Textos na Categoria 'O Criador'

A Principal Coisa É Não Esquecê-Lo!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu imaginar que o Criador está por trás de tudo o que está acontecendo comigo, eu vou sempre estar com raiva Dele. Antes eu costumava ficar zangado com as pessoas que me cercam, culpando-as por todos os meus problemas. Se não há outro além do Criador, eu vou ter que odiá-Lo agora?

Resposta: Não se preocupe, isso é normal. Não importa qual é a sua atitude para com o Criador. A principal coisa é manter o pensamento Nele o tempo todo. Não se esqueça Dele! Não importa como você se relaciona com Ele, bem ou mal. A principal coisa é pensar Nele o tempo todo.

O Criador quer que a pessoa esteja conectada a Ele. Ele quer que a pessoa seja quem esteja procurando esta conexão, e não o Criador procurando-a. A pessoa deve ver o Criador em tudo, como Aquele que é bom e faz o bem. Estes são os dois parâmetros, as duas propriedades, com os quais ela pode sentir o Criador.

Em torno de mim, há é apenas o Criador, enquanto o mundo inteiro é a Sua manifestação externa como se estes fossem atores que se movem no palco de acordo com a ideia do diretor.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/02/15

Preparar Um Lugar Para A Doação Reinar

laitman_938_02Pergunta: Por que o Baal HaSulam escreve que a pessoa deve dar contentamento ao seu Criador? Será que cada um tem o seu próprio Criador?

Resposta: Às vezes, nós só dizemos “Criador,” às vezes “o Criador”, e às vezes dizemos no plural, “Criadores”. É assim que o nível inferior percebe o superior. Há uma infinidade de Partzufim superiores (Israel Saba ve TvunaAbba ve Ima), uma infinidade de forças que cuida dos Tachtonim (inferiores). Mas todos têm uma intenção e uma meta.

A pessoa não recorre a uma força superior abstrata, mas ao nível ao qual ela está diretamente conectada agora. Assim, ela pode chamar estes níveis superiores pelo nome “Criadores”.

O Criador não tem nenhuma imagem definida. É proibido, de qualquer forma ou maneira, descrevê-Lo como algo estático que existe fora de nós. Não existe tal coisa, mesmo que seja muito difícil para uma pessoa aceitar isso. No entanto, este é um problema que só existe na nossa percepção não corrigida.

Cabe a nós ver a nós mesmos como a qualidade de recepção. Quem sou eu? Eu sou essa qualidade de recepção, e o Criador é a qualidade de doação. Não há nada mais do que essas duas qualidades, e eu quero ser como a qualidade de doação.

A qualidade é algo abstrato que não tem nenhuma imagem física. A qualidade só recebe uma forma somente quando se veste em algo concreto. Então, a melhor maneira de proteger-se de cometer um erro é abster-se de descrever a força superior como uma espécie de forma ou imagem permanente. Isto é muito importante para o esclarecimento e a atitude certa.

Afinal, o que é o Elyon (Superior)? É algo que está acima, que agora me preenche. Um preenchimento de recepção é querer apenas receber tudo, se sentir bem, ser saudável, saber, entender, atingir, controlar de alguma forma. Tudo isso pertence à qualidade de recepção que é direcionada totalmente ao benefício pessoal.

Mas há uma qualidade oposta acima de mim, o que significa que eu a atribuo à espiritualidade e a valorizo. Ela está acima de mim e eu quero alcançá-la. Se essa qualidade superior me vestisse, eu deixaria de me preocupar comigo, agindo apenas para o meu benefício pessoal. Mas o que eu pensaria, então? Será que eu pensaria em algo? Que tipo de forma teria a minha qualidade de doação? Como ela vai me preencher em vez da qualidade de recepção que me preenche agora?

Portanto, nós atingimos um Kli, a razão, a preparação para a qualidade de doação, um lugar em que deve ser vestida. Para fazer isso, nós devemos preparar Arvut (Garantia Mútua), a atitude para com o seu próximo no qual a doação está vestida.

Isto é muito prático, e cabe a nós tentar trazê-los às nossas sensações. Se todo mundo pensar nisso, se houver um acordo geral, um pensamento geral, se estivermos prontos para prestar atenção nisso por um longo tempo e não apenas por alguns minutos de vez em quando, seremos fortemente influenciados uns pelos outros da melhor forma e esclareceremos precisamente essa atitude para com o Criador. Este é o nosso único trabalho: tentar imaginar mais claramente a Sua qualidade e focar no Criador.

