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Como Um Feixe De Juncos — Eu Quero, Logo Existo, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 2: Eu Quero, Logo Existo

A Vida Como Uma Evolução Dos Desejos

Onde Somos Livres para Escolher

Tal como aprendemos com Baal HaSulam, a diferença entre o nível falante da realidade e os outros três níveis, tanto na sua natureza geral e dentro de nós, é que nós somos ilimitados pelo tempo e o espaço quanto à escolha do que aproximar de nós e o que repelir. Dito de outro modo, no todo da Natureza, a raça humana é a única espécie que tem liberdade de escolha. Enquanto todas as outras criaturas seguem as ordens da Natureza involuntariamente, nós podemos escolher se as seguimos ou não. Lamentavelmente, como é evidenciado pelas crises globais de hoje, quando escolhemos ir contra as ordens da Natureza sem completo conhecimento das implicações de nossas ações, sofremos duras consequências pelos nossos erros.

E uma vez que internamente nós tenhamos os mesmos quatro níveis, a mesma regra se aplica a nós, e somente aqueles desejos e qualidades dentro de nós que pertencem ao nível falante são os que temos liberdade de escolha.

Dentro de nós, os desejos naturais básicos (por reprodução e preservação da espécie, por abrigo e alimentação) correspondem aos primeiros três níveis de desejos na Natureza: inerte, vegetal e animal. O quarto nível, “falante”, se manifesta dentro de nós nos desejos por riqueza além das nossas necessidades, poder, fama, respeito e conhecimento.

A diferença fundamental entre os três níveis inferiores e o topo é que os três inferiores existem em cada criatura na terra. Cada criatura procura assegurar a existência da sua própria espécie e manter sua descendência a salvo num abrigo adequado. Inversamente, o quarto nível dos desejos, que definiremos rudemente como “desejos por riqueza, honra e conhecimento”, são exclusivamente humanos.

Tal como na sua natureza geral, os três níveis inferiores funcionam automaticamente, de acordo com as ordens da Natureza. A única faculdade na qual há liberdade de escolha é o nível falante dos desejos. Desta forma, nós devemos primeiro aprender o funcionamento da nossa natureza interior antes de tentar satisfazer os desejos do nível superior.

Para sermos capazes de trabalhar com o quarto nível dos desejos, nós precisamos saber o que afeta esses desejos e o propósito de sua existência dentro de nós. Com efeito, há outro nível de desejos dentro de nós que “suplanta” todos os quatro níveis e que existe somente nos seres humanos.

Como Um Feixe De Juncos — Eu Quero, Logo Existo, Parte 1

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 2: Eu Quero, Logo Existo

A Vida Como Uma Evolução de Desejos

No capítulo anterior, nós dissemos que o nome Ysrael (Israel) combina as palavras Yashar (direito) e El (Deus). Nós estabelecemos que o nome surgiu quando Abraão reuniu pessoas que desejavam alcançar o Criador, descobrir Deus, e que foram chamadas de “Israel” segundo esse desejo. Neste capítulo, nós discutiremos a formação dos desejos em geral, e a formação do desejo pelo Criador, nomeadamente Israel, em particular. Para fazer isso, precisamos examinar a realidade como uma evolução de desejos.

Em 1937, Baal HaSulam publicou o Talmud Esser HaSephirot (O Estudo das Dez Sefirot), um comentário monumental sobre os escritos do ARI, autor de A Árvore da Vida. No comentário, o autor entra em grandes detalhes explicando que na base da realidade reside o desejo de dar, que ele chama de “desejo de doar”, que depois criou o desejo de receber. Esta é a razão, explica Baal HaSulam, porque nossos sábios testemunham que “Ele é bom e faz o bem”, [i] e falam de “Seu desejo de fazer o bem às Suas criações”. [ii]

Na Parte 1 de O Estudo das Dez Sefirot, Baal HaSulam explica porque o desejo de doar necessariamente criou o desejo de receber, e porque os dois desejos estão na base de toda a Criação. Nas suas palavras, “Assim que Ele contemplou a criação em prol de deleitar Suas criaturas, esta Luz [prazer] imediatamente se prolongou e se expandiu Dele na completa medida e forma dos prazeres que Ele havia contemplado. Tudo está incluído nesse pensamento, que chamamos de ‘O Pensamento da Criação’. …O Ari disse que no princípio, uma Luz superior e simples preenchia toda a realidade. Isto significa que uma vez que o Criador contemplou deleitar as criações, e a Luz se expandiu e partiu Dele, o desejo de receber Seus Prazeres foi imediatamente impresso nesta Luz”. [iii]

Para sublinhar a suposição de que o desejo de doar, o Criador, criou o desejo de receber em prol de lhe dar prazer, Baal HaSulam categoriza essa seção, “O desejo de doar no Emanador necessariamente gera o desejo de receber no emanado, e ele [o desejo de receber] é o vaso na qual o emanado recebe Sua Abundância”. [iv]

Ashlag não foi o primeiro a se referir à criação do desejo de receber pelo desejo de doar, embora o tenha feito mais implicitamente. Rabi Isaiah HaLevi Horowitz (O Sagrado Shlah) também escreveu que “Uma vez que Ele favoreceu fazer o bem às Suas criações, Ele as desejou beneficiar com o verdadeiro benefício, como com a matéria da criação da inclinação do mal [o desejo de receber, egoísmo], que é a favor das criações”. [v]

Semelhante aos dois sábios mencionados acima, Rabi Nathan Sternhertz escreve em Likutey Halachot [Regras Sortidas], “O Senhor aumenta Suas misericórdias e gentileza, pois Ele desejou beneficiar Suas criações no melhor possível de todo o melhor”. [vi]

Assim, o desejo de doar, o Criador, deseja doar sobre nós, Suas criações, e nós devemos receber esse benefício, a doação. Todavia, o que é esse benefício, o bem que devemos receber?

Na sua “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, Baal HaSulam escreve que o benefício que é suposto recebermos é alcançar o Criador, tal como Abraão fez há praticamente 4000 anos. Nas palavras de Ashlag, “[com a realização] a pessoa sente o maravilhoso benefício contido no Pensamento da Criação, que é deleitar Suas criaturas com Sua mão completamente bondosa e generosa. Devido à abundância do benefício que a pessoa alcança, um amor maravilhoso aparece entre a pessoa e o Criador, incessantemente derramando sobre ela pelos próprios trilhos e canais através dos quais o amor natural aparece. Contudo, tudo isto chega a uma pessoa a partir do momento em que ela alcança e progressivamente”. [vii]

Para alcançar o Criador, nós temos que ter qualidades semelhantes às Suas, ou nos termos de Baal HaSulam, temos que obter “equivalência de forma” com Ele. Na “Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot [Brilhante e Acolhedora Face]”, Ashlag escreve, “Assim, como a pessoa pode alcançar a Luz … quando está separada e em completa oposição de forma … e há grande ódio entre eles [Criador e a pessoa]? … Desta forma, a pessoa… lentamente purifica e inverte a forma de recepção para ser em prol da doação. Você descobrirá que a pessoa equaliza sua forma com o sistema da santidade, e a equivalência e amor entre eles retorna… Assim, a pessoa é recompensada com a Luz… uma vez que ela entrou na presença do Criador”. [viii]

Quatro Níveis de Desejo Moldam a Realidade

Ao examinar a realidade da perspectiva da evolução de desejos, os Cabalistas descobriram que o desejo de receber que acabamos de descrever contém quatro níveis distintos: inerte (inanimado), vegetal (flora), animal (fauna) e falante (humano). Desde que o ARI mencionou a divisão da realidade nesses quatro níveis no século XVI, [ix] numerosos acadêmicos e Cabalistas discutiram esses quatro níveis. O MALBIM (Meir Leibush ben Iehiel Michel Weiser), [x] Rabi Pinhas HaLevi Horovitz, [xi] e o RABaD (Rabi Avraham Ben David), que escreveu, “Todas as criaturas do mundo são inertes, vegetais, animais e falantes”, [xii] são apenas três dos numerosos sábios que se referem à realidade como consistindo desses quatro níveis.

Todavia, nenhum sábio ou acadêmico é tão descritivo como Baal HaSulam. Seus escritos, que ele explicitamente pretendeu que todos lessem e compreendessem, detalham de forma sistemática e elaborada a estrutura da realidade da maneira que os Cabalistas e acadêmicos judeus a percebiam durante as eras. Em seu ensaio, “A Liberdade”, ele explica a estrutura dos desejos inerte, vegetal, animal e falante sob a seção, “Lei da Causalidade”. Ele explica que todos os elementos da realidade estão conectados e emergem uns dos outros. Nas suas palavras, “É verdade que há uma conexão geral entre todos os elementos da realidade diante de nós, que obedecem a lei da causalidade, por meio de causa e efeito, avançando em frente. E como o todo, assim cada item em si mesmo, ou seja, cada criatura no mundo dos quatro tipos – inerte, vegetal, animal e falante – obedece a lei da causalidade por meio de causa e efeito.

“Além do mais, cada forma particular de um comportamento particular, que uma criatura segue enquanto neste mundo, é empurrada por causas antigas, obrigando-a a aceitar essa mudança no comportamento e não outra seja qual for. Isto é aparente a todos aqueles que examinam os caminhos da Natureza de um ponto de vista puramente cientifico e sem uma migalha de influência. Certamente, nós devemos analisar esta matéria para nos permitirmos examiná-la de todos os lados”. [xiii]

[i] Talmude Babilônico, Masechet Brachot [Tratado das Bençãos] p 44a; Maimônides, Mishneh Torá , “Regras das Bençãos”, capítulo 8, artigo 14; Rav Moshe Cordovero (Ramak), Um Pomar de Romãs, Portão 23, capítulo 5; e inúmeros outros.

