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Um Enorme Presente Para O Sofrimento Por Amor

Dr. Michael LaitmanO caminho espiritual é dividido em duas partes.

A primeira parte é bastante difícil, já que não vemos exatamente o que estamos fazendo. Mas isso é precisamente o que nos ajuda a renunciar ao nosso egoísmo. Se pudéssemos ver o que estamos fazendo, o nosso egoísmo participaria desse processo e só aumentaria, e nós nunca seríamos capazes de romper com ele. Portanto, já que só podemos avançar com nossos olhos fechados, isto é, nos separando do nosso egoísmo, afastando-o gradualmente de nós e fazendo a transição para a conexão com os amigos ao sairmos para a propriedade de doação, é claro que isso é difícil para nós.

O nosso caminho baseia-se no fato de que nós atraímos a Luz superior, que nos influencia e corrige. Em outras palavras, eu sou incapaz de me corrigir, eu não posso subir acima do meu egoísmo, não posso fazer nada com ele, mas posso atrair a Luz superior sobre mim.

Portanto, os esforços na sabedoria da Cabalá são muito interessantes e diferem dos esforços no nosso mundo, onde eu afeto diretamente um objeto, uma área, ou as propriedades que gostaria de mudar: aqui é diferente. Se eu quiser mudar alguma coisa, eu tenho que atrair a Luz sobre esse objeto, essa dimensão, ou aquelas propriedades, de modo que a Luz os transforme. Assim, eu estou constantemente abordando apenas a Luz para que ela altere essas propriedades.

Como é que a Luz sabe sobre quais propriedades deve agir?

É muito simples. Se eu estou avançando em direção à propriedade do amor, da doação mútua, à propriedade de conexão com os amigos, se estou tentando me unir com eles, então eu descubro que sou um enorme egoísta que quer explorá-los, que quer apenas o ganho pessoal, e que não dá a menor importância aos demais. Quando eu descubro isso em mim, e isso evoca um enorme sofrimento em mim, eu começo a pedir que a Luz me corrija. Ao revelar o meu egoísmo interior, eu começo a me voltar à Luz e pedir para ela me mudar.

Isto é, eu preparo um enorme desejo não corrigido, revelo-o em mim, e sinto o quão desagradável isso é para mim, quão repulsivo, o quanto não quero existir dentro de mim; é como um câncer que eu quero tirar de mim, e daí eu me dirijo à Luz para que ela realize esta cirurgia em mim.

Assim, nós temos um progresso muito claro em nosso caminho: eu estou me movendo o tempo todo em direção à conexão com os amigos, ao propósito da criação, à propriedade de doação e amor. Eu estou sempre em movimento para exaltar estas propriedades, parâmetros e definições acima de mim mesmo, para torná-los meus valores mais elevados. No final, eu revelo como sou oposto a isso, o quanto não quero isso, como tudo é artificial em mim, e assim por diante. Então, a partir desta amargura, eu grito para a Luz.

Portanto, há um grande problema aqui: as pessoas que não forem capazes de perceber isso e que não forem capazes de sofrer não serão capazes de ir por esse caminho. Além disso, o sofrimento é qualitativo. Uma pessoa sente isso durante a vida normal, mesmo quando tudo está indo muito bem para ela. Este é o sofrimento por amor, quando eu gostaria de me conectar com os amigos, quando eu sei que isso é necessário, mas vejo que não posso. Só este tipo de sofrimento é entendido aqui, nenhum outro!

Não é sobre se eu sei bem o assunto ou não, ou se eu sou um cara inteligente ou impaciente, não! A única coisa que preciso é revelar a minha rejeição da conexão com os outros. Só isso! Doação! Quando eu tenho repulsa pela conexão com os outros, quando de repente começo a desprezá-la, não a quero, é precisamente essa a propriedade que eu preciso agarrar e pedir a sua correção. Este é todo o segredo da Cabalá. Não há mais nada!

