Textos com a Tag 'Egoísmo'

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Dr. Michael LaitmanQuando eu subo acima do meu egoísmo e começo a me preocupar com os outros, eu não apago o meu desejo de receber anterior, nem me livro dele e passo cegamente para o desejo de doar, começando a desfrutar a doação do mesmo modo que uma alegre mãe alimenta seu bebê. Se a mãe tratasse o bebê de outra pessoa como trata seu bebê e mostrasse o mesmo amor (embora isso não seja natural), ela iria adquirir outra natureza: o desejo de doar acima do seu desejo de receber. Na diferença entre esses dois níveis, nós descobrimos a profundidade de nosso vaso (desejo) e suas quatro fases pelas quais chegamos à criação.

É assim que se desenvolve a nossa “educação formal”, e nós temos que nos organizar para esperar a chegada de novas formas de doação. Não importa quão inesperadas e surpreendentes elas sejam, elas devem chegar o mais rapidamente possível. A prontidão em aceitar estas novas formas vem somente com a condição de que a pessoa as pratique num grupo.

O grupo é controlado desde o Alto, e se nos colocarmos em suas mãos, ele nos prepara corretamente para aceitar todas as formas de doação da Luz que Corrige. Nossa tarefa é preparar a nós mesmos e permitir que a Luz superior faça o seu trabalho. Nisso nós somos seus parceiros. Por um lado, tudo aqui depende de nós, porque sem a preparação a Luz não age, à medida que ela está em repouso absoluto. Nossa preparação nos dá a capacidade de perceber a influência da Luz.

Mas, na verdade, nós só descobrimos o nosso vaso e revelamos a Luz, previamente oculta, numa nova forma. Isto significa que nós preparamos as formas, mas elas são percebidas e sentidas por nós na medida em que somos semelhantes à Luz superior.

Há “613” Luzes diferentes na Luz superior, bem como todos os níveis e todo o plano de criação do início ao fim. O vaso se desenvolve a partir do ponto de “ausência”, atravessando todo o caminho: primeiro para baixo e depois, voltando novamente, de baixo para cima. Num determinado ponto do desenvolvimento, quando o ser criado se realiza, ele se torna parceiro do Criador na criação das formas semelhante à Luz.

Toda a nossa educação espiritual é uma educação formal, aprendendo formas dentro de formas. O desejo busca formas suas que se assemelhem à Luz, e se ele as encontra, alcança a adesão com a Luz.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/11/11, Escritos do Rabash

O Egoísmo E O Prazer São Incompatíveis

Dr. Michael LaitmanÉ impossível desfrutar egoisticamente. No momento em que o prazer quer entrar no desejo, nós só sentimos o seu contato por um momento curto, e, em seguida, o desejo diminui imediatamente.

Com pequenos prazeres nós não experimentamos uma sensação muito intensa, de tal forma que durante o contato entre o desejo e o prazer, ambos se anulam mutuamente. Ambos desaparecem e são anulados. Mas, em grandes prazeres, quando uma pessoa aspira muito forte e sonha com eles por um longo tempo, ou em prazeres especiais, tais como sexo ou arte sofisticada, a pessoa imediatamente sente que o prazer vem por uma fração de segundo e depois desaparece.

E nós nos perguntamos: Por quê? Porque o desejo egoísta e o prazer não são inicialmente previstos para existir um dentro do outro. O desejo de desfrutar não consegue manter o prazer dentro de si. Os dois são opostos por natureza e, portanto, não espere que eles consigam ficar juntos!

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/11/11, Escritos do Rabash

Hoje Nós Saímos Do Egito

Dr. Michael LaitmanDiz-se que a cada dia a pessoa deve ver a si mesma como se tivesse saído do Egito, o que significa que ela deve procurar a inclinação ao mal dentro de si, a fim de precisar da Torá, a Luz que Corrige. Se a pessoa chega a este estado, a partir desse momento em diante ela começa a viver – segue no caminho certo.

Se ela não sente a necessidade de corrigir a si mesma, se ela não sente o desejo quebrado dentro de si (o ego, o Faraó, os vasos que foram levados do Egito, a partir do estado em que ela descobriu sua inclinação ao mal com relação à conexão com os outros), ela não tem nada com que chegar ao monte Sinai. É porque você chega lá apenas para se conectar.

