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A Individualidade Está Em Incluir-Se Em Todos Os Demais

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que o meu sentido integral de percepção, a nova camada da minha psique, combina ou resiste ao meu “eu” subjetivo, a minha individualidade?

Resposta: A sua individualidade está abaixo do “nós”. Nunca pressione o seu “eu”.

A única coisa é que o seu “eu” sempre continua crescendo no sentido de que você possa se realizar através do “nós”. À medida que você se inclui no órgão comum de todo o desejo e pensamento da humanidade, você começa a “inchar”, expandir.

Suas sensações expandidas e a consciência parecem cobrir toda a humanidade. Como uma mulher grávida com um feto dentro dela, você vai sentir como se contivesse toda a humanidade dentro de você. Esta é a efetiva realização do seu “eu”.

Sua inclusão em todos os demais é a sua individualidade. Por exemplo, a individualidade de uma mulher em sua família é expressa através do fato de que ela contém todos, serve a todos, cuida de todos, para a família ela é tudo.

Caso contrário, a sua individualidade será expressa através do seu egoísmo, individualismo, e a separação de todos. Não há mais lugar para isso no nosso mundo, nós estamos indo para um novo nível.

De KabTv “Mundo Integral” 27/11/12

O Centro Do Grupo Aparece Entre Nós

Dr. Michael LaitmanDurante o processo de discussão integral, não importa se você está certo ou errado. Para mim é apenas uma maneira de “sair de mim mesmo” e me transformar em outra pessoa. Desta forma, vou começar a entender como é possível sentir os outros dentro de mim. Devemos alcançar um estado quando começaremos a sentir a opinião comum, a vontade comum, a mente comum. Além disso, não importa se as respostas dos outros estão corretas, porque há somente dez pequenos egoístas reunidos no círculo.

As pessoas no grupo podem estar em diferentes níveis de desenvolvimento e as respostas podem ser um disparate absoluto. Mas isso não importa para mim. Eu não quero ser inteligente. Estou trabalhando em subir acima da minha razão. Assim, quando eu ouço a resposta do outro, eu só me preocupo em me incluir nele, entendê-lo; estou pronto para estar com meu amigo em sua resposta e sair de mim mesmo como se estivesse me transformando nele.

O que importa para mim é a ação, porque durante o processo de diálogo, a capacidade de adquirir um novo sensor, um novo sentido coletivo, aparece quando percebo e analiso tudo fora de mim, fora do meu egoísmo. Eu adquiro a saída do meu mundo interior isolado.

No final, eu começo a perceber que estou incluído nos outros. É importante que eu me aferre a este estado comum, nossa interligação comum que nasce entre nós — o desejo comum e a mente comum. Além disso, este desejo comum e mente comum repetidamente interagem entre nós de modo que, finalmente, surge algo que nos referimos como o centro do grupo.

O centro do grupo é a imagem de uma pessoa integral que consiste de um único coração (desejos) e uma única mente (pensamentos).

De KabTv “O Mundo Integral” 27/11/12

Um Desejo, Um Ponto E Luz

Baal HaSulam, Introdução ao Livro do Zohar, Artigo 66: tenha em mente que em tudo há internalidade e externalidade. No mundo em geral, Israel, os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó, são considerados a internalidade do mundo.

“Israel” são aqueles que têm uma inclinação para as três linhas, para a doação. Essas três linhas simbolizam Abraão, Isaac e Jacó, e Israel aspira integrá-las para que a força da doação e a força da recepção se conectem e cheguem à adesão com o Criador na linha do meio.

Afinal, existem apenas essas duas forças na realidade — a força da recepção e a força da doação A primeira refere-se ao ser criado e a segunda ao Criador.

