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Um Vaso Para A Alma

Dr. Michael LaitmanDe acordo com a sabedoria Cabalística, o “corpo”, Partzuf, é chamado de desejo de receber a fim de doar, e a “alma” é a Luz que o preenche. Para adquirir uma alma, nós estamos construindo uma conexão entre nós, o que significa que nós criamos um desejo de doar a partir do desejo de receber. Para fazer isso, nós nos conectamos com o grupo acima do ego, abrimos mão do desejo de receber, e invertemos o seu uso; assim, o desejo de receber trabalha para doar.

A mudança do ego para doação é feita pelo Criador, eu O obrigo a fazer isso pelo meu trabalho no grupo, no ambiente, como se diz: “Meus filhos Me venceram”. Ele age em mim e o meu desejo de receber pode trabalhar em doação.

Assim, eu agora trato os amigos desta maneira, e nós vamos estabelecer a conexão entre nós por meio da construção de formas de doação a partir da espessura (Aviut) do desejo de receber, que o transforma na pureza do desejo de doar.

O desejo de receber é dividido em cinco camadas de “espessura”, desde a fase da raiz até a fase quatro, e existe também um “embrião espiritual” nele, o ponto no coração (•) que constantemente me evoca, me “sacode”. A fim de satisfazer o “ponto no coração”, eu entro no grupo e atraio até mim a Luz que Reforma, a Luz Circundante. Primeiro ela realiza a “primeira restrição” em mim, segundo a qual eu não posso levar em conta o meu desejo de receber. Então eu posso até trabalhar com o meu desejo de receber a fim de doar, não em espessura, mas em pureza, que também é dividida em cinco níveis. Desta forma, eu adquiro cinco Luzes: Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya, e Yechida, de baixo para cima NRNHY.

Assim, o meu desejo de doar é formado pelo desejo de receber que estava em mim antes. Este desejo de doar é chamado de “um vaso para a alma”. Por que para a alma? Porque até este nível nós recebemos a Luz regularmente, utilizando a espessura da raiz, da primeira e da segunda fases (NRN), enquanto que as Luzes de Haya e Yechida não podem receber a Luz regularmente e, assim, nos alcançam apenas como um iluminação (HY).

Portanto, o vaso da alma é a pureza do desejo de doar, e a Luz que o preenche é chamada de Luz de Neshama (a alma). No todo, é minha alma que gradualmente vira todo o meu ego para o seu lado, para a pureza. Isso significa que o desejo de receber não desaparece, mas nós só mudamos o nosso uso dele.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/01/13, “Corpo e Alma”

Nefesh, Ruach, Neshamah

Dr. Michael LaitmanAs qualidades espirituais recebem diferentes nomes: Nefesh (alma), Ruach (espírito), Neshama (alma). Nós começamos a entrar no mundo espiritual ao receber o nível de Ruach.

Nefesh, é o nível inanimado da Santidade, quando a pessoa não consegue se mover sozinha. Ela vem para a aula e acha que está tudo bem, que nada mais é exigido dela: hoje é igual à ontem e amanhã será igual à hoje. Ela não explode e não sente que permanece no mesmo estado, mas está feliz que mais um dia se passou e que está tudo bem. Ela aceita a rotina diária.

Mas também é uma conquista se a pessoa está no grupo, tentando não interferir com o seu avanço, pronta para se juntar a todos, e apoiá-los. Ela apoia o que os outros estão fazendo. Mas não demonstra nenhuma iniciativa especial; ela não tem o nível de Ruach. Não há nenhuma força nova crescendo nela. Assim, ela é chamada de Nefesh de Kedusha (da Santidade).

Mas ela ainda vem para as lições e os estudos. Eu queria que o mundo inteiro estivesse no nível de Nefesh da Santidade. No entanto, isso é chamado de “espiritualidade” do nível de Ruach. Ruach significa que a pessoa já tem algo a acrescentar. Ela não concorda em permanecer no nível inanimado da natureza. Se ela vê que nada mudou desde ontem e que não vai mudar amanhã, para ela é como estar morto.