Portanto, a primeira parte do nosso caminho é uma revelação gradualmente crescente do mal dentro de nós, e daí, em um único momento, ele se torna corrigido. É por isso que existem duas fases para o nosso avanço.

A primeira fase é quando em poucos anos nós acumulamos um sofrimento enorme, pesado e demorado.

Então, num único momento, ele se torna corrigido, e nós abrimos os olhos e vemos uma imagem completamente nova em torno de nós. Acontece que toda a criação funciona na propriedade de doação e amor: o mundo inteiro funciona dessa maneira, enquanto que para mim, em minhas propriedades egoístas, parecia que ele foi construído em propriedades de egoísmo, conquista, violência, brutalidade, etc.

Isso é semelhante à forma como arduamente um foguete dirige a sua órbita no espaço, mas depois, durante a órbita, na ausência de gravidade, começa uma calma repentina: tudo está quieto, os motores param de trabalhar, e você está no espaço.

Da Lição Virtual 18/11/12

Conheça O Mundo Em Que Você Vive

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando uma pessoa começa a ver as “raízes” superiores dos “ramos” que estão neste mundo?

Resposta: Primeiro nós temos que dizer que ao alcançar as “raízes”, a pessoa não se desconecta dos “ramos”. Sua visão simplesmente começa a se expandir em ondas, a partir do ponto deste mundo, em círculos que crescem cada vez mais. Conforme a expansão, a pessoa se conecta mais fortemente com o que está acontecendo nas raízes, e compreende melhor os fenômenos deste mundo. Em sua ascensão de baixo para cima, ela primeiro entende o que está acontecendo com ela aqui, e então de forma mais abstrata ela entende o superior.

Por outro lado, a realização é diferente do entendimento: primeiro a pessoa alcança o fenômeno superior, e depois nele ela entende seu paralelo neste mundo.

Baal HaSulam fala sobre isso no artigo “A Essência da Sabedoria da Cabalá”: O inferior é estudado a partir do Superior. Assim, a pessoa deve primeiro alcançar as Raízes Superiores, como elas são na espiritualidade, acima de qualquer imaginação, mas com pura realização. E uma vez que alcançou completamente as Raízes Superior com sua própria mente, ela pode examinar os ramos tangíveis neste mundo e saber como cada ramo se relaciona com sua raiz no Mundo Superior, em todas as suas ordens, em quantidade e qualidade. E a pessoa também vê como todos os ramos estão conectados.

Em geral, a realização e a compreensão se influenciam mutuamente. Ao mesmo tempo, a conexão entre os “ramos” e as “raízes” é muito importante, e não é por acaso que os grandes Cabalistas dedicaram seu tempo para estudar este mundo. Isso os ajudou a estudar o Mundo Superior. Eles eram estudiosos, “enciclopedistas”. Rav Kook lia cuidadosamente livros na biblioteca e Baal HaSulam aprendeu a teoria ondulatória, etc.

Não é por acaso que estamos num mundo material, corporal e é daqui que podemos subir aos níveis espirituais. Embora as informações sobre este mundo, que os cientistas encontraram e expressaram, não sirvam para alcançar a espiritualidade, elas ainda ajudaram a pessoa a conectar todas as partes do quadro geral numa só.

Mas hoje nós estamos “com os pés firmes no chão”, e, pelo contrário, só temos que “impulsionar a nossa cabeça acima das nuvens”…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/11/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

Não Perca A Chance!

Dr. Michael LaitmanHá momentos especiais e períodos na espiritualidade, “momentos felizes” por assim dizer, que não podemos prever ou trazer de volta. Eles vêm ocasionalmente, uma vez ou outra e não dependem de nós, mas das relações entre Zeir Anpin e Malchut de Atzilut.

Imagine dois cilindros, um dentro do outro. Em cada um deles há uma pequena fenda e no meio há uma lâmpada. Quando os dois cilindros giram, suas fendas por vezes coincidem e, em seguida, um feixe de luz surge através das ranhuras e pode ser visto do lado de fora.