Se a força de doação está também no ser criado, uma faísca ou um ponto no desejo de receber, então por isso o ser criado pode construir a linha média. O desejo é a linha esquerda e o ponto no desejo, a faísca da Masach (tela), antes da quebra, é a linha direita, e a Luz que foi convocada para operar em soldá-las fornece a linha média, acima da razão, doação acima da recepção. [Leia mais →]

O Ponto Onde Há Um Lugar Para Todos

Eu não esperava que nós fôssemos experimentar o que experimentamos na convenção passada. É uma fase muito importante: nós sentimos o que significa quando se diz “nos elevar acima de nós mesmos, dar espaço para o amigo, para o outro em seu lugar, estar integrados uns nos outros, para nos conectarmos”. Nós experimentamos todos os tipos de sentimentos como esses: quando todos nós entramos num ponto e ninguém toma todo o espaço, e graças à auto-anulação, há espaço para todos. O mesmo foi dito sobre o templo sagrado: todo mundo se mantém muito perto numa massa apinhada, mas quando todos tinham que curvar-se, então havia espaço suficiente para todos.

Vivenciamos muitos estados. Primeiro, nós os provamos, e esta prova é muito importante. Desde então, na verdade, isso acompanha a entrada para a fase de transição. Até agora não sabíamos como interpretar, como sentir o nosso estado. Dizemos palavras sem saber o que está por trás delas.

E agora uma sensação foi criada: nós sentimos que estamos de pé ao lado de uma barreira psicológica, perto de uma barreira pela qual nós não podemos passar com nossa própria força, e aqui sem dúvida é necessário a ajuda do Alto. Ela é simplesmente essencial, mas devemos solicitá-la uma vez que a Luz não chega se o Kli não está pronto para ela. [Leia mais →]

Tudo É Alcançado Em Conexão

Dr. Michael LaitmanPor si só, o que é o estudo da sabedoria da Cabalá? Tudo parece simples; as pessoas que querem estudar vêm e existe um especialista que ensina. Ele se senta e fala, e quem quiser ouvir vem e escuta. Há muitos lugares como este no mundo onde as pessoas estão estudando todos os tipos de coisas.

Mas quando um homem chega ao estudo da sabedoria da Cabalá, rapidamente revela que os alunos precisam estar conectados entre si. Então, ok, há até mesmo alguns exemplos disso. As pessoas se conectam em estruturas de grupo; poderia ser uma classe ou um grupo, etc.

Só que aqui, nós lhes dizemos: “Vocês precisam se conectar no amor”.

Isso já parece misticismo. Algo semelhante ao que existe nas sabedorias do Oriente e também a religião prega a conexão entre as pessoas, “Ame o seu amigo como a si mesmo”.

Mais tarde, fala-se sobre a qualidade dessa conexão. Assim torna-se entendido que a questão não está apenas em estudar e todas as outras coisas que o acompanham, mas o principal é a conexão.

Como pode ser? Eu vim para estudar algum tipo de sabedoria. Eu estou disposto a fazê-lo junto com os outros, estou disposto a me juntar a eles para que a conexão entre nós seja de acordo com o estudo. Mas não, dizem-me outra coisa, “Você precisa se conectar com eles de tal forma que você vai parar de sentir a sua existência, só eles vão existir para você”. Isso eu não entendo, mas eles exigem isso de mim a fim de entender o material, que por si só não é importante por enquanto.

Desta forma, uma inversão de 180 graus me espera: antes o material do estudo era importante para mim, eu queria saber algo novo, receber sabedoria e, agora, é claro que o material não é importante, as sim a conexão. Eu ainda não tinha pensado em algo assim.

Portanto, o que deve ser feito? Como a pessoa pode entender que tudo é alcançado na conexão, que nós nunca vamos entender as fontes se não começarmos a nos conectar, pois a sabedoria da Cabalá fala apenas dos modos de conexão e não de qualquer outra coisa?

Nós tropeçamos neste problema. É por isso que o Rabash começava seus artigos com isso: o amor dos amigos, o objetivo da sociedade, a ordem do encontro dos amigos, etc. Sem isso, nós simplesmente não temos para onde ir, senão ignorar o que não se encaixa em nosso desejo e opinião pública.

