Textos na Categoria 'O Criador'

A Reconquista Do Faraó

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 13:25-29: Ao fim de quarenta dias eles voltaram da missão de reconhecimento daquela terra. Eles então retornaram a Moisés e a Aarão e a toda a comunidade de Israel em Cades, no deserto de Parã, onde prestaram relatório a eles e a toda a comunidade de Israel, e lhes mostraram os frutos da terra. E deram o seguinte relatório a Moisés: “Entramos na terra à qual você nos enviou, onde manam leite e mel! Aqui estão alguns frutos dela. Mas o povo que lá vive é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes. Também vimos descendentes de Enaque. Os amalequitas vivem no Neguebe; os hititas, os jebuseus e os amorreus vivem na região montanhosa; os cananeus vivem perto do mar e junto ao Jordão”.

Comentário: Quando os espiões falaram sobre a terra de Israel estavam muito animados, mas, de repente, há uma virada…

Resposta: O mundo superior é muito atraente. Não é o comunismo egoísta com que temos sido alimentados pelos utopistas da Europa durante a Idade Média, mas sim o estado de uma pessoa que atingiu plenamente e conhece toda a criação e seu papel dentro dela. Esta pessoa atingiu a força superior e sente que está no atributo de doação, além das limitações de existir para o seu próprio bem. Ela atinge plenamente todos os estados dos mundos ao longo do tempo e em todos os níveis dentro de si mesma, incluindo toda a natureza, ou seja, tanto o nosso mundo e o mundo superior.

Claro que não alcançamos o mundo superior, porque ele está acima do nosso universo e é um bilhão de vezes maior. Mas, no final, temos que descobri-lo, e, portanto, temos o potencial que nos atrai para a realização deste estado. Mas quando você esclarece o que tem que fazer para alcançar isso, você percebe que isso está totalmente além de seus poderes, porque você é como um pequeno rato num grande mundo. O que você pode fazer?

Assim, os espiões estavam certos. Eles vieram com duas conclusões precisas sobre a terra de Israel. Por um lado, existem todos os tipos de frutas, ou seja, todos os tipos de compreensão: tudo que você pode imaginar e até bilhões de vezes maiores do que o que temos hoje, assim como a geração da Idade Média não podia imaginar a vida em nossa geração. Por outro lado, eles não tinham poderes, nem condições prévias, nem entendimento, nem moral ou intelecto. Eles não podiam alcançar os estados de realização, uma vez que não estavam preparados para eles.

Isso é realmente o que aconteceu, porque os espiões pertenciam à geração do deserto que viveu onde não havia nada e onde tinham que tentar estar numa conexão forte e mútua para avançar. Mas, quando eles entraram na terra de Israel, enfrentaram seu egoísmo interno, que os tratou com desrespeito, como o Faraó. Ele reapareceu entre eles e novamente os obrigou a conquistá-lo, porque a terra de Israel é baseada na conquista do Faraó.

O êxodo do Egito é apenas a fuga do Faraó, e durante os 40 anos de peregrinação no deserto, nós o neutralizamos. Agora, porém, precisamos tirar esse animal de sua toca e começar a restringi-lo, de modo que, domesticando-o, ele realizará todos os nossos pedidos. Isso parece ser absolutamente impossível!

Quando os espiões olham para todo esse horror, esquecem que existe uma força superior que planeja tudo e que eles devem avançar de acordo com esta força e ser uma como uma criança pequena segurando a mão de um adulto, não temendo nada. Os espiões não poderiam levar isso em conta, porque estavam aterrorizados com a grandeza que tinham que atingir, do infinito e incerteza revelado a eles pelo espaço infinito. Quando uma pessoa sente que não há limites, ela se sente perdida.