Da Lição Diária de Cabala 24/02/14, Perguntas e Respostas com Dr. Laitman

A Correção Dos Erros Ocorre No Nível Do Sacerdote

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números” 15:25: E o Cohen (sacerdote) fará expiação por toda a congregação dos filhos de Israel, e lhes será perdoado, porquanto foi por ignorância; e trouxeram a sua oferta, oferta queimada ao Senhor, e a sua expiação do pecado perante o Senhor, por causa da sua ignorância.

O mais alto nível do desenvolvimento humano é chamado de Cohen (sacerdote). Nessa hierarquia, há o Sumo Sacerdote que é o próprio nível superior. Esta característica existe em cada pessoa e se ela o alcança, pode julgar, dar um veredicto, e executar a sentença. Em cada um de nós existem as nações do mundo, o povo de Israel, os levitas e sacerdotes. Se eu conseguir me atualizar internamente de forma correta e localizar estes subníveis egoístas corrigidos dentro de mim, eu entenderei de que maneira devo me conduzir para expiar meus erros.

Um pecado é o que eu não podia avaliar corretamente no estado anterior, ao passo que, no estado atual posso. Por isso, é dito: “ E o Cohen (sacerdote) fará expiação por toda a congregação dos filhos de Israel, e lhes será perdoado, porquanto foi por ignorância“. Isso significa que é necessário subir ao nível do sacerdote e, assim, o erro será corrigido.

Pergunta: Se nós estamos falando sobre o nosso mundo, um tribunal aparentemente deve ser encontrado no nível do sacerdote?

Resposta: Sim, mas a sabedoria da Cabalá não está falando sobre o nosso mundo, porque neste nível é impossível corrigir alguma coisa. As correções só podem ser realizadas internamente, dentro das pessoas. Portanto, nós precisamos chegar a um nível a partir do qual é possível corrigir todos os níveis inferiores. A Torá fala sobre uma pessoa em um só corpo, assim é impossível fazer qualquer comparação entre o nosso mundo e o mundo espiritual. Nós podemos construir o nosso mundo de acordo com formas semelhantes à espiritualidade, mas em primeiro lugar, a Torá nos convida a nos corrigir.

A correção não tem que ser externa, como em nosso mundo, mas interna. Isso só é possível se cada um de nós sobe ao nível mais alto. Assim, a própria pessoa deve sentir que cometeu um erro e encontrar dentro de si o sacerdote que vai corrigi-la. A partir deste nível que simboliza a conexão com o Criador, é possível corrigir os nossos erros anteriores.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/05/15

Quando Abrimos O Livro Do Zohar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando começamos a ler O Livro do Zohar, por que você muitas vezes pergunta: “Vocês têm algo a perguntar do Criador”?

Resposta: Com certeza, caso contrário, por que motivo você tem O Livro do Zohar? Afinal, por que você o abre? É para descobrir a verdade. A verdade é revelada somente se você despertar a linha direita, que é o amor. Quando você o desperta, você deve compreender, sentir e descobrir que, na verdade, não há amor dentro de você, mas apenas ódio. E mais, é um tal ódio que você não é capaz de se sentar ao lado de seus amigos.

A fim de não ficar indiferente ao outro, é necessário exigir que o Criador revele tudo isso para nós: o amor, o ódio, a cooperação mútua e os conflitos entre nós. Falta-nos o terceiro fator, que está se voltar e exigir! O Criador é uma força, uma condição, e um sistema que exige um constante voltar-se a Ele. Enquanto isso não existir, você deve fazer um monte de trabalho. Não há nada que possa ser feito sobre isso, uma vez que é impossível ignorar esses níveis.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 06/05/15

Yom Kippur: Alegria Ou Tristeza Universal?

Dr. Michael Laitman A Torá, “Levítico”, 23:26-23:28: Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.