Mesmo que seja difícil para eu receber a importância do amor dos amigos, eu preciso me convencer de que estou aqui apenas por um objetivo, me conectar com os amigos de tal forma a me anular diante deles, para perder a própria existência e existir apenas conforme eu possa doar a eles, apenas de acordo com seu desejo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/01/13, Escritos do Rabash, “Amor dos Amigos”

Uma Aliança Para A Eternidade

Dr. Michael LaitmanRabash, “Vós Estais Hoje, Todos Vós”: Ele diz, “Eu faço a minha parte e concordo que o Criador vai me dar o que Ele quer, e não tenho nenhuma crítica”. Então ele é recompensado com fazer uma aliança, como mencionado acima. Em outras palavras, a conexão se mantém permanentemente porque o Criador fez uma aliança com ele por toda a eternidade.

Fazer uma aliança com o Criador e os amigos é uma condição muito importante no nosso trabalho, porque acelera principalmente o tempo. O ambiente se compromete comigo e eu me comprometo com o ambiente. Então, mesmo quando o desejo desaparece, eu vou ter que continuar no trabalho. Isto é precisamente o que a aliança se destina.

A aliança é feita para aqueles momentos em que não desejamos nos conectar. Nesses momentos, quando não temos uma inclinação, atração ou a unidade para realizar ações que nos fazem avançar no caminho, o acordo da aliança deve trabalhar, precisamente durante as descidas.

Assim, verifica-se que a pessoa deve agir apesar de tudo. Ela recebe apoio do ambiente, como se investisse dinheiro em algum fundo de antemão, e agora recebe o dinheiro de volta. A aliança é um acordo sobre a responsabilidade mútua.

Quando ele é capaz, ou seja, está em estados de ascensão, ele investe em si mesma, trazendo inspiração a todos e a importância da meta. E quando é incapaz disso, quando está numa descida, recebe de volta o que investiu. Ela funciona como uma bateria, que armazena a energia e depois a libera, de modo que sejamos preenchidos um pelo outro. Ela ajuda a pessoa, como um retificador de corrente alternada, até mesmo mudando estados negativos em positivos, em trabalho positivo, em “corrente contínua”.

“Vós Estais Hoje, Todos Vós” simboliza que as subidas e descidas de cada pessoa, e também as subidas e descidas das relações entre as pessoas, e entre o homem e Criador, tudo isso deve ser “alinhado” para que um estado constante seja criado.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/01/13Escritos do Rabash

 

No Lugar Certo, Na Hora Certa E Com O Objetivo Certo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o significado das palavras do Criador: “Eu gostaria que eles pudessem me deixar e minha Torá se manteria”?

Resposta: Isso significa que o homem faz os esforços errados, no lugar errado, na hora errada, e pelo motivo errado. Existem muitas condições que devem estar reunidas.

Em primeiro lugar, a pessoa deve organizar um grupo. Sem um grupo a pessoa não sabe como sair do seu ego. Ela pode falar sobre isso com palavras bonitas, mas na realidade, não vai perceber nada.

Além disso, a pessoa precisa ser paciente, entender que este é um processo acumulativo onde todos os nossos esforços são adicionados, os quais nos trarão resultados. É comparável a um medidor, no qual há rodas girando, e num determinado momento, de repente, o número no visor muda e surge um “1” em vez de “0”. Então, mais uma vez as rodas giram por um longo tempo até novamente o número mudar para “2” e assim por diante.

Nós temos que entender que semanas ou meses poderiam passar até que o medidor mude para o próximo número. Mas as semanas não passam se, naquele momento, não investirmos esforços. Aqui, a pessoa começa a entender que não tem força ou desejo, que não é capaz de fazer algo, e só quer abandonar tudo. O corpo lhe puxa para questões vazias, e o principal é não sentir seu estado como sendo difícil.