Não é apenas um estado de imobilidade da natureza inanimada, mas uma sensação de morte, o que significa o pior estado. Portanto, ela se pergunta o que mais pode acrescentar. Enquanto isso, a única coisa que ela pode acrescentar é suas ações. Baal HaSulam diz no artigo “A Liberdade” que uma pessoa não tem outros meios para mudar seu estado, exceto escolhendo o ambiente certo.

A pessoa que escolhe uma forte influência do ambiente é digna de louvor. É através disso que ela pode avançar e não graças às boas ações. Ela não consegue fazer quaisquer boas ações, uma vez que não somos os senhores de nossas ações. Mas, graças a ter escolhido um bom ambiente que possa influenciá-la fortemente, ela começa a se mover.

Para começar a se mover sozinha e ir do nível inanimado para o nível vegetal, para subir do nível de Nefesh para o nível de Ruach, para se tornar uma pessoa espiritual, eu tenho que constantemente evocar os que me rodeiam e escolher um ambiente cada vez mais forte que me influencie mais e mais forte e me ajude a ser mais espiritual.

Por essas ações eu constantemente acrescento de mim mesmo ao grupo e isso me influencia constantemente, e eu anseio pela espiritualidade, a doação, cada vez mais. Acontece que eu acrescento à doação e, finalmente, alcanço o próximo nível que é chamado de Neshama.

Eu atuo em relação a todos os outros e sou influenciado por eles através do grupo que me influencia. Assim, com a sua ajuda, eu sempre influencio a mim e subo. O ambiente serve como uma alavanca para me elevar cada vez mais.

Eu subo através do ambiente e quero começar evocando a mim mesmo, para me conectar a ele da maneira mais eficiente e prática. Eu quero aumentar a minha influência sobre espiritualidade para não ser passivo sob sua influência e esperar que ela me mude, mas quero doar ao ambiente por mim mesmo, para torná-lo mais forte, de modo que ele vai me influenciar mais fortemente. Então nós nos conectamos com o ambiente e subimos juntos ao mundo espiritual. Isso significa que eu alcanço o nível de Neshamah.

A questão principal aqui não é para relaxar, de modo que “cada dia seja como o outro”. Deve haver renovação constante, a cada momento, se não, você vai cair imediatamente num estado de morte. Não é tão fácil subir a partir do estado de morte. É impossível fazê-lo por um salto, a fim de retornar ao estado anterior. É impossível voltar ao mesmo estado. Nós temos que fazer uma correção: um novo nascimento e um novo crescimento, tudo de novo.

Mas se a pessoa não sente que tem que subir de novo, isso significa que nem sequer sente a sua morte, mas que realmente perdeu a consciência.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/13, Escritos do Rabash

Como Acender O Fogo Em Minha Alma?

Dr. Michael LaitmanRabash, “Faça um Rav e Compre um Amigo 1”: Se a pessoa está muito cansada e vai dormir por volta das 11 horas, se ela é acordada às 3 da manhã, é claro que ela vai dizer que não tem energia para conseguir estudar, porque está muito cansada. E se ela se sente um pouco fraca ou tem um pouco de febre, o corpo certamente não têm força para se levantar no momento em que está acostumado a se levantar.

Mas se a pessoa está muito cansada, sentindo-se doente, e vai dormir à meia-noite, mas é acordada a uma da madrugada e lhe dizem: “Há um incêndio no quintal, que está prestes a entrar em seu quarto. Rápido, levante-se e você vai salvar sua vida em troca do esforço que está fazendo”, ela não vai dar nenhuma desculpa por estar cansada ou doente. Pelo contrário, mesmo que esteja muito doente, ela vai fazer todos os esforços para salvar sua vida. Evidentemente, porque ela vai obter uma coisa importante, o corpo tem energia para fazer o que pode para conseguir o que quer.

