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Nove Passos Para A Descoberta Espiritual

Dr. Michael LaitmanNossa meta é chegar à equivalência e harmonia com a Luz, em outras palavras, chegar ao fim da correção, ao amor eterno e à doação. Este estado requer a nossa consciência e a elevação a todas as características necessárias, a fim de entender o que nos falta para nos equivalermos à Luz, que mudanças internas devemos passar.

Isto é, todo o nosso trabalho é entender o que eu estou sentindo agora e o que estaria sentindo no estado corrigido. Em cada estado, eu devo reagir como a Luz.

A cada momento da minha vida, eu devo desejar o equilíbrio com ela, ou seja, a equivalência de forma. Para isso, primeiro é necessário estar consciente das propriedades da Luz. No entanto, nesse meio tempo, nós estamos em ocultação e não sentimos a Luz. Enquanto não chegamos à equivalência de forma com ela, como eu posso me assemelhar à Luz, se eu não a sinto?

Aqui, uma condição nos salva, que foi criada especialmente para nós: este mundo. É um milagre que não existe em nenhum dos outros mundos. Aqui, neste mundo, mesmo que eu esteja na quebra completa, totalmente oposto à Luz, apesar de tudo, eu tenho a possibilidade de descobrir os desejos que, como eu, estão à procura de equivalência com a Luz. Assim como eu, eles recebem essa aspiração do Alto, esta gota de sêmen, este “ponto no coração”, sem o qual essa aspiração não seria despertada.

A partir deste ponto, nós já podemos começar com ações similares às da Luz. Ou seja, quando interagimos uns com os outros, podemos criar a partir de nós mesmos um exemplo do que se chama a ação da Luz: doação, amor, ajuda mútua, cooperação mútua e despertar. Nós temos a oportunidade de fazer essas ações que a Luz faz conosco para aquecer uns aos outros um pouco, para agitar, ou seja, para despertar o desejo e a inveja num amigo.

Em vez da Luz, do Criador, nós temos o grupo. O Criador leva a pessoa à boa sorte e diz: “Pegue!” Em outras palavras, Ele a leva a um laboratório, coloca-a no modelo através do qual podemos avançar com a ajuda dos amigos, apesar do nosso estado quebrado, arruinado. O Criador nos leva até eles, e agora você começa a agir!

Tudo o resto depende de você, da maneira com a qual você faz o trabalho e se relaciona com o grupo como com o Criador que doa a você. Quando você começar o diálogo, o trabalho recíproco com o grupo, você vai esclarecer como o grupo influencia você e você influencia o grupo. Então, é possível subir em conjunto.

Portanto, nós temos que chegar a um estado chamado Arvut (garantia mútua), que obriga a ajuda mútua e a influência mútua por todos a cada membro do grupo. Nós nos apresentamos diante de cada amigo como a doação da Luz, do Criador sobre ele, e ele deve reagir a nós como uma criatura que quer se corrigir e se assemelhar à Luz.

Em outras palavras, cada um quer se identificar com o grupo, estar conectado, aderir a ele, para se tornar um homem com um coração, com uma só mente. Ou seja, eu tenho que me fundir nos amigos para que absolutamente nada seja deixado de mim. Eu quero mergulhar no grupo. Isso é o que cada um deve fazer, e com isso, todo mundo está ajudando a todos.

Como resultado disto, após a última gota de esforço, nós realmente nos tornamos um homem com um coração. Essa gota é como o último pedaço que comemos numa refeição, e depois dele vem a saciedade, e nós sentimos que estamos cheios. Desta forma, nós completamos um HaVaYaH completo, dez Sefirot. Você vê, apenas a última fase, Malchut de Malchut, sente, entende e sabe com quem está lidando, por que e como deve se comportar, como é construída, como o Criador é construído, e que o deve ser feito em resposta se recebe tudo Dele: a Luz e o desejo.

Portanto, Arvut é a primeira fase – conexão num único todo – e parece que não há nada mais a fazer. No entanto, nós entendemos que, por enquanto, estas são apenas palavras, como se diz, “o fim da ação está no pensamento inicial”. Em pensamentos, nós já queremos chegar ao resultado final, mas você deve ir por uma via que pode ser longa. Você vê, eu devo construir a mim mesmo, e só então vou reconhecer o Criador.

Tudo é criado de cima de uma forma perfeita, mas a criatura deve atingir essa perfeição, estar ciente do Criador, tornar-se como Ele, compreendê-Lo em toda sua profundidade, e se assemelhar a Ele em todas as suas ações. Você vê, se o estado da criatura é inferior à equivalência completa com o Criador, não se considera que o Criador tem sido benéfico com ela.

Nós temos que passar por todas essas etapas, e enquanto não tivermos terminado a fase anterior, não podemos passar para a próxima fase. Portanto, desde o início, nós estamos falando sobre a Arvut, sobre alcançar equivalência de forma com o Criador, sobre a harmonia com a natureza: realizar a cópula, abraçar, beijar, todas as expressões de equivalência de forma com o Criador, e, apesar de tudo, estas são ainda palavras, e agora nós começamos a construir este estado, ou seja, entramos na segunda fase em diante. Em geral, é possível descobrir as nove etapas no caminho para a descoberta espiritual.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 07/01/14, Lição sobre o Tema: “A Preparação para a Convenção”

“Reinicialização” Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: No primeiro semestre, eu senti que alguma coisa estava acontecendo dentro de mim; no segundo semestre, eu participei ativamente do trabalho, enquanto que no terceiro semestre, descobri que na verdade não entendi nada, e que nenhum sentimento permaneceu além do medo de me perder. E mesmo que eu ouça as lições matinais, eu não as ouço.

Resposta: Você, pessoalmente, juntamente com vários outros alunos, estão passando por um período interno exclusivo dos preparativos para o novo estado. Portanto, não se preocupe, isso vai passar. De repente, um despertar virá até você e você vai começar a sentir algo completamente novo. Esta ainda não será a entrada no mundo espiritual, mas já algum tipo de sensação espiritual.

A ideia é que o programa interno está mudando dentro de nós. Ele está sendo aperfeiçoado o tempo todo e tudo está acontecendo como num computador: você está carregando um novo software e depois você deve “reinicializá-lo para passar de um nível de trabalho para outro.

Isso é exatamente o que está acontecendo com você agora. A perfeição interior da adaptação do programa a isso e ao mundo espiritual está sendo realizada em você e em breve você vai começar a sentir mais.

E o estado de confusão, vazio, falta de compreensão e confusão, irá retornar muitas vezes; caso contrário, você não poderia avançar. Isso é comum a todos, mas aos poucos você vai se acostumar com isso.

