Textos na Categoria 'Amor'

Entre A Rocha E O Abismo

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”, Itens 3-4: Uma vez que nos foi ordenado: “Amarás o teu amigo como a ti mesmo”. A palavra ‘a ti mesmo’ diz-nos, amar o teu amigo na mesma medida que ama a ti mesmo, nem um pouco menos.

Em outras palavras, você deve satisfazer de forma constante e vigilante as necessidades de cada pessoa da nação de Israel, não menos do que é vigilante para satisfazer suas próprias necessidades. …E agora vá e veja se essa Mitzvah é de forma alguma viável.

Nós somos obrigados a estudar exaustivamente a fim de adquirir dois discernimentos:

  • Nós temos que alcançar o amor ao próximo em sua forma verdadeira, o que significa que tudo o que fazemos, em cada desejo, em todos os sentidos, em cada momento, temos que buscar o método de como fazer o bem aos outros, e eu dou o melhor de mim para conseguir isso, assim como agora eu faço tudo ao meu alcance trabalhando para mim mesmo, tentando fazer o melhor para o meu próprio bem. Este “self-service” é cumprido de forma natural, instintivamente, conscientemente e pelos esforços propositais. Mas agora eu tenho que agir de maneira exatamente oposta: consciente e inconscientemente, na escala de zero a infinito, eu tenho que constantemente doar a todos.
  • Será que eu consigo fazer isso? Há algo mais antagônico e odioso para mim? Como posso viver com isso, com esse mandamento que a Torá nos fala?

Nós nos acostumamos com palavras bonitas, ensinamos nossas crianças a ser gentis, isso é verdade. Se eu quiser ser respeitado, para que as pessoas me apoiem, eu tenho que falar de acordo. Todos concordam que o “amor ao próximo” é correto, mas ninguém pretende cumpri-lo seriamente. Além disso, ninguém verificou se ele é realmente possível.

Portanto, nós temos que tentar realmente cumprir isso. Então, nós vamos ver a verdade, vamos alcançar o ponto mais profundo de esclarecimento: acontece que a nossa natureza é oposta a essa exigência. Os dois tipos de natureza, “a fim de receber” e “a fim de doar”, são colocados um em frente ao outro e nós estamos no meio. Por um lado, não podemos fazer nada, e por outro lado, ao procurar o caminho para chegar a esse reconhecimento, atraímos a Luz que Reforma. Nós realmente queremos doar, mas não conseguimos doar, como se diz na Torá, “e os filhos de Israel suspiraram com o trabalho”. Se nos depararmos internamente com esses dois discernimentos, vamos nos encontrar à beira do êxodo do Egito.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/10/12, ” Matan Torá (A Entrega da Torá)”

Abraçando Enquanto Se Soluça Ferozmente

Dr. Michael LaitmanRabash, Shlavey HaSulam (Degraus da Escada ), Artigo, “O Amor dos Amigos”: Embora a pessoa receba algum pensamento e desejo de que deva abandonar o seu amor-próprio, que chega até ela ao ouvir o que os escritores e os livros dizem, este é um poder muito pequeno, que nem sempre ilumina esta opinião para ela, de modo que ela vai ser capaz de considerá-lo ou usá-lo permanentemente…

Pergunta: O poder dos livros de Cabala é tão pequeno?

Resposta: É claro. Isso não depende dos livros, mas da própria pessoa, ou o que chamamos de “usuário”. Uma pessoa não vai conseguir sozinha, mesmo que tenha a fonte do sagrado Livro do Zohar. Nada vai ajudá-la, porque sozinha, ela não tem nenhum vaso. Seu sucesso não depende dos livros, mas em estabelecer uma atitude para com os outros.

Há duas forças ativas na natureza: o desejo de desfrutar (de receber) e o desejo de doar. O desejo de receber é a criatura e o desejo de doar é o Criador. A criatura está no desejo de receber aqui em nosso mundo. Se ela quer estar no mundo do Criador, ela tem que adquirir o desejo de doar, o que significa mudar para uma segunda natureza.

