Textos com a Tag 'Espiritualidade'

Cálculos Espirituais Em Tempo Real

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se compararmos nossos esforços com uma corrida de cem quilômetros, não veremos qualquer vestígio de chegarmos ao fim da estrada até alcançarmos a linha de chegada. Por quê?

Resposta: Diz-se: “Não há falta na espiritualidade”. Como exemplo, vamos usar a teoria da dualidade onda-partícula deste mundo. Existem tipos de níveis de energia, por exemplo: a fim de gerar um feixe de laser, a energia deve ser elevada para certo nível e, em seguida, o processo imediatamente toma um caráter “explosivo”.

Tudo tem uma medida pré-definida. Este fato deriva das quatro fases da Luz Direta. Nada pode ser medido com grande precisão se as medições estão num modo totalmente linear. Na verdade, a gente sempre está medindo a distância entre determinados valores, criando assim uma imagem “digital” discreta, intermitente do mundo.

É por isso que durante a “corrida”, nós observamos “súbitos” saltos de um posto para outro, em vez de ver mudanças suaves e graduais. É assim que somos construídos: nossa percepção, tanto neste mundo como na espiritualidade, tem um caráter “passo a passo”.

Enquanto exploramos a natureza, nós passamos a entender que ela está muito além de nós. Portanto, não há necessidade de “fazer reivindicações” para o universo? Isso não vai ajudar. Pelo contrário, nós temos que estudar as suas leis e usá-las.

Hoje, você está indignado só porque o Criador faz jogos com você. Ele deliberadamente lhe dá razões válidas para você ficar chateado com Ele, de modo que, no final, você entenda que ainda somos bebês.

Pergunta: No entanto, diz-se que “muitos centavos se acumulam numa grande soma”. Pelo menos mostre isso para mim…

Resposta: Se você visse como centavos se acumulam num cofrinho, você se tornaria mais paciente e não correria na frente, pois saberia que seus dias não passam em vão. Isso é ruim para você.

Pelo contrário, quando você sente que seu tempo desaparece por entre os dedos e que você não vê resultados à frente, essa é a salvação, o presente, sem o qual você não poderia aspirar em avançar.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/05/13, Escritos do Baal HaSulam

Pico Espiritual Do Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em qualquer pessoa, há uma matriz psicológica de como deve ser um líder. Quando a pessoa vê alguém que é diferente do resto da multidão, ela vê esse indivíduo internamente como uma “unidade distinta”. É verdade que os líderes fanáticos surgem como resultado do fato de que as massas os percebem como tais? É possível ter uma transição harmoniosa, quando em vez de líderes fanáticos haverá sábios que chegaram ao poder? Em outras palavras, os sábios também devem ser também incluídos na matriz psicológica do modo como as pessoas visualizam seus líderes?

Resposta: Sim, é verdade. Para isso, duas condições devem ser observadas. Primeiro de tudo, um sábio deve entender que ele é um líder (ou mesmo um ditador em um sentido) e impor suas ideias sobre a sociedade pelo benefício geral dos outros.

O sábio deve sair do seu espaço restrito e descer ao nível do público geral, a fim de ser aceito pela sociedade e começar a trabalhar para o público. Ele deve criar um pequeno grupo de pessoas e discípulos afins que divulgam suas ideias.

Na verdade, essas pessoas deveriam estar fazendo o trabalho dos profetas. Elas devem ir para o mundo e espalhar (pregar) as ideias do sábio. Em geral, nós já vimos esses exemplos históricos, no momento da criação das novas religiões.

Por um lado, é um trabalho muito sério e importante que o sábio deve realizar. Por outro lado, ele só pode funcionar se a sociedade estiver preparada para isso e se elas mostrar preocupação social e evolucitiva, o que significa que o público precisa do conhecimento que o sábio oferece.

É por isso que o sábio e a sociedade devem se cruzar. A sociedade deve “pegar” o que o sábio está falando, o conceito, e considerá-lo como algo necessário para a sobrevivência. Se este for o caso, sua interação começa: o público deve consentir em aprender com o sábio, em estar “debaixo” e seguir seus discípulos.

