Textos com a Tag 'Amor'

“Amor: Uma Doença Perigosa”

Laitman_183_04Nas Notícias (svit24.net): “Um grupo de pesquisadores britânicos realizou um estudo longitudinal sobre o comportamento do corpo numa pessoa apaixonada. As descobertas da ciência têm sido decepcionantes. Acontece que o amor é uma doença que provoca sérios danos à saúde humana.

“O Professor Martin Cowie diz que quando uma pessoa está apaixonada, ela experimenta uma tempestade de emoções. Isso é prejudicial para a sua saúde e, por fim, termina numa série de doenças. Isso começa com o fato de que o corpo está sob a influência de uma pessoa apaixonada e as emoções produzem manifestações físicas bem pronunciadas. Durante este período, dizem os cientistas, uma grande quantidade de adrenalina é produzida, que por sua vez afeta negativamente o corpo humano.

“Sabe-se que um grande número de doenças é causado por stress. O professor Cowie diz que estas doenças são o resultado de processos que são semelhantes às alterações no corpo de uma pessoa apaixonado. O mais interessante é que quando as pessoas estão apaixonadas, elas não reconhecem de forma adequada que a sua saúde se deteriorou. A euforia do estado de felicidade substitui o senso comum. Como resultado, os sinais da doença podem inclusive ser semelhantes aos sintomas da gripe.

“Quando alguém apaixonado rompe com o objeto de sua afeição (sua segunda ‘metade’), ela percebe isso como uma tragédia que às vezes pode ser até fatal”.

Comentário: Na verdade, é possível dizer coisas completamente opostas sobre o amor. Neste mundo, o amor é o choque egoísta mais forte, o maior desejo egoísta que “agarra” a pessoa e a prende firmemente até que ela fica “tonta” ou perde a cabeça.

O amor expande nossos desejos egoístas e, ao mesmo tempo, se restringe somente a eles. Mas se é o amor real e altruísta, não para o “nosso próprio bem”, mas o tipo de amor que é direcionado aos outros sem levar em conta nós mesmos, ele não limita a pessoa, mas sim abre novas dimensões que estão “fora” nós, e essas pessoas alcançam o mundo externo.

Sobre Amor E Sucesso

Laitman_201_02Pergunta: Onde é possível encontrar o amor verdadeiro, e quem é uma pessoa bem-sucedida?

Resposta: O amor verdadeiro só pode ser através de um sentimento em que a pessoa não pensa em si mesma como o objeto do amor, mas na pessoa que é amada, de modo que ela se preocupa com a forma de fazer algo por ela. Portanto, na vida, o verdadeiro amor pode ser posto em prática através da aplicação do método da sabedoria da Cabalá.

Uma pessoa verdadeiramente bem sucedida é alguém que se compara com os outros não para alcançar o sucesso material e maior capacidade competitiva, mas para usar a característica da inveja natural para se mover mais rapidamente do que os outros em relação a correção espiritual.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 13/05/15

De Um Ponto Escuro Para A Luz Do Amor

laitman_276_01Comentário: Há uma discussão inteira no Livro do Zohar sobre qual letra a criação do mundo deveria começar. Por fim, foi decidido que a primeira letra seria “Bet” (Bereshit, Gênesis).

Resposta: A primeira letra é muito importante, uma vez que determina o significado de todo o ato da criação.

No artigo “As Letras do Rav Hamnuna Saba”, na Introdução ao Livro do Zohar, há a descrição da “luta” sobre qual letra deveria controlar o mundo para levar todo o egoísmo, todos os atributos opostos ao Criador, à compatibilidade com Ele.

Os atributos devem ser opostos entre si, porque é apenas como resultado do conflito entre as forças positivas e negativas que podemos começar a estudar e revelar o Criador; é impossível fazer de outra forma. É impossível descobrir qualquer atributo, qualquer coisa no mundo, se não tivermos atributos que opostos ao Criador.

Mas como alguma coisa oposta a Ele poderia ser criada? Para esse efeito, o egoísmo constantemente crescente foi criado, de modo que pudesse ser comparado com a força positiva e no contraste entre elas comparar: o atributo da criatura e o atributo do Criador, dia e noite.

A pessoa tem que sentir alternadamente isso e aquilo, e depois em conjunto; essas propriedades são opostas entre si. Durante essa comparação, ela abaixa o Criador ao nível da escuridão ou a escuridão se eleva ao nível do Criador.

Esse trabalho ajuda a criatura a descobrir o Criador a partir do atributo que é oposto a Ele, mas não em contraste, um contra o outro, como em nosso mundo. A pessoa sobe e veste seu ego com os atributos do Criador, transformando-os numa forma que, internamente, é totalmente egoísta e oposta ao Criador, enquanto todos os atributos positivos Dele são revelados externamente.

Depois, a criatura começa a atingir os dois atributos opostos através de uma ação, de um pensamento, em um ato, ao mesmo tempo. Na medida em que ela sobe do nosso mundo para cima, ela começa a construir toda a criação por si mesma.

É por isso que se diz que os juntos constroem mundos. É como se o Criador tivesse destruído o mundo que Ele criou (que é de fato assim), e eles o constroem e recriam como uma criança que recebe um brinquedo que está totalmente desmontado para ensiná-la a juntá-lo.

Assim, a pessoa sobe gradualmente até o nível do Criador e, portanto, torna-se equivalente ao Criador. Ela passa todas as emanações e adquire o atributo do Criador em todo o seu preenchimento.

Pergunta: Quando você fala sobre uma pessoa, você se refere à figura unida de toda a humanidade?

Resposta: Sim, são todas as pessoas do mundo; é o seu núcleo interno corrigido que está conectado num único estado corrigido chamado Adam (ser humano) que se assemelha ao Criador.

Comentário: A sabedoria da Cabalá é tão profunda e rica que a pessoa pensa constantemente sobre como pode absorvê-la.

Resposta: É impossível fazer isso de maneira teórica. A sabedoria da Cabalá não é uma sabedoria comum que pode ser aprendida à distância; não é uma performance que pode ser atuada e, assim, sentida. Nós temos que penetrar totalmente e ser incorporados nessa figura; esse é o problema.

Aqui há a adesão absoluta com os níveis de ascensão e a pessoa muda constantemente sua forma a partir de um ponto escuro para uma figura iluminada de amor completo e doação.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 31/12/14

Amor Ilimitado

laitman_572_02O Tabernáculo é o lugar onde o Criador é revelado, ou seja, o ponto central onde a Terra toca o Céu. A Arca Sagrada (Aron Kodesh) no Tabernáculo encontra-se entre dois querubins (anjos).

