Textos na Categoria 'Equivalência com o Criador'

O Ponto De Liberdade: O Começo Da Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde está o ponto a partir do qual começa o meu livre arbítrio? O que ele inclui? Como vejo o mundo através dele? Como eu divido as coisas em importantes e sem importância, principais ou triviais, como organizo minhas prioridades?

Resposta: O livre-arbítrio começa a partir de um ponto chamado de “raiz da alma”. É aí que a alma começa. Portanto, a busca por este ponto é a coisa principal e nós vamos passar por isso e aprender durante o período de preparação.

O esclarecimento do ponto do livre-arbítrio só é possível quando podemos alcançar o primeiro nível de doação, o mais baixo. Então começamos a compreender o que nós temos que escolher e a partir de quê. Afinal, nós sempre escolhemos entre duas opções. Se tivéssemos que escolher entre duas coisas idênticas não seríamos capazes de escolher. Seria difícil fazer uma escolha, então nós não decidimos. Nós temos que encontrar um defeito ou uma vantagem de uma em relação à outra.

Assim, o livre arbítrio só é possível se eu escolher o atributo de doação em vez do atributo de recepção. Se eu puder fazer a diferença entre esses dois atributos e decidir que definitivamente prefiro o atributo de doação em vez do atributo de recepção, então, de acordo com essa escala, já poderei começar a esclarecer o que é melhor e o que é pior em todos os aspectos.

Isso significa que, primeiro, a fim de escolher livremente, eu tenho que ser livre de meu desejo de desfrutar e saber o que escolher: o atributo de doação, e saber que eu deveria escolhê-lo a cada momento. Isso determina o meu nível. Assim, toda vez que eu escolher o atributo de doação em vez do atributo de recepção, eu avanço. Esta é a única coisa que eu deveria fazer.

Mas, o primeiro ponto do livre-arbítrio, no qual saímos do exílio e nos tornamos “uma nação livre em nosso país”, o que significa em nosso desejo, livre de nosso ego, surge no momento que a pessoa transcende a Machsom, a barreira para o mundo espiritual. Até então, estamos no tempo de preparação.

Depois de transcendermos a Machsom, nós avançamos também num “caminho não semeado” que atravessa o deserto e escolhemos a Terra de Israel, o que significa que queremos alcançar o desejo que aponta diretamente ao Criador (Yashar El) e é totalmente para a doação. Mas, nós ainda não sentimos benefício e avanço. Estes são os “quarenta anos vagando no deserto”, embora, pareça que é possível atravessá-lo a pé numa semana, como o deserto do Sinai. Por que nós devemos vagar nele por quarenta anos?

Este momento é essencial até que a pessoa atinja todos os discernimentos dentro dela e possa escolher o desejo de doar chamado “a Terra de Israel”, em vez do desejo egoísta chamado “Egito”, em um estado que é chamado “deserto” para ela. Enquanto isso, nada a atrai para doação. Depois que ela entra na Terra de Israel, encontra problemas maiores. Afinal, o desejo de desfrutar começa a receber prazeres espirituais lá e ela tem que superá-los, para que possa receber a fim de doar.

Resumindo, o livre-arbítrio significa até que ponto a pessoa sempre prefere a “fé acima da razão”, ou seja, o atributo de doação sobre o atributo de recepção.

Na corporalidade isso é expresso em ver constantemente a revelação do Criador em cada estado que eu passo. Afinal, Ele me deu estes sentimentos e me apresenta o mundo ao meu redor. Ele joga comigo de ambas as direções, tanto de dentro como de fora e me deixa apenas um ponto de livre arbítrio para que eu estabilize corretamente a minha atitude no mundo interno que Ele imprimiu em mim com relação ao mundo externo, para que Ele possa ser revelado. No final, eu tenho que me conectar com o mundo externo a fim de chegar a uma única forma chamada “Não há ninguém além Dele”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 27/07/12, Shamati #113

Da Sensação À Razão, Do Prazer À Verdade

Dr. Michael LaitmanO mundo é governado por uma força de doação. Esta força é chamada de Criador já que Ele criou a qualidade oposta a Si mesmo, o desejo de desfrutar, de forma a elevá-la a seu nível. Desta forma, este desejo pode se aproximar da perfeição.