Portanto, ao trabalhar no “Faça um Rav”, a pessoa acredita que é, “pois eles são a nossa vida e a duração de nossos dias”. Na medida em que ela sente que esta é a sua vida, o corpo tem força suficiente para superar todos os obstáculos, como está escrito na alegoria. Por esta razão, em todas as obras do homem, no estudo ou na oração, ela deve concentrar toda a sua obra em como obter a grandeza e importância do Rav. Muito trabalho e muitas orações devem ser feitos nisso sozinho.

Nas palavras do Zohar, isso é chamado de “Elevar a Divindade do pó”.

… Segue-se que tudo o que nos falta é: “Faça um Rav, para sentir a grandeza do Criador. Então, todos serão capazes de atingir o objetivo, que é aderir-se a Ele”.

Nós vemos como em nossos grupos ao redor do mundo, às vezes muitos vêm para a lição e às vezes muito poucos. É difícil julgá-los, uma vez que se diz: “Não julgue um amigo até que você esteja em seu lugar”. Mas não importam quais sejam as dificuldades, a razão por estar ausente numa lição ainda é a mesmo: a falta de sentir a sua importância.

O sentimento de importância depende do grupo e não da própria pessoa. Nós vemos diferentes grupos na tela durante a lição: Kiev, Moscou, São Petersburgo, e muitos outros grupos. Às vezes, vemos que o lugar está cheio de pessoas, mas normalmente há apenas algumas. A razão para tudo isso é a falta de sentir a importância do objetivo, da meta, que não desenvolvemos em nós. De Cima, o sentimento da importância é intencionalmente reduzido, de modo que a pessoa vai precisar do grupo e sentir que depende do ambiente que deve aumentar a sensação de importância. Na medida em que ela se adere ao grupo, a importância da meta aumenta nela, e ela é atraída para o grupo e avança.

Mas se ela não sente a importância do grupo e não se adere a ele, então ela não se sente a importância da meta. Portanto, ela não será capaz de avançar e, no final, vai partir.

Tudo depende apenas de sentir a importância da meta: até que ponto a pessoa anseia por ela, estuda e exige a consciência dessa importância durante o estudo. Isso lhe serve como o combustível necessário para seu avanço.

Nossa principal preocupação deve ser que nos falta o sentimento da importância da meta, o combustível, a grandeza do Criador, que deve ser o suficiente para o nosso progresso, para que eu não pare de pensar Nele, e constantemente me preocupe que o sentimento da importância vai me atrair ao centro do grupo onde vou encontrar a entrada para o mundo espiritual.

“Rav” (grande) é o Criador. “Faça um Rav” significa elevar o Criador acima de todos os outros valores da pessoa, de modo que nada se compare a Ele. De acordo com essas prioridades a pessoa vai determinar sua programação diária e sua atitude em relação a tudo.

“Compre um amigo” é necessário para aumentar a importância do Rav. Portanto, você deve comprar amigos, pagar-lhes por sua atitude, por seus esforços, servindo-os, de modo que eles vão ajudá-lo a reconhecer a grandeza do Rav, a grandeza do Criador.

Então, durante o estudo, teremos a oração correta para a única coisa que precisamos: a grandeza do Criador. Tudo está concentrado apenas em torno desta grandeza: a oração, a iluminação e o amor. Só o ambiente pode nos ajudar nisso, se a pessoa o evoca por si mesma.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 19/12/12

Aprendendo Nós Mesmos A Puxar As Cordas

Dr. Michael LaitmanNós precisamos entender que a partícula eterna da alma existe em seu potencial em cada um de nós se nos unirmos uns com os outros. É uma para todos nós e é inicialmente criada como tal. Se, no entanto, não sentimos que existimos num todo coletivo, isto significa que nenhum de nós tem essa alma e tudo o que temos é apenas a nossa natureza animal.

A alma é também chamada de “Adam“, da palavra hebraica “adame“: semelhante ao Criador.

O desejo de receber é totalmente oposto ao desejo de doar; ele deseja receber, não dá, mas ao mesmo tempo, se ele se realiza contra sua própria natureza, ele se torna semelhante ao Criador. Sua semelhança se encontra no âmago de sua ação, não de acordo com sua natureza, mas de acordo com como ele se transformou. Este é o seu estado invertido, corrigido, e é chamado de alma ou o Adão.