Nós já entendemos como isso acontece. Aqui, a pessoa precisa encontrar apoio para si, “Apoio da Luz”. Isto significa os amigos que se ajudam mutuamente. Nosso ponto fraco é que não há nenhuma ajuda mútua, e tudo é construído apenas sobre ela. A força está apenas na conexão, e se a conexão parar, ninguém terá força.

A Luz ilumina do outro lado e aumenta lentamente o meu desejo de receber em apenas um grama, e eu imediatamente caio. Eu estou pronto para esquecer tudo, deitar e não fazer nada, apenas para ser deixado sozinho. Pelo menos do ponto de vista físico é proibido deixar-nos cair desta maneira. O ambiente deve colocar pressão sobre mim, eles devem me chamar se eu não for à aula, e eles devem me acordar em casa.

Eu devo fazer esses arranjos com o meu ambiente, de modo que ele atue sobre mim. Também em casa, eu construo tal sistema que não vai me deixar perder a lição matinal. Eu faço o mesmo com os amigos. Eu me preparo de tal forma que a minha consciência vai sofrer se eu não chegar à lição.

Mas eu tenho que preparar tudo isso com antecedência e não no momento da descida. Eu devo me preocupar com antecedência para que algo me obrigue a ir à aula, mesmo quando me falta força. Eu organizo tudo desta forma para que não consiga ficar em casa; caso contrário, o que a minha família vai dizer? Eu não posso dar desculpas a cada dia que não me sinto bem. E os amigos começariam a chamar e perguntar o que aconteceu comigo, aonde desapareci, e isto me envergonharia.

Eu recebo uma carga do coração. Somente estas medidas agirão em mim. Nesses momentos, eu mesmo não sou capaz de fazer nada, mas sinto que preparei um apoio para mim e por isso este também está ao meu favor.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/01/13, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Alérgico Ao Amor

Dr. Michael LaitmanEu tenho que sentir o amigo como uma parte de mim, como a parte principal. Assim como uma mãe sente o bebê como a coisa mais importante no mundo. Ela cuida do bebê mais do que dela mesma.

A fim de fazer isso, eu realizo diferentes ações no grupo que atraem a Luz que Corrige, de modo que ela formará o novo atributo em mim, o atributo de doação. Então, eu descubro o amor em relação àqueles que eu odiava antes.

Existem várias etapas ao longo deste caminho: primeiro eu chego ao grupo e estudo com os amigos. Seria melhor se eu pudesse conviver sem eles, como, por exemplo, se eu pudesse pagar um professor particular para aprender e para que os amigos fossem embora. Mas o professor me diz: “Você precisa deles; na medida em que você se conectar com eles, você será capaz de ouvir o que eu tenho a dizer, senão você vai permanecer surdo”.

Que tipo de condição é esta? Quanto mais conectados nós estamos, melhor compreendemos o professor. Isto é muito estranho… Não há nada igual a isso em outro lugar.

Depois, o professor, juntamente com as fontes, nos diz: “Se vocês se amarem, sentirão o material que estudamos. Vocês não só o entenderão, mas sentirão; vocês descobrirão uma nova realidade na conexão entre vocês. Se vocês se conectarem como os dedos de uma mão, descobrirão a realidade superior, o mundo superior!”.

Isso é estranho! Portanto, o que devemos fazer?

“Experimente”, eles me dizem. Eu começo a tentar, e se realmente tento me conectar com os amigos, sinto uma aversão. Há conflitos e problemas, acusações mútuas sem fundamento, e é impossível superar isto. Isto parece que não é tão fácil. Qual é o argumento? Trata-se de um problema espiritual: se conectar a fim de avançar em direção ao Criador, ou se separar. Essa não é uma discussão sobre questões menores neste mundo, mas o argumento espiritual entre “Moisés” e o “Faraó”.

Como resultado, eu me sinto impotente, e em vez do amor dos amigos, descubro aversão e ódio. Então eu começo a trabalhar mais e mais intensamente.

