a deficiência (vaso) de alguém usando os meus próprios vasos. No nosso mundo nós amamos porque isso nos dá prazer: uma comida deliciosa e familiar, pessoas que nos agradam, os meus filhos a quem estou naturalmente ligado. Nós chamamos isto de amor.

Mas o amor espiritual não é quando eu encho os meus vasos com alguém ou algo, mas quando eu encho os vasos dos outros. Isto é exatamente o oposto do que estamos habituados a pensar sobre o conceito de amor. O mundo espiritual é oposto ao mundo corpóreo. Se eu me preocupo com os vasos de outra pessoa e quero enchê-los da forma como essa pessoa os quer preenchidos, significa que eu a amo.

Enquanto nos amamos uns aos outros e tudo está bem, podemos fazer um acordo com o Criador de forma a sustentar esta relação, mesmo se tudo mudar devido a diferentes razões externas. Não interessa o que ocorra – eu quero manter a mesma força de amor e conexão entre nós.

A questão é como pode isto ser feito se eu de repente descobrir que o Criador é responsável por todos os meus problemas? O meu fiel e amado parceiro de repente para de olhar para mim e causa-me todo o tipo de aflições e problemas. Ele trai-me de todas as formas e faz tudo contra mim e torna-se o meu principal inimigo. Então como posso manter a atitude boa em relação a Ele sob tal condição?

Mas a adesão ao Criador significa que eu atravessei diferentes etapas e alcancei uma etapa na qual eu não recebo nada Dele, nada excepto o sentimento de escuridão. Mas acima de tudo isso, eu construo uma relação de amor, doação e ligação apesar dos problemas e dos sofrimentos que Ele causa ao meu ego. Em tal caso isso pode ser chamado de adesão.

Os vasos nos quais eu alcanço a adesão têm de ser restringidos e ocultados. Acima deles está a minha Masach (tela) e a Luz de Retorno, e existe a adesão nos vasos de doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/6/12, Shamati #76

Por Que Amar O Outro?

Dr. Michael LaitmanPergunta: A obrigação, ou como você diz, o mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, já foi discutido várias vezes, e muitos desejaram implementá-lo, até se transformar no apelo para as crianças serem pacíficas, e não a verdadeira obrigação para os adultos mudarem seus relacionamentos. Qual é a diferença entre o seu apelo e os outros, e por que você tem certeza que será capaz de realizar sua fantasia?

Resposta: Quando as pessoas comuns, os 99%, falam sobre a conexão, elas se referem à correção da sociedade humana, semelhante à forma como nós aconselhamos as crianças a serem amigas e não discutir. Quando os Cabalistas, os 1%, falam sobre a conexão, para eles essa conexão é o meio para alcançar um objetivo maior: a revelação e a realização do Criador, a força superior da natureza, e alcançar o próximo nível de desenvolvimento, a sensação do mundo superior.

Amor: Uma Ponte Acima Do Ódio

Dr. Michael LaitmanToda a realidade é dividida em três partes: eu, a centelha espiritual dentro de mim, não me deixando em paz e querendo descobrir uma outra realidade, e o mundo que me rodeia.

O mundo à minha volta está dividido em pessoas que estão perto ou distantes de mim, a natureza inanimada, a vegetação e os animais. Por trás de tudo isso, reside ainda uma força maior. Por enquanto, eu percebo toda realidade como estranha, não relacionada a mim. No entanto, tudo isso são partes de mim que eu não percebo devido à separação que ocorreu em minha consciência e sentimento.

É como se eu tivesse recebido uma injeção de analgésico no meu braço e, como resultado, perdi completamente a percepção e não sinto que é meu. Ele poderia ser cortado e eu não iria nem perceber, tão poderoso é o anestésico.

É assim que eu percebo o mundo todo, como se ele não pertencesse a mim. E o trabalho é lutar contra esse anestésico, contra este sentimento.

Isso é intencional, porque se eu pensar que este mundo não pertence a mim, como se tivesse sido anestesiado, eu posso me voltar para o meu egoísmo e me relacionar com ele de forma altruísta, doando, como se fosse outra pessoa. Eu posso aprender a amá-la.