Da Convenção Virtual em Moscou “Unidade Sem Limites” 14/12/13, Lição 2

Condutores Elétricos Espirituais

Dr. Michael LaitmanTodos nós sabemos que o desejo de receber é matéria, em outras palavras, a base de toda a criação. O desejo é tudo o que a Luz (o Criador) criou. Portanto, o desejo é chamado de “algo a partir do nada”, pois não existia antes da Luz cria-lo. Esta é a única ação, o ato da criação.

Na continuação, o desejo de receber evoluiu a partir da fase zero até a fase quatro, e com a influência da Luz começou a sentir sua existência, isto é, quem ele é e o que ele é. Neste estado, de repente, ele começou a se sentir como receptor. Se ele só me criou desta maneira, é uma coisa; além disso, eu também entendo que quero receber e desfrutar da recepção, o que já é outra coisa. Aqui nós estamos falando da intenção: o desejo de receber revelou a intenção dentro dele, e ela era o oposto da intenção do Criador.

Por isso, uma imensa lacuna foi criada entre a intenção do desejo que foi criado (uma intenção para receber prazer para si mesmo) e a intenção do Criador que o desejo sente (a intenção de dar prazer à criatura, de preenchê-la, de se preocupar com ela e assim por diante).

A sensação da grande lacuna, a sensação de ocultação desperta no desejo de receber o que se chama, Tzimtzum Aleph – primeira restrição. Na verdade, este foi o início da criação. Com a influência das condições existentes, o desejo de receber começa a fazer alguma coisa por si só. Ele começa a receber apenas para dar prazer ao seu Criador, ou seja, tenta ser como Ele. Esta semelhança com o Criador é o primeiro mundo entre os cinco mundos (porque o desejo de receber é composto de cinco níveis), o mundo de Adam Kadmon (AK), que é Adam HaRishon (primeiro homem), o protótipo do homem.

Isso conclui a primeira fase, uma vez que o desejo de receber não pode fazer mais nada. A fim de continuar a realizar-se, são necessárias novas ações. Os detalhes destas ações são mais interessantes. Abaixo do Tabur do fim de Galgalta ve Eynaim, é feita uma mistura dos desejos, mais precisamente, esta é uma mistura das intenções de Lo Lishma e Lishma.

Depois disso, ocorre Tzimtzum Bet, a segunda restrição. Ela dá um impulso para a continuação do desenvolvimento, que é tão grande, que ao mesmo tempo o desejo de receber recebe a Luz dentro de si como se fosse Lishma, e ele descobre que, apesar de tudo, não está preparado para fazê-lo, não consegue manter a intenção correta, e recebe tudo por si. O estado em que a satisfação egoísta é revelada é chamado de quebra do desejo de receber.

Posteriormente, dentro deste desejo quebrado, novos mundos aparecem, novos sistemas são construídos. E todos esses sistemas já estão construídos em um estado em que o desejo de receber entende e está ciente do que ele é, quem é, e como deve construir um sistema no qual ele pode ser reparado, ou seja, passar da intenção “a fim de receber” para a intenção “a fim de para doar”.

Tudo isso acontece quando ainda não existe nada além dos dois desejos, as duas forças opostas, ou seja, antes mesmo do nosso mundo ser formado, antes do Big Bang, antes do nosso universo, antes de tudo. Estas duas forças constroem todo o sistema de controle por meio do qual quatro mundos aparecem: Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya (ABYA). Assim, o sistema de controle é criado.

Depois disso, a partir desse ponto central do mundo do Infinito, Olam Ein Sof (∞), que sentiu vergonha e, portanto, fez Tzimtzum (restrição), um único Partzuf interior é formado, um pequeno sistema interno muito original. Isso é chamado de Adam e seu objetivo é assemelhar-se totalmente ao Criador, para levar todo o desejo à equivalência de forma com Ele. Este sistema também passa por uma quebra, uma divisão numa infinidade de partes que caem em nosso mundo.

O que é este mundo? Nele estão as condições, com cuja ajuda o desejo de receber pode corrigir a sua intenção. Como ele faz isso? Ele faz isso de uma forma completamente independente do Criador. Caso contrário, isso não seria uma correção independente e o desejo não seria independente. Portanto, após os cinco mundos: Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya, a descida através de todos os 125 níveis que começam a partir do mundo do Infinito até o nosso mundo aqui, abaixo de todos os mundos superiores, um único nível é formado.

Este é único, já que aqui existem corpos, o que nós compreendemos como corpos que nascem, se desenvolvem, envelhecem e morrem. Além disso, estes corpos também são divididos em machos e fêmeas.

Um sistema completo é formado aqui da ação de forças, que em nosso estado e consciência são sentidas como corpos. Nos mundos espirituais, apenas desejos e intenções existem. No nosso mundo físico, há três fatores: corpo, desejo e intenção. Por esta razão, os corpos podem chegar a diferentes relações entre si, de aproximação mútua e de distanciamento. Esta abordagem e distanciamento não necessariamente influenciam o desejo e a intenção.

Os desejos podem ser completamente diferentes, as intenções podem ser completamente opostas, muito ruins, e, simultaneamente, entre os corpos pode haver proximidade. E nós vemos isso em nosso mundo. Os políticos ou pessoas que se odeiam se reúnem, vamos dizer, “escondendo uma faca ou uma arma” nas suas costas, sorrindo educadamente, apertando as mãos uns dos outros, conversando e concordando com as coisas entre eles.

Esta é a singularidade do nosso mundo, que é a sua vantagem e sua deficiência. Aqui, sem corrigir os desejos e as intenções, é possível se aproximar uns aos outros através dos corpos. E se nós não entendemos esta condição, a singularidade do nosso mundo, se julgamos a proximidade interior de acordo com a proximidade exterior, então é claro que nós perdemos.

Um exemplo adicional é a atração sexual. Em geral, numa idade jovem as pessoas ainda não entendem que este é um impulso corpóreo. E, como resultado, há muitos problemas.

As pessoas não entendem que a principal intimidade deve ser muito mais profunda, interna, intencional, o propósito da vida. Quando você não conseguir alcançar esse objetivo sem outra pessoa, então não vai ser realmente uma verdadeira intimidade.

Portanto, em nosso mundo esta imagem de “corpos” é formada, uma verdadeira ilusão. Ela se divide em quatro níveis: a natureza inanimada, vegetal, animal e falante.

E como é conhecido por nós a partir de uma parte da Cabalá chamada a percepção da realidade, todos os corpos aparecem apenas em nossa imaginação interna. O imenso mundo material é sentido apenas como externo. No entanto, ele é revelado desta forma apenas em nossa consciência. Os físicos, biólogos e psicólogos já falaram sobre isso.