Este processo não depende do público, mas sim do nosso desenvolvimento evolutivo. Nosso modo de desenvolvimento é chamado de “crise”, pois não podemos prever nada, e estamos rompendo com o nosso modo de vida anterior.

Em breve veremos as contradições entre o que é possível e o que realmente existe nos seres humanos e civilizações. Num mundo de abundância, haverá fome. Possibilidades ilimitadas de se manter saudável não vão impedir que o mundo inteiro fique doente. Independentemente de ter grandes fontes de energia, o mundo vai sofrer com sua escassez, etc.

Confusa e devastada por inúmeros conflitos e problemas, impotente e atormentada, a humanidade não vai conseguir encontrar a resposta para: “Por que isso está acontecendo com a gente? Para onde isso está nos levando?” Por outro lado, a questão interna vai gradualmente emergir: “Para que eu vivo? Por que eu sofro?”.

É assim que somos construídos neste desenvolvimento evolutivo; nossos desejos internos progressivamente se transformam, e, no final, a humanidade vai desenvolver a necessidade de revelar o sentido da vida. Por isso, nossa próxima etapa está revelando qual o sentido da nossa existência e da existência do universo.

Neste caso, não será difícil para o público determinar quem pode guiá-los: a pessoa que pode tornar a vida deles significativa. Assim, haverá um sábio, seus profetas, os discípulos, os administradores, os educadores, que serão os líderes da sociedade e organizarão a humanidade de uma forma adequada. Este grupo será semelhante ao Sinédrio bíblico e se tornará “o pico espiritual do mundo”.

De KabTV “Através do Tempo”, 18/03/13

Sistema Operacional Espiritual: Aproximando–se Da Próxima Janela

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Exílio e Redenção”: O Criador certamente nos mostrará que Israel não pode existir no exílio, e não vai encontrar descanso como o resto das nações que se misturaram entre as nações e encontraram descanso, e assimilaram-se nelas, até que nenhum traço restou delas.

Fisicamente, o povo de Israel carrega um dever espiritual e deve trabalhar em si mesmo, a fim de implantar a sua missão na vida. Hoje, o conceito de “Israel” não é definido pelo nascimento, mas pela inclinação de uma pessoa em revelar o Criador. Aqueles que têm essa predisposição são nomeados de acordo com o seu vetor, Yashar-El, direto ao Criador. Aqueles que aspiram a cumprir sua missão se destacam das massas.

Além disso, devido a dois mil anos de exílio e misturando-se com outras nações, esta parte tem se expandido adicionando aqueles que, no sentido material, vêm de outras origens.

Assim, o “núcleo” interno é cercado por aqueles que conseguiram alcançar a realização espiritual em suas vidas anteriores. Eles mantêm Reshimot especiais e são guiados pela “desagradável” governança superior que envia impasses e dificuldades a eles.

Finalmente, os círculos externos consistem das “nações do mundo”, que são organizadas de acordo com suas raízes espirituais.

Toda a estrutura, em essência, é espiritual. No entanto, até agora, nós podemos ver somente os corpos ao invés das almas. Nós associamos as pessoas com seus corpos, que nascem, vivem suas vidas, sofrem, multiplicam-se e depois morrem e viram cinzas.

Na verdade, os corpos são uma simples projeção de um processo espiritual no seu mais baixo nível material. Como exemplo, imagine uma cadeia de um sistema operacional, composta de 125 janelas. Neste momento, em nossa percepção, só podemos ver a primeira janela, que exibe apenas a objetos físicos: pedras, árvores, montanhas, animais, o sol, a lua, as estrelas, e muito, muito mais, inclusive pessoas.

Nós vemos o mundo inteiro, que é apenas uma representação do reino superior. É aí que as raízes, ou seja, as forças que desenham o quadro atual em nossa tela, são plantadas. Usando termos neurobiológicos, eu diria que a imagem neste plano material está sendo criada na parte de trás do nosso cérebro por impulsos elétricos. Isso torna possível a projeção dos mundos mais profundos que tomam a forma desta externalidade material e nós podemos ver apenas uma janela, um nível, de cada vez. Nossos cinco sentidos não nos permitem discernir nada além disso.

