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As Sutilezas Da Ascensão Espiritual

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, Acharei Mot, 18:20: Nem te deitarás com a mulher do teu próximo para cópula, para te contaminares com ela.

“A mulher do teu próximo” é um Kli (vaso), o desejo com o qual eu não sou capaz de executar uma ação de doação. Isto está além da minha capacidade.

Há situações em que uma pessoa é incapaz de pensar na intenção correta. Digamos que eu estou morrendo de fome quando um prato saboroso é colocado na minha frente. Será que nesse momento eu sou realmente capaz de pensar no fato de que estou me fortalecendo a fim de doar todas as minhas forças em benefício do próximo?

No mundo corpóreo, é claro, eu posso fingir que estou supostamente ocupado pensando na doação. Mas, no mundo espiritual, “supostamente” não existe. Tudo é diferente: há um grau no qual a pessoa pode se controlar, e um grau abaixo do qual é impossível se conter. E assim é em tudo.

Isso se aplica a todos os prazeres: comida, sexo, família, dinheiro, poder, honra, conhecimento. Uma pessoa sempre tem certo limiar abaixo do qual consegue se conter. Se você colocar 100 dólares na minha frente e eu sei que toda a minha vida depende dele, eu não vou ser capaz de me ajudar, eu vou pegá-lo. Essa é a nossa natureza, a qual nos coloca à mercê de algumas circunstâncias.

E eu preciso conhecer a minha natureza, porque no sistema de ascensão de baixo para cima, eu me estudo, elevando meu nível moral não através da lavagem cerebral aceita em nosso mundo ou bombeando a mim mesmo com todos os tipos de ideias, mas com a ajuda da conexão com o sistema superior.

Se eu subir para o primeiro grau, não importa quem eu seja, não vou ser capaz de realizar aqui o que serei capaz de realizar no segundo grau. Tudo acontece de forma tão precisa que cada grau pode ser numerado de acordo com o que pode ser feito nele e o que não pode.

Portanto, está escrito aqui sobre as condições com as quais eu tenho que trabalhar se alcanço o nível descrito neste capítulo específico da Torá. Os capítulos anteriores ainda não mencionam isso, e os seguintes não discutirão mais. Portanto, neste determinado nível, eu preciso corrigir essas propriedades internas em mim que me permitem me proteger contra erros neste grau.

Pergunta: O que significa “Nem te deitarás com a mulher do teu próximo para cópula”?

Resposta: Isso significa que no grau inferior, se eu me deparasse com tal propriedade como “a mulher do meu próximo”, eu certamente a teria usado.

Mas neste grau, sempre que me deparo com isso, eu devo fazer uma correção, de modo que não vou entrar em contatos que possam me levar numa direção completamente diferente, porque não seria capaz de ascender.

E assim é em todos os graus! Este é o trabalho de todo o sistema. Ao se corrigir internamente, a pessoa sobe cada vez mais. Em nosso mundo não existem análogos a tais correções. Estas formas não são nem morais, nem éticas, nem estéticas. Essa se torna nossa natureza interior.

Subir ao próximo grau significa atrair a Luz Superior para mim mesmo, que irá me corrigir a tal ponto que vou ser capaz de subir ao nível do próximo grau. Então, eu certamente vou ser capaz de usar o grau anterior corretamente.

No entanto, no nível do mundo material que nos cerca, não há nenhuma manifestação que eu não possa perturbar; eu não posso fazer nada corretamente. Em outras palavras, só a subida ao próximo grau me dá a certeza de que a partir deste ponto, o grau anterior é absolutamente certo para mim e que eu vou agir corretamente.

Eu uso o grau inferior para subir ao grau superior, e ele se torna o meu local de trabalho. Eu evoco a Luz Superior em mim mesmo, que gradualmente me influencia, levando-me através de vários estados caóticos, suas análises e sínteses, até que ela finalmente se acumula em tal quantidade e qualidade que me eleva ao próximo nível.

Com isso, eu estabeleço plenamente o grau anterior como corrigido e posso ter certeza de que nunca vou cair nele. Portanto, cada parte da Torá se refere a alguns graus específicos, inclusive com as mesmas palavras como em vários capítulos anteriores. No entanto, embora possam ser semelhantes, não há repetições, porque cada vez se escreve sobre o próximo nível.

