Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Dois Pontos

527Eu devo criar um Kli para que o Criador possa preenchê-lo. Se recebo inspiração do Criador, isso não é mérito meu, mas Dele. Se recebo inspiração dos amigos, isso também não é mérito meu, mas deles.

Busco inspiração nos amigos. Eu, o insignificante que nada possui e é incapaz de se unir a eles ou desejar o Criador, recebo essa inspiração deles e ajo de acordo com ela. Eu mesmo adquiri essa inspiração.

Aqui, necessariamente, devem existir dois pontos: eu sou completamente anulado, um zero, o mais baixo dos baixos; contudo, recebi inspiração deles porque os exaltei aos meus olhos a uma grande altura. Então, a inspiração que recebi deles através do meu trabalho em relação a eles torna-se como Keter para mim, enquanto eu mesmo sou como Malchut. Aqui eu tenho como que um Reshimo de Hitlabshut e um Reshimo de Aviut. É assim que eu ajo. Não há outra maneira.

Se eu simplesmente me inspiro no Criador, é a inspiração Dele. E se eu simplesmente me inspiro em um amigo, é a inspiração do amigo. Como, então, ela se torna minha? Devem haver dois pontos aqui: eu, que não sou inspirado nem pelo Criador nem por qualquer outra coisa, agora me inspirei em um amigo.

Necessariamente, devem existir dois pontos. Onde está o ponto do meu “eu”? Como o revelarei se não agir de acordo com a regra de amar o próximo como a si mesmo?

Você demonstra grandeza aos seus amigos para que eles retribuam essa grandeza.

Pergunta: Por que, quando demonstro grandeza a eles, percebo ainda mais que eu mesmo sou incapaz dela?

Resposta: Você só poderá perceber que é incapaz se tentar isso com os amigos e, na prática, constatar que não consegue fazer nada. Em relação ao Criador, você não pode ver isso. Conclui-se que você deve receber tanto o ponto de Malchut quanto o ponto de Keter dos amigos, do grupo.

Da Lição Diária de Cabalá 11/01/26, Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”

Como Posso Me Autoavaliar?

294.4Pergunta: Como posso verificar se estou aplicando o esforço corretamente?

Resposta: Como verificar se seu esforço está correto? Existem muitas maneiras de verificar isso. Em primeiro lugar, observe se você realmente deseja aquilo que está fazendo. Geralmente, aquilo que você não deseja pode ser o correto. Em segundo lugar, verifique se é respeitado pelos seus colegas. Compare com o que está escrito nas fontes primárias e com o que o professor diz.

Antes do Machsom, não tínhamos um sistema claro pelo qual pudéssemos nos examinar e avaliar. Essencialmente, você está perguntando onde está esse padrão com o qual poderia se comparar e ver o quanto, mais ou menos, você corresponde a ele, ou, ao contrário, o quanto não corresponde.

Antes de você entrar no mundo espiritual, isso não lhe é revelado. É por isso que se chama “ocultação”.

Mas você pode se avaliar em relação ao seu desejo de receber, em relação ao grupo e ao professor; pelo menos dessa forma você pode se testar. Não é à toa que se diz: “Não confie em si mesmo até o dia da sua morte”. Enquanto o seu egoísmo não morrer, você pode cometer erros — erros terríveis, tolos e até mesmo os mais simples. É aqui que reside o interesse.

Você continua cometendo os mesmos erros repetidamente, como se estivessem nas mesmas situações, que parecem simples. Como isso é possível? Você passou por situações tão complexas, não se deixou abalar, conseguiu superá-las de alguma forma, e de repente cai em alguma tolice novamente?

É assim mesmo. Não conhecemos os graus. Parece-nos que cada grau é assim. Não. Eles podem aparecer para você de uma forma muito simples e natural. De repente, você se torna como uma criança que fica de pé e chora por ter perdido a mãe.

Todos os períodos anteriores ao Machsom são assim. Depois dele, tudo depende da tela, do grau em que você está fundido com o Criador.

Da Lição Diária de Cabalá, 08/01/26, Rabash, “Sobre a Recompensa dos Receptores”

O Mérito De Um Amigo

528.01Pergunta: O que significa se conectar com um amigo?

Resposta: Unir-me a um amigo significa que desejo entrar em comunhão com o Criador. Mas, infelizmente, não consigo alcançar isso sem me conectar com você. E você também precisa chegar à mesma conclusão: se não se conectar comigo, jamais alcançará o Criador.

