Textos na Categoria 'Equivalência com o Criador'

A Imagem Da Criação Pendurada Em Dois Ganchos

Dr. Michael LaitmanA fim de captar a imagem certa da realidade, nós temos que estar familiarizados com os dois pontos de vista que existem: o ponto de vista do Criador e o ponto de vista da criatura, e entender a relação entre eles. Com base nestes dois estados, podemos determinar a nossa atitude para com o desejo, de modo que, no final, todos estes pontos determinem a relação entre o Criador e a criatura de acordo com a oposição em semelhança de um com o outro, e nos dê uma nova percepção da realidade.

Não será mais a mesma imagem falsa que vemos agora, chamada de “mundo imaginário”, que é unilateral e limitada apenas ao que se passa através de nós, através do filtro egoísta, proporcionando-nos o sentimento deste mundo. Com a realidade ampla e infinita fora de nós, para além dos limites de nossa percepção, quando ela passa pelo nosso ego e atinge nossos sentimentos, ela é restrita ao tamanho de uma imagem corporal deste mundo que, no final, nós sentimos. Mas para chegar a uma percepção ilimitada, nós precisamos de novos pontos de vista.

A nossa realidade limitada e egoísta é chamada de “animal”, uma vez que é percebida pelo nosso organismo animal. A fim de sentir a verdadeira realidade, nós precisamos de dois pontos de vista: um ponto que é o oposto ao Criador e outro ponto que é semelhante ao Criador. Entre estes dois pontos, a partir dos diferentes tipos de conexões entre eles, tais como a favor e contra, semelhante e oposto, nós vamos construir a nova imagem do nosso mundo. Todos os atributos opostos e todos os semelhantes serão os componentes de nossa percepção.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/07/12, Escritos do Baal HaSulam

Roteiro Para O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso me relacionar com o Criador, se Ele é a qualidade de doação?

Resposta: Realmente, o que significa a “qualidade” de qualquer maneira? É uma força física? Eu posso realmente amar ou odiar a gravidade? Por exemplo, eu posso gostar dela na condição de que ela faça algo bom para mim. Mas isso não significa que eu a amo ou odeio. Eu percebo que é algo inanimado e, portanto, me relaciono com ela de acordo com meu sentimento, de acordo com os benefícios que recebo dela.

Eu gosto do sol. Mas, eu realmente o “amo”? Como nós podemos amar o sol comparado a amar uma planta, um animal ou uma pessoa?

Então, como me relacionar com o Criador? Primeiro de tudo, é dito sobre ele: “Eu HaVaYaH não mudo”. A Luz superior está em repouso absoluto; é o “Bom que faz o bem para o bom e o mau”; o Criador nos trata com amor absoluto.

Por outro lado, o Criador é chamado o Grande, o Terrível, e assim por diante. Todo o mal vem Dele; todo o bem é originário Dele. Tudo é tão contraditório que eu fico confuso.

Se algo é imutável, é ruim. Por que eles nos dizem que o Criador não muda?

Baal HaSulam explica em sua carta número dois, que se um pai se relaciona com seu filho com amor absoluto, ele faz o filho odiá-lo, em vez de amá-lo. Afinal, se não há reação alguma em nome do pai, o filho vê que não importa como ele trata o seu pai; de qualquer forma, o pai lhe responde com amor absoluto. Ele impede que o filho desenvolva amor, e não permite que ele mude, veja a conexão e fique em contato. É como se ele estivesse diante de um objeto inanimado. As plantas têm certo nível de reação, os animais respondem mais fortemente, sem mencionar o ser humano. Em seguida, as reações positivas e negativas penetram umas nas outras e criam uma nova conexão, uma inclusão mútua.

Mas se o Criador não muda, e ao mesmo tempo, Ele é tão bondoso e amoroso, então o que eu sinto por Ele? Não há como eu possa levá-Lo em consideração. Além disso, se eu não posso considerá-Lo, eu O deixo fora de cena, como se Ele não existisse. Por que eu consideraria alguém que nunca muda?