Eu não preciso desenvolver amor por mim mesmo, porque eu me amo egoístamente de qualquer maneira. No entanto, agora eu posso aprender a amar os outros que estão separados de mim por meio deste anestésico, desta ilusão da separação. Afinal, o amor é uma qualidade do Criador, e não uma qualidade da criação.

Por meio dessa separação, o Criador nos dá a oportunidade de receber uma qualidade, que não é característica para nós, por natureza, e não nos pertence . Nós não entendemos o que é o amor. Mas quando eu tento aprender a amar aqueles que estão fora de mim como eu faço comigo mesmo, ou seja, me relacionar com o meu próximo da maneira que faço comigo mesmo, isso é chamado de amor. Eu estou trabalhando contra meu egoísmo. Esta é uma força especial dentro de mim que sempre resiste a isso. Assim, existe uma oposição de duas forças que atuam em duas direções diferentes. O desejo atrai para si o prazer, mas acima dele existe uma tela (a força da minha resistência), que afasta este prazer e está pronto para doar-se acima dele.

Então, a partir da interação entre essas duas forças, eu posso entender o que é amar verdadeiramente outra pessoa em vez do meu próprio filho, do meu próprio cão pequeno, ou do meu próprio corpo.

E como eu me desenvolvo mais, o meu ódio contra os meus vizinhos cresce constantemente, mas eu desenvolvo a força do amor acima dele. Isso é chamado de amor somente após se elevar acima do ódio. Como se diz: “O amor cobre todas as transgressões”. Devido à colisão das duas qualidades opostas, a criação é capaz de obter a qualidade do Criador. Caso contrário, seria impossível e permaneceríamos dentro da natureza com a qual fomos criados.

No entanto, se quisermos ser criações (Nivraim), ou seja, personalidades independentes (Bar) do Criador, e ao mesmo tempo, alcançar Suas qualidades e o estado elevado, então somos obrigados a construir tal mecanismo de resistência dentro de nós. Haverá sempre duas forças opostas que agem dentro dele: a força do desejo de desfrutar e o desejo de doar que nós construímos acima do nosso egoísmo por nós mesmos, amor acima do ódio.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/06/12, Escritos do Rabash

A Religião Do Amor

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, do artigo “A Arvut (Garantia Mútua)”: O Rabino Elazar, filho de Rashbi (Rabino Shimon Bar Yochai), esclarece este conceito da Arvut ainda mais. Para ele, não é suficiente que todo Israel seja responsável por todos e cada um, mas que o mundo inteiro esteja incluído nessa Arvut. De facto, não há disputa aqui, pois todos admitem que para começar, é suficiente começar com uma nação no cumprimento da Torá para começar a correcção do mundo. Foi impossível começar com todas as nações ao mesmo tempo.

Assim, a implantação da Torá é chamada “correcção do mundo”, que foi designada para levar todos do ódio ao amor. Como está escrito no artigo do Baal HaSulam “A Essência da Religião e o seu Propósito”, a verdadeira “religião” é a sabedoria da Cabalá e o seu propósito é levar o mundo ao amor. O mandamento principal da Torá é “ame o seu próximo como a si mesmo”. Não há mais nada além disso.

Mas depois da destruição do Templo e da separação da verdade, como resultado da ocultação e da impureza, todos os tipos de religiões começaram a se desenvolver de acordo com o significado actual deste mundo. Elas começaram a se desenvolver a partir da sabedoria da Cabalá, que é a “religião” geral do mundo inteiro. Elas construíram uma relação egoísta para com o Criador e para com a vida quando deram a base das concessões mútuas: “Vamos de alguma forma ganhar o paraíso no outro mundo”.

