Textos na Categoria 'Religião'

Hora De Sair Do Esconderijo

laitman_533_02Nós sabemos quanto sofrimento passaram as pessoas que se envolveram com a disseminação da sabedoria da Cabalá desde o tempo que o método do Ari começou a ser introduzido nesse mundo. E isso não é por causa da má vontade de alguém, mas porque nós existimos num sistema quebrado.

No momento em que você começa a sair com sua ideia espiritual que é dirigida à conexão entre as pessoas, você imediatamente se colocar sob o fogo de todas as direções.

Alguém que era neutro e até mesmo apoiava você também vem contra você. Afinal, você está despertando forças anti-egoístas, e o egoísmo é a natureza do mundo inteiro. Assim, vemos que não há quaisquer pessoas nas quais o antissemitismo não esteja se escondendo, afinal de contas, ele vem da natureza. É possível acender o fogo desse ódio em todos.

Do mesmo modo, qualquer pessoa que ouve sobre a sabedoria da Cabalá a odeia, porque está na natureza dos desejos quebrados. E se ela é atraída para a sabedoria da Cabalá, é somente por curiosidade. Mas, na verdade, ela a odeia, e na medida em que ela se aproxima, ela odeia cada vez mais, até que a abandona.

Deve haver grande ajuda de cima e trabalho nesse mundo, para que juntos eles influenciem uma pessoa, e ela atravesse a Machsom (barreira) potencial diante dela, salte sobre ela, e suba ao seu primeiro nível espiritual.

Nós sabemos como os primeiros Hassidim sofreram; eles foram presos na Rússia e na Ucrânia. Contra eles estavam os Mitnagdim (o movimento contra o Hassidismo). Esses judeus religiosos odiavam os Hassídicos que queriam disseminar a sabedoria da Cabalá, tanto que se esforçaram em prendê-los e condená-los à morte. O fogo do ódio queimava nos judeus religiosos sobre aqueles que tentavam abrir a sabedoria da Cabalá e que falavam sobre conectar pessoas e revelar os corações, de modo que esse ódio é sentido até hoje, apesar do Hassidismo moderno não ser uma ideologia como antes, e, portanto, não há tanta oposição a ele.

Nós sabemos o quanto Baal HaSulam sofreu. Quando ele publicou o jornal, A Nação, este foi imediatamente fechado. Ele planejava escrever 50 artigos continuando com “Matan Torá (A Entrega da Torá)”, “O Arvut (Garantia Mútua)” e “Paz no Mundo”. Mas, em vez de 50 artigos, ele publicou apenas quatro, na medida em que foi forçado a parar porque o jornal foi fechado. Ele disse: “Dessa forma, a geração não está pronta para isso, e não há ninguém para quem escrever!” Quantas novas ideias teríamos recebido se ele não tivesse parado?

Mesmo durante a minha vida com o Rabash eu vi o quanto era difícil estar envolvido com o estudo da Cabalá. Hoje em dia existem muitos desses grupos, e se você se sentar em seu canto e não sair, está tudo bem, não haverá oposição. Mas, no momento em que você sair, você receberá golpes. Como os judeus que viviam no exílio nos guetos fechados, os Cabalistas viviam entre os judeus.

Mas chegou o momento em que devemos sair do esconderijo, não por causa de alguma ideia abstrata, mas porque a correção em nossa geração só é possível com a inclusão das massas de pessoas. A conexão entre elas é a única condição necessária para a revelação. Resulta que, se eu não me conecto aos outros, não crio as condições, os meios, a base, o portador em que a Luz pode ser revelada.

Então, todo o meu estudo seria em vão; ele não traria qualquer valor agregado que me permitiria a perceber a mim mesmo e verdadeiramente merecer a descoberta da Luz, a revelação do Criador, elevando-me ao primeiro nível espiritual. Isso só é possível se milhares mais se conectarem com isso. Mesmo que o poder de cada um seja mínimo, juntos eles são fortes em quantidade que trabalha em conjunto com a força qualitativa que agia em gerações anteriores.

