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Todos São Absolutamente Iguais


Durante o processo de correção, nos parece que cada um possui um nível diferente de importância. Isso é, no entanto, uma ilusão. Apenas parece dessa forma porque estamos omitindo um fator primordial no nosso cálculo: cada pessoa recebeu tudo do Criador. Cada característica individual, educação, e condições particulares foram todas originadas de Acima. Isso quer dizer que nada depende da pessoa, com exceção do seu esforço, que é avaliado de acordo com as condições estabelecidas por Acima.

Se excluirmos todos os fatores determinados por Acima que não dependem da pessoa, e observamos apenas as coisas que estão sob o poder individual, veremos que todas as pessoas são absolutamente iguais. Todos têm a mesma oportunidade de discernimento, livre arbítrio e correção relativas ao que a elas foi dado e ao que elas lhes falta.

A Matriz da Nossa Realidade


Devido ao fato de que a ciência da Cabalá fala somente sobre o que existe dentro de nós, ela é chamada de Torah interior, uma sabedoria interna. Na realidade, nossos corpos e toda essa matéria não existem. Assim, esse mundo é chamado de mundo imaginário. Tão logo começamos a perceber a realidade corretamente, nós começamos a sentir que tudo o que existe é nosso desejo. Nosso desejo nos dá vários níveis de sensação que existem como a natureza inanimada, as plantas, os animais, e os seres humanos. No entanto, na verdade tudo isso são diferentes fenômenos dentro do desejo.

Nós precisamos compreender que vivemos dentro de uma matriz de sensações na qual tudo existe exclusivamente em nossa sensação. Isso significa que existe um desejo de receber prazer que percebe o fenômeno que ocorre nele. Assim, é importante para nós não nos esquecermos disso, uma vez que essa abordagem da percepção da realidade, de que “tudo depende de mim, ao invés do que está fora”, nos dirige para nossa correção interior.

Nós percebemos a nós mesmos em nossos desejos no pano de fundo da branca Luz Superior. Tudo está no pano de fundo da Luz Superior. O Mundo Infinito é meramente a branca Luz Superior. Nós não vemos a nós mesmos ali porque nós alcançamos o mesmo estado, percepção, realidade e qualidade dessa Luz.

Enquanto isso, os 125 graus através dos quais nós descendemos desse estado são os graus de um maior e maior distanciamento da Luz branca, em cujo pano de fundo nos vemos a nós mesmos. Assim tudo que vemos a nosso redor é nosso desejo que inclui os níveis inanimado, vegetativo, animado e humano. Esses são os 4 níveis de Aviut (espessura do desejo) em todas as suas várias formas internas, e que são as medidas da nossa diferença em relação à Luz branca.

Esses quadros são de fato nossa realidade que se apresenta a nós na forma desse mundo, Assim, nosso esforço constante de revelar a verdadeira realidade, de nos unir ao quadro verdadeiro da realidade, nos força a nos corrigir e nos aperfeiçoar; e, fazendo assim, ver que estamos todos conectados.

Quanto mais nos unimos uns aos outros e nos sintonizamos na Luz branca, nós avançamos em direção à vida eterna e perfeita no Mundo Infinito. E todos esses fenômenos que vemos e percebemos fora de nós vão passar como um sonho. Na verdade, nós vivemos somente dentro da Luz branca.

Esse ponto fundamental na ciência da Cabalá é extremamente importante, desde que ele separa a ciência da Cabalá de todos os ensinamentos filosóficos, religiões, crenças e métodos. A ciência da Cabalá diz à pessoa que ela precisa corrigir somente seu desejo, fazê-lo semelhante à Luz branca. Nenhuma ação externa e física tem algo que ver com ela.

Uma Questão de Vida e Morte


A ciência da Cabalá diz-me que a realidade não existe fora de mim. Toda a realidade existe dentro da pessoa que a observa e sente. Fora de mim não há nada. O problema é que nos acostumamos a esta percepção da realidade.

Eu nasci percebendo a realidade através dos cinco sentidos do meu corpo. Isto é muito limitado, e é difícil identificar-se com o mundo de forma diferente. Quando eu começo a perceber que a minha realidade depende das qualidades dentro de mim, isso me força a examiná-las e a determinar o que elas devem ser. Eu percebo que devo corrigí-las de forma a criar uma realidade verdadeira, imutável e eterna dentro de mim mesmo. Esta é a verdadeira realidade, mas eu devo viver em estados diferentes, niveis diferentes da falsa realidade, antes que possa alcançá-la.