É uma noção muito profunda, que foi explorada não só pelos Cabalistas. No entanto, os Cabalistas se esforçaram em demonstrar que em todos os momentos o Criador significa “Venha e veja” (Bo-reh, em hebraico); assim eu O revelo. Eu não consigo revelar Ele mesmo, Sua essência, mas apenas Sua forma que está vestida na matéria. É por isso que quando nós O alcançamos em Sua totalidade, revelamos Sua forma final e perfeita e realmente O vemos como Absoluto, Perfeito, Eterno, o Bom que faz o bem.

Em todos os outros estados, nós consideramos o bem ou o mal que vem Dele dependendo do nível da nossa própria corrupção, como é dito: “Todo mundo julga de acordo com suas próprias falhas”. Assim, nós temos a oportunidade de nos relacionar com Ele de acordo com nossas próprias deficiências e correções, e vê-Lo como bom ou ruim.

Além disso, nós temos que acreditar no que disseram os grandes Cabalistas que O revelaram em Sua verdadeira forma, que Ele é totalmente bom e doador.

Portanto, nós temos que relacionar isso com os nossos desejos (Kelim): neste momento, nós vemos o Criador de acordo com a exatidão ou corrupção dos nossos desejos, mas quando nós o alcançamos no final da escada, vamos revelá-Lo como o Bom que faz o bem.

Assim, todas as contradições terão desaparecido, e nós receberemos um “roteiro do progresso”, que é dimensionado conforme nossa atitude para com o Criador. Ele nos permite ver como nós mudamos e, consequentemente, como o Criador muda aos nossos olhos.

Nós expressamos nossa gratidão ao Criador por nos dar a escada da ocultação; com a sua ajuda podemos alcançar a conexão com Ele. Caso contrário, não seremos capazes de nos conectar com perfeição.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/12, “O Livro do Zohar”

Prepare-se Seriamente Ou Divirta-se, Você Decide!

Dr. Michael LaitmanTudo depende da preparação e há a questão do grupo aqui, pois a conexão é a expressão da aquisição do atributo de doação, a aproximação, a adesão entre aqueles que trabalham juntos e seguem um caminho; é uma expressão de o atributo de amor que eles adquirem.

A unidade entre eles é semelhante à unicidade do Criador, pois se eles querem ser “como um homem em um só coração”, que significa estar mutuamente incorporado em pensamento e desejos, sem quaisquer diferenças entre si, como um sistema integral, eles anseiam se assemelhar ao Criador que é Um.

Assim, eles se preparam, todos eles juntos e cada um por si, para sentir o verdadeiro sabor da refeição que foi preparada pelo Criador.

É por isso que nos foi dado o livre arbítrio em nosso mundo, a fim de nos permitir chegar à refeição dos ímpios ou à refeição dos justos. Você decide se você se prepara a sério, ou se você brinca com os brinquedos!

Nós falamos daqueles que alcançaram a sabedoria da Cabalá. Nós não podemos exigir nada de quem ainda não chegou a ela. Eles simplesmente continuam a sofrer com a crise general que os empurra a se corrigir debaixo. Estas pobres pessoas não entendem o que está acontecendo. Elas esperam a salvação, mas a salvação só pode vir daqueles que se prepararam corretamente para a refeição do rei. Então, através deles, a refeição vai chegar a todos os outros que ainda não começaram a se preparar.

Portanto, todo o nosso trabalho está no grupo, na reciprocidade, “como um homem em um só coração”, como se diz: “Cada homem deve ajudar o seu irmão”, “não faças aos seus amigos o que você odeia”, “Ama o amigo como a ti mesmo” e “Do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Todos estes princípios só podem ser preenchidos através de uma conexão, uma vez que esta é a preparação para a revelação de nosso relacionamento com o Criador, para que Ele seja revelado dentro de nossa preparação, dentro da conexão. Isso significa que o atributo de doação e amor se revela nos vasos que preparamos e corrigimos, a fim de revelar esse atributo de acordo com a lei da equivalência de forma.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/07/12, Escritos do Baal HaSulam

Duas Fases do Trabalho

Pergunta: Por que é dito que eu faço todas as correções em mim mesmo?

Resposta: Eu não corrijo a mim mesmo, mas apenas a atitude da minha conexão. A inclinação ao mal não está em mim, mas entre mim e os outros na minha atitude em relação a eles.