Se nós estamos prontos para isso, nós recebemos a Torá, a Luz que corrige, a qual percebe a nossa conexão. Com relação a isso é dito: “Vocês estão todos aqui hoje…”. Mas se isso não existir, não há nenhum ponto a partir do qual tudo pode começar.

Então, primeiro há o trabalho mais simples que nós podemos realizar em nosso estado. É este mundo material que nos permite começar a trabalhar, porque nós podemos fazer coisas nele, mesmo sem a intenção correta. É por isso que eu me conecto com outras pessoas, embora eu não tenha nenhum desejo por isso, ou tento alcançar diferentes objetivos egoístas, na esperança de ganhar algo com isso.

É por isso que nós fomos trazidos a este mundo material, e a partir dele nós começamos a subir. Cada vez nós tentamos reproduzir o estado espiritual de forma mais natural, e assim atraimos a Luz que Corrige sobre nós. O mundo espiritual está em ocultação, e se nós ansiamos por ele, é o suficiente para atrairmos a Luz de lá.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/10/11, Escritos do Rabash

Pensamentos Rápidos Sobre O Shamati, “O Que Significa Que A Sitra Achra É Chamada De ‘Malchut Sem Coroa’”

Dr. Michael LaitmanO desejo de desfrutar, os prazeres egoístas, o desejo egoísta, é chamado de “mundo corporal”. O desejo de dar, de satisfazer, e de doar, é chamado de “mundo espiritual”. Não há praticamente nenhuma diferença entre os dois, exceto uma: o resultado.

Se a pessoa pratica um ato de doação, ela deve descobrir a Luz. Isso significa que ela atinge Keter (coroa). Mas se ela não realiza um ato de doação, ela não atinge Keter. A única diferença é o resultado.

Portanto, a força impura (Sira Achra) é chamada de “Malchut sem coroa (Keter)”, quando eu estou no desejo de receber, mas a Luz de Keter não me alcança.

Da 6ª Lição na Convenção de Toronto 18/09/11

Eu Não Quero Ser Um Alpinista

Dr. Michael LaitmanO desenvolvimento egoísta ocorreu gradualmente em bilhões de pessoas e, de repente, nos encontramos fechados, ligados como engrenagens que se tornam um curto-circuito e devem girar juntas. Nós chegamos agora a um estado em que nos tornamos fechados num único sistema em conjunto. No entanto, este sistema tem algumas medidas de liberdade dentro dele. Em outras palavras, ele ainda não está preso a um sistema de engrenagem, mas é como o atrito das rodas girando juntas, ainda duras no movimento de deslizamento, e nós ainda estamos vivendo devido a esta liberdade um do outro.

A natureza egoísta é quando eu giro sozinho como uma bola, como uma única roda que não está ligada a outras rodas, o caminho é confortável para mim. Eu não incomodo você, você não me incomoda. Eu não quero estar ligado a você. Nós não somos alpinistas que dependem uns dos outros. Eu não quero ser dependente. Eu faço o meu trabalho, você faz o seu.

Quando o sistema se tornar completamente revelado, nós veremos que ele é global e integral, e todas as suas partes estão completamente unidas, como um enorme organismo vivo. Suas partes individuais não têm livre arbítrio para fazer o que elas desejam fazer, porque isso não existe na natureza. Tudo age de acordo com a lei do determinismo.

Da discussão sobre Educação Global -7/09/11

Arrependimento Do Egoismo Mais Terrível No Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso verificar a mim mesmo, a fim de ter certeza que estou me movendo de acordo com as instruções das fontes originais, ao invés de estar me submetendo ao meu próprio egoísmo?

Resposta: Com essa intenção, há o mês de Elul, o último mês do ano. O mundo foi criado cinco dias antes da criação do homem, e o dia em que o homem foi criado é chamado o primeiro dia do novo ano. Esses últimos cinco dias representam os cinco níveis antes do nível humano, as cinco fases. E você precisa verificar o seu mundo, ou seja, o seu ambiente.

Afinal, você vive e percebe a si mesmo em relação ao seu ambiente, você se verifica em relação a ele. Vocês vivem juntos, você e seu ambiente. Então, antes de você “nascer” como humano, verifique o ambiente que o rodeará. Assim, você será capaz de ver que tipo de pessoa você será.

Que ambiente você escolhe? Em outras palavras, o que você quer de sua vida, o mundo inteiro, o grupo e os livros, e o que você ouve do seu professor? Verifique como você se relaciona com tudo isso e o que você deseja alcançar.