[ii] Rabbi Isaías HaLevi Horowitz (O Santo Shlah), Masechet Pesachim, Sexta Interpretação, (27); Rabino Menachem Nachum de Chernobyl, Maor Eynaim [ Olhos Bulhantes], Lech Lecha [Avante], Rabino Tzadok HaCohen de Lublin, Os Pensamentos do Diligente, item 19, e muitos outros.

[iii] Yehuda Ashlag, Talmud Eser Sefirot (O Estudo das Dez Sefirot), Parte 1, Histaklut Pnimit (Reflexão Interna), capítulo 2, itens 10-11 (Jerusalém: M. Klar, 1956), 17.

[iv] ibid.

[v] Rabbi Isaías HaLevi Horowitz (O Santo Shlah), Masechet Pesachim , Sexta Interpretação, (27).

[vi] rabino Nathan Sternhertz, Likutey Halachot [Regras Sortidas], “Regras de Tefilat Arvit [Oração da Noite]”, regra n. 4.

[vii] Yehuda Ashlag, Talmud Eser Sefirot (O Estudo das Dez Sefirot), Parte 1, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, itens 104-105 (Jerusalém: M. Klar, 1956), 31.

[viii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot [Brilhante e Acolhedora Face]” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 150.

[ix] Rabino Itzhak Luria (o Santo ARI), Árvore da Vida, Portão 39, artigo no. 3.

[x] Rabino Meir Leibush ben Iehiel Michel Weiser (O MALBIM), em 1 Reis, 08:10, Seção, “Explicação da Matéria”.

[xi] Rabino Pinhas HaLevi Horovitz, Sefer HaMikneh [A Escritura de Compra], Masechet Kidhushin [Tratados do Noivado], p 82a.

[xii] Rabbi Abraham Ben David, (The RABaD), Um Comnetário do Rabad sobre O Livro da Criação, capítulo 2, estudo no. 2.

[xiii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “A Liberdade” (Israel: Instituto de Pesquisa Ashlag, 2009), 415.

Venham Depressa Para A Terra Prometida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde nós estamos hoje? O povo de Israel deixou o Egito, recebeu a Torá no Monte Sinai, entendeu que tinha algum tipo de tarefa, uma missão, e depois? Que tipo de tarefa foi colocada diante de nós hoje?

Resposta: Nossa verdadeira tarefa hoje é desenvolver o povo de Israel na terra de Israel, de modo que eles saibam o que devem fazer para se sustentar e continuar a existir.

Quando o nosso povo garantir a sua existência, eles deverão explicar por que existem, por qual propósito superior. Só se realizarmos este propósito superior e ansiarmos em levar toda a humanidade à adesão com o Criador é que merecemos estar conectados com Ele.

Este conhecimento deve chegar ao povo, e nós vamos atrair a Luz que deve nos iluminar quando vamos nos depararmos com isso através do nosso desejo de se conectar e servir de exemplo ao mundo inteiro. No entanto, se não nos conectarmos, essa mesma Luz vai nos iluminar por sua parte de trás.

Se não estamos prontos para abordar esta Luz, ela vai ser revelada em nós de uma maneira oposta, e, como resultado, vamos experimentar desgraças, como guerras, desastres e outro holocausto como o que passamos há 70 anos.

Nós vemos no dia a dia como a situação do mundo está se desenvolvendo e se tornando pior. Todo mundo está começando a falar sobre o antissemitismo como se fosse um fenômeno normal. Ninguém tem mais vergonha, e ninguém o considera ruim. Inglaterra, Escandinávia e Espanha, basicamente todos eles, são reconhecidos como sendo abertamente antissemitas, como se isso fosse autoevidente.

Na verdade, eles estão certos, afinal de contas, nós não temos transmitido o método de correção ao mundo. Nós não temos realizado a nossa obrigação.

Comentário: O problema é que nem todo mundo acredita que esta é realmente a nossa obrigação, a nossa função.

Resposta: É necessário ouvir o que os sábios, os Cabalistas, dizem. Não temos outra escolha. Nós nunca iremos alcançar a verdade, enquanto não tivermos corrigido a nós mesmos e não alcançarmos a revelação. Portanto, não podemos sentar e esperar até que a verdade se torne conhecida de nós. Ela nunca será conhecida de nós, se não avançarmos em direção a ela.

Nós acolhemos todos neste mundo à conexão e unidade simples. Nós não somos obrigados a esperar até os céus se abrirem e vermos o mundo espiritual. Sente-se num círculo com outros e em 20 a 30 minutos você vai ver como você começa a sentir este poder superior. No centro deste círculo, no centro da nossa conexão, nós sentimos a origem de uma força única.

Isso é possível e deve ser feito de forma rápida entre todos os filhos de Israel! O problema é que não é à toa que esse povo é chamado de “dura cerviz”. Apesar de tudo isso, você não deve se desespere, pois o povo de Israel em relação a todo o mundo é como os Cohanim e levitas entre o povo de Israel.

Embora ainda não estejamos prontos para ser Cohanim e levitas, o povo de Israel que almeja ser Yashar El (direto ao Criador), seremos obrigados a isso, visto que o mundo vai exigir isso de nós.

No momento em que começarmos a perceber seriamente essa tarefa em conjunto, e no momento em que começarmos a realizar essa unificação do povo de Israel, o mundo inteiro vai sossegar. Todo mundo vai olhar para nós e dizer: “Veja o que eles estão fazendo! Vamos esperar. Eles iniciaram algo especial”.

As nações do mundo vão sentir isso, porque dentro delas estão as raízes da quebra devido ao pecado de Adão HaRishon com a árvore do conhecimento, e se Israel começar a corrigir esse pecado, as nações do mundo vão sentir isso, “Oh! Eles estão fazendo essa correção! Nós nem sabíamos que era possível corrigir isso e chegar mais perto, enquanto que os judeus estão fazendo isso!”

As nações do mundo irão imediatamente mudar a sua atitude em relação a nós. Nós começaremos a correção e ela será imediatamente conhecida pelo mundo inteiro. Nós nem sequer precisamos anunciar isso. Não muito tempo atrás, eu publiquei um grande artigo no maior jornal americano, The New York Times, e depois disso, no jornal inglês The Telegraph e no jornal italiano Corriere Della Sera. No entanto, no futuro, não haverá necessidade de anunciar nada. As próprias nações do mundo vão escrever sobre isso, porque elas mesmas vão sentir isso.

No entanto, se não as levarmos a tal correção e não realizarmos a nossa missão, o antissemitismo, que estamos testemunhando agora, vai continuar a crescer. Então, venham. Vamos atravessar o deserto rapidamente e chegar à terra de Israel.

De KabTV “Os Capítulos da Torá com Shmuel Vilozni” 02/02/15

Como Um Feixe De Juncos — Uma Nação Nasce, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

UNIDADE — E CONSEQUENTEMENTE, IGUALDADE

Hoje, nossa única esperança é nos unirmos, porque a unidade, como veremos abaixo, é a direção da força que conduz toda a vida. Nosso desafio, desta forma, é aprender como nos unirmos. É possível e é plausível, mas num tempo de crises, isso exigirá reconhecer a força da vida e gerar um esforço mútuo para cooperar e colaborar para que possamos viver pelas prescrições desta lei.

Deve ser notado, contudo, que unidade não exige paridade ou semelhança. Em vez disso, ela exige disparidade, sobre a qual nos unirmos. Hoje, por exemplo, há muitas denominações dentro da religião judaica, bem como judeus não afiliados. Unidade judaica significaria que sem mudar nossos costumes, sem convergir para uma única denominação, nos uniríamos e aprenderíamos a valorizar, e, por fim, nos preocuparmos verdadeiramente uns com os outros.

Isso pode parecer impossível, considere uma família com várias crianças. Numa família normativa, cada criança tem sua personalidade única. Mais frequentemente que o contrário, essas personalidades colidem, como nossas memórias das nossas brigas de infância com nossos parentes testemunham. Frequentemente pensamos de nossos irmãos e irmãs em tais termos como, “Se ele/ela não fosse meu irmão/irmã, nunca estaria perto dele/dela”. Mas, precisamente esse fato de que estamos juntos com nosso parente muito diferente prova que quando há amor, podemos nos unir acima das diferenças.

É precisamente o que precisamos fazer: unir-nos acima de nossas diferenças. Desse modo, sentiremos de forma intensa tanto a nossa diversidade, frequentemente qualidades opostas, como a unidade que cavalga acima delas. Quando isso acontecer, seremos capazes de usar nossas diferenças para o melhor, pois cada um de nós contribui com perspectivas, ideias e modos de ação que ninguém mais consegue, formando assim um todo mais forte. Tal como nossos corpos precisam de diferentes órgãos para nos manter saudáveis, nós precisamos permanecer diferentes e nos unir acima das diferenças por uma meta comum de realizar o papel do povo judeu: levar a luz da unidade às nações.

Depois da partida de Abraão da Babilônia, regressando ao nosso tópico anterior, a cidade continuou a cultivar a despreocupação egocêntrica. E embora não haja nada de errado com prazer e diversão, quando é absolutamente egocêntrico, por fim é autodestrutivo. O verdadeiro propósito da vida, Abraão descobriu, é nos tornarmos semelhantes à força singular da vida, experimentar a unicidade com todos. Nossos sábios chamam a essa unidade e unicidade de Dvekut [adesão], e o que pretendem eles dizer com essa palavra e que, no final, nós devemos adquirir as qualidades do Criador e nos tornarmos similares ou até iguais a Ele.