A fim de fazer isso, dois fatores devem ser ativados:

1. Conexão. Em nosso mundo uma pessoa se conecta com os outros para alcançar a sua segunda natureza.

2. A Luz que Reforma. Ela ilumina apenas em resposta aos esforços da pessoa que quer se conectar com os outros e adquirir a natureza de doação.

Além disso, nós devemos aspirar a doar ao Criador, embora no início não sejamos obrigados a ter tais intenções puras, que virão mais tarde.

Portanto, há o meio necessário em nosso mundo: o grupo, que nos permite construir uma “infra-estrutura” entre nós, os relacionamentos certos, o vaso, embora ainda imperfeito, mas que demonstra o nosso desejo de sermos corrigidos. É claro que descobrimos que não podemos e não queremos nos conectar, que somos repelidos um pelo outro. Nós revelamos a inclinação ao mal e não o sentimento de êxtase da fraternidade e alegria completa: a irmandade.  Pelo contrário, nós temos que nos conectar, clamando ferozmente em relação ao quanto nos odiamos! Abraçamo-nos embora estremeçamos com repulsa.

Isso é muito bom, uma vez que assim você descobre o vaso quebrado. Então, você vai ter motivo para chorar e pedir a ajuda da Luz que Reforma. E ela vem, porque você estuda nos livros dos Cabalistas e quer passar pelos estados que eles passaram.

Assim nós vamos do nível do amor das criaturas ao nível do amor do Criador. Rabi Akiva disse: “Ama o teu amigo como a ti mesmo, é a grande regra da Torá”. Mas este ainda não é o fim do caminho. Quando você alcança o primeiro nível do amor, você se preocupa com o temor: “Será que vou conseguir amar mais? Não vou perder o que já adquiri?”. Você tem que agir “do outro lado”. Afinal, há sempre duas linhas no trabalho espiritual e você está no meio. Então, certifique-se de que seu amor é acompanhado pelo temor. Evoque os atributos do julgamento: é impossível sem eles.

Então, quando você alcançar o temor, você vai adquirir a “linha média”: a totalidade chamada doação ou fé. Este já é o final da obra, a realização do amor.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12Escritos do Rabash

 

Mudanças Internas: Faixa De Alta Freqüência

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós cumprimos a regra, “Ama o teu amigo como a ti mesmo”?

Resposta: É quando eu deixo de sentir a diferença entre eu e o amigo. Esta é a primeira regra, a qual nós temos que acrescentar o temor e a fé.

Uma mãe, por exemplo, tem um amor instintivo para com seu filho. Isso é suficiente? Não. O amor age nela e se expressa no cuidado pela criança e em constantemente se preocupar com ela.

Assim, o amor não é suficiente, deve haver também o temor, a preocupação com a pessoa amada, e a incorporação com ela, preocupando-se com seus desejos e uma verdadeira preocupação com sua satisfação. Portanto, quando eu sinto temor, eu expresso o meu amor e esta expressão é chamada de “fé”.

O amor é a atitude correta em relação aos outros, mas a meta da criação não é apenas isso.

Nós nos incorporamos com os outros, os preenchemos e criamos um vaso. E do amor ao próximo alcançamos o amor pelo Criador.

Pergunta: Como pode o amor ao próximo nos dar força e fornecer a energia que precisamos? Como pode uma pessoa que está submersa no amor-próprio sentir os desejos dos outros?

Resposta: Com a ajuda da Luz que Corrige. É claro que somente com ela.

Pergunta: Será que isso significa que temos que criar constantemente um desejo que almeje essa direção, para que a Luz no reforme?

Resposta: Sim. Nosso trabalho reside apenas em criar a deficiência pelo amor, pelo respeito mútuo, pela incorporação, querer estar dentro do outro e assumir o seu desejo em vez do meu.