Eu preciso estar em uma conexão com alguém, a fim de calcular se é bom ou ruim e requer uma mudança. O primeiro estágio é revelar que esta rede existe. A partir desse momento, eu começo a me mover para  frente mais e mais longe, conscientemente revelando o que precisa de correção: quais os relacionamentos e qualidades são necessários agora e quais qualidades irão ser exigidas mais tarde.

Então eu gradualmente revelo todo o sistema de relações entre mim e os outros. Mas então eu descubro que na verdade é uma conexão com o Criador. Estas são duas etapas no trabalho.

Se eu posso confiantemente trabalhar sem qualquer referência para mim mesmo, eu revelo que o Criador estava escondido atrás do vizinho. Até aquele ponto isso não está claro, eu posso roubar um pouco aqui e lá, e fazer alguns cálculos egoístas. O Criador me ajuda a imaginar quais cálculos são certos e portanto aparece para mim na forma de amigos ou algumas outros imagens tangíveis com a qual eu posso mutuamente trabalhar.

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Da 1a. parte da Lição Diária de Cabala de 9/7/12,  Escritos do Rabash.

O Único Presente Do Criador

Dr. Michael LaitmanComentário: Nós sabemos que só podemos receber prazer do Criador se isso for importante para nós. Acontece que mesmo se houver uma parede na minha frente, tudo depende de como isso é importante para mim.

Resposta: Tanto o Rabash quanto o Baal HaSulam dão o exemplo da noiva que está satisfeita se alguém que ela considera importante concorda em se casar com ela. Por isso, é como se ele a “comprasse”. Mas ele não paga nada, ele não lhe deu nada; então, por que ela está satisfeita com isso? Porque ele é importante para ela.

O que o nosso desejo recebe do Criador? Nada. Mas Ele é grande, e nós estamos prontos para o “casamento”; nós concordamos em aderir a Ele com coração e alma, em adesão infinita e absoluta. O Criador “compra” você só com a Sua importância. É a única coisa que você adquire à medida que se desenvolve, e é isso que o preenche.

O nosso desejo – que cresceu graças à Luz, que recebeu a doação do Criador – o que ele quer desfrutar? Na verdade, ele quer desfrutar a grandeza e nada mais. Não podemos desfrutar o prazer em si; isso só acontece em nosso mundo com prazeres imaginários que vêm do Criador, a ponto de algo proveniente do nada. Os prazeres deste mundo só estão disponíveis para nos sustentar até começarmos a compreender a grandeza do Criador. Todos os níveis espirituais são o reconhecimento de Sua grandeza, e com Sua ajuda você desfruta se quer doar a Ele.

Por outro lado, a inclinação ao mal, o Faraó, é a tentativa de desfrutar diretamente, mas, novamente, só a grandeza do Criador. Isso é chamado de prazer espiritual.

Parece que a grandeza é necessária somente para superarmos o nosso ego e que depois seremos capazes de desfrutar a fim de doar, mas isso não é assim; todo o nosso trabalho reside em aumentar a grandeza do Criador aos nossos olhos. Com isso nós desenvolvemos novos desejos, e a ênfase muda de receber diretamente prazeres egoístas para receber prazer de Sua grandeza; assim, ao menos nós chegamos às Klipot (cascas), e isso não é nada simples.

A grandeza do Criador nos atinge, e é muito difícil sair deste cativeiro. Afinal, toda a criação é a essência dos degraus da escada. Quando alguém de um nível superior brilha sobre mim um pouco de sua grandeza, eu me rendo, eu me torno viciado na raiz e desde então ele é meu “chefe”, o “rei”.

Mas eu quero agir de forma diferente, consciente e inteligentemente. Eu quero resistir à vantagem que o superior tem sobre mim; eu não quero ser subornado por Sua importância e poder.

Isto significa que não se trata de receber Dele; nós estamos lutando com o nível de importância. Eu não quero trabalhar só para o benefício do superior simplesmente porque Ele é grande. Por que eu simplesmente me anulo naturalmente.

Pergunta: Isso significa que todos os livros de Cabalá e todas as idades de desenvolvimento foram dedicados a uma única coisa, para o reconhecimento independente da Sua importância?