É por isso que nós precisamos saber de qual capítulo da Torá este trecho vem, de qual seção, ou, em outras palavras, em que grau está ocorrendo. A Torá inclui a sequência completa de nossa ascensão à correção completa da alma.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 19/03/14

Como Nós Transformamos O Caminho Do Sofrimento No Caminho Da Luz?

laitman_938_02De Shamati # 1: “Não Há Outro Além Dele”: Ou seja, a ela são enviados pensamentos e pontos de vista que são contrários a obra. Isso é para que ela veja que não é um com o Senhor.

A pessoa não está preparada para superar os pensamentos e desejos que são despertados dentro de sua mente e coração. Ela não está preparada para superá-los sozinha, sem o apoio do ambiente. Ela precisa de outras pessoas como ela, que irão lhe mostrar um bom exemplo relacionado a sua condição.

Um bom ambiente é os amigos que estão mais ou menos passando pela mesma situação, cada um de acordo com seus Reshimot (genes informativos) pessoais. Mas para todos eles há a mesma intenção, a mesma meta. Todo mundo entende o que deve ser feito. E mesmo que não entendam, o principal é que eles tentam apresentar um bom exemplo para o outro.

Quando nós passarmos pela próxima etapa do trabalho espiritual e ganharmos força, o ambiente vai nos tratar de forma diferente, vai demonstrar desprezo pela meta. Foi exatamente o que ocorreu com o famoso grupo de Cabalistas de Kotzk.

Se eu tenho uma tela, a Luz e os vasos, o ambiente pode me ajudar sem esperar o próximo obstáculo no caminho. O ambiente vai criar um obstáculo na minha frente que eu preciso superar. Isso é chamado de: “Eu vou apressá-lo”, em vez do caminho do desenvolvimento natural.

Por que eu deveria esperar até receber um peso no coração de Cima se a sociedade pode causar isso? Os amigos vão me mostrar que eles parecem desprezar o caminho espiritual. Eu vou justificá-los, mesmo que isso não seja verdade; eu não vejo a verdade, porque eu estou danificado.

Desta forma, nós transformamos o caminho de sofrimento no caminho da Luz, cada vez colocando um novo obstáculo diante dos amigos e, portanto, acelerando-os, forçando-os a exigir vasos de doação e a avançar. Mas isso só é apropriado para grandes Cabalistas. Nesse meio tempo, nós precisamos mostrar aos amigos inspiração pela grandeza da meta, até que eles passem pela Machsom (barreira) e transformem o caminho do sofrimento no caminho da Luz. Hoje, nós temos que ser a força que puxa toda a sociedade para frente.

A primeira etapa na preparação para o verdadeiro trabalho espiritual é alcançar a sensação de que você está numa Hevrah Kadisha, uma sociedade sagrada. Eu preciso ver que todo mundo é muito maior do que eu, e que eu não sou nada digno de estar entre essas pessoas. Mas eu não estou pronto para justificá-las e apreciar a sua altura.

Cabe a mim tentar identificar que o Criador está nelas, pelo menos imaginar isso artificialmente, e procurar como é possível construir o meu relacionamento com o grupo. Mas o verdadeiro estado de Lo Lishma (não em Seu nome) começa a partir da fase em que eu vejo todos como os maiores da geração. E neste estado eu tenho a oportunidade de avançar com a sua ajuda. Isso significa que eu me coloquei no correto estado de Lo Lishma.

Agora, a sociedade pode me fornecer o combustível com o qual eu vou ver todos como grandes e desejar estar com eles. Eu quero me aderir a eles e aprender com eles, eu quero ser o menor de todos eles; o principal é estar juntos. Esta já é a atitude certa, com o qual eu abordo Lishma desde Lo Lishma. Eu já estou incluído corretamente dentro da alma coletiva e sou grato pelo Criador estar entre os amigos.

A única coisa que me falta é aderir a eles. Isso significa que eu anseio pelo amor dos amigos e, depois disso, do amor dos amigos ao amor pelo Criador.