É por isso que todo o nosso trabalho consiste em atingir a qualidade de doação. No entanto, nós não desaparecemos, mas podemos mudar a forma do nosso desejo, o material inicial, para a doação. Ele continua agindo com toda a sua força feroz e poder com o qual costumava pensar somente em si antes e é revelado como um imundo sistema egoísta, oposto à doação, mas agora este desejo corrige a si mesmo e a forma de sua ação. Agora, em vez de receber, ele deseja doar.

Essa mudança acontece devido à Luz que Reforma. No entanto, até que essa mudança aconteça dentro do desejo de desfrutar, ele não entende o que está sendo falado aqui, uma vez que está completamente localizado nas qualidades egoístas, ou seja, nos pensamentos e desejos para si mesmo.

A mudança que ele sofre é realmente um novo nascimento, algo semelhante à forma como se desenvolve a partir de uma semente, onde não há nada além da informação interna sobre uma futura pessoa, e no final, ela finalmente se transforma numa personalidade independente que pensa, entende, sente e responde às suas obras. De onde é que tudo vem? É simplesmente do vazio? No entanto, exatamente da mesma maneira, o nosso próprio nascimento espiritual acontece.

Este processo é incompreensível e oculto de nós. Até que nós experimentemos mudanças sérias, não entendemos completamente como tudo está sendo realizado na matéria, como a Luz age, como ela muda as nossas qualidades, e o que resta para nós a partir de cada um dos níveis dos quais subimos.

O homem se torna confuso e não entende onde ele realmente é. Diz-se que o Criador é o primeiro, e Ele é também o último. Então, onde está o ser humano? Talvez ele esteja ao menos no meio? Há um estado inicial do mundo do Infinito e um estado final, o retorno ao mundo do Infinito, e nós estamos no caminho, em algum lugar no meio do caminho entre o início e o fim.

Além disso, o que podemos adicionar de nós mesmos às ações do Criador, com quem tudo começa e termina? Nós só podemos acelerar o nosso desenvolvimento mostrando que queremos nos mover em direção a ser semelhantes ao Criador e não sermos empurrados por trás pelo sofrimento.

O Criador criou um desejo de desfrutar dentro de mim que sente o bom e o ruim em relação a si mesmo, e, agora, com a ajuda destes sentimentos bons e ruins, Ele pode me controlar! No entanto, se eu sou controlado apenas pelos meus sentimentos agradáveis ​​e desagradáveis, eu estou agindo como um animal. Se eu quiser avançar a esse mesmo objetivo através dos meus próprios esforços, eu preciso sentir a sua importância, receber a força para o desenvolvimento, agindo contra a minha natureza.

Eu devo elevar a percepção egoísta de bom e ruim para a percepção da verdade e falsidade, e considerá-las como o bom e o ruim. Estas forças devem me fazer avançar, substituindo o prazer e o sofrimento, pelos quais estou sendo empurrado por trás. Isto é chamado de nível humano, não animal.

Isso só é possível alcançar por meio de um ambiente que infunda em mim tais valores, tal importância da verdade e da falsidade que forneça a força para o meu desenvolvimento. No entanto, para que isso aconteça, eu tenho que ouvir o ambiente, ou seja, que todo o meu trabalho na realização do Criador e em direção à conquista da meta de criação (elevar-se do sentimento natural de bom e ruim para a razão, do nível animal em direção ao nível humano, da percepção de prazer e sofrimento para a percepção da verdade e da falsidade), tudo isso é trabalhar com o ambiente.

Meu objetivo é encontrar um ambiente que tenha estes objetivos e valores, e ser impressionado por ele. Graças a isso, eu vou receber a força para me desenvolver como ser humano e não como um animal, já que um animal se move apenas porque vê um saco de grãos na frente dele ou se recebe golpes por trás. No entanto, o ser humano considera o prazer e o sofrimento por esta se aproximando ou afastando da qualidade de doação, a verdade e a falsidade.