Quando uma pessoa está numa determinada estrutura, em certos limites, sente que tudo é simples, fácil e gratuito. Mas se ela transcende esses limites, perde a capacidade de pesar as coisas e encontrar o seu caminho de volta. Isso é muito assustador para aqueles que atingem um estado mais sublime. Portanto, cada pessoa que está prestes a entrar na terra de Israel – a correção do egoísmo para amor e doação, e a inclinação do ego em direção ao Criador – experimenta tais sentimentos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 08/04/15

O Criador Precede Tudo

laitman_276_02Por que podemos entender o mundo em que estamos vivendo? Porque o sentimos. Se começássemos a senti-lo de uma maneira diferente, seria entendido como algo a mais sentido dentro de nós mesmos.

Em outras palavras, a sensação deve ser anterior à compreensão. É impossível compreender uma realidade que não sentimos. Isso não acontece. Às vezes, é possível entender algo em nosso mundo de acordo com nossa imaginação, porque temos modelos internos da sensação de objetos particulares, e é possível imaginá-los de alguma forma. Mas isso é um problema.

Nós estamos prontos para imaginar, digamos, o sabor de uvas com benzeno? Isto é, enquanto não tivermos experimentado algo tangível, os Kelim (vasos) não são criados em nós, já que os Kelim são desejos, sentimentos, e antes disso, o nosso cérebro não tem nada com que trabalhar.

Portanto, o nosso problema com o Criador é que Ele é a única força, e nós temos a oportunidade em nosso mundo de nos sentir separados Dele, e esta é a melhor coisa que Ele já fez. Ele criou algo como se isso existisse fora Dele (existência a patir da ausência) e, especificamente, desta inexistência é possível começar a alcançar o Criador.

Mas é impossível entendê-Lo com o intelecto, porque Suas características, costumes e atividades são completamente incompreensíveis para nós. Níveis de aproximação do Criador estão de acordo com o grau de equivalência com Ele. O maior problema de nos aproximarmos é que a cada passo da nossa abordagem para com o Criador, nós devemos compreender mais e mais – sentir, saber e entender dentro de nós – que todos os nossos movimentos dentro de nossos desejos, pensamentos, unidades e planos, sejam eles quais forem, quando nos dirigimos diretamente a Ele, e até mesmo quaisquer atividades opostas quando queremos torcer e mentir para nós mesmos, em tudo isso o Criador nos precede.

Não faz diferença o modo como percebemos a nós mesmos; em quaisquer desejos, pensamentos ou ações, nós sempre O descobrimos em primeiro lugar e, depois disso, a nós mesmos. E onde eu estou? Torna-se claro que o “eu” de cada um de nós está especificamente na compreensão do fato de que o Criador está em toda parte e é preciso aderir a Ele neste ponto. Assim, o “eu” vai se aderir gradualmente, em partes, em algum momento, ao Criador, até atingir plena equivalência com Ele. Esta forma é chamada de Adão (homem).

No entanto, para nós, é difícil imaginar isso, porque tudo deve acontecer dentro de nossos desejos, e isso vai ser realizado apenas quando começarmos a nos mover dentro da nossa análise interna rumo à descoberta do Criador em tudo dentro de nós e ao nosso redor, de acordo com o princípio de “Não há outro além Dele”.

O que eu estou pensando agora, este é o Seu pensamento. A minha reação a esse pensamento é também minha reação ou a reação Dele? De que forma podem os nossos pensamentos ser equivalentes? De que forma eu posso ver a diferença entre Ele e eu? Se eu não concordo com o pensamento que é despertado em mim, isso significa que esta discordância vem Dele, e aqui começa a se tornar claro onde a minha forma ainda não é como a Dele.

Esta é uma análise muito interessante. No início, é cansativa. Depois, ela começa a ser interessante. Afinal, este é um jogo interno constante que, de fato, acrescenta à nossa vida e lhe dá um significado interno, energia interna, uma fonte de movimento. Se a pessoa começa a procurar o Criador em todas as suas unidades, sentimentos e pensamentos, mesmo em movimentos que são reações inconscientes e instintivas – isso significa que ela está procurando a maneira em que ela é diferente do Criador.