É também chamado de “Shechina“. Esta é uma palavra especial, da palavra hebraica “Shochen“, que significa um lugar de habitação, abrigo, residência. É o lugar onde a Luz desce e o preenche.

Assim, existem vários nomes para a alma, dependendo de qual dos seus aspectos estão sendo discutidos. Mas geralmente, não importa o que está sendo discutido, é o único assunto: essa alma coletiva, a única que existe, além da força superior. E nós somos sua parte corrompida e não entendemos onde estamos. Nós somos essa alma, mas num estado quebrado, e é por isso que não podemos dizer que a temos em nós. Respectivamente, todo o nosso trabalho é voltado para um objetivo: apenas corrigir e nos encontrar neste estado corrigido.

Há muitas pessoas no mundo cujas partes na alma coletiva foram corrigidas. Estas partes são chamadas de “almas particulares”, e estão nos ajudando.

Há circulação de almas: a cada instante a pessoa passa por certos estados, mesmo que ela ainda não tenha entrado no mundo espiritual, ou seja, que não tenha encontrado sua parte na alma comum e não tenha se tornado Adão em geral, não tenha se ligado com todo este sistema; ou seja, ela ainda não é sua parte ativa.

Este é um enorme sistema egoísta contendo todo o egoísmo do universo e trabalhando em doação, em sincronia com a força superior, trabalhando com o Criador. Eles se conectam, recebem um do outro e conferem um ao outro, e entre eles ocorre um contato completo chamado de adesão. De uma forma ou outra, nós estamos nesta alma comum em tudo e sempre, embora estejamos nos movendo em direção a nossa meta voluntária ou involuntariamente; essa é a diferença.

As pessoas que vivem em nosso mundo sem qualquer compreensão dele se andam por aí inconscientes e ainda de acordo com o programa da criação. Não há nada que possa quebrar os limites da lei da criação coletiva. Este programa está oculto do homem, mas ele não entende para onde está indo e o que está fazendo em cada momento em particular. De repente, algo o empurra, e ele age de forma instintiva ou aparentemente consciente. Nenhum de nós pode ver quais cordas estão nos puxando.

Por que a pessoa de repente deseja agir desta forma, pensa desta forma, ou cai nesses problemas: nós não compreendemos. Só tendo subido ao longo de nosso estado de existência e observando-nos de lado, como uma mãe observa seu filho, nós seremos capazes de trabalhar em nós mesmos, em nosso egoísmo. Então, sentiremos quando estamos sendo puxados pelas cordas, e talvez possamos puxá-las por nós mesmos.

Este é o nosso desenvolvimento; eu chego a um estado onde antes era puxado, e que agora vou puxar a mim mesmo. Desse modo, eu obrigo a Luz a me afetar em vez dela vir jogar comigo. Este é o ponto da virada crucial no trabalho de tranformação de uma pessoa, quando ele começa a controlar seu próprio desenvolvimento.

Basicamente, é para isso que nos esforçamos: para ajudar a força que governa e para governar com ela por conta própria. Quando a Luz circundante está em minhas mãos, eu posso envolvê-la e fazê-la me afetar como necessário. Nesse caso, eu governo minha alma; eu sou igual a ela. Este é o objetivo do nosso desenvolvimento no grupo. Porque o grupo representa a alma para mim numa forma “material”. Se eu me conectar aos amigos, conecto-me com o desejo coletivo, que, na verdade, é a alma.

Da Convenção em Novosibirsk 07/12/12, Lição 2

Cada Aula É Como Branquear A Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que O Baal HaSulam diz que A pessoa é lançada dos amigos para o professor e volta novamente como um “estilingue”, e através disso o vaso correto para receber a Luz é construído nela?

Resposta: A pessoa recebe a plenitude do professor e através do grupo descobre seu mal. Apesar de sua relutância, ela é incorporada no grupo e faz grandes esforços para tornar-se parte do ambiente e se conectar com os amigos.