Isto não é fácil. A pessoa se depara com um cálculo muito difícil aqui. A opinião da sociedade exterior exerce uma grande influência sobre nós, nos forçando a continuar perguntando: “Onde estou e onde está todo mundo? Há milhões, bilhões deles, enquanto eu sou apenas um”. Não é fácil manter-se no caminho, se este for um caminho pessoal, e não um caminho comumente aceito entre as massas.

Aqui, você precisa se manter afastado da confusão. De acordo com quais critérios você verifica este caminho? Ele não é avaliado de acordo com os padrões das pessoas comuns. E você não precisa acreditar em ninguém; tudo pode ser verificado e analisado. Assim, realize esta análise e construa o seu próprio relacionamento com o ambiente, o professor, os livros e o Criador. Isto é chamado de “arrependimento” do mês de Elul.

Estes esclarecimentos são muito delicados, e se tornam cada vez mais delicados com o tempo. É como se eles estivessem suspensos no vazio, sem apoio de terra firme, senão pela fé acima da razão. Isso porque, tendo verificado tudo no seu ego, você precisa se separar completamente dele e construir o seu relacionamento espiritual acima dele.

Sem o egoísmo, sem verificar dentro dele, você não pode verificar a si mesmo. É por isso que você tem que ser grato a todos os pensamentos e desejos egoístas, como ciúme, ódio, volúpia, ambição e arrogância em relação ao mundo, aos inimigos e amigos, à crítica dos amigos, ao professor e ao Criador. Tudo pode ser verificado, e com base neste fundamento, o seu novo nível pode ser construído, chamado de um novo começo.

Depois de verificar todo o seu mundo e sua condição atual, você começará a ver, acima de tudo isso, a imagem do objetivo para o qual você está se dirigindo. Depois de ter admitido todas as possíveis transgressões do seu egoísmo (as palavras de arrependimento da oração de Rosh Hashaná), verificado e compreendido sua verdadeira essência, você pode imaginar qual é o significado oposto. Caso contrário, não há como.

É por isso que o Criador criou a inclinação ao mal e, além disso, a Torá, os meios para a sua correção, porque a Luz que Corrige está contida nela. No entanto, se você não tem a inclinação ao mal, se você ainda não descobriu e viu o seu egoísmo, você não precisa de qualquer correção. Se você não pretende ser corrigido, a Torá não é para você.

Primeiro de tudo, você precisa sentir que não há nada pior do que você, que você quer engolir todos os outros, vencê-los, você está com ciúmes de todos e odeia a todos. Você se vê como a pior pessoa do mundo? Você consegue justificar o seu relacionamento ruim com alguém depois de ter cuidadosamente verificado isso?

Se você ver que todo pecado é realmente revelado dentro de você, e que você não tem escolha, você chega à oração do arrependimento de Rosh Hashaná. Você exalta a qualidade de doação, o amor pelo outro, ou seja, o Criador, e você quer que ela comece a governar dentro de você.

“Eu criei a inclinação ao mal” significa o arrependimento do mês de Elul, os cinco dias antes do início do novo ano, o período de tempo que levou para criar o homem. Durante estes dias, o mundo do homem está sendo criado, seu mundo terrível. É ele quem o vê tão terrível, em vez de ver o mundo cheio de Luz e bondade, onde apenas o Criador governa, apenas amor e doação.

No entanto, graças a isso, a pessoa chega ao início do novo ano, o novo nível. Ela tem a Torá, os meios para a correção, a Luz que Corrige. Agora, ela sabe como usar a força contida na natureza, como extraí-la em prol da sua correção e, com a ajuda desta força superior, voltar ao bem. Para mim, a força superior é a qualidade superior da doação, em relação às minhas forças egoístas.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/09/11, Escritos do Rabash

A Vida É Um Jogo Emocionante Com O Criador

Dr. Michael LaitmanQuando o meu egoísmo é revelado a mim, eu tenho que pegá-lo pela sua cauda como uma serpente. Então, eu começo a jogar com ele, desvendando passo a passo todas as suas perspicácias e as conexões que ele queria construir, com grande sabedoria. Este plano abre os meus olhos, revela a minha corrupção. Eu adquiro sabedoria, olhos que vêem longe. Eu não consigo amadurecer sem isso.