Assim nós recebemos a oportunidade de preencher o desejo que está queimando dentro de nós. Ele queima um pouco em cada um, como uma vela fina. Mas se conectarmos muitas velas juntas, um incêndio gigantesco é criado que está preparado para iluminar com a Luz espiritual.

Da Conversa sobre a Importância da Disseminação 19/03/14

A Diferença Entre A Abordagem Secular E Religiosa

Laitman_631_4Pergunta: Qual é a diferença entre a abordagem religiosa e secular da vida? Por exemplo, eu me considero uma pessoa secular, mas sempre tenho um conflito interno, e é difícil descobrir onde em mim a pessoa secular termina e começa a religiosa. A mesma divisão existe em toda a sociedade israelense.

De acordo com a última pesquisa: 50% dos israelenses são completamente seculares, 17% observam as tradições, mas não se consideram religiosos, 13% observam as tradições e se consideram religiosos, 12% são religiosos e 8% são ortodoxos religiosos.

Resposta: As pessoas seculares acreditam que o mundo é governado por leis da natureza e que não há mais nada a não ser o que vemos e descobrimos através da ciência. A abordagem secular da vida significa que o mundo deve ser tomado tal como ele é, de acordo com os próprios sentimentos, sem depender de quaisquer forças superiores, destino, vida após a morte. Quaisquer fenômenos não solucionados não são mais do que uma invenção da nossa imaginação e fantasia.

A abordagem secular é a abordagem real. Dentro dela há muitas variedades que definem a relação do homem consigo mesmo e a sociedade, mas elas não são ao nível da diferença entre a abordagem religiosa e secular.

A abordagem religiosa baseia-se na crença na força superior que criou o mundo e nos coloca em condições que temos que executar. Se nós cumprirmos todos os desejos da força superior, mereceremos o prêmio, se não os cumprirmos, seremos punidos.

Existem diferentes tipos de relações com a força superior, de atitudes em relação à recompensa e punição, a participação de uma pessoa nisso e sua liberdade de escolha. Mas a questão é que as pessoas religiosas levam em conta a existência da força superior, um projeto superior, um programa, o propósito da criação. Assim, o centro da criação não é mais o ser humano, mas a Força Superior, o Criador.

Como as pessoas acreditam que o Criador dispõe e organiza tudo em resposta ao seu comportamento, elas devem continuamente relacionar suas vidas à Força Superior. Ou seja, elas pensam que a pessoa é dependente não das leis da natureza cega, mas da vontade do Superior. Portanto, é necessário orar para o Alto, pedir, se envergonhar, arrepender-se por suas ações passadas.

Muitas religiões e crenças existiram e desapareceram ou continuam existindo hoje. A religião tem uma grande influência sobre o mundo e sobre a humanidade. Durante os últimos dois mil anos a humanidade evoluiu sob a influência da religião, primeiro surgiu o judaísmo, após a destruição do Segundo; depois veio o cristianismo e o islamismo.

Todas essas religiões estão lutando entre si, e existem relações muito complexas entre elas. Cada religião tem muitos movimentos: católicos, protestantes, cristianismo ortodoxo, xiitas e sunitas no Islã, e muitas correntes do judaísmo.

Cada sinagoga em Israel é de alguma forma diferente do resto. Sem mencionar o conflito entre o secular e o religioso que não são capazes de organizar suas vidas de modo a não interferir um com o outro, mas querem impor sua própria visão sobre os outros.

Eu não quero julgar quem está certo e quem está errado. Mas tal conflito só existe em Israel. Por exemplo, nos EUA ou na Europa não há conflito entre religiosos e seculares. Se você é um judeu, ninguém se importa se você vai à sinagoga aos sábados ou apenas nos principais feriados.

No exterior, os judeus sentem que pertencem a uma nação. Em Israel, há um conflito, porque a religião não é separada do Estado e está envolvida numa luta pelo poder. Assim, ela parece na área de interesse geral, onde os nossos desejos se chocam. Ao longo dos anos, esse conflito aumenta, porque todo mundo acredita que o lado oposto quer pegar um pedaço dele.