Mas, até então, eu não posso despertar uma deficiência pelo amor do Criador dentro de mim, se a intenção for pela espiritualidade e não uma deficiência física egoísta como é com todos. Há sinais muito claros disso; se nós julgarmos de acordo com a nossa atitude para com a sociedade, a partir desta atitude é possível examinar o nosso estado.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/14, Shamati # 1

Não Se Deixem Esfriar

Dr. Michael LaitmanNós alcançamos uma conexão absoluta entre nós, e agora estamos começando a sentir que isso está sendo realizado através de nossas ações compartilhadas.

A primeira verdadeira conexão entre nós vai nos dar a sensação do mundo superior. Esta conexão será chamada de dez Sefirot do Kli, e o sentimento compartilhado mútuo que nos preenche será chamado de Luz.

O primeiro Partzuf será criado dentro de nós, formado pelas Sefirot Keter, Hochma, Bina, Zeir Anpin e Malchut com as Luzes de NRNHY, no qual começamos a sentir o eterno, completo e verdadeiro estado superior. Assim, nós entenderemos que o atual estado em que existimos agora é como um sonho que nos é dado para que possamos ser empurrados, e ao sermos empurrados para longe dele, seremos despertados e começaremos a trabalhar de uma maneira prática.

Para alcançar isso, nós precisamos realizar uma infinidade de atividades. Mas, para a finalidade do surgimento de um desejo de conexão entre nós, o nosso único Grupo de dez ou mesmo um grupo composto por diversos Grupos de Dez, e não basta.

Se quisermos que as nossas necessidades espirituais se desenvolvam constantemente, de modo que nós sejamos obrigados a ansiar um pelo outro e pelo Criador, nós devemos alimentar nossos desejos o tempo todo.

Eles não aparecem dentro de nós por si mesmos; para que eles apareçam, nós devemos sair para os estratos mais amplos do Kli quebrado, ou seja, a toda a humanidade, para tentar encontrar desejos adicionais entre eles. Nós temos que atraí-los até nós, e desta maneira nós cultivamos dentro de nós um desejo de aproximação e elevação.

É proibido que nos esqueçamos disso, caso contrário, vamos definhar. As pessoas que não se encontram em disseminação fora de seu grupo impedem um incentivo e se dirigem para elevação de si mesmas. Elas vão começar a se sentar em seus lugares até perderem a unidade comum geral, e o grupo vai ser dissolvido.

Assim, no movimento de “eu” para “nós”, nós devemos nos lembrar de uma maior disseminação. Esta poderia ser a sabedoria da Cabalá ou a sabedoria da conexão (Educação e Conhecimento Integral). O importante não é como nós a chamamos; o principal é que esta é uma sabedoria sobre a correta conexão e unidade, a restauração do mesmo Kli coletivo, o único desejo que foi quebrado e destruído desde o início, mesmo antes da criação do nosso mundo.

Nós sabemos que os autores do Livro do Zohar, quando eles se reuniam para escrevê-lo num estado de unidade, sempre descobriam tanto ódio dentro de si que estavam prontos para queimar um ao outro. E estes eram grandes pessoas na realização da cabeça do mundo de Atzilut. Desta mesma forma, a quebra do Kli da alma coletiva foi descoberta neles.

Mas eles não tinham outra forma de disseminar além da descrição de suas realizações para nos ajudar com a nossa correção, e nisso estava a sua correção. Desta forma, eles partiram de seu ego e terminaram o trabalho com absoluto amor. Eles conseguiram descrever grandes níveis de elevação no Livro do Zohar.

Se nos voltarmos para outras fontes Cabalísticas, todas falam sobre uma única coisa: questões sobre a conexão e as leis e regras gerais de unidade entre as pessoas em nosso mundo, e depois disso, a unidade entre as almas até a descoberta do único estado corrigido.

Da Convenção em São Petersburgo 20/09/14, Lição 4

Suba Ao Princípio De Tudo

Laitman_712_03Pergunta: É possível dizer que as quatro espécies de plantas (Arba Minim) que caracterizam o feriado Sucot simbolizam as características do Criador?

Resposta: O Criador não tem características. Sou eu com o meu desejo que O identifico com sete características. Como eu sou um “ponto de desejo”, eu sinto o Criador com sentimento e intelecto, com desejos e pensamentos. Por meio de pensamentos eu examino os desejos; é assim como a mente e os sentimentos trabalham em parceria para que com eles eu busque o Criador.