Isso não pertence de forma alguma à verdade que precisamos descobrir aqui e agora, como é dito: “Você verá o seu mundo no seu período de vida”. De acordo com a definição, a sabedoria da Cabalá é a descoberta do Criador pelos seres criados neste mundo. Assim, não é necessário que acreditemos em nada ou realizemos quaisquer tipos de rituais, actos físicos, de forma a receber algum tipo de recompensa depois da morte do corpo animal. O “outro mundo” é Bina, doação, amor, onde está a intenção dirigida à doação pelo bem dos outros. Você está preparado para isto? Quer você atingir este tipo de mundo futuro durante a sua vida?

Precisamos diferenciar entre a verdadeira “religião” – a sabedoria da Cabalá – e as religiões normais, entre o verdadeiro acto de amor pelos outros – o principal e único mandamento – e entre todo o tipo de acções que o homem fabrica para si mesmo na esperança de receber recompensa depois da morte do seu corpo. Em geral, religiões, crenças, e vários tipos de sistemas causam separação entre pessoas e transmitem ódio entre elas, oposto à sabedoria da Cabalá, que fala sobre a união acima de todas as diferenças.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/6/12, “A Arvut (Garantia Mútua)”

Os Criador Governa Com Amor

Dr. Michael LaitmanPergunta: No caminho espiritual, o meu desejo egoísta se depara com sensações desagradáveis.

Resposta: Até o ponto em que você finalmente desiste e sente o quão bom isso realmente é. Agora você tem orgulho de si mesmo como um galo pomposo, então é claro que não sente agradável. Mas depois, você vai começar a valorizar a atitude do Criador e verá que Ele está realmente mostrando humildade. Diz-se que onde você revela a grandeza do Criador, lá você vai revelar Sua modéstia.

Não há nada maior do que a modéstia, mesmo que o egoísmo não concorde. A modéstia é resultado de uma reação à Luz Circundante do Criador, isto é, ao grau superior. Ela não aparece de imediato, é precedida pela compreensão do fato de que o Superior governa com amor. Para nós, o poder significa a tirania e a opressão, enquanto na espiritualidade é o oposto: o Superior se mostra a medida em Ele se curva diante de você. E você começa a valorizá-Lo por isso.

Pergunta: Nesse caso, quem trabalha com quem: Ele comigo, ou eu com Ele?

Resposta: É um trabalho mútuo. Diz-se “Eu sou o primeiro”. Em outras palavras, o Superior causa todos os seus estados; você sempre existir dentro das circunstâncias criadas por Ele. Portanto, primeiro de tudo, é preciso lembrar que vivemos num mundo que Ele criou. Depois, você precisa olhar para si mesmo de fora: “Como estou reagindo a isso? Sou capaz de fazer algo ou estou completamente enfraquecido? Eu estou com raiva? Não me rendo? Como posso responder ao meu estado atual? Posso ir para um estado desejado? E o que é isso exatamente?”.

Na busca por meios para fazer essa transição, você descobre que só é possível mudar seu estado por meio do Superior. Isso significa que você terá que pedir a Ele para fazer isso.

Quanto ao Superior, Ele construiu uma ordem estrita, uma cadeia de estados através da qual precisa levá-lo. Se você concordar com seu plano, se você pedir para ir para o próximo estado, você o revela como bom e favorável. Afinal, você O deseja e Ele o preenche. No entanto, se você não pedir o próximo estado, ele irá se manifestar através de qualidades más e sensações desagradáveis.

Portanto, a cadeia foi definida e tudo depende de sua preparação. Ao forçar o próximo estado, você o recebe como um presente, e, inversamente, rejeitando o novo grau, você o sente na forma de sofrimento, o qual, no entanto, ainda lhe ensina alguma coisa.

Pergunta: Isso significa que o meu pedido determina as sensações ao longo do caminho?

Resposta: Sim. Você precisa elevar MAN, um pedido de correção.

Pergunta: No entanto, a humildade me priva da força. É impossível avançar como isso já que o desenvolvimento se baseia num forte desejo egoísta. O que será deixado de mim depois da renúncia pessoal? Talvez eu obtenha uma nova mente, mas eu, eu mesmo, deixarei de existir.

