Sob O Domínio Da Natureza

629.4Comentário: Quando uma pessoa sedenta finalmente recebe água, ela bebe e sente prazer sem perceber qualquer conexão com o Criador. Nesse momento, ela experimenta uma grande Aviut (espessura do desejo) porque seu prazer é imenso.

Minha Resposta: Você está falando de um animal que tem sede e gosta de beber quando recebe água. Isso não é assunto da Cabalá.

A sabedoria da Cabalá fala de intenções, não de receber algo de forma animal, sem intenção. A Cabalá explica como se age acima do Machsom (a barreira espiritual). O que existe abaixo do Machsom é chamado de “natureza”, e não há necessidade de discutir isso. Deixemos isso para os psicólogos. Que nos interessa como o animal existe? Ele existe inteiramente sob o domínio da natureza, e não há benefício algum nisso para ele, nem nenhuma possibilidade de mudança. E se neste momento eu não tenho a capacidade de mudar minha natureza, por que deveria me preocupar com isso?

É melhor não me deter na minha natureza atual neste mundo — como sou constituído, como minhas células funcionam, como meu fígado, cérebro e outros órgãos operam — porque sou incapaz de mudar essas coisas. É uma perda de tempo. É melhor estudar como posso me transformar, me aprimorar e alcançar a verdadeira plenitude. Isso sim é muito mais valioso.

Já existem oito bilhões de pessoas ocupadas com esta vida, que pensam que podem mudar algo nela. Se eu não for como elas, nada de terrível acontecerá.

É isso que as pessoas fazem a vida toda, acreditando que podem mudar algo, até que, finalmente, sejam enterradas. Por que se dedicar a isso? O verdadeiro desafio é parar e determinar o que realmente pode produzir resultados, o que é inútil, o que vale a pena e o que não vale.

Não há benefício algum em analisar incessantemente sua natureza atual, pois você só se consumirá com perguntas como: “Por que sou assim? Por que o mundo é assim?” E depois? Você culpará o Criador e permanecerá exatamente como está, com a diferença de que agora também terá dor de cabeça, úlcera e outros problemas.

Em termos Cabalísticos, o foco não deve estar no que é governado inteiramente pela natureza, mas no único ponto onde existe liberdade: a possibilidade de adquirir uma intenção acima do desejo de receber. É aí que começa o trabalho espiritual.

Da Lição Diária de Cabalá 06/06/26, Rabash, “Por que a Torá é chamada de ‘Linha do Meio’ na Obra? – 1”