A contagem dos meses no trabalho espiritual começa em Pessach (Páscoa Judaica). O sétimo mês a partir de Pessach se correlaciona com Malchut, à sétima Sefira que vem depois Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod. A décima e última Sefira em Malchut (Malchut de Malchut), que simboliza o décimo dia do mês, é Yom Kippur, quando a pessoa chega ao ponto mais baixo de sua natureza e eleva a oração dali. Isto significa que ela chega a um estado que não está em seu poder se corrigir por si mesma, então simplesmente se desprende e faz tudo o que está em seu poder para elevar um pedido de correção.

É um dia de alegria, quando eu tenho algo para o qual me virar e alguém a quem recorrer (a força superior) com este pedido. Eu posso realmente fazer isso desde que eu tenha atingido o ponto mais baixo por minhas ações. Em outras palavras, eu alcancei o último estado através dos meus esclarecimentos e pesquisa psicológica interna por quem eu sou, o que sou, no sentido de que minhas ações são destinadas, e o que estou vivendo. Eu descobri que é totalmente egoístico e que não existe qualquer conexão com os outros dentro deste estado.

Neste momento eu só posso gritar, e este é um ponto de expiação e perdão onde sinto minha natureza como o odioso ego e quero me separar dele com todas as minhas forças. Eu não quero usar o ego quando se trata de comida, água, ou quaisquer ações, e não posso superá-lo. A única coisa que posso fazer é elevar uma oração à força superior para que Ele me corrija. Este é o sentido da minha solicitação.

Nós podemos chegar a um estado de expiação e perdão a qualquer momento, independentemente da data do calendário do Yom Kippur. Isso acontece quando a força superior pode realizar correções em mim. Só Ele pode me ajudar; eu não posso me corrigir, mas posso pedir a Ele essa correção.

Comentário: Tudo o que acontece no mundo espiritual é o oposto de tudo o que há no mundo corpóreo, porque para nós, Yom Kippur é um dia de luto universal e não um dia de alegria.

Resposta: No passado, o estado do Yom Kippur era compreendido corretamente, mas durante os 2.000 anos de exílio, temos atribuído isso aos nossos próprios sentimentos e combinamos os nossos sentimentos com este dia. Na verdade, é um estado de alegria, porque todos os feriados são alegres.

De Kab TV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/15

Clamar Por Ajuda Ao Criador

A Torá, “Números”, 14:39-14:45: Quando Moisés transmitiu essas palavras a todos os filhos de Israel, eles choraram amargamente. Na madrugada seguinte subiram para o alto da região montanhosa, e disseram: “Subiremos ao lugar que o Senhor prometeu, pois cometemos pecado”.

Moisés, porém, disse: “Por que vocês estão desobedecendo à ordem do Senhor? Isso não terá sucesso!

Não subam, porque o Senhor não está com vocês. Vocês serão derrotados pelos inimigos, pois os amalequitas e os cananeus os enfrentarão ali, e vocês cairão à espada. Visto que deixaram de seguir ao Senhor, ele não estará com vocês”.

Apesar disso, eles subiram desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a arca da aliança do Senhor saíram do acampamento.
Então os amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram e os derrotaram e os perseguiram até Hormá.

Pergunta: Por que os filhos de Israel foram punidos? Afinal, eles expressaram seu pesar e disseram: “Sim, cometemos pecado”.

Resposta: Não houve pecado. O Criador organizou tudo! O problema é que eles dependiam de suas próprias forças, pensando que tinham que superar a montanha por si mesmos. Eles queriam fazer isso com suas próprias forças egoístas, mas a montanha é o atributo de doação. Como eles poderiam subi-la? Onde está a adesão com o Criador? Onde está a doação absoluta? Não há nenhuma!

Pelo contrário, se eu disser que pequei, isso significa que assumo a responsabilidade por aquilo que faço. Admitir o pecado é o pecado!

Eu não sou nada e tenho que avançar constantemente com os meus olhos fechados seguindo a força de amor e doação, de modo que ela resida gradualmente em mim. Agora eu só reúno níveis de subida rumo ao atributo de Bina.

O atributo de Bina é o atributo de doação completa, que me alcança apenas por uma iluminação de cima. Esta é a Luz que Reforma, ou seja, a força do Criador. Num estado ideal, eu diria que estou pronto para tudo que o Criador me mostra.