É como jogar xadrez com alguém que é tão inteligente quanto uma serpente. Ele constrói uma combinação incomum, ardilosa e complicada com 20 jogadas de antecedência, calculando todas as possibilidades, construindo uma verdadeira armadilha para mim, mas, de repente, eu capto o fim do seu pensamento.

Ao invés das peças de xadrez no tabuleiro, eu vejo seus pensamentos contidos nelas: a cauda da cobra. Eu puxo a cauda e começo a revelar a sua intenção, suas habilidades, pouco a pouco. É assim que eu jogo com o Criador. Ele me ensina como preparar os meus desejos para o requerido nível de satisfação, a fim de revelá-Lo neste jogo.

Se eu não passar por todo este jogo, não me tornarei inteligente e sensível o suficiente para revelá-Lo. Na verdade, Ele é revelado agora, mas eu sou incapaz de vê-Lo. Eu sou como uma criança ao lado de um tabuleiro de xadrez, assistindo a um jogo sem a capacidade de entender como jogar.

Toda a nossa vida é um jogo de conquista da mente do Criador, revelando-O. O nosso egoísmo é incrivelmente esperto e tenta subornar-nos por todos os meios. Ele nos pega em uma ou outra direção oposta, e isso é uma grande ajuda vinda do Criador. Quem quiser revelar Seus desígnios astutos entenderá que a vida que vê na sua frente é apenas um jogo. A cada momento, o Criador nos dá uma oportunidade através de nossos pensamentos, desejos e ações de encontrá-Lo como nosso parceiro no jogo. Então, toda a nossa vida se torna uma aventura emocionante.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/09/11, Shamati # 152

Um Velho Amigo Perdido No Novo Mundo

Dr. Michael LaitmanO problema todo está na abordagem. Se eu estou tentando corrigir essa crise usando meus métodos antigos, procurando soluções e tentando consertar os sistemas econômicos que eu construí, isso é chamado de Amaleque (o maior e mais feroz desejo de receber em nós), o nosso principal inimigo.

Mas eu tenho que perceber que esta revelação vem até mim da natureza. Não há nada que possa ser feito usando os velhos métodos, visto que esta mudança está acontecendo dentro da natureza humana. Esta mudança não é em cada um de nós individualmente, mas em nossas relações, nas conexões entre as pessoas. Eu não queria que isso acontecesse, mas deve acontecer.

Nós começamos a perceber isso e a entender que cada um de nós é um egoísta e continuará a ser um egoísta. Ao mesmo tempo, a conexão entre nós se tornou mais forte e é diferente de antes. Eu não serei capaz de estabelecer esta conexão de acordo com as exigências do meu ego.

Por enquanto, todos nós somos como bolinhas de gude dentro de um sistema, e cada bolinha de gude é um egoísta. No entanto, as conexões entre nós não são mais egoístas. Elas não são da maneira que nós as construímos no antigo sistema econômico, que foi uma marca direta de nosso velho ego, uma demonstração exata das relações egoístas.

Mas, hoje em dia, um diferente tipo de conexão está se revelando, e é por isso que somos incapazes de controlar a rede que construímos. Isso é chamado de revelação do Criador, e nós não estamos tratando-a adequadamente. Nós não entendemos que devemos nos inserir na nova natureza.

Nós somos egoístas, mas as conexões entre nós não são egoístas, elas estão mudando. Nós temos que ser mais sensíveis a essas mudanças e sempre nos adaptar a elas, concordar com esta nova conexão. Ao fazer isso, vamos “apagar a memória de Amaleque”, o nosso pior inimigo.

Desta forma, nós apagamos a nossa indiferença, descaso e negligência. Nós superamos a nossa atitude negligente para com as mudanças e começamos a examinar o que está acontecendo aqui. Então, nós precisaremos da sabedoria da Cabalá, porque senão podemos lançar todas as forças que temos, todos os cientistas e todos os meios no mundo para uma análise e ainda assim não chegar a uma única conclusão correta.

É porque nós permaneceríamos como bolas de gude impenetráveis, todas dentro de seus velhos egoísmos. Agora, nós temos que receber a instrução (a palavra “Torá” vem da palavra “Oraa” ou manual de instruções) que nos ensinará a agir corretamente, a fim de realizar tais ações aqui em baixo, e isso causará alterações Acima.