É o mesmo com Zeir Anpin e Malchut que cooperam em situações especiais e, por vezes, “brilham” para a pessoa. Isso é chamado de um “tempo de boa vontade”. Ele vem de Cima e para cada indivíduo em sua própria maneira especial, já que somos todos diferentes e pertencemos a diferentes partes do sistema geral, passando por diferentes estados internos e externos.

Para resumir, como resultado da quebra dos vasos, as conexões entre nós são excelentes e confusas. Portanto, existem diversas condições. Mas, num determinado momento, vem um “bom momento” para a pessoa e é muito importante que ela o agarre e o satisfaça.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/11/12, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”

Cuidar Da Necessidade Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como posso me manter num estado de constante necessidade de realização espiritual?

Resposta: Este é um problema que vai e vem, vai e vem, e isso ocorre de forma constante e alternada.

O que posso fazer com isso? Depende dos amigos.

Se eles promovem a grandeza da meta, a grandeza do Criador, a grandeza do grupo, a grandeza de si mesmo, se eu de repente começo a ver o quanto eles avançam e eu não, e começo a me mexer por meio do orgulho, da inveja, etc., então eu adquiro novos Kelim (vasos), novos vazios. Então eu avanço. É muito importante estar com inveja: “Por que não eu?”. Isso é importante para o avanço. Isto conduz a pessoa.

É por isso que um grupo deve como que provocar a todos. Ele deve flertar com a pessoa tempo todo, sempre estimulando o desejo a se mover nela.

Ela tem que ver seus amigos como pessoas que avançam: “Eles estão na minha frente, eles são mais simpáticos entre si, eles se entendem, são mais diretos um com o outro; veja como eles já estão se aproximando. A substância espiritual está começando a surgir entre eles, e eu estou em algum lugar afastado; não consigo, não sou como eles”. Esses estados são muito úteis para a pessoa.

Da Lição Virtual 11/11/12

Completando A Construção De Um Mundo Incompleto

Nós temos uma força enorme em nossas mãos e não há nada que se compare a ela no mundo. A sabedoria da Cabala é o fundamento da natureza sem todos os mitos e crenças! As leis físicas, as leis mais profundas do mundo são a cooperação mútua de duas forças opostas: a Luz e o vaso (desejo), o atributo de recepção e o atributo de doação, e não há nada além disso.

Chame-lhes o que você quiser: mais e menos, o Pólo Norte e o Pólo Sul, ou de protão e electrão. Nós temos o método para os equilibrar que explica como podemos construir o mundo usando esses dois blocos de construção, como podemos concluir a construção deste mundo propositadamente incompleta por nós mesmos, e, assim, entender o que o Criador quer de nós.

Ele quer que sejamos capazes de construir com Ele. Assim como uma criança constrói uma casa de blocos de construção, faz esculturas de algo, joga com um conjunto de construção, ou coloca um quebra-cabeças, nós também temos de completar a construção deste mundo!

As peças inanimado, vegetativo, e animado do mundo estão instintivamente equilibradas. A natureza opera nelas e assim estas nunca estão erradas e funcionam corretamente. Algo pega algo, algo come algum outro algo, isto é como a natureza governa. Isto é assim, exceto para o homem.

Nós contemos os níveis animado e falante. Temos que trazer o nível animal para um equilibro com a natureza. Isto significa consumo razoável. O mundo vai ter que chegar a ele ou pelo sofrimento, por uma crise, ou em um bom caminho. Eu acho que este desenvolvimento vai acelerar agora.

Em qualquer caso, agora todas as pessoas do mundo já falam sobre isto abertamente. Ultimamente ouvimos nos media que as coisas não serão melhores no futuro, pelo contrário, serão ainda piores. Não é só na Europa, mas nos Estados Unidos e em outros países também. Ou seja, as pessoas já admitem que não há nenhuma maneira de sair deste estado.