Que medidas eu posso usar?

Com os meus sentidos normais, sem pensar, eu distingo os “contornos”: este é azul, aquele é vermelho, aquela é uma nota alta, aquele é um gosto amargo, e aquele é um odor queimado. Mesmo na espiritualidade tudo é medido em relação a mim mesmo. Eu posso dizer que percebo as características do Criador, porque eu as atribuo a Ele, mas, basicamente, esta é apenas a minha percepção.

Pergunta: Quando uma pessoa busca o Criador, o que exatamente ela está procurando? O que é este “Criador”?

Resposta: Isso é o que sustenta a minha vida, a minha existência, o que determina tudo o que acontece e vai acontecer comigo. Tudo isso é atribuído a alguma causa primeira que me antecede, que é anterior à minha vivência prévia e minha existência presente.

Eu estou num mundo sem saber que mundo é esse. O Criador molda um sentimento como esse em mim. Parece-me que há um mundo, mas eu não tenho certeza disso. Eu só sei que sinto isso dentro de mim. Se eu tivesse outras características, como parece, eu o sentiria de forma diferente.

Mas, na verdade, o que e como eu sinto não importa para mim. Em vez disso, o que importa é que há uma causa primeira anterior que me molda, que fornece esse sentimento para mim. Ela está preocupada comigo e, de fato, a cada momento, ela fornece dentro de mim tudo através do qual eu sinto e o que é que eu me sinto. Este primeiro princípio é o “Criador”, pois, do Seu lado, Ele me criou, ao passo que, do meu lado, Ele é o “Criador” (Bore), porque Ele é concebido por mim de acordo com o princípio “venha e veja” (Bo-Re). Ele me criou e me localizou num ponto no tempo dentro de uma realidade particular. A partir disso eu posso explorar, examinar, sentir e compreendê-Lo. Ele aparentemente controla e brinca comigo, dando-me a possibilidade de conhecê-Lo.

Pergunta: Isto é como um jogo de “esconde-esconde”?

Resposta: Não completamente. Sim, ele está escondido, mas para que eu possa compreendê-Lo. Por minhas buscas pelo Criador, eu examino o que é Ele e o que não é. Entre essas possibilidades eu descubro formas intermediárias, “limitadas”, e é assim que começo a discernir, a entendê-Lo, a moldar na minha mente e coração um modelo chamado “Criador”.

Aqui é importante lembrar que eu não percebo o próprio Criador, isso é impossível. Dentro de mim, dentro dos meus desejos e pensamentos, eu construo algum tipo de imagem, algum tipo de equivalência, que é encontrada dentro de mim, mas corresponde a Ele. Isto é o que se chama: “Venha e veja”.

Em última análise, eu estou trabalhando no meu desejo de receber. E ao moldar a imagem do Criador, eu posso fornecer as condições através das quais, com o meu desejo, eu anseio em me equivaler a Ele e não ansiar por prazeres.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

Quanto Mais Impenetrável A Escuridão, Mais Brilhante A Luz

laitman_236_01As cabanas durante o feriado de Sucot simbolizam nosso abraço com o Criador. Nós chegamos à conexão com Ele através da ajuda de uma iluminação circundante especial chamada Sucá (cabana).

Nós trabalhamos diante do Criador, adaptando-nos a Ele, e essa relação é descrita como as ações de uma pessoa com quatro espécies de plantas (arba’a minim) na cabana, ou seja, na Luz Circundante (Ohr Makif).

A fim de alcançar a conformidade com o Criador, eu carrego etrog (fruto cítrica) numa das mãos e, na outra, lulav, hadassim e aravot (um ramo de palmeira, três ramos de murta e dois ramos do salgueiro). As três últimas espécies representam as minhas propriedades que eu preciso coordenar com o Criador.

  • Três ramos da murta (Sefirot Hesed, Gevurah e Tiferet)
  • Dois ramos do salgueiro (Sefirot Netzach e Hod)
  • Um ramo de palmeira (Sefira Yesod)
  • Etrog (Malchut)

Juntando-as ao longo dos sete dias da festa de Sucot, eu me apego a essa unidade em pensamentos e desejos, conectando-me desta forma ao Criador no fluxo da Luz. Afinal de contas, as Luzes também vêm gradualmente e são chamadas pelos mesmos nomes: Hesed, Guevurah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod, e Malchut.