Resposta: É isso mesmo, e não é por acaso que o mundo moderno está tão confuso e que ninguém entende o que está acontecendo. Afinal, tudo gira em torno de um ponto de adesão.

Pergunta: Mas, ainda assim, não há nada mais importante neste mundo. Eu não estou tentando elevar a importância de algo artificialmente. Estão todos os mundos e todos os níveis destinados apenas a isso?

Resposta: Eles foram criados como resultado da Luz que preencheu o desejo e deu-lhe diferentes formas. Com o que o Criador nos preenche? Que prazer Ele ganha por ter criado a criatura de modo que ela só desejará isso? Além disso, será que o Criador tem somente a força de doação? Não. Ele criou mecanismos de percepção nas criaturas, níveis especificamente para esta força de doação; nós nos desenvolvemos apenas de acordo com esta importância.

Onde estão os prazeres que Ele preparou para mim? Onde estão as bebidas que o anfitrião preparou de acordo com o famoso exemplo?

Não há sequer um pingo de prazer do jeito que você imagina. Não há refrescos, embora pareça assim: é apenas uma ilusão. Em nosso mundo você se contenta com um falso prazer, você engole iguarias, mas não está preenchido. Portanto, livre-se das ilusões e comece a discernir os níveis da grandeza do Doador. Daí você vai começar a calcular as coisas dentro dos limites da sua percepção.

Agora nós podemos entender o que aconteceu na primeira restrição. Malchut começou a se restringir quando descobriu que recebia com respeito ao Doador; ela descobriu a diferença entre o receptor e o Doador, e não entre a fome e as deliciosas bebidas. É a grandeza do Doador que me puxa para fora de mim. Eu não calculo este “prazer”, mas sim o prazer do Doador. Quando eu descubro a doação por parte Dele e a recepção da minha parte, sou preenchido pela vergonha, mas não por causa das bebidas que gosto, mas vergonha quando vejo a Sua grandeza em comparação com a minha baixeza.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar

Saltando Sobre A Vestimenta Falsa

Dr. Michael LaitmanÉ um princípio muito simples, mas é muito difícil mantê-lo já que ele constantemente desaparece. Diz-se: “Não há ninguém além Dele”, e “Sua honra preenche a terra”, mas ao mesmo tempo, todo mundo está perguntando: “Onde está o Criador? Onde podemos ver, sentir e descobri-Lo?”.

Sua revelação é a verdadeira meta de nossa vida, apesar de não compreendermos nem sentirmos isso. Parece como se existissem objetivos diferentes ao longo do caminho, mas não é verdade. Por trás de tudo o que queremos – comida, sexo, família, dinheiro, respeito, controle, conhecimento, realização espiritual e, finalmente, tudo para o qual uma pessoa é atraída – há um desejo oculto pela Luz, pelo Criador, que inclui e traz à pessoa todas as satisfações.

Assim, mesmo o menor desejo que é evocado em uma pessoa, é no final para o Criador, mas Ele está oculto de nós. Eu não percebo ou sinto o que realmente anseio. Eu quero descansar, quero aproveitar a vida com amigos e familiares, mas por trás de tudo isso está sempre o Criador.

Nós estamos perseguindo imagens diferentes e suas vestimentas, mas nosso verdadeiro anseio é realmente só por Ele. O que devemos fazer para que não sejamos enganados por todas estas vestimentas falsas e para que não passemos nossa vida procurando em lugares vazios, quebrando a cabeça contra a parede e perdendo o nosso tempo? Afinal, isso pode demorar uma eternidade e levar a nada.

O processo que passamos nos ensina que nunca seremos capazes de ser preenchidos egoisticamente! Todas as vestimentas atraentes são falsas e ilusórias. Como eu posso descobrir que por trás de toda a vestimenta, mesmo quando quero divertir-me com as crianças e com a família, saborear comida ou descansar, estou desfrutando o Criador? A diferença será sentida imediatamente.

Se ao receber o prazer de uma satisfação normal, estou ciente de que estou na verdade desfrutando o Criador, meu prazer será pleno. É possível, mas temos que desfrutar da mesma maneira que Ele, para neutralizar a vestimenta externa e desfrutar a fim de doar-Lhe, para retribuir-Lhe por este prazer, para que apreciemos um ao outro mutuamente. Então, a vestimenta vai desaparecer, e em vez disso, você verá o prazer em si, na sua forma revelada que será revelada em sua vestimenta.