Mas eu continuo o pecado dos espiões. Por que eles não pedem à força superior? “Nós trouxemos frutas gigantes, mas elas estão além de nossas forças. Como podemos entrar nesta terra?” Por que eles não exigiram a ajuda do Criador, mas, em vez disso, se voltaram ao povo? “Vejam o que Ele faz com a gente; Ele nos envia para a morte certa, atraindo-nos para uma terra bonita com gigantes terríveis que vão nos matar! São estes os líderes da nação que o povo mais avançado da geração escolheu?” Acontece que eles são todos contra a força única, boa e benevolente, que quer levá-los à Terra Prometida, mas eles não podem sequer se aproximar do próximo nível.

Isso estava claro de antemão, porque é impossível saltar do nível de Malchut ao nível de Bina de uma só vez. A diferença entre Malchut e Bina é de 40 níveis. Portanto, quando olhamos para Bina desde Malchut, a sua realização parece impossível!

Mas, por outro lado, quem nos leva a isso? O Criador. Quem disse que eles deveriam enviar espiões lá? O Criador. Então, por que eles não se voltaram a Ele? Por que começaram a falar contra Ele?: “Vejam o que Ele faz com a gente; Ele nos envia para a morte certa, atraindo-nos para uma terra bonita com gigantes terríveis que vão nos matar!”.

Teoricamente, se tivessem chamado pelo Criador, Ele os teria elevado nas asas ao nível de Bina. Mas, por outro lado, isso é impossível, porque a pessoa tem que experimentar tudo isso por si mesma, mastigar e processá-lo.

Esta é a razão de Moisés dizer: Por que vocês estão desobedecendo à ordem do Senhor? Isso não terá sucesso! Não subam, porque o Senhor não está com vocês. Ele percebe que eles não estão conectados ao Criador!

Comentário: Isto é tão complicado.

Resposta: Isso não é complicado. É bom descobrirmos a linha direita e esquerda e, assim, avançarmos. Esta é a nossa história, não o passado ou o futuro, mas a história à nossa frente!

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 06/05/15

Arrependimento Antes De Rosh Hashaná

Dr. Michael LaitmanA fim de pedir perdão, devemos saber o que é o amor para pessoas como você, e o que significa fazer essas perguntas, “o que eu não fiz em nome desse amor?” Se é necessário sentir que eu tenho amor pelos outros, que é a principal Mitzvah (mandamento) da Torá, será que eu sinto ou não sinto isso?” Muitas pessoas pensam que basta apenas realizar as Mitzvot físicas.

Os Cabalistas nos aconselham a nos unir em grupos de dez, para que juntos possamos verificar se estamos verdadeiramente tratando bem uns aos outros. Será que todo mundo está tentando se distanciar do seu ego e se conectar com outros, integrar-se com seus desejos e sentir o amor entre nós? Se nós entendemos que tudo isso não existe, nós sentimos que somos os culpados, então pedimos perdão. O perdão é por não realizar a condição principal, “Ama ao próximo como a ti mesmo”.

Hoje, esta condição tornou-se imperativa para todo o mundo a fim de sair da crise global. Mas o povo de Israel deve ser o primeiro a perceber isso, e não estamos fazendo isso. Então nós pedimos o poder para nos ajudar a atingir este amor. Podemos ver claramente que não estamos preparados para realizar esta condição por nós mesmos, mas podemos pedir ajuda. E concluímos os Selichot (perdão) solicitando o poder de realizar a principal Mitzvah e aproximar as pessoas. E através do aproximar-se também chegamos mais perto da força superior, o Criador.

A pessoa não pode perceber isso sozinha, então nós trabalhamos em um grupo, que é como podemos verificar se alcançamos a conexão e doação mútua ou não. Se não, nós precisamos pedir pelo poder para nos ajudar a conectar e alcançar a unidade. Este pedido comum é chamado de oração, e é derivado de nossa conexão, do centro de nosso círculo, como um pilar que se eleva. Quando examinamos a nossa união, chegarmos aos Selichot.

Daqui, vemos que sem estudar a sabedoria da Cabalá, é impossível descobrir o que pedir, para o quê ser atraído, o propósito da criação, e como a Torá está conectada às Mitzvot do amor dos outros e o amor do Criador através de toda a ordem de correção. A sabedoria da Cabalá nos ensina a perceber a nós mesmos de acordo com o que está escrito na Torá. A única Mitzvah é subir acima de nosso ego e alcançar a conexão e unidade entre todos. Isso inclui todo o resto dentro das Mitzvot, que são correções individuais do nosso ego. O desejo egoísta é composto de 613 partes, cada uma das quais nós precisamos corrigir, começando com a mais fácil e avançando para uma mais difícil. Desta forma, é necessário efetuar 613 correções, que são chamadas 613 (Taryag) Mitzvot.