Na natureza inanimada, vegetal e animal, o Criador se manifesta instintivamente. Lá, tudo acontece de acordo com leis específicas. Não há problemas, e todas as leis da natureza são realizadas com precisão.

Portanto, não podemos ter qualquer queixa contra os animais, não pode haver quaisquer queixas de animais uns contra os outros. Tudo está num equilíbrio específico: quem come quem e quem existe à custa de quem. Tudo está definido desde o início. Tudo deve existir dessa forma. Aqui, há uma transmissão precisa e instintiva da natureza. O Criador age neles naturalmente e não é expressado em nenhuma forma.

É a mesma coisa em relação às pessoas em quem o Criador não deseja ser revelado. Ele trabalha instintivamente. Nós vemos que todos os grandes políticos, economistas e em parte também os cientistas (há aqueles que já estão conscientes de sua diferença), sem mencionar as pessoas comuns, todos existem instintivamente. O Criador não é revelado em relação a eles.

De que forma Ele é revelado a nós? Primeiro, Ele nos obriga a procurar a razão da nossa existência – ou seja, começar a procurar por Ele – e nos leva a um sentimento a respeito de onde e de que forma estamos começando a crescer acima do nosso nível animal. Se eu estou envolvido neste momento, estou tentando entender em que lugar em mim, nos meus pensamentos e sentimentos, eu posso entender o Criador, onde Ele sempre me desafia, me gere desde dentro. Este pensamento está relacionado com o nível de Adão. Eu quero subir acima do comportamento instintivo e conscientemente reconhecer a gestão do Criador, consciente do meu ponto de vista. Este é precisamente o caminho que devemos percorrer.

Aqui, nós gradualmente começamos a nos separar Dele e a nos conectar com Ele conscientemente, ou seja, que antes eu estava sob a gestão instintiva do Criador: tudo o que eu fazia, toda a minha vida anterior tinha que ser especificamente assim. Tudo é atribuído a Ele!

A partir deste momento, eu quero sentir Sua atividade em todos os meus sentimentos, meus desejos, em tudo o que acontece dentro de mim e, depois disso, decidir se concordo com esta ação, como posso me aderir a Ele, mas conscientemente.

No início, eu devo sentir que Ele é Ele e que eu sou eu, e que Ele está fazendo alguma coisa dentro de mim. Será que eu concordo com Seus desejos e pensamentos com coração e mente, com o que Ele está fazendo comigo? Se não, eu preciso me conectar com Ele e aderir a Ele acima do meu desejo e pensamentos. Esse é um grande trabalho. Aqui, eu começo a me separar do Criador (isso é chamado de “análise do estado”) e depois disso, fazer uma correção, conectando-me a Ele (isso é chamado de “correção e adesão”).

A distância entre eu e Ele é determinada pelo meu ego que eu estou começando a descobrir dentro de mim, e quanto mais eu trabalho em mim mesmo, mais o meu ego cresce de menos (negativo) para um imenso mais (positivo), ou do comportamento instintivo para a consciência de que Ele é quem está agindo dessa maneira, mas eu ainda concordo com Ele e me volto a Ele. Isto avança de forma cônica, e nós temos que conectar estes dois sistemas dentro da linha do meio.

Através da compreensão de que sem o ego não podemos nos diferenciar Dele, nós nos tornamos uma criatura independente, damos grande contentamento ao Criador. Só então é que vamos começar a entender o que é a existência a partir da ausência, e de lá nos conectar à “existência a partir da existência”.

Da Lição Diária de Cabalá 07/02/14

O Criador Está Vivo?

Laitman_109Pergunta: Foi dito que o Criador está sofrendo muito mais do que nós, porque Ele tem que Se ocultar e enviar sofrimentos para nós. Será que isso significa que o Criador está vivo? Se não, então a noção “de agradar ao Criador” não faz sentido.