Por isso temos que evocar constantemente a verdade no grupo, lembrando uns aos outros que nós ansiamos pela revelação do Criador, a revelação do atributo de doação e isso é o que realmente desfrutamos e não sua vestimanta. A principal coisa é a honra do Criador, o que significa a Sua grandeza, a grandeza do atributo de doação que constantemente toma conta de nós.

O Criador criou falsos objetivos e diferentes vestimentas que constantemente nos atraem até que cheguemos a Ele. Essas vestimentass falsas nos atraem para o caminho do sofrimento. Se estas vestimentas  nos ajudam a receber a  vestimenta da doação, a Luz de Hassadim, avançamos pelo caminho da Torá, o caminho da Luz.

Nós sempre trabalhamos face a face com o Criador e devemos tentar mudar a vestimenta: tomar sobre nós a vestimenta do Criador, na qual Ele se esconde e esconde o nosso desejo de receber sob esta vestimenta. Então, vamos nos aderir ao Criador, ou seja, vamos pular sobre as vestimentas falsas. Eu anulo a vestimenta com a qual Ele se esconde, e é como se eu chegasse mais perto Dele em vez desta vestimenta, vestindo meu desejo de receber com esta vestimenta. Então, a minha intenção, a minha alma, é aderida ao Criador.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 08/07/12, Escritos do Rabash

Uma Guerra Inútil Contra O Desejo

Dr. Michael LaitmanDurante todo o processo de criação há uma conexão fixa constante entre a Luz e o desejo. A Luz criou o desejo, amarrou-o a si, e ele está, portanto, ligado à Luz para sempre. Nós não podemos quebrar esta ligação.

A criatura pode se restringir e com isso é como se ela deixasse de receber a Luz; ela pode fazer todos os tipos de coisas, mas não pode querer parar de desejar a Luz! Este é o fundamento da criação; esta é a natureza do desejo de receber que foi criado pelo Criador.

Assim, com relação ao nosso desejo de receber, a Luz está sempre em repouso absoluto e nós sempre queremos isso! Não importa o quanto nos restringimos, quantas Masachim (telas) temos, nós fazemos tudo isso acima do desejo de receber. O desejo nunca desaparece e sempre anseia pela Luz. Nenhuma ocultação ou revelação, partição ou grau vai mudar isso; o desejo só existe se sente a Luz e anseia por ela. Se não há luz não há desejo.

Assim, nós só podemos realizar diferentes ações acima do desejo, já que esta é a nossa natureza e é impossível escapar dela. Nós não podemos fazer nada com os nossos desejos, mas somente acima deles, ou seja, diferentes coberturas e correções. O desejo permanece constantemente, uma vez que é a matéria fixa da criação. Nós devemos entender isso de forma a não lutar contra o desejo de receber e tentar corrigir o mundo ingenuamente, mas temos que subir acima do desejo e usá-lo de forma diferente.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/07/12, O Estudo das Dez Sefirot

Sem Espaço Para Erros

Dr. Michael LaitmanSomente um desejo foi criado: receber prazer e deleite. Não há mais nada que possa ser atribuído à criatura. Tudo o resto é a correção da criação, a forma externa que o desejo de receber pode assumir à medida que a Luz o influencia.

Existe o superior, que é doação, e o inferior, que é recepção. O inferior pode receber tal doação do superior, que vai mudar sua forma externa; como um lobo vestido de pele de cordeiro, ele ainda é um lobo! Isso é realmente o que fazemos com o nosso ego, com o mal em nós, tentando dar-lhe uma forma semelhante ao Criador.

Nós devemos entender que tudo acontece dentro do desejo de receber, uma vez que este nos faz encarar o fato de que tudo depende de nós e tudo acontece em nós. Não há nada do lado de fora; toda a realidade está dentro de nós, em nosso desejo de receber.

O desejo sempre permanece um desejo, e eu não devo tentar mudá-lo. Eu não deveria aumentá-lo ou diminuí-lo, torturar-me com jejum ou me bater. Eu só tenho que exigir que o Criador mude a forma do meu desejo e o torne semelhante a Ele.