Para citar as palavras de Rabi Meir Ben Gabai, “Sobre a parte da Dvekut [adesão] com as forças do Grande Nome e Suas qualidades, você apega-se ao Senhor seu Deus, pois Ele é Seu nome, e Seu nome é Ele, pois você está relacionado e é semelhante a Ele, e Dvekut com Ele é a verdadeira vida”. [i] Do mesmo modo, o Sagrado Shlah escreveu em Toldot Adam [As Gerações do Homem], “Nossos sábios disseram (Sotah 14a), ‘E vós que vos apegais ao Senhor’, apegai-vos a Suas qualidades, e então ele é chamado Adão [homem], como em, adamé la Elyon [Eu serei como o mais alto]”. [ii]

No século XX, Baal HaSulam elaborou extensamente sobre o termo “Dvekut”, o definindo como “equivalência de forma”, ou seja, adquirir a “forma” (qualidades) do Criador. Na sua “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, ele escreveu, “Assim, [a alma] será digna de receber toda a abundância e prazer incluídos no Pensamento da Criação, e também estará em completa Dvekut (adesão) com Ele, em equivalência de forma”. [iii]

Na “Introdução ao O Livro do Zohar”, Baal HaSulam acrescenta, “Assim, uma pessoa compra a completa adesão com Ele, pois adesão espiritual é a equivalência de forma, como nossos sábios disseram, ‘Como é possível se apegar a Ele? Em vez disso, apegai-vos a Suas qualidades’”. [iv]

Em tempo, como mencionado acima, o grupo de Abraão tornou-se uma nação, e a necessidade de um novo método de unidade surgiu. Os ensinamentos de Abraão mantiveram-se enquanto todos em Israel podiam ser ensinados. Porém, quando o povo de Israel saiu do Egito, eles atingiram o número de 600.000 homens e cerca de três milhões de pessoas ao todo. Era impossível ensinar a todos da mesma maneira que se aprende de um professor.

A solução foi encontrada na base do Monte Sinai. Lá, nesse ponto crucial da história do nosso povo, o princípio mais fundamental da nossa Torá foi dado, e é dado ainda hoje, a cada dia e a cada momento. Esse princípio, como Rabi Akiva o colocou, é “Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Na base do Monte Sinai, explica o grande acadêmico e intérprete RASHI, nós recebemos a Torá, as leis pelas quais temos que nos unir, porque lá concordamos em fazer isso com todo o coração. Nas suas palavras, “E Israel acampou lá: como um homem com um coração”. [v] Desse momento em diante, a unidade tem sido o principal bem do povo Judeu, o meio pelo qual alcançamos o Criador, adquirimos Suas qualidades, e obtemos Dvekut, equivalência de forma (qualidades) com Ele.

O Midrash Tanah De Bei Eliyahu escreve, “O Senhor disse a eles, a Israel: ‘Meus filhos, careci Eu de algo que vos deva pedir? E que vos posso pedir? Somente que vos amais uns aos outros, vos respeitais uns aos outros, e vos temais uns aos outros, e não haverá transgressão, roubo, e feiura entre vós’”. [vi]

Em tempo, a unidade tornou-se tão crucial que substituiu qualquer outro mandamento em termos de sua importância. Ela tornou-se a única chave para a redenção e salvação espiritual de Israel de seus inimigos. O Midrash Tanhumá escreve, “Se uma pessoa pega um feixe de juncos, ela não consegue quebra-los de uma só vez. Mas se ela pega um de cada vez, até uma criança os quebra. Da mesma forma, Israel não será redimidos até que todos sejam um só feixe”. [vii]

No mesmo espírito, Masechet Derech Eretz Zutá escreve, “Assim, Rabi Eleazar ha-Kappar diria, ‘Amai a paz, e desprezai a divisão. Grande é a paz, pois até quando Israel pratica idolatria, e há paz entre eles, o Criador diz, ‘Eu não lhes desejo tocar [magoar]’, como está escrito (Hosea, 4:17), ‘Efraim está junto aos ídolos, deixai-o sozinho’. Se há divisão entre eles, o que se diz sobre eles (Hos, 10:2)? ‘Seu coração está dividido, agora eles carregarão sua culpa’”. [viii]

Todavia, por tudo o que foi dito sobre a importância da unidade, quando olhamos ao nosso redor é evidente que a maioria das pessoas nem deseja se unir, nem encontra qualquer benefício na unidade, certamente não com seus próximos, como o princípio dita. Para compreender como tal princípio se tornou tão supremo para a existência de nosso povo, e agora para o mundo inteiro, nós precisamos examinar a evolução da realidade de um ponto de vista diferente daquele que a ciência frequentemente toma. Nós precisamos olhar para a realidade como uma evolução de desejos. Quando nós virmos a realidade como tal, a razão por trás da proeminência do desejo de se unir, e a consequente aquisição da qualidade do Criador, se tornarão claras como cristal. Desta forma, a evolução dos desejos será o tópico do próximo capítulo.

[i] Rabbi Meir Ben Gabai, Avodat HaKodesh [O Trabalho Sagrado], Parte 2, Capítulo 16.

[ii] Rabbi Isaiah HaLevi Horowitz (O Shlah Sagrado), Toldot Adam [As Gerações do Homem], “A Casa de David”, 7.

[iii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Prefácio da Sabedoria da Cabalá” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 155.

[iv] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 432.

[v] Rabbi Shlomo Ben Yitzhak (RASHI), The RASHI Interpretação sobre a Torá, “Sobre o Êxodo”, 19:2.

[vi] Midrash Tanah De Bei Eliyahu Rabah, Capítulo 28.

[vii] Midrash Tanhuma, Nitzavim, Capítulo 1

[viii] Ithak Eliyahu Landau, Rabbi Shmuel Landau, Masechet Derech Eretz Zutah, Capítulo 9, itens 28-29 (Vilna: Printer: Rabbi Hillel, 1872), 57-58.

Como Um Feixe De Juncos — Uma Nação Nasce, Parte 2

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Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

ISRAEL — O DESEJO MAIS PROFUNDO

O surpreendente resultado dos esforços de Abraão foi o nascimento de uma nação que conhecia as leis mais profundas da vida, o princípio da Teoria de Tudo, ou nas palavras de Maimônides: “uma nação que sabe que o Senhor foi feito no mundo”. [i]

De fato, Israel não é meramente o nome de um povo. Em hebraico, a palavra Ysrael (Israel), consiste de duas palavras: Yashar (direto) e El (Deus). Assim, Israel designa uma mentalidade de querer descobrir a lei da vida, o desejo de alcançar ou perceber o Criador. Nas palavras do rabino Meir Ben Gabai, “No significado do nome ‘Israel’ também há Yashar El [direto a Deus]”. [ii] Da mesma forma, em seu Drush [sermão escrito] sobre a Oração do Viajante, o grande Ramchal escreveu simplesmente, “Israel — Yashar El”.

Por outras palavras, Israel não é uma indicação genética ou atribuição, mas o nome ou a direção do desejo que levou Abraão a suas descobertas. Geneticamente, os primeiros israelitas eram babilônios ou membros de outras nações que se juntaram ao grupo de Abraão. O significado do seu nome era claro para os antigos israelitas. Como Maimonides escreveu, eles tinham seus professores, os Levitas, e aprenderam a seguir as leis essenciais da vida.

Hoje, no entanto, nós desconhecemos o fato de que “Israel” refere-se, na verdade, ao desejo de saber a lei básica da vida, o Criador, e não faz alusão a uma linhagem genética. Quase 2000 anos de ocultação da verdade desde que a ruína do Segundo Templo praticamente obliterou a verdade de que a descoberta de Abraão destinava-se a todas as pessoas do mundo, assim como o próprio Abraão a pretendeu para todas as pessoas na Babilônia, e mais tarde “começou a bradar para o mundo inteiro”, para citar Maimônides.

Através dos anos, apenas os Cabalistas mantiveram esta verdade viva. Cabalistas como Elimeleque de Lizhensk [iii], Shlomo Efraim Luntschitz [iv], Chaim Iben Attar [v], Baruch Ashlag [vi] e muitos outros escreveram em palavras simples: Ysrael significa Yashar El (direto a Deus).

Além disso, a necessidade de descobrir esta força é mais pertinente hoje do que nunca. Nada mudou na Natureza desde a época de Abraão, e o Criador ainda é a única força que cria, rege e sustenta a vida.

O que mudou é que hoje nós precisamos mais do que nunca do verdadeiro conhecimento do Criador. No tempo de Abraão, a humanidade tinha numerosos outros caminhos para seguir além do caminho da verdade de Abraão. Os caminhos sociais de hoje, no entanto, estão gradualmente provando serem ineficazes na resolução de nosso declínio moral social e coesão.

Com efeito, no devido tempo, a cultura Babilônica dissipou-se e o povo se dispersou pelo mundo. Sua alienação e a discórdia social, que causaram sua queda — representada pela queda da torre — tornaram-se insignificantes e imperceptíveis. As pessoas se assentaram em novos lugares, trazendo com elas a cultura e atitude Babilônicas, alheias de que estavam carregando seus costumes de desarmonia com elas — as sementes das futuras lutas.

Agora que nós temos uma comunidade global, cada crise é em escala global. Os erros que nós cometemos cobram o seu preço em todo o mundo, tornando a descoberta de Abraão a única força de informação primordial salvadora de vidas que deve ser adicionada dentro dos nossos cálculos e planos, se quisermos sobreviver.

