Textos na Categoria 'Torá'

Não Gratifique O “Animal” Em Você

laitman_627_1Torá, Deuteronômio, 27:21: Maldito seja aquele que se deitar com algum animal. E todo o povo dirá: “Amém”.

Deitar-se com animais é completamente proibido, porque durante esse ato a pessoa não está copulando através do aspecto humano dentro de si mesma, mas sim através do animal dentro de si. É o estado interno que está sendo referido aqui.

Com esse ato, a pessoa está se rebaixando a tal ponto que se torna um animal, e ainda mais baixo do que isso, porque está servindo ao animal dentro de si mesma, extraindo prazer do seu nível animal. Isto é, ela deseja ser o animal. Em outras palavras, seu comportamento neste mundo não é para se elevar ao Criador, mas sim para agradar ao animal dentro de si mesma.

Uma pessoa que se dedica a agradar seu estado animal se condena. Isso significa preencher qualquer desejo animal, não apenas o sexual. Por exemplo, quando ela alimenta “seu rebanho” apenas por prazer carnal, ela afunda mais baixo do que o rebanho porque o está servindo. Ela deveria estar alimentando seu animal apenas para que este se eleve ao nível de ser humano, isto é, ela deve constantemente trabalhar no próprio eu.

Pergunta: Isso significa que um homem deve apenas se deitar com uma mulher, com um desejo, para dar origem ao próximo nível?

Resposta: De acordo com a Torá, é assim que funciona. Na Torá, a cópula é vista apenas como um meio para o avanço espiritual, quando a cada vez a pessoa tem a intenção de conceber o próximo nível espiritual. Em nosso mundo, isso é personificado pelo nascimento do novo bebê.

Pergunta: É por isso que isso deve ser feito em dias “limpos”?

Resposta: Sim, em nosso mundo, seguir estas regras é um reflexo direto das forças espirituais de acordo com a raiz e o ramo.

Pergunta: Para que esse ato aconteça apenas para o nascimento do próximo nível, sobre quem recai a maior responsabilidade: no homem (digamos, mesmo dentro de mim) ou na mulher? Ela deve estar limpa?

Resposta: Em ambos. Há coisas que só a mulher sabe e é capaz de fazer, enquanto o homem não. Nisso, o homem confia completamente na mulher. Não há como ele possa verificar. Tudo é baseado em sua honestidade e senso de responsabilidade.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno”, 23/11/16

Divisão Das Doze Tribos

laitman_747_02Torá, Deuteronômio, 27:11 – 27:13: E Moisés deu ordem naquele dia ao povo, dizendo: Quando houverdes passado o Jordão, estes estarão sobre o monte Gerizim, para abençoarem o povo: Simeão, e Levi, e Judá, e Issacar, e José, e Benjamim. E estes estarão sobre o monte Ebal para amaldiçoar: Rúben, Gade, e Aser, e Zebulom, Dã e Naftali.

A separação das tribos em duas partes (seis e seis) significa as linhas direita e esquerda.

Todas as tribos vão conquistar a terra de Israel, mesmo aquelas duas que devem ficar fora do Jordão. Por que elas se juntam a todas, mesmo que para corrigir futuramente, elas devem criar a intenção certa no território fora de Israel chamado “passado o Jordão”?

Porque esse território também pertence a Israel, mas está ligado a ele de fora, por assim dizer. Afinal, todos os países que estão perto de Israel, incluindo o Líbano, a Síria, a Jordânia e a Babilônia, estão relacionados às conquistas do rei Davi (correções) e, portanto, foram incluídos na terra de Israel.

É evidente que ninguém reivindica essas terras de um ponto de vista material. Nós estamos apenas falando de um estado que corresponde à geografia interior da alma humana.

Pergunta: De acordo com que propriedades, Moisés dividiu as tribos em seis e seis?

Resposta: Estas são: Hesed, Gevura, Tiferet, Netzah, Hod e Yesod. Da mesma forma que há seis dias de semana que são divididos em dia e noite, há tribos que se relacionam com o estado do dia e aquelas que se relacionam com o estado da noite. Algumas delas nós abençoamos e outras – amaldiçoamos.

No entanto, as tribos que amaldiçoamos não são egoístas. Pelo contrário, elas funcionam tão bem que podem fazer correções através de suas maldições, isto é, através da expressão de desejos egoístas ainda maiores.