Da Lição Diária de Cabalá 27/07/12, Shamati # 13, “A 18ª Oração”

 

Abram Os Portões Da Doação

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Carta 38: Nos tempos antigos, uma realização do Criador tinha que ser precedida de todas as sete ciências externas e terríveis torturas pessoais. Apesar de tudo isso, alguns têm achado graça aos olhos do Criador. No entanto, uma vez que temos recebido os ensinamentos do Ari e os serviços do Baal Shem Tov, isso está igualmente disponível a todos e as etapas preparatórias acima mencionadas não são mais necessárias.

Nós não sabemos como e em que medida o tempo do mundo material corresponde a um tempo espiritual, os processos de descida e posterior subida quando os vasos (desejos) começam a se reunir num todo. Mas, claro, quanto mais nos aproximamos da conclusão, mais as pessoas são capazes de abrir os portões da santidade, os portões da doação. Elas recorrem à ajuda de antepassados ​​que exaustivamente exploraram o sistema espiritual, estabeleceram-se e fixaram conexões nele. Assim, passo a passo, andando em círculos, uma após outra, as gerações ascenderam os amplos degraus da escada. Cada uma delas vai mais longe, e algumas pessoas fazem gerações subir alguns passos numa linha. Este é um processo complicado.

No estágio atual, o impulso para a revelação do Criador abrange todas as massas. No entanto, nós devemos entender a imutabilidade das leis espirituais. O Criador não as sacrifica, e assim, nós também precisamos cumprir com os termos da ascensão, embora num nível diferente, de acordo com o estado atual. Aí vem a garantia mútua, a rejeição do egoísmo, e esforçar-se na linha direita, a fim de elevar-se acima da linha de esquerda na unidade e coesão, tentando construir um modelo do mundo superior, na medida em que somos capazes de entendê-lo. Então, vamos seguir em frente.

Baal HaSulam traz o exemplo de um rei que precisa mover seu tesouro de um lugar para o outro. Todos os seus indivíduos são egoístas, não seriam capazes de resistir à tentação e, certamente, roubariam qualquer quantia de dinheiro superior a sua capacidade de resistir. Portanto, o rei dá um centavo para cada um, o que não faz sentido roubar porque o verdadeiro prestígio aos seus olhos é mais valioso. Assim eles movem o tesouro sem perdê-lo.

E nós somos iguais. Embora não seja o mais digno “fato da nossa biografia”, é um fato. Vamos esperar que sejamos capazes de trazer o nosso centavo, e antes de tudo, reconhecê-lo como um começo. A maioria do nosso trabalho dedica-se a isso: descobrir qual o nosso objetivo e o que significa “achar graça aos olhos do Criador”, doar a Ele, e como chegar a esse pedido, elevando-o acima de todos os outros. Afinal, ao superá-los, criamos um desejo pelo Criador e construimos Sua imagem.

Tudo isso é feito por muitos ministros do Rei que carregam partes de Seu tesouro por muitos estágios intermediários, como circuitos, de um estado para o outro. Na verdade, há um grande caminho a percorrer, se o aceitarmos como um preceito do Rei. Afinal, ele gosta de cada passo que damos, cada estado, como os pais gostam de ver os esforços de seus filhos.

É necessário permanecer no curso, mas lembrar a alegria do Rei e tentar agradá-Lo em cada etapa, aqui e agora, mesmo nos mínimos detalhes, no nível mais inferior. Na verdade, não há nada baixo aos Seus olhos. Ele me envia todos os estados. E se de alguma forma eu tentar trazer prazer a Ele, é o suficiente.

É por isso que as pessoas que estão no caminho certo sempre sentem alegria e ascensão. Nós precisamos verificar a nós mesmos: De onde deve vir as descidas se tudo é organizado de cima? O Criador cria cada estado, e apenas uma coisa depende de mim: responder com compreensão e sentimento ou pelo menos com a consciência da posição do Criador por trás das atuais circunstâncias. Então, eu posso me expressar dando a Ele cada segundo.