Todos esses termos se referem às forças que são criadas numa pessoa, por isso não devemos imaginar quaisquer valores reais que tenham uma forma material. Estes números são formados como resultado do atributo de doação e destinam-se externamente para mim mesmo.

Graças ao nosso ego, nós podemos dividir o atributo de amor e doação (o nível de Bina) que flui como água, uma vez que ele não pode ser destinado a ninguém em particular, uma vez que de outra forma não é amor, mas algo que de que pretendemos nos beneficiar, para servir o nosso próprio interesse. Mas se ele flui amplamente a todos é o verdadeiro atributo de doação. Por exemplo, se uma pessoa vive sozinha na floresta e não precisa de nada, nem de uma casa, família, ou até mesmo roupas, ela só pode comer alguns grãos e está bem, mas não tem benefício pessoal.

Como podemos gerenciar e controlar o atributo de doação que lhe falta totalmente o desejo, uma vez que ele está cheio de amor absoluto e doação aos outros? Isso só pode ser feito se começarmos a anexá-lo ao atributo do ego que está subordinado a ele. Há duas maneiras de podermos anexá-lo: gerenciar o ego com a ajuda da doação, ou gerenciar a doação usando o ego. É um dos dois. Tudo é muito simples. O atributo de doação é amor. Em nosso mundo, eu amo outra pessoa porque ela me traz prazer, alegria e certos sentimentos. Em outras palavras, a minha atitude em relação a essa pessoa e a maneira como ela me faz sentir se misturam. Mas se as dividimos, verifica-se que eu a amo porque recebo prazer dela. É o amor egoísta, uma vez que se o meu sentimento desaparece, não vou nem olhar para ela e não vou sentir nada por ela.

A fim de verificar que o meu amor não é para o meu próprio benefício, eu posso invocar um sentimento totalmente oposto em mim mesmo. Se, de repente, eu descubro que ela tem feito algo horrível e planeja fazer algo contra mim, e eu ainda continuo a amá-la, apesar da repulsa que sinto, esse amor não é pelo meu próprio benefício. A questão é por que eu preciso amá-la? Portanto, com essa atitude para com os outros, eu serei semelhante ao Criador. É por isso que um terceiro é necessário aqui, o Criador. Caso contrário, não há espaço para esse tipo de amor.

Assim, o amor pode ser egoísta ou altruísta, o qual não está relacionado com outra pessoa, mas com a fonte a qual eu tenho que executar tais ações. Eu visto o atributo de doação (Bina) no egoísmo. Bina é a base do amor. É o atributo vivificante do leite da mãe; é o atributo da água que flui abundantemente por tudo. Quando nós atingimos esse atributo, descobrimos que podemos controlá-lo apenas quando Malchut (egoísmo) está abaixo dele e é revelada gradualmente.

Imagine que há uma grande tela abaixo de nós na qual, de repente, começamos a identificar diferentes choques e que essa é a única maneira de elevar e estabelecer o atributo de doação, mas apenas graças ao fato de que o ego dentro dele está disposto e deseja estar lá. Quando o ego é revelado nas formas mais revoltantes, descobre-se o atributo de doação acima dele. Mas, na verdade, é como a areia, e sem ele o atributo de doação não tem forma; é simplesmente uma nuvem branca. Mas quando eles começam a trabalhar juntos, todo o mundo é revelado e, juntos, eles estabelecem suas formas.

Pergunta: Um embrião formado dentro de sua mãe também é coberto com o atributo de doação?

Resposta: Claro! A natureza toma conta do fato de que durante o desenvolvimento no útero de sua mãe, ele estará envolvido com o amor superior. Então ele se vira com sua cabeça para baixo e nasce, caindo do atributo de Bina para Malchut e começa a crescer como um egoísta, de modo que, no final, vai descobrir o mundo como sentiu no útero, mas agora ele irá conter todas da criação dentro dele. Ele o constrói por si mesmo! Isso significa que ele atinge o mesmo atributo de doação, mas num nível diferente.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 24/12/14

Uma Licença De Amor E Paz Em Casa

Laitman_183_04Pergunta: Você fala tão bem sobre a unidade, mas o que a pessoa deve fazer se a unidade não existe em sua própria casa? Eu apoio posições políticas de esquerda, enquanto o meu marido é a favor da extrema direita. Nossas conversas sobre política nos levam a brigas o tempo todo. O que pode ser feito?

Resposta: Eu acho que vocês, e todo o povo de Israel, receberam a oportunidade de corrigir essa situação. Como se diz, “…o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10:12). Como é possível alcançar a paz entre nós? Paz não significa que um derrota o outro e suprime-o, ou o convence de que ele estava errado, como nós queremos fazer em geral.

Paz significa que, nas relações com outra pessoa que está contra mim de coração e alma, em todas as características e opiniões, nós chegamos à reciprocidade completa. Isto é alcançado através da construção de uma ponte de amor entre nós. Assim, no plano físico, nós ficamos com as contradições e oposições, em luta, resistência e colisão mútua, enquanto que acima disso, especificamente como um contrapeso, nós construímos o amor.

É necessário aprender a fazer isso. A principal coisa é não ter medo de que temos dois planos: um inferior onde contradizemos e nos opomos completamente, e um mais elevado onde estamos conectados. Isso é chamado, “… o amor cobre todas as transgressões”. Especificamente acima de todas as transgressões e erros, não importa quantos contrastes existam entre nós, nós podemos construir uma conexão mais forte de amor. Um não pode existir sem o outro. Portanto, se estamos falando de plenitude, de unidade e até mesmo de amor, isso se refere a dois planos. É impossível de outra forma. É possível construir uma conexão somente acima de todos os distúrbios, atritos e diferenças entre nós.

Portanto, ninguém está autorizado a exigir que o outro mude. Não pode haver coerção, nem religiosa nem secular, de qualquer lado e em qualquer coisa. Cada um deve permanecer como é. Se ele quiser mudar, ele deve querer isso por si mesmo. E nós só precisamos aprender por nós mesmos e ensinar a nós mesmos como construir o amor como um guarda-chuva que nos cobre, mesmo que tenhamos oposições. Precisamente aí é que o nosso amor pode ser permanente (sem ser transitório), grande e próspero devido ao fato de que dentro há chamas da nossa oposição mútua.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 03/05/15

Lágrimas Do Primeiro Amor

Laitman_198Pergunta: Vamos supor que uma menina de 14 anos de idade se apaixonou e está confusa. Seus pais sentem isso. Vale a pena discutir isso? Como isso deve ser feito de modo a não assustar a menina? Talvez devêssemos relacionar as memórias de nossos relacionamentos quando éramos jovens?