Este confronto na sociedade está ganhando força, levando a tal ódio e divisão, que nunca existiu entre o povo de Israel. E eu não acho que isso seja o resultado de uma abordagem diferente do mundo. É apenas uma luta pelo poder em nossas vidas: desejos de alguns de controlar os outros e o Estado para servir seus interesses, seja da comunidade secular ou religiosa.

A luta é pelo Estado, pelo poder, pelos cofres do Estado, usando-o para seu próprio benefício.

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/05/15

Israel: Dos Primeiros Colonos Aos Dias Atuais

laitman_742_02Pergunta: Por que os primeiros colonos em Israel perderam a sua principal essência interna das relações mútuas entre si e simplesmente aceitaram o socialismo com todas as suas implicações e erros?

Resposta: O fato é que em Israel havia exclusão mútua entre os Cabalistas e o judaísmo tradicional, entre o Rav Kook e as pessoas religiosas. Rav Kook pedia a unidade, a Luz que é refletida em seus escritos, enquanto os outros líderes judeus continuaram a educar os seus seguidores de acordo com os princípios estabelecidos no exílio.

Eles não saudaram o renascimento espiritual da nação de acordo com o princípio do “ama o teu próximo como a ti mesmo”. Até agora, essa condição não foi cumprida, porque eles estão aguardando a chegada do Messias, isto é, certa força, certas circunstâncias especiais que revelarão o amor ao próximo em nós. Eles não percebem que isso só é possível devido ao nosso próprio trabalho interno, como a sabedoria da Cabalá nos fala. Do ponto de vista Cabalístico é totalmente errado amarrar o cumprimento da lei do “ama o teu próximo como a ti mesmo” a alguma iluminação superior ou a uma determinada pessoa ou líder.

Após a primeira onda de colonos em Israel, houve uma delimitação entre Cabalá e Judaísmo. Afinal de contas, as massas que vieram a Israel rejeitaram totalmente a religião, ou se agarraram a seus quadros corporais comuns. O número de Cabalistas entre elas era muito pequeno e ninguém os ouvia. Além disso, eles tinham medo de falar em público, com medo de criar uma situação que os forçasse a deixar o país.

Logo ficou claro quem pertencia a qual acampamento entre os colonos, o que causou a divisão entre a sociedade de acordo com os princípios políticos, econômicos, espirituais e físicos. Isso levou a grandes problemas. Nenhum dos famosos Cabalistas que viveram aqui foi capaz de falar abertamente sobre a correção espiritual. O Rav Kook, por exemplo, usava uma linguagem que não podia ser compreendida; portanto, todos o consideravam como um ideólogo comum, não um Cabalista.

O grande Cabalista Baal HaSulam tentou publicar um jornal para alcançar o povo, mas não foi capaz de conseguir algo; o jornal foi fechado sob a acusação de ideias pró-comunistas. Afinal, se você persegue o princípio do “ama a teu próximo como a ti mesmo”, isso é percebido como um princípio comunista.

Assim, um quarto de século após o primeiro congresso sionista na Basileia, a situação em Israel é que nós temos que reviver tudo de novo hoje. Há muitas pessoas e movimentos que se opõem à abordagem Cabalística de criar uma nação, já que cada um está tentando pegar um “pedaço” para si mesmo para se tornar um pequeno rei em sua própria comunidade.

Nós vemos quão dividido e dilacerado é o judaísmo moderno; existe um enorme confronto entre as facções religiosas e não-religiosas da sociedade. A nação inteira está dividida em vários setores.

Eu acho que hoje nós podemos falar abertamente sobre a sabedoria da Cabalá e com um apelo ao amor ao próximo, como consequência da profunda frustração que as pessoas estão agora começando a sentir e perceber como resultado da experiência acumulada ao longo de 150 anos de desenvolvimento.

Portanto, nós temos a oportunidade de ficar sobre os ombros dos primeiros colonos e fundadores do país para pedir ações práticas com base em nossa constituição interna do “ama teu próximo como a ti mesmo”.

De KabTV “Sobre a Nossa Vida” 07/05/15

Jerusalém – A “Cidade Perfeita”

Laitman_421_01Pergunta: Como é que as três religiões do mundo, que têm tantos desentendimentos entre si, concordam que Jerusalém é a cidade santa?