Nesses tipos de ações você evoca a Luz sobre si mesmo.

Primeiro você tem que saber como pode se assemelhar à Luz, à sua natureza. Ela é única, infinita e simples; ela doa e quer fazer o bem a todos. Se você conseguir adquirir esta inclinação de alguma forma, na medida em que você fizer isso, você vai se aproximar da Luz e ela agirá em você. A Luz não muda, mas por sua atração a ela, você aumenta o seu impacto: tanto em sua inclinação ao mal quanto sobre a inclinação ao bem.

Nas leis deste mundo, ela é refletida pelo facto de que a influência do campo geral é inversamente proporcional ao quadrado da distância. Então, se você diminuir a distância pela metade, a Luz age em você quatro vezes mais forte.

Pergunta: Nós atraímos a Luz durante o estudo. Então, o que eu tenho que fazer durante o dia? Como devo trabalhar com os amigos para construir o desejo certo para a próxima lição?

Resposta: Durante o dia você também atrai a Luz, porque você ainda está em contato com a coisa mais importante. Além disso, você está conectado ao grupo mundial que nunca cessa seus esforços. Por exemplo, existem amigos da Austrália ou da América do Sul que estudam com a gente que estão recebendo a mesma mensagem. Nós somos um vaso e não se trata apenas do seu estudo individual. Claro, você ataria mais Luz durante a lição, mas no geral, nós trabalhamos 24 horas por dia em todo o mundo.

Pergunta: Como podemos atrair a Luz de forma mais eficiente? O que deve fazer cada amigo, não importa onde ele esteja?

Resposta: Nós devemos querer nos corrigir através do amor pelos amigos, nos unir a eles, e, assim, criar um lugar para a revelação do Criador. Com isso, nós Lhe damos grande contentamento; com isso, todo o nosso prazer é o prazer que Ele quer trazer a Suas criaturas.

Pergunta: Nós podemos verificar nossos esforços e obter uma resposta do sistema geral?

Resposta: Se cada um se esforçar, vai começar a sentir mudanças internas diárias, enquanto que agora experimenta algo novo uma ou duas vezes por mês. Mais tarde, as mudanças vão se tornar uma interminável cadeia: entrada – saída, entrada – saída, em poucos segundos.

Naturalmente, sua atitude também vai mudar e você terá um caminho estável e será capaz de resolver as subidas e descidas ao longo de duas linhas, avaliando-as a partir da linha média.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, Escritos do Rabash

Juntando Os Estilhaços De Percepção

Dr. Michael LaitmanAtualmente, eu estou numa realidade fragmentada que é dividida em duas partes: o meu “eu” e o mundo exterior. Esta separação explica exatamente o que os Cabalistas queriam nos dizer: “Você tem uma chance de conectar estes dois elementos, internos e externos, numa única entidade. Você tem que fazê-lo; este é o programa da criação. Se você participar da reconexão deles, você vai perceber a realidade interna em que estava antes da quebra ter ocorrido”.

Os Cabalistas nos falam sobre o grupo, a disseminação e a importância de curvarmos nossas cabeças diante dos amigos. O grupo não é nada além da “externalidade” para nós, mas ele já está no nível humano (Adão). Aqueles que têm um ponto no coração, o desejo de se tornar semelhante ao Criador, pertencem a este nível. Assim, os Cabalistas nos dizem: “Na sua realidade, existem pessoas que são semelhantes a você e que também se esforçam em se unir. Elas são partes especiais selecionadas de sua alma. De uma forma ou de outra, tudo é parte de sua alma. Então, você deve usar essas partes, uma vez que elas são projetadas para ajudá-lo; elas vêm para conhecê-lo”.