[i] ibid.

[ii] Rabino Meir Ben Gabai, Avodat HaKodesh [O Trabalho Sagrado], parte 3, capítulo 27.

[iii] Elimeleque de Lizhensk, autor de Noam Elimelech (A Amabilidade de Elimeleque), Likutei Shoshana (“Coleções da Rosa“) (publicado pela primeira vez em Levov, Ucrânia, 1788), obtidos a partir de http://www.daat.ac.il/daat/vl/tohen.asp?id=173

[iv] Shlomo Ephraim Luntschitz, autor de Keli Yakar [Vaso Precioso], Relativo a Beresheet [Gênesis], 32:29.

[v] Chaim ibn Attar, em Ohr HaChaim [Luz da Vida] Bamidbar [Números], capítulo 23, Item 8, https://sites.google.com/site/magartoratemet/tanach/orhahaym

[vi] Baruch Shalom Ashlag (Rabash), nos Escritos de Rabash, Vol. 1, Artigo n. º 9, 1988-89 (Israel: Instituto de Pesquisa Ashlag, 2008), 50, 82, 163.

Como Um Feixe De Juncos – Uma Nação Nasce, Parte 1

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Capítulo 1: Uma Nação Nasce

O Nascimento do Povo de Israel

Antes de mergulharmos no significado e posição do povo de Israel no mundo, precisamos olhar para a razão pela qual a nação Israelita se formou, e como essa formação se revelou. Vamos, por um momento, viajar praticamente seis mil milhas para o leste, e praticamente quatro mil anos no passado, para a antiga Mesopotâmia, o coração do Crescente Fértil, o berço da civilização. Situada dentro de um vasto e exuberante trecho de terra entre os rios Tigre e Eufrates, no que hoje é o Iraque, a cidade-estado Babilônia representava-se anfitriã para uma civilização florescente. Explodindo com vida e ação, ela era o centro do comércio do mundo antigo.

A Babilônia, o coração dessa civilização dinâmica, era uma panela de pressão, um substrato ideal sobre o qual uma miríade de sistemas de crença e ensinamentos cresceram e floresceram. Os Babilônios praticavam muitos tipos de idolatria. O Sefer HaYashar [O Livro do Justo] descreve a vida dos Babilônios nessa altura, e como eles adoravam: “Todas as pessoas da terra faziam, cada uma, seu próprio deus nesses dias, deuses de madeira e pedra. Elas os adoravam, e estes se tornavam deuses para elas. Nesses dias, o rei e todos seus servos, e Terah [pai de Abraão] e toda a sua família, foram os primeiros entre os adoradores de madeira e pedra. … [Terah] os adoraria e se dobraria a eles, e assim fez o todo dessa geração. Todavia, eles haviam abandonado o Senhor, que os havia criado, e não havia um único homem em toda a terra que conhecesse o Senhor…” [i]

Ainda assim, o filho de Terah, Abraão, que ainda era chamado pelo nome de Abrão, possuía uma certa qualidade que fazia dele único: ele era extraordinariamente perceptivo, com um zelo cientifico pela verdade. Abraão era também uma pessoa preocupada, que reparou que o povo da sua cidade estava tornando-se crescentemente infeliz. Quando ele refletiu sobre isso, descobriu que a causa da sua infelicidade era o crescente egoísmo e alienação que se apoderavam deles. Dentro de um período de tempo relativamente curto, eles declinaram da união e preocupação mútua, tendo sido “De uma língua e uma fala” (Génesis 11:1), para a vaidade e alienação, dizendo “Vinde, construamos uma cidade, e uma torre, cujo cume toque nos céus, e façamos para nós mesmos um nome” (Génesis, 11:4).

Na realidade, eles estavam tão preocupados em construir sua torre de orgulho que se esqueceram completamente das pessoas que anteriormente eram como parentes para eles. A composição, Pirkey de Rabi Eliezer (Capítulos de Rabi Eliezer), um dos Midrashim (comentários) na Torá (Pentateuco), oferece uma descrição vívida não só da vaidade dos Babilônios mas também da alienação com a qual eles se consideravam uns aos outros. O livro escreve, “Nimrod disse a seu povo, ‘Construamos uma grande cidade e moremos nela, caso contrário ficaremos dispersos pela terra como os primeiros, e construamos uma grande torre dentro dela, subindo em direção aos céus … e façamos para nós um grande nome na terra…’

“Eles a construíram alta… aqueles que trariam os tijolos subiam pelo seu lado oriental, e aqueles que desciam dela, desciam pelo seu lado ocidental. Se uma pessoa caísse e morresse, eles não se preocupariam com ela. Mas se um tijolo caísse, eles se sentariam e chorariam e diriam, ‘Quando virá outro em seu lugar’”. [ii]

A atitude dos conterrâneos de Abraão uns para com os outros o incomodava, e ele iria até lá e observaria a conduta dos construtores. Pirkey de Rabi Eliezer continua a descrever suas observações da sua animosidade mútua: “Abraão, filho de Terah, passou e os viu construir a cidade e a torre”. Ele tentou falar com eles e lhes contar sobre o Criador, a força governante da união que havia descoberto, para atestar que as coisas seriam ótimas somente se eles também seguissem a lei da união. “Mas eles abominaram suas palavras”, o livro descreve. Em vez disso, “Eles desejaram falar a língua uns dos outros”, como antes, quando ainda eram de uma única língua, “Mas eles não sabiam a língua uns dos outros. Que fizeram eles? Cada um deles pegou sua espada e lutou com o outro até à morte. Certamente, metade do mundo morreu ali pela espada”. [iii]

À luz da grave situação do seu povo, Abraão decidiu espalhar o princípio que havia encontrado, independentemente dos riscos. Na sua composição, HaYad HaChazakah (A Mão Poderosa), também conhecida como Mishné Torá (Repetição da Torá), o renomado acadêmico do século XII, Maimônides (o RAMBAM), descreve a determinação e os esforços de Abraão em descobrir as verdades da vida: “Desde que isso foi revelado, ele começou a questionar. …Ele começou a ponderar dia a noite, e questionava-se como era possível que esta roda sempre rodasse sem um condutor? Quem a roda, pois ela não pode rodar a si mesma? Ele não tinha nem professor nem tutor. Em vez disso, ele foi cunhado em Ur dos Caldeus entre os idolatras iletrados, com sua mãe e pai, e todas as pessoas que adoravam as estrelas, e ele – adorando com eles”. [iv]

Na sua busca, Abraão descobriu a união, a unicidade da realidade, essa força singular criativa que cria, sustenta e conduz toda a realidade para a sua meta. Nas palavras de Maimônides, “[Abraão] alcançou o caminho da verdade … com sua sabedoria correta, e sabia que havia um Deus que conduz… que Ele criou tudo, e que em tudo o que há, não há outro Deus senão Ele”. [v]

Para compreender precisamente o que Abraão alcançou, tenha em mente que quando os Cabalistas falam de Deus, eles não se referem a um ser todo-poderoso ou a uma força que você deve adorar, agradar e apaziguar, que em troca recompensa os adoradores devotos com saúde, riqueza, longa vida e outros benefícios terrenos. Em vez disso os Cabalistas identificam Deus com a Natureza, o todo da Natureza.

Rav Yehuda Ashlag, conhecido como Baal HaSulam (Dono da Escada), fez várias afirmações inequívocas sobre o sentido do termo, “Deus”. Sucintamente, ele explica que Deus é sinônimo de Natureza. No ensaio, “A Paz”, Baal HaSulam escreve (num excerto ligeiramente editado), “Para evitar de ter que usar ambas as línguas daqui em diante, ‘Natureza’ e um ‘Supervisor’, entre os quais, como demonstrei, não há qualquer diferença…é melhor para nós … aceitarmos as palavras dos Cabalistas, de que HaTeva [A Natureza] é o mesmo…que Elokim [Deus]. Então, eu serei capaz de chamar as leis de Deus ‘mandamentos da Natureza’, e vice-versa, pois eles são a mesma coisa, e não precisamos discutir mais”. [vi]

“Aos quarenta anos de idade”, escreve Maimônides, “Abraão veio a conhecer seu Criador”, a lei singular da Natureza, que cria todas as coisas. Mas Abraão não manteve sua descoberta para si mesmo: “Ele começou a fornecer respostas ao povo de Ur dos Caldeus, a conversar com eles e a lhes contar que o caminho sobre o qual eles caminhavam não era o caminho da verdade”. [vii] Assim, Abraão foi confrontado pela elite governante, que neste caso era Nimrod, rei da Babilônia.

O Midrash Rabbá, escrito no século V a.C., apresenta uma descrição vívida da confrontação de Abraão com Nimrod, um vislumbre das dificuldades que Abraão sofreu por sua descoberta e sua dedicação à verdade. Ele também fornece uma divertida visão do fervor de Abraão. “Terah [Pai de Abraão] era um adorador de ídolos [que ganhava sua vida fazendo e vendendo estátuas na loja da família]. Uma vez, ele foi a certo lugar e disse a Abraão que ficasse em seu lugar para ele. Um homem entrou e quis comprar uma estátua. [Abraão] perguntou-lhe, ‘Quão velho sois vós?’ E o homem respondeu, ‘Cinquenta ou sessenta’, Abraão disse-lhe: ‘Ai daquele que tem sessenta e tem que adorar uma estátua de um dia’. O homem ficou embaraçado e partiu.