Os Cabalistas nos dizem como alcançar a verdadeira percepção da realidade. Eles me dizem que sou eu quem determina a minha própria vida. Se eu começar a olhar para a vida de acordo com a percepção de que “tudo existe dentro de mim”, então eu posso colocar o mundo exterior inteiro dentro de mim. Então, eu nunca morrerei, pois o mundo inteiro permanecerá dentro de mim e eu continuarei existindo dentro dele.

Portanto, a percepção da realidade, que inicialmente nos parece uma filosofia abstracta, algo virtual e surreal, torna-se a nossa questão de “vida ou morte”. Se eu sou capaz de mudar as minhas qualidades, a minha percepção, tudo o que eu atualmente vejo e sinto como existindo fora de mim, então eu começo a perceber e a sentir o mundo como meu fenômeno interno, a minha existência eterna, imutável e perfeita, e nada terá mudado, desaparecido, ou perecido. Ao mudar a minha percepção da realidade de externa para interna, ao colocá-la dentro de mim, eu ascendo 125 níveis da percepção da realidade, e alcanço um estado de completa conexão com a eternidade, pois percebo-a totalmente dentro de mim.

Expandindo A Nossa Percepção Através Do Zohar

Todos os nossos sentidos operam de acordo com o principio de revelar o oposto – traduzir tudo o que é percepcionado dentro deles para algo que seja oposto. O que é visto como externo está na verdade dentro de nós, porque nós o viramos ao contrario no nosso cérebro, vendo a imagem invertida apenas posteriormente. Não temos qualquer outra maneira de percepcionar o mundo, uma vez que todos nós fomos criados de tal maneira que só podemos revelar algo baseado numa carência ou defeito em nós. E chamamos a esta carência, “Luz”. Por este motivo, a espiritualidade é vista como escura e repulsiva; não concordamos com ela e não a queremos. Não nos parece razoável amar ao nosso próximo e dar aos outros.

O Zohar fala-nos sobre as qualidades do Criador, mas como podemos perceber isto quando só sabemos receber? Como podemos nós sentir a doação? Este é um mundo que está oculto de nós, uma realidade que somos incapazes de sentir. O Zohar explica como começar a percepcionar, pouco a pouco, o que não é atualmente sentido pelo coração ou a mente. Eu sou incapaz de o colocar em palavras, uma vez que as palavras exprimem um sentimento ou entendimento, mas não há sensação por trás delas; então, eu simplesmente não sinto as palavras.

Se eu leio O Zohar em conjunto com outros, esperando que isso me ajudará, então uma revelação irá ocorrer. O mundo espiritual está localizado aqui, bem à nossa frente, mas somos incapazes de o percepcionar com o nosso coração ou mente. É uma tremenda realização gradualmente começar a sentir que ele existe algures perto, embora sejamos incapazes de o detectar. Precisamos continuar a sentir esta carência quando estudamos, para que O Zohar comece a contar-nos mais.

Deixe Que O Zohar Leve Você Às Profundezas Da Sua Alma


O Zohar fala sobre uma pessoa, dentro da qual o mundo inteiro está situado. Essa pessoa é cada um de nós. Quando estudamos a percepção da realidade na Cabalá, aprendemos que tudo que sentimos existir fora de nós está na verdade dentro de nós.

Todo esse enorme mundo, incluindo o nível inanimado da natureza, plantas, animais, e as pessoas ao nosso redor, estão na verdade dentro do homem. Todas essas coisas são qualidades e forças da alma da pessoa que parecem existir fora dela, mas na verdade estão dentro dela.

Na medida em que a pessoa se desenvolve, o quadro inteiro do mundo, que ela vê fora dela, começa a parecer mais e mais ilusório. Assim, nosso mundo é chamado um mundo irreal ou imaginário, e toda nossa realidade é chamada um sonho.

Por exemplo, agora mesmo nós estamos lendo a história sobre José que está localizada no Egito junto com o Faraó, e sobre como os irmãos de José vieram e ele os recebeu. Enquanto lemos isso, temos que entender que estamos falando sobre as forças da nossa alma, que existem dentro de cada pessoa nesse mundo não importando o gênero, a idade ou a nacionalidade.

As mesmas forças existem em cada um de nós porque o Criador criou um enorme desejo de obter prazer que consiste de dez Sefirot, cada uma das quais, por sua vez, inclui mais dez Sefirot, e assim por diante até o infinito. Esse desejo se quebra e se separa em uma tremenda multidão de partes que estão afastadas umas das outras. Elas são almas separadas, onde cada um de nós contém sua alma pessoal dentro de si.