Se, por exemplo, eu tenho 50 quilos de ódio e cubro-o com 51 quilos de amor, eu adquiro um vaso espiritual. Afinal de contas, nós temos tentado o máximo possível superar o ódio com a ajuda da oração mútua, e, como resultado, agora sentimos o amor entre nós.

Este é o caminho para o mundo espiritual que descobrimos apenas na conexão entre nós: simplesmente não há outro lugar onde isto possa ser revelado. Eu ouço isso repetidamente, até que depois de vários meses percebo que é assim, até aceitá-lo internamente.

Mas agora eu não aceito isso; como um paciente que é alérgico a determinado medicamento, eu sou alérgico ao verdadeiro amor espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/01/13, Escritos do Rabash

Perder O Seu Eu Material

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nos tornamos um Partzuf inferior que se anula diante do superior e pede para ser criado no mundo espiritual durante o Congresso?

Resposta: Nosso Partzuf superior é o grupo e somente lá o Criador se revela. Nós transformamos o grupo em Malchut, a Shechina, enquanto o superior para ela é Zeir Anpin, o Criador. Nós precisamos induzir o estado de que dentro da nossa conexão se revela a força superior.

Isso é bastante factível e muito provável de acontecer. A iluminação deste estado certamente será concedida a nós, e nós já a estamos recebendo, todos de acordo com seus graus. Mas quando nós realmente nos conectamos, em vez de uma iluminação pessoal, nós revelamos a Luz.

Ela também será revelada a cada pessoa no grau que ela alcançou a união e se esforçou.  Mas será uma parte bem definida da Luz e não alguma iluminação externa. Eu estou confiante de que não só no Congresso dos homens, mas também no das mulheres podemos sentir tal iluminação. A anulação do nosso grupo diante do superior significa que todos renunciam completamente com força máximo para o bem da união e da inclusão em todos os outros, e nós vamos perder o nosso eu material lá e existir unicamente sob a influência espiritual.

Nós estudamos no artigo “600.000 Almas” que há uma única alma. Todos alcançam somente ela, e se conectam na mesma alma. Na verdade, não há nenhuma divisão e somente a força da quebra nos causa dor agora, porque achamos que cada um de nós tem sua própria alma pessoal. Nós só podemos imaginar isso porque ainda não atingimos a completa realização e permanecemos na confusão, névoa e perda de consciência. Portanto, no Congresso, nós queremos nos conectar com esta alma única.

Da 3ª Parte da Lição Diária de Cabalá 10/01/13, Talmud Eser Sefirot

A Unidade Determina Tudo

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, artigo 66, “A Entrega da Torá”: A questão da entrega da Torá, que ocorreu no Monte Sinai, não significa que a Torá foi dada uma única vez e depois a doação foi interrompida. Ao contrário, não há ausência na espiritualidade, uma vez que a espiritualidade é uma matéria eterna, interminável. Mas, já que do ponto de vista do doador, nós não estamos aptos a receber a Torá, nós dizemos que a interrupção é pelo Superior.

Uma vez na história da humanidade, um bebê nasceu cujos pais o chamaram de Adão. Por que eles o chamaram de Adão? Eles não sabiam por que, isso foi determinado pela Providência superior.

O bebê cresceu, amadureceu e, provavelmente, começou a perguntar sobre o significado da vida. “Por que e para que estou vivendo?”. Então, por volta dos 37 anos, o Criador foi revelado a Adão e ele começou a ensinar as pessoas, e, assim, lançou as bases para uma cadeia de eventos que a Torá descreve, todas as gerações até Abraão e as fases de desenvolvimento que se seguiram.

No geral, nós estudamos a história, a geografia e a essência espiritual junto. Portanto, no que devemos acreditar? Ou, mais precisamente, como devemos imaginar esses eventos? Será que eles se desenvolvem tanto na espiritualidade quanto na corporeidade? Por exemplo, a transição do grupo de Abraão da Babilônia para a Terra de Canaã é idêntica a uma subida interior? Ela foi acompanhada pelo reconhecimento do mal e da bondade, pela unidade?