Como resultado, se eu uso tudo o que me é dado de maneira correta, então eu me corrijo e chego a um abraço completo com o Criador, que é chamado de “Alegria da Torá” (Simchat Torá), já que usei toda a Luz Circundante que estava agindo em mim, me ajudando a alcançar a adesão. A Luz que me corrigiu e me levou à adesão com o Criador é chamada agora de Torá.

Como está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal, eu criei para ela a Torá como tempero, pois a Luz nela reforma”. A inclinação ao mal é essa própria camada de ocultação. Eu uso todas as Luzes que vêm a mim, e graças a isso elas que convertem essa exata ocultação em revelação, e onde a ocultação era maior, mais profunda e escura, mais Luz é revelada.

É assim que eu venho para o feriado de Simchat Torah, a explosão de alegria que vem imediatamente após Sucot.

De Kab Tv “Uma Nova Vida” 05/10/14

Os Dias De Ascensão Espiritual

laitman_742_03Pergunta: Qual é o significado interior do feriado de Sucot?

Resposta: Sucot é uma festa muito importante porque celebra a ascensão espiritual. No final do ano, nós refletimos sobre os resultados da nossa autoanálise crítica.

Se nós trabalhamos bem ao longo do ano, em busca de como nos corrigir, de modo a voltarmos ao Criador, então nós descobrimos nossa culpa numa infinidade de transgressões.

E este é precisamente o resultado do nosso bom trabalho, a análise de nós mesmos, e nossa atitude para com os amigos, que mostraram quão cheios ainda estamos da inclinação ao mal, do ódio para com os outros, rejeição e cálculos egoístas.

Após julgar a nós mesmos, nós entregamos uma sentença chamada o início do novo ano: Rosh Hashana (cabeça do ano). Nós queremos que o Criador, a força de amor e doação, seja o nosso chefe, nosso rei.

Rosh Hashana é a coroação do Rei como o maior de todos, incorporando doação, amor, carinho e satisfação. Nós valorizamos muito essas qualidades, razão pela qual enaltecemos esta força da natureza e desejamos nos tornar como ela, até a total adesão a ela. Esta é a decisão a ser feita em Rosh Hashana, continuar a seguir com ela.

Assim, existem dois julgamentos em Rosh Hashana: um severo e um suave, que precedem os dez dias de arrependimento. Durante este tempo, nós devemos verificar o nosso trabalho na nossa unificação e esclarecer como alcançar a unidade. Afinal, quanto mais nós nos corrigimos, nos unindo como um homem com um coração, mais nos assemelhamos ao Criador único e singular.

Com esta decisão nós atraímos a Luz Circundante, uma luminescência especial, e vemos quais desejos em nós não estão sujeitos à correção, uma vez que não podem ser corrigidos em prol da doação e utilizados para unir com os amigos. Os outros desejos, no entanto, podem ser corrigidos e usados para trazer bondade, amor, conexão e unidade aos amigos.

Os dez dias de arrependimento separam em todos os meus desejos a parte que ainda não é corrigível daquela que pode ser corrigida. Esta separação é chamada de “Sua mão esquerda sobre a minha cabeça” – um abraço à esquerda que deixa de fora os desejos que não podem ser abraçados.

Então começa o feriado de Sucot, quando “Sua mão direita me abraça”. Durante Sucot, uma luminescência especial brilha sobre aqueles que desejam se unir com todas as criaturas e se aproximar do Criador, das qualidades superiores de amor doação e universal.

O feriado de Sucot dura sete dias, de acordo com as Luzes que temos que obter: Hessed, Guevura, Netzah, Hod, Yessod e Malchut, ou os convidados que se revezam visitando as festas diárias do feriado: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Arão, José e David.

Está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal, e a Torá cuja Luz volta à fonte”. O Criador criou qualidades más, ao invés de boas: a inclinação ao mal, o nosso ego, que nos impede de unir, tratar bem uns aos outros, e doar aos outros.