Se quisermos ver a causa, a verdadeira imagem, nós devemos desenvolver os cinco sentidos de doação. Essa transição é feita pela Luz Circundante, que acionamos com a ajuda do grupo, através do estudo da sabedoria da Cabalá, e fazendo tudo o que for preciso. O caminho é aberto.

Nesse meio tempo, nós vivemos numa só “imagem” do nosso mundo, e nós reencarnarmos nela até chegarmos ao próximo nível. Neste ponto, cada parte separadamente e todas juntas estão “sintonizadas” para nos elevar internamente e nos aproximar da tela que mostra uma imagem mais profunda. Tudo existe somente para esta finalidade. Tudo é coordenado. Em outras palavras, o que se passa no mundo é sincronizado com cada um de nós. A transição para um nível mais elevado é o propósito de tudo o que acontece.

Quais os elementos da imagem que vemos atualmente podem facilitar esse processo? Em cada nível, nós vemos partes da natureza inanimada (I), vegetal (V), animal (A) e falante (S). Portanto, a nossa tarefa é escolher o nível falante e dividi-lo em componentes que possam ser usados.

Em geral, há três componentes. Nós já nomeamos todos eles: 1.Aqueles que aspiram diretamente ao Criador (Israel), 2.O povo judeu, e 3.As nações do mundo. A fim de ascender, a pessoa deve manter uma estreita ligação com Israel, já que esta parte persegue o mesmo objetivo que todos nós, isto é, a transição de uma tela para outra.

Quanto aos “judeus”, suas Reshimot ainda estão dormindo; as Reshimot existem, mas não têm aparecido, ao passo que nas “nações do mundo”, estas Reshimot permanecem em potencial, elas nunca apareceram, uma vez que eles as receberam apenas como resultado de uma inclusão mútua com o povo de Israel que se espalharou por todo o mundo após a destruição do Templo, isto é, após a quebra dos vasos.

Nós ilustramos isso com a estrutura de um vaso que é composto por duas partes principais: Galgalta ve Eynaim (GE) e AHP. Em primeiro lugar, (1) GE está num estado primário de doação. Isso corresponde a Israel antes da destruição. O AHP representa as nações do mundo, que estão em estado de recepção.

Em seu segundo estado, Israel desce às nações do mundo, e durante os dois mil anos eles se misturam uns com os outros.

Então, a Luz que Reforma (a Luz Circundante, Ohr Makif – OM) começa o seu trabalho. Ela influencia uma pilha de vasos quebrados e eles começam a despertar.

Nós não sabemos de onde eles vêm: as dez tribos perdidas de Israel, as partes cativas do povo de Israel, ou as nações do mundo. Na verdade, isso não importa. O principal é que eles querem subir e se tornar Galgalta ve Eynaim. Ou seja, eles desejam doar. É como se, de repente, a pessoa despertasse e essa missão se tornasse mais importante para ela que todo o “atoleiro” desta existência material.

Nesse ponto, aqueles que sobem à doação são chamados de Yashar El (direto ao Criador), de acordo com a sua intenção e ao que eles apreciam.

Outros se dividem em duas partes: “Israel no exílio” e as nações do mundo. A Luz Circundante influencia principalmente as partes de Israel, já que é sua responsabilidade corrigir os outros.

Consequentemente, o nosso trabalho com o mundo deve ser coordenado com esta estrutura piramidal. No topo estão aqueles que aspiram ao Criador (Israel), depois, vêm os “judeus”. Ambas as partes têm Reshimot, quer na sua forma “silenciosa” ou explícita. A parte superior já está trilhando seu caminho espiritual, enquanto que a outra parte irá se juntar a eles apenas sob pressão ou por desespero, já que estas são duas partes contrárias às nações do mundo e que arcam com o ônus da correção.