Quando ajudamos uns aos outros, finalmente alcançamos a redenção, ou seja, descobrimos o poder superior, o Criador, dentro de nossa correta conexão mútua de doação e amor. E este é o perdão antes de Rosh Hashaná. Certamente é impossível começar o Novo Ano, o novo começo, o próximo nível, para onde devemos ascender graças à nossa correção sem esclarecer tudo o que passamos. E esta é a essência do arrependimento, pedir a Luz que Reforma para nos corrigir e tornar possível alcançar uma união ainda mais forte com maior vigor.

De Kab TV “Selichot” 17/08/15

Atributos Especiais Da Terceira E Quarta Gerações

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 14:17-14:18: “Mas agora, que a força do Senhor se manifeste, segundo prometeste: ‘O Senhor é muito paciente e grande em fidelidade, e perdoa a iniquidade e a rebelião, se bem que não deixa o pecado sem punição, e castiga os filhos pela iniquidade dos pais até a terceira e quarta geração’”.

Há três gerações de Keter à Malchut: Hochma, Bina e ZeirAnpin. É assim que ocorre em cada estado espiritual. A imagem do Criador é formada no quarto nível, Malchut. A terceira geração é Zeir Anpin, o estado de pequenez, onde o ego é apagado e, depois, totalmente corrigido na quarta geração. Isto é simbolizado pelas palavras: e castiga os filhos pela iniquidade dos pais até a terceira e quarta geração. Trata-se da ascensão de Malchut através ZeirAnpin à Bina, à Hochma, e depois à Keter.

A Torá, “Números”, 14:19-14:23: Segundo a tua grande fidelidade, perdoa a iniquidade deste povo, assim como a tens perdoado desde que saíram do Egito até agora. O Senhor respondeu: “Eu os perdoei, conforme você pediu. No entanto, juro pela glória do Senhor que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinais miraculosos que realizei no Egito e no deserto, e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes — nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com juramento aos seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá.

Não há nada de mal nisso. Pelo contrário, trata-se de uma grande misericórdia que o Criador executa quando Ele mata todo mundo, o que significa que Ele mata todo o desejo egoísta.

A razão é que é apenas nos desejos altruístas, que substituem os desejos egoístas, que o povo pode sentir o estado chamado a terra de Israel. Toda essa raiva é necessária para corrigir o egoísmo em altruísmo. Nenhum egoísta pode entrar no estado do atributo de amor e doação chamado a terra de Israel. Ele deve morrer primeiro, ou seja, renascer e entrar nela, seja num estado de pequenez (a terceira geração) ou num estado de grandeza (quarta geração).

Portanto, quando a Torá fala sobre punição, destruição e morte, ela se refere ao egoísmo, que realmente deve ser destruído. Apenas os atributos de amor e doação que o substituem sentirão o estado da terra de Israel.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 29/03/15

A Torá: Mudar A Si Mesmo A Fim De Revelar O Criador

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 14:13-14:16: Moisés disse ao Senhor: “Então os egípcios ouvirão que pelo teu poder fizeste este povo sair dentre eles, e falarão disso aos habitantes desta terra. Eles ouviram que tu, ó Senhor, estás com este povo e que te veem face a face, Senhor, e que a tua nuvem paira sobre eles, e que vais adiante deles numa coluna de nuvem de dia e numa coluna de fogo de noite. Se exterminares este povo, as nações que ouvirem falar do que fizeste dirão: ‘O Senhor não conseguiu levar esse povo à terra que lhes prometeu em juramento; por isso os matou no deserto’“.

Moisés parece dizer ao Criador: “Você poderia ter educado seus filhos corretamente, se não por incentivos, pelo menos, por castigo. Que tipo de um educador é você, se simplesmente pune seus filhos e mata-os?”