Não existem outras ações, exceto voltar-se à Luz, pelo que eu posso alcançar uma mudança real. Eu só vou me prejudicar e distorcer a natureza por qualquer outra forma. Como posso fazer algo com meus desejos, sozinho? É até ridículo esperar isso. Se a pessoa age assim, ela distorce sua forma geral, sua percepção, sua compreensão e sua abordagem.

Isto é o que toda a humanidade faz, com a esperança de conseguir algo por ações diferentes, como as revoluções na ciência e na sociedade. Todas as nossas ações até agora, desde o momento em que descemos das árvores, nos tornamos seres humanos, e começamos a nos desenvolver, foram apenas para nos mostrar que todas estas ações foram erradas.

Agora nós estamos à beira de uma mudança, e ao examinar toda a nossa evolução, nós vemos que é o desejo egoísta que nos obrigou a seguir todo este caminho. Tudo o que fizemos até agora foi um grande erro.

Era impossível evitá-lo, uma vez que é impossível avançar sem a revelação do mal. Mas o erro foi na tentativa de lidar com nossos desejos, para limitá-los ou satisfazê-los, e para mudá-los por nós mesmos. Nós sempre esperávamos alcançar uma vida melhor com isso, mas toda vez estávamos errados e recebíamos golpes em vez de prazeres.

Agora nós temos que pesar as coisas: vale a pena ir por esse caminho? Agora é impossível mesmo que queiramos. Nós não seremos capazes de avançar, a fim de continuar corrompendo nosso desejo de receber; não há para onde ir! Todos os sistemas atingiram um ponto final e não podem ser mais preenchidos.

Se continuarmos na mesma direção, a única coisa que podemos esperar é uma guerra mundial como o golpe definitivo. Nós podemos começar por mudanças conscientes ou invocar aflições terríveis sobre nós. Mas todo o processo foi necessário para nos levar ao reconhecimento do mal, a nossa abordagem para corrigir a nós mesmos e o mundo.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/07/12, O Estudo das Dez Sefirot

O Mundo Todo É A Face Do Criador

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Item 33: E você deve saber que qualquer satisfação do nosso Criador em doar às Suas criaturas depende da medida em que elas O sentem — que Ele é o doador, e que Ele é aquele que lhes dá prazer; pois Ele recebe grande prazer delas, como um pai brincando com seu filho amado, na medida em que o filho sente e reconhece a grandeza e exaltação de seu pai, e seu pai mostra-lhe todos os tesouros que preparou para ele.

Pergunta: Por que é tão importante para as criaturas sentir que é o Criador quem lhes dá prazer?

Resposta: As criaturas só conseguem sentir aquilo com que elas têm uma equivalência de forma. Se elas quiserem sentir o Criador como aquele que doa, elas têm que entender o que significa isto; elas têm que ser incluídas na doação e realmente subir a essa altura. Daí elas vão receber esse prazer, o mesmo nível de existência e poder de vitalidade que o Criador possui.

Pergunta: Aqui há o exemplo do pai brincando com o filho, querendo que ele O considere como a fonte de todos os prazeres. Isso parece ser um ato muito egoísta.

Resposta: Mas pode haver outro exemplo de uma atitude semelhante: o pai teve o filho não para apreciá-lo, mas para levá-lo à bondade. O pai faz tudo que está em seu poder até que o filho cresça para doar a ele. Então, quando o filho cresce e recebe todos os tesouros do pai, compreendendo e sentindo toda uma existência eterna, isto traz contentamento ao pai. Isto significa que, se o Criador desfruta, é sinal de que eu alcancei a perfeição. É assim que você deve ver: que isso se origina do Seu amor.

De nossa parte, nós temos que tentar trazer contentamento a Ele e trazer doação total e infinita à força superior. Nós recebemos as deficiências dela, desejos vazios, e dela recebemos as Luzes que corrigem essas deficiências, transformando-as de “a fim de receber” em “a fim de doar”. Assim, nós avançamos em direção à equivalência com o Criador. Esta é a única maneira correta e desejável pela qual podemos avançar. Assim, nós sentimos a força da vida espiritual que nos preenche, chamada Luz.