De um modo geral, hoje todo o sistema está em transição para uma nova fase. Anteriormente, os judeus superavam os outros em muitas esferas da vida. Atualmente, outros países começaram a prevalecer. A situação muda constantemente. Os desejos das nações se manifestam agora mais abertamente a cada dia que passa, e é por isso que elas têm sucesso em todo o mundo. Em pouco tempo, vamos ver os judeus desaparecer gradualmente nos esforços deste reino material, enquanto as nações do mundo, pelo contrário, vão prevalecer. Elas vão substituir os judeus em coisas que estão associadas ao sucesso material, enquanto os judeus continuarão atingindo um nível superior.

Isso explica por que o povo de Israel antecipa desastres que são de natureza interna; se eles quiserem mudar e não forem capazes de fazer isso por conta própria, eles vão precisar do Criador no caminho correto da aceleração, ou, Deus me livre, haverá mais desgraças impostas pelas nações do mundo.

Neste mundo, Israel vai ficar em boa forma, com exceção de experimentar animosidades de outras nações. Esta é a forma como o governo superior se manifesta. Se alguém não corrige o que se deve corrigir, isso se transforma num fator de coerção. Isto significa que, se Israel não corrigir suas relações interpessoais e não levar as pessoas à unidade, que, de fato, é o lugar da revelação do Criador, então ele vai se tornar a fonte de problemas e desgraças que virão das nações do mundo em suas formas piores e sem precedentes.

É uma lei. Não há nada que possamos fazer sobre isso, a menos que façamos o nosso trabalho corretamente. O trabalho é elevar-se e empurrar os outros para frente ao disseminar a sabedoria da Cabalá e difundir a metodologia da educação integral que irá unir as pessoas e ensinar-lhes como amar ao próximo como a si mesmo.

O dever de corrigir automaticamente cai sobre aqueles que aspiram ao Criador e cujas Reshimot já despertaram. Eles não têm nenhuma chance de escapar, pois a lei é predeterminada. Além disso, este direito é imposto sobre os judeus como nação.

Além disso, no curso da correção, quando ela atinge um determinado nível, os judeus que carregam as Reshimot que estão associadas à destruição do Primeiro Templo e não do Segundo Templo vão surgir: as dez tribos perdidas. Eles nunca experimentaram mais quebras e, portanto, compreendem vasos limpos, enquanto que nós pertencemos a uma parte mais pesada, uma vez que passamos duas vezes pela quebra.

A Luz desce aos vasos de Galgalta ve Eynaim e depois, através dos judeus, alcança as nações do mundo. Por outro lado, nós devemos realizar a disseminação não só em Israel, mas em outros países, bem como, diretamente entre outras nações, já que, como Baas HaSulam escreve, sem fazer isso o povo judeu não vai sair do exílio. Afinal, seu único objetivo é entregar a Luz aos outros, ser uma “Luz para as nações”. Portanto, primeiro nós temos que despertar o desejo das nações do mundo (1). Só então a libertação de Israel ocorrerá (2).

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 01/08/13, “Exílio e Redenção”

Aquele Que Não Pede Para Si Mesmo Recebe O Dobro

Dr. Michael LaitmanA espiritualidade começa com a restrição. Restrição significa que a pessoa não pede nada para si mesma. Seu desejo está fechado diante do seu próprio prazer e ela o utiliza apenas para doar. Se ela consegue doar, ela o utiliza, e se não consegue, não o utiliza. É como se houvesse uma mudança nela, um gatilho que só funciona numa direção.

É como um computador que pode estar em um estado de 0 ou de 1 e nada mais do que isso. Se não há ninguém a quem ela possa doar, é um estado de 0, e se há alguém a quem ela pode doar, é um. Isso significa que eu me abro, aceito as deficiências do outro, e as transmito ao Criador. É assim que Malchut, que quer se assemelhar à Bina, funciona. Ela restringe o seu próprio desejo, e o fecha evitando usar para seu próprio benefício, mas graças a isso, ela pode sentir as deficiências dos outros. Isso é chamado de “tornar seu desejo o desejo Dele”, mas no que diz respeito às criaturas.