“Outra vez, uma mulher entrou com uma taça de semolina. Ela disse-lhe, ‘Aqui, sacrifica perante as estátuas’, Abraão levantou-se, pegou um martelo, quebrou todas as estátuas, depois colocou o martelo nas mãos da maior. Quando seu pai regressou, ele perguntou-lhe, ‘Quem fez isto’? [Abraão] respondeu, ‘Uma mulher entrou. Ela trouxe-lhes uma taça de semolina e pediu-me que sacrificasse perante elas. Eu sacrifiquei e uma disse, ‘Eu comerei primeiro’, e a outra disse, ‘Eu comerei primeiro’. A maior levantou-se, pegou o martelo, e as quebrou’. Seu pai disse, ‘Você está me enganando? O que elas’ sabem? E Abraão respondeu-lhe, ‘Tuas orelhas escutam o que tua boca diz?’” [viii]

Nesse ponto, Terah sentiu que não conseguiria mais disciplinar seu filho insolente. “[Terah] levou [Abraão] e entregou-o a Nimrod [o rei, mas também a autoridade espiritual mais alta da Babilônia]. [Nimrod] disse-lhe, ‘Adora o fogo’. Abraão respondeu, ‘Talvez deva adorar a água, que extingue o fogo’? Nimrod respondeu, ‘Adora a água’! [Abraão] disse-lhe: ‘Então talvez deva adorar a nuvem, que transporta a água’? [Nimrod] disse-lhe, ‘Adora a nuvem!’

“[Abraão] disse-lhe: ‘Nesse caso, será que eu devo adorar o vento que dispersa as nuvens?’ Ele disse-lhe, ‘Adora o vento’! [Abraão] disse-lhe, ‘E devemos nós adorar o homem, que sofre do vento?’ [Nimrod] disse-lhe: ‘Tu falas muito; eu adoro somente o fogo. Eu vou jogá-lo nele, e deixarei que o Deus que adoras venha salvar-te dele!

“Harã [irmão de Abraão] lá se encontrava. Ele disse, ‘Se Abraão vencer, eu direi que concordo com Abraão, e se Nimrod vencer, eu direi que concordo com Nimrod’. Quando Abraão desceu à fornalha e foi salvo, eles perguntaram [Harã], ‘Com quem estais’? Ele disse-lhes: ‘Eu estou com Abraão’. Eles o levaram e o jogaram no fogo, e ele morreu na presença de seu pai. Assim foi dito, ‘E Harã morreu na presença de seu pai Terah’”. [ix]

Portanto, Abraão resistiu a Nimrod, mas foi expulso da Babilônia e partiu para a terra de Harã (pronunciada Charan, para distingui-la de Harã, filho de Terah). Mas Abraão não deixou de circular sua descoberta só porque estava exilado da Babilônia. As descrições elaboradas de Maimônides nos contam, “Ele começou a clamar ao mundo inteiro, para alertá-los que há um Deus para o mundo inteiro… Ele clamou, vagando de cidade em cidade e de reino em reino, até que chegou à terra de Canaã…

“E uma vez que eles [pessoas nos lugares onde ele vagava] se reuniam ao seu redor e lhe perguntavam sobre suas palavras, ele ensinava a todos…até que ele os trouxe de volta ao caminho da verdade. Finalmente, milhares e dezenas de milhares se reuniram ao seu redor, e eles são o povo da casa de Abraão. Ele colocou seu princípio em seus corações, compôs livros sobre isso, e ensinou seu filho Isaac. E Isaac se sentou e ensinou e alertou, e informou Jacó, e o nomeou professor, para se sentar e ensinar… E Jacó, o Patriarca, ensinou todos os seus filhos. Ele separou Levi e o nomeou a cabeça, e o fez sentar e aprender o caminho de Deus…” [x]

Para garantir que a verdade passaria pelas gerações, Jacó “ordenou a seus filhos que não parassem de nomear nomeado após nomeado dentre os filhos de Levi, para que o conhecimento não fosse esquecido. Isto continuou e se expandiu nos filhos de Jacó e naqueles que os acompanharam”. [xi]

[i] Sefer HaYashar [O Livro do Justo], Porção Noah, Parasha 13 item 3.

[ii] Pirkey de Rabbi Eliezer [Capítulos do Rabbi Eliezer], Capítulo 24

[iii] ibid.

[iv] Rav Moshe Ben Maimon (Maimônides), Mishneh Torah (Yad HaChazakah (A Mão Poderosa)), Part 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 1.

[v] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 10.3.

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Paz no Mundo” (Instituto de Pesquisas Ashlag, Israel, 2009), 406-7.

[vii] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência” Capítulo 1, Item 12.3.

[viii] Midrash Rabbah, Beresheet, Porção 38, Item 13.

[ix] Midrash Rabbah, Beresheet, Porção 38, Item 13.

[x] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 15.3.

[xi] Maimônides, Yad HaChazakah (A Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”,  Capítulo 1, Item 16.

Os EUA Entrarão Em Colapso Se Obama Virar As Costas Para Israel

Dr. Michael LaitmanOpinião (John Hagee, fundador e pastor sênior da Igreja Cornerstone, San Antonio, Texas, CEO da Televisão Evangélica Global (GETV): “John Hagee declarou em seu show Hagee Hotline na semana passada que Deus vai destruir os EUA por causa da maneira como o Presidente Obama e os Democratas estão tratando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. “Está provado pela história”, disse ele.

“‘Eu sou um estudante da história do mundo’, disse ele, ‘E você pode encerrar a história do mundo em 25 palavras ou menos, e aqui estão: as nações que abençoaram Israel prosperaram e as nações que amaldiçoaram Israel foram destruídas pela mão de Deus’.

“De acordo com Hagee, os impérios egípcio, babilônico, otomano e britânico, todos caíram porque não deram o devido respeito a Israel, o único país que jamais existiu, porque Deus ordenou-o para seu povo favorito. É claro, todos os historiadores reais concordam que esses impérios caíram por seu próprio peso, porque se tornaram grandes demais para controlar.

“‘Deus poderia se importar menos com o nosso relacionamento com as outras nações’, disse Hagee. ‘Mas ele está vendo o que os EUA fazem, na medida em que respondem a Israel. Se os EUA virarem as costas para Israel, Deus virará as costas para os EUA. E isso é um fato. Está provado pela história’”.

Meu Comentário: Em mais de uma ocasião, eu ouvi a mesma opinião de várias pessoas que não são historiadores ou pregadores. Isso aparentemente se aplica tanto ao amor quanto à punição. Mas isso é o que a torna a nação de Israel, na medida em que ela executa sua missão de ser a Luz para as nações do mundo e traz o método da revelação da força superior ao mundo.

Deus vai punir os EUA e todo o mundo, mas antes disso vai começar a punir Israel novamente, porque o nosso comportamento incorreto é que causa a atitude americana em relação a nós.

Não é Obama quem toma as decisões, mas nós, através da nossa atitude para com as nossas responsabilidades neste mundo! Na verdade, nós somos os únicos no mundo que têm a liberdade de escolha (veja o artigo “A Liberdade”) de revelar o Criador na conexão entre nós.

Esta é a única ação livre que foi deixada aos seres humanos pela natureza, o Criador, e foi dada apenas para nós, e por isso somos odiados. As nações do mundo sentem sua dependência do povo de Israel, e o antissemitismo é a sua reação natural ao nosso comportamento.

Como Um Feixe De Juncos – Introdução

like-bundle-of-reed-2TComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Introdução

“Se uma pessoa pega um feixe de juncos, ela não consegue quebra-los todos de uma vez. Mas tomado um de cada vez, até uma criança os quebraria. Assim também, Israel não será redimido até que todos sejam um feixe”.

(Midrash Tanhuma, Nitzavim, Capitulo 1)

Durante a história do povo Judeu, união e garantia mútua (conhecida como responsabilidade mútua) têm sido os emblemas de nossa nação. Inumeráveis sábios e líderes espirituais escreveram sobre o significado destas duas marcas registradas, as hasteando como o coração e a alma da nossa nação, e declarando que salvação e redenção podem chegar somente quando houver união em Israel.

Na realidade, o conceito de união tem sido tão proeminente que excedeu o da devoção ao Criador e a observação dos mandamentos. Um número considerável de líderes espirituais judeus e escrituras sagradas durante as gerações sublinham a importância da união acima de tudo. Masechet Derech Eretz Zuta, escrito aproximadamente na mesma época do Talmude, é uma das numerosas declarações escritas nesse espírito: “Mesmo quando Israel adora ídolos e há paz entre o povo, o Senhor diz, ‘Eu não tenho desejo de lhes fazer mal’. …Mas se eles são contestados, o que se diz sobre eles? ‘Seu coração está dividido, agora eles carregarão sua culpa’”. [i]

Depois da ruína do Segundo Templo, a proeminência da união e amor fraterno alcançaram um pico. O Talmude Babilônico, entre muitas outras fontes, nos ensina que a razão pela qual o Segundo Templo foi arruinado foi o ódio infundado e a divisão dentro de Israel. As fontes até declaram que o ódio infundado é tão prejudicial, que equivale ao impacto dos três grandes males que causaram a ruína do Primeiro Templo, todos juntos: idolatria, incesto e derramamento de sangue. Masechet Yoma nos ensina essa lição muito claramente: “O Segundo Templo… porque foi ele arruinado? Foi porque havia ódio infundado nele, ensinando-lhes que o ódio infundado é igual a todas as três transgressões – idolatria, incesto e derramamento de sangue – combinadas”. [ii]

Evidentemente, união, fraternidade, e responsabilidade mútua não estão somente no DNA da nossa nação, elas são a substância da linha da vida que nos poupou de aflições quando as tivemos, e permitiu que aflições se revelassem quando não as tínhamos. Nestes tempos difíceis de benefício próprio e narcisismo, nós precisamos de união mais do que nunca, embora pareça mais inacessível que em qualquer outro tempo na história.