Resposta: Todas as três religiões do mundo estão conectadas com Abraão e com o fato de que a sabedoria da Cabalá entrou em ocultação. Cerca de dois mil anos atrás, após a destruição do Segundo Templo, o povo de Israel caiu do nível espiritual que se encontrava anteriormente, do amor fraternal, e caiu no ódio infundado.

Tudo o que os judeus tinham tomado dos sagrados livros Cabalísticos se transformou no judaísmo do exílio. Assim, o judaísmo se desenvolveu seguido pelo cristianismo e, depois, o Islã. Todas essas religiões surgiram porque o povo de Israel perdeu sua espiritualidade.

Tanto o cristianismo como o islamismo tomaram emprestado seus símbolos do judaísmo, e é por isso que Jerusalém se tornou uma cidade santa para eles. Todo mundo sente que essa cidade tem algo de especial (judeus, muçulmanos e cristãos), porque tal atitude é inserida numa pessoa desde a sua infância.

Mas uma coisa é atribuir santidade a pedras e outra coisa edificar Jerusalém em seu coração. Jerusalém é uma “cidade perfeita”; são as propriedades onde a pessoa revela o Criador. A força superior de doação e amor é revelada na terra de Israel, em Jerusalém.

O coração é todos os desejos humanos. Revelar o Criador significa alcançar essas propriedades corrigidas que me permitem doar a todos. Se eu saio do meu egoísmo e começo a amar o outro como a mim mesmo, nessa aspiração eu revelo a terra de Israel (Yashar El – direto ao Criador), a cidade perfeita de Jerusalém, minhas propriedades corrigidas de doação, e o Templo, e o Criador nelas, e me uno com Ele.

No final, todos se esforçam em alcançar este verdadeiro conceito de Jerusalém, mas não sabem o que está escondido por trás dele. Todo mundo deve passar por esse processo de criação interna de si mesmo, independentemente da religião que professam.

Na verdade, todos nós saímos da Babilônia. Alguns se juntaram a Abraão e foram com ele, e alguns dos babilônios ainda não estavam prontos para isso. Mas, no final, todos devem chegar a isso, como está escrito: “… pois todos Me conhecerão, do menor ao maior deles” e “… minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”.

Portanto, Jerusalém está no centro da atenção geral, porque todos os povos devem se reunir nela, não fisicamente, mas num sentido espiritual. As religiões só preparam a humanidade para o estágio onde estamos agora, para chegar à revelação do Criador.

Pergunta: Como se parecerá o nosso mundo quando cada pessoa construir Jerusalém dentro de si?

Resposta: Todas as pessoas se tornarão irmãs. O conceito de Jerusalém significa que todos nós estamos conectados uns aos outros e nos tornamos irmãos, como um homem em um só coração. Esse estado é chamado de “cidade perfeita”.

Pergunta: Nesse caso, não importa qual a religião a pessoa professa, correto?

Resposta: Então, não haverá nenhuma religião. Todas desaparecerão, pois serão substituídas pelo conhecimento do Criador, como está escrito, “Conheça o seu Criador”.

De KabTV “Uma Nova Vida” 07/05/15

A Cabalá Não É Uma Seita

laitman_214Pergunta: Como você reage ao fato de que, às vezes, sua organização é chamada de uma seita? Uma seita é algo que está fora da visão de mundo geralmente aceita. Em outras palavras, o Judaísmo apresenta certas coisas de uma maneira, enquanto que você as explica de uma forma completamente diferente. Aqueles que representam o Judaísmo Ortodoxo estão muito frustrados com este fato.

Resposta: Naturalmente, aqueles que estão envolvidos com a Cabalá permanecem sob o olhar atento do Judaísmo tradicional. Afinal de contas, até que os Judeus foram expulsos, não havia nenhuma coisa como o Judaísmo por si, já que o nosso povo observava a grande lei da existência: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. E agora temos que voltar a ela. Mas ela contradiz a religião convencional, porque a religião esqueceu que amar nossos próximos é sua fundação…

Três mil e quinhentos anos atrás, na antiga Babilônia, Abraão, o fundador de todas as religiões do mundo, revelou o propósito da evolução humana: harmonizar todos com a natureza (o Criador – Elokim, cujo valor numérico na Gematria é idêntico à palavra “Teva” – natureza).