A partir daí, eu começo a entender o que está escrito nos artigos que falam do grupo, da unidade, da necessidade de curvar a cabeça diante do grupo, e das relações entre amigos. Todos os itens acima descrevem a força auxiliar, que se desprende deste mundo, a que está separada de nossas outras partes que estão espalhadas por todo o Universo. Todo o Universo é apenas eu; é minha sensação atual. Mesmo as coisas que não posso sentir neste momento ainda estão comigo. Isso simplesmente significa que não ajuntei toda a gama de sensações dentro de mim, e que a minha percepção da realidade não é profunda o suficiente.

Portanto, no nível mais elevado (falante), há certas partes que realmente estão me ajudando, uma vez que abrangem a mesma aspiração que eu. Como resultado, se acontecer de eu me unir a elas, eu corrigirei todas as outras partes da minha alma.

Por onde eu começo? Eu começo com a parte mais sensível e desenvolvida, que está próxima a mim: a humanidade. Trata-se ainda da alma integrada da pessoa, que nós conduzimos à correção. Se a pessoa observa tudo por esse ângulo, se olha profundamente e percebe o que os Cabalistas escrevem, então ela começa a compreender melhor os seus textos, sua visão de mundo, e a forma como eles percebiam a realidade e todo o processo.

O principal é quebrar o “gelo” e “dissolver” a autopercepção comum e rotineira, bem como a forma como vemos o mundo. Nós devemos ter em mente que tudo o que existe é apenas o nosso “eu”, e que qualquer externalidade, na verdade, ainda está dentro de nós. Tudo é uma imagem que imaginamos num determinado ponto no tempo. No entanto, nós também recebemos a oportunidade de perceber e sentir que outra abordagem para esta questão também é possível. Em seu “Prefácio ao Livro do Zohar” (item 34), o Baal HaSulam escreve: … Mesmo que vejamos tudo como realmente estando diante de nós, cada pessoa racional sabe ao certo que tudo o que vemos é apenas dentro de nossos próprios cérebros. Assim são as almas: apesar delas verem todas as imagens no Doador, elas ainda não têm dúvida de que tudo isso é apenas em seu próprio interior, e de forma alguma no Doador.

Outra questão é qual nível de “senso comum” nós precisamos para isso? É claro que isso não é fácil e não está disponível para todos. No entanto, se conseguíssemos nos familiarizar com a opinião dos psicólogos e ‘físicos quânticos’, descobriríamos que sua compreensão da realidade é muito semelhante. Baal HaSulam respeitava muito a psicologia materialista, uma vez que ela é construída sobre o senso empírico comum: “A pessoa pode ser governada apenas pelo que vê”. Os psicólogos ainda estão parcialmente confusos com suas hipóteses, enquanto os físicos falam sobre essas coisas de forma muito séria: tudo está dentro da pessoa.

Portanto, nós temos que superar a diferença em nossa percepção. Se nos esforçarmos constantemente, não fisicamente, mas internamente, a fim de conectar essas duas partes (interna e externa), vamos extrair a Luz que Reforma e corrigir nossos vasos corrompidos. O vaso está danificado apenas dentro de nossa percepção, em nenhum outro lugar. Ela divide toda a imagem e mostra alguns dos meus vasos como estando fora, e a outra parte como dentro. Tudo isso é apenas em nossa percepção.

A fim de obter uma compreensão correta do que foi exposto, nós lemos os artigos e cartas escritas pelos Cabalistas. Se tentarmos compreendê-los a partir deste ponto de vista, eles não são o que nos parecem na abordagem psicológica comum. Eles revelam muito mais profundidade e clareza, e nós vamos sentir o que os Cabalistas tinham em mente. Porque eles vêem o mundo como uma entidade completa, unida; para eles, o mundo está concentrado no ponto de unidade que a pessoa tem que atingir. Eles não têm dúvida sobre a necessidade de se unir num grupo, nem por que a “gota de unidade” tem que ser o objetivo de todos.

Portanto, junto conosco agora, em partes selecionadas da humanidade, estão aqueles que aspiram a se unir. Se todos pensarmos nisso e desejarmos revelar a unidade, isso vai acontecer. Em princípio, bastam 10 pessoas, e nós somos muito mais.

