Pediremos Um Outro Tipo De Amor

261Vou lhes dizer que algo mais está por vir: um tempo em que o amor em nosso mundo desaparecerá, em que não haverá reciprocidade nem atração. Isso já está acontecendo! Já podemos ver isso se desenvolvendo na nova geração. Então perceberemos que não nos resta nada pelo que viver, nada que nos preencha!

Pergunta: Será que vamos pedir um tipo diferente de amor?

Resposta: Sim, buscaremos a plenitude. O homem não vive só de pão. Sentiremos que precisamos da verdadeira fonte de toda a satisfação.

Este será um momento de profunda desilusão, mas também de profunda revelação a respeito de uma nova fonte. Então um grito de súplica se erguerá de toda a humanidade: “Como seremos capazes de nos preencher?! Como seremos capazes de existir?! Onde está essa fonte?!”

Pergunta: Então agora podemos ver como estamos sendo isolados de todas as fontes de prazer? Será que está sendo construído um caminho, um túnel, para nós, que leva à verdadeira fonte?

Resposta: Sim.

Pergunta: Será o Criador essa fonte?

Resposta: Não existe outra fonte.

Pergunta: Mas será que alguém realmente dirá: “Este é o Criador”?

Resposta: Sim, este é o Criador da minha vida, de todas as minhas aspirações; Ele é tudo o que eu quero. Eu quero somente a Ele. Na verdade, é a Ele que nos esforçamos o tempo todo, com egoísmo, mas isso não importa; é sempre apenas em direção a Ele. Vamos esperar.

Comentário: Vamos esperar, ter esperança e acreditar.

Minha Resposta: Sim, acontecerá em breve.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 19/05/26

O Que É Uma Transgressão No Trabalho Espiritual?

260Pergunta: O que significa não trabalhar na consciência da grandeza do Criador durante uma ascensão?

Resposta: Rabash escreve que uma ação pela qual uma pessoa causa uma ruptura no contato com o Criador é chamada de transgressão. Mesmo que se trate do menor estado, do menor grau de contato com o Criador, se esse estado desaparece, dizemos que desaparece por causa de uma transgressão.

Por outro lado, isso é necessário, pois sem uma descida não pode haver uma nova ascensão a um grau superior. Não há ascensões sem descidas. Assim como dizemos que Adam HaRishon cometeu um pecado e causou uma transgressão, o mesmo ocorre aqui.

A razão para uma descida é sempre a mesma: durante uma ascensão, em algum momento a pessoa deixa de desfrutar da conexão com o Criador e começa a desfrutar do que recebe como resultado dessa conexão: um sentimento de perfeição, eternidade e pertencimento à espiritualidade.

Em outras palavras, a pessoa já está desfrutando do que é sentido nos Kelim, em vez da sensação do Criador causada pela adesão a Ele. O momento em que ela deixa de experimentar esse estado em sua conexão com o Criador e o volta para si mesma é chamado de transgressão.

Embora ela desfrute da espiritualidade, do sentimento de pertencer à eternidade e da doação ao Criador, esses prazeres devem ser em prol do Criador e não para benefício próprio. Portanto, isso leva à perda do grau; a luz se afasta, como se a pessoa tivesse retornado ao seu desejo de receber. A luz, percebendo um desejo de receber diante de si, se retira como resultado da restrição que existe desde a primeira restrição (Tzimtzum Aleph).

Portanto, induz-se um estado de esquecimento de tal forma que não se perde o grau inteiro, mas apenas a luz sobre ele. O grau em si permanece, e somente a luz de Mochin desaparece. A pessoa fica entorpecida e continua a vagar inconscientemente, como se sua cabeça tivesse descido ao nível do corpo, como um animal.

Ela pode continuar a observar a Torá, estudar e participar das atividades do grupo, mas sem qualquer objetivo, como um animal. Portanto, chamamos de nível animado a vida sem propósito das pessoas cujas cabeças não estão acima de seus corpos; suas mentes servem apenas ao corpo. Isso significa que a força responsável por governar o esquecimento não está agindo na pessoa da maneira pretendida. Afinal, o Criador quer que a pessoa complete um grau em tal estado que sua descida esteja imediatamente conectada à sensação de um novo Hisaron e a uma nova ascensão.

