Esmola No Sentido Espiritual

628.4Pergunta: O que é a esmola (Tzedakah) no sentido espiritual? É o mesmo que no mundo material?

Resposta: Não sei o que é caridade no mundo material. Vinte vezes por dia alguém bate à minha porta pedindo esmola. Devo dar? É desagradável e constrangedor não dar, já que todos dão.

Existem vários cálculos envolvidos. Uma pessoa pensa: talvez valha a pena, porque terei a satisfação de ter dado. E às vezes isso acontece sem nenhum cálculo, simplesmente porque recebi uma educação que me obriga a agir dessa forma, e então eu dou. Isso também é uma espécie de cálculo: se eu não agir como fui educado para agir, me sentirei mal. Em outras palavras, é um hábito. É isso que significa dar esmola no mundo material.

Na espiritualidade, caridade é quando você é capaz de dar algo que lhe pertence sem receber nada em troca. Ou seja, se você fizer todos os cálculos possíveis e ficar claro que não receberá absolutamente nada em troca, ainda assim terá forças para dar? De onde viria essa força? Sabemos que qualquer ação realizada pelo desejo de receber requer “combustível”. E esse “combustível” torna possível a realização da ação. Essa é a natureza do nosso desejo de receber.

Imagine uma máquina que não se move a menos que você insira uma ficha. Aqui estamos falando de um cenário em que eu não dou absolutamente nada a ela, e mesmo assim ela consegue se mover. Isso é algo completamente imaginário, impossível de se concretizar.

No entanto, nos dizem que isso é possível. E o fato de não se poder receber nada em troca significa que o desejo que realiza essa ação realmente não recebe nada; caso contrário, não seria caridade, mas compra e venda.

Dou cinco shekels a um mendigo em caridade para que eu tenha saúde, para que eu alcance o mundo vindouro, para que as coisas corram bem para mim e para que eu sinta satisfação por ter feito uma doação hoje. As pessoas entram num ônibus e colocam um shekel numa caixa de caridade para que o ônibus não exploda.

Isso se chama caridade? É simplesmente um pagamento a uma força superior para que ela me proteja, como se eu dissesse ao Criador: “Veja, eu fiz uma doação e agora, enquanto estou neste ônibus, certifique-se de que nada me aconteça”. Isso é um contrato, não uma doação.

É claro que os vasos que recebem nada recebem; apenas os vasos que doam recebem. Em outras palavras, devo adquirir uma correção especial chamada “desejo de doar”, por meio da qual recebo uma retribuição, uma compensação, por ter praticado a caridade. E isso deve servir como “combustível”, porque sem isso eu não seria capaz de praticar a caridade.

Ou seja, na realidade, não existe ação que eu possa realizar sem receber alguma forma de retorno ou recompensa. Apenas a compensação que entra no desejo de receber é chamada de animalística, material, por amor à recepção, e não espiritual.

Mas se eu for capaz de dar e receber compensação com o desejo de doar, então considera-se que estou realizando um ato com o propósito de doar, praticando a caridade, ou seja, sem receber nada em troca.

Contudo, recebo força, uma forma de força, uma retribuição, dentro do desejo de doar. Mas o “combustível” que recebo ali serve ao mesmo propósito pelo qual fiz a caridade. Esse “combustível” me proporcionou a força para fazer caridade.

Da Lição Diária de Cabalá 09/06/26, Rabash, “O Homem é Recompensado com Retidão e Paz através da Torá”