É suficiente para nós entendermos que sempre falamos de um desejo egoísta dentro de nós, que precisa ser transformado em um desejo altruísta. De acordo com isso, ele começará a sentir movimentos, propriedades e ações completamente diferentes dentro desse desejo. A pessoa começará a se elevar acima do tempo e do espaço, e é assim que ela procederá.

Pergunta: Em cada estágio do progresso de uma pessoa, mais egoísmo é adicionado a ela, e ela deve cobri-lo com a linha direita. Isso significa que as seis tribos devem equilibrar o ego?

Resposta: Todas as tribos trabalham em uníssono criando a linha do meio entre elas.

Em nosso estado, a linha do meio já é o Criador. Ela é criada na correlação correta da linha direita com a esquerda e da linha esquerda com a direita. A força superior, chamada Criador, é a combinação de ambas as linhas, que ocorre de cima, e acima delas, na linha do meio.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 21/11/16

“Parentes” Na Espiritualidade

laitman_243_03Torá, Deuteronômio, 27:20: Maldito aquele que se deitar com a mulher de seu pai, porquanto descobriu a nudez de seu pai. E todo o povo dirá: Amém.

“Pai e mãe” é o nível do próximo grau espiritual. É por isso que, ao falar deles, o que está sendo referido aqui é a anulação completa do inferior, a anulação da alma inferior perante o superior e o envolvimento com o superior.

E aqui está escrito sobre o pai e sua mulher, que não é sua mãe. Aparentemente, ela é uma mulher estranha para você. Mas como ela pertence ao pai e existe em seu nível, você não tem o direito de se envolver com ela, pois é a Nukva errada para você, e não o aspecto feminino correto que você pode corrigir.

A “mulher de seu pai” é um desejo do nível superior. É por isso que uma pessoa que está trabalhando com um desejo que não consegue corrigir, condena a si mesma. Ela pula um passo e, ao fazê-lo, destrói dentro de si a capacidade de avançar.

O que se entende por “pai”, “mãe”, “tia”, “tio”, etc. é o próximo grau em que você se torna o pai em relação ao grau anterior. Mas você não tem o direito de trabalhar com um desejo de grau superior ao seu, ou seja, “descobrir a nudez de seu pai”. Mas quando você chegar a esse grau, este será para você.

Pergunta: Quando um filho nasce, sempre dizemos que é o próximo grau espiritual. E agora está claro que o pai é o próximo grau espiritual. Como isso é possível?

Resposta: O próximo grau espiritual não é superior ao pai, porque o pai sempre continua e o filho se eleva depois dele. Há aqui uma subordinação rigorosa. O relacionamento é sempre mantido: o filho se eleva ao grau do pai e, ao mesmo tempo, o pai se eleva ainda mais.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno”, 23/11/16

“E Todo O Povo Dirá: ‘Amém!'”

arava-convention_931-01.jpgTorá, Deuteronômio, 27:16: … E todo o povo dirá: ‘Amém!’

“Amém” é traduzido como “verdade”, “veracidade”, e expressa nosso acordo interno, a decisão interna, fazer alguma ação com toda a nossa força.

Portanto, o povo é obrigado a dizer “Amém!” antes da entrada na terra de Israel. Esse é um acordo sem cujas condições não se pode entrar, porque entrar significa elevar-se à correção de desejos e intenções egoístas completamente novos que agora estão sendo revelados.

Em cada etapa, o povo repete “Amém!” porque cada vez ele entra em uma nova correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 21/11/16

“Maldito Seja Aquele Que Desprezar A Seu Pai Ou A Sua Mãe”

laitman_289Torá, Deuteronômio, 27:16: Maldito seja aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. E todo o povo dirá: Amém.

Pai e mãe são as duas maiores fontes de desejo e o trabalho correto com ele. O desejo de receber para doar é a qualidade do pai. A aspiração de subir apenas acima de seu desejo egoísta é a qualidade da mãe.

Isso é Hochma Bina. Uma pessoa deve aceitar ambas as qualidades, conectá-las corretamente dentro de si e avançar dessa maneira.

Mas quem não realiza uma correção a cada momento existirá dentro do desejo não corrigido, e essa é a maldição.