E, novamente, a nossa unidade tem que ser construída sobre a base da igualdade. É dito: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo“. A Igualdade nos permitirá formar um centro de unidade, o ponto central de Malchut.

Da Convenção de União no Norte 20/09/12, Lição 2

A Prática Do Amor

Dr. Michael LaitmanEstabelecer as corretas relações mútuas no grupo é a coisa mais importante que precisamos implantar, uma vez que a sabedoria da Cabalá é uma sabedoria muito prática. Nós podemos usar outras sabedorias, mesmo sem compreendê-las. Por exemplo, eu me sento no carro e me é mostrado o que está ao meu redor, que botões apertar e sair. Isto é o que realmente acontece em tudo o que fazemos. Basta conhecer algumas coisas a fim de utilizar diferentes desenvolvimentos científicos. Às vezes, tudo que precisamos é de um pouco de conhecimento básico: por exemplo, entrar e se sentar no trem ou no ônibus irá levá-lo para o seu destino, embora você não tenha ideia de como isso é feito. Eu vou de um lugar para outro, como, bebo e participo de diferentes eventos sem conhecer a base técnica das coisas, assim como um bebê recém-nascido que é levado nos braços dos adultos ou empurrado num carrinho.

Na espiritualidade, no entanto, é diferente. Lá, eu só posso usar certas coisas se as conheço e compreendo. Eu não tenho controle sobre as coisas que ainda não alcancei ou descobri. Eu não posso simplesmente me sentar em algum “transporte espiritual” e ir para algum lugar. Não, eu tenho que saber quem eu sou, o que significa este “transporte”, como ele se move, como operá-lo, de onde para onde eu devo subir nele, como se parece o lugar onde comecei e qual é a natureza do meu destino final, etc. Eu tenho que saber o que está acontecendo, para estar no controle da situação e não apenas “pressionar os botões”. Só se eu realmente puder implantar isso de forma total, tendo dominado tudo, eu posso realizar um determinado ato espiritual. Caso contrário, eu simplesmente não existo no mundo espiritual.

Portanto, nós temos que imediatamente nos perguntar: que meio nos permite descobrir, conhecer e compreender a realidade espiritual e aprender a controlá-la? Os Cabalistas  explicam que tudo em nosso mundo está preparado para isso. Está totalmente pronto apenas para esta missão, para que a partir daqui eu aprenda a trabalhar com o mundo espiritual, viva nele, e o controle plenamente.

A partir deste mundo eu aprendo sobre o mundo superior. Aqui, a ferramenta principal é praticar o amor. Nós podemos chamá-la de prática da conexão, concessão, mas no geral trata-se do amor.

Por quê? Porque é disso que se trata. Agora eu amo a mim mesmo, o meu desejo de receber. Eu desfruto ao preencher e satisfazê-lo. É assim que o Criador me fez, Ele conectou a satisfação com o prazer. O “amor ao próximo” significa que eu não absorvo o prazer, mas sim o sinto Nele e com isso desfruto. É assim que uma mãe também desfruta de cada colherada que consegue colocar na boca de seu bebê…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, Escritos do Rabash

A Razão Pela Qual Estamos Aqui Reunidos

Dr. Michael LaitmanO objetivo da sociedade é nos elevar ao nível humano. Isto é possível apenas pela grandeza do Criador, que não vemos em nossa escuridão. Mas é no escuro que nós podemos estabelecer novos valores entre nós que não tenham bases egoístas.

Nós sabemos que esses valores são totalmente injustificados, pois caso contrário eles se originariam do nosso ego. Mas a base espiritual está acima do ego, como a Sefira de Yesod, que está acima da Sefira de Malchut. Portanto, tudo depende da base que nós escolhemos: é apenas pó, que é totalmente inanimado ou pó da terra (Adamah) que já se assemelha (Domeh) ao superior, como um homem (Adão), semelhante ao Criador?