Assim, a natureza vai nos trazer conscientemente ou por golpes, a necessidade de uma existência sábia, de consumo razoável: Tudo deve ser partilhado igualmente, e então todo mundo vai ter tudo o que precisa para subsistir. Todas as outras forças e tempo serão destinadas apenas para atingir o próximo nível chamado Adam (humano), o que significa semelhança com o Criador, em unidade entre nós.

Isto é o que nós temos que construir por nós mesmos. Temos que atingir este nível e existir nele de forma sensata e não instintivamente, de modo a que sejamos capazes de alcançar o nível do Criador, a força unificada que nos envolve e controla.

Não devemos pensar nesta força como algo material. Somente o desejo pode ser real. A Luz que o controla não é matéria, mas apenas uma intenção de doar. Vamos entender isso com o tempo.

Da Convenção na Georgia 06/11/12, Lição 4

Uma Cama De Penas Não É Uma Interrupção No Caminho Para Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam: “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, Item 11: No entanto, nós encontramos e vemos nas palavras dos sábios do Talmude que eles tornaram o caminho da Torá mais fácil para nós do que os sábios da Mishná. Isto é porque eles disseram: “A pessoa deve sempre praticar Torá e Mitzvot, mesmo em Lo Lishma, e de Lo Lishma ela chegará à Lishma, porque a Luz nela reforma”.

Assim, eles nos forneceram um novo meio, em vez da penitência apresentada na Mishná acima mencionada, Avot: a “Luz na Torá”. Ela gera poder suficiente para reformar a pessoa e trazê-la à prática de Torá e Mitzvot Lishma.

Acontece que não precisamos mudar nada em nossas vidas, não precisamos nos limitar ou prestar atenção ao nosso corpo, para contar o quanto comemos, bebemos ou dormimos. Não importa se eu durmo num edredom ou no chão, como sou “bom” para os outros, para os meus parentes, para mim, e com o que eu lido. Tudo isso não importa, o que importa é a prática da Torá (o estudo da Cabalá), de tal forma que a Luz vai me reformar.

Eu só preciso desta Luz e ela já vai gerenciar todas as minhas relações: comigo mesmo, com os amigos, com o ambiente, com o Criador. A Luz vai gerir tudo. Eu só tenho que tentar atrair a Luz sobre mim e lhe dar a chance de agir. Isto é o que dizem os sábios.

Eles já estabeleceram as conexões no sistema geral das almas, que foi totalmente quebrado, e o fizeram através de várias fases de desenvolvimento: Babilônia e o exílio no Egito. O grupo que Abraão tirou da Babilônia já se desenvolveu e estabeleceu conexões entre todos os seus membros, ou seja, as almas, as partes do sistema geral.

Eles já podiam construir o primeiro Templo, e receber a Luz de Mochin de Haya para doar, e então caíram deste nível e foram exilados para a Babilônia. Depois, eles saíram do exílio e construíram o segundo Templo lá, no nível de Mochin de Neshama, e caíram novamente. Isso significa que eles já passaram por diferentes níveis de desenvolvimento que eram necessários para a preparação: três exílios e três redenções. Assim eles realizaram todas as correções pessoais, individuais, que os filhos de Israel, que são parte da humanidade, o grupo que está à frente do processo de correção, tem que realizar.

Graças ao fato de que este grupo tem atravessado todos os exílios, redenções e a destruição dos dois Templos no nível de Mochin de Haya e de Mochin de Neshama, isso estabeleceu uma rede de conexões corretas e necessárias com a parte superior da alma geral, de toda a criação, chamada GE. Assim, qualquer pessoa que queira se corrigir agora, tem a chance de fazê-lo.

A destruição dos dois Templos e o exílio do povo de Israel foram necessários para se voltar à Babilônia, que ficou sem correção, e para se integrar com eles, a fim de corrigi-los mais tarde. Esta fase, que foi feita pela incorporação mútua, terminou cerca de uma centena de anos atrás, ou mesmo durante o tempo do ARI. Agora, quem quer ser corrigido não tem que atormentar seu corpo e viver sob as condições de penitência, sob as quais viveu o grupo que corrigiu GE.