Na verdade, não existem estados desprezíveis e desagradáveis no nosso trabalho, se eu os tomo internamente das mãos do Criador, que me ensina. Assim como o escravo, de outra parábola do Baal HaSulam, que travou uma guerra contra o ministro do rei que, deliberadamente, apresentou-se em diferentes disfarces de inimigo. Aqui nós temos a mesma história, e o mais importante, não se esqueçam que todos os nossos Estados, em cada momento na vida, vem do Criador. Se atingirmos este nível, seremos capazes de perceber o que está acontecendo e reagir a ele adequadamente.

Vamos tentar nos unir com o espírito de nossos antepassados: Ari, Rabash, Baal HaSulam, e outros. Não vamos esquecer isso e ajudar um ao outros a dedicar cada momento ao serviço do Criador.

Isso é possível. Vocês já são capazes de muitas coisas. Vocês deram alguns passos grandes, e agora a questão é outra: o orgulho. Claro, ele também vem do Criador, e mesmo assim, como não podemos entrar nele?

Da Conversa durante a Refeição Comemorando a Morte do Ari 25/07/12

 

Uma Luz Que Se Aproxima Pelo Telescópio Do Grupo

Dr. Michael LaitmanÉ importante esclarecer exatamente como podemos mudar o nosso desejo de receber sob a influência da Luz, para que não desperdicemos nossas forças em vão. Tudo o que podemos fazer é acelerar o ritmo do nosso desenvolvimento, utilizando o ambiente como uma lente de aumento que atrai a influência da Luz para perto de nós. Esta é realmente a única coisa que podemos fazer e a única coisa que precisamos.

Ao começar a trabalhar em grupo, nós aprendemos a focar este telescópio: nós reunimos todos os raios da Luz que Reforma de modo que eles passarão exatamente através do centro do grupo e se concentrarão exatamente no nosso desejo de receber. Então, o desejo de receber será alterado pela Luz que Reforma.

Nós queremos saber como isso é feito: como este raio de Luz que passa através da lente de aumento cresce, se concentra e é intensificado, e depois cai sobre o desejo de receber e apresenta-o através de quatro fases. Então, nós vamos ver como as mudanças começam a ocorrer no desejo de receber e como ele se torna o oposto do que era inicialmente. A pessoa começa a viver não dentro de si, mas a subir acima do seu desejo, acima da restrição e da Masach (tela) em direção à Luz de Retorno, à doação, em vez de receber e, assim, atinge a correção.

Este trabalho de acelerar o desenvolvimento do nosso desejo pela Luz que Reforma realmente nos dá o poder de compreender e atingir todo o sistema. Embora seja apenas a aceleração de um processo, é nele que descobrimos todos os meios e detalhes da criação e do processo do seu desenvolvimento. Isso porque, em cada etapa que passamos, temos que orientar o grupo de forma diferente.

Assim, o foco através desta lente de aumento muda constantemente e se torna o oposto do que era antes, dependendo das novas condições externas e internas. Nós estamos constantemente mudando a influência do grupo sobre nós, e a alteramos em relação à Luz, no que diz respeito ao Criador. No final, nós vamos construir um novo sistema dentro de nós, acima do nosso desejo de receber. O grupo se torna o meu mundo. Em vez de um pequeno ponto de desejo, eu recebo um mundo inteiro, o enorme sistema do mundo de Ein Sof (Infinito).

É graças ao desejo que temos que começamos a atingir esse sistema chamado de “grupo”, um sistema infinito em sua forma finita, e, assim, recebemos o meio que nos eleva acima do nosso desejo de receber.

O patamar de doação é chamado de “auto-sacrifício”. Isso significa que a pessoa desprendeu-se totalmente de seu desejo de receber, ou seja, ela “se sacrifica”. Claro, toda a correção é feita pela Luz, e nós só temos que ajustar e centrar a sua influência sobre nós através do ambiente, conectar esses três componentes como uma mira, para que todos estejam dispostos numa linha reta.

