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A Grande Propriedade De Bina

Uma pergunta que recebi: Por que o desejo de doar de Bina se posiciona do lado esquerdo ou do lado receptor?

Minha Resposta: Na realidade, Bina é o mesmo que Hesed (misericórdia, doação); ao mesmo tempo, é Gevura (superar, prevalecer, ultrapassar) e um lugar em que as Klipot (desejos impuros) são acumuladas. Doação e Hochma são o mesmo. Hochma irradia a Luz de calor, preenchimento e prazer. Bina representa o desejo da criação de doar. Esta é a qualidade que permite à criação sentir se ela possui propriedades de doação. Ela é dividida em duas partes: desejos sagrados puros (o recipiente – vaso – que a Luz é capaz de encher) e desejos impuros (o recipiente no qual a Luz não pode entrar). Apenas quando começamos a atravessar o processo de doação é que começamos a distinguí-los e a entender se pertencemos ou não a isso.

Bina é a próxima fase no desenvolvimento do nível denominado Hochma. Abraão deu origem a Isaac (a linha direita criou a linha esquerda). O desejo de receber prazer torna-se maior em Bina em comparação à Hochma. O desejo de Bina, que não existia na fase de Hochma (somente em potência), torna-se mais profundo nesse estágio, que o leva a um nível superior de consciência própria.

Contudo, quando Bina se revela a si mesma, torna-se claro que nem todos os desejos são de uma natureza receptora. Existem alguns desejos de “recepção pura” que não se “preocupam” com o Criador, tais desejos são chamados “Esau” e “Faraó”. Estes desejos de receber originam em Hochma, mas eles não têm a chance de se manifestar a si mesmos na fase de HochmaI, com algumas raras excepções, tais como Lavan (a Luz de Hochma). Quando Labão se integra aos desejos impuros por corrigir, ele muda seu nome para “Labão o Pecador”. Por outras palavras, a divisão em impureza e santidade (preto e branco) acontece apenas quando nós começamos a trabalhar para alcançar a doação. Antes disso, não há tal coisa como “pecadores” ou “homens justos”.

Então, em sua parte superior, Bina constitui o puro poder de doação que a faz similar a Keter. Gevurot (poderes de limitações), a linha esquerda, Klipa, e os “grandes pecadores da Torá” derivam da parte inferior de Bina. O mesmo se aplica a Keter; a Torá e sua Luz mais elevada podem se transformar no elixir da vida ou no veneno mortal. Tudo depende da maneira como a usamos.

A Magia Espiritual

Uma pergunta que recebi: Nós vivemos nossas vidas com esperança e nunca atingimos o prazer. O que acontecerá quando nós adquirirmos o desejo de doar? Nós seremos capazes de sentir prazer?

Minha Resposta: Quando nós transformamos a intenção egoísta em altruísta, o tempo deixa de existir. A própria noção de tempo desaparece, porque não há passado, presente ou futuro na espiritualidade. Quando estamos no atributo de doação, nós não temos informações sobre causa e efeito. Nós temos prazer durante o ato de doação que nos encontramos, e não precisamos de mais nada. Ter a oportunidade de doar é nossa recompensa.

Mas nós não nos preocupamos com os resultados de nossa ação? A oportunidade de doar é o resultado. Por esta razão, o conceito de tempo desaparece e tudo está em repouso absoluto.

O egoísmo nos promete o futuro, enquanto que na espiritualidade não há futuro; tudo acontece no presente. O futuro é sentido apenas se eu revelo no meu estado atual a falta de doação, somente se eu quiser doar mais e aspirar a ela. É como se eu desejasse ir do pequeno mundo do Infinito ao grande.

Isso também só é possível através da magia, através dos desejos egoístas que estão me ajudando. Eles me revelam as deficiências do meu estado, a impureza da minha doação.

A Multidão Misturada é a Razão Do Exílio


O Zohar, Capitulo “Ki Tissa (Quando Tomas)” Item 56: Os pecadores que criaram essa nação no exterior – a multidão misturada (Erev Rav), e a sagrada nação anexa a ela; eles pecaram na mãe –  Malchut, como está escrito: “Ergue-te, faz para nós deuses”.

A multidão misturada (Erev Rav) são os que usam a doação em prol da recepção. Por um lado, eles realizam a vontade do Criador – eles doam, que é o motivo de serem chamados “temerosos do Criador”. Contudo, eles doam para seu próprio beneficio, e é por isso que também são chamados “os agentes do Faraó”. Erev Rav são pessoas que observam os mandamentos e preenchem todas as exigências do Criador, mas apenas para o seu próprio bem estar neste mundo e no mundo vindouro.

