Textos com a Tag 'Espiritualidade'

Integrando-Se No Trabalho Até Ao Ponto De Auto-Anulação

Ultimamente falamos muito sobre auto-anulação. E isto não é nenhum acidente; espero que realmente estejamos a apromixar-mo-nos disso. Mesmo que o ego nos esteja a impelir, temos que ser dirigidos à adesão.

No tempo de adesão com o superior, vejo-me como parte de alguma máquina e eu necessito de me conectar com isso a cada célula, cada orgão, todas as partes do meu “corpo” assim como integrar exactamente no trabalho desta máquina.

Eu não tenho uma “cabeça”, isto é, auto conhecimento; necessito anular todos os meus pensamentos, todos os cálculos, todos os desejos. Meu único desejo, minha intenção singular e meu desejo singular estão dirigidos no como integrar nesta máquina. Deixemos que tudo passe por mim, mas eu não participo nisso no início. Faço tudo como se eu não existisse. Irão activar-me a 100%, não apenas eles irão dizer-me o que fazer, mas eles também irão activar-me; isto é chamado auto-anulação.

Após isso vem desacordo, criticismo, maus impulsos, clarificação, desapontamentos, queixas… e juntos com tudo isso, necessito anular-me a todo o tempo para participar no trabalho desta máquina. Encontro-me nisso “esticado e aberto a isso como eu não existisse, e apesar do desejo e a mente comecem a trabalhar dentro de mim. É assim que o feto cresce dentro do ventre: A Luz de Ein Sof passa através de mim, mas retiro-a apenas em Behinat Nefesh.

O feto anula-se no nível de Nefesh, no nível inanimado, em Aviut Shoresh, o nível de raíz do desejo. Precisamente por causa disso, todas as luzes de NRNHY de Nefesh podem passar através de mim. Todo o seu trabalho em Mocha e Liba, mente e coração, em Galgalta ve Eynaim (GE) e AHP, em toda a sua participação com o Partzuf Ima, com Bina é por se anular ele proprio. Não importa quantos pensamentos e desejos passarão por ele, não importando quanto esteja confuso, não importa que obstáculos fiquem no seu caminho, ele continuará a anular-se e por isso ele é capaz de ser parte do “corpo” de Ima (mãe), estando dentro dela.

O feto não se activa de qualquer maneira mesmo se todas as partes estão a crescer. Elas crescem e trabalham em anulação. A mãe faz tudo através do cordão umbilical, e o feto anula-se completamente; cada parte do feto trabalha apenas para, em anulação. De outra forma, ele não está pronto para nascer; ele pode não ser um recém-nascido completo. Ele ainda não tem a forma de “homem”. Portanto, ele deve terminar o seu trabalho de anulação em relação ao superior.

Ele move-se, o seu coração, os seus pulmões, e todo o resto de suas partes estão a funcionar correctamente, mas apenas em anulação. Ele não entende isto, nós pensamos que isto é simplesmente um pequeno homem e que tudo funciona de uma forma regular, mas toda a forma do trabalho é em anulação em relação ao superior. De outra forma o seu nascimento está em risco.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/02/13, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar”

O Início Da Correção Em Três Linhas

Pergunta: O que simboliza a correção nas três linhas?

Resposta: Correção nas três linhas é a capacidade de diferenciar a influência da luz, o desejo de doar (linha direita), a partir da influência do desejo de receber (linha esquerda), e a capacidade de estar no meio, entre estas, a fim de associá-las e ligá-las uma á outra na linha do meio.

Se uma pessoa trabalha acima da razão a fim de conectar os seus vasos de recepção com a força de doação que existe nela, isso significa que ela é a linha do meio, em seu ponto médio e está fazendo correções nas três linhas.

Neste caso, ela não usa a sua real Malchut, mas apenas Malchut que sobe para Yesod. Isso significa que ela examina os vasos, que estarão na correta conexão e participação de Malchut e Bina. Correção nas três linhas só é possível após a segunda restrição (Tzimtzum Bet), quando é claro para nós que Malchut não é capaz de receber qualquer luz em si mesma, mas apenas sob a condição de que ela sobe para o nível de Bina. (Subir na espiritualidade simboliza correção.)

No momento em que Malchut se eleva a Bina, conectam-se parcialmente. Malchut esclarece quais de suas qualidades pode usar a fim de estar em contato com a Luz, com Keter.