Então não teremos mais dúvidas que temos que nos aproximar da natureza da Luz e assim e imaginarmos a sociedade dessa forma e querermos que a Luz para nos influencie através disso. No final, todos esses componentes se tornam um todo.

O nível do amor é revelado depois do nível de auto-sacrifício. Então, a pessoa entende o que significa o objetivo da criação chamado “fazer o bem a Suas criaturas”.

Nós subimos gradualmente, mantendo certa condição, e graças a isso, compreendemos um pouco mais a intenção do Criador em relação à criação. Assim nós avançamos: primeiro, há a correção dos vasos pela Luz que Reforma, e depois alcançamos o pensamento da criação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/07/12, Shamati # 219

Um Círculo Vicioso De Sucesso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que condições o nosso grupo está enfrentando agora a fim de subir ao próximo nível?

Resposta: O principal é usar as duas forças corretamente, as duas extremidades. Por um lado diz-se: “E o seu coração deve se elevar no caminho do Senhor”. Já que, se a pessoa não se orgulhar por estar seguindo o caminho de Deus, ela não será capaz de resistir às forças egoístas, as “cascas”, à medida que ela vai contra a opinião pública mundial.

Por outro lado, se ela não é modesta e humilde, esse orgulho não vai ser o orgulho correto. É por isso que ela tem que ser submissa à Luz que Reforma e entender que somente a Luz realiza as alterações e pode lhe dar o desejo de doar.

Após todo o sucesso a pessoa deve dizer, não fui eu quem fez isso, mas tudo foi feito de Cima e seu sucesso foi predeterminado. Então, ao invés de sentir orgulho por suas próprias realizações, ela deve estar orgulhosa de que o Criador a escolheu e elevou a este nível, de modo que agora ela será capaz de usá-lo para doar e, assim, se aproximar do Criador.

Ela não deve dirigir o sucesso para si, mas sim de si mesma para doação.

Assim, nós começamos a aprender e a usar o sucesso que alcançamos para avançar corretamente. Afinal, este estado que estamos agora, quando a pessoa sente que atingiu alguma coisa, pode ser um grande obstáculo para o seu avanço.

A pessoa se afasta do caminho por causa das falhas ou sucessos imaginários. Estes são dois estados opostos. Como resultado das falhas, ela perde a esperança, se desespera, foge, e se sente decepcionada. Mas quando ela tem sucesso, o problema é maior ainda, já que pode afastá-la ainda mais do Criador, como se diz: “Ele e eu não podemos habitar a mesma morada”.

Existem pessoas que são mais imunes a isso e há aquelas que são menos imunes. Mas se a pessoa não esquece a importância da meta e é honesta com relação a ela, isso a protege. Caso contrário, ela pode ser subornada por um bom emprego, um nome respeitado, uma boa reputação ou por ser bem sucedida aos olhos dos outros. Não será um cálculo honesto que vise apenas dela para fora.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/07/12, Shamati # 219

Os Dias e as Noites do Caminho Espiritual

Nós alcançamos o Criador, o que significa que chegamos ao atributo da doação, a revelação do mundo espiritual, apenas se adquirimos dois discernimentos:

  • -Um grande desejo de que se destina a isso, o que é clarificado suficiente e que é um grau mais baixo do que o nível de realização. A pessoa imagina o que é a revelação da Shechiná (Divindade), o rosto do Criador, e o que a Luz e o atributo de doação são.

-A pessoa deve sentir muita dor já que ela não tem o atributo de doação. A pessoa sofre e sabe que o atributo de doação simboliza o nascer acima do seu ego e um descolamento completo da sua vida anterior e de todas as suas contas pessoais.

É muito difícil alcançar isso, uma vez que agimos contra a nossa natureza. Portanto uma pessoa avança com duas pernas, passo a passo, entre duas linhas: esquerda direita, esquerda direita … desta sua parte uma pessoa deve tentar iniciar a partir da linha direita e cair para a esquerda. Mas a partir doAlto, lhe é sempre dada a linha da esquerda, a escuridão em primeiro lugar. Em cada nível, com a escuridão e a Luz “letras do trabalho” são registradas em uma pessoa, as relações que são sorteadas entre os tipos de trevas e a Luz, os atributos de recepção e doação de diferentes maneiras.