Moisés é o ponto mais profundo no coração de uma pessoa, onde ela pode estar em contato com o Criador. Quando uma pessoa sobe ao próximo nível, do nível de Bina para o nível de Hochma, por exemplo, ela sofre uma mudança interna. Ela deve dizer isso! Não é que Moisés de repente começa a reclamar: “Como você ousa se ​​comportar desse jeito?!” Em geral, as pessoas religiosas temem tais pensamentos: “É possível pensar dessa forma do Criador? Deus me livre! O que vai acontecer comigo se eu pensar desta maneira?” Por outro lado, aqui é a situação oposta, já que é a própria natureza que foi criada pelo Criador que agora se rebela contra Ele dentro de nós para que possamos realmente entender que a nossa situação atual é o oposto da natureza.

Isto significa que quando uma pessoa sobe e se aproxima do Criador, ela não pode ter medo de discordar Dele e amaldiçoá-Lo, mesmo das profundezas de sua alma. Ela está feliz com essas mudanças porque elas realmente indicam seu estado verdadeiro e elevado.

Portanto, o que Moisés diz indica que ele está prestes a completar o seu nível no qual conduziu o povo no deserto por 40 anos. Ele transforma o atributo de recepção no atributo de doação e agora alcança as últimas correções do seu ego. Este nível é como um míssil que cumpriu a sua função, desprende-se, e queima na atmosfera.

As queixas de Moisés decorrem do estado do fim da correção, depois que ele completou seu trabalho no nível atual. O próximo nível é totalmente diferente e neste nível há o preenchimento de receber com a intenção de doar.

É impossível realizar a missão que o Criador dá agora ao povo que acabou de atravessar o deserto e alcançou-O. Essa missão não pode ser realizada desta forma, porque a próxima fase é “receber com a intenção de doar”. Na próxima fase, chamada de passagem da fronteira da terra de Israel, ocorrem mudanças de fora para dentro na pessoa e vasos totalmente novos aparecem dentro dela, que é um novo método de trabalhar em si mesma e uma nova percepção do mundo. Este não é apenas o sentimento do mundo, mas o início da realização de como ela deve corrigir o mundo. Até então ela só se preparou para entrar na terra de Israel e conquistá-la, o que significa a fim de derrotar todas as nações de gigantes que vivem lá e atingir um nível tal que os frutos gigantes que carregava se tornariam luz, porque ela pode receber com a intenção de doar.

Portanto, as queixas de Moisés são apenas porque ele exige novos poderes e conhecimentos do Criador. Ele quer aprender uma nova correção e receber educação sobre como entrar nesta terra e conquistá-la. Deve haver uma reviravolta extrema dentro de uma pessoa e ela tem que se transformar numa pessoa diferente.

Pergunta: Será que isso significa que Moisés pode se queixar ao Criador?

Resposta: A conversa entre Moisés e o Criador é o reconhecimento completo do que deve acontecer com ele agora: “Eu preciso de uma transformação interior e você tem que fazer isso por mim”. Se ele não reclama com o Criador sobre isso, significa que ainda não está pronto para a transição. Portanto, tudo o que Moisés diz, o que pode parecer um grave ataque ao Criador, é realmente desejável a Ele. Isto significa que a pessoa entende que transformação interior importante ela deve atravessar para começar a trabalhar com o seu ego com a intenção a fim de doar. Ninguém pode imaginar isso.

Comentário: Em vez de não dizer o nome do Senhor em vão e não estar com raiva Dele etc., tudo acontece exatamente da maneira oposta.

Resposta: Não devemos ter medo de nada. O Criador é o atributo de bondade absoluta. Ele é inerte e sem vida até que você O traz à vida através de seus sentimentos. Assim como você pode estar com raiva de um vulcão que destruiu uma determinada região ou teme o sol, a lua ou terremotos, quando você atribui seus sentimentos a objetos inertes, você também se relaciona com o Criador do mesmo modo, com o atributo de doação e amor absoluto. Você não pode doar de uma forma ou de outra, mas simplesmente mudar a si mesmo.

Quando você muda a si mesmo, muda sua recepção pessoal e assim o Criador parece diferente para você. Mas, na verdade, é você que está mudando a si mesmo! Toda a Torá é baseada numa oração, que em hebraico vem da raiz da palavra que significa julgar a si mesmo.