Então, eles se corrigiram separadamente das outras nações do mundo e viveram sob as condições especiais do “Comerás o pão e sal e beberás água com moderação, dormirás no chão e trabalharás na Torá”. Porém, depois de terem cumprido suas correções e se amarrado a todo o sistema, esse sistema já existe de uma forma parcialmente corrigida, oculto de nós.

Agora todo mundo pode usar essa incorporação mútua das almas da nação de Israel com as nações do mundo; GE que entrou em AHP e integrou-se com ele. Se uma pessoa quer ser corrigida, se a centelha espiritual se acende nela, então há um sistema que a apoia, através do qual ela pode atrair a Luz que Corrige.

A Luz vai consertar tudo, pois há um sistema que está pronto para absorvê-la e para fornecer-lhe todos os níveis de correção. Então, não devemos nos limitar de qualquer forma; tudo é possível, exceto denunciar ou causar danos intencionalmente. A pessoa pode ter um caráter e atributos diferentes, mas se ela quer trabalhar para atrair a Luz que Reforma, ela deve receber a chance de ser incorporada no grupo. Seu estilo de vida e atitude para com os outros, a carga que acumulou, que trouxe consigo, deve ser deixada com a Luz, de modo que ela vai cuidar disso.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/11/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“

Inanimado, Vegetal, Animal E Falante

Dr. Michael LaitmanNa espiritualidade, há quatro níveis de desenvolvimento do desejo de receber: inanimado, vegetal, animal e falante.

O desejo age de acordo com a força que está nele.

Se a força é do nível da natureza inanimada, o desejo mantém a sua estrutura e resiste às forças externas o máximo possível, de modo que elas não o penetrem nem o quebrem. Existem materiais que são mais ou menos fortes, mais ou menos estáveis, dependendo da intensidade do desejo da forma inanimada específica. Alguns materiais são muito difíceis de quebrar, enquanto outros são maleáveis. Outra questão é quais materiais afinal são mais ou menos resistentes às influências externas: uma roda de borracha, por exemplo, absorve os golpes apesar da agitação e penetrações externas, enquanto que uma roda de pedra ou ferro se decompõe muito mais rápido.

É assim que verificamos os nossos desejos de acordo com a sua dureza interna e não a sua dureza física: como é que eles resistem às mudanças externas. Mesmo em nosso mundo, nós vemos a diferença entre a borracha e o ferro, que pode resistir às mudanças externas, mas se quebra quando algo o penetra.

Depois do nível da natureza inanimada existe o nível vegetal. Seu desejo é maior e mais forte, e pode resistir às influências externas, classificá-las e usar os elementos benéficos. Ele verifica e classifica os fatores externos, absorve o que é benéfico e expele o que é prejudicial.

Assim, ocorre um ato muito complexo de esclarecimento, no qual o desejo do vegetal tem que saber a sua própria estrutura, o que e para que ele existe, o que é benéfico e o que é prejudicial para ele. O vegetal faz este esclarecimento instintivamente, e com isso podemos entender como a pessoa deve agir no nível espiritual do vegetal.

O desejo do nível animal pode escolher o seu ambiente, e por isso consegue se mover de um lugar para outro. Ele precisa de um companheiro para se reproduzir. Aqui, o nascimento é uma criação real, como se o Criador criasse uma nova criação. Na espiritualidade é realmente assim, e a menos que a pessoa adquira a força de Bina, não pode dar à luz.

O desejo no nível animal pode assumir muitas formas. Além de conhecer a si mesmo, ele também conhece diferentes fenômenos que revelam desejos menores e maiores. Assim, o nível animal vê a sua vida de uma ponta a outra. Os animais têm filhos e os criam. Em geral, neste nível há um programa interno instintivo do conhecimento da vida de uma pessoa, embora ele seja limitado e inevitável.