Por outro lado, esta é a singularidade do nosso mundo, e em geral, a realização de todo o processo de evolução da criação, pois nos leva a um estado do qual podemos começar a nos aproximar, pelo menos corporalmente.

Para onde é que tudo isso leva? Ao longo da história a humanidade tem se desenvolvido de acordo com uma lei interessante, a lei do ego crescente. Se nós estamos falando da natureza simples, também nela primeiro o nível inanimado evolui, depois o nível vegetal, em continuação o nível animal e só depois o humano. No entanto, essas etapas são temporárias, já que o processo atinge certo estágio e depois para e não continua a evoluir mais. Esta é a evolução gradual das fases.

Todos nós sabemos que os cataclismos naturais aconteceram durante a evolução na superfície da terra. E depois disso, o ser humano evoluiu a partir do macaco. A Cabalá nos revela como e por que isso aconteceu. É claro que os Cabalistas escreveram sobre isso muito antes de Darwin. Isso é falado no Livro do Zohar, nos livros do Ari (Cabalista que viveu no século XVI) e na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot “, que é o comentário do Livro do Zohar por Baal HaSulam.

A evolução humana é mais interessante: centenas de milhares de anos se passaram até que, no século XX, o estágio evolutivo exponencial mais sério chegou. No início do século XXI, nós chegamos a um estado de saturação: o ego parou de evoluir e até mesmo começou a declinar um pouco.

Em outras palavras, nós começamos a compreender que há um fim para o ego. Nós ansiávamos o tempo todo em atingir o pico da nossa evolução; o nosso ego cresceu e nós pensamos que este crescimento poderia ser infinito. Especialmente no século XX, o sonho americano de felicidade geral numa sociedade de consumo infinito ilimitado nos atraiu. Parecia que nós poderíamos ver e saber tudo, que pudéssemos desfrutar tudo, que todos nós seríamos livres e felizes, que iríamos viver centenas de anos e ainda mais. Tudo parecia um sonho róseo. Tínhamos certeza de que nossos filhos viveriam muito melhor do que nós, que seria possível viver tanto para o nosso bem como para o bem deles, ou seja, que seríamos duas vezes mais feliz.

Depois disso, o ego cresceu a um estado em que, tanto para nós não há vida e também para os nossos filhos certamente ela não será melhor. Hoje mesmo nós estamos vendo isso. Nós estamos preparando um mundo para eles que é ruim, muito pior do que o atual.

Isso é sentido nos desastres naturais e em tudo que está acontecendo no mundo. Mesmo as nações subdesenvolvidas atingiram rapidamente um limite e estão começando a cair.

E assim o nosso ego nos levou a um beco sem saída e vemos que chegamos ao “fim da linha”. Os Cabalistas indicaram este ponto em 1995. Este é o único indicador que o Baal HaSulam apontou. Na sua opinião, desde então, a humanidade se tornaria consciente do fim de sua evolução e que o nosso ego não é infinito.

Trata-se do fim do processo que começou com o Big Bang, que foi o início do nosso universo, supostamente 14 bilhões de anos atrás. Começando com o Big Bang até o nosso tempo, todo esse período foi um período de evolução do ego. E aqui ele chega ao fim.

Você pode imaginar que momento único nós estamos vivendo? A partir de hoje, o ego está começando a “se dobrar”, e nós vemos isso de acordo com os casos de depressão, os problemas na família (crianças, divórcio), a condição social, as relações entre nós, o avanço rumo a uma nova guerra mundial, e assim por diante. Novamente, as pessoas veem o tempo todo a falta de perspectiva. O estado egoísta, para o seu próprio bem (Lo Lishma) é perder a si mesmo. Nós não estamos preparados para estar separados dele, mas já não nos parece como algo absoluto, certo e inabalável. Assim, a natureza nos obriga a mudar a antiga percepção, a nossa relação para com o mundo, para com a vida, e para com nós mesmos.

A Cabalá fala sobre isso, que, precisamente agora, a humanidade tem a oportunidade de chegar à consciência do fim de sua evolução e pensar novamente sobre o objetivo de sua existência: será que realmente existimos apenas por causa de nossos corpos? Se vamos ou não compreender verdadeiramente o nosso mundo somente através de nossos corpos, absorvendo tudo através dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato? Vários tipos de ondas nos influenciar e nós as percebemos e vemos o mundo em algum tipo de tela interior.

Mas será que percebemos tudo? Será que existimos na forma certa? Através do nosso ego, através da preocupação pelos nossos corpos sozinhos, será que não estamos nos metendo numa armadilha psicológica de informações que contrai e destrói nossas conquistas e emoções, a nossa existência? Em resumo, venham, vamos checar de novo, será que estamos certos ou não sobre a nossa conservadora abordagem egoísta?

Esta é a singularidade do nosso tempo, o tempo da descoberta da sabedoria da Cabalá como um meio que torna possível descobrir dentro de nós o novo sentimento. Torna-se impossível não ficar preso aos nossos cinco sentidos “bestiais” que morrem em conjunto com os nossos corpos e desenvolver em nós um novo sentido interior que não depende do nosso corpo. Isso é chamado de Neshamah, alma. Em princípio, este é também um corpo, mas um corpo espiritual. Nós o desenvolvemos muito facilmente através de uma mudança na intenção de “para mim” para “pelo outro”. Isso nos ajuda a sair das limitações de nós mesmos e começar a sentir o que os outros sentem. Porque, se eu sinto tudo dentro de mim, a minha realidade é chamada de “nosso mundo”, e se eu posso sentir tudo em todos na humanidade, então eu sinto o mundo superior, só se eu posso entrar nos sentimentos do outro e estar fora de mim mesmo.

Os sofrimentos que sentimos em nós são a verdadeira crise. E esta é uma enorme ajuda para que possamos sair de nós mesmos e começar a sentir o mundo que existe fora de nós.

Então chega um estado como esse, que, em princípio, não me importa o que eu sinto dentro de mim. É como se eu estivesse vivendo dentro do outro e, assim, eu passo do meu “eu” limitado e mortal, para o “eu” infinito e imortal. Isto é o que a sabedoria da Cabalá nos dá.

E, basicamente, ela nos dá muito mais. Pois a morte está ligada ao meu corpo “bestial”, e Ein Sof está ligada à alma.

Em outras palavras, eu entro numa área completamente diferente, numa nova dimensão dentro da qual eu realmente existo. Eu começo a sentir este mundo como imaginário, que ele realmente não existe. Isso é porque ele só existe dentro da minha imaginação errônea, dentro da minha percepção egoísta onde estou centrado apenas em mim mesmo.