O Criador, a adesão com Ele e a conquista de equivalência em qualidades com Ele é a nossa meta, tanto a sua quanto a minha. Ninguém alcançará isso sem se conectar com o outro, mas somente através do outro — sim.

União significa que o Kli (vaso) para alcançar o Criador está localizado dentro do seu amigo. Um Kli é a impressão, o anseio, a exaltação da meta, a grandeza do Criador.

Quando você sentir que está louvando o Criador, que está exaltando-O, saiba que não foi você, mas seu amigo, quem lhe proporcionou essa inspiração. Mas você só pode receber inspiração em troca de sua própria contribuição para Ele. Se você fizer isso, então, por meio disso, um Kli será criado, no qual você se esforçará para alcançar o Criador.

E até que você se conecte com um amigo e absorva a grandeza do Criador através dele, e saiba que foi o Criador quem lhe deu o anseio por Si mesmo. Foi Ele quem expressou Seu desejo por você, e não você por Ele.

Da Lição Diária de Cabalá 11/01/26, Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”

Em Que Consiste O Trabalho Com Amigos?

939.02Meu trabalho com um amigo é receber dele despertar, elevação, uma noção da importância do objetivo, da grandeza do Criador e louvor ao Criador. Na medida em que ele pode me proporcionar isso, eu exalto a conexão com Ele. Isso significa que eu exalto a conexão no grupo, e uma coisa desencadeia outra.

Mas tudo o que eu verifico, analiso e avalio em um amigo, toda a minha atitude em relação a ele, deve estar em conformidade com a atitude dele em relação ao Criador. Não importa o quanto possa parecer diferente para mim, é assim que funciona.

Não devo penetrar em sua alma, nem forçá-lo a falar sobre seu relacionamento com o Criador. Mas a forma externa pela qual ele expressa seu anseio pelo Criador me permite compreender que ele o deseja ardentemente.

Tenho a obrigação de estar sob a influência dos amigos, de aumentar meus desejos através da conexão com eles e de interagir com eles, o que opera em duas direções: de mim para eles e vice-versa.

Se você perceber que eles estão aqui e verdadeiramente prontos para isso, significa que o Criador os trouxe até você, e, de acordo com isso, você deve se relacionar com eles de uma maneira especial. Você não tem escolha, mas Ele tem, e Ele os escolheu precisamente. A partir deste ponto, comece a desenvolver sua atitude em relação a todo o grupo.

Da Lição Diária de Cabalá, 11/01/26, Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”

É Possível Se Forçar A Amar?

231.01No artigo “Sobre a Recompensa dos Receptores”, Rabash escreve que existem coisas proibidas; coisas permitidas que não podem ser recebidas por mera liberalidade, mas que são necessárias; e também coisas recebidas através do cumprimento de mandamentos que não podem ser recebidas por mera liberalidade.

Além disso, existem coisas permitidas e coisas recebidas por meio de mandamentos que podem ser recebidas em prol da doação. De acordo com o nível de desempenho, a pessoa recebe uma recompensa.

E o que é essa recompensa? Recompensa significa realizar a ação da maneira mais otimizada, através da qual a pessoa atinge a equivalência de forma. Por que, então, não dizem que a equivalência de forma é o objetivo, mas sim que o objetivo é a recepção em prol da doação? Porque o resultado não depende de nós. O resultado provém da lei do Criador, enquanto a ação depende de nós.

Isso é semelhante à forma como Rabash explica a questão do amor: Como alguém pode se forçar a amar o Criador, ou a “amar o próximo como a si mesmo”, quando não podemos interferir nisso? Como posso forçar meu coração a amar alguém?

Em nosso mundo, isso pode ser alcançado por meio do esforço — quando me dedico a alguém, dou-lhe algo, cuido dele. Isso fica evidente no exemplo de pessoas que adotam uma criança para criar, e a criança se torna completamente sua, porque elas investem nela.

Antes de investirem nela, não sentiam nenhum amor por ela — nem amor natural e instintivo, nem amor acima da natureza. Mas depois de investirem uma parte de si mesmos nela, ela se torna muito importante para eles, porque é essa parte de si mesmos nela que eles amam, e disso nasce o amor pela criança.

Assim também acontece conosco: quando desejamos receber e transmitir algo a alguém, cria-se uma conexão entre nós. E na espiritualidade, quando queremos amar alguém que nos é completamente estranho, com o intuito de dar (e não de receber, pois nesse caso estaríamos falando de um sentimento animal), trata-se de uma lei diferente, como está escrito: “Ame o Senhor, seu Deus”.

Da Lição Diária de Cabalá de 01/08/26, Rabash “Sobre a Recompensa dos Receptores”

Para Cumprir A Tarefa Espiritual?