De forma a ser semelhante a Keter e para poder doar como Keter, deve conectar-se com Bina e tornar-se semelhante a ela, o mesma com Bina. No momento em que Bina se expande de cima para baixo, ela queria ser semelhante a Keter com toda a profundidade de sua grossura (Aviut). Uma correta união entre Malchut e Bina traz Malchut para o cálculo da linha do meio.

Não pode ser uma oração (MAN), sem a correção nas três linhas. No entanto, o superior recebe a nossa oração pela primeira vez quando nós pedimos o primeiro contato e estamos prontos para nos transformarmos num feto espiritual que se anula e se restringe a si próprio completamente. Ao mesmo tempo, não temos correção nas três linhas. Mas depois iniciamos o período de “três dias da absorção de sêmen”, em que as três linhas: direita, esquerda e do meio são criadas. Daqui em diante se inicia o desenvolvimento destas três linhas.

A partir da 3ª parte da Lição Diária da Cabala 29/01/13,O Estudo das Dez Sefirot

Como Posso Parar De Pensar Em Mim?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em que vaso a pessoa descobre a espiritualidade?

Resposta: Na Luz de Retorno, ou seja, na doação, quando ela se preocupa com o outro mais do que consigo, quando o outro é mais importante para ela do que ela mesma.

Pergunta: O que é a pessoa deve anular a fim de adquirir o vaso espiritual?

Resposta: Ela deve anular os pensamentos sobre si. Como posso eu, que só consigo pensar em mim, mudo para um estado em que vou mudar totalmente a mim mesmo, para o bem dos outros? Onde posso obter tal desejo? Onde posso encontrar forças para fazer tal esforço?

Aqui, a Luz que Reforma me ajuda. É o chamado “milagre do êxodo do Egito”: eu tiro meus sentimentos (coração) e a mente fora do controle do meu desejo, do carinho por mim e coloco-os em outro. Claro, eu não posso fazer isso por mim mesmo. Um prisioneiro não pode se libertar da prisão, e você não pode se puxar pelos cabelos para fora de um pântano. Depois de tudo, o desejo e a preocupação comigo mesmo são tudo que eu tenho.

Mas a Luz vem e tira essa preocupação do desejo e coloca-a em outra pessoa. Então, eu começo a cuidar dela como uma mãe que se preocupa com o seu bebê. Afinal de contas, a mesma coisa acontece com ela, mas num nível egoísta: é como se ela estivesse hipnotizada, em sua preocupação com seu bebê, olhando para ele o tempo todo e se preocupando com ele. Se nós não conhecêssemos esses processos neste mundo, poderíamos pensar que ela tinha perdido a cabeça.

Este é também o trabalho da Luz, mas a mãe não é obrigada a pedir para ser capaz de amar seu bebê; ela simplesmente recebe este amor do Alto. No nosso caso, no entanto, é diferente. A pessoa recebe uma escolha, “Você quer permanecer no “nível animal”? Vá em frente. Mas se você quer subir ao nível espiritual, você precisa ativar essa força”.

Você precisa constantemente melhorar, tornar-se mais sábia, e, em suma, é necessário adquirir a mente do Criador a fim de ativá-Lo. Esta é a diferença entre os dois níveis, o fato de que você O ativa. É sobre isso que se diz: “Meus filhos me derrotaram”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/02/13, Um Discurso para a Conclusão do Zohar”

A Humilde Grandeza Da Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Muitas vezes alguém parece ser um grande homem, mas quando me aproximo dele e começo a conhecê-lo, eu descubro que não havia nada lá. Quando as decepções vão acabar e quando nós realmente descobriremos a grandeza?

Resposta: A grandeza só é descoberta no Criador. Nós temos que trabalhar de forma oposta em relação ao grupo, o professor e o Criador; nós temos que construir a grandeza deles por nós mesmos. Quanto mais você se aproximar deles, menores, mais humildes e inferiores eles vão parecer a você. Não permitirão que você os agarre e os aprecie.

Diz-se, “onde quer que você descubra a Sua grandeza, é onde você descobre Sua modéstia”. É muito difícil manter uma sensação de grandeza na espiritualidade.