Resposta: Isso não seria ruim. Ainda melhor é esperar até que um dos amigos da garota chegue e comece uma discussão sobre o primeiro amor. Recordar o tempo em que éramos jovens está bem, mas os filhos nessa idade, como regra, estão sob uma forte impressão, de tal forma que realmente não ouvem nada.

Nós sabemos que o desenvolvimento dos desejos é realizado de acordo com a pirâmide: comida, sexo, família, etc. Essa pirâmide é dividida em muito mais partes. Normalmente, para a geração mais jovem, a coisa mais importante gira em torno do sexo. Na adolescência isso é revelado como uma impressão inconsciente que impulsiona o jovem e ele não entende como, onde e por quê.

É possível equilibrar essa impressão com o intelecto? Aqui nós temos que ter muito cuidado, de modo a construir tudo na compreensão mútua, simpatia, pelo exemplo, e com essas questões é preciso ser um amigo para o seu filho e não um pai. Certamente, nesse caso os filhos simplesmente não veem seus pais porque estão tão profundamente dentro de suas experiências. Para eles, o importante é o que está acontecendo em seu reino.

Eu tentaria organizar um encontro de meninas em casa, e tentaria ganhar a sua confiança como um adolescente de sua idade. Esteja com elas; diga-lhes o que você sentiu na sua idade, que tipo de problemas você teve com as meninas. Talvez sua esposa também lembre de alguma coisa da infância.

Mas você precisa desempenhar o papel como um adolescente. As meninas precisam realmente vê-lo como sendo da sua idade, embora um pouco antiquado, de outra geração. Isso é muito interessante.

Claro, as adolescentes vão rir um pouco de você, mas essa já será uma interação mútua. E os pais não devem se importar que as meninas riem para eles como se não os ouvissem. Elas realmente estão ouvindo e entendendo tudo.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 11/12/13

O Amor Num Fogo Baixo Que Não Se Apaga

Laitman_183_04Comentário: Na sociedade de hoje, há uma convenção de que as pessoas entram numa conexão íntima muito rapidamente após o primeiro encontro. E há uma enorme omissão. Na mente do público a revolução sexual é percebida como permissiva.

Resposta: É por isso que não obtemos prazer com o sexo. Existe algum tipo de convenção social que permite entrar numa conexão íntima muito rápida após mal se encontrar e não saber nada sobre o outro. Assim, nós estamos perdendo todo esse imenso suplemento que leva a uma explosão dos sentidos.

Afinal, o que acontece depois que a dupla alcança a satisfação sexual? Tudo acaba e nada permanece. É assim que a natureza nos obriga a adicionar um componente emocional a este ato, e se ele estiver ausente, nós o deixamos vazio. Um momento depois, os nossos pensamentos já estão em outro lugar. Talvez, já estejamos pensando em alguma outra conexão.

A satisfação só é possível se construirmos um sistema de relacionamento onde o ato sexual apenas o complementa e não é realizado apenas para satisfazer o nível mais baixo de um desejo bestial. Nós devemos aprender a amar! Em primeiro lugar, cabe a nós construir um sistema comum de conexões, concessão mútua, compreensão mútua e contatos agradáveis.

Estes são os sistemas que possibilitam que alguém sinta a pessoa internamente e aprenda a dar-lhe prazer, e ela vai sentir o que eu gosto, o que me dá prazer. Não se trata de sexo aqui. Pelo contrário, trata-se de todos os tipos de conexões entre nós.

É bom para nós estar juntos, conversar, nos ver, saborear algo que alguém lhe oferece, o que significa dizer que estes são todos os tipos de expressões humanas com as quais podemos desfrutar um do outro.

Para amar o outro como a mim mesmo, eu preciso primeiro entender quais são suas necessidades e tentar satisfazê-las, e meu parceiro aprende as minhas necessidades e as satisfaz. Ele deve sentir o prazer de mim, e eu quero desfrutá-lo. Quando uma conexão como essa é criada entre nós, onde cada um se encontra dentro do outro e atende às necessidades do outro, já podemos chegar a uma proximidade íntima. Isso também indica que estamos um dentro do outro e estão satisfazendo nosso parceiro.

Nós somos pessoas com muitos talentos, envolvidos com uma variedade de coisas, e nem sempre exigimos atenção um do outro. No entanto, há uma necessidade latente em cada um de nós que pode ser despertada a qualquer momento e satisfeita através de algumas palavras de carinho ou toque.

Pergunta: Eu entendo essa técnica, mas palavras bonitas nem sempre tocam o coração de alguém. O que eu devo fazer para tocar nesse ponto interior dentro de um parceiro que está esperando secretamente por minha atenção?

Resposta: Nós começamos de longe, com palavras suaves, para estimular a pessoa. Essa é a mesma abordagem como em qualquer outro tipo de relacionamento humano, não só entre casais. Você tenta proporcionar satisfação e amor ao parceiro.

“Cortejo” significa que, em primeiro lugar, eu aprendo a compreender quem é a pessoa com a ajuda de todos os tipos de pequenas e curtas análises, tentativas cuidadosas. É assim que eu encontro os pontos sensíveis nela para que, quando eu tocá-las, posso lhe dar prazer. Eu devo desenvolver o meu relacionamento com esses pontos sensíveis e expandi-los cada vez mais.

Através de exercícios como estes, eu desperto na pessoa uma necessidade pela minha atenção. Eu continuo a satisfazê-la: eu digo palavras bonitas para ela, dou algum presente, descubro preocupação e atenção, e, desta forma, aos poucos faço com que ela se acostume com essas satisfações, como se eu domasse um animal. Cada um de nós é construído assim. Graças a isso, eu formo uma necessidade de satisfação nela, para o meu bom relacionamento com ela.

Aqui, eu paro minhas ações um pouco, e depois começo a satisfazer o meu parceiro novamente – paro um pouco, satisfaço novamente. Desta forma, eu o inflamo e desperto nele um desejo ainda maior. Este é o jogo que nós jogamos um com o outro. Este é o jogo entre duas pessoas amorosas que sabem como manter o seu amor em fogo baixo para que a qualquer momento seja possível acendê-lo numa grande chama.