Será que pode ser feito de outra forma? Na verdade, não. Falamos de Adam HaRishon como alguém que cometeu uma transgressão, um pecador que pecou. Contudo, assim como isso estava além do seu controle, também está além do nosso. No estágio final da realização de um Reshimo (registro espiritual), em seu ponto mais alto, fazemos uma pausa por um único instante para pensar em nós mesmos; é um estado obrigatório. Então caímos, e isso também é um estado obrigatório.

No entanto, a verdadeira questão não é sobre a pessoa em si, nem sobre o fato de ela ter deixado de pensar no Criador e começado a pensar em si mesma, perdendo assim a consciência da grandeza do Criador. A questão é que lhe falta um alicerce preparatório crucial: o alicerce do ambiente.

Se uma pessoa tem o ambiente adequado, percebe imediatamente que não consegue mais se relacionar com o grupo de maneira comum, como se relaciona com a família, com o mundo em geral ou como uma pessoa religiosa. Se a pessoa preparou o ambiente certo (um grupo que trabalha para o Criador), ela percebe instantaneamente que sua descida representa uma mudança da direção rumo ao Criador para a direção do ego. Isso, em essência, é o que chamamos de pecado.

Assim, o pecado não reside na queda da pessoa, mas em não se preparar e ser incapaz de se levantar imediatamente após a queda.

Como escreve Baal HaSulam, o Criador coloca a mão de uma pessoa em um bom destino: Ele a traz para um grupo, para o estado correto, e diz: “Tome isso para si”.

“Tomar” significa: “Agora escolha um grupo mais forte”, para que você esteja cercada por um ambiente que a obrigue a desenvolver constantemente uma intenção de doar e a se esforçar para se unir ao Criador.

Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59

Cabalá Para Crianças

942Comentário: Uma pessoa comum, mesmo em sofrimento não consegue atingir um nível espiritual até que seja “atingida na cabeça”.

Minha Resposta: Mesmo quando uma pessoa está sofrendo, ela ainda não nos ouve. Se você pegar um pedaço de pau e bater em um animal, ele foge. Ele não entende o que você quer dele. Da mesma forma, quando os problemas atingem uma pessoa simples, ela não entende o que lhe é pedido. “Apenas me diga o que fazer, e eu farei!”

E você lhes diz: “Não, vocês precisam pensar no sentido da vida”. Eles ficam completamente perplexos. Não entendem o que você quer deles. Algum instinto imediatamente se manifesta para impedi-los de enlouquecer, e eles param de lhe ouvir porque sua linguagem soa como a de um alienígena para eles.

Compreendo isso muito bem e não me dirijo a eles diretamente. Não tenho queixas a respeito. É por isso que sempre digo para explicar ao mundo inteiro, em linguagem bem simples, que esse método existe. “Se algum dia precisarem, aqui está o endereço. Não precisam correr para lugar nenhum nem procurar nada.”

E aqueles em quem algo foi despertado são bem-vindos. Para eles, há contato real, ajuda e comunicação conosco. Não há outro caminho.

Existe também uma terceira abordagem que eu realmente quero concretizar: a educação infantil . Através dela, posso mostrar ao mundo que ele não tem futuro. Se não há futuro para seus filhos na forma como vocês os estão oferecendo, então também não há futuro para vocês, nem para a sua civilização, nem para a sua família, nem para o seu casamento.

Ou seja, vocês — mães, pais, avós — estão infelizes porque, ao olharem para a geração mais jovem, veem como ela está “indo para o buraco”. Ver isso acontecendo com seus próprios filhos faz com que a vida pareça não valer a pena. É incrivelmente difícil para qualquer pessoa ver crianças usando drogas, se prostituindo, fazendo todo tipo de coisa, a fluidez dos gêneros — tudo apenas para sobreviver, e tudo isso em vão.

Quando percebemos que a geração mais jovem não nos dá atenção, e começamos a sentir quase o mesmo em relação a eles, surge algo como rejeição ou aversão, e a pergunta aparece: “O que devemos fazer?”

Então você mostra a eles: “Vejam, pode ser completamente diferente”, porque está em nossas mãos. Quando uma criança nasce, ela está em nossos braços; ela é inteiramente nossa. Enquanto estiver conosco, podemos moldá-la para que não se afaste; que permaneça ligada a nós, e ninguém poderá tirá-la de nós.

Portanto, continuaremos a nos desenvolver juntos — filhos, pais e avós — como uma só família. Os filhos não se distanciarão dos pais, não por insegurança ou dificuldade em explorar a vida, mas porque enxergarão possibilidades completamente diferentes que surgem da conexão mútua conosco.