Seguramente um deus, para lhes fazer outro deus (que seja compreendido pelo egoísmo) em vez de Malchut, que é chamada “Deus” (Elokim). Em vez desta glória de Israel, ou seja, Malchut, que esteve sobre eles como uma mãe sobre os filhos.

“Israel” são pessoas que têm uma intenção que é “directa ao Criador” (Yashar Kel). Todo o propósito do seu trabalho é pelo Criador, e não por elas mesmas. A Erev Rav são os que querem e estão preparados para trabalhar; eles têm a força para completar o que é requisitado deles com completa devoção, mas em retorno eles querem dinheiro, respeito e poder. Eles são incapazes de trabalhar sem estas coisas, e eles são a razão de todos os exilios. O problema com a Erev Rav é que eles fazem as mesmas acções que Israel, falam sobre as mesmas coisas, usam a mesma Força Superior, partilham o mesmo desejo de desfrutar, mas para seu beneficio próprio. Eles dizem, “Estamos preparados para cumprir todos os mandamentos da Torá, mas apenas se isso nos beneficiar”.

Angústias Amorosas


O Zohar, Capítulo “Tazria (Quando a Mulher Dá à Luz)”, Item 70: “…angústias de amor são escondidas das pessoas”. Angústia de amor é o estado também conhecido como “Eu estou apaixonado”. Isso significa que eu não preciso de nada; eu só quero dar, doar. Meu único desejo é satisfazer o seu desejo.

Este é um estado intermediário em que eu quero muito dar, mas sou incapaz. Dado que ainda não adquiri uma tela, eu sou incapaz de receber a Luz de forma a satisfazer o seu desejo. O amor é um estado em que eu sinto o desejo do próximo mais que o meu próprio.

O Zohar, Capítulo “Tazria (Quando a Mulher Dá à Luz),” Item 72: Está escrito, “Melhor é a repreensão aberta que amar o que está escondido”, o que significa que a repreensão aberta é melhor. E se a repreensão é feita por amor, ela é escondida das pessoas. Similarmente, aquele que repreende o seu amigo com amor deve esconder suas palavras das pessoas, para que seu amigo não fique envergonhado por estas. E se suas palavras são abertas perante as pessoas, elas não estão com amor.”

No nosso mundo nós desejamos naturalmente esconder os nossos relacionamentos e o amor entre nós, pois o amor requer discrição. Queremos protege-lo de tudo o que possa potencialmente prejudicá-lo. Mas o que significa “estar envergonhado” ou “revelar amor diante dos outros” na espiritualidade? Eles são os meus desejos.

Se eu alcanço uma conexão com o Criador num único desejo, então os outros desejos nos quais eu não me posso conectar com Ele são chamados “os outros”. Desta forma, eu preciso prestar atenção a eles para que eles não prejudiquem o meu amor, assim como ter em mente que tudo está a acontecer internamente.

A Machsom é o Marco Critico Da Vida


A Machsom é a fronteira onde eu recebo a força de doação. Isto é exactamente o que queremos alcançar – a união entre nós e a força da doação mútua. Quando conseguirmos isso, significará que atravessamos a Machsom.

Como podemos imaginar este Kli comum, o nosso recipiente (vaso) espiritual? Digamos que cada um de nós vem segurando um copo de água e todos nós o vertemos num grande balde. Então será impossível diferenciar onde está a sua parte, onde está a minha, e onde está a de outra pessoa qualquer. Isto é chamado união e inclusão mútua dos desejos, que continua até que todos alcancemos certo volume ou medida chamada “Se’a”, dentro da qual iremos começar a sentir a vida.

É similar à diferença que existe entre um aquário e um grande reservatório de água, no sentido em que para além de uma certa fronteira, um reservatório de água começa a ter vida própria, ao passo que um aquário deve ser sustentado artificialmente. Alguém tem de dar comida aos peixes, fornecer-lhes oxigénio, e limpar o aquário. Mas se o reservatório de água alcança certo tamanho, ele começa a sustentar a sua própria vida. Você não tem mais de o abastecer com comida e oxigénio; este começa a viver naturalmente, por si mesmo.

Esta fronteira é um marco crítico: abaixo dele as coisas começam a morrer, e acima dele, as coisas despertam para a vida. “Se’a” é a fronteira que eu alcanço quando ascendo de baixo para cima; assim que exerço certa quantia de esforço, eu atravesso a fronteira e entro no reino onde a vida começa a se sustentar sozinha. É exactamente assim que devemos unir nossos desejos.

Quando queremos reviver um lago morto ou um corpo sem vida, temos de colocar esforços adicionais em quantidade e em qualidade, até que tenhamos sucesso em o trazer à vida.

A Noite é a Hora do Trabalho


O Zohar, Capitulo “Miketz,” Item 33: “Aqueles que esperam Sua misericórdia” . “Aqueles que esperam Sua misericórdia” são os que se empenham na Torá à noite e se associam com a Divindade. E quando chega a manhã, eles esperam Sua misericórdia.