Ao adquirir os desejos dos outros, eu os transmito ao Criador como uma oração, MAN, e obtenho uma resposta de acordo com a regra: “O primogênito recebe o dobro”, para si e para o inferior. Eu não preciso de nada para mim, mas eu recebo o dobro já que o meu desejo mudou e agora eu incluo nele a deficiência do outro. Assim eu preencho nós dois.

Eu preencho meu desejo de doar e não o desejo de receber! Quando eu transmito um desejo de doar para o outro, eu primeiro transmito a Luz que Corrige a ele, e depois o incorporo a mim, ou seja, eu o adiciono a mim como ao AHP do superior. Quando ele está pronto para se anular diante de mim, eu transmito a ele a força que lhe permite construir seu próprio vaso e receber o preenchimento para si mesmo.

Acontece que o nosso trabalho com o público é dividido em várias fases. Primeiro nós temos que trabalhar entre nós, a fim de adquirir o desejo de doar ao público. Ele não deve ser um desejo de doar em prol do prazer pessoal, mas realmente a fim de doar. Eu trabalho com meu desejo de receber somente para doar.

Assim, nós podemos despertar o público, e eles são impressionados com o fato de que podem satisfazer seus desejos egoístas. Mas, graças à conexão conosco e à incorporação mútua, eles recebem a força de correção e corrigem seus desejos. Então, nós podemos elevar uma dupla oração, MAN, e receber uma dupla resposta: para nós mesmos e para aqueles que pedimos, e, assim, preencher nossos vasos coletivos de recepção.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 21/08/13

As Perspectivas De Videoconferências Espirituais

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos acelerar o processo do Criador para que ele realmente se torne realmente importante para nós, de modo que pensemos e nos preocupemos apenas com Seus desejos e não com os nossos desejos?

Resposta: No momento em que nos conectarmos e unirmos o suficiente, você vai começar a sentir o Criador.

Hoje, a “capacidade de carga” da linha de conexão entre nós não é grande; ela não é suficiente para nos unir corretamente e nos conectar ao Criador. No momento em que a nossa conexão tiver qualidade e quantidade suficiente, vamos nos conectar ao seu “fluxo de transmissão”, embora ainda esteja sem “imagem”, mas apenas em formato de áudio.

De um jeito ou de outro, tudo depende apenas da conexão entre nós. Quando nos conectamos, nós fornecemos ao Criador uma “linha de comunicação” com “banda larga” suficiente, para que este canal se torne importante para nós até certo ponto. Então, nós vamos expandi-lo gradualmente através da nossa unidade mútua.

Nesse meio tempo, porém, a conexão entre nós é tão fraca que inclusive nos esquecemos dela. Não há sequer um “bate-papo de áudio”, sem mencionar uma “videoconferência”…

Da Lição Diária de Cabalá 08/08/13, Perguntas e Respostas

De Um Nível Para O Outro

Dr. Michael LaitmanNós já entendemos que só podemos descobrir um novo estado espiritual na conexão e unidade entre nós, e agora estamos começando a entender como passar de um nível para o outro. Pela primeira vez, chegamos ao entendimento do nosso caminho, os seus componentes, e as medidas que compreende: primeiro um passo com o pé direito, e depois um passo com o pé esquerdo, e o corpo está no meio. Assim, nós podemos avançar pela linha do meio: pé direito, pé esquerdo, e mais um passo para frente, pé direito primeiro e só depois o pé esquerdo, que é feito por nossa parte.

Nós sempre começamos a partir da linha direita, uma vez que sempre avançamos para doação, amor, conexão e unidade na fé acima da razão. A linha esquerda, no entanto, é revelada de acordo com a forma como a Luz se revela para nós. Assim, em todos os níveis se diz: “Eu criei a inclinação ao mal, eu criei a Torá como tempero”, a fim de corrigi-la. Isto se refere ao sistema da influência da Luz sobre a inclinação ao mal, que você corrige com a ajuda da Luz para poder avançar.

Este é o sistema em que nos encontramos. O lado direito é doação, amor, conexão e unidade (Σ), ou seja, tudo o que vem do lado de Hesed. A linha esquerda é o desejo de receber, de saber, a força de recepção, ou seja, o ego, enquanto que eu estou no meio. A que eu me atribuo? Eu me atribuo ao ponto no coração e por isso sou o único que visa e anseia pelo Criador.