Tendo revelado essa questão, Abraão escreveu seu primeiro livro sobre Cabalá, o Sefer Yetzira (O Livro da Criação). Ele ainda hoje é vendido em livrarias mesmo que tenha sido escrito há muitos séculos atrás.

De acordo com o entendimento de Abraão, a humanidade enfrenta o desafio de alterar nossa natureza egocêntrica e substituí-la por uma natureza autêntica, altruísta, ou seja, atingir a condição de amar nossos próximos como a nós mesmos.

Não somos um povo no sentido convencional da palavra. Pelo contrário, somos um grupo que três mil e quinhentos anos atrás se uniu sob um princípio ideológico.

Portanto, você pode chamar todos os Judeus de uma seita, embora a maioria deles ainda não saiba de onde veio ou por que está aqui.

Pois mil e quinhentos anos antes do ano zero da nossa era, nós vivíamos acima dos nossos egos e observávamos a lei de amar nossos próximos como a nós mesmos. Elas não são apenas palavras, mas uma indicação da necessidade de mudar a natureza humana.

Mais tarde, nós caímos para o nível chamado “a destruição do Templo” ou “o exílio”. Nos últimos dois mil anos nós temos vivido no exílio.

É por isso que a religião apareceu em vez da Cabalá. A religião alegava que, se a pessoa cumprisse mecanicamente todos os mandamentos, ficaria saudável e feliz, e depois da morte receberia um lugar no paraíso.

Até o século XVI, a sabedoria da Cabalá estava oculta da humanidade, e no século XVI ela foi redescoberta para nós pelo grande Cabalista ARI que viveu em Tzfat. Mais tarde, o famoso Cabalista Baal Shem Tov começou a disseminar a Cabalá na Rússia, Bielorrússia e Ucrânia.

Os escritos dos discípulos do Baal Shem Tov não são apenas Hassidismo! É a Cabalá autêntica e verdadeira! Portanto, da época do ARI em diante, a Cabalá foi revivida mais uma vez sob a forma do “ama o teu próximo como a ti mesmo”, porque ao observar esta lei alcançamos a similaridade com a natureza que é totalmente fechada, e dentro está no nível da sinergia, perfeição e harmonia.

Mais tarde, a grande Cabalista do século XX, Baal HaSulam, escreveu comentários sobre obras do ARI e o Livro do Zohar. Ele simplificou a linguagem e disponibilizou essas fontes para nós.

Nós acreditamos que a lei do “amar nossos próximos como a nós mesmos” é o núcleo da nossa existência. Hoje é essencial reviver essa lei porque o mundo atingiu uma crise geral, global. A ciência da Cabalá diz que esta não é apenas uma crise menor, transitória; pelo contrário, é um ponto de transição para o próximo nível existencial.

Nós estamos diante de um desafio transformacional: nós também vamos chegar à similaridade com a natureza, ou seja, construir uma sociedade homogênea, comum, inclusive com a ajuda da Cabalá, que nos explica como nos tornar novamente um povo e nos ensina os caminhos para conduzir a humanidade à unidade ou… O importante é que temos que fazer isso voluntariamente, conscientemente, intencionalmente, ter uma profunda compreensão do que está acontecendo e o que estamos fazendo.

Caso contrário, nós seremos forçados a prosseguir esse caminho pela natureza, a qual nos tornamos ainda mais opostos.

E aqui nós podemos enfrentar um problema grave, um enorme recrudescimento do antissemitismo está a caminho. Não é um fenômeno temporário. É uma condição permanente, profunda que pode fazer as nações do mundo odiar o povo de Israel. Será a maior animosidade já vista; conduzirá o mundo inteiro a tremendas dificuldades, até mesmo à próxima guerra mundial.

Isso explica por que não podemos ficar calmos ou indiferentes. É essencial explicar a todos que a mensagem “ama o teu próximo como a ti mesmo” não é apenas belas palavras que usamos para acalmar nossos filhos quando lhes dizemos “não briguem! Sejam legais com seus amigos”. Na verdade, é a lei geral da integridade e interconexão global da natureza, enquanto que a humanidade age como um tumor canceroso que devora a si mesmo.