Este processo está descrito em nossa linguagem, na linguagem corporal, e assim parece que o Criador chora e sente pena se não agirmos como deveríamos ou se não acompanharmos o ritmo desejado. Assim, os Cabalistas transmitem as reações que provocamos Nele por nossas ações indesejadas. No entanto, se formos bem sucedidos, eles dizem que Ele fica feliz.

De uma forma ou de outra, “a Torá falou na linguagem dos humanos”. É daí que surge o exemplo do pai, que intencionalmente muda sua expressão em relação ao seu filho, expressando assim insatisfação, desejo ou felicidade, a fim de permitir ao filho estabelecer a conexão com ele. Mas isto é apenas uma expressão, uma vez que o próprio pai provoca diferentes estados e humores no filho, e é ele quem cria as circunstâncias que acompanham o seu crescimento. O filho obedece totalmente ao seu pai, interna e externamente. Portanto, diferentes imagens surgem diante dele: ele também vê que seu pai é sério, risonho, insatisfeito ou satisfeito.

Em geral, todo o meu mundo interior e o meu ambiente é o Criador. Dentro, isto está totalmente oculto de mim, e do lado de fora eu posso atribuir o papel principal ao destino e até mesmo à força superior, apesar de ainda não vê-la. O objetivo é entender onde está o “corte”, a diferença, onde está o “eu” aqui.

Diz-se: “Não há outro além Dele”. O Criador envia-me tudo que eu sinto internamente; Ele controla meus pensamentos e desejos e tudo o que acontece comigo, como eu recebo isto e como respondo ao que está acontecendo. Num raio-x, eu posso ver que não tenho controle sobre nada, que Ele controla tudo.

Então, o que sou eu? “Eu” é o ponto que quer revelar o Criador. É isso! É um ponto que está fora do Criador, o ponto de separação, de quebra, o ponto do meu “eu”, minha base, sobre a qual eu preciso descobrir o Criador e Sua unicidade.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar

 

Crescer Nos Suplementos Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como os desejos dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza diferem? Quais as alterações de parâmetros nesta escala?

Resposta: Parte do Criador que está na natureza inanimada transforma-se no desejo do nível vegetal. Outra parte transforma o desejo do nível vegetal no nível animal e outra parte eleva o desejo do nível animal para o nível falante. Cada vez, outra força qualitativa é adicionada: Malchut do superior transforma-se em Keter do inferior. A força do Criador que está oculta nela irrompe e gera um novo nível mais inferior.

A forma do novo nível é determinada diretamente de Cima, enquanto o seu conteúdo, seu preenchimento, a essência do nível, conforme o qual ele é determinado, vem do Criador. Assim, em todas as quatro fases da Luz direta, há a mesma matéria típica do desejo de receber, mas elas são totalmente diferentes, pois cada fase tem uma nova parte suplementar do Criador.

O nível inanimado da natureza só pode preservar a si mesmo conforme o Criador o criou. Ele é chamado de “um embrião no ventre de sua mãe”.

O nível vegetal não se anula totalmente perante o superior; ele já quer acrescentar algo de si mesmo, pois recebe o alimento só quando quer comer, etc. Ele pode dar alegria à mãe, e, portanto, sofre quando está longe dela e feliz quando está perto dela.

O nível animal já se aproxima e se afasta de forma independente. Ele já tem uma mente e pode ser oposto ou semelhante ao superior. Temendo pela oposição, ele se assemelha a ele novamente, trazendo assim mais satisfação. Não é por acaso que nós amamos as crianças desobedientes mais do que as calmas. É porque às vezes você não sente uma criança quieta, enquanto que a criança travessa, que causa dores, faz você sentir a discrepância entre os estados, e você a ama mais e se sente mais perto dela. Ela estimula você e muda o seu humor e, no final, atrai amor. Ela esculpe constantemente um “entalhe” no seu coração e, às vezes, “espalha” algo de bom nele.

Quanto ao nível falante, ele pode tomar o lugar do Criador na criação. Ele cuida de tudo e vê toda a criação como uma oportunidade de doar ao Criador.

Isto é o que é típico sobre esse desenvolvimento: quanto mais a criatura está aderida ao Criador, mais claramente ela descobre a sua oposição em relação a Ele.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar