Textos na Categoria 'Educação'

Ecos Do Mundo Interior

963.6Pergunta: Por que os pais são apegados a crianças autistas? Podemos dizer que este é um tipo de apego permanente ao nível das almas?

Resposta: Os pais são muito apegados a essas crianças porque começam a sentir nelas ecos do mundo interior.

O fato é que existe uma diferença entre o comportamento externo de uma pessoa autista e sua essência interna. Ela pode estar distorcida externamente, pode não reagir externamente, seus movimentos e reações, se houver, são muito limitados. Mas aqueles que se comunicam com ela, aqueles que estão ao lado dela, começam a compreendê-la e senti-la.

Descobrem nessas pessoas, que do nosso ponto de vista são infelizes, um imenso mundo interior. Ao começar a se comunicar com autistas, os outros sentem quanta gratidão e compreensão vêm delas. Isso conecta pais, irmãos, irmãs e cuidadores com essas crianças.

Basicamente, todos nós somos animais. A alma só aparece em nós se a desenvolvermos. Portanto, nos sentimos bem no nível animal. A única diferença é que sentimos este mundo melhor do que os autistas. E eles sentem melhor o mundo das sensações internas.

De KabTV, “Close-Up. Território Especial”, 17/05/11

“Quão Importante É A Educação?” (Quora)

Dr. Michael LaitmanMichael Laitman, no Quora: Quão Importante É A Educação?

Antes de mais nada, o que é educação? Educação significa qualquer tipo de influência ambiental sobre nós – qualquer um de nós, e qualquer tipo de influência, qualquer coisa que absorvamos. Podem ser fenômenos naturais, animais, uma floresta onde vivemos ou o oceano. Pode ser a sociedade ou várias sociedades com as quais nos misturamos ao longo do dia. Tudo o que absorvemos de fora de nós nos influencia e nos muda. Esse é o significado geral do termo “educação”.

Estamos constantemente recebendo uma educação. Estamos envolvidos em uma atmosfera e um ambiente que nos educa, intencionalmente ou não, e cada dia é novo. Portanto, se estamos discutindo educação, temos que discernir precisamente se nossas influências são intencionalmente direcionadas a nós, a cada pessoa – se as moldamos de uma certa maneira – ou se a influência é não intencional e aparentemente aleatória.

Também precisamos examinar os tipos de influências ambientais e sociais que recebemos diariamente e o tipo de sociedade a que pertencemos. O exame e a escolha de nossas influências ambientais e sociais são cruciais para como avançamos em nossas vidas, mas também temos que saber como a sociedade nos influencia, porque senão não sabemos onde estamos atualmente e onde iremos parar.

Temos que ver nosso futuro e o futuro da humanidade, ou de toda uma sociedade em um determinado país, como resultado de nossas impressões na vida. Se tais impressões são intencionalmente direcionadas a nós e influenciam nossos pensamentos, valores e comportamentos, devemos levar isso em consideração. É como os pais que querem que seus filhos fiquem livres das influências do crime, drogas e outros fenômenos negativos. Assim como é óbvio com os pais em relação aos filhos, também é com os adultos. Além disso, nossas influências sociais incluem o que absorvemos na Internet, na televisão, no cinema, no rádio e em outras mídias semelhantes. Tudo nos influencia, então temos que reexaminar o ambiente e os valores em que nos encontramos, e verificar se nossas influências são positivas ou negativas, e que tipo de influências ambientais e sociais – ou seja, que tipo de educação precisaríamos para guiar nosso desenvolvimento para um estado harmonioso e pacífico.

Eu discuto esse método educacional em vários outros lugares e, se você estiver interessado, recomendo seguir os links na minha biografia do Quora para obter mais informações sobre ele.

Baseado no vídeo “O que é educação e quão importante é a educação?” com o Cabalista Dr. Michael Laitman, Yael Leshed-Harel e Oren Levi. Escrito/editado por alunos do Cabalista Dr. Michael Laitman.

Educação Na Sociedade Do Futuro

265Pergunta: Quem é a força motriz por trás das mudanças na sociedade do futuro: líderes, jovens, cientistas ou pessoas?

Resposta: A educação que permeia todas as camadas da sociedade. Ela deve ser construída de tal forma que todos se preocupem com o equilíbrio entre recepção e doação.

Todas as pessoas são criadas como diferentes e, portanto, todas têm a oportunidade de se realizar o máximo possível para o benefício dos outros.

Pergunta: Uma pessoa sente essas diferenças? Se estou 100% no desejo de doar, então, em teoria, eu nem deveria senti-las.

Resposta: Todos se sentem iguais aos outros, embora possam trabalhar muito menos que os outros. Afinal, todos são obrigados a participar do trabalho comum dentro de suas capacidades.

Uma pessoa não se sente maior ou menor em relação aos outros e não sente desconforto na diferença.

De KabTV, “Expresso de Cabalá”, 24/06/22

Toda A Nossa Vida É Uma Fuga Da Vida

198Pergunta: Um médico escreve para você. “Recentemente, tenho observado que os jovens estão sob estresse extremo. A demanda por antidepressivos está crescendo rapidamente. O mundo familiar está desmoronando para eles. Eles perdem seus empregos, uma vida tranquila e estável, não está claro o que acontecerá amanhã.

Sou médico e vejo que não podemos oferecer nada além de medicamentos. Todas as diferentes sessões de treinamento estão deixando de funcionar. Minha pergunta para você, querido Michael Laitman: Onde eles podem obter um ponto de apoio? Para onde eles devem avançar?”

Resposta: Cerca de 100 a 200 anos atrás as pessoas não estavam tão desconectadas da terra: esta é minha casa, estes são meus pais, e esta é minha vila, cidade ou qualquer outra coisa. Há um amigo meu aqui com quem vou me casar, e meus filhos vão crescer aqui, e assim por diante. Em geral, tudo era óbvio, claro e simples.

Basicamente, a vida animal. Mas ela não deu a uma pessoa tanta incerteza, enorme incerteza em tudo.

Hoje, uma pessoa é inflada por dentro com perguntas sobre o universo, sobre a vida, sobre sua própria psicologia e comportamento. Está em um nível mental.

Em um nível psicológico, ela sente que o mundo inteiro está em algum tipo de estado incompreensível. A confusão é tão interna para todos: “Para onde?! O que?! Por quê?! Para que?!” Nada se sabe! Este é um momento que nos obriga a compreender o quadro geral do mundo, o sistema do mundo. Não existia antes. E hoje existe.

O que faremos? Até que conheçamos todo o quadro do mundo e o descubramos de modo a nos conectarmos com ele, entendê-lo, talvez até gerenciá-lo pelo menos até certo ponto, nada acontecerá. É fácil esquecer e adormecer. É por isso que muitas pessoas fogem para as drogas e outras coisas.

Comentário: Ou seja, supressão por antidepressivos.

Minha Resposta: Até a repressão pelo trabalho. Eu não quero saber de nada. Tenho uma casa, uma loja e um emprego. Vou para a loja, volto da loja para casa, como, volto para o computador, faço alguma coisa lá e saio de férias.

Feliz é a pessoa que encontra algum hobby, constrói algo no computador ou fisicamente. É isso. Não quero saber de mais nada! Não há mais nada. Será realmente uma fuga da prisão do nosso mundo.

Este é um antidepressivo tão natural que muitas pessoas usam. Ou elas entram em todos os tipos de hobbies bonitos ou feios. Nada mais pode ser oferecido a uma pessoa.

E tudo isso é fuga, absolutamente tudo! Até o ponto em que ela busca o roubo, assassinato, qualquer coisa, esporte, tudo isso é apenas uma fuga. O que você disser. Grandes composições, qualquer outra coisa, apenas uma fuga da mesma pergunta: “Por quê?” Quando não há resposta, qualquer outra resposta, se eu considerar importante, me salva.

Pergunta: Você disse: “Por quê?” Por que eu vivo? Por que tudo isso? Não vale a pena fazer essa pergunta. Vai deixá-la completamente louca.

Resposta: Claro. Ela nos persegue, nos atinge por trás todas as vezes até voltaemos aos nossos sentidos. Isto é o que o Baal HaSulam escreve no “Prefácio ao Livro do Zohar”.

Pergunta: Devemos parar e tomar esta questão sobre nós mesmos?

Resposta: Temos que descobrir isso porque não é à toa que ela surge em cada pessoa e não nos permite fazer mais nada. Ou nos esquecemos de nós mesmos ou fazemos alguma coisa, compilamos algum herbário, ou temos que levantar essa questão e resolvê-la.

Pergunta: Será que algum dia nos atreveremos a fazer isso? Já é um pouco assustador fazer a pergunta: “Por quê? Pelo que? Por que?” sobre tudo.

Resposta: É muito bom. Então, cada minuto da vida de uma pessoa será preenchido com um significado mais elevado. Vamos tentar.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 28/03/22

Perguntas Para Adultos De Crianças

961.2Comentário: Os pais enviam as perguntas de seus filhos. As perguntas são realmente profundas.

Marina, de oito anos, pergunta: “Quando meus pais brigavam muito, eu vinha para a escola muito triste. Por causa disso, as crianças não queriam ser minhas amigas. É uma guerra agora e minha mãe foi para a casa da minha avó. E agora todos estão tristes. E eu estou feliz. Porque agora eles entendem como foi para mim. É ruim que eu seja feliz?”

Minha Resposta: Mas os pais estão tristes. Então com o que você está feliz?

Pergunta: Ela está feliz que agora eles entendem como era para ela quando eles estavam brigando e ela estava triste. Como Marina de oito anos vai sair dessa? Ou como ela deve se comportar? Vejo meus pais tristes, por exemplo, ou todos ao meu redor tristes.

Resposta: Estabeleça uma meta para torná-los alegres.

Pergunta: Ou seja, pelo fato de ela ser feliz, ela aos poucos compreende sua natureza? Esta é uma criança de oito anos de idade! De repente, ela sente que se alegra quando os outros se sentem mal. O que isso diz sobre o nosso tempo?

Resposta: Que já podemos nos aproximar de um estado que somos capazes de compreender.

Pergunta: Se as crianças entendem isso, então podemos ainda mais? Já podemos começar a ensinar isso às crianças?

Resposta: Você pode ensinar tudo às crianças. Elas estão prontas para absolutamente tudo! Já entramos no que é chamado de período da última geração. Quanto aos adultos, pais dessas crianças, não se sabe se estão preparados para isso ou não.

Pergunta: Porque eles têm um pé no passado?

Resposta: Sim. É bem possível que sejam dinossauros que deveriam ceder e renascer novamente. E vir a este mundo como uma criança novamente: tão ingênua, tão aberta.

Temos filhos crescidos, assim como os adultos!

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 14/03/22

Lá, Onde O Egoísmo Governa

115.06Pergunta: O filósofo alemão Johann Gottfried von Herder escreveu que a educação moral das pessoas com espírito de justiça, humanismo e aversão à guerra é necessária para alcançar a paz eterna.

No geral, ao longo dos tempos, foi reconhecido que é necessário reeducar as pessoas de forma que seja possível estabelecer a paz. Por que elas ainda não se reeducaram?

Resposta: Porque é impossível. A história e a experiência não falam disso? O egoísmo, as contradições entre as pessoas, o ódio mútuo, a rejeição e a sede de poder, tudo é incurável, e não podemos fazer nada a respeito! Devemos aceitar isso e procurar outra maneira de trabalhar com isso corretamente e como podemos transformar qualidades desprezíveis e abomináveis em benéficas.

Aqui é preciso adicionar a força externa que pode corrigir o egoísmo em altruísmo. Então receberemos a força altruísta que não existe em nosso mundo. Nós apenas suspeitamos que pode, mas não acontece. No entanto, o egoísmo existe.

A única coisa que existe em nosso mundo é a força egoísta e não há nada oposto a ela. Nós meio que desejamos que existisse, mas, na verdade, não desejamos isso. Nós simplesmente pensamos que sim, seria bom. No entanto, vemos que isso não pode acontecer.

O que podemos fazer para encontrar a força bondosa e unificadora, que é oposta ao egoísmo, em nosso mundo? Não há mais nada que precisemos além desta força.

Até que isso aconteça, não force as pessoas, não tente fazer algo gentil e bom com elas. Nada vai funcionar! No final, todas as vezes elas vão esbarrar em seu egoísmo, que se desenvolve cada vez mais, e destruirá tudo o que elas tentarem fazer.

De KabTV, “Expresso de Cabalá“, 04/03/22

“As Férias De Verão Não Devem Ser Uma Pausa” (Times Of Israel)

Michael Laitman, no The Times of Israel: “ As Férias De Verão Não Devem Ser Uma Pausa

Israel tem muitas crianças. De aproximadamente nove milhões de pessoas, 2,5 milhões têm menos de 18 anos. Amanhã, 1º de julho, todos começarão uma pausa de verão de dois meses. Enquanto muitos adolescentes trabalham durante o verão, muitos não, e eles e o resto das crianças em Israel ficam ociosos a maior parte do verão, procurando coisas para fazer com seu tempo. Isso é muito ruim para eles e para a sociedade. Se eu tivesse uma palavra a dizer sobre isso, não haveria uma pausa. O verão seria usado para fornecer às crianças coisas extras: esportes divertidos, aulas de ciências emocionantes, melhorar as conexões sociais e entender o que significa ser judeu e, em particular, israelense.

Os dois últimos itens da lista – melhorar as conexões sociais e entender o que significa ser israelense – na verdade andam juntos. As crianças não devem ficar alheias ao mundo em que vivem. Devem saber o propósito de sua existência e seu objetivo na vida desde a infância. Isso lhes dará orientação e evitará confusão, frustração e depressão.

As crianças precisam entender o sistema que nos une. Especificamente, as crianças israelenses precisam entender o papel do povo de Israel, uma vez que, como israelenses, elas têm a responsabilidade de fazer o que o mundo precisa que o Estado de Israel faça: exemplificar a unidade.

É também por isso que é importante ensinar às crianças, especialmente às crianças israelenses, a nutrir boas conexões sociais desde muito cedo. Elas precisam saber não apenas como ser amigáveis com os outros, mas por que ocorrem desacordos entre si, como se relacionar e como superar ativamente os conflitos entre si.

Para ajudar as crianças israelenses a aceitar a responsabilidade que carregam, elas devem se sentir orgulhosas por terem recebido uma tarefa tão digna de ser um modelo de unidade para a humanidade. Ao mesmo tempo, elas precisam aprender que a ligação entre elas não é para o bem delas, mas para o bem da humanidade.

Estou escrevendo sobre o programa que proporia porque, embora as crianças israelenses “nasçam com” a responsabilidade, como é comprovado pelo fato de que o mundo culpa Israel por todos os problemas do mundo, a necessidade de aprender a conviver se aplica a toda a humanidade.

Quando todos os países do mundo estão ligados a todos os outros países, é essencial que todos aprendamos a melhorar nossos laços sociais e entender o propósito de nossa existência. Ensinar às crianças por que o mundo existe, por que suas relações sociais são tão importantes para a sobrevivência da humanidade, como manter e até melhorar bons relacionamentos não só impactará as crianças, mas também terá um impacto positivo na sociedade adulta.‎

É verdade que as férias de verão não devem ser só trabalho e diversão, mas esse programa é vital para as crianças. Deve incluir jogos esportivos, aulas de ciências emocionantes e também deve ter tempo livre. Mas, no final do verão, quando as crianças voltam à escola, elas devem ser pessoas melhores e mais educadas do que quando saíram para o verão.

O Mundo Interior De Uma Pessoa Autista

631.5Pergunta: As pessoas autistas podem se envolver na correção de sua alma?

Resposta: Sim, não há problema. Existem, é claro, diferentes graus de correção, de maneira semelhante à forma como as pessoas comuns têm diferentes níveis de desenvolvimento da alma e seu “eu”, sua essência humana. Afinal, tem gente que não entende isso e vive automaticamente, tem gente mais desenvolvida, e tem quem já quer se desenvolver espiritualmente.

A mesma coisa é verdade para pessoas autistas. Entre elas estão aquelas que estão em processos internos muito profundos, há aquelas que estão entre os dois estados, e há aquelas que são incapazes de realizar processos espirituais, ou seja, agem como a maioria das pessoas em nosso mundo que lidam mecanicamente com uma área específica estreita, como matemática ou computadores.

Isso as atrai, pois são coisas absolutas que estão sob seu controle, não envolvem contato com outras pessoas e não estão sob controle ou mudanças de outras pessoas.

Isso lhes dá uma sensação de segurança, uma base a partir da qual elas podem caminhar, e em algum lugar podem se encontrar, como um quarto fechado, como algo meu, minha ordem, e tudo em que me mantenho. Caso contrário, elas simplesmente não entenderão e, de certa forma, voarão para longe. Para elas, essa condição é muito perturbadora porque desejam estar apenas em um espaço limitado.

É o mesmo com matemática e computadores. Um lugar que tem uma pergunta e resposta muito clara e uma comunicação rígida é clara para elas, compreensível e, portanto, atraente.

De KabTV,Eu Recebi uma Chamada. Território Especial”, 17/05/11

“Qual É A Habilidade Emocional Mais Importante Para Ensinar A Uma Criança?” (Quora)

Dr. Michael LaitmanMichael Laitman, no Quora: Qual É A Habilidade Emocional Mais Importante Para Ensinar A Uma Criança?

Amizade. Não há nada mais importante do que estar com os amigos. Com isso, as crianças desenvolvem a proximidade com outras crianças, como conversar e se conectar e, em geral, a construção de relacionamentos amigáveis nos permite desfrutar de uma vida mais feliz, equilibrada e tranquila.

Uma amizade é um tipo de relacionamento diferente daquele em que tentamos superar os outros e sair como o número um na sociedade. As amizades implicam que desenvolvemos laços de amor entre nós, enquanto a abordagem individualista do sucesso exige que estejamos constantemente estressados em um modo de ataque e defesa.

Hoje, vemos cada vez mais crianças com todos os tipos de problemas psicológicos e psiquiátricos, e vemos como esses problemas mentais as acompanham até a idade adulta. Portanto, a habilidade emocional e social mais importante a ser desenvolvida nas crianças é a amizade, para desenvolver um sentimento de confiança e responsabilidade mútua entre todos, um estado onde todos podemos literalmente fechar os olhos e nos sentir em paz.

Baseado no vídeo “Qual é a habilidade emocional mais importante para ensinar a uma criança?” com o Cabalista Dr. Michael Laitman e Oren Levi. Escrito/editado por alunos do Cabalista Dr. Michael Laitman.

Somos Piores Que Primatas

963.1Nas Notícias (BBC): Era março de 2020, e o número de casos de um novo e perigoso coronavírus estava aumentando rapidamente aqui no Reino Unido. Nosso primeiro-ministro estava prestes a anunciar um lockdown. Escolas e creches iam fechar. Como milhões de outros pais, eu estava prestes a me tornar a professora de fato de meus filhos pequenos. A ideia me encheu de pavor. …

“Ao longo dos meses que se seguiram, muitos pais sentiram um impacto devastador em sua saúde mental e física. Seguiram-se mais lockdowns e fechamentos de escolas, com relatos de um aumento preocupante nos níveis de estresse, ansiedade e depressão dos pais. Muitos se perguntaram por que isso era tão difícil. Não deveríamos ser naturalmente bons em criar nossos filhos sem ajuda externa? Afinal de contas, os humanos não aguentavam sem escolas e creches no passado?

“Como biólogo evolutivo, não tenho as respostas para todas as crises familiares relacionadas à pandemia, mas posso dizer uma coisa com certeza: como espécie, os humanos estão espetacularmente mal equipados para lidar com a paternidade isoladamente.

“De uma perspectiva evolutiva, não é surpreendente que muitos de nós nos sentimos tão sobrecarregados. Apesar da ideia comum de que a vida familiar moderna consiste em unidades pequenas e independentes, a realidade é que muitas vezes nos beneficiamos da ajuda de outras pessoas para criar nossos filhos. Durante grande parte da história humana, famílias extensas forneceram essa ajuda. Nas sociedades industrializadas contemporâneas, onde são comuns as unidades familiares menores, professores, babás e outros cuidadores nos permitiram replicar essa antiga rede de apoio.

“Essa maneira colaborativa de criar filhos nos torna únicos entre os grandes símios. Chamada de ‘criação cooperativa’, é mais semelhante a como espécies aparentemente mais distantes, como suricatos e até formigas e abelhas, vivem – e nos deu vantagens evolutivas cruciais”.

“As espécies que se reproduzem cooperativamente vivem em grandes grupos familiares, onde os indivíduos trabalham juntos para criar descendentes. Talvez surpreendentemente, outros macacos, como os chimpanzés, não sejam pais dessa maneira. Embora humanos e chimpanzés vivam em grupos sociais complexos, compostos por parentes e não parentes, uma inspeção mais detalhada revela algumas diferenças gritantes. As mães chimpanzés criam seus bebês sozinhas, com pouca ou nenhuma ajuda de ninguém, nem mesmo do pai”.

Pergunta: Não podemos prescindir do apoio de outros; somos formigas, criaturas coletivas. É o que dizem os biólogos. Você acha que essa é a nossa fraqueza?

Resposta: Em geral, nosso egoísmo individualista não nos permitirá criar adequadamente nem os nossos próprios filhos.

Somos individualistas. Não podemos ensinar e não podemos mostrar o que significa ser dependente um do outro, educar voluntária e corretamente nossos filhos no amor ao próximo e não no amor a nós mesmos. Afinal, é isso que mostramos aos nossos filhos, e isso é contra as regras da natureza — natureza real, natureza superior.

Ou seja, se educamos uma pessoa para cuidar de si mesma, a educamos como um macaco. Se educamos uma pessoa para cuidar dos outros, a educamos como ser humano.

Pergunta: Não estamos envolvidos nesta educação em jardins de infância, creches, escolas ou em algum lugar?

Resposta: Absolutamente não. Isso contradiz nosso egoísmo, nosso fundamento. Dizemos o contrário: “Ele bate em você, bate nele de volta! Não desista, espere! Assim você será forte e vencerá na vida”.

Pergunta: Ensinamos a derrotar o outro?

Resposta: Sim. Criamos um ambiente tal que apenas a supressão do outro permite que você sobreviva e de alguma forma prospere.

Pergunta: Então, por que enviamos nossos filhos para jardins de infância e creches para serem criados, como dizemos?

Resposta: Que tipo de educação existe? Educação do macaco! Não saímos do nível dos primatas e pior ainda. Deveríamos estar acima deles em termos de status social, mas, no final, não estamos.

Pergunta: Então você acha que é por causa de nossas qualidades individualistas que os pais ficaram tão ansiosos quando tudo foi fechado durante a pandemia e eles tiveram que criar seus filhos em casa?

Resposta: Eles não sabiam o que fazer com essa criança porque estavam acostumados a viver exclusivamente para si.

Pergunta: Ocorre que enviamos crianças para jardins de infância e creches para despejá-las lá? Só por isso?

Resposta: Isso é bem claro. Você pode fazer uma pesquisa e ver quantas pessoas vão dizer: “Eu mando a criança para o jardim de infância para ir trabalhar. E graças a Deus eu tenho um emprego. Não porque preciso de dinheiro, mas porque preciso desse emprego. É melhor para mim do que ficar em casa com a criança”.

E quantas mulheres dirão: “Não, estou pronta para ficar em casa com meu filho, e isso é o mais importante para mim”?, se este for realmente o motivo e não para esconder algum outro propósito.

Pergunta: Você acha que a porcentagem daqueles que mandam seu filho para o jardim de infância é duas a três vezes maior do que aqueles que dizem: “Eu quero ser pai e ficar em casa”?

Resposta: Sim. Querendo ficar em casa com uma criança, acho que não haverá muitos deles. Pelo amor da criança, para criá-la eu mesmo, porque senão ela não será criada da maneira que eu acho que deveria. Envolva tudo o que realmente deveria estar lá e você verá que, em primeiro lugar, as pessoas não são adequadas para isso. Elas não têm tais inclinações, tais aspirações.

Comentário: Para fazer isso, elas devem ser professores, pais e tudo mais. E também cozinhar, e tudo.

Minha Resposta: Somos piores que os primatas. Os primatas cuidam de seus filhotes em um nível animal, natural e instintivo, e estão fazendo a coisa certa.

É por isso que os macacos não pioram a cada geração. E conosco, a cada geração parecemos ficar mais inteligentes, desenvolver algo externo, tecnologia, conhecimento, e usamos isso apenas em detrimento de nós mesmos e dos outros.

Pergunta: Então não somos formigas, como dizem aqui?

Resposta: Não! Não somos ninguém. Somos um tipo distinto, infeliz e sem saída de evolução.

Pergunta: Existe uma saída para este impasse?

Resposta: Somente através do sofrimento. Quando virmos onde estamos, o que fizemos, que consequências trazemos para nossas relações sociais, talvez esse insight venha. Hoje simplesmente não temos cérebro, nem desejo, nem sentimentos por isso, nada.

E se alguma vez, e espero que seja em breve, percebermos: “O que estamos fazendo? Deveria ser exatamente o oposto”, teremos muitas perguntas para o Criador e para os Cabalistas.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 06/12/22