Resposta: Tudo o que nós sentimos é somente dentro de nós, embora nos pareça que exista fora de nós.

Portanto, Criador em hebraico é Bore, das palavras “Bo – venha e Re – veja”. Isso significa, “alcançar o Criador de acordo com suas propriedades espirituais”. A sabedoria da Cabalá explica como a pessoa pode revelá-las dentro de si mesma.

Como resultado, tudo é explicado por meio das palavras e sentimentos de uma pessoa, a forma como ela sente isso, e não a forma como isso é percebido fora dela, pelo Criador. Além disso, não há nenhum Criador fora da pessoa!

Uma Lei Imutável Da Natureza

Laitman_707O Criador é a lei geral superior da natureza. Está descrito na Torá como Moisés gritou quando se virou para o Criador, mas não havia ninguém a quem recorrer. Como está escrito: “Uma voz chamava… no deserto” (Isaías 40: 3).

Em geral, nós transmitimos nossas imagens, impressões, e nosso relacionamento mútuo com o Criador exatamente do jeito que gostaríamos de transmitir a nossa raiva a um computador com defeito.

No entanto, o poder superior é uma lei imutável da natureza, e assim está escrito: “Ele emitiu um decreto, que não vai mudar” (Salmos 148: 6). Assim, não há ninguém para quem recorrer exceto a ti mesmo!

Existe um programa imutável dentro do qual nos encontramos, e temos que trabalhar dentro dele. Caso contrário, nos esforçamos e sofremos até chegarmos à consciência de como continuar a ir em frente.

Nada vai mudar para melhor se não trabalharmos em nós mesmos para chegar a uma boa conexão com os outros e, além disso, com todos! Nem os bons relacionamentos na família, nem mesmo com todas as pessoas vão nos ajudar. Alianças egoístas não vão ajudar aqui; tudo deve ser absolutamente altruísta.

Precisamos trabalhar para além de nós mesmos, fora de todos os cálculos egoístas. É assim que nos apegamos a todos, apenas com conexões altruístas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 25/02/15

Amor Eterno

laitman_934Pergunta: O nome do Criador é amor, que nos fala sobre Ele. Quando amamos, nos tornamos semelhantes a Ele. Quando morremos, desaparecemos e não podemos mais amar. O amor do Criador é eterno ou não?

Resposta: Não há nenhuma morte, mas uma mudança em nossa percepção da realidade, da percepção através do corpo, aparentemente como se através de um corpo físico, para uma percepção direta no desejo chamado de alma.

Quando adquirimos a conexão com a alma junto com essa percepção, nós transcendemos suavemente para a próxima forma de percepção. A conexão com a alma é adquirida através do nosso amor pela humanidade. Mas isso não é o que se entende por amor agora, em nosso egoísmo; isso está fora de nós mesmos, fora do egoísmo. A Cabalá ensina sobre o amor, e ele e o Criador são percebidos (no grupo de amigos).

Existe Um Deus?

Laitman_712_03Pergunta: Existe um Deus?

Resposta: Eu não sei o que as pessoas querem dizer quando dizem “Deus”. Se por Deus nós queremos dizer uma força que controla tudo, essa força é a natureza.

À medida que aprendemos mais sobre a natureza, vemos que tudo sobre ela é racional, equilibrado e age de acordo com suas leis. Nós conhecemos algumas dessas leis, outras não, e por esta razão a sua essência está escondida de nós. Nós acreditamos em vários milagres e ações que supostamente podem afetar o nosso curso de ações, e isso é tudo, porque não temos conhecimento. A ciência da Cabalá oferece a possibilidade de aprender essas leis.

A natureza pode ser chamada de Deus, se nos lembrarmos que ela é uma força absolutamente rígida, que não obedece a nenhum dos nossos desejos. Não é como os nossos pais, a quem podemos ir e chorar e eles terão piedade de nós. Nossas lágrimas não vão ajudar. É um sistema que funciona de acordo com as suas leis precisas. Como está escrito: “Eu dei uma lei, e não a mudo”.