Há cerca de quatrocentos séculos, na base do Monte Sinai, nos encontramos como um homem com um coração, e ao fazer isso nos tornamos uma nação. Deste então, a união nos sustentou através da chuva e sol, como o reconhecido orador e escritor, Rabi Kalonymus Kalman Halevi Epstein, descreve em sua aclamada composição, Maor va Shemesh (Luz e Sol): “Embora a geração de Ahab fosse de idólatras, eles se envolveram em guerras e venceram porque havia união entre eles. É ainda mais quando há união em Israel e eles se envolvem na Torá pelo Seu benefício… Com isso, eles subjugam todos aqueles que estão contra eles, e tudo que eles dizem com suas bocas, o Senhor concede seus desejos”. [iii]

Seguindo Moisés, nós chegamos a Canaã, a conquistamos, e a tornamos A Terra de Israel, então fomos exilados uma vez mais.  desta vez para Babilônia. Posteriormente, uma minoria da nação – praticamente duas das doze tribos originais – retornou à terra e estabeleceu o Segundo Templo. Mas como não conseguimos manter o amor fraterno, fomos esmagados pelo inimigo e exilados nos séculos que se seguiram.

Todavia, divisão e ódio infundado, que causaram a ruína do Segundo Templo e o exílio da nação da sua terra, não aprisionaram nosso desenvolvimento enquanto em exílio. Na maior parte dos últimos dois milénios, temos mantido a nós mesmos, mantendo relativa separação da vida cultural das nações nas quais residíamos.

Mas desde o Iluminismo, gradualmente adotamos uma cultura que saúda a distinção pessoal e a realização individual, e tolera a exploração dos fracos e necessitados. Nas últimas várias décadas, nós nos sobressaímos tanto na cultura do interesse pessoal e do benefício pessoal que nos tornamos o oposto completo da comunidade solidária e humana que nutríamos no começo de nossa nação.

No mundo de hoje, o tom e atmosfera predominantes são os do benefício pessoal e egoísmo até o ponto do narcisismo. No seu livro perspicaz, A Epidemia do Narcisismo: Viver na Era do Benefício Pessoal, os psicólogos Jean M. Twenge e Keith Campbell descrevem ao que eles referem como “O crescimento incansável do narcisismo na nossa cultura”, [iv] e os problemas que causa. Eles explicam que “Os Estados Unidos atualmente sofrem de uma epidemia de narcisismo. …traços de personalidade narcisista aumentaram tão rápido como a obesidade”.

Pior ainda, eles continuam, “O aumento no narcisismo está acelerando, com resultados crescendo mais rápido nos anos 2000 que nas décadas anteriores. Em 2006, um de quatro estudantes de faculdade concordavam com a maioria dos itens numa medida padronizada de traços narcisistas”. [v]

E a maioria de nós, judeus, progenitores do princípio, “Ama teu próximo como a ti mesmo”, não só nos sentamos e observamos enquanto o egoísmo celebra, mas também nos juntamos à festa, muitos de nós até liderando o grupo, tomando os espólios onde quer que possamos. Abraçamos a máxima, “Quando em Roma, faça como os Romanos,” com entusiasmo espetacular, e ao fazer assim, muitos nomes judaicos se tornaram sinônimos de riqueza e poder. Não há dúvida que não perseguimos riqueza e poder para apresentar nossa herança como superior à dos outros. Contudo, quando os judeus ganham notoriedade pelas duas distinções mencionadas, eles são notados não só pelos seus ganhos, mas também por sua herança.

Por muito injusto que possa parecer, os judeus e o estado judaico não são vistos da mesma maneira que são os outros países e nações. Eles são tratados como especiais, tanto positiva como negativamente.

Mas há uma boa razão porque isto assim é. Quando Abraão descobriu a força singular que conduz o mundo, aquele a que nos referimos como “o Criador,” “Deus,” “HaShem, HaVaYaH (Yod-Hey-Vav-Hey, o “Senhor”), ele desejou contar ao mundo inteiro sobre isso. Enquanto babilônio e de elevado estatuto social e espiritual, filho de um fazedor de ídolos e estátuas, ele estava numa posição para ser escutado. Foi somente quando o Rei Nimrod o tentou matar e mais tarde o expulsou da Babilônia que ele foi para outro lugar, chegando finalmente à Canaã.

Todavia, Rav Moshe Ben Maimon (Maimônides) descreve a toda a hora a maneira como ele continuava à procura de almas gémeas com quem partilhar sua descoberta: “Ele começou a clamar ao mundo inteiro, para alertar que há um Deus para o mundo inteiro… Ele clamava, vagando de cidade em cidade e de reino em reino, até que chegou à terra de Canaã… E uma vez que eles [pessoas nos lugares onde ele vagava] se reuniam ao seu redor e lhe perguntavam sobre suas palavras, ele ensinou a todos…até que os trouxe de volta ao caminho da verdade. Finalmente, milhares e dezenas de milhares se reuniram ao seu redor, e eles são o povo da ‘casa de Abraão’. Ele plantou seu princípio nos seus corações, compôs livros sobre isso, e ensinou seu filho, Isaac. E Isaac se sentou, e ensinou, alertou, e informou Jacó, e o nomeou professor, para sentar e ensinar… E Jacó o Patriarca ensinou todos seus filhos, e separou Levi e o nomeou a cabeça, e o fez sentar e aprender o caminho de Deus”… [vi]

De Jacó em diante, narra a reconhecida composição, O Kuzari, “Divindade é revelada numa assembleia, e desde então é a contagem pela qual contamos os anos dos antepassados, de acordo com o que foi dado na lei de Moisés [Torá], e sabemos o que se desdobrou desde Moisés até este dia”. [vii]

Assim, a união se tornou uma condição para alcançar a percepção de Deus, ou o Criador, como os Cabalistas frequentemente se referem a Ele (por razões que não descreveremos aqui, pois isso está além da amplitude deste livro). Sem união, a realização era simplesmente impossível. Aqueles que foram capazes de se unir, se tornaram o povo de Israel e alcançaram o Criador, a força singular que cria, governa, e conduz o todo da realidade. Aqueles que não foram capazes de fazê-lo permaneceram sem essa percepção, todavia com uma sensação de que os Israelitas sabiam algo que eles não, e tinham algo que lhes pertencia, também, mas que eles não podiam ter.

Esta é a raiz do ódio a Israel, que mais tarde se tornou antissemitismo. É uma sensação de que os Judeus têm algo que não estão compartilhando com o mundo, mas que têm que compartilhar.

Certamente, os judeus devem compartilhá-lo com o mundo. Tal como Abraão tentou compartilhar sua descoberta com todos os seus semelhantes babilônios, os judeus, seus descendentes, devem fazer o mesmo. Este é o significado de ser “Uma luz para as nações”. Esta é a obrigação para a qual o grande Rav Kook, o primeiro Rabino Chefe de Israel se referiu no seu estilo eloquente e poético quando escreveu, “O movimento genuíno da alma Israelita na sua grandiosidade é expresso somente pela sua força sagrada e eterna, que flui de dentro de seu espírito. Foi isso que a fez, a faz, e a fará ainda uma nação que se encontra como uma luz para as nações, como redenção e salvação para o mundo inteiro para seu próprio propósito especifico, e pelos propósitos globais, que estão interligados”. [viii]

Este compromisso também é ao que Rav Yehuda Leib Arie Altar se referiu com suas palavras, “Os filhos de Israel são fiadores no sentido que eles receberam a Torá em prol de corrigir o mundo inteiro, as nações, também”. [ix]

E o que exatamente nós estamos obrigados a transmitir às nações? É a união, através da qual a pessoa descobre a força única, singular e criadora da vida, o Senhor, ou Deus. Nas palavras de Rabi Shmuel Bornstein, autor de Shem MiShmuel [Um Nome A Partir de Samuel], “A meta da Criação foi para que todos fossem uma associação … Mas devido ao pecado, a matéria tornou-se tão estragada que até os melhores nessas gerações foram incapazes de se unir juntos para servir o Senhor, mas foram somente uns poucos”. [x]

Por esta razão, continua Rabi Bornstein, somente aqueles que podiam se unir o fizeram, enquanto o resto os abandonou até que fossem capazes de se juntar à união. Nas suas palavras, “A correção começou ao fazer uma reunião e associação de pessoas para servir o Criador, começando com Abraão o Patriarca e seus descendentes, para que eles fossem uma comunidade consolidada pela obra de Deus. Sua ideia [do Criador] em separar os povos foi que primeiro Ele causou separação na raça humana, no tempo da Babilônia, e todos os malfeitores foram dispersados. …Subsequentemente começou a reunião em prol de servir do Criador, à medida que Abraão o Patriarca foi e clamou pelo nome do Senhor até que uma grande comunidade se reuniu na sua direção, que havia sido chamada ‘o povo da casa de Abraão’. A matéria continuou a crescer até que se tornou a assembleia da congregação de Israel … e o fim da correção será no futuro, quando todos se tornem uma associação em prol de fazer Vossa vontade com todo o coração”. [xi]

Considerando as presentes circunstâncias globais, parece urgente que todos saibam sobre o conceito de união como um meio para alcançar o Criador. Assim que todos nós saibamos e aceitemos esse princípio, paz e fraternidade naturalmente prevalecerão.