O próprio Criador revela a nova rede, a nova conexão entre todos nós. Para nós, no entanto, isso significa uma crise, porque nós construímos determinado sistema, e Ele está imprimindo um sistema diferente sobre o nosso sistema.

Não há nada que possamos fazer com este novo sistema. Tudo o que podemos fazer é mudar a nós mesmos de acordo com este sistema recém revelado, para ajustar essas bolas de gude a esta nova conexão entre nós. Isto significa que eu devo elevar uma oração, ou seja, que eu tenho que pedir uma mudança em mim mesmo, pedir algo que está faltando em mim, que me impede de me conectar corretamente com esta nova rede.

Esta nova rede continuará se revelando cada vez mais; essa nuvem continuará a descer cada vez mais. Nosso trabalho é tentar reconhecer esta rede e desejar nos ajustar a ela através de nossas ações práticas. Assim, nós atrairemos uma influência de Cima que realizará isso dentro de nós.

A mudança não será no sistema, mas em nós. Nós mudaremos em conformidade com ele.

Da Lição Diária de Cabalá 02/09/11, artigo do Rabash

O Egoísmo É O Rei Sem Coroa

Dr. Michael LaitmanO Criador criou criaturas a fim de dar à elas o bem, porque Sua natureza é a bondade. Em virtude da sua perfeição, Ele tem a propriedade de doação e quer nos levar a mesma perfeição, à mesma doação, mas nós temos que querer essa doação, sentir a necessidade dela.

A necessidade é sentida apenas a partir da falta dela, o seu oposto. Eu sinto que preciso de algo que não tenho; eu quero ser outra pessoa, não eu mesmo. Esta diferença é chamada de necessidade. Esta necessidade não vem do Criador, mas da própria criatura, e se chama aspiração.

A fim de alcançar uma aspiração, ou seja, alcançar um desejo consciente, nós precisamos nos esforçar. Se nós trabalhamos para conseguir algo que sabemos de antemão, isso é chamado de “trabalho dentro da razão”. Se trabalhamos para alcançar uma recompensa que não está clara para nós, isso é chamado de “trabalho acima da razão”, ou seja, contra a mente. É por isso que o nosso trabalho é aspirar a esse estado que devemos alcançar. A fim de nos permitir desenvolver essa aspiração, nós somos confundidos com a impressão de que queremos alcançar satisfação.

No entanto, nós devemos alcançar a equivalência de forma, e este é um objetivo completamente diferente. Nós sentimos a necessidade de satisfazer a nós mesmos. Cada um dá o melhor de si, conforme suas próprias habilidades, para realizar isso nos níveis inanimado, vegetal, ou animal, mas o verdadeiro contentamento que chega até nós é chamado de “humano” e não simplesmente para satisfazer o nosso desejo. O desejo no nível humano é satisfeito por uma sensação de equivalência com o Doador, equivalência com o Criador.

Isso é chamado de Luz, satisfação. Quanto mais eu sou como Ele, maior o sentimento de satisfação. Isto já não é um pouco de Luz, mas toda a Luz de NRNHY (Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya e Yechida).

A nossa tarefa é olhar para esta satisfação, imaginá-la, desejá-la e descobrir a metodologia que nos permite nos aproximar dela. Em vez de procurar contentamento com o seu corpo animal, através de vários prazeres além do necessário, nós precisamos aspirar a satisfazer o humano dentro de nós pela doação, a equivalência com o Criador.

Se eu pedir para me tornar semelhante ao Criador, eu O revelo. Se eu pedir para satisfazer o meu animal dentro de mim, então, dependendo do nível do meu desenvolvimento, eu normalmente obtenho o efeito oposto, a fim de me voltar ao propósito da criação.

É por isso que a pessoa está sempre entre duas forças que a levam a um objetivo: a força da santidade e a força impura e egoísta. Ambas agem sobre a pessoa e a direcionam, mas muito provavelmente, nós somos levados pela inclinação ao mal, porque a nossa natureza constantemente nos obriga a olhar para a satisfação egoísta. Através de todos os tipos de choques, desapontamentos e ajustes desagradáveis, nós tomamos a direção correta e, assim, avançamos.

Portanto, a força impura é chamada de “rei sem coroa”, porque não aspira a alcançar a recompensa real e só quer satisfazer a si mesma. Ela confunde a pessoa e cultiva seu desejo egoísta juntamente com o seu sentimento de vazio e desamparo.