Em outras palavras, não há nenhum castigo material e maldições. O fato de permanecermos em nossos desejos egoístas e existir neles é o castigo e a maldição.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 21/11/16

Uma Descrição Da Comunicação Espiritual

Laitman_137Torá, Deuteronômio, 25:11 – 25:12: Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar seu marido da mão do que o fere, e ela estender a sua mão, e lhe pegar pelas suas vergonhas, então cortará a mão dele; não a poupará o teu olho.

Na Torá, há coisas que não podem ser explicadas de maneira racional, mas apenas conectando as partes espirituais da alma, os Partzufim, entre si.

E se a pessoa não conhece isso, então todas as descrições corporais da comunicação espiritual parecem contos medievais.

Pergunta: O que significa “quando brigarem dois homens”?

Resposta: Significa que não há linha do meio, uma contradição. Mas isso não é fácil, pois estamos falando dos níveis de Aba ve Ima, Yeshsut. Tudo acontece dentro de uma pessoa.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/11/16

“Remova Seu Sapato De Seu Pé”

Torá, Deuteronômio 25:07 – 25:10: Mas se o homem não deseja tomar a mulher de seu irmão, a esposa do irmão deve ir até à porta, aos anciãos, e dizer: “meu cunhado recusou-se a perpetuar o nome de seu irmão em Israel, não deseja executar a obrigação do irmão do marido comigo. ”Então os anciãos da sua cidade devem chamá-lo e falar com ele, e ele deve levantar-se e dizer:‘Eu não desejo tomá-la’. Então a mulher de seu irmão deve abordá-lo diante dos olhos dos anciãos e remover o sapato do pé. E ela deve cuspir diante de seu rosto e responder [ele] e dizer: “Assim deve ser feito para o homem que não edificar a casa de seu irmão”! E essa família deve ser chamada em Israel, “A família daquele para quem o sapato foi removido”.

‘’O irmão de meu marido recusou-se a perpetuar o nome de seu irmão em Israel’’, significa que ele não tem a capacidade de restabelecer o nome de seu irmão no sistema da alma coletiva.Ele não é capaz de fazer isso porque ele sente que sua tela não é adequada para corrigir a mulher de seu irmão.

E é por isso que ele recusa-se; ele tem que realizar uma correção de um tipo diferente. Tem a ver com o fato de que esta mulher vai para os mais velhos, isto é, sobe para o próximo nível, conecta-se com os anciãos, e eles atestam por ela. Ela tira os sapatos – naal (da palavra“Nael”, que significa fechado ou bloqueado), que simboliza a conclusão deste nível.

Pergunta: Por que os judeus são obrigados a usar calçado?

Resposta: Todas as partes do corpo de uma pessoa sempre tem que estar cobertas; isto diz respeito ao fato de que uma pessoa existe dentro de um sistema de dez Sefirot. Isto é como nós somos criados à imagem e semelhança do sistema superior e é por isso que esta é a maneira pela qual devemos nos manter em nosso mundo.

Não há nada excessivo aqui, nem “prós” ou “contras”. Uma pessoa deve estar revestida de forma contínua, mesmo durante o sono. Não há nada aqui que pode ser interpretado de outra maneira. É por isso que os judeus, como regra,usaram sapatos, que praticamente não existiram em outras nações até os tempos modernos. Somente nos últimos 200-300 anos usar calçado tornou-se generalizado, mas naquela época, todo mundo andava descalço e não sentia nenhum desconforto.

A propósito, os pés de uma pessoa são tão peculiares que andando constantemente descalça, a pessoa desenvolve uma pele tão áspera, que nem sente quando está em pé sobre pedras afiadas. Ela pode andar em um campo e tropeçar em objetos pontiagudos e não senti-los, como se estivesse usando sapatos.

Mas os judeus, na antiga Israel e em todos os milênios, andaram com sapatos, que simboliza desprendimento de uma pessoa da terra ( do desejo de receber).

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De KabTV “Segredos do Livro Eterno”, 2/11/16

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“Não Tomarás Em Penhor A Roupa Da Viúva”

O Princípio Do Dízimo

laitman_560Torá, Deuteronômio, 26:12 – 26:13: Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem. E dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei da minha casa as coisas consagradas e as dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão e à viúva, conforme a todos os Teus mandamentos que me tens ordenado; não transgredi os Teus mandamentos, nem deles me esqueci.