A pergunta é: como eu faço para avançar? Minha primeira ação é começar com a linha direita, ou seja, ansiar por doação, amor, unidade e adesão máxima.

Nossa unidade ocorre acima do ego, é claro, sem a qual não seríamos capazes de gerir o trabalho espiritual. Ela está conectada a nós com antecedência e é o estado inicial, antigo.

Acontece que o ego (1) é o coração e nele há o ponto no coração no qual eu viso à conexão e unidade. No momento em que eu faço isso, eu começo a receber certa iluminação (3) em nossa conexão e unidade (2). Talvez nós ainda não sintamos o Criador no sentimento de unidade. Porém, já é o Seu sentimento.

Tendo alcançado este atributo, o ego começa a se conectar a ele novamente (1b). Mais uma vez, nós o dirigimos para frente para a unidade (2b) e, finalmente, recebemos o próximo nível que é muito mais elevado do que o anterior. É assim que nós avançamos.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/07/13, Shamati # 59 “Sobre a Vara e a Serpente”

Dois Níveis De Desejo: Pai E Filha

Dr. Michael Laitman“E se um homem vender sua filha para ser serva, ela não sairá como saem os servos”. (Torá, Êxodo 21:7)

A Torá fala apenas sobre a correção dos desejos. A escravidão é quando um desejo pertence a outro desejo mais forte que pode corrigi-lo. Assim, nos tempos antigos as pessoas viviam uma vida coletiva, social.

“Minha filha” representa os desejos que eu descubro, mas que não posso corrigir sozinho. Eu não posso me casar com minha filha; eu não posso gerar os próximos níveis da minha descendência. Assim, desenvolvendo meus desejos, eu não me conecto aos desejos chamados “filha” como um pai, eu não venho até ela com minha Masach (tela), já que outra Masach tem que controlá-la, outro desejo. Isso significa que ela pertence a outro. Eu a vendo para que ela passe a pertencer a outra pessoa.

Portanto, diz-se que “ela não deve sair como os servos saem”, já que o desejo feminino deve pertencer somente a onde está Bina.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 11/03/13

Na Espiritualidade Um Indivíduo Não É Um Guerreiro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Todas as manhãs eu acordo com o pensamento de que tudo depende de mim, “Se eu não fizer quem fará por mim?”, e faço grandes planos para realizar algo maravilhoso, enorme e útil. Depois disso, todos os tipos de coisas me distraem, e à noite eu descubro que, aparentemente, não fiz nada. Mas eu entendo que “não há nenhum outro além Dele”, isto é, que foi o Criador quem organizou tudo isso para mim. Eu vou dormir, acordo de manhã completamente renovado e tudo começa de novo. Como é possível sair do meu sistema “ilusório”?

Resposta: Eu acho que isso acontece porque você está planejando seu evento egoísta pessoal da manhã. Em vez disso, você precisa planejar os eventos do grupo e, assim, toda a “ilusão” irá desaparecer no esquecimento. Juntamente com os amigos, vocês serão capazes de lembrar uns aos outros sobre as coisas que precisam ser feitas.

Um ação espiritual só pode ser num grupo, somente juntos, pelo menos com outra pessoa. Mesmo na parte da manhã eu prometo a mim mesmo que vou fazer alguma coisa, conseguir isso, e à noite me sentir como um herói: “Hoje eu pensei o tempo todo e me mantive nisso intencionalmente!” Isso não vale nada se não estiver conectado aos outros!

Não faz diferença o que eu pensei sobre os outros, se nessa atividade eu não estava junto com eles. Há muitos anos nós prometemos alguma coisa, todas as manhãs, mas não obtemos resultados!

O trabalho espiritual só pode ocorrer num grupo composto por pelo menos duas pessoas, onde nos juntamos e fazemos algum tipo de atividade; caso contrário, não é espiritual. É desejável que dependamos mutuamente nesta atividade em que estamos incluídos em conjunto. Eu estou feliz com o que o meu amigo faz e ele está feliz com o que eu faço, de modo que ambos dependem uns dos outros.