Resposta: A renúncia pessoal é realizada através do poder da mente, por meio de uma familiaridade com o Criador, quando me curvo diante Dele, isto é, quando trabalho fundo no meu desejo. A renúncia pessoal é uma transição para uma ação de doação. Eu começo exatamente com a renúncia pessoal, eu aceito uma nova ordem de trabalho de acordo com a qual eu preciso me unir mais com os que me rodeiam, penetrar seus desejos, e formar um novo vaso. Isso requer uma série de ações diversas e interdependentes, uma vez que estou juntando partes mutuamente dependentes.

Portanto, aqui não há beco sem saída. O Criador simplesmente quer que você seja “um menino bom e inteligente”. Quando você se curvar diante do Criador, você está realmente se curvando diante da qualidade de doação, elevando-a acima do seu egoísmo, e continuando a trabalhar com esta qualidade. Portanto, comece anexando o seu ego à doação.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/05/12 , Baal HaSulam “600.000 almas”

Para Preencher O Coração Com Amor

Se apesar de tudo, nós derrubarmos todas as classes inventadas e pensarmos apenas em como conectar os corações (desejos) em um só coração (desejo) de amor para que ele cubra todas as deficiências aparentes sob a condição de “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, então vamos revelar o sistema unificado da natureza e sua força de amor, que vai preencher o nosso desejo comum (coração).

De Baal HaSulam, Pri Hacham (Fruto do Sábio), Carta 47, 1927

Não Afunde Os Outros Hoje, Para Que Eles Não Afogarem Você Amanhã

Dr. Michael LaitmanEu passei a minha vida inteira cuidando de mim mesmo, tanto interna e instintivamente, quanto conscientemente, intencionalmente e deliberadamente. Neste caso, como eu faço para mudar completamente a minha natureza? Como posso aprender a amar o próximo? Afinal, amar o próximo significa pensar apenas nele, colocar todo o meu corpo ao seu serviço, todos os meus meios, habilidades e geralmente tudo o que eu tenho. E fazer isso a tal ponto que não vou ter nada exceto esse ponto do desejo de doar para ele e implacavelmente cuidar dele para que ele se sinta tão bem quanto possível.

É assim que uma mãe cuida de seu filho. A própria Natureza a dirige incansavelmente para cuidar da criança, e a única coisa que lhe interessa na vida é que esses quilos de carne se sintam bem. Ela só pensa em como arrumá-lo confortavelmente, com que alimentá-lo, quando mudar a fralda, e no geral, o que fazer com ele para que ele se sinta ainda melhor. Não existe outro cuidado para ela.

Como podemos seguir o seu exemplo para que possamos tratar toda a humanidade da mesma maneira, com a mesma devoção? Isso é impraticável!

Mas, poderia a Natureza realmente definir condições impossíveis diante de nós? Por que, então, chegamos a um estado completamente oposto? Por que estamos totalmente imersos no interesse próprio? Além disso, embora os animais constantemente também se preocupem consigo mesmos, as pessoas, além disso, querem lucrar à custa dos outros, usá-los, impor seu poder e opiniões sobre eles, dobrá-los à sua vontade. Uma pessoa se deleita em se elevar sobre os outros. Além disso, ela gosta quando se sentem um pouco pior do que ela, quando ela está num estado mais vantajoso em relação a eles. Uma pessoa avalia constantemente a si própria em relação àqueles em torno dela, e só através disso é que ela estabelece a extensão da sua satisfação.

Se o egoísmo me levou ao ponto onde me sinto acima de todos e onde preciso deles somente para sentir a minha superioridade, como posso mudar essa natureza e mudar para um estado oposto? Talvez seja vantajoso para eu imaginar uma situação utópica em que me preocupo com meu próximo e recebo prazer disso, como uma mãe que cuida de seu bebê? Suponha que eu amasse os outros da mesma forma que ela faz e gostasse de estar constantemente cuidando deles, então, talvez, eu sentiria absoluta realização pessoal com isso?

No entanto, não vejo qualquer meio para conseguir isso. O que me obrigaria a isso?