Você deve dar tudo o que puder aos outros, e o que você não pode dar, deixa você com raiva, porque seu egoísmo não permite que você arranque mais de si mesmo. Portanto, a instrução é dar o dízimo; nada mais é exigido de você. Mas é uma condição difícil.

O dízimo é a décima parte do ganho líquido que você deve escolher e, em vez de usá-lo, você o dá para o uso dos outros por meio do Templo. Por meio do Templo significa uma doação total que não tem relação com você. Isso significa dar ao Criador. Você dá de forma altruísta, sem obter nenhum benefício para si, porque isso é para o Criador.

Pergunta: Isso significa que eu nem sei para onde está indo?

Resposta: Isso não é seu! Você dá e pronto. Digamos que você tem 100 ovelhas, 10 delas você dá, mas não é fácil, como se você cortasse algo de si mesmo. É muito difícil para uma pessoa.

No entanto, o fato é que essa dificuldade sequer é quantitativa, mas qualitativa, porque você deve dar constantemente, apesar do seu egoísmo. Muitas pessoas em nosso mundo fazem várias doações. Uma pessoa entende claramente que é tudo para si! Caso contrário, ela não poderia dar porque todos nós somos egoístas.

No entanto, aqui surge o estado em que você entende que joga fora seu dízimo no vácuo, em um vazio interplanetário. Portanto, ele rompe com uma dificuldade incrível.

Comentário: Às vezes, você diz que, se uma pessoa não entregar esses dez por cento, eles não a farão bem de qualquer maneira.

Resposta: Tudo no nosso mundo acontece desta maneira: se você não dá voluntariamente alguma coisa que precisa dar, isso é tirado de você de forma forçada. Afinal, o mundo deve existir, e existe de acordo com as leis em que se observa o princípio de dar o dízimo. Embora não vejamos e não o conheçamos, ele é tirado de nós. Com isso sofremos, não queremos, não estamos prontos para dar, mas vemos que perdemos.

E tudo isso apesar do oposto, para receber ao dar.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 11/09/16

“Apagarás A Lembrança De Amaleque”

Laitman_155Torá, Deuteronômio, 25:19: Será, pois, que, quando o Senhor teu Deus te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, para possuí-la, então apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esqueças!

Não se esqueça de que você deve apagar constantemente a memória de Amaleque.

Sob nenhuma circunstância, enfraqueça seu foco, fique sempre em guarda e lembre-se de que Amaleque – a intenção por minha própria causa – pode abordá-lo a qualquer momento, entrar em você em desejos e intenções específicas e roubá-los para si mesmo. Desta forma, ele novamente receberá sustento de você, e você será enfraquecido em seu caminho.

Pergunta: Quando o Criador finalmente dá repouso?

Resposta: Não há repouso.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 22/11/16

Dois Mil Anos Antes Da Criação Do Mundo


Quanto mais longe nos afastávamos da Torá ao longo da nossa história, mais perto ela estava de nós.

Como a Torá se Tornou um Livro?

“E quando Ele desejou e pensou em criar o mundo e isso foi revelado em um desejo diante Dele, Ele olhou para a Torá e criou o mundo”. (O Livro do Zohar, “Toledot“)

Pense apenas nisso: o mundo sequer existia, mas a Torá já. Ele não olhou para um livro quando criou o mundo. Não foi um livro que foi dado ao povo de Israel no Monte Sinai.

A Torá é um programa de desenvolvimento abrangente, um guia completo para a criação. Esta é a matriz da qual todos nós somos parte. É impossível superá-la ou fugir dela. Mas uma vez, em um determinado momento de crescer que foi predeterminado por ele, nós saberemos sobre ele. Não vamos simplesmente receber informação, mas estaremos conscientes de onde estamos e do que está acontecendo conosco.

É o mesmo com uma pequena criança que após os primeiros anos “inconscientes” começa a entender que está vivendo em um vasto mundo e este mundo requer sua participação. Na evolução do homem, chega um momento em que a matriz o desperta do seu esquecimento infantil. Ele diz adeus ao seu berço e ao berçário, abre a porta, e deixa a sua casa.

Nesse momento, tudo muda: o mundo adquire volume, som, cores e significado. Acontece que a vida é um caminho que tem um objetivo eterno, e podemos avançar conscientemente, através da nossa escolha livre, juntos. Então, não é apenas a matriz que nos impacta, mas nós também impactamos a matriz.