De acordo com a ciência da Cabalá, o valor numérico (gematria) das palavras “natureza” e “Deus/Criador “é o mesmo. Portanto, voltar-se ao Criador é o mesmo que voltar-se à natureza. No entanto, é melhor atrair essa força da natureza porque nós imediatamente entendemos que estamos falando de leis rígidas e pedir a elas não vai ajudar.

A pessoa deve saber como se comportar e se corrigir para que essas leis se tornem benevolentes para ela. E se ela não as usar corretamente, então, naturalmente, receberá uma reação negativa, como acontece com todas as leis físicas.

Portanto, não há nenhum Deus a quem podemos abrandar ou de alguma forma apaziguar!

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 10/06/15

Por Que É Que O Criador Fez A Inclinação Para O Mau?

Pergunta: Como pode o Criador, que é completamente bom, e faz o bem, criar a inclinação para o mal, que não dá suporte à Sua propriedade? Por que Ele fez isso? Por que não nascemos para um mundo que está cheio de benevolência?

Resposta: Se nós tivéssemos nascido em um mundo completamente maravilhoso, seriamos como anjos que não têm inclinação para o mal. Ou seja, existiríamos apenas de acordo com uma força singular.

No entanto, a finalidade da criação é alcançar o nível do Criador, ficar mais esperto, perceber, e chegar ao mesmo estado como o d’Ele, adquirir poder similar e propriedades semelhantes às do Criador , ou seja, tornar-se totalmente como Ele.

Para atingir este nível, só temos de tolerar as propriedades que são opostas ao Criador. No entanto, também devemos possuir as qualidades que são semelhantes às Suas, ou seja, devemos ser compostos de duas partes. Uma parte é a inclinação para o mal, as propriedades que são adversas para o Criador, com a qual nascemos para este mundo.

Enquanto que, a segunda parte, as qualidades do Criador, devem ser adquiridas por nós, por nosso próprio esforço. É assim que devemos “construir” a nós mesmos através do envolvimento de ambas as partes, de forma mais vigorosa, tornando-nos cada vez mais como o Criador.

O processo de alcançar Seu nível é composto por 125 graus. Ele continua até chegar ao estado chamado de “Os filhos do Criador voltaram a Ele”. Isso acontece quando chegarmos à equivalência das propriedades com o Criador. Para isso, temos de ser compostos de duas partes opostas.

Por isso, o Criador fez a inclinação para o mal, um desejo egoísta. No entanto, Ele é Aquele que nos concede desejos benevolentes quando pedimos a Ele. Estas duas forças nos permitem alcançar a perfeição.

Pergunta: Mas como posso obter as propriedades sobre as quais eu nada sei?

Resposta: Para que isto aconteça você tem que juntar um grupo que trabalha na mesma tarefa. Você deve praticá-la. Você não será capaz de fazê-lo sozinho, por você mesmo. A conexão do grupo provoca a Luz De Retorno, e, assim, recebe uma segunda força, força positiva da natureza, que equilibra a negatividade em cada um de nós.

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Do programa israelense de rádio 103FM, 17/5/15

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Não Há Mal Sem Bondade
A Lei De Equilíbrio Do Bem E Do Mal

O Espírito Da Judiaria Russa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por algum tempo, grandes Cabalistas viveram em cidades russas: Baal Shem Tov, Rabi Nachman de Breslov e outros. Isso influencia o espírito da Judiaria Russa?

Resposta: Sem dúvida, os estudantes do Baal Shem Tov viveram em cada cidade. O Baal Shem Tov primeiro começou a aplicar a sabedoria da Cabalá que o ARI revelou no século XVI. Ele ensinou isso a vários de seus estudantes Cabalistas, que atingiram o mais alto nível no sistema. Seu papel foi despertar a inspiração no povo, para corretamente elevar, estabilizar e levá-los para a frente. Essa foi a ideia de restaurar o espírito do povo, que já havia sido perdido no momento da destruição do Beit HaMikdash (Templo), quando eles caíram do nível do amor mútuo para o ódio mútuo. Portanto, a necessidade amadureceu para elevar o povo do nível da rejeição egoísta para o nível altruísta de amor mútuo.