Você consegue imaginar o que é felicidade? A felicidade simples e terrena de uma pessoa comum — é isso que precisamos mostrar a elas. Toda a intelectualização e as provas intermináveis, nada disso é necessário. Ninguém se interessa por isso.

Oferecemos o que ninguém mais tem ou terá, porque somente a luz que você transmite a uma criança durante sua educação a molda em um ser humano que se assemelha, em certa medida, ao Criador. A criança nem sequer compreende isso, mas já está dentro dela, em constante desenvolvimento.

Essas crianças se tornarão a luz da humanidade.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Cabalá para Crianças”, 12/10/10

O Resultado Da Influência Da Luz Circundante

527.03Um Hisaron correto (deficiência, falta) é uma aspiração intencional de adquirir o poder de doar.

Suponha que eu tenha um saudável desejo de receber todos os tipos de prazeres deste mundo e, além disso, tenha recebido no coração um anseio por desfrutar do mundo vindouro. Não sei o que é esse mundo vindouro, mas sinto necessidade de prazeres adicionais, preciso de algo além do que este mundo pode oferecer. Surge então a pergunta: como posso dar forma adequada a esse desejo pelo mundo vindouro?

Se eu simplesmente intensificar esse desejo, o que emerge é um “faraó”, um egoísmo exacerbado: “Eu quero espiritualidade!!!” Como uma aspiração tão egoísta pode dar origem a um desejo de Lishma, isto é, um desejo direcionado ao Criador?

O estado de Lo Lishma implica que dois desejos coexistem em mim: eu desejo espiritualidade, eu desejo adquirir o poder de doar ao Criador e, ao mesmo tempo, desejo receber para meu próprio benefício. Em outras palavras, no estado de Lo Lishma, sou composto por dois desejos: um voltado para o Criador e outro voltado para mim mesmo.

Onde eu, ao trabalhar com meu ponto no coração, adquiro o desejo de doar ao Criador? O desejo de doar aparece em mim mesmo antes do Machsom; ele começa a se manifestar e a crescer dentro de mim. Mas de onde vem esse desejo? Como ele nasce dentro de mim? Essa é a questão.

Eu começo meu desenvolvimento espiritual a partir do ponto no coração e, gradualmente, dois desejos se desenvolvem a partir desse estado inicial: 1) Um desejo direcionado a mim mesmo; isto é, eu amplio meu ponto no coração e anseio pela espiritualidade por mim mesmo. 2) Um desejo direcionado ao Criador.

Como isso acontece? A razão é que o desenvolvimento do ponto no coração ocorre sob a influência da luz circundante (Ohr Makif), que nos traz o “encanto da santidade” (Chen deKedusha).

Sem a influência da luz circundante, o ponto no coração simplesmente aumentaria de tamanho, permanecendo no nível do desejo de absorver todo o mundo espiritual: “Eu quero o mundo superior! Dê-me isso, e pronto!” E seu desenvolvimento pararia nesse ponto. Como surge uma aspiração ao Criador dentro desse desejo egoísta por espiritualidade?

É o resultado da influência da luz circundante. Mas em que condições a luz circundante realmente me influencia? Somente se eu buscar maneiras de retornar à fonte, à raiz da doação. E a aspiração de retornar à fonte surge em mim como resultado do trabalho em grupo.

Da Lição Diária de Cabalá 14/05/26, Rabash, “O que significa ‘Se uma mulher insemina primeiro, ela dá à luz um menino’, no Trabalho?”

Exija E Você Receberá A Recompensa

276.02As ações de uma pessoa no trabalho espiritual são chamadas de: “Exija e você receberá a recompensa”.

Isso ocorre porque a pessoa não participa ativamente da correção em si; ela não corrige nada por conta própria. Em vez disso, ela apenas cria um estado no qual o Reshimo que é sentido dentro dela como se tivesse acabado de nascer, e a luz destinada a corrigir esse Reshimo (registro espiritual) podem realizar seu trabalho através dela, de modo que ela se torne aquela que evoca e inicia a correção.

“Exigir” significa esforçar-se para alcançar a correção, de modo que a luz prevaleça sobre o Reshimo, e corrigi-lo para uma intenção em prol de doar. E “receber recompensa” significa que a pessoa aspira apenas a esse estado. O que a ajuda, naturalmente, não é a ação em si, mas unicamente a sua intenção.