Assim, nós nos tornamos familiarizados com o plano geral e com a força que nos opera. Alguns milhares de anos atrás, a humanidade alcançou esse nível. As pessoas que se chamavam Cabalistas descobriram o único sistema da realidade e começaram a estudar suas leis, a se conectar a ela, e a descrevê-la.

Assim, eles alcançaram a Torá, escreveram livros que refletiam seus atributos e leis e, mais importante, a direção que ela nos mostra. Eles viram a imagem geral e entenderam o processo geral, assim como entendemos as fases gerais do desenvolvimento de um bebê.

“Antes do mundo ser criado, a Torá tinha precedido o mundo em 2000 anos.” (O Livro de Zohar, “Truma”).

No auge da realização do plano, uma nação inteira viveu estando consciente de suas leis em uma realidade que era muito mais ampla do que a nossa. Mas um dia tudo desapareceu. Ela caiu de sua altura, e com isso as esperanças para o mundo inteiro desmoronaram. Então a Torá se tornou meramente um livro, que nos diz como devemos viver na Terra, um livro sagrado especial. Mas nós já esquecemos a estrutura da criação, o método de ascender acima de nós mesmos, a ferramenta para alcançar a unidade no mundo.

A porta foi fechada e voltamos para o berçário onde temos vivido até hoje.

A Interrupção das Altas Frequências

Há 54 Parashot (seções) na Torá, 613 mandamentos, 79.976 palavras, 304.805 letras. Ela é lida nas sinagogas durante o ano de acordo com a Parasha semanal. Ela inclui a história da nação Judaica, de seus líderes, desde os antepassados até Moisés, a torre de Babel, a terra que o Criador tinha mostrado a Abraão, a perambulação no deserto, a escravidão no Egito, o Monte Sinai que estremeceu em chamas e fumaça…

Se lermos a Torá desta forma, se entendermos desta forma, a parte principal está faltando e é uma embalagem sem um preenchimento. Lida desta forma, ela está separada das raízes, projetada em impressão em nossa consciência comum, e é fixada sob o título “Escrituras Sagradas”.

É assim que ela é transmitida através da percepção egoísta do mundo e deixa de ser o plano do nosso desenvolvimento. Não está se movendo, não é atraente, não nos desenvolve; ela não revela novos mundos, e não nos dá o poder de revelá-los, mas sim nos acalma e nos coloca para dormir. Para alguns, pode ser uma tradição; para outros, é uma coleção de leis absolutas da nossa existência corpórea. No passado ela uniu a nação, mas agora a divide, nos separa, e coloca as pessoas em dois lados opostos.

Não, isso não é a Torá, não é a força que muda uma pessoa, que nos tira do nosso ego primitivo que se limita à nossa vida corpórea. No passado ela nos chamou para cima, e agora se tornou um meio de pressão sobre as pessoas, atraindo, exigindo e limitando-as. As pessoas a estudam de cor, verificam-na pelas diferentes descobertas históricas, e minam sua base ideológica. As religiões crescem em torno dela, misticismo e cínicos se reúnem em torno dela, os filósofos a citam, e os cientistas a estudam tentando decifrar o seu código.

Ela se transformou no best seller de todos os tempos e de todas as nações há muito tempo. Aqueles a quem a Torá chama de “proprietários” agitam-na porque não querem pisar sobre o limiar e deixar seu “lar” para algo maior.

“Pessoas pequenas e limitadas vêm indiferentemente nos preenchendo de drogas diferentes e, principalmente, mantêm a droga da vida fora de nossa visão… para sufocar a voz do Criador nos chamando das profundezas da alma e preenchendo todos os mundos: exija-Me e viva.” (Rav Kook).

Quando o grande feriado da doação da Torá chega, nós mais uma vez a rejeitamos, o que nos deixa com o livro novamente. Mesmo que seja especial, mesmo que seja santo, é um livro e não o grande tecido da criação em que estamos tecidos, quer gostemos ou não, um livro, não um mundo enorme, e não um sistema majestoso que nos rodeia, porque para nós foi criado.

Nós a rejeitamos. Por quê? Porque ela vive em doação e nos ensina a mesma coisa.