Portanto, de acordo com a lei natural do desenvolvimento, nós devemos chegar à conformidade com a lei básica, a lei da homeostase.

Da Coletiva de Imprensa 11/03/15

Pedras Comuns Da Cidade Santa

Laitman_421_01Pergunta: Todas as três religiões consideram Jerusalém como uma cidade sagrada. Por que há uma atitude muito especial para com esta cidade como se ela conectasse a pessoa com a força superior?

Resposta: “Jerusalém” significa “cidade perfeita”. É um conceito espiritual que não adiciona santidade à cidade material e suas pedras.

Enquanto o ser humano é feito de uma forma muito complexa, ele é fortemente influenciado pela força da fé humana simples, o poder do placebo, suas crenças. Assim, ao chegar em Jerusalém, as pessoas sentem que este é um lugar especial.

Mas este é um lugar sagrado especial criado pelo próprio povo, por sua atitude para com esta cidade, mas a cidade material não tem nenhuma santidade. Todas as diferenças entre posições geográficas estão em suas raízes espirituais.

Está escrito no livro do grande Cabalista Ari, A Árvore da Vida, que a terra inteira está dividida em áreas de acordo com poderes espirituais especiais que as afetam: Jerusalém, a terra de Israel, Líbano, Síria, Jordânia, Babilônia e os outros países do mundo.

Isso se refere às raízes espirituais, mas não há nenhuma diferença nas pedras físicas. Porém, as pessoas que vivem neste mundo são impressionadas pelos outros e, assim, dão a estas pedras, atmosfera e localizações geográficas denominações especiais.

Nós precisamos entender que apenas nos elevando acima dessas experiências humanas materiais seremos capazes de atingir uma impressão verdadeira, correta que virá da propriedade espiritual chamada Jerusalém, o Monte do Templo, o Templo, Israel, as nações do mundo.

Todas essas são propriedades internas do ser humano; as forças superiores que precisamos revelar. Então, a Jerusalém espiritual será revelada a nós e dentro do templo espiritual, que é o “Santo dos Santos”, onde nos encontraremos com a força superior.

Assim, todo mundo tem que chegar à reavaliação da força superior e à adesão com o Criador.

De Kab TV “Uma Nova Vida” 07/05/15

Tudo É Transitório – Apenas A Relação Com O Eterno É Eterna

Laitman_631_5Pergunta: Jerusalém é uma cidade de três religiões. No Islã, Jerusalém é considerada uma cidade sagrada porque, de acordo com a lenda, o Profeta Maomé foi milagrosamente transportado de Meca a Jerusalém e de lá ascendeu ao céu. Por que todas as religiões apontam para Jerusalém?

Resposta: Todas as religiões falam da força superior. A diferença é que cada uma delas reconhece o seu próprio representante da força superior: Maomé, Moisés e Jesus. As religiões não discutem entre si sobre a força superior; todas concordam com a existência de um único Deus.

Todas as divergências surgem com respeito ao representante dessa força superior e as exigências que ela coloca diante das pessoas através de seu mensageiro.

Pergunta: Como a religião pôde sobreviver por um tempo tão longo, milênios?

Resposta: As religiões existem porque uma pessoa não tem outra maneira de entrar em contato com a força superior, senão através desses profetas, todo aquele que é considerado santo em sua religião.

Uma pessoa está apegada à religião, entendendo que tudo nesse mundo é transitório: hoje existe, e amanhã não. Somente a conexão com a Força Superior – eterna e perfeita -não desaparece. Toda religião nos ensina como se comportar a fim de que, através de um determinado profeta, um representante da Força Superior, nós entremos em contato com ela.

A sabedoria da Cabalá não lida com religiões e credos, os quais existem em grande número, para além das três principais.

Baal HaSulam escreve no artigo “A Essência da Religião e Seu Propósito” que a verdadeira religião é a Cabalá que revela o Criador ao ser humano. E as religiões que existem hoje são apenas destinadas a apoiar a pessoa durante o tempo em que ela se desenvolve até que cresce fora delas e seja capaz de compreender a metodologia global abrangente, ou seja, a Cabalá.