Assim, o nosso mundo é único, já que aqui podemos nos aproximar com a ajuda de corpos, mesmo com diferentes intenções. Nós podemos nos reunir em um círculo com um número de amigos, ao lado de uma mesa redonda e começar a nos conectar com o outro. E mesmo que a conexão entre nós seja artificial, mesmo que desde o início não tenhamos boas intenções um pelo outro, já que pela nossa natureza somos egoístas, mas exista um grupo, uma mesa redonda, um “playground”, no qual todos nós podemos nos unir e apoiar um ao outro, a este respeito, e entre nós existe uma Arvut (responsabilidade mútua) circular. É possível, pois cabe a nós alcançar um objetivo comum. E nós utilizamos todas as oportunidades materiais, tudo o que está em nossas mãos. Sobre isso, é dito: “Tudo o que está em suas mãos você deve fazer”. Nós tentamos chegar a conexão entre nós na qual cada um pode sair de si mesmo e ser um todo único.

Pois o que é esse imperativo? É só para ajudar um ao outro. Não há nada mais do que isso. Por que existe esse todo único? Por que acontece a quebra de um desejo numa multiplicidade de desejos? Só para que através disso nós ansiássemos pela ajuda mútua, ou seja, que cada um pudesse sair de si mesmo para o outro.

Assim, nós ansiamos por algum tipo de todo comum, mesmo que não queiramos isso, mas tentamos agir em conjunto, com a ajuda dos corpos. Nós nos reunimos num grupo, realizamos diversas atividades, organizamos convenções, estudamos, ensinamos e educamos a nós mesmos. Nós tentamos chegar à conexão entre nós, uma “bola de framboesa”. E o nosso impulso passa de um para outro. Nós podemos apoiar uns aos outros, despertar o outro. Nós podemos ampliar e melhorar a conexão entre nós psicologicamente.

E a primeira condição este nisso, de que a conexão deve existir de acordo com as leis que foram escritas para nós pelos Cabalistas. Pois esta unidade, o acordo deve ser como um Kli, ou seja, a característica de máxima doação e amor, tanto quanto possível. Os artigos Cabalísticos que os nossos professores deixaram para nós, nos dirigem a isso. Eles escreveram e gravaram para nós o que a conexão deve ser; eles determinaram todas as suas condições.

Portanto, o “acordo” entre nós deve ser como um Kli. Em geral, não há necessidade de inventar as condições para a conexão. Por meio de nossa mente distorcida que nos empurra egoisticamente para onde quer que ela vá o tempo todo, nós inventamos apenas o que é útil para o nosso ego, mas de forma alguma para a espiritualidade. Nós não entendemos o que significa esta espiritualidade, e, portanto, precisamos ouvir as fontes. Isto é muito importante porque há uma infinidade de “sábios” que começam a inventar algo por si mesmos e é claro que depois de algum tempo eles falham. Eles estão prontos para destruir essa vida para nós e não conseguimos alcançar o que estamos buscando.

Mas há também a segunda condição: cabe a nós explorar o mundo superior, em outras palavras, o que temos que alcançar. E também os nossos estudos devem ser baseados nas fontes, nos livros que foram escritos por pessoas que alcançaram o mundo superior.

Nós aspiramos o mundo superior, e conforme o nosso desejo de estar mais próximo dele, conforme o grau de tensão, nós recebemos uma influência chamada Ohr Makif (Luz Circundante).

Ela ilumina a todos, só ilumina, está em toda parte. Mas ela só continuará a nos iluminar na medida em que ansiarmos por ela. Quando queremos abordá-la, nesta medida nós despertamos a Luz mais forte para nós mesmos.

Tal como acontece com o efeito Doppler, novas características internas aparecem em mim, especificamente porque eu me encontro num campo uniforme de igual tensão, mas se eu me movo nele, a tensão é criada em mim como a eletricidade que é criada em um fio sob a influência de um campo magnético. Esta é a bem conhecida Lei da Indução; tudo o que tem elétrons livres pode ser usado como um canal que se move dentro do campo eléctrico.

Por isso, nós também nos movemos num campo uniforme de Luz, e na medida em que ansiamos por ela, ou seja, tentamos nos mover mais rapidamente, para chegar, atingir e descobrir que, nessa medida, surge em nós a “indução”, “correntes de indução” se formam em nós. E elas nos mudam, nossas intenções, de Lo Lishma para Lishma. No começo nós não entendemos como isso acontece, mas gradualmente o fenômeno age.

Desta forma, todo o desenvolvimento que é esperado para nós leva à conexão. Portanto, existem várias unidades como estas na natureza, como as tentativas de conectar nações, várias corporações, organizações profissionais e grandes indústrias, uniões internacionais, como a União Europeia e assim por diante.

Mas nós não sabemos como nos conectar. Por isso tudo acontece da maneira oposta. A União Soviética também se separou porque não poderia unir todos numa base espiritual comum, e a Europa também vai quebrar; qual será o resultado disso não é conhecido. Além disso, os Estados Unidos e, em geral, todos as uniões vão começar a quebrar, porque todos são construídos sobre o ego mútuo. Só se começarmos a entender que cabe a nós nos conectar, então vamos passar por este caminho, esta transição de distanciamento mútuo para a atração mútua, de uma maneira boa, fácil e confortável. Para isso foi dada a sabedoria da Cabalá para nós. Porém, se não pudermos usá-la, infelizmente vamos ser empurrados para um maior sofrimento, ódio mútuo, com grandes prejuízos para toda a humanidade, para uma Terceira e Quarta Guerra Mundial, e assim por diante…

Assim, a unificação do nosso mundo reside nisso, que, especificamente, nela nós podemos reformular nossas intenções de Lo Lishma para Lishma e fazer isso de forma totalmente independente, sem ser dependente do Criador, isto é, construir para nós mesmos equivalência de forma com Ele, sem estar sob Sua influência revelada. Nós estamos preparados para construir um estado entre nós que será semelhante à espiritualidade e para despertar em nós mesmos a Luz que Reforma e avançar neste caminho.

Portanto, a solução reside só na conexão entre nós. Assim, nós desenvolvemos a Educação Integral, em primeiro lugar, a fim de continuar a unir o mundo e, segundo, para elevá-lo ao Criador.

Nós nos encontramos numa situação única, pois temos recebido um despertar único de cima, e, portanto, isso nos levou à conexão (S), à Cabalá, ao estudo. Com esta condição, nós devemos estar ocupados com a nossa disseminação.

Em princípio, o mundo inteiro hoje está em crise e depende apenas de nós se ele vai entender o que esta crise é e qual o seu propósito. No final, nós, como a parte escolhida e única, devemos tomar todo este mundo e elevá-lo junto conosco ao nível do Criador, para conectá-lo ao Criador.