938.07Nossa correção em relação à doação não deve ser direcionada ao nosso próximo, mas sim à correção de nossa conexão com o Criador. Só então ela se tornará verdadeiramente boa para o próximo, pois, na verdade, tudo o que existe no mundo provém do Criador.

Mas se você quer mudar o estado deste mundo, você deve mudar o que vem do Criador. E isso só pode ser feito se você doar a Ele. E na medida em que você doar melhor, Ele não precisará afetar o mundo de uma maneira pior.

Você pode chegar a isso através da sociedade, quando você doa aos seus amigos e eles doam a você, vocês criam um grupo, e assim como no final da correção no nível espiritual vocês se unem em almas, vocês tentam se unir aqui, na tarefa espiritual, isto é, de fato, ascender a esse nível.

Com isso, você evoca a luz circundante em nosso mundo e obriga o Criador a dar mais luz a este mundo.

Da Lição Diária de Cabalá 07/01/26, Rabash, “Sobre o Medo e a Alegria”

Em Vez De “Eu” — “O Grupo”

938.01Qual é a conexão entre nós? Na medida em que temos uma conexão uns com os outros e a protegemos, então, a partir dessa conexão, nos conectamos com alguém de fora. Além disso, pode ser que apenas um de nós se conecte com alguém externo, mas o faz a partir da conexão criada por todo o grupo.

Conectar-se a partir do interior da relação entre os amigos significa que cada amigo se sente dessa forma, se apresenta como representante de todo o grupo e se conecta com alguém como se fosse o grupo inteiro.

Pergunta: O que significa sentir-me parte do grupo inteiro?

Resposta: Estas já são sensações internas. Mas se houver uma conexão entre os amigos no grupo, então em cada um deles, em vez do seu “eu”, existe a noção de “o grupo”, e o “eu” é apagado. Se o “eu” é apagado e em seu lugar aparece “o grupo”, então com essa qualidade, que é chamada de “o grupo”, ele se conecta com alguém externo.

Da Lição Diária de Cabalá 07/01/26, Rabash “Sobre o Medo e a Alegria”

Nascido Da Luz E Da Escuridão

276.02O Criador criou o desejo de receber prazer, cujo preenchimento é o próprio Criador. E se o desejo fosse sentir o Criador, nos sentiríamos bem; isto é, receberíamos prazer. Então, o que nos falta? Falta-nos um desejo verdadeiro. Porque o desejo criado pelo Criador não é verdadeiro; ou seja, a criatura não sente esse desejo como seu.

Então, como pode surgir um desejo verdadeiro dentro da criatura? Como podemos nos forçar a buscar um desejo que antes não existia em nós? Isso só é possível na direção oposta. O Criador criou o desejo e o deu à criatura. E agora, a partir desses dois componentes — o desejo e a luz — a criatura deve construir um novo desejo.

Acontece que a criatura aparentemente “cria”, constrói-se a partir do zero, deste mundo para o mundo do Infinito. É por isso que uma pessoa é chamada de criatura. Mas até que dê à luz seu novo desejo, ela ainda não é chamada de criatura, e isso é simplesmente natureza: inanimada, vegetativa, animada e humana. Tudo isso é natureza, criada pela expansão de cima para baixo.

E a ascensão de baixo para cima é o desenvolvimento do desejo em direção ao espiritual, em direção ao Criador, ou seja, um desejo que antes não existia de forma alguma na criatura. Esse novo desejo nasce somente agora, do trabalho de esclarecimento da pessoa entre seu ponto no coração e seu desejo natural e instintivo, isto é, entre a luz e a escuridão.

A luz circundante ajuda-nos a esclarecer a essência do choque entre estas duas entidades dentro de nós: luz e escuridão, o ponto espiritual no coração e a nossa natureza egoísta. E se concluirmos que a espiritualidade é mais importante do que a corporeidade, e escolhermos a espiritualidade entre estas duas, este é já um desejo que não existia antes. É precisamente isso que se chama criatura.

Precisamos trabalhar apenas nesse novo desejo. E todos os outros desejos que originalmente existiam dentro de nós (inanimados, vegetativos, animados, humanos), ou seja, desejos por prazeres, riqueza, poder, conhecimento, isso é simplesmente natureza, que não requer correção.

Não somos obrigados a ganhar dinheiro para oferecê-lo ao Criador, a buscar poder por Sua causa ou a estudar ciências por Sua causa. Devemos direcionar apenas o desejo que está acima de todos esses desejos materiais para o Criador, o desejo pela espiritualidade.