A Cabalá não pertence a nenhuma religião: nem ao judaísmo ou ao cristianismo ou ao islamismo. Nela, nós podemos chegar ao ponto onde “A minha casa será chamada de casa de oração para todos os povos”, e todas as nações do mundo virão ao Criador.

Portanto, todos devem usar a mesma técnica para revelar o Criador aos seres criados, sem relação com qualquer nação. Abraão é o antepassado de todas as três religiões, que, portanto, são chamadas de Abraâmicas.

Mas, na verdade, a base do ensino de Abraão é a sabedoria da Cabalá. Abraão escreveu O Livro da Criação, no qual ele diz como revelar a força superior que está escondida de nós.

O grupo de discípulos de Abraão, que depois cresceu e se transformou no povo de Israel, revelou a força superior. O povo de Israel vivia em conexão com a força superior até a destruição do Templo. Está escrito que “Eles checaram de Dan a Beer Sheba… e não encontraram um menino ou menina, um homem ou mulher que não fosse proficiente em leis de impureza e pureza”.

Seus desejos eram tão corrigidos que até uma criança podia sentir a força superior. Houve uma época na história da nação de Israel até que ela caiu desse alto nível e encontrou-se na escuridão e ocultação do Criador. Então, todas as religiões surgiram.

Mas agora nós vivemos numa época em que todas as religiões estão gradualmente expondo seu vazio. Elas são revividas pela última vez antes de desaparecer completamente. Nós vamos testemunhar grandes guerras dentro de cada religião e entre elas.

Isto foi dito pelos profetas descrevendo a chamada era do Messias em que nos encontramos hoje. Nós estamos diante de um momento muito difícil, até que as pessoas se tornam completamente decepcionadas com todas as religiões e percebem qual é o único método correto. A Cabalá não só fala sobre os profetas e suas profecias, mas revela a força superior ao homem.

De KabTV “Uma Nova Vida” 07/05/15

Por Que As Pessoas Ficam Desapontadas Com As Religiões

laitman_627_2Pergunta: Por que em nossa época as pessoas ficam desiludidas com as religiões?

Resposta: A pessoa descobre que nenhuma religião pode lhe dar satisfação. Afinal de contas, todas as religiões surgiram devido ao fato de que a nação de Israel caiu do nível do amor ao próximo ao ódio infundado, tendo perdido a conexão com a força superior da natureza.

Em resposta à escuridão, a humanidade desenvolveu as religiões: primeiro o Judaísmo, depois o Cristianismo, e depois o Islã. Essas religiões não ocorreram por acaso, mas cada uma tem sua própria raiz. O Cristianismo pertence à linha esquerda, o Islã à linha direita, e o Judaísmo à linha média.

É assim que elas se relacionam com as raízes espirituais porque tudo em nosso mundo material decorre das raízes espirituais. Está escrito: “Nenhuma folha de grama cresce até seu anjo [condutor] acima bata e diga: ‘Cresça'”. Portanto, todos os fenômenos do mundo vêm do mundo superior, e não há nada de novo no nosso mundo.

A religião é projetada para dar à pessoa certa imagem da força superior quando ela não está ciente e não a entende essa força. Ela ajuda a pessoa a examinar sua natureza.

As religiões têm impulsionado o desenvolvimento da filosofia e da ciência. Primeiro a ciência era desenvolvida por pessoas religiosas, e só em algumas centenas de anos foi separada da religião e tornou-se acessível a todos.

De KabTV “Uma Nova Vida” 07/05/15

Os Presentes De Abraão

Dr. Michael LaitmanPergunta: De que forma os métodos espirituais do Oriente são diferentes da sabedoria da Cabalá? Afinal, eles falam aparentemente de coisas semelhantes.

Resposta: Existem 3.800 religiões e crenças do mundo. Todas as principais religiões realmente vieram de Abraão, que viveu na antiga Babilônia perto de 3.500 anos atrás.