Na realidade, de acordo com o reconhecido Cabalista, Rav Yehuda Ashlag, conhecido como Baal HaSulam [Dono da Escada] pelo seu comentário Sulam [Escada] sobre O Livro do Zohar, a necessidade de conhecer o Criador tem sido urgente há praticamente um século até agora. Em “Paz no Mundo,” um ensaio que data do princípio dos anos 1930, Baal HaSulam explica que, como somos todos interdependentes, devemos aplicar as leis de garantia mútua ao mundo inteiro. Enquanto o termo, “globalização”, não era ubíquo em tratados do seu tempo, suas palavras claramente ilustram sua necessidade urgente de tornar o mundo uma única unidade solidificada.

Aqui está a descrição da globalização e interdependência de Baal HaSulam: “Não fique surpreso se eu misturar juntos o bem-estar de um coletivo particular com o bem-estar do mundo inteiro, porque certamente nós já chegamos a tal grau em que o mundo inteiro é considerado um coletivo e uma sociedade. Isto é, porque cada pessoa no mundo extrai sua essência e vivacidade da vida de todas as pessoas no mundo, a pessoa é coagida a servir e cuidar do bem-estar do mundo inteiro.

“…Desta forma, a possibilidade de levar condutas boas, felizes e pacificas num país é inconcebível quando não é assim em todos os países no mundo, e vice-versa. No nosso tempo, os países estão todos ligados na satisfação de suas necessidades da vida, como os indivíduos estavam nas suas famílias em tempos anteriores. Desta forma, não podemos mais falar ou lidar somente com condutas que garantam o bem-estar de um país ou uma nação, mas somente com o bem-estar do mundo inteiro, porque o benefício ou dano de toda e cada pessoa no mundo depende e é medido pelo benefício de todas as pessoas no mundo”. [xii]

Contudo, para o mundo alcançar essa união, essa garantia mútua, ele precisa de um modelo exemplar, um grupo ou coletividade que possa implementar a união, alcançar o Criador, e através do exemplo pessoal, pavimentar o caminho para o resto da humanidade. Como nós, judeus, já estivemos nesse ponto, e o mundo sente isso inconscientemente, é nosso dever reacender esse amor fraterno entre nós, alcançar essa força singular, e passar ambos o método de união e a realização do Criador ao resto do mundo. Este é o papel dos judeus: trazer a luz do Criador para o mundo, ser uma luz para as nações.

Em “O Amor a Deus e o Amor ao Homem”, Baal HaSulam descreve claramente esse modus operandi: “A nação Israelita já foi estabelecida como uma transição. Na mesma medida, os próprios membros de Israel são purificados ao manter a Torá [a lei (de união), que dissemos na introdução ser uma condição prévia para a realização do Criador], eles transmitem seu poder ao resto das nações. E quando o resto das nações também sentenciam a si mesmas a uma escala de mérito [se unem e alcançam o Criador], o Messias [a força que nos puxa para fora do egoísmo] será revelado”. [xiii]

Rav Yehuda Altar similarmente descreve o papel dos judeus em respeito ao resto das nações: “Pareceria que os filhos de Israel, os recipientes da Torá, são os mutuários e não os fiadores, exceto que os filhos de Israel se tornaram responsáveis pela correção do mundo inteiro através do poder da Torá. É por isso que lhes foi dito, ‘E vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. …E foi a isso que eles responderam, ‘Isso que o Senhor disse, nós faremos’, corrigir o todo da Criação. …Na verdade, tudo depende dos filhos de Israel. Tanto quanto eles se corrigem, todas as criações os seguem. Como os estudantes seguem o Rav [professor] que corrige a si mesmo …da mesma forma o todo da Criação segue os filhos de Israel”. [xiv]

[i] Masechet Derech Eretz Zuta, capítulo 9.

[ii] Masechet Yoma , p 9b.

[iii] Rabbi Kalonymus Kalman Halevi Epstein, Maor va Shemesh (Luz e Sol), Parashat (Porção) Balak

[iv] Jean M. Twenge e W. Keith Campbell, A Epidemia do Narcisismo: Viver na Era do Benefício Pessoal (New York: Free Press, uma divisão da Simon & Schuster, Inc. 2009), 1.

[v] Jean M. Twenge e W. Keith Campbell, A Epidemia do Narcisismo , 1-2.

[vi] Rav Moshe Ben Maimon (Maimônides), Mishneh Torah (Repetição da Torá , a.k.a Yad HaChazakah (A Mão Poderosa)), Parte 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, item 3.

[vii] Rabino Yehuda HaLevi, O Kuzari , “primeiro ensaio”, item 31, 60.

[viii] HaRav Avraham Yitzchak HaCohen Kook, Letras da RAAIAH 3 (Mosad HaRav Kook, Jerusalém, 1950), 194-195.

[ix] Yehuda Leib Arie Altar (ADMOR de Gur), Sefat Emet [Linguagem da Verdade], Parashat Yitro [Porção Jethro], TARLAZ (1876).

[x] Rabino Shmuel Bornstein, Shem MiShmuel [Um Nome A Partir de Samuel], Haazinu [Dar Ouvidos], Tarap (1920).

[xi] ibid.

[xii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Paz no Mundo” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 464-5.

[xiii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “O Amor a Deus e o Amor ao Homem” (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 486.

[xiv] Yehuda Leib Arie Altar (Admor de Gur), Sefat Emet [Linguagem da Verdade], Parashat Yitro [Porção Jethro], TARLAZ (1876).

Como Um Feixe De Juncos – O Espectro E O Espírito

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Como um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Prefácio: O Espectro e O Espírito
Como Eu Vim a Escrever este Livro

Eu nasci em agosto de 1946 na cidade de Vitebsk, Bielorrússia. Era o segundo verão depois do fim da Segunda Guerra Mundial, minha vida era preguiçosa, mancando lentamente de volta à afável monotonia da normalidade. Sendo o primogênito de um pai dentista e uma mãe ginecologista, eu tive uma infância despreocupada, crescendo convenientemente num bairro suburbano, não tendo preocupações materiais que a maioria dos meus amigos de infância tinha.

Todavia, uma sombra me perseguia na minha infância e até durante a minha adolescência: o espectro do Holocausto, esse fantasma que muitos escolhem nunca mencionar, embora esteja sempre lá. Nomes de familiares ou amigos que pereceram eram mencionados num tom sombrio, dando-lhes uma presença estranha, como se ainda estivessem conosco, embora eu soubesse que não estavam.

E mais estranho ainda era o asco dos meus colegas russos em relação aos judeus. Crianças com as quais cresci odiavam judeus simplesmente porque eram judeus. Elas sabiam o que tinha acontecido com seus vizinhos judeus há apenas um ano atrás, mas eram tão sarcásticas e insensíveis como antes da guerra, como me foi contado pelos mais idosos. Isso, eu não conseguia entender. Porque eles eram tão odiados? Que mal imperdoável os judeus fizeram? E de onde elas tinham aprendido essas histórias de horror sobre as coisas que os judeus podiam fazer?

Como seria de se esperar de um filho de pais em profissões da área da saúde, eu também assumi essa área como minha carreira “de escolha”. Eu estudei biocibernética, uma ciência que explora os sistemas do corpo humano, e tornei-me um cientista, um investigador no Instituto de Pesquisa do Sangue de São Petersburgo. Enquanto fantasiava comigo mesmo radiante de orgulho sobre o púlpito em Estocolmo na Suécia, vencedor de um Prémio Nobel, uma paixão profunda que já nutria e emergiu na minha consciência.

“Eu quero compreender o sistema“, eu comecei a pensar, “saber como tudo funciona”. Mas, mais que tudo, eu comecei a ponderar porque tudo era da maneira que era.

Enquanto cientista de coração, eu comecei a pesquisar respostas cientificas que pudessem explicar tudo, não só como calcular a massa de um objeto ou a aceleração de sua queda, mas o que fazia esse objeto existir em primeiro lugar.

E visto que não consegui achar uma resposta na ciência, decidi avançar. Depois de ser um refusenik (judeus soviéticos a quem era negada permissão para emigrar para o estrangeiro) durante dois anos, finalmente obtive a minha licença e parti para Israel em 1974.

Em Israel, continuei a procurar o sentido e a razão por trás de tudo. Dois anos depois de ter chegado a Israel, comecei a estudar Cabalá. Mas não foi até fevereiro de 1979 que encontrei o meu professor, o Rabash, primogénito e sucessor do Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag, conhecido como Baal HaSulam (Dono da Escada) pelo seu comentário Sulam (Escada) sobre O Livro do Zohar.

Finalmente, minhas orações foram respondidas! Cada dia, cada hora, novas revelações despertavam em mim. As peças do quebra cabeça da realidade se encaixavam uma de cada vez e uma imagem coerente do mundo começou a se formar a minha frente, como se o nevoeiro em si estivesse tomando forma diante de meus olhos atônitos.

Minha vida havia sido transformada e eu mergulhei nos estudos e em assistir ao Rabash da maneira que podia. Eu tive a felicidade suficiente de ser capaz de prover a minha família com apenas algumas horas de trabalho todos os dias e dedicava o resto do meu tempo a absorver a sabedoria tanto e quão profundamente podia.

Para mim, eu estava vivendo numa realidade de sonho. Eu tinha uma família maravilhosa, vivia num país onde me sentia realmente livre, tinha uma boa vida com facilidade e tinha encontrado as respostas às minhas perguntas de toda a vida.

Uma dessas perguntas persistentes era aquela sobre o ódio aos judeus. Na Cabalá, eu descobri porque isso acontece, porque é tão persistente e, mais importante, o que deve ser feito para curá-lo. Certamente, o antissemitismo é uma ferida no coração da humanidade, um eco de uma dor não curada que o mundo carrega há praticamente 4000 anos, desde que Abraão, nosso Patriarca, deixou a Babilônia.

