Trabalhe Com “Seriedade”

216.04Matéria e antimatéria existem; coisas que são completamente opostas uma à outra. Mas quem pode descobrir e avaliar essa oposição? Deve haver algum ponto de referência, algo intermediário, algo oposto.

Quando uma pessoa recebe um ponto no coração, isto é, uma qualidade do Criador, observa todas as suas outras qualidades a partir desse ponto, sua forma geral, e percebe em que medida elas se opõem ao Criador, então surge nela um sentimento que chamamos de “seriedade”. Mas essa ainda não é a seriedade necessária, porque a pessoa vê apenas a sua própria oposição. E daí? Isso ainda não basta.

Bem, tudo bem, eu sou o oposto do Criador. Então alguém poderia dizer: “Vá até o Mestre que me criou!” Disso vemos que é possível existir até mesmo nesse estado sem fazer nada, simplesmente tratando o assunto com leviandade e continuando a existir com o mesmo espírito.

A verdadeira seriedade surge em uma pessoa depois que ela enxerga através do ponto no coração e, na medida em que lhe é permitido ver (mesmo que apenas em pequena medida por enquanto), que tudo o que a compõe agora é oposto ao Criador. Isso ainda não é nem mesmo “Ibur”, o estado de um embrião.

Após perceber a própria contradição, a pessoa deve alcançar a humildade; um estado em que se rebaixa. O que isso significa? Humildade não consiste em submeter minhas qualidades às qualidades do Criador, mas em aceitar o conselho de seguir “pela fé acima da razão”, com todas as minhas qualidades.

A aceitação do trabalho “acima da razão” é chamada de trabalho com seriedade. Ou seja, não basta apenas reconhecer as próprias qualidades; é preciso também relacionar-se corretamente com elas. Disso decorre naturalmente que o próximo estado será apenas um: a oração.

Da Lição Diária de Cabalá 04/05/26, Rabash, “O que é o peso da cabeça no trabalho?”