Os animais se movimentam e sentem onde é bom para eles e onde é ruim. Eles podem escolher o ambiente. O vegetal dificilmente influencia o ambiente, mas apenas se protege contra pragas e, em certa medida, se abre para as condições externas benéficas, tais como a luz solar, o ar, a umidade, etc. Por outro lado, os animais escolhem e mudam o ambiente; eles se movem de um lugar para outro, criam para si um lugar para viver e se reproduzir. Até certo ponto eles sentem o outro, incluindo a sua presa, que eles também têm que entender e sentir. Eles sentem o outro especialmente quando se reunem em bandos, que têm uma clara ordem e hierarquia

Estas são coisas profundas, mas que ainda são preenchidas instintivamente.

Quanto a nós no nível falante, tudo tem que estar acima do desejo de receber, acima da restrição. Nós só devemos entender que uma pessoa tem que conhecer o novo mundo.

No mundo espiritual, há 620 desejos que agem em todos os níveis:

• O nível inanimado está pronto para resistir a qualquer alteração de seu ego, mantendo-se sob a Masach (tela), sob a proteção da restrição, isto é, acima de todos os desejos egoístas.

• O nível vegetal usa seu desejo de receber proveniente da casca egoísta das Klipot com a ajuda da Luz que Reforma, e começa a esvaziá-la e esclarecer o que é bom para ele e o que é prejudicial. Ele absorve o que é benéfico e expele o que é prejudicial, abrindo e fechando-se, à medida que todas as suas ações são destinadas à doação, mas ainda agindo no geral, sem nenhum esclarecimento pessoal, sem dar dando nascimento a nada de forma independente. As criaturas do nível vegetal permanecem no âmbito do desejo geral e mudam juntas. Em outras palavras, a pessoa pode estar acima de seu desejo pessoal egoísta, mas não consegue ainda “dobrar” ou mudar a sociedade, não consegue abrangê-la e corrigi-la internamente.

• O nível animal com seu desejo de receber pode existir no mundo do Criador quase ilimitadamente.

• O ser humano inclui todo o ambiente dentro dele, o mundo inteiro, e se torna um “justo, que é a fundação do mundo”.

Baal HaSulam fala sobre isso no artigo 115 do Shamati, que também é chamado de “Inanimado, vegetal, animal e falante”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/11/12, Shamati # 115

Dever De Todos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qualquer um pode subir toda a escada espiritual e o que vai acontecer com aqueles que não podem subir?

Resposta: Todos devem e deverão chegar a um equilíbrio, à harmonia com a natureza, o Criador, com os outros. Todos!

O que acontecerá com aqueles que não querem? A natureza vai empurrá-los com uma vara para a felicidade e batê-los até que eles queiram. Ela vai batê-los, de forma que nenhum guarda é necessário. Então, a pessoa vai começar a se perguntar em voz baixa: “Por que isso está acontecendo? Por que isso está caindo sobre mim? O que estou fazendo de errado?”, pois os golpes lhe ensinam.

Portanto, para aprender rapidamente, para entender isso depois de um ou dois golpes, e não depois de cem ou 200, a Cabalá existe. Em princípio, ela não faz mais nada; ela simplesmente ajuda a entender qual o problema na vida e como muda-lo.

Da Convenção na Georgia 05/11/12, Lição 1

Visão E Audição Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que são a visão e a audição espiritual?

Resposta: A primeira fase da realização é chamada “eu ouvi”, e a segunda etapa é “eu vi”, mas não são os olhos e ouvidos, mas o nível, a profundidade da realização espiritual. Quando uma pessoa atinge o estado de “não faça mal aos outros”, ela está no estado “eu ouvi”, e quando, além disso, ela atinge o nível do “amar o teu próximo como a ti mesmo”, então atinge o nível de “eu vi”.

Da Convenção na Georgia 05/11/12, Lição 1

Como Sobreviver À Tempestade De Dúvidas?

