Pergunta: Dizem que um Cabalista não trabalha segundo a medida do “doce-amargo”, mas sim segundo o critério do “verdadeiro-falso”. Como ocorre essa transição?
Resposta: A obtenção de uma nova qualidade deve ocorrer de acordo com a medida do desejo de cada um; ou seja, devo aumentar o desejo pela força superior, bem como mudar seu uso e direção, de mim mesmo para o superior.
Talvez eu consiga aumentar esse desejo até certo ponto por meio de uma espécie de “propaganda interna”, me incentivando e me convencendo constantemente. Mas como mudar sua direção? Tal mudança, em comparação ao meu estado inicial, é completamente oposta e contrária à minha natureza.
Todos os desejos que possuo atualmente visam meu próprio benefício. No entanto, devo orientar o novo desejo que estou adquirindo e cultivando na direção oposta à minha. Isso é algo completamente incompreensível para mim, já que todos os meus desejos são direcionados a mim mesmo.
Portanto, dada a minha constituição atual e considerando a imensa força desse desejo, não está em meu poder mudá-lo, de modo que ele se afaste de mim. A força que pode mudar a direção do desejo também vem até mim do alto. Vamos chamá-la de luz de “AB-SAG”; o nome em si não é tão importante agora, o importante é que se trata de uma luz que me corrige.
Essa mudança em mim se revela da seguinte forma: passo de uma avaliação baseada no “doce-amargo” para um novo método de cálculo.
Tudo que é direcionado a mim me parece “doce” porque é assim que todos os meus sentidos funcionam, percebendo a força superior dentro da estrutura deste mundo. Tudo que é direcionado para longe de mim me parece “amargo”. Posso substituir a sensação de doçura pela de amargura, e a de amargura pela de doçura? Não, não posso.
Como posso realizar tal transformação? Faço isso com a ajuda de um sistema adicional que desenvolvo em paralelo ao sistema sensorial, composto pelo Rosh, a “cabeça” do Partzuf, com uma tela. Esse sistema me ajuda a transformar o amargo em doce e o doce em amargo por meio de uma análise completamente diferente, conhecida como o princípio do “verdadeiro-falso”.
Se eu me ater à análise “verdadeiro-falso”, posso me convencer, até certo ponto, de que o que considero doce é, na verdade, amargo, e o que considero amargo é, na verdade, doce. Se eu adicionar a verdade ao amargo e a falsidade ao doce, e aumentar a importância da verdade sobre a amargura, a amargura deixará de me parecer tão amarga, porque a verdade a dominará.
E se eu misturar falsidade com doçura, a doçura deixa de ser percebida como doce para mim, porque a falsidade desloca e diminui a doçura, criando assim uma sensação negativa.
É assim que redefino o bem e o mal para mim mesmo, mudando meus critérios de doce e amargo para verdadeiro e falso. Através disso, chego a outra análise: a capacidade de ir “além da razão”, transcendendo o sentimento doce-amargo, distinguindo e decidindo com base no princípio do “verdadeiro-falso”.
Se eu seguir essa abordagem, então posso fazer isso… Ou melhor, sou potencialmente capaz, pois ainda existem muitas outras condições, sendo a mais importante a necessidade de uma força superior para concretizar tudo isso. Isso não significa que eu possa fazer tudo sozinho, como pode parecer.
Se eu trabalhar dentro dessa estrutura, realmente posso transitar para um estado oposto ao que eu estava. E isso significa que ascendi ao próximo nível espiritual, como está escrito: “Vi o mundo oposto”, uma realidade oposta ao meu estado anterior.
A direção do desejo muda. Agora que tudo está em ordem e o desejo está direcionado à força superior, na medida da magnitude do próprio desejo, a própria magnitude desse vetor, começo a perceber da maneira como a força superior percebe. Consequentemente, posso avaliar e determinar que esse nível é chamado de “Ruach”, “Neshama”, “Haya” e assim por diante.
Da Lição Diária de Cabalá 27/04/26, Rabash, “A paz após uma disputa é mais importante do que não ter disputas”
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