Graças a isso, em resposta a todos os seus esforços, ela descobre aversão, ódio e raiva. Isto é como o seu desejo egoísta é revelado nela; não são seus amigos que ela vê, mas ela mesma nos amigos, como num espelho.

Quando todos esses sentimentos negativos são revelados, a questão é até que ponto ela reconhece que este mal é revelado nela e não nos amigos. Ao mesmo tempo, ela vai ao seu professor, à aula, e recebe tratamento do professor: a correção.

Se ela tem a conexão correta com o Rav e com o estudo, ela tem que sair branca. Como se todo o mal que sentia para com os amigos tomasse uma forma oposta, e ela entendesse que é em seu favor. Em vez de amaldiçoar ela agora agradece por isso. Em vez de sentir o mal nos amigos, ela se sente bem; em vez do sentimento bom e orgulhoso de si mesma, ela agora se sente mal. Isso significa que tudo se inverte.

As definições opostas que ela agora entende e sente em seus atributos, em comparação com os amigos, chama-se “um estilingue”, inversão, um gatilho.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/12/12, Escritos do Baal HaSulam

Como Faço Para Copiar A Imagem Da Alma Global Em Mim Mesmo?

Dr. Michael LaitmanA incorporação mútua significa que todos estão incorporados nos outros. Eu restrinjo o meu desejo, o que significa seus padrões, tentando tirar e me incorporar nos padrões que estão nos outros. Eu olho e vejo como todo mundo em volta de mim gosta de coisas diferentes, e eu não senti que tudo isso pode ser agradável.

Se a pessoa permanece indiferente durante a lição, isso significa que ela não pode ser incorporada nos desejos dos outros. Eu vejo que há alguns que estão, na verdade, ardendo e alguns que dormem. Tudo depende da impressão que podemos receber um do outro. Isso é chamado de incorporação mútua; eu tento entrar no outro e fico impressionado com seus desejos.

A fim de fazer isso, eu preciso primeiro me anular, como uma criança pequena, pois caso contrário eu não serei capaz de ser incorporado nos outros. Eu me torno um zero, o ponto preto de Malchut. Agora eu posso entrar no outro e ver o que há dentro dele. Ele é impressionado com alguma coisa e eu quero ser impressionado com ele. Então eu posso absorver seus pensamentos e desejos, tudo o que está nele.

Eu posso formatar meu desejo, que eu restringi e transformei em matéria-prima, e dar-lhe uma forma de acordo com o desejo que está em outra pessoa. Acontece que eu copio e colo em cima de mim tudo o que está em sua alma, e agora minha alma recebe seu desenho interior.

Eu colei uma cópia de sua imagem em cima de mim, assim como você copia dados de um computador para outro, de uma memória para outra. A fim de fazer isso, eu tenho que me anular e preparar um espaço vazio dentro de mim. Então, eu tenho que entrar no outro e pegar os dados dele e transferi-los para mim, para a minha “memória”. Assim, a minha “memória” é preenchida com seus dados. Mas, para fazer isso, primeiro a minha memória deve ser esvaziada, e estar pronta para receber novos dados. Isto é chamado de incorporação mútua.

O que eu alcancei com isso? Eu tinha meus próprios desejos, e, agora, além deles, eu tenho os desejos de outra pessoa. Então, eu me incorporo nos desejos do outro e depois nos de outro. No final, eu vou incluir o mundo inteiro dentro de mim. Mas só se eu me perceber como menor do que todos os outros é que eu vou ser capaz de incluir todos dentro de mim, e com isso me tornar mais sábio do que todos. Eu cresço e me torno maior do que todos, mas tudo isso graças ao fato de que me considero inferior a todos os outros. É assim que funciona.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/10/12, Talmud Eser Sefirot

Viver Para O Corpo Ou Para A Alma?

Dr. Michael LaitmanApós a quebra, sob a influência dos genes informativos (Reshimot), os desejos quebrados passam por diferentes estados, separados da espiritualidade nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza. Assim, eles entendem gradualmente seu estado até finalmente atingirem o nível humano.