Isso requer habilidade. Eu não posso repetir as mesmas frases feitas, mas devo me ajustar com precisão aos desejos do meu parceiro. No entanto, mesmo isso não é suficiente. Depois de me ajustar, eu devo começar a desenvolver o desejo, expandindo-o o tempo todo através da satisfação. Isso é até que o hábito se torne uma segunda natureza. Então, minha esposa vai sentir uma necessidade tão forte por minha relação para com ela, e eu sinto a mesma coisa sobre ela.

Portanto, segue-se que nós estamos construindo um espaço comum entre nós. Minha necessidade é construída dentro dela, e sua necessidade é construída dentro de mim. Esta área comum, onde dependemos uns dos outros é o território do nosso amor.

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/06/13

A Arte Do Amor

Laitman_201_01Pergunta: Quem não se apaixonou em sua vida? Forças poderosas estão escondidas nesse sentimento. Estas são as forças que movem todos nós e ativam toda uma cadeia de impulsos internos. Dentro desses estados de fluxo e refluxo estão incluídos vários componentes com os quais não sabemos como trabalhar corretamente.

Por um lado, se apaixonar é um forte desejo sexual, e, por outro lado, é um sentimento mais profundo, amor, algo que requer um sentimento mais íntimo e interno.

Do que é composto o amor? Que cores são encontradas no seu espectro? O que faz com que esse diamante brilhe, e como vamos aperfeiçoá-lo para que ele brilhe mais e não desapareça? Parece que se as pessoas não aprenderem isso, elas vão continuar a se afundar no curso dos obstáculos que a vida compartilhada lhes apresenta.

Hoje, como em todas as áreas da vida, até mesmo o amor foi arremessado numa crise, e nós começamos a entender que, basicamente, o amor é uma arte que temos que adquirir. Nós não possuímos as habilidades para o amor.

Resposta: Em primeiro lugar, é preciso definir o que é o amor. Afinal, o que nós consideramos “amor” é, de fato, um impulso sexual que desperta desde dentro e exige satisfação, como em todos os animais.

A sensação de se apaixonar não está conectada ao amor verdadeiro. Não é por acaso que está escrito na Torá: “…não seguireis o vosso coração, nem os vossos olhos…” (Números 15:39). Isso não é amor.

Este tipo de crise geral foi causado quando começamos a chamar o impulso sexual de “amor”. Como se entende, é necessário satisfazê-lo, mas, em qualquer caso, o impulso sexual é como o resto dos impulsos por comida, família, dinheiro, respeito, controle e conhecimento.

O impulso sexual típico é único na espécie humana. Com os animais, ele é ditado por épocas para reprodução ou outras limitações e destina-se apenas à continuação da espécie, ao passo que, conosco, ele não está conectado às estações do ano, pois, afinal de contas, a pessoa transcende os ciclos naturais de vida e, em geral, está desconectada da natureza.

De uma forma ou de outra, essa paixão se desenvolve junto conosco e assume diferentes formas de acordo com os períodos históricos. Por exemplo, nos tempos antigos, a homossexualidade era moda, mas, mais tarde, a religião escreveu suas próprias leis nessa área.

Em princípio, o que motiva o nosso desenvolvimento é o ego, que tem crescido de geração em geração. Assim, o desejo sexual começou a queimar em nós cada vez mais, juntamente com impulsos adicionais em todos os tipos de direções. Ao longo do tempo, nós realmente mudamos nossos desejos egoístas para o prazer pessoal em vários graus.

No entanto, hoje, a situação já piorou. Nós não estamos mais preparados para viver um com o outro por um longo período de tempo. Estatisticamente, após vários anos, algo como um explosivo é criado entre nós, levando a uma explosão inevitável e o agravamento da conexão.

Assim, em nossos dias, a opinião pública está inclinada à possibilidade de viver sem família ou substituí-la depois de um determinado período de tempo, e com isso o potencial familial desperdiçado se renova de tempos em tempos. Além disso, o que deve ser levado em conta é que vivemos duas vezes mais que se vivia nos séculos anteriores, e isso traz problemas adicionais.

No entanto, de fato, não há nenhuma conexão entre sexo e uma verdadeira família, entre sexo e amor verdadeiro. O sexo, em si, é apenas um impulso físico. Se eu me entendo corretamente, quando eu sou guiado por esse impulso no fundo dos valores da sociedade, eu noto algum “objeto” apropriado para eu “descarregar”.

Seja como for que chamamos essa dominância por hormônios, certamente não estamos falando do amor, que queremos associar com o sexo. O sexo é, basicamente, uma unidade que tem o seu lugar na vida normal.

No entanto, se quisermos falar de amor, é irrelevante para o que estamos acostumados a imaginar sobre sexo, mas é de fato relevante para a família.

Pergunta: O amor está completamente separado dos nossos conceitos anteriores ou é construído como uma nova camada acima deles?

Resposta: O sexo estará conectado ao amor, mas o amor é criado sem qualquer conexão com os hormônios. Especificamente desta forma, nós podemos criar algo positivo, poderoso, profundo e eterno.

Pergunta: Em outras palavras, é uma conexão contínua e poderosa de corações apaixonados que não começa com uma “paixão hormonal”?

Resposta: Certo, nós estamos falando de uma maneira totalmente diferente de conectar essa necessidade de ser ensinado sobre o desenvolvimento de novas relações formadas acima do nosso ego, acima de nossos desejos. Esta é uma paixão por uma conexão interna com uma pessoa que se torna um amigo para você, um verdadeiro amigo, alguém que lhe dá seu ombro, tranquilidade e compreensão, completando e acompanhando-o para sempre.

No entanto, isso ocorre com a condição de que essa conexão seja eterna e não “substituída” por outras alternativas que existem simultaneamente, como acontece nas relações sexuais, que hoje estão sujeitas a impulsos momentâneos e livre de obrigações. O amor não pode habitar acima delas. Pelo contrário, apenas quando há amor verdadeiro, uma conexão interna entre as pessoas, é possível conectar a proximidade sexual a ele.

Pergunta: Será que isso significa que os valores sexuais são derivados de um curso geral de desenvolvimento como qualquer outra paixão humana?