E a principal coisa é para quem é planejado o trabalho? Poderia ser de mim e do amigo para um grupo e de lá para o Criador. Será que nós podemos transmitir nossa alegria mútua para eles? Nós estamos dando satisfação ao Criador com isso? Estender-se na característica de doação não pode ser o trabalho de uma pessoa; deve haver pelo menos duas.

Da Convenção em Krasnoyarsk 16/06/13, Lição 5

Você Não Compra A Espiritualidade, Nem A Aceita À Força

Dr. Michael LaitmanRabash, “De acordo com O Que é Explicado A Respeito do ‘Ama a teu Próximo como a Ti Mesmo’”: Se cada um é anulado perante o seu amigo e se confunde com ele, ambos se tornam uma única massa, onde todas as partes pequenas que querem o amor ao próximo se unem numa força coletiva que consiste de várias partes. E quando a pessoa tem uma grande força, ela pode executar o amor ao próximo.

Então ela pode conseguir o amor de Deus. Mas, a condição é que cada um irá se anular diante do outro. No entanto, quando ela está separada de seu amigo, ela não pode receber a parcela que deveria receber do seu amigo.

Assim, cada um deve dizer que não é nada comparado ao seu amigo. É como escrever números: Se você escrever primeiro “1” e depois “0”, é dez vezes mais. E quando você escreve “00” é cem vezes mais. Em outras palavras, se seu amigo é o número um, e o zero o segue, considera-se que a pessoa recebe do seu amigo 10 vezes mais. E se ela diz que é duplo zero em comparação ao seu amigo, ela recebe do seu amigo 100 (cem) vezes mais.

No entanto, se for o contrário, e ela diz que seu amigo é zero e ela é um, então ela é dez vezes menos do que o seu amigo: 0,1. E se ela pode dizer que ele é um, e ela tem dois amigos que são dois zeros em relação a ela, então ela é considerado cem vezes menos do que eles, o que significa que é 0,01. Assim, o seu grau diminui de acordo com o número de zeros que ela tem dos seus amigos.

Se eu quero receber algo de alguém em nosso mundo, eu tenho que pagar de volta por isso ou tomá-lo à força, como o grande toma do pequeno. Neste caso, quanto maior eu sou, mais eu posso extorquir o outro e receber mais dele. É assim como as coisas ocorrem no mundo corpóreo, quando falamos sobre a recepção no desejo de receber.

Mas se é sobre receber poderes espirituais, isso funciona de acordo com uma lei oposta. Quanto mais importante eu considero o meu amigo e maior eu o vejo, mais eu posso receber dele.

Eu não consigo receber nada de alguém que seja igual a mim, já que ele está no mesmo nível que eu. Mas se ele é até mesmo um pouco maior do que eu, eu já posso receber alguma coisa dele, e quanto mais eu o elevo, mais posso receber.

Não tem nada a ver com o amigo em si, mas apenas com a forma como eu o trato com respeito a mim. É como os alunos do Rabi Yossi Ben Kisma, que não tinham ideia de como o professor trabalhava com eles. Ele se via como relativamente menor do que os seus alunos e por isso recebia poderes espirituais através deles.

Tudo depende de quão grande o seu amigo é aos seus olhos. Quanto maior ele é, mais eu posso receber a força de doação dele. Mas se é sobre receber poderes egoístas, então se trata de um princípio diferente, de acordo com o qual, quanto maior eu sou, mais eu posso extorquir o outro para satisfazer o meu ego.

Assim, o poder espiritual que você receberá do meio ambiente depende só de você: se é 1.000 ou 0.001. Nós temos que estar num grupo de dez que esteja trabalhando em conexão e onde cada um esteja, de alguma forma, conectado ao desejo de doar, como os alunos do Rabino Yossi Ben Kisma. Mas isso é suficiente, já que tudo depende de você e o quanto você domina a si mesmo!