O amor ao próximo é a grande regra da Torá, mas não queremos observá-la. O mal em nós é tudo o que se opõe à nossa união com os outros. Este é o significado do trecho, “Eu criei a inclinação ao mal, e a Torá como tempero”. A Torá não é o livro físico que repousa na prateleira, mas um método especial de utilizar a força da natureza chamada “Luz”. Se eu fizer uso desta Luz, colocando-me sob a sua influência, eu converto todo o mal, intencionalmente criado pelo Criador, em bem.

De um egoísta que rejeita e detesta os outros sem qualquer razão, eu me passo a amar alguém, até que me unifico com todos como um homem com um coração.

Até Sucot nós nos ocupamos em julgar a nós mesmos, esclarecendo o que pode e o que não pode ser corrigido. E ocorre que estamos cheios de maldade, como uma romã que está cheia de sementes, mas está totalmente podre.

Em Rosh Hashana nós decidimos que queremos nos tornar doadores e elevar o Criador, a força do amor, para reinar sobre nós. Ao longo dos 10 dias subsequentes de arrependimento, vamos verificar as dez Sefirot da nossa alma, as dez partes do nosso desejo, esclarecendo o que pode e o que não pode ser corrigido. Pois nós contemos os desejos impuros (Klipot) que não estão sujeitos à correção, os quais, portanto, nós simplesmente restringimos, separamos ou congelamos.

E os desejos corrigíveis se tornam corrigidos nos dias de Sucot. Esta é a primeira correção do desejo, e ela é feita em virtude da Luz circundante que brilha sobre nós. O símbolo da Luz circundante é a Sucá, uma tenda ou copa especial.

Nós fazemos uma sombra, porque não queremos receber a Luz para nós mesmos, para nosso próprio benefício; em vez disso, nós desejamos mudança, conexão com o Criador, a Luz, pela simples razão de dá-la aos outros. Isso é o que representa uma pessoa justa: quem toma apenas o que é necessário para o seu sustento, e dá o resto. Essa é a recepção corrigida simbolizada pela Sucá.

De KabTV “Uma Nova Vida” # 439, 30/09/14

Eu Sou Meu Próprio Computador

Laitman_043O Midrash, “Acharei Mot“, “Após a Morte”: Na noite antes do Yom Kippur (Dia do Perdão), se o Sumo Sacerdote fosse um sábio, ele iria se expor, e se não, os discípulos dos sábios iriam se expor diante dele. Se ele estivesse familiarizado com a leitura da Sagrada Escritura, ele iria ler; se não, eles iriam ler diante dele. Eles iriam ler diante dele dos livros de Jó e Esdras, e Crônicas. Zacarias ben Kebutal disse: Muitas vezes eu li diante dele do Livro de Daniel. Quando o Sumo Sacerdote parecia estar prestes a cair no sono, os jovens sacerdotes estalavam os dedos médios diante dele e diziam-lhe: “Meu senhor Sumo Sacerdote, levante-se e afaste o sono para longe, caminhando no pavimento”. Eles o desviariam até que chegasse a hora do abate da oferenda matinal diária. [Mishná Yoma I.1-7]

Trata-se dos desejos pessoais de uma pessoa que constantemente devem ser despertados, visto que seu atributo comum, o estado do Sumo Sacerdote (Grande Cohen), depende da conexão correta entre eles num único sistema.

Quando eles atingem isso, seu atributo coletivo chamado Sumo Sacerdote está pronto para uma nova ação, e o estado espiritual chamado de manhã aparece. Nós já falamos sobre o fato de que há um estado externo de uma pessoa e seu estado interno (o Santo dos Santos), que ela constrói de seus desejos.

Isto significa que todos esses volumes que são aparentemente partes internas de uma pessoa – a própria pessoa, seus trajes externos, seu ambiente – são todos os nossos desejos que se reúnem numa determinada maneira e compõem a imagem que é descrita no Midrash Raba: o Templo, os sacerdotes (Cohanim) que ajudam o Sumo Sacerdote, o Santo dos Santos, os garfos e colheres, suas roupas, a entrada do Sumo Sacerdote (Grande Cohen) no Santo dos Santos, seu trabalho no Templo e todo o repouso.

Tudo isso é a coleção de atributos de uma pessoa numa imagem como essa.