Assim, quando lemos no Zohar, a descrição de algo que aparentemente ocorre fora de nós, como um evento histórico, descrições da natureza, pessoas, e animais, temos que tentar interpretar tudo isso no nível interno. Todas essas histórias falam sobre o que acontece dentro de mim – as forças da minha alma, meus desejos e qualidades, que estão em oposição entre si ou conectados entre si através de certas relações e cálculos.

Eu preciso entrar e estudar esse sistema interno da minha alma porque ao aprender e entendê-lo, começarei a ver as qualidades e forças do Criador, através das quais Ele me influencia. Eu O verei dentro de mim, ativando todas as minhas forças.

Assim, quando lemos O Zohar precisamos nos concentrar dentro de nós mesmos, tentando ver as forças da nossa alma por trás de cada palavra.

Nós Conduzimos a Luz Para Toda a Natureza


Qualidade é muito mais importante do que quantidade. Existe uma quantidade infinita de plantas no mundo, mas a insignificância de uma só flor é igual a toda matéria inanimada em todo o universo. Um animal é igual a todas as plantas no mundo. E uma pessoa é igual a todo o resto da natureza. Isso é como os diferentes níveis são; eles estão separados por um abismo.

Se nós fôssemos juntar todas as pedras em todo o universo, seria impossível fazer com que até mesmo uma simples flor crescesse a partir delas, porque uma flor contém vida. Ela se desenvolve, o que é uma qualidade que o nível inanimado da matéria não possui. O desenvolvimento da pessoa é inteiramente único e não pode ser entendido através de uma simples análise. Pareceria que toda pessoa tem uma força bem pequena, enquanto que na realidade, essa força tem uma grande qualidade.

Assim, um evento como um Congresso onde nos unimos produz uma força muito poderosa. Todas as estrelas no universo são praticamente sem valor se comparadas com o valor do pensamento humano. Hoje os cientistas estão revelando que nossos pensamentos influenciam processos físicos, como os do comportamento das partículas elementares no Grande Acelerador.

Na realidade, nossos pensamentos controlam todas as estrelas, bem como tudo nos níveis vegetativo e animado da natureza. Tudo isso é o resultado da atitude do homem, pensamentos, e desejos. Por isso está escrito que todas as partes da natureza estão dentro do homem, e não há nada para nós corrigirmos além dos nossos pensamentos. É assim que corrigimos o mundo inteiro.

A Luz vem a esse mundo através de um sistema chamado “homem” porque esse sistema é mais alto do que todo o resto, e a Luz se expande de cima até embaixo. Na medida em que esse sistema está unido ou desunido, isto é, corrigido ou não, essa é a medida na qual a Luz alcança todas as outras partes da natureza (inanimado, vegetativo, e animado), e determina como vemos o mundo.

Assim, está escrito que toda a natureza está dentro da pessoa e ascende ou descende junto com ela. Se eu ascendo, eu alcanço uma maior conexão com outros e dessa forma corrijo a alma comum. Através de mim, uma Luz maior vem para toda a natureza, e assim a natureza também se conecta e alcança uma maior harmonia.

Eu sou o centro de toda a natureza. Eu estou cercado pelos níveis inanimado, vegetativo, e animado, mas eu sou o único que determina a correção deles. Quando eu completar minha correção, esses níveis desaparecerão e se tornarão parte de mim, porque eles realmente são partes de mim e um reflexo de mim mesmo.

Nós Mesmos Nos Lançamos Dentro da Masmorra


O Zohar Capítulo “Miketz”, Item 34: “José estava triste”, triste em espírito e triste de coração, desde que ele foi aprisionado lá. Desde que Faraó mandou que o buscassem, está escrito: “E eles o aprisionaram rapidamente, significando que ele o acalmou e lhe respondeu com palavras de alegria, palavras que deliciam o coração, já que estava entristecido por ele estar na masmorra. Primeiro, ele se sentiu na masmorra, mas da masmorra, ele depois subiu à grandeza”.

Parece-nos que a história sobre José fala sobre coisas materiais e das mudanças sofridas por essas no nível material. José cai numa cova e depois sobe à grandeza. Nós vemos o deserto, o Faraó, os ministros do Faraó, a prisão, etc.

No entanto, de fato, é José mesmo quem decide como ver a realidade. José decide se é uma cova onde ele cai ou o palácio do rei. Ele decide se é noite ou dia. Ele percebe cada uma dessas condições de acordo com seu grau de revelação do Criador, como também como ele pensa sobre sua conexão com o Criador e sobre a situação em que está.