O Zohar também fala sobre isto no artigo, “A Noite da Noiva“. Ele descreve todos os dias do exílio como uma noite escura, durante a qual preparamos os nossos desejos (Kelim) para a conexão entre o Noivo e a Noiva que irá ocorrer na manhã.

Todos os que se preparam para este encontro são chamados os moradores do palácio do Rei. O momento em que eles completam a construção do pálio matrimonial (Huppah, simbolizando uma tela e a Luz Reflectida), o Criador (Zeir Anpin) une-se com Sua Shechina, que é a união de todas as almas. Este é o recipiente (vaso) para a recepção da Luz. Então, a Noiva une-se com o Noivo; os dois complementam-se mutuamente e alcançam um estado de perfeição e paz.

Quando a pessoa se empenha na Torá à noite, um fio de misericórdia estende-se sobre ela durante o dia….

É impossível empenhar-nos na Torá durante o dia, porque o dia é quando acontece a unificação. Nesse ponto, tudo é revelado e não há mais trabalho a ser feito. O nosso trabalho reside em exercitar a nossa liberdade de escolha, quando na verdade nós já existimos no estado perfeito. Nós só precisamos o “preferir”, isto é, escolher o dia sobre a noite.

Quando decidirmos que a doação é o dia, iremos revelá-la como sendo o dia. Através da Luz Reflectida, despertamos o dia e a Luz, em vez da escuridão. É por isso que todo o trabalho ocorre à noite; porque toda a nossa escolha e esforços estão concentrados lá. Não há trabalho que possa ser feito durante o “dia”.

O Criador Combate Nossa Guerra Por Nós


O Livro do Zohar, Capítulo “Shmini” (“No Oitavo Dia”), item 25: A linha direita e a linha esquerda são misericórdia e julgamento. Aqueles que aspiram ao Criador vão pela direita, enquanto os adoradores de ídolos vão pela esquerda. Ele que aspira ao Criador, mesmo que ele peque e se renda, permanece no lado direito, sem conexão com o esquerdo ou mesmo sem estar misturado a ele. “Pois quando o direito ascende, ele que está preso a ele ascende e é exaltado por ele.

Então, o lado esquerdo obedece, e todos aqueles que andam a seu lado, como está escrito: “Sua mão direita, o Criador, extermina o inimigo”.

Não deveríamos nos focar na linha esquerda, porque se começamos a fazer isso, iremos analisar nossos desejos e parecerá que estamos fazendo discernimentos e na realidade nos opondo a nossas qualidades perversas. Mas, na verdade estamos misturando-nos com eles, e isso não é bom.

Devemos tentar ignorá-los como se não existissem. Não deveríamos desejar negociar com eles, mas somente aspirar pelo lado direito. Quando aspiramos á meta espiritual, à adesão com o Criador, O Nível Superior, doação, então sua luz vai nos corrigir e às nossas qualidades egoístas, o lado esquerdo.

Por nós mesmos nunca seremos capazes de resistir a essas qualidades, assim é melhor somente ficar longe delas. A linha esquerda desperta em nós somente para que nos unamos à direita. Esse é nosso caminho. Se, no entanto, nos viramos para o lado esquerdo, pensaremos que somos heróis, capazes de trabalhar e derrotar esses desejos. Mas, isso nunca irá acontecer! Somente o Criador pode vencê-los por nós. Essa guerra é travada pelo Criador, não por nós.

Nós não temos a força para isso. Aquele que aspira ao Criador é pequeno, fraco, e incapaz de opor-se por si mesmo às suas qualidades egoístas. Tudo isso é arranjado pelo Criador, e tudo que precisamos fazer é desejar que isso aconteça. Nós somente temos que alcançar o pedido correto.

Por isso nosso trabalho é chamado “O Trabalho do Criador”, porque a Força Superior, o Nível Superior, o Criador, realiza todas as ações, enquanto nós meramente expressamos nosso desejo de que isso aconteça. Nosso trabalho inteiro é esperar que isso aconteça. Isso é chamado “Eu despertei o amanhecer”, quando o cavalo (nós) se move obedientemente por sua conta, adivinhando que seu cavaleiro (o Criador) deseja com antecedência.

Prazer e Sofrimento


Recebi duas perguntas sobre prazer e sofrimento:

Pergunta: Por que o Criador nos faz sofrer?

Minha resposta: Isso segue a regra: “a grandeza da Luz é vista na escuridão”. Por exemplo: os fãs de futebol podem estar completamente satisfeitos com um jogo a menos que seu time favorito passe por dificuldades. Pesquisas mostraram que fãs de um time vencedor que passaram por emoções negativas ao ver o risco de seu time perder estavam mais preparados e tinham sentimentos positivos sobre a partida. Emoções negativas têm um papel chave nas sensações positivas.