É possível fazer isso dentro do menor espaço de tempo, tudo depende apenas de nós. Eu espero que nós entendamos que a solução está na conexão e que a conexão correta só pode existir através de nós, e que vamos começar de forma séria a nos envolver com a disseminação da educação e formação integral.

Da Convenção Virtual em Moscou “Unidade Sem Limites” 14/12/13, Lição 2

Não Há Amanhã Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanO Zohar – Trechos selecionados, ParasháVaYikhael“, Item 112: Agora que o Rei superior e a Rainha (Malchut) estão em união e alegria nesses beijos, aquele que precisa fazer perguntas e pedidos deverá fazê-los, porque é um tempo de boa vontade.

Pergunta: O que é um “tempo de boa vontade?”

Resposta: A pessoa tem que buscar a oportunidade e o tempo de boa vontade que é iluminado sobre dela do Alto. Isso é realmente verdade, a entrega da Torá ocorre a cada momento, e a cada momento você tem boas oportunidades. O Criador não tem tempo, não existe hoje ou amanhã. É tudo com respeito à pessoa que alcança a espiritualidade e todas as mudanças são para melhor ou para pior. Soa como se o Criador estivesse mudando, passando de um lado para outro, para o lado bom e o lado ruim. A pessoa sente todas estas mudanças dentro dela.

Portanto, nós temos que buscar o momento oportuno e não relegá-lo à Providência Superior: “Eu vou esperar e talvez as coisas mudem um dia. Amanhã vai ser melhor”. O que significa “amanhã vai ser melhor?” Hoje, no momento seguinte, você vai criar um estado chamado de “amanhã”. Você não pode fazer isso se o seu animal não permitir isso, se estiver seriamente doente, Deus me livre, ou se estiver muito cansado, já que ainda não existimos acima do corpo. Mas se você pode, então não há tal coisa como um tempo de boa vontade do Alto, mas apenas abaixo; tudo depende de seus esforços.

Ainda que às vezes sintamos que uma “nuvem” nos cobre e que estamos no escuro ou as coisas estão borradas, devemos esperar e isso vai passar. Diz-se: “O tempo faz o que a mente não faz”. Então, isso significa que existem bons e maus momentos?

Ainda assim, tudo é com respeito à pessoa, como diz o Baal HaSulam: “e aquele que pode esperar até amanhã vai atingir sua mente quando a sua vida acabar”. Não existe amanhã na espiritualidade. Não espere nem um segundo!

Da 2ª Parte da Lição Diária de Cabalá 24/12/13, O Zohar

A Arte De Escrever Com Tinta Invisível

Dr. Michael LaitmanNós temos que lembrar que a espiritualidade é diferente da corporalidade. Na corporalidade, nós sempre queremos ver os resultados imediatamente. Às vezes, é o produto que fizemos: suponha que eu fiz sapatos, vendi-os e recebi dinheiro por eles. Eu vejo os sapatos que fiz, vejo os resultados dos meus esforços, os frutos do meu trabalho. Eu posso avaliar, melhorar, ajustar, corrigir e torná-los melhor se realmente os vejo.

Diz-se: “Não há ninguém mais sábio do que o experiente”, e o experiente ganha com as próprias mãos. Nós aplicamos o esforço em algum lugar, e lá vemos os resultados do nosso trabalho. Assim, ao longo do tempo, através de tentativa e erro, eu me corrijo e me torno um hábil artesão profissional.

Mas a dificuldade é que no trabalho espiritual não podemos ver os resultados. Imagine um músico que tocasse as teclas do piano e não pudesse ouvir nenhum som. Como ele poderia tocar? Quando uma criança aprende a escrever, ela recebe um caderno para inserir letras estritamente entre as linhas. Mas, na espiritualidade, eu não tenho “linhas”, e até mesmo as letras que escrevo são invisíveis!

Como eu posso me ajustar, se não consigo ver nenhuma resposta? Eu me esforço, mas elas desaparecem como água escorrendo na areia. Bem, digamos, eu estou disposto a sacrificar qualquer resultado em benefício próprio. Mas eu ainda tenho que me ajustar de alguma forma, verificar, melhorar meu trabalho e ganhar experiência. Como é possível?

Não funciona dessa maneira na espiritualidade. Nós não obtemos nenhuma resposta, e isso nos enfraquece. Eu não posso fazer um esforço que não cause qualquer reação visível. É como falar com uma parede. Toda a minha energia desaparece.

Mas a reação existe, só que não ocorre dentro do mesmo desejo, ou seja, ocorre num lugar diferente. Se pelo menos uma pequena parte dos nossos esforços estivesse correta, isto é, se tivéssemos a intenção de sair de nós mesmos e nos conectar com os outros, para nos aproximar do Criador e dar-Lhe a oportunidade de Se revelar a nós, para dar-Lhe alegria sem exigir ou antecipar a fim de obter algo em troca, a reação se acumula. Acontece que o lugar do nosso trabalho e os resultados que obtemos estão completamente separados um do outro.

Será que nós devemos pedir para ver os resultados do nosso trabalho? Se víssemos que fizemos algo corretamente, isso iria nos satisfazer, nos trazer satisfação. Isso pode me impedir e dificultar o avanço, porque eu começo a trabalhar por essa gratificação. Portanto, como eu posso analisar o trabalho que faço e verificar que não sou impulsionado por nossos próprios interesses?

Como posso ver a reação, sem apreciá-la egoisticamente? Como posso gerir e aceitar apenas a informação, sem a sensação, sem o desejo de receber prazer? Isso é chamado exigir um desejo de doar. Em outras palavras, eu não quero nem saber se estou doando ao Criador, porque no meu estado atual, eu iria, inevitavelmente, desfrutar e ser consolado. Eu só quero fazer ações, desprendido do prazer e da satisfação, acalmar meus desejos, sentimentos e pensamentos. Isso dá trabalho.

O resultado do nosso trabalho espiritual é chamado de “um achado”. Os resultados surgem exatamente no momento errado e num lugar que não esperávamos. E o próprio resultado é separado do desejo; portanto, é totalmente inesperado.

Isso acontece em todos os níveis espirituais, porque cada vez é um novo mundo. Nossas sensações se abrem para um novo nível, uma nova profundidade e qualidade, numa gama completamente nova que nunca existiu antes. Nossas sensações e critérios de avaliação passam por mudanças revolucionárias; eles são “atualizados”. É por isso que é chamado de “uma descoberta”, “um achado”.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 07/11/13

O Filme Encomendado Pelo Espectador

Dr. Michael LaitmanA diferença entre os mundos material e espiritual é que a espiritualidade é o nosso estado interno. Não há uma imagem externa com anjos voadores e espíritos malignos. O mundo que percebemos fora de nós é o nosso estado interior. Todas as sensações são desenvolvidas dentro da matéria da nossa percepção.