Resposta: Claro. Por exemplo, nosso alimento hoje é totalmente diferente do alimento que as pessoas consumiam 100 ou 200 anos atrás. No passado, as pessoas comiam coisas simples, ao passo que, hoje, a família média coloca uma mesa que reis teriam invejado e desfruta de uma gama sem precedentes de produtos.

Comentário: Os dados atuais realmente tornam possível definir a paixão como uma estimulação hormonal, como um resultado do qual a pessoa é “inflamada” por alguém.

Resposta: Alguns estão acostumados a se conectar com um determinado parceiro. Outros, pelo contrário, não estão preparados para alcançar a satisfação sexual com o mesmo parceiro. De acordo com sua natureza, alguém precisa de vários parceiros ou um novo parceiro o tempo todo; é assim que ele é construído. Não é possível arrancar essa inclinação.

Nós somos testemunhas de tais desvios, de várias diferenças que já são consideradas normais e legítimas hoje.

De um modo geral, isso fala sobre uma característica corporal que deve ser satisfeita como a fome. Portanto, a sociedade deve ser construída de modo que seja possível para uma pessoa satisfazer esses tipos de necessidades corpóreas assim como suas necessidades por alimentação.

Pergunta: Se for assim, como características congênitas ou adquiridas de uma pessoa devem ser integradas com a influência ambiental?

Resposta: O ambiente influencia apenas a forma de expressão dos desejos naturais. Por exemplo, alguém prefere uma dieta vegetariana desde o nascimento, alguém prefere grãos, uma terceira prefere peixes, e assim por diante. A influência do ambiente não pode realmente mudar gostos inatos que são condicionados pela fisiologia e até mesmo conectados às características típicas da pessoa.

Da mesma forma, o impulso sexual é principalmente determinado geneticamente, e as influências externas basicamente não podem mudar a sua forma de expressão. A natureza de uma pessoa determina seus hábitos sexuais exatamente como seus hábitos alimentares.

No entanto, quanto ao grau de crescimento dos desejos, o ambiente pode influenciá-los mais, e hábitos adquiridos se tornam uma segunda natureza na dieta, sexo, relacionamentos familiares, e assim por diante.

No entanto, em última análise, eu deixo tudo isso de lado. Eu atribuo isso às características corporais de uma pessoa e não lhes dou um significado ainda maior. Elas são inevitavelmente condicionadas pela nossa fisiologia. Desejos podem ser aumentados ou reduzidos por meio da injeção de hormônios. Houve um tempo em que era muito difícil para mim aceitar isso, mas, em última análise, eu absorvi o aspecto físico das emoções e sensações que todos experimentam.

Eu creio que essas ideias estão faltando na juventude de hoje e não só para elas. CIsso se refere a coisas que são fatos totalmente claros e científicos. No entanto, não queremos saber deles. Talvez seja porque preferimos uma misteriosa incerteza em vez da verdade inequívoca. Afinal de contas, o valor de uma série de livros e filmes de Hollywood seria negado. É agradável para as pessoas conectarem o conceito de amor ao impulso sexual.

Comentário: Vamos voltar ao relacionamento correto com um parceiro que pode se tornar, como você disse, um parceiro fiel.

Resposta: Este é um parceiro do sexo oposto, tanto física como mentalmente. Eu sinto que nós completamos um ao outro. No entanto, este não é um desejo sexual, e eu não posso completá-lo com um parceiro do mesmo sexo.

Um homem pode se tornar um amigo querido. “Haver (amigo) é derivado da palavra “Chibur” (conexão), e nestas relações o amor é diferente, o amor dos amigos. No entanto, aqui, isso se refere ao amor que é suportado pela própria natureza. Afinal de contas, juntamente com o meu parceiro para a vida, eu completo tudo o que está conectado à comida, sexo e família. Além disso, junto com essa pessoa, eu adquiro dinheiro, respeito e conhecimento. Portanto, eu materializo todos os meus desejos internos numa conexão mútua que é absorvida com o verdadeiro e profundo amor.

O amor é um espaço no qual eu adquiro a forma correta para os meus desejos, e esse é o lugar para minha esposa (ou marido), e, num sentido mais amplo, o amor é uma conexão mútua interna entre as pessoas. Quando eu tenho amigos e estou conectado, ligado a eles internamente, uma sensação se desenvolve entre nós e nos domina, a qual é chamada de amor. Se eu quiser dar prazer a outro, satisfazer seus desejos e necessidades, se estou pronto para isso, é um sinal de que eu o amo, e, em geral, o sentimento é mútuo.

Comentário: Voltando à conexão entre um homem e uma mulher, você está descrevendo uma conexão muito íntima entre os parceiros.

Resposta: É uma conexão que é tão plena e estável que uma terceira pessoa não pode entrar nesta área. Ninguém vê o abraço de almas. Ninguém pode sentir o quanto elas se entrelaçam, são absorvidas uma na outra. Este é um tipo particular de proximidade física que é copiado no nível da alma.

Basicamente, o acoplamento físico deve despertar em nós a necessidade deste “jogo”, de procurar os desejos de cada um, despertar o apetite pela conexão interna. Este romance entre as almas me obriga a entender o que o meu parceiro gostaria de receber de mim. Como eu posso prover isso, ajudá-lo? Como podemos procurar juntos, um dentro do outro, as ferramentas da vida, sem as quais nos sentimos vazios?

Tudo isso está acontecendo precisamente nas emoções no nível da alma e não entre os corpos.

Comentário: Os psicólogos chamam essa conexão de “amor romântico”.

Resposta: O amor romântico é baseado em hormônios, enquanto que nós somos o oposto. Primeiro, cultivamos a verdadeira emoção e, depois disso, adicionamos o aspecto hormonal a ela.

Por outro lado, nós realmente nos voltamos às pessoas onde já existe uma conexão física. Então, cabe a nós aprofundar e expandir a conexão existente como é habitual no mundo, para transmitir “laços” de um coração para outro.

Comentário: Então, vamos passar da primeira explosão de emoção, da excitação de se apaixonar, para relações que se estabilizaram depois. Nessas relações, existem dois componentes: paixão sexual e um desejo de fortalecer uma conexão mais íntima.

Resposta: Eu suponho que este é um desejo muito frágil que vem com o espírito dos filmes românticos. As pessoas não entendem que, a fim de realmente realizá-lo, é preciso investir uma enorme força, compreensão mútua, e matar o ego dentro delas para possibilitar que o parceiro entre em mim, assim como suavemente penetrá-lo.

Pergunta: Como é criada uma conexão profunda e íntima entre duas pessoas? Onde a pessoa começa?

