Como Cuidar Do Corpo

737.01Pergunta: Todos os nossos pensamentos e intenções vêm do corpo. Qual a melhor maneira de cuidar do corpo físico? Sei por experiência própria que, se durmo o suficiente, estou pronto para me dedicar a atividades relacionadas ao trabalho espiritual.

Resposta: É claro que quanto mais saudável o corpo de uma pessoa, melhor preparada ela estará para o trabalho interior. Isso é bem conhecido. Temos a obrigação de dar ao corpo o que ele precisa. Os antigos romanos diziam: “Mente sã em corpo são”. Por “mente”, eles se referiam à alma animal, mas, mesmo assim, o princípio permanece. Portanto, é necessário dormir, comer, lavar o corpo e cuidar dele.

Quando eu morava em Rehovot, havia um jovem que morava perto e criava um cavalo muito caro. O jeito como ele cuidava e o amava era inacreditável! Era a vida dele. Essa imagem ficou vívida na minha memória. É assim que devemos cuidar do corpo. Claro que não devemos dedicar toda a nossa vida a ele, mas precisamos dar a ele o que ele precisa.

É assim que devemos agir. Deixemos o corpo trabalhar para nós, para o ser humano que existe dentro de nós! Para isso, estou pronto para cuidar dele.

Rabash cuidava muito bem do seu corpo. Eu comprava para ele todos os mantimentos necessários — legumes, frutas e chocolate. Ele fazia exames de sangue regularmente e se dedicava bastante a manter a saúde.

Costumávamos ir juntos ao mar. Ele só saía da água depois de nadar 600 braçadas. E se não íamos ao mar, caminhávamos, uma hora e meia de cada vez. Eu tinha que cantarolar algo animado, e caminhávamos nesse ritmo por uma hora e meia. No meio da caminhada, parávamos por dez minutos, durante os quais eu podia fazer uma pergunta, e depois continuávamos. Nessa época, ele já tinha 80 anos.

Também frequentávamos aulas de natação e ginástica com um passe de sócio. Minha esposa se lembra de que costumávamos passar de três a quatro horas por dia praticando esportes e exercícios físicos. Algumas pessoas conseguem ficar sentadas o dia todo, mas Rabash não; seu corpo precisava de atividade física. Comprei uma bicicleta para ele, e todas as noites ele se exercitava nela, dando 400 voltas. Não era nada fácil!

Certa vez, eu estava passando por uma terrível decadência espiritual. Naquela época, um instrutor de ioga vinha nos visitar e nos ensinava, não filosofia, mas exercícios que ajudavam a desenvolver a flexibilidade do corpo. Eu estava em um estado tão ruim que disse: “Não sou capaz de fazer isso”.

“Tudo bem, então não faça isso”, respondeu Rabash. “Continuarei sozinho”.

Ele continuou praticando com o professor de ioga em casa, e em poucos dias eu voltei.

Rabash fazia tudo de acordo com um cronograma. Ele definia horários para comer, horários para beber e assim por diante. Ele nunca bebia enquanto comia, e nunca comia enquanto bebia. Sua relação com o corpo era sempre muito precisa e disciplinada. Havia também coisas que eu achava muito difícil de suportar.

Por exemplo, ele não permitia que o ar condicionado fosse ligado.

“Este é o calor natural; não há nada que se possa fazer a respeito”, ele dizia. E nós o suportávamos.

“Se quiser, ligue um ventilador. É como o vento; isso é aceitável”.

Minha pressão arterial subia terrivelmente. Eu sentia como se fosse explodir. A temperatura ao nosso redor era de 40°C. Rabash tentava se comportar em relação à natureza da maneira mais simples possível.

Da Lição Diária de Cabalá 07/06/26, Rabash, “Quais são os momentos de oração e gratidão no trabalho?”