Anteriormente, nos últimos séculos, os loucos que tinham visões eram considerados santos e profetas. Mais tarde, a psicologia explicou que as alucinações eram causadas por processos internos que ocorrem nas pessoas. A sabedoria da Cabalá concorda com estas descobertas da psicologia.

Desde os tempos antigos, desde o início da revelação do Criador pelo homem, a Cabalá tem dito que as imagens deste mundo são apenas projeções de nossas sensações internas. No entanto, nós temos a capacidade de mudar a nossa psicologia e a nossa percepção, e de não viver nesta realidade atual, que ocorre espontaneamente e apresenta a imagem deste mundo; nós podemos escolher o filme que queremos assistir.

Para fazer isso, precisamos investigar quem somos, quem nos governa, e como isso funciona, e então vamos ser capazes de olhar para nós mesmos de forma racional e sóbria. Está escrito: “Um juiz tem apenas o que seus olhos podem ver”, e todo o resto é apenas a nossa imaginação. Nossas vidas inteiras e todo este mundo também são um sonho.

A Cabalá nos dá as ferramentas para realizar essas mudanças: é assim que ela difere de todas as outras abordagens, seja religiosa ou científica. A Cabalá nos dá os meios para mudarmos os nossos sonhos e as imagens imaginárias em que vivemos; ela nos permite explorá-los, olhá-los de fora e ver as forças que agem sobre eles, e criar estas imagens. Ela nos eleva a um grau em que começamos a desenvolver estas imagens, a forma do mundo.

Em essência, nós desenvolvemos a capacidade de definir que dimensão queremos estar e o que escolher.

Assim, nós subimos ao grau de realização das forças que nos regem e aprendemos a usá-las. No final, por trás de todas essas forças, nós revelamos a inteligência superior, o desejo do Criador. Este é o nível mais elevado, o nível de revelação da causa da criação, seu propósito e projeto. Nós alcançar a unidade completa com o Criador.

Mas este é apenas um pico transitório, e o que vem depois: vamos esperar para ver. Afinal, nesse momento nós vamos existir de uma forma diferente. Então haverá novos e diferentes níveis de realização e avanço. Mas, eles não têm nada a ver com desejos materiais, pois naquele momento a nossa atitude para com a matéria já estará corrigida. Esta nova revelação está fora dos limites da “matéria” em propriedades mais sublimes.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 10/10/13

Escolhendo O Caminho Mais Difícil

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que se diz que “não há coerção na espiritualidade”, que é impossível obrigar alguém a realizar ações espirituais, mas, por outro lado, diz-se: “Ele é forçado até que diga: “eu quero”?

Resposta: “Não há coerção na espiritualidade” significa que se você já está na escada espiritual, então só é possível subir para o próximo nível se você alcançar a liberdade total. Você tem que estar livre de tudo, inclusive do Criador, de modo que você possa realmente executar uma ação independente.

Você se encontra numa situação com a liberdade de fazer o que quiser e se desfez de todos os castigos e recompensas. Você vê que não importa qual ação você executar, se é perto do Criador ou longe dele, se é boa ou ruim, você não vai receber nem um castigo, nem uma recompensa. É muito mais fácil pra realizar uma ação que seja contra o Criador, mas você ainda anseia pelo Criador, tentando vê-Lo como mais importante, a fim de executar a ação por causa Dele, por causa do atributo de doação. Então, isso é chamado de livre arbítrio.

O livre arbítrio abre a opção para que a pessoa seja realmente livre de tudo, inclusive do Criador. Lá, nesse ponto, nós podemos dizer que “não há coerção na espiritualidade”. É lá que uma pessoa escolhe o fato de que ele quer se esforçar e trabalhar para o Criador. É como se ele escolhe o caminho mais difícil.

O livre arbítrio é a linha do meio, o terço médio de Tiferet, um equilíbrio muito fino, como um ponteiro de um conjunto de escalas muito sensíveis entre duas forças equilibradas, a força do bem e a força do mal, santidade e impureza.

O livre arbítrio é impossível se eu temo alguma coisa, se eu sinto vergonha, ou se quero uma recompensa. Só pode haver livre arbítrio se eu estou totalmente livre de todos os medos e ansiedades, de todos os prazeres que iluminam na minha frente. Este é o estado que nós devemos estabelecer em relação a muitos fatores. Quando você o estabelece, você tem que decidir o que fazer com ele. Se você se tornar totalmente neutro, então como você pode agir, com base em que você pode tomar uma decisão?

Quando você realmente alcança este estado livre, você decide onde tem a oportunidade de fazer um esforço real. Este é realmente o caminho certo. Acontece que é a sua inclinação ao mal que mostra exatamente onde você está; é a inclinação ao mal que o toma pela mão e leva-o ao Criador. Isso mostra que se você segue esta direção, você vai ter que se esforçar para superar os obstáculos que colocou diante de si.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 08/10/13, Escritos do Rabash

Cálculos Espirituais Em Tempo Real

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se compararmos nossos esforços com uma corrida de cem quilômetros, não veremos qualquer vestígio de chegarmos ao fim da estrada até alcançarmos a linha de chegada. Por quê?

Resposta: Diz-se: “Não há falta na espiritualidade”. Como exemplo, vamos usar a teoria da dualidade onda-partícula deste mundo. Existem tipos de níveis de energia, por exemplo: a fim de gerar um feixe de laser, a energia deve ser elevada para certo nível e, em seguida, o processo imediatamente toma um caráter “explosivo”.

Tudo tem uma medida pré-definida. Este fato deriva das quatro fases da Luz Direta. Nada pode ser medido com grande precisão se as medições estão num modo totalmente linear. Na verdade, a gente sempre está medindo a distância entre determinados valores, criando assim uma imagem “digital” discreta, intermitente do mundo.

É por isso que durante a “corrida”, nós observamos “súbitos” saltos de um posto para outro, em vez de ver mudanças suaves e graduais. É assim que somos construídos: nossa percepção, tanto neste mundo como na espiritualidade, tem um caráter “passo a passo”.

Enquanto exploramos a natureza, nós passamos a entender que ela está muito além de nós. Portanto, não há necessidade de “fazer reivindicações” para o universo? Isso não vai ajudar. Pelo contrário, nós temos que estudar as suas leis e usá-las.

Hoje, você está indignado só porque o Criador faz jogos com você. Ele deliberadamente lhe dá razões válidas para você ficar chateado com Ele, de modo que, no final, você entenda que ainda somos bebês.