Gradualmente, ao lado deste sentimento, nossa mente começa a crescer. No final, a pessoa vê que seus desejos, assim como sua mente, cresceram devido ao fato de que ela não conseguiu o que desejava há muito tempo, e agora finalmente vê que este não é o caminho do progresso. Ela percebe que deveria ir por um caminho diferente. Assim, através da força “oposta”, nós avançamos em direção ao propósito da criação.

Da 1ª da Lição Diária de Cabalá 04/09/11, Shamati # 17

O Egoísmo Na Linha De Chegada

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que a ciência da Cabalá diz sobre o momento atual? Como é que ela pode nos ajudar nesse importante período de transição?

Resposta: Nós vivemos em um momento especial. Nosso mundo está no limiar da subida para um novo estágio de desenvolvimento do ser humano dentro de nós: um estágio espiritual e interno.

Até agora, como a ciência da Cabalá explica, nós estávamos nos desenvolvendo naturalmente, obedecendo aos impulsos do nosso egoísmo. Ele nos obrigou a transformar a sociedade, mudar a vida familiar, desenvolver tecnologias, remodelar países e formações, e introduzir mudanças na educação e cultura. Nós estávamos sempre caminhando para onde o impulso natural nos arrastava.

Mas hoje nós chegamos a certa saciedade. O mundo como que pára de nos fornecer prazeres. Ele já não nos satisfaz economicamente: nós sentimos certas barreiras, que nos impedem de seguir em frente. A teoria americana da sociedade de consumo, com o crescimento infinito da exportação e importação, com capacidade tecnológica e produtiva ilimitada, se esgotou. Além disso, nós passamos para uma tendência descendente, em declínio, a qual, segundo os economistas, será longa e ninguém sabe quando acabará.

De acordo com a ciência da Cabalá, a forma como a entendemos hoje, a crise nunca terá fim. Nesta fase de desenvolvimento, nós percebemos o nosso egoísmo, bem como o potencial da natureza circundante, causando um sofrimento terrível. Como resultado, nós estamos à beira do colapso nas áreas de desenvolvimento social e humano, educação e ecologia.

Nesta situação, nós precisamos considerar o que aconteceu conosco. Será que nós vamos continuar dessa maneira? Nós literalmente arruinamos a nós mesmos, tendo, evidentemente, cometido um erro em nossos objetivos e metas. Nós queremos aumentar o consumo, destruindo assim o meio ambiente? Queremos ficar presos em nossa corrida “mecânica”?

Tendo utilizado muito pouco produtos manufaturados, nós os jogamos fora para comprar novos. Esta é a nossa vida. Será que queremos preencher o nosso ser com jogos similares em termos de riqueza, honra e poder? Será que o significado da vida humana reside em trocas mensais de telefones celulares e outros símbolos de consumo?

Hoje, o processo que estamos atravessando nos obriga a diminuir o ritmo e nos convida a refletir sobre ele. Evidentemente, existe um programa diferente construído na Natureza, e nós temos que olhar para ele.

A sabedoria universal, o equilíbrio geral e a homeostase que descobrimos na Natureza, permanecem fora do homem. Para a Natureza, o ser humano é um elemento estranho, um tumor canceroso, devorando seu ambiente e a si mesmo.

Nós estamos destruindo a sociedade humana, estragando a nós mesmos e nossos filhos, distorcendo tudo, sem deixar qualquer oportunidade para uma existência correta. Se olharmos para o mundo “de lado”, as pessoas parecem estar cegas, seguindo um caminho suicida. Elas continuam brincando de jogos de poder, para destruirem a si mesmas, as crianças, a sociedade e o futuro, e elas não estão cientes disto.

É por isso que nós estamos em crise. Na verdade, esta não é uma crise. Esta é a salvação. Hoje, quando todos os sistemas criados por nós estão em colapso, nós temos um sinal claro que nos leva à verdade. Finalmente, nós podemos perceber que não temos outra escolha exceto uma mudança radical de atitude perante a vida.

Em vez de continuar se dirigindo para a auto-destruição, o que ainda é pretendido por políticos, economistas e, de fato, pela maior parte da humanidade, todas as pessoas, comunidades e organizações que já percebem o que está acontecendo devem desenvolver em conjunto uma novo abordagem em relação ao mundo e à natureza, a fim de progredir de uma maneira diferente.