Resposta: Aqui, há uma necessidade de palestras educativas sobre a natureza humana e a psicologia, bem como sobre a nossa alma, sobre o desejo constante de um amor mais profundo, de onde ele vem e por quê. Afinal, a paixão é característica apenas da espécie humana.

Estas explicações são integradas com workshops que reforçam a compreensão do material e despertam as pessoas para uma busca interior, de modo que elas tentariam construir as ferramentas, o anseio pelo amor, em si mesmas.

Eu quero que ele realmente me ame, com a alma, de modo que o meu parceiro entrasse, fosse preenchido, me entendesse, me envolvesse com preocupação, me apoiasse, e me fortalecesse como uma mãe que sempre está preocupada com seu filho pequeno. Eu espero que ele descubra mais e mais possibilidades de me dar prazer, trazendo-me uma sensação de segurança, um abraço caloroso: em resumo, um preenchimento interior.

No entanto, por outro lado, como está escrito: “… amarás o teu próximo como a ti mesmo …” (Levítico 19:18), o que equivale a dizer que eu também preciso desenvolver a mesma atitude para com o meu parceiro, entender que a mesma paixão, a mesma necessidade, queima dentro dele, só que ela é descoberta cada vez de uma forma diferente. Afinal, nós somos pessoas diferentes, bem como de um sexo diferente. No entanto, em princípio, a abordagem é idêntica. Nós dois queremos a mesma coisa, embora cada um queira ao seu modo.

Assim, em workshops, quando eu me volto ao parceiro de acordo com o princípio, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, nós examinamos como realizar isso, como descobrir essa paixão no outro, como podemos penetrar no outro. Esta não é uma invasão bruta. Pelo contrário, eu deslizo para dentro, para preencher o vazio. Mais corretamente, eu abro-o. Eu expresso o desejo como um apetite antes de uma refeição.

Essa é a forma como cada um analisa essa sensação dentro de si mesmo e tenta compreendê-la no outro, e, de repente, graças ao nosso trabalho mútuo, descobrimos espaços dentro, vastos espaços, que são a alma.

Esta é a maior paixão da espécie humana, reduzir o nível bestial que exige prazeres corpóreos tradicionais. Isso é o que nós precisamos, e, se uma pessoa está pronta para satisfazer esse desejo em outro enquanto obtém a satisfação de seu desejo dele em troca, então nenhuma necessidade, desejo ou outros espaços vazios internos permanecem para ela. Afinal de contas, desta forma, ela adquire a satisfação plena. É assim que somos construídos.

Portanto, todos os problemas da humanidade (terror, guerras, lutas pelo poder, arrogância, conflitos) resultam de não estarmos preparados para descobrir os espaços interiores do amor, abandonando-os como cavernas escuras e vazias nas profundezas da alma. Se começarmos a resolver esse problema, forneceremos uma solução completa para tudo. A chave para o sucesso está especificamente escondida aqui, e, como resultado de usá-la, todos os outros problemas são resolvidos: guerras, conflitos, perversões, e assim por diante.

Nós não precisamos mais vagar em torno das prateleiras sem fim de produtos para o ego, tornando-nos infinitamente confusos com seus caprichos. Em vez disso, começamos nos envolver com a coisa principal. Nós adquirimos uma arte superior, construímos uma cultura superior que nos dará tudo. Nós começamos a entender um ao outro. Começamos a olhar para as pessoas de forma diferente. Afinal de contas, se o amor dos amigos ou so parceiro queima dentro de uma pessoa, ela parece completamente diferente, e isso muda completamente as relações entre nós.

Está escrito: “… o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10:12). Em nossa sociedade, há muitos defeitos e problemas a partir dos quais muitas pessoas fogem para as drogas, afundando na depressão e até se suicidando. Por todas estas transgressões, o amor está pronto para cobri-las. No entanto, este é o único amor verdadeiro e não o sexo. O sexo é apenas um estímulo curto e negativo que traz consigo muitos problemas relacionados.

Como se entende, eu não sou contra o sexo. Pelo contrário, eu só estou desenhando um quadro da situação que foi criada hoje.

Pergunta: Portanto, a arte do amor está pronta para fazer a humanidade florescer de novo e elevá-la a um novo nível de conexão mútua entre as pessoas. E quanto ao relacionamento com um parceiro de vida? Como eu e ele podemos aprender esta arte?

Resposta: Eu me imagino como uma criança nas mãos de sua mãe. Especificamente, amor e preocupação são a base fundamental para o nosso crescimento, e, pelo contrário, crianças que não têm isso têm problemas em seu desenvolvimento e até mesmo em sua saúde. A relação determina tudo. Nós crescemos a partir da sensação de amor, e aqui eu estou nas mãos de minha mãe, não entendendo nada e não sabendo de nada, como um pequeno animal, embora já sentindo amor.

Quando eu imagino essa situação num workshop, eu começo a descrever a mesma coisa. Como é isso? Que espaços são preenchidos em mim? Eu vou mais fundo em mim e digo que é o amor, sem poupar palavras e sentimentos. Eu não apenas defino o amor. Pelo contrário, eu também puxo essa corda e a descubro cada vez mais.

Então, essa observação interior e autoestudo irão revelar-me que os mesmos vazios, as mesmas necessidades de uma atitude de amor e preocupação, também estão em meu parceiro, e eu começo a cumpri-las como uma mãe.

Então, com a ajuda de uma série de workshops, nós descobrimos o que é a sensação de amor. Ela vem a ser expressa no outro, preenchendo para mim todos os vazios internos, desejos e paixões que eu costumava sentir como um vazio e insatisfação.

A criança nasce com um desejo. Ela quer que eles cuidem dela. Depois, ela sente o amor de sua mãe e é relaxada por suas mãos, mesmo que pareça que, principalmente, nada mudou. Ela anseia por seu cheiro. Ela para de chorar e suaviza.

Tudo isso é porque a necessidade de amor e relacionamento nasce junto conosco e já é expressada no colo da mãe, e agora nos primeiros workshops, cabe a mim entender, esclarecer esses mesmos desejos que eu posso satisfazer apenas com a ajuda da preocupação de parentes: o amor. Eu quero saber mais sobre as sensações negativas dentro de mim, os espaços vazios, os desejos insatisfeitos e as deficiências que exigem satisfação. Eu procuro apenas por aquilo que me falta e que só pode ser recebido dos outros.