Assim, tudo o que fazemos visa alcançar a recepção da Torá em um estado pequeno (Katnut), que é chamado de contagem de Ômer, no estado animado, quando comemos “cevada”, até chegarmos ao “alimento do homem”. O “alimento do homem” é “pão”, fé, o grau de Shavuot. “E foram ambos juntos” refere-se a Bina e Malchut.

Portanto, nosso trabalho ocorre mesmo antes do estado de “exija e você receberá recompensa”. É um trabalho que transcende a razão, um trabalho de atrair a luz que realiza em nós a maravilhosa propriedade da correção.

Este é um trabalho contra o “ministro do esquecimento”, que, como uma força eficaz, nos ajuda a esquecer o estado anterior e a despertar uma deficiência (Hisaron) para o próximo.

Estas são as ações de preparação para a recepção da Torá, para a festa de Shavuot.

Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59

Como Subir De Um Nível Para O Outro?

232.06No Estudo das Dez Sefirot, estudamos como o desenvolvimento dos degraus ocorre de cima para baixo, do Criador para este mundo. Vemos que cada degrau dá origem a um inferior, invertendo-se e deixando completamente de ser o que era.

É como uma semente plantada na terra que precisa se decompor e apodrecer completamente para que uma árvore, algo novo, possa crescer a partir dela. Portanto, passar de um degrau para outro é como atravessar um abismo, como saltar sobre algo que não possui uma transição suave de um estado para o outro.

O meio de fazer essa transição é chamado de “acima da razão”; é quando aquilo que vejo, sei e penso agora, no meu nível atual, devo, por assim dizer, pisotear, riscar e desejar receber uma realização superior. Como isso é possível?

O meio de adquirir uma razão superior é chamado Bina, a qualidade de Chafetz Hesed, onde a pessoa deixa completamente de ser receptora e para de sentir e medir a si mesma dentro dos Kelim de recepção. Isso significa que ela não usa sua natureza e adere à superior como um embrião (Ubar), ou seja, neutraliza seus Kelim de recepção e deseja simplesmente estar conectada com o superior.

Esses são saltos da razão inferior para a qualidade de Bina e, em seguida, para a razão superior, onde ela trabalha com os Kelim receptores de um grau superior e recebe a realização correspondente. Em essência, esses são os estágios de avanço.

Da Lição Diária de Cabalá 24/05/26, Rabash, “O que é um dilúvio na obra?”

Onde A Humanidade Está Falhando?

424.01A união das pessoas é sempre uma força espiritual, mesmo no plano material. Se estivermos falando de um grupo, seja uma equipe esportiva, membros de um kibutz ou qualquer outro, eles também utilizam uma força espiritual ao se unirem por um objetivo comum.

Isso gera um problema. Se eles usarem essa força para o bem do Criador, então vencerão, seguirão em frente, prosperarão e tudo terminará maravilhosamente. Se, no entanto, eles pegarem essa força e a usarem para gratificação pessoal, como queriam fazer na Rússia Soviética ou nos kibutzim, obterão exatamente o que acabaram obtendo.

Por quê? Porque, como Baal HaSulam explica no artigo “O Arvut [Garantia Mútua]”, eles usam a unificação das almas, que deveria ser um Kli para o Criador, para a luz, como um Kli para alcançar objetivos animalescos. Se você une várias pessoas e quer que algo resulte disso, então, dessa unificação deve fluir uma intenção de oferecer algo ao Criador e não de oferecer algo a si mesmo. Oferecer algo “para benefício próprio” traz escuridão, sofrimento e infortúnios.

Digamos que as pessoas se unam para lançar um empreendimento, para enriquecer, para realizar algo neste mundo. Vemos que tudo isso é feito precisamente por meio da união. Isso também se relaciona com a era do desenvolvimento industrial que começou na época do Ari e se estendeu até o período subsequente do Iluminismo. Essa é a natureza do desenvolvimento.

Mas todos esses passos no desenvolvimento não foram essencialmente dados por um desejo de se aproximar do Criador, mas sim pela criação de grupos de pessoas em que uma ajuda a outra. E todos esses grupos, sociedades ou empreendimentos, sejam quais forem, acabaram por levar ao sofrimento. Através disso, chegamos mais rapidamente ao reconhecimento do mal.