O Baal Shem Tov estabeleceu o que foi chamado de Hassidismo, um trabalho Cabalístico prático. Mas é preciso dizer que o Hassidismo de hoje é muito diferente. O Baal Shem Tov mudou o estudo do ARI para aproximá-lo do povo e mostrar-lhe a correção interna. Dessa forma, ele implementou a regra geral da Torá, “ama o teu próximo como a ti mesmo”. O povo então foi capaz de deixar o exílio espiritual e físico, porque um está conectado ao outro. Mas se a pessoa não estivesse pronta para a redenção espiritual, ela também não alcançaria a liberdade física.

Portanto, por duas gerações até o século XVIII, a atual Cabalá, que se chamava Hassidismo, prosperou. Em cada aldeia e assentamento havia pessoas envolvidas em alcançar o Criador com base na conexão correta entre elas, que é o que requer a Torá. Dessa forma, o Judaísmo se tornou espiritual, e apareceram muitas pessoas que se tornaram professores. Ao mesmo tempo, os adversários do Hassidismo apareceram, mas aconteça o que acontecer, ambos os grupos começaram a se elevar espiritualmente e isso desempenhou um papel enorme na influência do ambiente.

Ao mesmo tempo, pessoas oportunistas começaram a aparecer, o que mudou tudo e substituiu a corrente popular, de modo que elas já não estavam mais envolvidas com a realização da Torá. Em vez disso, elas simplesmente realizavam Mitzvot (mandamentos) físicas com algum tipo de aspiração interna ligeiramente maior, mas não mais do que isso. Isso significa que o Hassidismo caiu para um nível inferior. Mas, até o final do século XIX e apesar de tudo isto, ainda havia uma multidão de Cabalistas que sentia o mundo superior, o sistema de gerenciamento. A partir disso, eles ensinaram os outros. Isso influenciou muito fortemente o espírito da Judiaria Russa e foi enraizado neles para sempre. Portanto, a descoberta contínua do mundo espiritual, a descoberta da alma, o sentimento do mundo superior e todo o sistema de descoberta do Criador como a força superior de supervisão, os empurrou e hoje ainda empurra uma grande parte dos Judeus da Rússia para a verdadeira realização espiritual.

Entre meus alunos hoje, é possível encontrar muitos da antiga União Soviética e Russos ainda vivendo na Rússia. Até hoje, o potencial espiritual que lhes foi inserido pelos seguidores do Baal Shem Tov ainda vive dentro deles.

De Kab TV “Sobre a Nossa Vida” 07/05/15

Mostrando Ao Mundo Nossas Faces Brilhantes

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como uma pessoa pode fugir do caminho espiritual se o seu ponto no coração a atrai para isso?

Resposta: Toda a geração que saiu do Egito tem que morrer, e somente aqueles que nascem no deserto alcançam a terra de Israel. Nem todos eles morrem ou  nascem como novas pessoas quando chegam ao ponto de Bina.

Nascer como um novo povo expõe os pontos no coração à Luz de modo que dela surja uma imagem completa do homem que se assemelha ao Criador. Todos os outros morrerão, o que significa todos os outros atributos numa pessoa. É como vemos em nosso mundo quando mil entram numa sala e apenas um sai como professor.

Pergunta: Agora, quando nos envolvemos na disseminação, não esperamos que esse ponto seja revelado na pessoa, mas realmente começamos a despertá-lo nela. Em sua opinião, essa maneira um tanto agressiva é justificada?