Portanto, as religiões usam atributos externos para elevar a importância, e cada rabino ou sacerdote se apresenta como grande e importante perante o povo. Isto é necessário para atrair as pessoas, pois elas ficam impressionadas com a aparência externa. Na sabedoria da Cabalá, no entanto, é o oposto; aqui tudo é determinado pela internalidade. Por isso, às vezes, o estudo, o grupo, os amigos e o professor se apresentam como não sendo especiais. Então, a pessoa tem que superar o desrespeito e tentar elevar a importância deles num nível mais interno, por si mesma.

Nós ainda nem agimos como o grande grupo de Kotzk, que se mostrava intencionalmente negligente e desrespeitoso com a espiritualidade para permitir mais trabalho.

Nós temos que trabalhar na grandeza do amigo, do professor e do Criador, embora cada vez sintamos que eles são menores. Por isso temos que valorizar esses momentos com grande carinho, tal como durante os workshops, quando temos a chance de ficar impressionados com a mente e os sentimentos dos amigos quando nem mesmo esperamos isso. É porque estamos habituados a humilhar todos, vendo-nos como os maiores de todos.

O fato de que eu valorizo a mim mesmo mais do que todo mundo é instintivo. De repente, eu descubro que os amigos são maiores do que eu e isso me abala de alguma forma. Primeiro isso só me abala egoisticamente, mas depois eu começo a valorizá-los e os invejo. Daí eu amarro isso à meta e uso para avançar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/12/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Espiritualidade Não Vem Por Causa Do Favoritismo

PDr. Michael Laitmanergunta: Qual é a utilidade de fazer um esforço tentando apressar a correção de uma pessoa se o caminho é predeterminado: todas as correções que ela tem que passar e todos os seus erros e transgressões?

Resposta: Se você não fizer um esforço, você nunca vai passar por estes erros e correções. Suponha que você esteja na 3ª série e tem que ir para a 4ª série, mas você não quer estudar. Então, você não está autorizado a passar para a 4ª série! O que acontece então? Você será punido e todo mundo vai lhe tratar mal: seus pais, os professores e a administração escolar. Você vai permanecer na 3ª série por mais um ano até completar todas as suas atribuições e estar pronto para ir para a próxima série.

Você já ganhou alguma coisa com sua preguiça? Então por que você pergunta sobre o benefício do seu esforço? Você não pode ir para a próxima fase a menos que complete a fase anterior, porque o vaso não está preparado para isto. Como você pode senti-la, como pode o próximo nível ser realizado em você?

É impossível ir para o próximo nível espiritual por causa de “favoritismo”. Isso é possível em nosso mundo, mas não na espiritualidade. É porque você não tem vasos para sentir, e você precisa desenvolvê-los por si mesmo, pelas subidas e descidas, estando confuso e encontrando problemas, tomando decisões erradas, tentando avançar através de diferentes absurdos, como uma criança que aprende alguma coisa.

Caso contrário, você não avançará. Estas são as leis da natureza, por isso não haverá tolerância aqui e nem perdão. Ser tolerante é para alguém que comete um erro porque não sabe. Isto é aceitável apenas entre as pessoas, mas nós estamos sob um claro processo determinista, em que cada passo é predeterminado.

É impossível ir para a próxima fase sem antes concluir a anterior, até que você esteja impressionado por ela e adquira conhecimento e sentimento; até que ela seja gravada em sua memória e você esteja pronto para avançar com esta experiência, até que você junte um vaso onde sinta agora todos os fenômenos. Só então você pode seguir em frente.

No nosso mundo as coisas não acontecem dessa maneira; aqui as pessoas encontram diferentes desvios, já que não entendem completamente seus estados. Quando a Luz vier e iluminar o nosso estado, vamos entender as razões por que isto acontece desta forma e por que razão, o benefício nisso, e como nos relacionar com isso corretamente. Até então nós agimos cegamente de acordo com nossos instintos animais.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/12/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Espiritualidade E Cordialidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre espiritualidade e cordialidade? Existem algumas pessoas que são muito calorosas e agradáveis e existem pessoas espiritualizadas que podem ser muito desagradáveis. Qual é a diferença entre elas?

Resposta: Nós chamamos de pessoas cordiais “almas boas” no dia a dia, pessoas agradáveis, que estão prontas para dar apoio rápido aos outros. Essa pessoa lhe entende, é simpática e tem compaixão, sensação de empatia, lhe ajuda, etc.