As letras são diferentes em cada nível. Cada vez a escuridão e a Luz são retratadas a ela em diferentes atributos de acordo com critérios diferentes. Assim, as letras também assumem formas diferentes. É por isso que cada vez uma pessoa tem uma nova Torá, um Criador novo, um novo mundo, tudo é novo e ele também é novo. [Leia mais →]

Quem está Seguindo um Exemplo do criador?

Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar,” Item 46: Malchut é a capa mais grossa, escondendo a Luz de Ein Sof. A Luz que passa a partir dela para os receptores é apenas uma pequena porção, relacionado com a purificação do corpo inanimado do homem.

A Luz é filtrada, e enfraquece no seu caminho para o desejo, e o nível, a intensidade e a força da ligação que ele carrega, depende dela. Quando ele passa por Malchut, pode purificar o desejo apenas no nível da natureza inanimada.

Uma pessoa que recebe a Lluz de Malchut anula totalmente a si mesma. Ela não pode realizar ações independentes e anula totalmente a si mesma, permitindo assim que a Luz opere. Se a luz vem através Zeir Anpin, purifica-se no nível do vegetativo, e além de anular-se, ela permite mover pela primeira vez. [Leia mais →]

Centelhas Que São Iluminadas Num Círculo De Corações

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, Volume II, Carta 8: E depois de já ter adquirido essa vestimenta mencionada anteriormente, centelhas de amor prontamente começam a brilhar dentro de mim. O coração começa a desejar se unir com os meus amigos, e parece-me que os meus olhos veem meus amigos, meus ouvidos escutam suas vozes, a minha boca fala com eles, as mãos abraçam, os pés dançam em círculo, em amor e alegria juntamente com eles, e eu transcendo meus limites corporais. Eu esqueço a vasta distância entre eu e meus amigos, e a terra dispersa por muitos quilômetros não vai ficar entre nós.

É como se os meus amigos estivem dentro do meu coração e vissem tudo o que está acontecendo lá, e eu fico com vergonha dos meus atos mesquinhos contra os meus amigos. Então, eu simplesmente saio dos vasos corporais, e parece-me que não há nenhuma realidade no mundo, exceto meus amigos e eu. Depois disso, mesmo o “eu” é anulado e está imerso, misturado nos meus amigos, até que eu fico em pé e declaro que não há nenhuma realidade no mundo, apenas os amigos.

É claro que é impossível de alcançar tal estado por meus próprios esforços simples. Somente a Luz superior pode nos levar a este estado, à medida que ela age em nós por um longo tempo até que evoca em nós o desejo coletivo. Então, todos nós somos incorporados numa rede, e cada um sente a sociedade.

Cada um vai ver que este é o centro de sua vida, e este é o lugar onde recebe a força da vitalidade e sua impressão. Neste respeito mútuo, ela descobre gradualmente a forma do Criador, já que pela doação mútua, os amigos mantém um campo a partir do qual, como na matéria que se desenvolve e descobre, a forma do Criador é descrita e revelada.

Assim, quando atingimos um desejo coletivo, as condições corporais deixam de existir. O desejo é a única matéria, a partir da qual, pela doação mútua, nós começamos a estabilizar e esculpir a imagem do Criador, revelando-a a todos. A pessoa percebe que fora desta rede geral não há nada, exceto os amigos.

É por isso que nós estamos neste estado em tal mundo, e através das ações e dos estados corporais, podemos alcançar o mundo espiritual. Caso contrário, não poderíamos fazer nada.

Isso só pode ser assim, através das ações corporais e da Luz que nos eleva para ações espirituais, mas a impressão vem da conexão geral entre todos. Eu creio que isso já exista entre nós de certa forma.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 25/07/12

Olhando Para O Criador Com Lente De Aumento

Dr. Michael LaitmanTudo foi criado pela Luz que age dentro do desejo de receber, o qual foi criado como algo a partir do nada (existência a partir da ausência). O desejo torna-se mais espesso, enquanto a Luz age nele como fermento na massa.

A diferença entre as diferentes fases do desejo — fase da raiz, e primeira, segunda, terceira e quarta fases — decorre dos diferentes níveis de doação da Luz no ponto do algo a partir do nada que existe nas verdadeiras raízes, até que seus atributos se tornam totalmente opostos à Luz. Isso indica que a Luz tornou o desejo tão espesso quanto o último nível, o quarto nível.

Na verdade, toda esta espessura é criada pelos atributos da Luz que se transformam em sua forma oposta à medida que ele se quebra internamente pelo ponto do algo a partir do nada. A escuridão é uma réplica da Luz. Na verdade, a escuridão é a mesma Luz, mas sua parte posterior.

É por isso que, em aramaico, “noite” é chamado de “orta” (que se assemelha à palavra “ohr“, que significa luz em hebraico). À noite, tudo é igual ao dia. A única diferença é que o ponto básico inverte a Luz, transformando-a em seu oposto.

É como se uma lente de aumento quebrasse os raios e virasse tudo de cabeça para baixo. De um lado, há luz, e, do outro lado, há escuridão. Esta lente de aumento é o mesmo ponto do algo a partir do nada.

Assim, verifica-se que não há nada em Malchut que não exista em Keter, mas apenas sob a forma oposta. Esta oposição é chamada de algo a partir do nada. O Criador criou uma réplica, uma impressão de Si mesmo, chamada “criatura”, Adão e Eva, um selo e sua impressão, e assim por diante.

Nós devemos usar tudo que existe no nosso desejo de receber, mas de forma oposta, para invertê-lo, para inserir o “nada” nele em vez do “algo”. Quando queremos atingir esta oposição, anulamos o ego natural em nós e nos tornamos semelhantes à Luz mais uma vez.

Todas as formas do desejo vêm da Luz que se imprimiu no ponto central da criatura. No entanto, essas formas são opostas a ela, de modo que nesta oposição nós seremos capazes de alcançar o Criador.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 17/07/12, O Estudo das Dez Sefirot

Encontrando Um “Humano”

Dr. Michael LaitmanNo workshop, todos devem verificar constantemente a si mesmos, e os amigos devem se apoiar e lembrar um ao outro este ponto, para que durante o workshop todos sintam o medo de abandonar a conexão. Durante toda a nossa vida, nós devemos nos apegar ao centro do grupo, não só durante a aula ou workshop.

No entanto, a lição ou o workshop é o momento principal para trabalhar no nosso pensamento coletivo, que determina tudo. Aqui, nós precisamos do apoio mútuo, sem palavras, e, ao mesmo tempo, temos que sentir o calor interno. Nós temos que descobrir certo campo coletivo que constantemente nos impele e nos mantém “no ar.” Tudo depende de nós.

É como se você estivesse assinando um contrato com os amigos para que eles constantemente cuidem de você e tenham certeza que você não abandonará este campo com seus pensamentos. Pague-os para que eles cuidem de você. Isso é chamado de “comprar para si um amigo”. Você tem que dar algo ao amigo para que ele esteja motivado a estimulá-lo constantemente.

No entanto, como ele pode estimulá-lo se estamos todos no mesmo nível, e ele precisa de alguém para instigá-lo? Aqui, a providência superior age, sobre o qual está escrito: “o Criador está dentro do Seu povo”.

Se decidirmos que estamos empenhados em estimular um ao outro, o Criador nos impele. Ele nos dá esse poder para que pelo menos alguém do grupo esteja constantemente em contato com a espiritualidade e seja consciente. Isso significa que “o Criador habita entre Seu povo”.

Se há uma conexão, esta é chamada de casa de oração (Beit Knesset), onde o Criador está presente. Como está escrito: “Eu vim para a casa de oração e não encontrei uma única pessoa?”. No entanto, se há uma conexão entre nós, então o Criador virá e encontrará um “humano” nela!

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/07/12, O Estudo das Dez Sefirot