No entanto, não estamos falando da imagem que os Cabalistas descrevem para nós, mas do que devemos fazer internamente para que esta imagem seja criada em nós. É como um computador e sua tela, por exemplo, em que eu vejo a imagem externa.

Neste caso, eu sou o computador. Eu preciso descobrir quais atributos devem estar em mim, quais conexões, para que eu possa criar dentro de mim uma imagem como a da tela do computador. Eles vão ser os meus atributos e não uma exibição de atributos estranhos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/03/14

A Última Gota Que Enche Nossa Medida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Existe alguma chance de que uma pessoa que estuda possa ter sucesso simplesmente pelo poder da inércia? Ela não sai porque a vida corporal não lhe parece atraente também, mas, por outro lado, ela vê que a sabedoria da Cabalá é demais para ela e não consegue acreditar que vai chegar alguma vez à revelação da espiritualidade.

Resposta: É impossível estudar com o poder da inércia. Cada momento em nossa vida requer nossa energia. Portanto, se a pessoa estuda, isso significa que a Luz Superior age nela e a sustenta. Ela provavelmente tem que passar por este período. Existem tais períodos em que a pessoa se torna como um cadáver, um corpo sem vida: ela não pode mais viver no mundo corporal, mas ainda não começou a viver no mundo espiritual.

Comentário: Parece que a pessoa pode vagar na fronteira entre o mundo espiritual por anos e não chegar a um pedido, uma oração.

Resposta: Não, isso depende de você; depende do ambiente. Acredite em mim, eu falo pela minha própria experiência prática. O período de preparação não pode continuar para sempre, nenhum estado continua infinitamente.

A cada momento você existe e que de alguma forma se aproxima do avanço espiritual, a Luz age em você e o preenche com a força espiritual gota a gota, como uma infusão intravenosa. Mas ela tem que se acumular na medida certa e, portanto, leva tempo.

Se você quiser alcançar a revelação espiritual mais cedo, apresse o tempo. Mas não pode acontecer que sua medida nunca seja preenchida; não há tal coisa. Em geral, eu tenho que saber apenas uma coisa: como conectar o grupo com a meta.

Eu quero comer uma sopa e me dizem: “Pegue uma tigela!” Mas não tenho nenhuma tigela. Então no que posso receber a sopa? A tigela é o grupo. Se eu não estou incorporado num grupo, não tenho onde receber a espiritualidade. Tenho que amarrar o grupo muito firmemente à realização da meta, à revelação do Criador.

Nós ainda achamos e esperamos que haja um vaso onde o Criador possa ser revelado em algum lugar dentro de nós. Mas não existe tal lugar numa pessoa. Há apenas um ponto preto que não pode receber nenhuma revelação. Mas ainda assim, gota a gota, a Luz age na pessoa e ela gradualmente começa a amarrar seu sucesso com a conexão, com os amigos.

Isto já é uma grande realização; é uma mudança do caminho individualista terreno, corporal para a escada espiritual. Você já começa a se amarrar inconscientemente ao grupo. Você chega cada vez mais perto dele e no momento em que o primeiro contato, a primeira conexão, é formado, você entra na escada espiritual. Isto se chama a escada da ascensão espiritual.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/09/14, Shamati #56

A Ciência Nos Colocou No Caminho Do Sofrimento

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, seção 41: O Zohar escreve sobre o texto “e aqueles que Me buscam, Me encontrarão”, e pergunta: “Onde se encontra o Criador? Eles disseram que o Criador é encontrado apenas na Torá”.

Nós devemos entender completamente as suas palavras. Parece que o Criador está escondido somente em coisas corpóreas e realiza todas as futilidades deste mundo, que estão fora da Torá. Assim, como você pode dizer o contrário, que Ele se oculta apenas na Torá?

Isto significa que nunca podemos descobrir o sistema correto, as verdadeiras forças da natureza que nos governam, a supervisão e o governo superior, nem o poder superior que está trabalhando numa ação, se não estivermos envolvidos na Torá interior, que é a sabedoria da Cabalá, da maneira correta. Mesmo a ciência do mundo físico não pode nos aproximar disso.

Ao se envolver com o desenvolvimento científico, a pessoa se insere no caminho do sofrimento; já que ela espera e quer chegar a uma boa vida através de realizações científicas, uma situação oposta é criada, e ela só prejudica a si mesma. E isso é claro, pois desta forma ela não desenvolve seus Kelim (vasos) para a descoberta do poder superior que é bom e benéfico.