O que significa para nós a indústria moderna agora que o mundo inteiro se tornou como uma única aldeia? Em última análise, através da nossa busca por dinheiro, honra e prazeres mesquinhos, revelamos a natureza falha da nossa relação mútua.

Nós somos tentados por trivialidades como dinheiro e honras, supostamente uma vida melhor, mas, essencialmente, sem que nos demos conta, uma força superior pretende nos mostrar que, ao nos unirmos por razões que não sejam a busca pelo Criador, a humanidade sofre uma perda catastrófica. Essa constatação nos atinge muito rapidamente.

Rabash dá como exemplo uma pessoa que recebe o desejo de ganhar dinheiro e abre um restaurante para obter lucro; no entanto, na realidade, essa situação a obriga a dar aos outros. O dinheiro serve apenas como um incentivo. Em essência, o Criador usa isso para facilitar a distribuição de bens no mundo, levando todos a começarem a dar aos outros mais cedo. Consequentemente, os Reshimot (registros espirituais) se multiplicam e se combinam de várias maneiras, o que acelera nosso desenvolvimento rumo à correção.

Da mesma forma, a humanidade recebe o desejo por dinheiro e diversas conquistas, e grupos de pessoas se unem para revelar o lado negativo disso. Tudo o que vemos externamente são tentações que nos são dadas para que, movidos pelo desejo de receber, pratiquemos diversas ações incorretas e, então, cheguemos ao reconhecimento do mal e, após avaliarmos corretamente as consequências, trilhemos o caminho certo.

Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59

Você Receberá Tudo O Que Lhe Falta

276.01Pergunta: Eu queria lhe perguntar, por exemplo, sobre comida. Comer uma refeição preparada pela mãe ou avó com amor, em geral, qualquer coisa preparada com amor é boa, não é?

Resposta: Você terá que incorporar, expressar e trazer isso à tona dentro de si, com base em suas próprias tensões internas, desejos e aspirações. Só então você conseguirá visualizar tudo isso em seu interior.

Todos eles existem: mãe, avó e absolutamente tudo o mais que você possa desejar. Tudo existe no espaço ao seu redor. Mas abrace tudo isso e traga para mais perto de si. A avó não aparecerá mais com um prato que colocará à sua frente e dirá: “Meu querido neto, coma”.

Isso não acontecerá mais. Mas você pode alcançar outro tipo de conexão com essas formas de realização. Seremos conduzidos a isso.

Todos experimentarão uma plenitude que os envolverá completamente. E nada lhes faltará. Agradecerão ao Criador por tudo, por tudo maravilhoso! Isso acontecerá.

Pergunta: A que nos aproximamos com a criação de algo assim…?

Resposta: Uma pessoa deve gradualmente emergir de seu ambiente material e entrar em um ambiente virtual, e depois em um espiritual. Isso certamente acontecerá.

Pergunta: E lá ela sentirá todo esse calor?

Resposta: Sim. Tudo. Absolutamente tudo! Calor, bom gosto, carinho, compaixão — tudo o que lhe falta nesta vida agora, hoje. Ou seja, o que ela sentia quando era criança com a mãe.

Comentário: E a comida simples será percebida como…

Minha Resposta: Não importa, mesmo sem comida. A satisfação não depende de comida. Isso é apenas um vaso; não há nada dentro.

Pergunta: De alguma forma, você está percebendo o relacionamento, na verdade?

Resposta: Claro. Sim.

Pergunta: Então, essa relação que tenho com a minha avó ou mãe, que me dava comida, eu vou absorver isso, sentir isso? Isso virá do mundo?

Resposta: Você sentirá isso vindo de uma força superior, que, como se descobriu, era essa mãe e avó, e tudo o mais.

Entende? Parecia que era a mãe ou a avó. O Criador se apresentou a você nessa forma. E agora você perceberá isso de tal forma que será Ele mesmo. E você não pensará em parentes, pessoas próximas, outras pessoas, e assim por diante; você perceberá tudo como sendo Dele.

Pergunta: Então a revelação do Criador proporcionará todos esses sabores e sentimentos?

Resposta: Não há ninguém além Dele; tudo vem somente Dele.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 23/05/26

Três Fatores Como Um Todo Indivisível

282.01Pergunta: Com o que devo me preocupar: garantir que o espírito, a intenção e a aspiração existam em mim, nos amigos ou no grupo como um todo?