Na realidade, nós estamos sempre no estado de infinita satisfação. Mas, nossa percepção corrupta descreve quadros que são incorretos até o momento. As cenas que vemos são um reflexo da nossa atitude e julgamento com respeito ao Criador e Seu papel em nos governar. A situação na qual nos encontramos é, de fato, nossa avaliação da atitude do Criador em relação a nós. Assim somos os únicos que criamos nosso próprio estado.

Nós Podemos Ver o Paraíso ao Invés do Inferno


Temos que revelar o desejo do Criador precisamente enquanto estamos na escuridão. Temos que entender que, para Ele, esse é o mais desejável e digno estado, uma vez que não há tempo na espiritualidade nem ocorrem mudanças nesses estados.

É a pessoa mesma que muda sua atitude e, como resultado, vê o Paraíso ao invés do Inferno. A pessoa pode ver uma subida ao invés de uma queda e Luz ao invés de escuridão. A atitude da pessoa é a única coisa que é sujeita à mudança.

Não existem mudanças no estado que o Criador preparou para nós; ele é permanente. Nós simplesmente temos que concordar mais com ele e nos tornar mais prontos para ele até que estejamos habilitados a aceitá-lo com amor e gratidão, de vê-lo como o estado mais desejável. Então, não iremos querer nenhum outro estado. Como resultado disso, nosso consentimento, amor, entendimento, e devoção ao plano do Criador vão aumentar e crescer.

O Criador deseja que descubramos que tudo depende somente da nossa atitude em relação à condição imutável na qual nós já estamos presentes. Nessa realidade, nada muda exceto nossa atitude.

Qualidade Vezes Quantidade é Igual a Poder


Recebi uma pergunta: Que conclusões, para nosso trabalho interior, podemos tirar do princípio que toda a realidade é perfeita em relação ao Criador?

Minha resposta: Isso indica que todas as falhas estão dentro de nós, não no Criador, e precisamos somente nos corrigir para sentir a perfeição. Na realidade, nós já existimos nesse estado perfeito.

Eu espero que nos preparando para nosso Congresso em fevereiro e nos reunindo, nós alcançaremos uma tão poderosa unidade que nós realmente a sentiremos. A espiritualidade se revela somente na unidade das almas, não nas almas. Dentro das almas individuais só é possível sentir nosso mundo, enquanto que o mundo espiritual é sentido dentro da conexão entre as almas.

Essa conexão pode ser alcançada em virtude da qualidade, nesse caso é suficiente ter um pequeno número de pessoas – mesmo dez pessoas são suficiente se elas são muito poderosas. Por outro lado, se há muitas pessoas, seu número pode compensar o que lhes falta em qualidade.

Qualidade vezes quantidade é igual a poder. Assim, esperamos que a próxima reunião irá conectar novos e antigos estudantes em um todo, e então cada pessoa receberá a força inteira dessa união que nos dará um empurrão para cima, em direção ao entendimento e à sensação de uma nova realidade espiritual. Então, nós a sentiremos além da realidade mundana que sentimos hoje.

O Que Acontece No Final Desse Filme Que Estamos Assistindo?


Recebi uma pergunta: Se todo o quadro do assim chamado “mundo exterior” é na verdade projetado no meu cérebro, como uma fotografia ampliada, então onde está meu cérebro nisso tudo? Ele existe dentro de mim ou fora de mim?

Minha resposta: O modo mais fundamental para expressar sua pergunta é: Quem somos nós, na verdade? Nesse momento, eu sinto como se eu tivesse um corpo físico no qual eu vivo, experimento sofrimento e alegria, e satisfação e vazio. Assim é que eu preciso me relacionar com isso por enquanto. Está escrito que “A Torah fala a linguagem dos homens” – significando que o Criador dirige-se a nós na nossa linguagem, evocando em nós vários sentimentos e impressões.

Mais tarde nós iremos descartar essa linguagem inteira e todo nossas concepções passadas desse mundo e veremos como a velha imagem desaparece completamente. Creia-me quando eu digo que nada do que você vê frente a você no presente momento vai permanecer! Essa miragem vai se dissipar como neblina, e o quadro que agora você vê vai evaporar assim como o filme que você está assistindo chega a um fim. Iremos adquirir uma nova percepção, uma que é completamente impenetrável para nós agora, e entraremos num novo mundo – um mundo oposto.