Resposta: Eu não acho que sejamos agressivos, porque a nossa principal motivação não é impor nosso método a ninguém, mas identificar-se com o seu sofrimento, suas deficiências e seus sonhos não realizados. Nós sentimos pena e nos identificamos com ele e começamos a perceber que a dor e as deficiências que ele sente são o resultado de seu desamparo e desesperança.

Ele não admite, mas nós começamos a confessar: “Não há segurança suficiente no meu ambiente. Olhe para o que acontece comigo, meus filhos, meus netos. O que está acontecendo com o clima”. Ele reclama de falta de energia, escassez de água, sobre as grandes contas de serviços públicos que tem que pagar, etc. Ele não esquece a política local, política global, e tudo o que está no noticiário, embora isso não lhe diga respeito.

Se levarmos tudo isso em conta, temos a sensação de inutilidade, desespero, vazio e falta de propósito que são inconscientemente expressos como reclamações sobre tudo. Parece que se ele aceitar isso, tudo dará certo, mas se ele receber uma meta e ouvir que nada acaba, que tudo tem um objetivo e que tudo ficará bem, essa meta cobrirá todas as suas queixas.

As pessoas não morrem de fome, é claro, mas são privadas das coisas mais básicas. Nós vemos que é impossível corrigir alguma coisa, a menos que corrijamos a nós mesmos e comecemos a nos conectar e a pensar no outro. Afinal de contas, há um excesso de tudo o que precisamos no mundo, mas, ao mesmo tempo, em alguns países, metade de sua população está morrendo de fome, e a única razão é que não estamos conectados.

Não devemos nos acalmar e dizer que tudo isso será ajustado de alguma forma. Isso não pode ser! Esta é a razão por que o nosso contato com o mundo de hoje tornou-se tão vital.

A principal coisa é que a crise é agora evidente em cada aspecto da vida. Eu vejo o quão ela é profunda e é uma sensação muito desagradável, porque se olharmos para as coisas objetivamente, é como um tsunami que se aproxima e está ameaçando eliminar todos nós. Portanto, ou enfrentaremos aflições terríveis que forçarão todos nós a nos corrigir ou prevenimos esses sofrimentos com nossas explicações que levam as pessoas a começar a se corrigir perante os problemas que chegam. Os animais podem sentir um tsunami se aproximando e escapar com antecedência, mas o nosso ego não nos deixa sentir um desastre se aproximando com antecedência e nos engana sussurrando-nos que está tudo bem!

Os animais não podem sobreviver dessa maneira. Nós estamos numa situação pior, porque estamos desconectados da natureza. A fim de nos fundirmos com a natureza, temos que estar no atributo de doação e equilibrar nosso egoísmo através desse atributo. Só então ascenderemos ao nível de Moisés e seremos capazes de falar com o Criador.

Se nos conectarmos com a natureza, seremos capazes de resolver corretamente todos os nossos problemas e avançar à bondade. Caso contrário, o nosso ego continuará a nos confundir. Nós estamos destruindo a nossa vida, e a situação está realmente se tornando ameaçadora. Eu não estou tentando assustar ninguém; todo mundo já sabe tudo isso. As pessoas têm simplesmente se acostumado com a ideia de que uma guerra pode irromper e haverá problemas, aniquilação e morte. Nós nos tornamos apáticos: vamos viver pacificamente hoje, e o que vier amanhã, não importa. O mundo está num estado de desamparo absoluto e as pessoas não podem fazer nada com suas vidas, com a humanidade, com tudo o que temos feito e causado.

Nunca na história da humanidade as pessoas relutaram em ter filhos ou em pensar e se preocupar com eles, e nunca as crianças deixaram seus pais e viajaram para muito longe deles. Mas, por outro lado, vemos também o outro extremo hoje, quando adultos infantis (30-40 anos de idade) vivem com os seus pais e não têm a intenção de ter uma família própria.

Nós chegamos à última fase do desenvolvimento do egoísmo que já necessita correção. Portanto, chegou a hora de dizermos ao mundo inteiro que temos as duas tábuas de pedra com os Dez Mandamentos em nossas mãos. Vamos levantar um pouco a máscara de ferro e expor nossas faces brilhantes para todos.