Essa é apenas a forma como uma criança pequena precisa de sua mãe e nada vai tomar o lugar dela. Este é um sinal de que o amor é a principal coisa que nos falta, mesmo quando adultos. Toda a vida, do começo ao fim, tem que ser acompanhada pela sensação de amor.

No entanto, nós bloqueamos o fluxo de amor, porque não temos nos preocupado com a sua existência. Na medida em que eu cresço, eu exijo cada vez menos cuidados de minha mãe, e então, naturalmente, me distancio dela, e aqui deve ser entendido que, na medida em que nos afastamos de nossos pais, cabe a nós amadurecer nas crianças e jovens um desejo e uma necessidade de uma verdadeira e profunda conexão cujo nome é amor.

A sociedade, o meu parceiro e o meu relacionamento com todo o universo, a natureza inanimada, vegetal, animal e a humanidade, tudo isso, deve basicamente me dar uma sensação de preocupação maternal. Não é à toa que chamamos a natureza de mãe. É assim que o mundo circundante deve me tratar.

Ao perceber que uma pessoa num workshop, como ela é inflamada, nós consideramos o que é ser uma criança nas mãos de sua mãe e, depois disso, crescemos ao seu lado. O que ela me dá? Como ela me aquece e me permite ter uma sensação de segurança? Como é que ela cuida de mim e prepara tudo para mim que eu não estou pronto para fazer por mim? Ainda é muito cedo para eu comer alimentos sólidos, de modo que ela prepara mingau para mim. Eu não posso tomar banho, então ela me dá banho, e assim por diante.

É assim que a preocupação com os outros é expressada, primeiro no por que eu não posso fazer algo por mim mesmo. É assim que eu descubro a necessidade, a contínua falta em relação ao calor e à preocupação dos parentes, uma relação que eu nunca seria capaz de prover só para mim. Eu não vou ser capaz de preencher o grande vazio interior; só os outros podem cuidar disso.

Eu quero que eles me amem, me apreciem. Eu quero me sentir especial, maravilhoso. Tudo isto pode ser tirado apenas do ambiente. Caso contrário, quando nós não recebemos essa graça, sofremos todas as nossas vidas.

Nós não obtemos nenhum favor assim que o ambiente não compensa a separação da mãe através do parceiro ou dos amigos. Em tribos antigas, as pessoas compensavam essa deficiência. A criança crescia numa família grande e recebia uma relação incessante de amor e preocupação com ela, e, portanto, as pessoas eram então muito mais inteiras, naturais e descontraídas. No entanto, seus desejos eram também menores.

No entanto, isso não é assim conosco. Nós somos mais defeituosos, carentes, estamos sem a satisfação essencial que a sociedade não nos fornece, começando desde a infância. Em contraste com as antigas tribos, começando com a torre de Babel, a sociedade se desenvolveu egoisticamente e, posteriormente, criou uma grande deficiência de amor em nós. O ego crescente trouxe esse vazio para nós.

Esta é a razão de Abraão ter ido à humanidade, que estava começando a ser dividida sob a pressão dos impulsos egoístas, e dizer: “… amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Dessa forma, você vai ser preenchido. Você vai completar tudo.

Pergunta: Essa abordagem não é contrária à unicidade e individualidade?

Resposta: Não, pelo contrário, todo mundo descobre dentro de si um espaço maior, tornando-se ainda mais exclusivo. Voltar à união entre nós preserva a singularidade e a individualidade de cada um. O indivíduo permanece e floresce em condições de cuidados tradicionais, que possibilitam que ele descubra um desejo mais forte de amor das pessoas próximas a ele.

Na verdade, ao examinar os vazios internos, eu descubro que só toda a humanidade possa preenchê-los para mim. Através do contato inicial com o parceiro, eu descubro novos desejos através do ambiente dos amigos, da comunidade e de todo o mundo. Meu amor se expande. Ele ainda é apoiado pelas relações familiares básicas, mas já atinge dimensões globais. É lógico que eu estou vivendo especificamente num espaço que se abre para mim com uma nova sensação de preocupação mútua.

Este é verdadeiramente o amor mútuo e vivo, laços que conectam os corações. Este já não é o meu espaço privado. Afinal de contas, aqui eu experimento a doação de fora, e daqui eu trago doação a todos. Eu os amo como a mim mesmo. Essa reciprocidade é mantida. Caso contrário, eu não os sentiria, nem eles me sentiriam.

Assim, o amor pelos outros se torna satisfação para mim. Quanto mais eu amo aqueles que estão perto de mim, quanto mais eu lhes trago abundância, mais sou satisfeito. Nossas relações se tornam uma coisa completa, e não há mais qualquer diferença entre o meu amor por eles e seu amor por mim. Essa é agora a propriedade de todos.

Então, os nossos espaços interiores começam a se conectar, tanto seu vazio e seu preenchimento, e as necessidades físicas, como comida ou sexo, se tornam acompanhamentos e não mais do que isso.

Em última análise, a pessoa não sente qualquer desapego. Seus desejos crescem quantitativa e qualitativamente, e a sociedade os provê. Como resultado disso, ela é devotada à sociedade, amando todo mundo, e quando recebe abundância deles por si mesma, ela doa isso para aqueles que a rodeiam. Não há alienação. Não há engano. Não há ódio. Tudo flui naturalmente, porque um amor como esse não deixa lugar para fazer qualquer coisa contra a sociedade. Essa sensação nos conquista, nos domina, não pela força, mas por si só.

Pergunta: Eu sinto o vazio dentro de mim, entendo que ele anseia por amor, e só um verdadeiro parceiro pode preenche-lo. E depois?

Resposta: Em primeiro lugar, isso se refere ao parceiro mais natural e próximo a mim. Em nossos relacionamentos, tudo depende de nós, da maneira com a qual nós desenvolvemos a nossa conexão mútua absorvida no amor.

Portanto, primeiro eu descubro um vazio dentro de mim egoisticamente, quando quero que ele seja preenchido por mim. No entanto, depois disso, eu começo a entender que o vazio será preenchido apenas com base nas relações mútuas. Isso significa que eu preciso expressar a mesma atitude para com o meu parceiro.

Então, de repente, descobre-se que quando eu estou preocupado com ele, eu também obtenho prazer com isso. É assim que nós estamos num processo de aprendizagem e desenvolvimento comum.