A Cabalá me ensinou que Abraão tinha proposto ao seu povo se unir e ser uma vez mais “uma língua e uma fala” (Génesis 11:1), e que o Rei Nimrod, governante da Babilônia nessa altura, tinha proibido Abraão de circular a sua ideia. Gradualmente, vi que o que o mundo precisa agora é dessa mesma união, essa camaradagem e garantia mútua que Abraão havia desenvolvido com seu grupo e descendência, e que o Rei Nimrod o impediu de doar aos seus irmãos e irmãs Babilônios.

Numa aula matinal, meu professor, o Rabash, ensinou-me a “Introdução ao Livro do Zohar“, de Baal HaSulam. No final dele, Baal HaSulam escreveu que a menos que os judeus doassem ao mundo o conhecimento e orientação à união, as nações do mundo os desprezariam, os humilhariam, os expulsariam para fora da terra de Israel e os atormentariam onde quer que estivessem. Eu havia lido esse ensaio insondável anteriormente, mas nessa manhã ele teve um impacto mais profundo em mim. Eu senti outra fase no meu desenvolvimento emergindo internamente.

Mais tarde nesse dia, nós fomos até Kfar Sába, uma pequena cidade perto de Tel Aviv, a um Kolel (seminário judaico) com o nome do meu estimado mentor. No porão, Rabash me mostrou uma caixa de cartões de tamanho médio cheia até a borda de pequenos pedaços de papel. Ele me perguntou se a levaria ao carro e o traria para a sua casa.

Eu coloquei a caixa no porta-malas do carro e no caminho de volta perguntei-lhe o que eram esses papeis na caixa. Sem a menor cerimónia ele murmurou, “Alguns velhos manuscritos de Baal HaSulam”. Eu olhei para ele, mas ele olhou diretamente para a estrada à frente e manteve-se silencioso todo o caminho de volta.

Nessa noite, as luzes estavam acesas na cozinha de Baruch Ashlag toda a noite. Eu fiquei lá e li meticulosamente cada pedaço de papel até que descobri um que não me deixaria procurar mais. Era a peça do quebra cabeça que eu procurava sem sequer o saber. Era o ápice, o primeiro passo na marcha que estava prestes a tomar de agora em diante.

O papel que tinha encontrado, que é agora parte de “Os Escritos da Última Geração” de Baal HaSulam, contava um conto de agonia e sede, amor e amizade, libertação e compromisso. Aqui estão as palavras que descobri: “Há uma alegoria sobre amigos que estavam perdidos no deserto, esfomeados e sedentos. Um deles havia encontrado um acampamento preenchido abundantemente de todas as delícias. Ele se lembrou dos seus pobres irmãos, mas já havia se afastado deles e não sabia onde estavam. …Ele começou a gritar alto e a soprar o chifre, talvez seus pobres e esfomeados amigos escutassem sua voz, se aproximassem e viessem a esse abundante acampamento preenchido de todas as delícias.

“Assim é a questão diante de nós: nós nos perdemos no terrível deserto juntamente com toda a humanidade e agora encontramos um grande e abundante tesouro, chamado os livros de Cabalá. Eles preenchem nossas ansiosas almas e nos preenchem abundantemente com exuberância e acordo.

“Nós estamos saciados e há mais, mas a memória dos nossos amigos deixados desesperadamente no terrível deserto permanece fundo dentro dos nossos corações. A distância é grande e as palavras não conseguem abrir caminho entre nós. Por esta razão, nós montamos essa trombeta para soprar com força para que nossos irmãos possam escutar e se aproximar, e serem tão felizes como nós.

“Saibam, nossos irmãos, nossa carne, que a essência da sabedoria da Cabalá consiste do conhecimento de como o mundo desceu do seu lugar elevado e celestial ao nosso estado ignóbil. …Desta forma, é muito fácil descobrir na sabedoria da Cabalá todas as correções futuras destinadas a vir dos mundos perfeitos que nos precedem. Através dela nós saberemos como corrigir nossas maneiras de agora em diante.

“…Imaginem, por exemplo, que certo livro histórico fosse descoberto hoje, que descreve as últimas gerações milhares de anos à frente, descrevendo o comportamento tanto dos indivíduos como da sociedade. Nossos líderes procurariam cada conselho para organizar a vida aqui correspondentemente, e nós não chegaríamos às manifestações nas praças. A corrupção e o terrível sofrimento cessariam e tudo chegaria pacificamente ao seu lugar.

“Agora, distintos leitores, este livro encontra-se aqui diante de vocês, num armário. Ele afirma explicitamente toda a sabedoria do estadismo e as condutas da vida privada e pública que virão a existir no fim dos dias. Eles são os livros de Cabalá, onde os mundos corrigidos estão dispostos. Abram esses livros e vocês encontrarão todos os bons comportamentos que surgirão no fim dos dias, e encontrarão dentro deles as boas lições pelas quais ordenar também as questões mundanas hoje.

“…Eu não consigo mais me conter. Eu resolvi divulgar as condutas da correção do nosso futuro definitivo que descobri pela observação e pela leitura nestes livros. Eu decidi sair ao povo do mundo com esta trombeta e acredito e estimo que ela será suficiente para reunir todos aqueles que merecem começar a estudar e a mergulhar nos livros. Assim eles se sentenciarão a si mesmos e ao mundo inteiro a uma escala de mérito”. [i]

Cerca de um ano depois de descobrir estes artigos, eu publiquei os meus primeiros três livros com a orientação e apoio do meu professor. Eu tenho publicado livros desde então e também circulei a Cabalá por numerosos outros meios.

A realidade atual é muito dura, e as pessoas geralmente não têm paciência ou desejo de mergulhar em livros, como Baal HaSulam imaginara. Mas a essência da sabedoria, o amor e a união que são as bases da realidade e que a Cabalá instiga nos seus praticantes, permanecem tão verdadeiras como sempre foram.

Além do mais, desde a virado do século, o antissemitismo tem aumentado uma vez mais, desta vez por todo o mundo. O espectro e o ódio aos judeus enraizaram-se mundialmente. Espalhando-se furtiva e venenosamente, ele ameaça infestar nações inteiras com a fobia pelos judeus e repetir os horrores do passado.

Mas agora nós sabemos qual é a cura. Cada vez que os Judeus se unem, a serpente esconde a sua cabeça. O espírito de camaradagem e responsabilidade mútua sempre foi a nossa “arma”, nosso escudo contra a adversidade. Agora nós devemos reunir esse espírito, nos vestirmos com ele e deixar que o seu calor curativo nos rodeie. Assim que tivermos feito isso, devemos compartilhar esse espírito com o resto do mundo, pois esta é a nossa vocação, a essência do nosso ser, “uma luz para as nações.”

Portanto, como todos nós precisamos de respostas para as nossas perguntas mais profundas, porque bem fundo todos os judeus querem saber a cura para o antissemitismo, e porque este é o legado do meu professor e de seu pai e grande professor, eu decidi detalhar o que significa ser um judeu, o que significa ser comprometido e o que significa compartilhar. Mas, acima de tudo, eles me ensinaram o que significa amar o Criador.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “Os Escritos da Última Geração” (Instituto de Pesquisa Ashlag: Israel, 2009), 813-814.

A Nação De Cohanim

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é “a nação de Cohanim (sacerdotes)?”

Resposta: Imagine aqueles que passaram por ascensões espirituais, começando com Abraão, Aarão e Moisés, e depois quebraram e caíram neste mundo. Agora, eles devem se tornar a nação de sacerdotes, ou seja, intercalar entre todas as nações do mundo.

Na verdade, não sabemos onde se encontra parte de nossas dez tribos, visto que elas desapareceram entre as outras nações. Agora, elas estão inconscientemente prontas para retomar o trabalho espiritual.

Assim que começarmos nosso trabalho de estabelecer uma interação correta, equilíbrio, similaridade e integração do desejo de receber com o desejo de doar, incluindo propriedades opostas que obviamente existem no povo de Israel, imediatamente veremos um surto dos Cohanim no mundo (nossas dez tribos) e o início da sua missão espiritual. É como se um enorme ímã agitasse a periferia. Ele vai atrair e elevar a outras nações.

Pergunta: Como se pode determinar que alguém vem da nação de Cohanim?

Resposta: Pode-se fazê-lo em conformidade com as aspirações internas. A nacionalidade de alguém não importa, nem sua origem ou parâmetros. De repente, se tornará evidente que a pessoa vem da tribo perdida. É uma consequência da quebra da estrutura espiritual.

Existem certas partes da alma geral que sabem exatamente de onde vêm. Estas são os judeus. No entanto, há partes que desconhecem porque são dominadas por uma rejeição interna aos judeus. Ainda assim, elas estão conectadas muito firmemente com os judeus, e isto explica sua negatividade. Em qualquer antissemitismo, há sempre um pouco de judeu.

Pergunta: É dito que Aarão constantemente se esforçava para reforçar a paz no mundo e isso por que o Criador ordenou-lhe para ser o sumo sacerdote, para que ele trouxesse paz à congregação superior. O que significa a congregação superior?

Resposta: A congregação superior são as almas dos que já alcançaram o estado de fusão com o Criador e servem como canais entre Ele e aqueles a quem eles supostamente ensinam, unem, estimulam e auxiliam. Eles são grandes mestres espirituais que representam uma unidade de interação entre nós e a força superior do universo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 14/05/14