Depois, eles começam a entender que algo os trouxe para o nosso mundo, num estado onde eles se sentem num desejo especial chamado “corpo”. É como se uma partícula do mundo superior fosse lançada para baixo e imergisse em algum líquido no qual ela permaneceu.

Agora a pessoa se depara com um dilema: será que ela deve trabalhar para este mundo, para acrescentar, para benefício do corpo, ou ela deve trabalhar para a alma? Ela tem que escolher uma das opções.

Evidentemente, a escolha não depende da pessoa, mas sim deriva das reencarnações pelas quais ela passou nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, onde ela examinou seu estado. A alma que se aproximou de sua realização é chamada de “alma grande”, e com ela a pessoa já pode decidir agir em benefício da alma e não do corpo.

A fim de agir em benefício da alma, a pessoa precisa que todo este mundo a ajude a alcançar o temor do Criador. O temor é um vaso espiritual, um desejo de doar. A iluminação de Cima, chamada de “Luz da alma”, é vestida nesse desejo, ou mais precisamente, na intenção que é construída acima dele.

Esta intenção é construída a partir da profundidade do desejo (espessura, Aviut), da Masach (tela) e da Luz de Retorno: que compõem o vaso espiritual de uma pessoa. Claro que isso só é possível de desenvolver a partir deste mundo, quando nós subimos dele até a altura de 125 degraus.

As pessoas que alcançaram esta realização, de acordo com suas Reshimot, se juntam. A Luz superior age em todos igualmente, mas se os genes informativos são revelados, as Reshimot que estão prontas para essa correção se aproximam umas das outras aspirando a se conectar. Como resultado, a pessoa chega a um grupo em nosso mundo.

Mas depois que ela chega a um grupo outra lei começa a agir nela, que lhe permite o livre-arbítrio. Afinal, todas as Reshimot foram realizadas no desejo da pessoa.

Mesmo que se diga, “Eu sou o primeiro e Eu sou o último”, e, “não há outro além Dele”, a preparação para esta revelação, para o reconhecimento da grandeza do objetivo espiritual a partir da escuridão do exílio, isso está totalmente nas mãos da pessoa.

Aqui nada pode ser feito. Se esta carga parece pesada ou leve para a pessoa, depende da altura da meta e quanto a pessoa valoriza a quem ela serve.

Se ela desrespeita o professor, o grupo e o Criador, nada pode ajudá-la. Afinal, estes três componentes são inseparáveis e supremos para a pessoa. Se ela não os valorizar, ela acabará por se desviar do caminho e deixará o desenvolvimento espiritual.

Se ela trabalha nisso, à medida que se esforça o máximo possível para que isso a salve, isso a ajudará a depreciar o seu ego, sua mente corpórea e sua experiência de vida que parece ter algum valor. Isso é revelado como totalmente inútil diante dos novos estados pelos quais ela tem que passar, mas também a capacitará e lhe dará combustível para avançar nesse caminho.

Isso só é possível se a grandeza da meta, o grupo, o professor e o Criador são mais importantes para a pessoa do que seu egoísmo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/10/2012, Escritos do Rabash

Partes Da Minha Alma Estão Vagando Pelas Ruas?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como posso manter o trabalho espiritual tão fortemente quanto possível em minha vida diária (na rua, no transporte público, etc.)?

Resposta: Eu tento olhar tudo através do sistema de conexão, do sistema de realização mútua. Eu gostaria de saber se através de tudo o que aparece diante de mim eu vou ver a cooperação mútua entre as duas forças opostas que retratam imagens diferentes para mim.

Se eu estou num círculo num workshop e há nove amigos diante de mim, parceiros, mas também concorrentes de certa forma, para quem vou dar a melhor resposta e que irão responder com menos precisão, como podemos completar um ao outro, como podemos jogar juntos, a fim de encontrar as respostas certas? Há muita proximidade e oposição aqui.