Você nunca terá o poder para avançar se você não receber poderes do ambiente. Portanto, a regra de dominar a si mesmo diante dos amigos, mesmo por ações físicas, é o meio mais eficiente para avançar. Não devemos pensar que os Cabalistas nos falam sobre isso só para estabelecer boas relações da mesma maneira que ensinamos as crianças no nosso mundo a se comportar moralmente, uma vez que esta abordagem é oposta à sabedoria da Cabalá.

Nós fazemos isso apenas para receber a força de doação da Luz, do Criador, através dos outros. Já que eu me domino, a Luz pode fluir em mim através do amigo. Se eu tratar os outros como se eles fossem realmente maiores do que eu, eu vou receber o poder de doação através deles. É o suficiente para tratá-los com a intenção a fim de doar e nas relações entre nós eu vou começar a sentir o Criador e serei capaz de satisfazê-Lo. Através da doação aos amigos, eu vou ser capaz de sentir como posso alcançar a doação ao Criador. Ela será revelada a mim através da imagem do grupo que eu vou ver na Luz da minha doação. Assim, a regra do “ama teu amigo como a ti mesmo” é o principal objetivo do nosso trabalho, que é um sentimento constante de humildade para com os amigos, e, consequentemente, nós construímos os poderes de doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/05/13, Escritos do Rabash

Sucesso Material Não É Garantia De Sucesso Espiritual

Dr. Michael LaitmanRabash, “Com Respeito À Acima da Razão”:  Acontece que uma pessoa tem qualidades que seus pais legaram a seus filhos, e tem qualidades que adquiriu da sociedade, que é uma nova posse. E isso chega até ela somente através da ligação com a sociedade e da inveja que sente em relação aos amigos, quando vê que eles têm melhores qualidades do que a sua própria. Isso a motiva a adquirir as boas qualidades deles, que ela não tem e às quais inveja.

Assim, por meio da sociedade, ela ganha novas qualidades que adota ao ver que eles estão num grau superior ao seu, e ela os inveja. Esta é a razão ela qual agora ela pode ser maior do que quando não tinha uma sociedade, uma vez que ela adquire novos poderes através da sociedade”.

A pessoa nasce um pequeno animal, e no que ela cresce depende da formação. Se nós estamos falando de uma educação material comum, então a pessoa se desenvolve devido à sociedade. Ela tem inveja das outras e anseia por prazer, dinheiro, poder, fama e conhecimento, e é por isso que aprende com a sociedade como pode alcançar esses objetivos, isto é, o sucesso neste mundo. Se ela tem pré-requisitos para o desenvolvimento espiritual, ela encontra um ambiente que possa incutir nela novas propriedades, a espiritualidade.

Na sociedade material, uma pessoa se desenvolve naturalmente, adotando instintivamente os valores da sociedade e buscando aprender com esta como alcançar o sucesso mundano. Mas a educação espiritual é diferente, porque exige que a pessoa anule a si mesma, isto é, lhe dá a liberdade de escolha: adotar os valores espirituais do ambiente ou não.

Somente na medida de sua autoanulação a pessoa será capaz de ver a sociedade como maior do que ela. Ela terá que aplicar muito esforço para olhar para a sociedade de baixo para cima, e então será capaz de receber da sociedade os seus valores, a importância e a grandeza da meta, e, assim, avançar espiritualmente.

O sucesso espiritual depende não só do ambiente, mas também da forma como a pessoa o utiliza, isto é, o quanto ela se anula e aprecia a sociedade, se ela concorda em sofrer, vendo os outros superiores a si mesma. A inveja obriga a pessoa a sentir-se humilhada, mas ela precisa entender que é para seu próprio benefício ver os outros como maiores. Se ela for capaz de tal atitude, então ela vai avançar. No final, a pessoa tem que desfrutar que pode ficar contra o seu egoísmo e pisar nele, a fim de alcançar os valores espirituais e chegar mais perto da meta espiritual.

É por isso que o avanço da sociedade material é completamente oposto ao progresso espiritual. E o sucesso no mundo material não garante que a pessoa seja capaz de ter sucesso na espiritualidade, pois ele é determinado pela liberdade de escolha da própria pessoa.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 02/06/13