Veneno na Ponta da Lâmina

“O princípio mais importante de alcançar a Torá é a unidade, como um homem em um coração”. (“Maor Va’Shemesh“)

No Monte Sinai, nos foi dada uma abordagem comum para o sistema geral e fomos autorizados a entrar conscientemente em contato com ela, estudá-lo, explorá-lo, e sermos incorporados nele em nossa mente e sentimentos. O código de acesso é o amor ao próximo, a interface do software é o relacionamento com outros que é baseado em doação. A Torá se destina a revelar o conglomerado de forças que operam sobre nós, nos impactam, e nos permitem estar mútua e efetivamente conectados com elas. Assim, nós usamos a Torá — deixamos o berçário, crescemos e amadurecemos.

A transformação não ocorre em nossas fantasias, não no próximo mundo, mas aqui e agora, ascendendo-se acima do ego, e essa é a razão de ser tão fácil para uma pessoa verificar a si mesma e se ela recebe a Torá como um analgésico ou como uma desculpa. O critério é simples: nós usamos a Torá assim como tratamos uns aos outros, como um medicamento ou um veneno.

A julgar pela situação atual, nós estamos em um impasse, divididos, esmagados, discutindo e aceitando tudo o que é inevitável. Não é a força positiva da Torá que nos acompanha no caminho para o nosso objetivo, mas a negatividade de nossa própria essência, a qual estamos acostumados, mas que é tão destrutiva.

Quando o grande feriado da entrega da Torá chegar, mais uma vez o rejeitamos, o que nos deixa novamente com o livro. Mesmo que seja especial, mesmo que seja santo, é um livro e não o grande tecido da criação em que somos tecidos, quer gostemos ou não, um livro, não um mundo enorme, e não um sistema majestoso que nos rodeia porque foi criado para nós.

Enquanto isso, o mundo está amadurecendo e atinge situações em que não será capaz de gerenciar sem um professor sábio. É apenas em teoria que uma pessoa é capaz de avaliar com sobriedade a situação e chegar à conclusão certa. Na prática, nossos desejos são muito mais fortes do que nós, e mesmo à beira de um abismo, continuaremos com nossos atos infantis. Essa é a nossa natureza.

Os sábios usam a metáfora clara e amarga de ver o anjo da morte com uma gota de veneno na ponta da lâmina de sua espada e o “obediente” homem abre a boca e a engole. É porque não podemos fazer as coisas de outra forma. Mesmo nossa nação sábia caiu nesta armadilha do ego, e parece que mais uma vez está pronta para se dirigir ao “massacre” a julgar pelos conflitos em Israel e entre os judeus no exterior. Para eles, Israel está se tornando uma responsabilidade inútil da qual eles terão o prazer de se desligar de uma vez por todas.

Este resultado é inevitável a menos que aceitemos a Torá, a menos que nos tornemos responsáveis uns pelos outros, apesar da montanha de dúvidas e ódio que paira sobre nós. É aqui que está a nossa livre escolha, já que a Torá, ao contrário do anjo da morte, só trabalha se a quisermos, se a necessitarmos, não apenas em palavras, mas em ações, se a considerarmos como um medicamento para a nossa divisão, como a sabedoria de doação e da correta cooperação mútua com o sistema geral.

Apresse-se para Amar

Nós somos todos diferentes e vemos o mundo de forma diferente. Isso é bem normal. A Torá não exige que ninguém desista de seus princípios e crenças. Não há necessidade de compromissos socialistas artificiais. Ela nos eleva ao nível em que somente os corações e a conexão entre eles permanecem. Então tudo se funde junto.

“Apresse-se para amar, pois a hora chegou”. (Rabbi Elazar Azikri)

Ninguém está certo ou é culpado. Todos nós nos encontramos diante de nosso monte de ódio, em algum momento, enfrentando a necessidade de tomar uma decisão comum. Sua essência é o nascimento do homem, o nascimento de uma nova sociedade, de uma nova atitude para como a vida e o outro. Quando ansiarmos por isso, o sistema irá nos ajudar, nos guiar e responder às nossas perguntas. Mas se não fizermos, ela nos fará enfrentar os fatos que nos são apresentados na ponta da lâmina de uma espada.

Portanto, se a questão é receber ou não a Torá, nós vamos recebê-la. A próxima questão é se apressamos ou não o amor.