A mãe sente imenso prazer quando cuida de seu bebê. Ela não tem nada mais desejável, mais sublime, ou melhor. Isso é amor. Eu estou preocupado com alguém e obtenho satisfação, realização e estímulo disso, uma sensação única que não me possibilita ser separado da preocupação pela pessoa amada.

Assim, somente numa fundação de vazio interior, um impulso interno em direção ao amor que eu anseio receber do outro, cabe a mim desenvolver a mesma relação para com ele. Este é o princípio do “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, e, quando nós começamos a trabalhar corretamente em sua realização, eu sinto que a verdade é que eu obtenho prazer não numa situação onde eu me deito como um bebê em mãos amorosas, mas quando trago amor aos outros.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/06/13

Tudo Sobre A Revelação Do Amor

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que só a sabedoria da Cabalá tem uma resposta sobre o sentido da vida?

Resposta: Nós procuramos respostas de forma clara e científica e não acreditamos no que alguém escreveu em alguns livros. Eu tenho que alcançar a resposta por mim mesmo. A sabedoria da Cabalá é baseada no na realização exata, como se diz, “um juiz só tem o que seus olhos podem ver”. A realização é o entendimento mais claro que uma pessoa pode ter. Essa é a maneira que deve ser.

Portanto, quando nos envolvemos com o método Cabalístico, adquirimos ferramentas de investigação científica e descobrimos tudo até não temos dúvidas. É através da sabedoria da Cabalá que eu descubro as ferramentas, as oportunidades e os atributos dentro de mim, com os quais posso revelar o Criador, a rede que conecta toda a criação e o mundo superior.

Eu vivo em dois mundos. Meu corpo vive neste mundo e, ao mesmo tempo, eu sinto a realidade superior. Mas só eu a sinto, uma vez que apenas eu a atinjo. Quem quiser sentir a mesma coisa tem que passar pelo mesmo caminho de estudo e exercícios, e assim irá gradualmente atingir a revelação da realidade superior.

Pergunta: Você sempre fala sobre a revelação, a revelação da força que envolve tudo, a força única que opera na natureza. Será que isso significa que há algo que existe agora, mas eu simplesmente não o sinto? O que significa revelar?

Resposta: Há muitos fenômenos que você não conhece nem detecta. Você percebe ou recebe ondas de rádio? Não. Há muitos fenômenos que ocorrem em torno de nós, mas nós não os percebemos ou recebemos. Nós simplesmente temos construído diferentes instrumentos com os quais podemos detectar tais fenômenos. Mas, de acordo com a sabedoria da Cabalá, não podemos construir dispositivos externos. Nós somos os únicos que têm que mudar internamente; porque a nossa percepção, nossa mente e nossos sentimentos são limitados, nós temos que expandi-los. Como nós temos que descobrir a força geral da natureza que se chama Criador, que significa Bo-re, (venha e veja), nós temos que atingir o estado em que vamos vê-Lo, ou seja, revelá-Lo e chegar à realização.

Pergunta: O que eu tenho que fazer quando alcanço a revelação da realidade superior?

Resposta: A revelação em si obriga você, assim como qualquer revelação neste mundo que obriga você a se comportar de maneira diferente, porque você realmente muda de acordo com ela. Então, novos conhecimentos e sentimentos o preenchem.

Pergunta: Mas como a revelação da realidade superior, do Criador, me preenche?

Resposta: Você sente que é preenchido com amor ao próximo. É uma imensa mudança que a pessoa sofre. É porque “ama teu amigo como a ti mesmo”, a lei da garantia mútua, é a lei geral da realidade superior, e nós temos que subir todo o caminho até ela e existir dentro dela.

Do Programa na Rádio Israelense 103FM, 18/ 01/15

Um Prisioneiro Do Amor

laitman_527_02Pergunta: Quando minha filha tinha 10 anos de idade, ela atravessou a rua diante de um veículo e eu senti como se quisesse morrer. Você pode chamar isso de amor verdadeiro?

Resposta: É um sentimento instintivo natural pelo qual você não trabalhou.

Pergunta: Mas eu tenho investido nela e a criado.

Resposta: Cada animal faz o mesmo. De uma forma ou de outra, esse sentimento vem sem um esforço intencional de sua parte. Portanto, não é o verdadeiro amor ao próximo. Em sua percepção, a sua filha não é outro, mas sim parte do seu próprio corpo; sua conexão e atitude com ela permanece no nível corpóreo, no nível animal, e não tem nada a ver com o nível humano: do homem (Adão).

Pergunta: Portanto, qual é o nível humano? Será que eu tenho que amar toda a humanidade como os meus próprios filhos?

Resposta: Não, não dessa forma. Primeiro você tem que verificar em que medida você se ama, em cada detalhe e em cada situação. Então, nesse sentido, você tem que transmitir esse amor à humanidade em cada detalhe e situação.

Pergunta: Para ser honesto, eu não só não gosto deles, mas realmente não posso suportá-los, e você fala desse amor…

Resposta: Sim, acima desse sofrimento você vai aprender até que ponto ama a si mesmo. Comparando-se a eles, você vai aprender sobre o seu amor-próprio.

Pergunta: Hoje, o oposto é verdadeiro: quando eu ouvia nas notícias que certo líder político estava indo para a cadeia eu me alegrava e comemorava isso. Parece estranho que alguém possa ficar feliz em saber que outra pessoa está prestes a sofrer nos próximos seis ou sete anos. Eu até sentia dor como resultado da minha falta de compaixão. Afinal de contas, o que me importa se ele vai para a prisão?

Resposta: Quanto mais os outros sofrem, melhor você se sente. Uma pessoa sempre examina a si mesma em comparação com aqueles que a rodeiam. Se você está num lugar onde as pessoas recebem meio quilo de pão e um litro de água por dia, um simples sanduíche fará você se sentir superior aos outros. Agora você não precisa nem olhar para ele, mas nessa situação ele seria muito precioso para você. Tudo é relativo.

Pergunta: Será que isso significa que quando alguém vai para a cadeia eu deveria realmente me magoar como resultado?

Resposta: Claro.

Pergunta: Este é o amor do qual falamos?

Resposta: Sim, você deve se magoar como se tivesse sido trancado atrás das grades.

Pergunta: Isso é possível?

Resposta: Se você deseja sentir isso, a Luz vai fazer isso por você. Então, você vai sentir que sofre com o mundo inteiro e, assim, também será capaz de corrigir o mundo inteiro. Caso contrário, você não será capaz de fazer isso.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/14, Escritos de Baal HaSulam