Uma pessoa espiritualizada é alguém que está trabalhando duro em si mesma, “quebrando seus dentes”, lutando contra si mesma sob grande tensão, desenvolvendo algo que é totalmente diferente de uma pessoa em nosso mundo: a doação, que não existe em nosso mundo. Esse atributo se desenvolve através de enormes esforços, grande intenção, imensa concentração de esforço, atenção, trabalho constante e um autocontrole muito forte.

Quando a pessoa chega a este estado, ela tem uma atitude especial para com os outros que não necessariamente nos parecem gentis, calorosos, amorosos ou agradáveis, porque ela pensa em como nos transformar em pessoas espiritualizadas, ou seja, pessoas que têm uma alma. Isso envolve sérios esforços da pessoa contra si mesma, sob uma pressão, com um trabalho duro. Assim, as pessoas não são necessariamente agradáveis ou simpáticas. Sua missão as obriga a se relacionar conosco, os pequenos fracos, de forma proprosital e orientada à meta.

Eu mesmo experimentei isso. O meu professor, o Rabash, olhava para mim como para uma argila da qual tinha que esculpir, e avaliava o quanto esta argila se lamentaria, mas deixaria ser moldada. É assim que eu me sentia. Por um lado, é um grande amor, uma participação interior e compreensão, mas, na verdade, as expressões externas ainda são muito especiais. A pessoa que realmente consegue valorizá-las é uma pessoa que entende a meta a sua frente, os atributos do aluno e o trabalho do professor.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 2

Programa Educacional De Terminologia

Toda a nossa vida, a história, e tudo o que passamos desde o início da criação até agora se divide em duas partes: exílio e redenção. Não há nada mais, exceto estes dois estados:
    • Pode ser que Eu estou separado da força superior e existo no exílio, em algum tipo de ilusão, em um “sonho” que é chamado de “este mundo” sob a influência de meu desejo egoísta que me separa de ver e sentir o mundo espiritual;
    • Ou por meio de algumas ações, que a sabedoria da Cabala nos ensina, Eu alcanço a revelação da força superior e peço para me tirar do exílio, elevar-me acima deste mundo para o mundo superior, e quando isso finalmente acontece, então eu sou recompensado com a redenção.

A diferença entre o exílio (Galut – גלות) e redenção (Geula – גאולה) é a letra “Aleph” (א) simboliza o Criador, (Aluph – אלוף) Campeão do mundo. Esta é a forma como toda a nossa realidade é dividida, todo o processo de desenvolvimento. Nós certamente não estão cientes disto até que de repente recebemos um despertar que nos permite parar o período de exílio, a escuridão, a sensação de este mundo, o estado intolerável e pior, e passar para um novo período, um novo nível , um novo estado, que é chamado de redenção. É para isso que estudamos.

Desde que existimos neste mundo, nós usamos as palavras para descrever o mundo superior, o estado espiritual. Mas, junto com isso, é proibido esquecer que o conteúdo e os significados das palavras são diferentes de seus significados usuais. Por exemplo, Adam (homem / humano) pertence à categoria de “Israel”, que não está de acordo com o seu nascimento, mas de acordo com seus anseios espirituais.

“Religioso”, a partir do significado espiritual da sabedoria da Cabala, são as Sefirot de “Daat” (intelecto / conhecimento), “Tifferet” (Esplendor) e “Yesod” (Fundação), que é a linha do meio. Em outras palavras, uma pessoa que já trabalha com três linhas e chega, ou pelo menos deseja aderir ao Criador, é chamado de “religioso.” E secular é aquele que se encontra sob o controle do desejo de receber. “Santidade” é o atributo de doação e amor.

Desta forma, todos os nossos termos e definições são característicos de apenas uma coisa: identificar a força que funciona numa pessoa determinando a sua intenção em cada ação. Ou é com a intenção para o benefício da doação, de acordo com o princípio de “ama o teu amigo como a ti mesmo”, a qual conduz ao “amor do Criador”, ou o oposto, com a intenção de receber para si mesmo. Essa é a diferença que existe entre as pessoas.

Uma pessoa que estuda a sabedoria da Cabala sem intenção, não atrai a Luz que Reforma, não tem chance de atrair essa Luz de qualquer outra forma. E sem essa Luz ela permanece “secular”, ou seja, ela existe com a intenção de receber para si mesmo. Ela está separada do Criador e até mesmo da Luz que Reforma, que também é chamada de “Torá.” Assim, quando estamos lendo os escritos de cabalistas, precisamos sempre entender e lembrar que eles expressam unicamente termos espirituais.