Uma oração significa autojulgamento, e pergunta o que eu preciso mudar dentro de mim mesmo para revelar o Criador como o bem absoluto. Naturalmente, aqui encerra o trabalho de Moisés, mas é a preparação para a próxima fase.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 29/04/15

A Reconquista Do Faraó

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 13:25-29: Ao fim de quarenta dias eles voltaram da missão de reconhecimento daquela terra. Eles então retornaram a Moisés e a Aarão e a toda a comunidade de Israel em Cades, no deserto de Parã, onde prestaram relatório a eles e a toda a comunidade de Israel, e lhes mostraram os frutos da terra. E deram o seguinte relatório a Moisés: “Entramos na terra à qual você nos enviou, onde manam leite e mel! Aqui estão alguns frutos dela. Mas o povo que lá vive é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes. Também vimos descendentes de Enaque. Os amalequitas vivem no Neguebe; os hititas, os jebuseus e os amorreus vivem na região montanhosa; os cananeus vivem perto do mar e junto ao Jordão”.

Comentário: Quando os espiões falaram sobre a terra de Israel estavam muito animados, mas, de repente, há uma virada…

Resposta: O mundo superior é muito atraente. Não é o comunismo egoísta com que temos sido alimentados pelos utopistas da Europa durante a Idade Média, mas sim o estado de uma pessoa que atingiu plenamente e conhece toda a criação e seu papel dentro dela. Esta pessoa atingiu a força superior e sente que está no atributo de doação, além das limitações de existir para o seu próprio bem. Ela atinge plenamente todos os estados dos mundos ao longo do tempo e em todos os níveis dentro de si mesma, incluindo toda a natureza, ou seja, tanto o nosso mundo e o mundo superior.

Claro que não alcançamos o mundo superior, porque ele está acima do nosso universo e é um bilhão de vezes maior. Mas, no final, temos que descobri-lo, e, portanto, temos o potencial que nos atrai para a realização deste estado. Mas quando você esclarece o que tem que fazer para alcançar isso, você percebe que isso está totalmente além de seus poderes, porque você é como um pequeno rato num grande mundo. O que você pode fazer?

Assim, os espiões estavam certos. Eles vieram com duas conclusões precisas sobre a terra de Israel. Por um lado, existem todos os tipos de frutas, ou seja, todos os tipos de compreensão: tudo que você pode imaginar e até bilhões de vezes maiores do que o que temos hoje, assim como a geração da Idade Média não podia imaginar a vida em nossa geração. Por outro lado, eles não tinham poderes, nem condições prévias, nem entendimento, nem moral ou intelecto. Eles não podiam alcançar os estados de realização, uma vez que não estavam preparados para eles.

Isso é realmente o que aconteceu, porque os espiões pertenciam à geração do deserto que viveu onde não havia nada e onde tinham que tentar estar numa conexão forte e mútua para avançar. Mas, quando eles entraram na terra de Israel, enfrentaram seu egoísmo interno, que os tratou com desrespeito, como o Faraó. Ele reapareceu entre eles e novamente os obrigou a conquistá-lo, porque a terra de Israel é baseada na conquista do Faraó.

O êxodo do Egito é apenas a fuga do Faraó, e durante os 40 anos de peregrinação no deserto, nós o neutralizamos. Agora, porém, precisamos tirar esse animal de sua toca e começar a restringi-lo, de modo que, domesticando-o, ele realizará todos os nossos pedidos. Isso parece ser absolutamente impossível!

Quando os espiões olham para todo esse horror, esquecem que existe uma força superior que planeja tudo e que eles devem avançar de acordo com esta força e ser uma como uma criança pequena segurando a mão de um adulto, não temendo nada. Os espiões não poderiam levar isso em conta, porque estavam aterrorizados com a grandeza que tinham que atingir, do infinito e incerteza revelado a eles pelo espaço infinito. Quando uma pessoa sente que não há limites, ela se sente perdida.

Quando uma pessoa está numa determinada estrutura, em certos limites, sente que tudo é simples, fácil e gratuito. Mas se ela transcende esses limites, perde a capacidade de pesar as coisas e encontrar o seu caminho de volta. Isso é muito assustador para aqueles que atingem um estado mais sublime. Portanto, cada pessoa que está prestes a entrar na terra de Israel – a correção do egoísmo para amor e doação, e a inclinação do ego em direção ao Criador – experimenta tais sentimentos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 08/04/15