Tudo depende de nossas prioridades e no que consideramos ser importante. Nós começamos jogando com a importância do Criador, do professor, do grupo, do estudo e do objetivo, e isso se torna um jogo mais importante e sério no grupo. É porque em nosso ego, nosso desejo, só vemos escuridão. O ego cresce constantemente, aumentando assim a escuridão. Mas, em cima desta escuridão, nós desenvolvemos a grandeza do nosso objetivo comum, todos no grupo recebem combustível e energia para avançar através da escuridão.

Isso significa que em vez de avançar pela vara que nos empurra por trás, nós escolhemos ser puxados pela frente em direção à grandeza do superior, à grandeza do atributo de doação, da ajuda mútua, da conexão, do amor e de todos os valores supremos que são específicos à natureza do Criador.

É com esta finalidade que o grupo Cabalístico se baseia, e como tal, ele deve manter constantemente seu objetivo, sua base, com mais e mais precisão. Os membros do grupo Cabalístico são heróis em qualidade não em quantidade. Só quem realmente pode avançar neste caminho deve se juntar a ele. Aí reside a nossa força, pois queremos alcançar a maior equivalência possível com a Luz, para crescer em altura e não em largura.

Por isso nos reunimos aqui — para estabelecer uma sociedade onde cada um de nós segue o espírito de doar ao Criador. E para conseguir doar ao Criador, devemos começar a doar ao homem, o que é chamado de “amor ao próximo”. (De “O Propósito da Sociedade”, Rabash)

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/10/2012, Escritos do Rabash

Cada Aula É Um Contato Com Ein Sof (Infinito)

Dr. Michael LaitmanSe durante a aula você mantivesse a intenção certa, você sentiria um grande preenchimento (satisfação) espiritual durante este tempo. É tudo de acordo com o desejo do cliente: o que você quer é o que você recebe. Uma grande Luz é revelada durante a aula e é uma pena se você não usá-la.

Um preenchimento espiritual indica que o seu desejo anterior, cru, está sendo atraído à espiritualidade, como  GE. Em seguida, ele se conecta com os desejos dos outros, com AHP, que retratam o Criador para mim para que eu possa senti-Lo. Isto é o que me preenche; eu sou preenchido com doação. Assim como uma mãe que é feliz quando seu bebê come, limpando suas bochechas redondas com prazer. O fato de que ela o preencheu é sua satisfação.

É a mesma coisa comigo; eu não tenho outro objetivo na vida, exceto preencher (satisfazer) os amigos. Preenchendo-os, eu preencho o Criador. Eu uso os meus vasos para preencher suas necessidades, para oferecer-lhes o que eles querem. Eles querem avançar à meta, sentir a sua grandeza, e eu lhes dou isso. Eu só os evoco positivamente: aumentando a grandeza da meta e do Criador, ao agir como a Luz com relação aos vasos.

Você deve deixar a lição com grande alegria por ter estado em contato com o sistema eterno e infinito, em contato com o Criador. Mesmo que este contato não seja claro e verificável, eu ainda saio com um plano do que vou fazer a partir deste momento em diante. Nós devemos renovar o plano fixo a cada vez, de modo que ele seja relevante para cada dia específico. Eu tenho que decidir o que vou fazer todos os dias até a próxima lição.

Eu mudo o meu plano de acordo com o novo despertar, a nova atitude, tanto a física quanto a interna. Experimente e você vai ver que é uma mudança variada, que acontece de uma forma diferente a cada vez. Cada dia é diferente do outro e não como parece hoje. Nós ficaremos impressionados com cada ponto de nosso avanço, como se cada vez fosse o mundo inteiro.

Eu devo passar todo o despertar pessoal que recebi durante a lição para a sociedade, de modo que ele vai crescer até o tamanho de toda a sociedade. Eu quero passar tudo isso na forma de minha gratidão e amor para com o Criador. Se eu fizer isso, ele vai voltar para mim e aumentar ainda mais o meu desejo, o despertar será maior, a fim de doar aos amigos novamente.