Da 4 ª parte da Lição Diáriada Cabala 03/12/12 ,”Exílio e Redenção”

Um Enorme Presente Para O Sofrimento Por Amor

Dr. Michael LaitmanO caminho espiritual é dividido em duas partes.

A primeira parte é bastante difícil, já que não vemos exatamente o que estamos fazendo. Mas isso é precisamente o que nos ajuda a renunciar ao nosso egoísmo. Se pudéssemos ver o que estamos fazendo, o nosso egoísmo participaria desse processo e só aumentaria, e nós nunca seríamos capazes de romper com ele. Portanto, já que só podemos avançar com nossos olhos fechados, isto é, nos separando do nosso egoísmo, afastando-o gradualmente de nós e fazendo a transição para a conexão com os amigos ao sairmos para a propriedade de doação, é claro que isso é difícil para nós.

O nosso caminho baseia-se no fato de que nós atraímos a Luz superior, que nos influencia e corrige. Em outras palavras, eu sou incapaz de me corrigir, eu não posso subir acima do meu egoísmo, não posso fazer nada com ele, mas posso atrair a Luz superior sobre mim.

Portanto, os esforços na sabedoria da Cabalá são muito interessantes e diferem dos esforços no nosso mundo, onde eu afeto diretamente um objeto, uma área, ou as propriedades que gostaria de mudar: aqui é diferente. Se eu quiser mudar alguma coisa, eu tenho que atrair a Luz sobre esse objeto, essa dimensão, ou aquelas propriedades, de modo que a Luz os transforme. Assim, eu estou constantemente abordando apenas a Luz para que ela altere essas propriedades.

Como é que a Luz sabe sobre quais propriedades deve agir?

É muito simples. Se eu estou avançando em direção à propriedade do amor, da doação mútua, à propriedade de conexão com os amigos, se estou tentando me unir com eles, então eu descubro que sou um enorme egoísta que quer explorá-los, que quer apenas o ganho pessoal, e que não dá a menor importância aos demais. Quando eu descubro isso em mim, e isso evoca um enorme sofrimento em mim, eu começo a pedir que a Luz me corrija. Ao revelar o meu egoísmo interior, eu começo a me voltar à Luz e pedir para ela me mudar.

Isto é, eu preparo um enorme desejo não corrigido, revelo-o em mim, e sinto o quão desagradável isso é para mim, quão repulsivo, o quanto não quero existir dentro de mim; é como um câncer que eu quero tirar de mim, e daí eu me dirijo à Luz para que ela realize esta cirurgia em mim.

Assim, nós temos um progresso muito claro em nosso caminho: eu estou me movendo o tempo todo em direção à conexão com os amigos, ao propósito da criação, à propriedade de doação e amor. Eu estou sempre em movimento para exaltar estas propriedades, parâmetros e definições acima de mim mesmo, para torná-los meus valores mais elevados. No final, eu revelo como sou oposto a isso, o quanto não quero isso, como tudo é artificial em mim, e assim por diante. Então, a partir desta amargura, eu grito para a Luz.

Portanto, há um grande problema aqui: as pessoas que não forem capazes de perceber isso e que não forem capazes de sofrer não serão capazes de ir por esse caminho. Além disso, o sofrimento é qualitativo. Uma pessoa sente isso durante a vida normal, mesmo quando tudo está indo muito bem para ela. Este é o sofrimento por amor, quando eu gostaria de me conectar com os amigos, quando eu sei que isso é necessário, mas vejo que não posso. Só este tipo de sofrimento é entendido aqui, nenhum outro!

Não é sobre se eu sei bem o assunto ou não, ou se eu sou um cara inteligente ou impaciente, não! A única coisa que preciso é revelar a minha rejeição da conexão com os outros. Só isso! Doação! Quando eu tenho repulsa pela conexão com os outros, quando de repente começo a desprezá-la, não a quero, é precisamente essa a propriedade que eu preciso agarrar e pedir a sua correção. Este é todo o segredo da Cabalá. Não há mais nada!

Portanto, a primeira parte do nosso caminho é uma revelação gradualmente crescente do mal dentro de nós, e daí, em um único momento, ele se torna corrigido. É por isso que existem duas fases para o nosso avanço.

A primeira fase é quando em poucos anos nós acumulamos um sofrimento enorme, pesado e demorado.