Resposta: Devo garantir que esses três fatores existam como um todo único e indivisível. Então, em qualquer estado em que eu me encontre, minha preparação me ajudará a perceber se estou, de alguma forma, me afastando dessa unidade.

Não devo separar meu trabalho no grupo, o próprio grupo, sua direção e o trabalho dos amigos em “eu”, “eles” e “nosso objetivo comum”. Assim como devemos unir a pessoa, suas ações e o Criador a partir de um único ponto, aqui também devemos ser uma só pessoa com um só coração, uma só tarefa e um só objetivo. Isso deve ser verdadeiramente um só.

Fazemos isso juntos, unidos como um único vaso, dentro do único Criador, com uma única plenitude. Que divisão pode ser feita aqui? No ponto de unidade geral, tudo se conecta. Então, por que eu deveria dividir isso agora, quando vou compreender corretamente meu estado? Como posso separar essas coisas?

É diferente quando, trabalhando dessa forma, me desconecto do sistema “Eu–Criador–Ação”, que é o grupo, o Kli geral; nesse caso, sinto imediatamente que me desconectei. Caso contrário, o Criador desaparece e eu não percebo; o grupo se dispersa e eu não percebo; estou ausente de todo o processo e também não percebo.

Pergunta: Isso pode ser comparado à maneira como um órgão do corpo cuida de todo o corpo?

Resposta: Um órgão do corpo se preocupa com sua conexão com o corpo todo para que a vida, o espírito da vida, possa existir dentro dele. Essa é a preocupação de um indivíduo em relação ao grupo e ao Criador. Em outras palavras, deve-se olhar para o grupo como um Kli geral que está se conectando com o Criador. Ponto final.

É possível receber a Torá e a luz se não estivermos unidos nesse desejo? É impossível. Isso será revelado de forma simples. Se não passarmos por um estado crítico, uma massa crítica, ou seja, a menos que eu transcenda a mim mesmo em certa medida, não começarei a sentir a revelação do Criador.

Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59, 1962

De Grau Em Grau

527.01Cada grau espiritual determina o conteúdo (preenchimento) de uma pessoa: seu intelecto, sentimentos e habilidades. O que permanece inalterado em uma pessoa são as dez Sefirot primordiais, que são idênticas para todos.

Portanto, nunca é preciso se preocupar em preservar o que se possui atualmente ou permanecer em um estado específico, porque, além da estrutura constante da alma, todas as nossas realizações estão sujeitas à mudança.

Independentemente do nível de satisfação que eu possua atualmente, devo me esforçar para avançar de um nível para o outro o mais rápido possível, pois a cada nível superior receberei ainda mais prazer, tanto quantitativa quanto qualitativamente.

No entanto, para passar de um nível para outro, preciso me desapegar do nível anterior, desejar me esvaziar dele e me preparar para receber uma realização superior. E é exatamente aí que surge o problema. Se ainda estou preenchido pelo nível em que me encontro atualmente, como posso desejar uma realização superior? Ela me parece algo diferente, estranho e até mesmo oposto a mim, a tal ponto que simplesmente não consigo aceitá-la.

É como uma criança que quer brincar e aproveitar o que lhe parece bom, enquanto seus pais  a obrigam a mudar, a trabalhar duro, e lhe dizem: “Veja, você precisa se tornar assim, agir dessa maneira, isso é bom para você.”

Mas a criança não vê nem sente que estudar por vinte anos, adquirir uma profissão e depois trabalhar seja bom para ela. Os pais veem isso como algo bom, mas não entendem a vida do filho porque a vida dele consiste em brincadeiras, pelas quais eles não têm o menor interesse.

Assim é conosco em cada grau em relação ao superior. Aliás, é ainda mais evidente porque, na espiritualidade, a diferença entre os graus é uma oposição genuína. Nada do grau inferior é adequado ao superior. Tudo precisa ser renovado.

A dificuldade da ascensão espiritual reside precisamente nisto. Cada grau superior é percebido pelo inferior como algo indesejável, incompreensível e contrário à sua natureza. Portanto, a transição de um grau para outro requer a disposição de renunciar àquilo que parece certo, verdadeiro e gratificante no presente, a fim de receber algo que ainda não pode ser apreciado a partir da perspectiva do estado atual.

Da Lição Diária de Cabalá 24/05/26, Rabash, “O que é um dilúvio na Obra?”