Abraão ensinou seu método, ou seja, a sabedoria da Cabalá, a um pequeno grupo que ele chamou de Israel. E ele deu presentes, ou outras formas de fé, para o resto das pessoas. A Torá diz que Abraão deu presentes aos filhos de suas concubinas e enviou-os para o leste, onde todos esses métodos chegaram de volta até nós.

A diferença é que o método de Abraão possui a capacidade de corrigir uma pessoa, algo que não existe em qualquer outro método. A sabedoria da Cabalá nos possibilita atrair a força do bem até nós que está oculta na natureza e que irá corrigir nosso ódio para com o outro em amor. Essa força do bem é adicionada à nossa natureza egoísta e nós nos tornamos portadores de duas forças. A integração dessas duas forças possibilita que trabalhemos com elas, nos desenvolvamos corretamente, e descubramos uma forma adicional de realidade que se encontra fora de nós.

A física moderna fala sobre a existência de uma realidade como essa. Além do universo, o mundo que vemos agora, existem outras formas de realidade. A sabedoria da Cabalá nos possibilita sair para além da estrutura das limitações deste mundo e vejamos mundos superiores. Possibilidades como essa não existem em nenhum outro método, porque eles não contêm a Luz que Corrige. A singularidade da Torá é que ela contém uma força que corrige nossa natureza e nos eleva acima do ego a uma natureza de doação e amor, na medida em que abre os nossos olhos, como é dito: “Você vai ver o seu mundo em sua vida” (Berachot 17a).

Do Programa na Rádio Israelense 103FM, 03/05/15

A Verdadeira Jerusalém

Dr. Michael LaitmanPergunta: Jerusalém é uma cidade especial, venerada por todo o mundo. O que a fez ser considerada sagrada por todas as três grandes religiões: judaísmo, islamismo e cristianismo?

Resposta: A Cabalá não tem relação com a religião. Por milhares de anos ela estava oculta, mas antigamente vivia entre o povo de Israel, em vez do judaísmo de hoje, como o método de revelar o Criador neste mundo. A Cabalá permite que uma pessoa revele o Criador, não apenas acredite no que aprendeu desde a infância, sem saber o que é a força superior.

Todo mundo imagina o Criador com o melhor de sua imaginação, mas a sabedoria da Cabalá não fala sobre essa fé cega. A Cabalá é o método de revelar a força superior neste mundo.

Essa revelação é chamada de “fé” na Cabalá, porque a fé é doação e “ama ao próximo como a si mesmo”. Devido à aspiração humana para sair de si mesmo e doar em vez de receber egoisticamente, a pessoa se aproxima da força superior que é boa e faz o bem. Depois, essa força é revelada a ela.

Todos devem chegar a essa revelação, como está escrito: “Todos Me conhecerão, do menor ao maior dentre eles” – os seguidores das três religiões e toda a humanidade. Este é o programa da criação, que vamos concretizar, quer queiramos ou não.

Enquanto isso, nós estamos nos desenvolvendo pelo caminho da evolução, e como a sabedoria da Cabalá está oculta, as três religiões estão preparando a humanidade para a revelação do Criador. Essa preparação acontece de forma negativa, porque revela o vazio e desamparo da fé comum, mentiras e falta de compreensão, e falta de realização.

No mundo de hoje, as religiões são usadas principalmente para a separação e divisão das pessoas. Toda religião tem muitas tendências internas que não se aceitam. A sabedoria da Cabalá está esperando quando descobrirmos o vazio da religião.

Portanto, a Jerusalém de hoje, que é uma cidade sagrada para as três religiões do mundo, não é a verdadeira Jerusalém. Jerusalém (Yerushalayim) representa a “cidade perfeita” (Ira Slemah), onde todos nós alcançamos a perfeição nas relações entre nós, complementares entre si.

Conectando um com o outro, nós cumprimos a condição sob a qual o Criador é revelado entre nós de acordo com a lei de equivalência de forma. Se, apesar de todas as diferenças em nossas religiões, credos, crenças e qualidades humanas, nós alcançarmos a igualdade e unidade, concordando em subir acima de todas as diferenças e cobri-las com amor, nós cumprimos a condição da revelação do Criador dentro de nós.

Esta será a verdadeira Jerusalém.

De KabTV “Uma Nova Vida” 07/05/15