Então, num único momento, ele se torna corrigido, e nós abrimos os olhos e vemos uma imagem completamente nova em torno de nós. Acontece que toda a criação funciona na propriedade de doação e amor: o mundo inteiro funciona dessa maneira, enquanto que para mim, em minhas propriedades egoístas, parecia que ele foi construído em propriedades de egoísmo, conquista, violência, brutalidade, etc.

Isso é semelhante à forma como arduamente um foguete dirige a sua órbita no espaço, mas depois, durante a órbita, na ausência de gravidade, começa uma calma repentina: tudo está quieto, os motores param de trabalhar, e você está no espaço.

Da Lição Virtual 18/11/12

Conheça O Mundo Em Que Você Vive

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando uma pessoa começa a ver as “raízes” superiores dos “ramos” que estão neste mundo?

Resposta: Primeiro nós temos que dizer que ao alcançar as “raízes”, a pessoa não se desconecta dos “ramos”. Sua visão simplesmente começa a se expandir em ondas, a partir do ponto deste mundo, em círculos que crescem cada vez mais. Conforme a expansão, a pessoa se conecta mais fortemente com o que está acontecendo nas raízes, e compreende melhor os fenômenos deste mundo. Em sua ascensão de baixo para cima, ela primeiro entende o que está acontecendo com ela aqui, e então de forma mais abstrata ela entende o superior.

Por outro lado, a realização é diferente do entendimento: primeiro a pessoa alcança o fenômeno superior, e depois nele ela entende seu paralelo neste mundo.

Baal HaSulam fala sobre isso no artigo “A Essência da Sabedoria da Cabalá”: O inferior é estudado a partir do Superior. Assim, a pessoa deve primeiro alcançar as Raízes Superiores, como elas são na espiritualidade, acima de qualquer imaginação, mas com pura realização. E uma vez que alcançou completamente as Raízes Superior com sua própria mente, ela pode examinar os ramos tangíveis neste mundo e saber como cada ramo se relaciona com sua raiz no Mundo Superior, em todas as suas ordens, em quantidade e qualidade. E a pessoa também vê como todos os ramos estão conectados.

Em geral, a realização e a compreensão se influenciam mutuamente. Ao mesmo tempo, a conexão entre os “ramos” e as “raízes” é muito importante, e não é por acaso que os grandes Cabalistas dedicaram seu tempo para estudar este mundo. Isso os ajudou a estudar o Mundo Superior. Eles eram estudiosos, “enciclopedistas”. Rav Kook lia cuidadosamente livros na biblioteca e Baal HaSulam aprendeu a teoria ondulatória, etc.

Não é por acaso que estamos num mundo material, corporal e é daqui que podemos subir aos níveis espirituais. Embora as informações sobre este mundo, que os cientistas encontraram e expressaram, não sirvam para alcançar a espiritualidade, elas ainda ajudaram a pessoa a conectar todas as partes do quadro geral numa só.

Mas hoje nós estamos “com os pés firmes no chão”, e, pelo contrário, só temos que “impulsionar a nossa cabeça acima das nuvens”…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/11/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

Não Perca A Chance!

Dr. Michael LaitmanHá momentos especiais e períodos na espiritualidade, “momentos felizes” por assim dizer, que não podemos prever ou trazer de volta. Eles vêm ocasionalmente, uma vez ou outra e não dependem de nós, mas das relações entre Zeir Anpin e Malchut de Atzilut.

Imagine dois cilindros, um dentro do outro. Em cada um deles há uma pequena fenda e no meio há uma lâmpada. Quando os dois cilindros giram, suas fendas por vezes coincidem e, em seguida, um feixe de luz surge através das ranhuras e pode ser visto do lado de fora.

É o mesmo com Zeir Anpin e Malchut que cooperam em situações especiais e, por vezes, “brilham” para a pessoa. Isso é chamado de um “tempo de boa vontade”. Ele vem de Cima e para cada indivíduo em sua própria maneira especial, já que somos todos diferentes e pertencemos a diferentes partes do sistema geral, passando por diferentes estados internos e externos.

Para resumir, como resultado da quebra dos vasos, as conexões entre nós são excelentes e confusas. Portanto, existem diversas condições. Mas, num determinado momento, vem um “bom momento” para a pessoa e é muito importante que ela o agarre e o satisfaça.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/11/12, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”