Se eu estou na rua, por que não posso ver um parceiro idêntico em todos que evocam certos sentimentos em mim? Não faz diferença se é a favor ou contra, o que importa é a forma como eu respondo a isso. Eu posso responder a ele como a alguém que está muito perto de mim? Meu ego não me deixa. Se eu pudesse olhar para ele de forma diferente, eu gostaria de ver uma pessoa muito próxima e querida e eu imediatamente mudaria a minha atitude para com ele.

Nós temos que jogar com isso ativando o botão de partida da recepção e doação, constantemente esclarecendo as nossas relações com os outros. Então, você vai se tornar mais flexível e vai adquirir uma atitude mais suave em relação à vida e o mundo.

Mas, no geral, é claro que você quer ver a força governante através desta atitude, que apresenta todo esse quadro para você e o projeta a sua frente para que você veja a revelação do Criador, de modo que por trás dessa imagem você veja a força governante.

Da “Lição Virtual sobre Fundamentos da Cabalá” 23/09/12

O Grupo É O Contato Íntimo Entre Almas

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que nós consideramos ser o grupo?

Resposta: O grupo pode ser considerado as 10 pessoas com as quais eu me sento e analiso o nosso relacionamento.

O grupo também pode ser considerado as dezenas de grupos que participam das Convenções. Por exemplo, havia 120 ou 130 grupos na Convenção. É também uma espécie de grupo, trabalhando junto numa única tarefa, uma única questão, e é por isso que, nesse sentido, todos os participantes tiveram os mesmos pensamentos, as mesmas perguntas, e têm o mesmo objetivo. O fato de que eles falavam línguas diferentes não importa, porque eles fizeram a mesma coisa: interagiram, ajudaram um ao outro, estavam num campo.

Nossos campos sensoriais e mentais se cruzam, eles trabalham juntos: esta é a nossa forma de interagir com o outro. Além disso, não há nenhuma lei de separação nestes domínios, ao contrário de qualquer campo físico, que diminui de acordo com o quadrado da distância; quando você se afasta dois metros, a tensão, a luz, ou qualquer tipo de raio se torna quatro vezes menor. Mas aqui, não. Os campos dos desejos não diminuem com a distância.

Por esta razão, quando um indivíduo está em Boston, outro está no Alasca, um terceiro no Kentucky, e um quarto na Austrália, eles ainda formam o grupo juntos se forem capazes de ter um contato interno, o que nós temos experimentado parcialmente durante os seminários na Convenção. Se eles já experimentaram este contato, se eles são capazes de recriá-lo, revivê-lo internamente, como brasas que se acendem novamente, então as “distâncias”, todas as perturbações que surgem, irão ajudá-los a superar as interferências em relação a este estado e estar num bom nível espiritual.

Da “Lição Virtual sobre os Fundamentos da Cabalá” 23/09/12

Expandir Sua Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa “desenvolver o estado de união que atravessamos”?

Resposta: Desenvolver um estado significa não ter medo de que ele desaparecerá e, ao mesmo tempo, ter medo de que ele desaparecerá, tentar atraí-lo e tentar afastá-lo, flertar com ele, estudá-lo. Da mesma forma, quando se prova algo novo, você não engole essa peça, mas quer saber o que ela é: a quantidade de sal, pimenta e açúcar que ela contém, qual a doçura, textura, umidade do produto.

Você quer se sentir o que ela lhe lembra: sua mãe, sua avó, que preparara os pratos ou qualquer outra coisa para você. Ou seja, você tem que jogar com ela, você tem que produzir vários registros de informação em si mesmo: o que parece, com o que pode ser comparado, como posso segurá-lo, deixá-lo, e voltar novamente. Esses estados permitem que a pessoa expanda sua alma.

A alma é o elemento que contém duas forças opostas: egoísmo e altruísmo. Quando uma pessoa tem apenas um ego, ela não tem alma. Uma força pode existir apenas como um ponto. Quando ela começa a desenvolver a segunda força e a contrasta com a primeira, essas duas forças opostas formam certo volume entre elas.

Da Lição Virtual 23/09/12