Na verdade, a humanidade ponderou isso por milhares de anos. Ao longo da história, muitos livros foram escritos, muitas tentativas foram feitas para implantar algo semelhante: construir um bom ambiente, formar organizações correspondentes. Mesmo centenas de anos atrás, os utopistas tentaram criar as condições para as boas e afáveis relações entre as pessoas em diferentes cantos do mundo. No entanto, eles não tiveram sucesso na implantação dessas iniciativas.

No curso de nosso desenvolvimento, estamos nos tornando mais inteligentes e conhecendo a natureza humana cada vez melhor, e agora entendemos que somos incapazes de nos levantar acima da nossa própria natureza. Talvez seja mesmo uma coisa boa. Talvez isso nos dê algo especial. Mas, a construção de tal sociedade é impossível: uma ideia utópica, de fato.

É por isso que em nossas sociedades nos limitamos às leis de conduta, de modo a não prejudicar muito o nosso próximo. Nós temos advogados, contadores, sociólogos, psicólogos, políticos, e assim por diante, e eles padronizam as leis sociais. Nós nos unimos com os outros, mas apenas a fim de receber serviços. Por exemplo, um município se preocupa com a ordem na cidade, com a limpeza do lixo e outros serviços, como creches, escolas, centros culturais e assim por diante. Nós estamos dispostos a contar com as necessidades de todos e, neste caso, vale a pena nos unir. Afinal, graças a isso cada um paga uma quantia relativamente pequena para uma ampla gama de serviços. Essas coisas são claras para nós, pois através delas recebemos um benefício real, calculável.

Mas, quando se trata de mudar as atitudes das pessoas no reino dos sentimentos e emoções, de modo que a pessoa leve em consideração o seu próximo ao invés de ouvir seu próprio coração, isso é algo que não podemos fazer.

E aqui chegamos a um entendimento do estado especial da crise que estamos hoje. É uma crise muito estranha, e em sua essência, ela pertence às relações entre nós. Usando todas as mesmas formações egoístas já tentadas, buscou-se construir uma sociedade mais confortável para todos, tendo em conta os interesses comuns de uma forma ou de outra. Nós entendemos que um excesso de pessoas descontentes vai levar a confrontos e conflitos irreconciliáveis, e isso ameaça provocar guerras civis. Ao longo de todas as épocas, temos tido conhecimento de que o nosso egoísmo precisa ser bem refreado para que não nos devoremos uns aos outros.

No entanto, todos esses cálculos foram construídos sob um “guarda-chuva egoísta”: Nós entendemos que essa é a nossa natureza e que temos de nos conter dentro de certos limites. Mesmo que nosso mundo brilhe com facetas egoístas, ele ainda requer um mecanismo único, a fim de evitar os surtos que ameaçam destruir todas as nossas realizações. Foi assim que a humanidade chegou a criar o Banco Mundial, a ONU e outras organizações internacionais, e como chegamos a uma maior comunicação e a contabilidade mais completa de interesses.

Em particular, durante o último século percebemos que é necessário levar mais em consideração o outro. As duas guerras mundiais mostraram-nos que ninguém ganha na guerra desenfreada, pelo contrário, todo mundo sofre uma perda como resultado, e todo mundo paga um preço caro por isso.

É por isso que a humanidade criou todos os tipos de comunidades e canais de comunicação. Há ainda “botões vermelhos” em Moscou e Washington para o estabelecimento de contato de emergência em caso de uma ameaça global. Existe certa forma de confiança aqui simplesmente porque está claro para todas as partes envolvidas que ninguém sairia de um conflito incólume e proveitosamente. Assim, percebendo que não há alternativa, armados com uma base acumulada, podemos agora estabelecer certas interações e comunicação.

Por um lado, essa ainda é uma abordagem egoísta, mas por outro lado, tal processo ainda leva à proximidade entre nós. Mesmo que cada vez mais nós nos odiemos e queiramos matar os outros, está se tornando claro que eles são tão fortes, e, portanto, é vantajoso levarmos o outro em consideração.

De KabTV “Uma Nova Vida” #13, 11/01/12