Pergunta: No entanto, diz-se que “muitos centavos se acumulam numa grande soma”. Pelo menos mostre isso para mim…

Resposta: Se você visse como centavos se acumulam num cofrinho, você se tornaria mais paciente e não correria na frente, pois saberia que seus dias não passam em vão. Isso é ruim para você.

Pelo contrário, quando você sente que seu tempo desaparece por entre os dedos e que você não vê resultados à frente, essa é a salvação, o presente, sem o qual você não poderia aspirar em avançar.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/05/13, Escritos do Baal HaSulam

Pico Espiritual Do Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em qualquer pessoa, há uma matriz psicológica de como deve ser um líder. Quando a pessoa vê alguém que é diferente do resto da multidão, ela vê esse indivíduo internamente como uma “unidade distinta”. É verdade que os líderes fanáticos surgem como resultado do fato de que as massas os percebem como tais? É possível ter uma transição harmoniosa, quando em vez de líderes fanáticos haverá sábios que chegaram ao poder? Em outras palavras, os sábios também devem ser também incluídos na matriz psicológica do modo como as pessoas visualizam seus líderes?

Resposta: Sim, é verdade. Para isso, duas condições devem ser observadas. Primeiro de tudo, um sábio deve entender que ele é um líder (ou mesmo um ditador em um sentido) e impor suas ideias sobre a sociedade pelo benefício geral dos outros.

O sábio deve sair do seu espaço restrito e descer ao nível do público geral, a fim de ser aceito pela sociedade e começar a trabalhar para o público. Ele deve criar um pequeno grupo de pessoas e discípulos afins que divulgam suas ideias.

Na verdade, essas pessoas deveriam estar fazendo o trabalho dos profetas. Elas devem ir para o mundo e espalhar (pregar) as ideias do sábio. Em geral, nós já vimos esses exemplos históricos, no momento da criação das novas religiões.

Por um lado, é um trabalho muito sério e importante que o sábio deve realizar. Por outro lado, ele só pode funcionar se a sociedade estiver preparada para isso e se elas mostrar preocupação social e evolucitiva, o que significa que o público precisa do conhecimento que o sábio oferece.

É por isso que o sábio e a sociedade devem se cruzar. A sociedade deve “pegar” o que o sábio está falando, o conceito, e considerá-lo como algo necessário para a sobrevivência. Se este for o caso, sua interação começa: o público deve consentir em aprender com o sábio, em estar “debaixo” e seguir seus discípulos.

Este processo não depende do público, mas sim do nosso desenvolvimento evolutivo. Nosso modo de desenvolvimento é chamado de “crise”, pois não podemos prever nada, e estamos rompendo com o nosso modo de vida anterior.

Em breve veremos as contradições entre o que é possível e o que realmente existe nos seres humanos e civilizações. Num mundo de abundância, haverá fome. Possibilidades ilimitadas de se manter saudável não vão impedir que o mundo inteiro fique doente. Independentemente de ter grandes fontes de energia, o mundo vai sofrer com sua escassez, etc.

Confusa e devastada por inúmeros conflitos e problemas, impotente e atormentada, a humanidade não vai conseguir encontrar a resposta para: “Por que isso está acontecendo com a gente? Para onde isso está nos levando?” Por outro lado, a questão interna vai gradualmente emergir: “Para que eu vivo? Por que eu sofro?”.

É assim que somos construídos neste desenvolvimento evolutivo; nossos desejos internos progressivamente se transformam, e, no final, a humanidade vai desenvolver a necessidade de revelar o sentido da vida. Por isso, nossa próxima etapa está revelando qual o sentido da nossa existência e da existência do universo.

Neste caso, não será difícil para o público determinar quem pode guiá-los: a pessoa que pode tornar a vida deles significativa. Assim, haverá um sábio, seus profetas, os discípulos, os administradores, os educadores, que serão os líderes da sociedade e organizarão a humanidade de uma forma adequada. Este grupo será semelhante ao Sinédrio bíblico e se tornará “o pico espiritual do mundo”.

De KabTV “Através do Tempo”, 18/03/13

Sistema Operacional Espiritual: Aproximando–se Da Próxima Janela

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Exílio e Redenção”: O Criador certamente nos mostrará que Israel não pode existir no exílio, e não vai encontrar descanso como o resto das nações que se misturaram entre as nações e encontraram descanso, e assimilaram-se nelas, até que nenhum traço restou delas.

Fisicamente, o povo de Israel carrega um dever espiritual e deve trabalhar em si mesmo, a fim de implantar a sua missão na vida. Hoje, o conceito de “Israel” não é definido pelo nascimento, mas pela inclinação de uma pessoa em revelar o Criador. Aqueles que têm essa predisposição são nomeados de acordo com o seu vetor, Yashar-El, direto ao Criador. Aqueles que aspiram a cumprir sua missão se destacam das massas.

Além disso, devido a dois mil anos de exílio e misturando-se com outras nações, esta parte tem se expandido adicionando aqueles que, no sentido material, vêm de outras origens.

Assim, o “núcleo” interno é cercado por aqueles que conseguiram alcançar a realização espiritual em suas vidas anteriores. Eles mantêm Reshimot especiais e são guiados pela “desagradável” governança superior que envia impasses e dificuldades a eles.

Finalmente, os círculos externos consistem das “nações do mundo”, que são organizadas de acordo com suas raízes espirituais.

Toda a estrutura, em essência, é espiritual. No entanto, até agora, nós podemos ver somente os corpos ao invés das almas. Nós associamos as pessoas com seus corpos, que nascem, vivem suas vidas, sofrem, multiplicam-se e depois morrem e viram cinzas.

Na verdade, os corpos são uma simples projeção de um processo espiritual no seu mais baixo nível material. Como exemplo, imagine uma cadeia de um sistema operacional, composta de 125 janelas. Neste momento, em nossa percepção, só podemos ver a primeira janela, que exibe apenas a objetos físicos: pedras, árvores, montanhas, animais, o sol, a lua, as estrelas, e muito, muito mais, inclusive pessoas.

Nós vemos o mundo inteiro, que é apenas uma representação do reino superior. É aí que as raízes, ou seja, as forças que desenham o quadro atual em nossa tela, são plantadas. Usando termos neurobiológicos, eu diria que a imagem neste plano material está sendo criada na parte de trás do nosso cérebro por impulsos elétricos. Isso torna possível a projeção dos mundos mais profundos que tomam a forma desta externalidade material e nós podemos ver apenas uma janela, um nível, de cada vez. Nossos cinco sentidos não nos permitem discernir nada além disso.