Este trabalho está nos pensamentos e no nosso desejo. Eu não preciso correr atrás de cada amigo tentando acordá-lo fisicamente. Internamente eu devo simplesmente explodir e externamente preciso trabalhar com muita calma para não prejudicar os amigos. Externamente, eu tenho que me vestir no estado do amigo, em seu desejo, a fim de fazer o que é bom para ele e não o que eu quero.

Mesmo internamente, depois você vai se relacionar consigo mesmo e trabalhar com os vasos dos outros, porque você vai tratar a si mesmo apenas como uma máquina que serve os outros. Você não terá nenhum outro interesse em si mesmo.

Como você pode verificar se está trabalhando corretamente? Se você quer despertar a grandeza da meta no grupo – a doação geral e o amor no grupo, em toda a humanidade e o amor do Criador para se deleitar nele e fazer os outros felizes – isso é suficiente para testar. 

Da 3ª parte Lição Diária de Cabalá 05/10/12O Estudo das Dez Sefirot

Uma Premonição Da Doação

Dr. Michael LaitmanNós tentamos realizar atos mútuos de doação e falamos sobre o amor entre nós, embora ele não esteja lá. No entanto, ainda falamos sobre doação, sobre o amor do Criador, sobre a adesão a Ele, sobre a adesão entre nós, sobre conexão e unidade, em suma, sobre o vaso corrigido. Após a quebra do vaso geral, falamos sobre a sua correção. Antes havia uma alma, e falamos sobre a reconexão das almas individuais em uma única.

Estas conversas nos permitem ficar impressionados uns com os outros tanto qualitativa como quantitativamente, e, gradualmente, todos os nossos esforços se unem num todo. No final, nós criaremos um estado do qual seremos capazes de gritar, o que significa elevar uma oração coletiva. Quando as pessoas se reúnem, mesmo que sejam poucas, elas têm muitos vasos e discernimentos e assim elas elevam uma “oração de coletiva”.

Mas esta oração deve ser destinada a uma Fonte, um objetivo, para ser uma. Eles querem receber o atributo de doação mútua, o que eles imaginam como um valor supremo, como parte de seu ambiente. Este atributo, a força que gera e revive tudo, é chamada de Criador, e eles querem que ela seja revelada entre eles de acordo com os esforços que fizeram.

O atributo de doação não está em algum lugar do lado de fora. Portanto, se os amigos tentarem, ele será revelado dentro, entre eles. É como se isto viesse a nós de duas direções: por um lado não há vaso, e por outro lado não há Luz, mas quando os amigos tentam ficar juntos o máximo que podem, num determinado ponto, tanto o vaso quanto a Luz são criados simultaneamente. Eles não podem existir separadamente.

Nós trabalhamos pedindo, através de uma oração comum, e assim nos aproximamos desta revelação, a revelação dentro de nós do atributo de doação e amor, que é o Criador.

Aqui é importante lembrar que, durante a fase de preparação, nós não descobrimos o verdadeiro atributo, mas a necessidade dele. Nós não sabemos de antemão o que é este atributo. É como se quiséssemos adquiri-lo e, em seguida, quando ele é revelado, ele acaba por ser uma verdadeira surpresa e muito longe do que pensávamos que seria. Isto é porque se trata de algo que não faz parte da nossa natureza.

Nós só precisamos do sentimento de necessidade, para que possamos antecipar e ter uma premonição disto. Mesmo que isto não reflita a realidade futura, a pessoa ainda tem que imaginar o próximo estado através deste jogo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/10/12, Escritos do Rabash

Cinco Segundos Da Vida Por Dia

Dr. Michael LaitmanOs amigos devem se certificar de que eu não caia e devem pensar constantemente em mim. Eu tenho que pagá-los por isso, porque eles também precisam deste tipo de apoio. Somente se nos preocuparmos uns com os outros, não vamos cair ou esquecer a meta. Nós vamos nos manter juntos.