Conclui-se que a ciência nos leva ao fracasso e nos desvia do caminho certo. Tanto quanto nós valorizamos e respeitamos a ciência moderna, em última análise, deve ser entendido e reconhecido que ela nos leva ao caminho do sofrimento. Certamente tudo foi planejado desde o início, pois sem descobrir o mal é impossível alcançar o bem. Isso ocorre porque o intelecto humano deve descobrir sua impotência vazia.

Mas se desde os dias do primeiro Adão (homem), da primeira descoberta da sabedoria da Cabalá, a humanidade a tivesse aceitado como o único meio para descobrir o poder bom e benéfica, em seguida, ela teria ido pelo caminho ideal diretamente ao objetivo da criação.

Então não teria havido nenhuma necessidade do progresso científico e da evolução da sociedade humana. Uma pessoa teria se envolvido em seu desenvolvimento espiritual, enquanto o trabalho físico obrigatório teria sido apenas para cumprir os requisitos da existência bestial, para alimentar a sua “besta”. E todos os desenvolvimentos restantes teriam sido apenas para a necessidade de desenvolver o Adão dentro de nós.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/08/14, Escritos do Baal HaSulam

“E Agora, Você Vê?” – “Sim!”

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, item 54: Quando o Criador vê que a pessoa completou a medida de seus esforços e terminou tudo o que tinha para fazer no fortalecimento de sua escolha na fé no Criador, o Criador a ajuda. Então, a pessoa alcança a Providência aberta, ou seja, a revelação da face. Assim, ela é recompensada com o arrependimento completo, ou seja, se une ao Criador mais uma vez com o seu coração, alma e poder…

Não há amparo aqui, não há razão para esperar que o Criador fique farto e tenha compaixão de nós como um pai misericordioso. Não devemos esperar que o Criador seja tocado por nossas lágrimas e tenha piedade e intervenha em nossa situação e perdoe a nossa falta de esforços.

Isto significa que a esperança é sem sentido, que em vez de nosso esforço é possível esperar um pouco, chorar um pouco, e tudo vai ficar bem. Em geral, no nosso mundo uma pessoa espera exatamente esse tipo de atitude em relação a si mesma de outras pessoas e do Criador. Mas isso não acontece aqui.

Nós somos obrigados a realizar e concluir a quantidade de esforço necessário da nossa parte. E isso deve ser verdadeiramente um esforço, ou seja, o esforço na construção de nosso Kli espiritual para revelação. Como se diz: Ele fez um decreto que não será transgredido (Salmos 148: 6). Se você tiver um desejo de dez gramas, que seja, digamos, o primeiro grau de adaptação ao primeiro nível obrigatório para descobrir o Criador, então você vai sentir a Sua presença, ou seja, Ele será revelado.

Enquanto o seu desejo for menos do que “dez gramas”, você está abaixo do limite e não sente o Criador. Isso significa que o Criador está oculto. Todos os sentidos funcionam de acordo com este princípio, incluindo os sentidos espirituais.

A percepção nos sentidos espirituais é dividida em 125 níveis que são divididos internamente em muitos outros subníveis. E não importa o que, nós temos que atingir o nível de sensibilidade que corresponda ao primeiro nível. E isso depende da medida de esforço que nós elevamos a nossa sensibilidade, ou seja, a expansão de nosso Kli.

Esta é a nossa sensibilidade conforme a doação, porque o Criador é doação, amor e conexão. Ele nos é revelado como tal. Portanto, nós temos que nos preparar de acordo: doação, amor e conexão entre nós. E nós sequer temos que atingir essas características diretamente, mas só temos um desejo de adquiri-las. E se especificamente nós dirigimos nosso desejo, ansiamos por isso e temos força suficiente, então nós começamos a descobrir o Criador. Isto é tudo.

É como um exame visual com um optometrista: “Você vê essas letras?” – “Não!” “E você as vê agora” – “Sim!” Existe um limiar de sensibilidade para cada sentido, e quando ele é atingido, de repente, a descoberta acontece.

Da Lição Diária de Cabalá 29/08/14, Escritos do Baal HaSulam