A sabedoria da Cabalá não trata da correção do caráter humano, pois isso se relaciona a qualidades inatas. Uma pessoa nasce impetuosa, outra fleumática; nenhuma delas precisa de correção, nem isso é possível. O que deve ser corrigido é apenas a atitude em relação ao Criador, ou seja, o novo desejo que nasce na ascensão de baixo para cima.

Esse desejo é chamado de desejo verdadeiro. Ele não é dado pelo Criador por natureza; antes, a própria criatura o gera a partir do choque de pensamentos, contradições, dúvidas e sua própria falta de compreensão.

Esse desejo nasce dos esforços de uma pessoa a partir de três componentes:

  • a centelha espiritual implantada em nós, chamada ponto no coração;
  • o próprio coração, ou seja, nosso egoísmo, toda a nossa natureza;
  • a luz circundante que nos ilumina.

Se não fosse pela luz circundante, que atraímos através do estudo em grupo, não seríamos capazes de esclarecer esse desejo e concretizá-lo a cada vez em níveis cada vez mais elevados.

Buscamos cada vez mais a espiritualidade, mas para nosso próprio benefício. Somente quando esse desejo egoísta por espiritualidade preenche todo o ser de uma pessoa, isto é, quando supera todos os seus desejos naturais por prazeres, riqueza, poder, conhecimento, e os suprime a ponto de a pessoa viver por uma única aspiração: a espiritualidade, o Criador, o que chamamos de “perder o sono”, então ela recebe a correção da tela – o primeiro desejo corrigido em sua alma.

O principal é cultivar o desejo correto. Por ora, não importa se é para si mesmo ou para a doação, contanto que não se revista das vestes deste mundo, mas seja direcionado para o alto. Então receberemos uma resposta a ele.

Da Lição Diária de Cabalá 05/01/26, Rabash, Artigo 11, “Uma Oração Verdadeira é sobre uma Deficiência Real”

A Única Coisa Que Nos É Imposta

938.04Uma pessoa deve ver os amigos como partes de seu próprio Kli, que o Criador reuniu para ela. Ela recebe a oportunidade de realizar essa ação precisamente com aqueles que estão próximos a ela, e eles são verdadeiramente o campo de seu trabalho.

Se ela se conecta a eles, cada um de seus amigos é como um representante de milhões ou bilhões de outras pessoas no mundo. Não vemos isso agora, mas quando se tornar evidente, entenderemos que é de fato assim.

Portanto, devemos nos relacionar dessa forma com os amigos, com o grupo, com a importância do encontro entre amigos. É exatamente isso que devemos exigir de nós mesmos e do ambiente que estamos construindo.

Devo me ver como se já tivesse recebido tudo o que tenho e nada me faltasse. Pois, se eu realmente compreender minha conexão com os amigos segundo a regra “ame o seu próximo”, terei um Kli no qual, pela lei da equivalência da forma, a luz aparecerá imediatamente e tudo será revelado.

Ou seja, tudo depende apenas do Kli que devo construir. Esta é a única coisa que me foi imposta.

Da Lição Diária de Cabalá 11/01/26, Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”

Esforce-se Pela Conexão Da Alma

942Esforçar-se pela espiritualidade significa esforçar-se pela conexão com todas as outras almas, pois esse é o nosso estado espiritual. É impossível imaginar a espiritualidade fora dessa ação. Todas as outras representações e estados que podemos imaginar não são espirituais.

Como está escrito, “Ame o seu próximo como a si mesmo” é uma grande regra da Torá. Isso significa construir um vaso no qual a luz, a Torá e o Criador possam certamente entrar.

No artigo “A Agenda da Assembleia”, Rabash descreve as expectativas que se deve ter ao participar do grupo, bem como os pensamentos que se deve cultivar e o resultado que se almeja alcançar com o encontro. Todos os desejos, toda a grandeza que se sente, devem ser “plantados” no solo do grupo para que deem frutos. Portanto, devemos garantir que o encontro entre amigos proporcione força para todas as outras horas do dia e da semana.

A grandeza que se sente pelo grupo leva ao louvor do grupo e ao louvor e à grandeza do Criador. Uma pessoa deve sair de uma reunião de grupo com a sensação de ter adquirido a força que a ajudará a alcançar o objetivo da criação.

Uma pessoa não tem outra fonte de força além do grupo. Ela deve trabalhar na construção de seu Kli, e seu Kli deve necessariamente incluir todas as outras almas.

Da Lição Diária de Cabalá 11/01/26, Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”