Por exemplo, se eu me unir fortemente com os amigos, eu deixo a Babilônia, e se me unir mais fortemente com eles, eu entro na terra de Canaã. Se eu descer os níveis de unidade, eu me encontro no Egito. Se eu me unir de uma forma diferente, eu passo de Hebron para Beer Sheba…

Acontece que tudo é medido de acordo com a intensidade da nossa unidade. É sobre isso que nos fala a sabedoria da Cabalá: não é sobre este mundo; eu não olho para ele, exceto dentro, sabendo que dentro de mim todos os detalhes da minha percepção dependem do nível de união ou separação dos amigos.

Ao mesmo tempo, os Cabalistas dizem que também deve haver um “ramo” corporal que é paralelo ao que acontece na “raiz” espiritual. A “raiz” deve tocar o “ramo” uma vez: em sua primeira revelação. Afinal, esta revelação vem de cima para baixo, e assim, tudo o que a Torá descreve também foi cumprido até certo ponto em nosso mundo.

Nós sabemos que o Primeiro e Segundo Templo, a história de Purim que é descrita no livro de Ester, as guerras do povo de Israel, os exílios realmente ocorreram. Os túmulos de José, Rebeca, a Caverna de Machpelah e outros lugares santos ainda existem. Em outras palavras, os níveis espirituais foram realmente revelados nas pessoas que viviam naqueles tempos em nosso mundo.

Primeiro, o processo descendente ocorre desde o mundo de Ein Sof (Infinito) até o verdadeiro “fundo” – como dizemos: de uma extremidade a outra. Então, nós temos que cumprir o potencial que adquirimos nos níveis dos “antepassados” durante a destruição do Templo e durante o exílio.

Hoje nós estamos num tal estado de escuridão que sequer sabemos ao que realmente se refere um exílio. Se levarmos em conta a atual crise, muitos sentem que talvez tenham sido exilados da terra da riqueza, respeito e outros prazeres terrenos. Nós descemos tão baixo, em tais profundidades onde a escuridão esconde a essência real do exílio do mundo espiritual, do atributo de amor e doação. Para nós, a doação é o oposto: um atributo indesejável.

Agora nós temos que começar a subida e ela tem que ser uma subida interior. É claro que ela também vai afetar o mundo físico, mas nenhuma ação externa é exigida de nós. É a espiritualidade que determina a forma que vamos ter, individual e coletivamente, que tipo de humanidade haverá, e que tipo de mundo.

A entrega da Torá diante do Monte Sinai ocorreu tanto num nível espiritual como num nível corporal. A questão da entrega da Torá, que ocorreu no Monte Sinai, não significa que a Torá foi dada uma única vez e depois a doação foi interrompido. Ao contrário, não há ausência na espiritualidade.

Não é o mesmo na corporeidade: não há nada de sagrado no Monte Sinai, e nem as pessoas ortodoxas ou não religiosas são atraídas a ele. Por outro lado, a espiritualidade é uma matéria eterna, interminável. Mas, já que do ponto de vista do doador, nós não estamos aptos a receber a Torá, nós não atingimos o nível certo, nós dizemos que a interrupção é pelo Superior.

Na realidade, a interrupção não é da nossa parte. A escada espiritual ainda existe, e todas as suas condições são mantidas; a espiritualidade é eterna e, por isso, se você chega a certo estado você recebe a Torá.

Suba mais alto e você vai estar no deserto, depois na terra de Israel, etc. Estes são os níveis da ascensão espiritual.

Eu não posso dizer como o nosso mundo vai mudar de acordo com esta subida, mas, sem dúvida, vai mudar. Afinal, um “ramo” age de acordo com a “raiz”. Se mudarmos a raiz pela nossa subida e nossa participação nela, ela certamente vai afetar o mundo de forma diferente e então o mundo vai mudar.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/01/13, Shamati # 66