Se quisermos ver a causa, a verdadeira imagem, nós devemos desenvolver os cinco sentidos de doação. Essa transição é feita pela Luz Circundante, que acionamos com a ajuda do grupo, através do estudo da sabedoria da Cabalá, e fazendo tudo o que for preciso. O caminho é aberto.

Nesse meio tempo, nós vivemos numa só “imagem” do nosso mundo, e nós reencarnarmos nela até chegarmos ao próximo nível. Neste ponto, cada parte separadamente e todas juntas estão “sintonizadas” para nos elevar internamente e nos aproximar da tela que mostra uma imagem mais profunda. Tudo existe somente para esta finalidade. Tudo é coordenado. Em outras palavras, o que se passa no mundo é sincronizado com cada um de nós. A transição para um nível mais elevado é o propósito de tudo o que acontece.

Quais os elementos da imagem que vemos atualmente podem facilitar esse processo? Em cada nível, nós vemos partes da natureza inanimada (I), vegetal (V), animal (A) e falante (S). Portanto, a nossa tarefa é escolher o nível falante e dividi-lo em componentes que possam ser usados.

Em geral, há três componentes. Nós já nomeamos todos eles: 1.Aqueles que aspiram diretamente ao Criador (Israel), 2.O povo judeu, e 3.As nações do mundo. A fim de ascender, a pessoa deve manter uma estreita ligação com Israel, já que esta parte persegue o mesmo objetivo que todos nós, isto é, a transição de uma tela para outra.

Quanto aos “judeus”, suas Reshimot ainda estão dormindo; as Reshimot existem, mas não têm aparecido, ao passo que nas “nações do mundo”, estas Reshimot permanecem em potencial, elas nunca apareceram, uma vez que eles as receberam apenas como resultado de uma inclusão mútua com o povo de Israel que se espalharou por todo o mundo após a destruição do Templo, isto é, após a quebra dos vasos.

Nós ilustramos isso com a estrutura de um vaso que é composto por duas partes principais: Galgalta ve Eynaim (GE) e AHP. Em primeiro lugar, (1) GE está num estado primário de doação. Isso corresponde a Israel antes da destruição. O AHP representa as nações do mundo, que estão em estado de recepção.

Em seu segundo estado, Israel desce às nações do mundo, e durante os dois mil anos eles se misturam uns com os outros.

Então, a Luz que Reforma (a Luz Circundante, Ohr Makif – OM) começa o seu trabalho. Ela influencia uma pilha de vasos quebrados e eles começam a despertar.

Nós não sabemos de onde eles vêm: as dez tribos perdidas de Israel, as partes cativas do povo de Israel, ou as nações do mundo. Na verdade, isso não importa. O principal é que eles querem subir e se tornar Galgalta ve Eynaim. Ou seja, eles desejam doar. É como se, de repente, a pessoa despertasse e essa missão se tornasse mais importante para ela que todo o “atoleiro” desta existência material.

Nesse ponto, aqueles que sobem à doação são chamados de Yashar El (direto ao Criador), de acordo com a sua intenção e ao que eles apreciam.

Outros se dividem em duas partes: “Israel no exílio” e as nações do mundo. A Luz Circundante influencia principalmente as partes de Israel, já que é sua responsabilidade corrigir os outros.

Consequentemente, o nosso trabalho com o mundo deve ser coordenado com esta estrutura piramidal. No topo estão aqueles que aspiram ao Criador (Israel), depois, vêm os “judeus”. Ambas as partes têm Reshimot, quer na sua forma “silenciosa” ou explícita. A parte superior já está trilhando seu caminho espiritual, enquanto que a outra parte irá se juntar a eles apenas sob pressão ou por desespero, já que estas são duas partes contrárias às nações do mundo e que arcam com o ônus da correção.

De um modo geral, hoje todo o sistema está em transição para uma nova fase. Anteriormente, os judeus superavam os outros em muitas esferas da vida. Atualmente, outros países começaram a prevalecer. A situação muda constantemente. Os desejos das nações se manifestam agora mais abertamente a cada dia que passa, e é por isso que elas têm sucesso em todo o mundo. Em pouco tempo, vamos ver os judeus desaparecer gradualmente nos esforços deste reino material, enquanto as nações do mundo, pelo contrário, vão prevalecer. Elas vão substituir os judeus em coisas que estão associadas ao sucesso material, enquanto os judeus continuarão atingindo um nível superior.

Isso explica por que o povo de Israel antecipa desastres que são de natureza interna; se eles quiserem mudar e não forem capazes de fazer isso por conta própria, eles vão precisar do Criador no caminho correto da aceleração, ou, Deus me livre, haverá mais desgraças impostas pelas nações do mundo.

Neste mundo, Israel vai ficar em boa forma, com exceção de experimentar animosidades de outras nações. Esta é a forma como o governo superior se manifesta. Se alguém não corrige o que se deve corrigir, isso se transforma num fator de coerção. Isto significa que, se Israel não corrigir suas relações interpessoais e não levar as pessoas à unidade, que, de fato, é o lugar da revelação do Criador, então ele vai se tornar a fonte de problemas e desgraças que virão das nações do mundo em suas formas piores e sem precedentes.

É uma lei. Não há nada que possamos fazer sobre isso, a menos que façamos o nosso trabalho corretamente. O trabalho é elevar-se e empurrar os outros para frente ao disseminar a sabedoria da Cabalá e difundir a metodologia da educação integral que irá unir as pessoas e ensinar-lhes como amar ao próximo como a si mesmo.

O dever de corrigir automaticamente cai sobre aqueles que aspiram ao Criador e cujas Reshimot já despertaram. Eles não têm nenhuma chance de escapar, pois a lei é predeterminada. Além disso, este direito é imposto sobre os judeus como nação.

Além disso, no curso da correção, quando ela atinge um determinado nível, os judeus que carregam as Reshimot que estão associadas à destruição do Primeiro Templo e não do Segundo Templo vão surgir: as dez tribos perdidas. Eles nunca experimentaram mais quebras e, portanto, compreendem vasos limpos, enquanto que nós pertencemos a uma parte mais pesada, uma vez que passamos duas vezes pela quebra.

A Luz desce aos vasos de Galgalta ve Eynaim e depois, através dos judeus, alcança as nações do mundo. Por outro lado, nós devemos realizar a disseminação não só em Israel, mas em outros países, bem como, diretamente entre outras nações, já que, como Baas HaSulam escreve, sem fazer isso o povo judeu não vai sair do exílio. Afinal, seu único objetivo é entregar a Luz aos outros, ser uma “Luz para as nações”. Portanto, primeiro nós temos que despertar o desejo das nações do mundo (1). Só então a libertação de Israel ocorrerá (2).

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 01/08/13, “Exílio e Redenção”