Será Um Dia De Descanso Para Você

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Êxodo” 35:1 – 35:3: Então Moisés convocou toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: “Essas são as palavras que o Senhor ordenou que se cumprissem. Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho morrerá. Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado”.

Inicialmente, nós lidamos com os desejos egoístas de uma pessoa ou sociedade.

A Torá nos diz que tudo o que precisamos fazer é superar o nosso ego e nos reunir acima dele num único conjunto. Portanto, essa Parasha (porção da Torá) é chamada de “VaYikahel” (reuniu).

Ela fala sobre a reunião de todas as partes separadas, distantes e hostis da alma coletiva, que são encontradas em todos nós e que temos que reunir como um quebra-cabeça, numa única alma.

Através da conexão dessas partes, nós começamos a organizá-las sob a influência da Ohr Makif (Luz Circundante), a característica de doação e amor do Criador. Se tentarmos ser como Ele, na medida dos nossos esforços, Ele vai nos influenciar e ajudar nossa reunião numa conexão integral mútua.

Então veremos como nossas características mútuas criam certo todo, algum tipo de imagem completa, que na sabedoria da Cabalá é chamada de Partzuf, ou seja, um bloco ou estrutura.

Esse Partzuf é composto de Sefirot: Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod, Malchut. Nas primeiras seis Sefirot, que simbolizam os seis dias da semana, nós precisamos trabalhar na reunião das partes separadas da alma. Se conseguirmos isso, a Luz terminará a reunião completa, trabalhando em nossos esforços ao longo dos seis dias de trabalho. Então não precisamos fazer mais nada, uma vez que no sétimo dia o nosso trabalho está terminado.

Nós possibilitamos que Luz termine essa soldagem entre nós, na qual a unidade completa da alma emerge das partes separadas que se reuniram.

Nós terminamos uma semana, e começamos uma nova semana. Uma parte e depois outra parte é recolhida, e, dessa forma, nós reunimos toda a nossa alma comum. Dentro de um determinado número de ações como essas, nós alcançarmos a reunião espiritual de todas as partes tornando-se uma unidade completa, à semelhança de Adam (homem), o qual significa Domeh (semelhante ao Criador). Com isso, nós alcançamos a correção completa da humanidade, a qual temos que alcançar.

Portanto o Shabat é o dia mais sagrado, pois nesse dia a Luz age, influencia os nossos esforços, e os termina. É como se ao longo dos seis dias nós criássemos o trabalho a ser feito, e no sétimo dia a Luz o realiza.

Se no sétimo dia nós continuarmos esse trabalho, é como se estivéssemos felizes com essa quebra da alma de Adão, porque estamos tentando fazer o trabalho em vez da Luz. Essa é a maior violação de todo o sistema de correção.

Em geral, nós fazemos parte do trabalho e a Luz faz parte do trabalho. Se nós mesmos fazemos todo o trabalho, estamos adicionando ainda maior destruição no sistema e até mesmo rejeitando mais fortemente a reciprocidade de todas as partes que se reuniram durante a semana. Geralmente, é preferível não fazer nada do que reunir toda a semana e continuar isso mesmo no sétimo dia. Desta forma, nós negaríamos todo o método de correção do sistema e todo o seu progresso.

Assim, antes do sétimo dia, é necessário terminar os nossos esforços, o que significa que vamos parar no sexto dia e possibilitar que a Luz solde todas as partes, juntando-as. É dito: “Será um dia de descanso para você”. Basicamente, a pessoa está fazendo um trabalho e não apenas descansando. Nesse momento, nós finalmente sentimos a unidade gradual de todas as seis partes num todo geral e terminamos a correção do nível espiritual atual. Depois disso, nós corrigimos o próximo nível e o próximo, e assim por diante, semana após semana.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 10/10/13