Pergunta: Eu tenho uma pergunta que me incomoda por um longo tempo e dessa forma me atrapalha na minha aceitação da Cabalá. Por que Deus desejou dar prazer a Si mesmo (ao dar prazer à Sua criação – desde que nós somos um); por que não só manter Sua perfeição? Isso deve significar que Ele também teve um desejo egoísta de dar prazer a Si mesmo?

Minha resposta: Você pensa dessa maneira porque você não entende a qualidade de doação. Você pensa que ela inclui alguma espécie de referência a si mesmo, mas ela não inclui.

O Mundo Ao Nosso Redor É Uma Grande Ilusão


Cada alma está conectada ao Mundo da Infinidade por uma corrente ou escada de degraus que gradualmente enfraquecem a Luz e os Kelim (vasos). Eu desperto esse sistema no momento que estabeleço uma conexão com a Infinidade. Na verdade, esse sistema inteiro está dentro de mim; só parece que é exterior mim.

Existem duas coisas no universo: o homem e o Criador. O homem tem que sentir que ele existe fora do Criador para entender o significado de “ser separado do Criador”. Ele tem que aprender quão oposto ele é a Ele o que é estar perto ou longe d’Ele, para então ser capaz de experimentar a adesão a Ele.

Por isso eu fui deliberadamente criado com a percepção da realidade que está dividida entre o que está dentro e o que está fora de mim. Isso faz com que seja mais fácil para mim entender o que é o Criador e o que sou eu mesmo, o que é a quebra e a adesão, o que é um estado de inconsciência (ocultação) como oposição a um estado de estar próximo a Ele e se fundir com Ele como uma só coisa.

O Criador joga fora tudo que eu sinto dentro de mim, e como resultado, minha percepção está dividida em duas partes: interna (que é tudo que recebo), e externa (tudo que eu dou, mas sem a intenção de corrigir).

O mundo externo são meus Kelim que são propositalmente retratados para mim como estranhos para que eu entenda o que significa doação. Se eu começo a me relacionar com eles como duas partes de mim, então eu entenderei quão distante eu estou da doação, e quão oposto e indesejável isso é para mim. Então, verei que amar o meu próximo como a mim mesmo não é tão simples; de fato, eu não posso fazer isso. E isso quer dizer que eu não posso doar ou chegar perto do Criador.

“Mas, espera aí”, você está pensando: “Eu quero estar perto do Criador!” Bem, se você deseja isso, então você precisa demonstrar, e a doação é o único meio para fazer isso.

A Alegria é um Sinal Claro de Doação


Uma pergunta que recebi: Por que o trabalho espiritual tem de ser feito com alegria?

A Minha Resposta: A alegria é um sinal de que você age em prol da doação, e que você não faz isso por coerção, porque você não tem outra escolha ou porque você tem medo que possam acontecer coisas más a você. Nós sabemos quão feliz uma mãe está quando consegue alimentar bem uma criança, porque ela recebe prazer disto. A doação que vem do amor, como no caso da mãe, vem sempre com alegria. A alegria é um sinal e uma consequência das boas acções (doação).

Contudo, se a pessoa está sob o poder do seu ego, ela sente-se tensa e zangada com o Criador. Desta forma, a força de bondade e fé é expressada através da serenidade e da rejeição de si mesma diante da Força Superior, uma disposição de receber a sua influência e a sua correcção, que mudarão suas qualidades para a doação. Então, a Força Superior vem e dá-lhe força, e tudo isto é acompanhado pela alegria.

O verdadeiro apelo ao Criador não pode ocorrer sem alegria. Se a oração é escutada pelo Criador, esta é chamada de “a Porta das Lágrimas” (Shaar ha-Dmaot), que significa que a pessoa deseja ser similar ao Criador (da palavra “Dommeh” – similar). Desta forma, ela “chora”, ou seja, ela realmente quer se tonar similar ao Doador. Contudo, estas não são lágrimas de tristeza; em vez disso, a pessoa sente alegria porque alcançou este grande desejo.

O apelo ao Criador não pode ser triste. Se você chora, isso significa que você O culpa por fazer tudo isto para você, e você está infeliz com seu caminho, o qual você segue como resultado da desesperança. Então, você não pode ser justo. Desta forma, se a pessoa não sente alegria em cada estado que chega até ela (seja o melhor estado imaginável ou o pior estado possível), isto significa que ela está em seu egoísmo e não tem como apelar ao Criador.

A pessoa tem de ascender de forma a permanecer sempre em alegria. Então, ela não se importará com o que acontece com ela, dado que o seu único pedido é adquirir a força de doação. Nesse caso, ela irá recebê-la.