Nós não temos nenhuma chance de conseguir qualquer coisa se não apoiarmos uns aos outros. Se não fizermos isso, não vamos sair do ego. Esta é a garantia mútua.

Se eu não consigo pensar nos outros, isso significa que eles não pensam em mim. É tanto a causa quanto o efeito que existem simultaneamente sob a condição de nosso pacto mútuo coletivo. Portanto, o Criador reside nele e, cumpre o nosso pacto. Sem isso, nós vamos, sem dúvida, esquecê-lo e começar a ter cálculos estranhos, supondo que avançamos e anos podem se passar sem nos levar a nada.

A pessoa não pode continuar no caminho certo sozinha. Você sabe quantos momentos podemos contar durante todo um dia inteiro em que realmente avançamos: 3 a 5 segundos, no máximo! Eles são tão poucos, porque cada um de nós não tem o apoio externo.

O vaso do meu desejo é externo a mim e eu tenho que me esforçar em anexá-lo a mim. Se nós não agimos desta forma com relação aos outros, nós não agimos corretamente e, portanto, não atraímos a Luz que Reforma, porque ela atua apenas dentro do nosso trabalho mútuo. Ela vem em resposta ao nosso anseio.

Se não houver tais anseios, a Luz em torno de nós espera passivamente. “Sua honra preenche o mundo”, mas nós temos que ativá-la. Nós temos que manter essa condição principal: a garantia mútua que é feita da nossa interdependência coletiva um no outro e da obrigação de todos. Sem isso ninguém pode ter êxito, mesmo se avaliarmos isso de um ponto de vista egoísta, e ainda mais se disser respeito às intenções elevadas.

Da Palestra sobre Trabalho Interno 30/09/12

Anulando-Se Diante Do Poder Do Amor

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, Volume II, Carta 40: E quando a pessoa começa a sentir o amor de seu amigo, a alegria e o prazer imediatamente começam a despertar nela, pois a regra é que a novidade entretém. O amor de seu amigo por ela é uma coisa nova, porque ela sempre soube que era a única que cuidava de seu próprio bem-estar. Mas no momento em que ela descobre que seu amigo se preocupa com ela, isso evoca dentro dela uma alegria imensurável, e ela não pode mais cuidar de si mesma, pois o homem só pode se esforçar quando sente prazer. E já que ela está começando a sentir prazer em cuidar de seu amigo, ela naturalmente não consegue pensar em si mesma.

Nós vemos isso na natureza: há amor até que o anseio se torna insuportável …

Existem Reshimot (reminiscências) em nós, lembranças do vaso geral da alma. Toda a realidade que nós sentimos e até mesmo as partes que não sentimos estão em nós e fazem parte do vaso, assim como era antes da quebra dos vasos. Assim, no momento que a pessoa sente o amor que alguém sente por ela, não o amor egoísta que conhecemos em nosso mundo, mas um amor que vem da altura da alma geral corrigida, da fonte corrigida, a Reshimo do vaso geral, que é percebida como externa, é imediatamente evocada nela.

Assim, a pessoa imediatamente sente que esta força vem de outro mundo, de um estado superior, e seu amor próprio é anulado. Ela não consegue permanecer no estado de amor próprio e está pronta para dar a sua alma à nova inclinação, à conexão que lhe é externa. Isso ocorre desta forma porque o vaso externo é que é o vaso real, geral e superior, em comparação com o amor próprio individual e egoísta que a domina agora.

A pessoa se anula diante deste poder. Se ela sente que é amada e que a inclinação a amar espiritualmente alguém que lhe é externo é subitamente evocada, então, o amor próprio animal do corpo desaparece. É porque a pessoa sente que o grande vaso geral é muito maior do que o pequeno vaso individual, e por isso ela se anula diante deste amor.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 02/10/12