Podemos subir para o nível espiritual só depois que aceitamos a condição de que não esperamos qualquer recompensa. Mas como eu posso chegar a tal decisão? Como posso eu pedir por poder de Cima? Como posso eu fazer isso se só tenho uma mente corpórea, sentimentos corporais, e só posso agir egoisticamente, uma vez que eu não sei mais nada? Onde posso eu encontrar as formas corretas e os discernimentos certos a partir dos quais eu poderia formular o pedido correto: receber apenas o poder de doar e não pedir por uma recompensa? Este é o chamado nível de Bina, Hafetz Hesed, a Arca de Noé.

Se uma pessoa avança persistentemente tendo o cuidado de manter todas as condições, ele não é obrigado a ter quaisquer atributos especiais que não sejam aqueles com que ele nasceu ou que pertençam a pessoas especiais. A qualquer um são dadas as condições adequadas para o seu trabalho ao lhe serem enviadas dúvidas: “O que é este trabalho?” e “Quem é o Senhor a quem devo ouvi-Lo?” Isso acontece quando ele é atirado uma vez em ” águas da inundação” e outra vez em “águas limpas”, e em seguida, em “água da discórdia” e em “águas calmas”, em discernimentos diferentes de Bina, que são revelados para nós.

Uma pessoa deve esclarecer se ela os aceita na linha direita, na linha esquerda, ou na linha do meio, e onde em cada uma destas linhas existem as suas próprias linhas: Na linha da direita, existem três linhas, e na linha de esquerda, existem três linhas, e o mesmo na linha do meio, e todos estão incorporadas em cada um das outras.

O ponto principal aqui é não parar e teimosamente avançar da forma mais simples, não ser inteligente e tentar resolver esses problemas com a nossa mente corpórea. Toda esta filosofia é inútil e só a pureza do coração pode ajudar. Uma pessoa bem-sucedida não é necessariamente inteligente e pode até mesmo ser um pouco tola, mas é dedicada ao objetivo e teimosamente avança em direção a ele, tentando fazer o seu trabalho. Naturalmente, a inclinação para o mal cresce constantemente nela, evocando pensamentos de críticas e dúvidas, mas esta sua atitude a levará eventualmente ao sucesso.

Todos os esclarecimentos começam a partir das questões bem conhecidas de Faraó: “Quem?” e “O quê?” Então diferentes tipos de águas são revelados. “Quem?” e “O quê?” são questões sobre a grandeza do Criador, sobre se eu preciso Dele ou não, e sobre o tipo de recompensa que eu espero. Por enquanto são esclarecimentos simples sobre quem está controlando e como.

Mais tarde eu encontro diferentes tipos de águas e sou forçado a esclarecer: De quem é que eu me quero esconder? Para que é que eu me estou a esconder? Que tipo de águas são as de inundação para mim e que tipos não o são? “Uma pessoa desenha todo este quadro, mas não há nenhuma inundação nisto! A inundação é para mim, é o resultado dos meus pensamentos maliciosos, más influências, etc..

Esta é determinada pelo que sinto em mim e não por desastres naturais, como as tempestades e inundações com que nos deparamos agora. Nós é que criamos realmente a inundação dentro de nós. Embora haja tempestades e inundações naturais como as da América do Norte, que também são criadas pelos humanos, pela sua atitude em relação à vida, que convoca tal resposta da natureza.

Depois de pedir as perguntas “Quem?” ou “O quê?” várias vezes, eu começo a esclarecer os diferentes tipos de águas, e eu vou-me aproximando da oração certa. Isto significa que eu tenho que esclarecer a carência que eu tenho que atingir para obter o poder que vai levantar-me acima do meu desejo de receber e permitir-me verdadeiramente doar. Após a inundação recuar, eu vou sair da arca de Noé e vou começar a trabalhar com os meus desejos para receber em doação. É dito que Noé compreendeu que o dilúvio havia terminado quando a pomba trouxe um ramo de oliveira, que é um sinal de que não é apenas Hassadim (água), mas também Hochma dentro de Hassadim.

Da 1 ª parte da Lição Diária da Cabala 30/10/12, Escritos do Rabash