Textos na Categoria 'Oração'

Deixe Os Ossos Para Os Cães

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Truma (Doação)”, Item 487: Há uma alegoria sobre um rei que fez uma refeição para sua família. Enquanto eles faziam a sua vontade, eles comiam junto com o rei e davam a parte dos ossos para os cães mastigar. Quando sua família não fazia sua vontade, o rei dava toda a refeição para os cães e os ossos para sua família.

Pergunta: O que é esse alimento que todo mundo come à mesa do rei?

Resposta: “Alimento” significa que você recebe o prazer de doar. E você tem que receber esses prazeres também em prol da doação.

Isso fala da atitude, da sensação, das ações nos desejos. Os “cães” dentro de mim estão sentados debaixo da “mesa” dentro de mim, onde eu sinto os “gostos (sabores) do rei”.

Quais são os “gostos do rei”? O que é a “mesa do rei”? São todos os prazeres que se revelaram a partir da doação, que o rei deseja doar. Ele gosta de doar. Ele deseja que você também goste de doar aos outros.

Então, se você doa e desfruta, toda a questão é: O que está lhe dando prazer? Você está desfrutando do fato de que é parecido com o rei? Você está gostando disso porque Ele recebe o prazer da sua equivalência com Ele? Ou você está desfrutando porque você recebeu algum prazer? Se sim, então você imediatamente se transforma de uma pessoa que se senta à mesa em frente ao rei, em um cão que mastiga os ossos debaixo da mesa.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/11, O Zohar

Nosso Equívoco

Dr. Michael LaitmanAo restringir-me para cuidar do próximo, eu não estarei secretamente me preocupando nem um pouco com o meu próprio bem-estar. Eu simplesmente não pensarei em mim. Esta é a correção que a Luz realiza em mim. Este é o significado de elevar-se acima do desejo, realizar a primeira restrição, e adquir a qualidade de doação. Tudo isso é o resultado da influência da Luz.

Meu cuidado para com o próximo não está de modo algum conectado a qualquer detalhe material. Eu continuo comendo, bebendo e fornecendo todas as minhas necessidades. É tudo em relação ao meu desejo, minha atitude interior para com a ação.

Por exemplo, digamos que eu realmente queira ajudar uma pessoa doente. Eu quero alimentá-la e dar-lhe de beber, mas os médicos não permitem nada a ela além de um pequeno pedaço de pão e uma xícara de chá. Mesmo que eu queira lhe dar um prato rico e requintado, e tenha a oportunidade de fazer isso, eu estou limitado.

Acontece que tudo está relacionado à intenção. Nós não construímos as relações e a garantia mútua entre nós numa base artificial. É por isso que nos parece impossível alcançar a doação e a união, que é impossível deixar de me preocupar comigo mesmo e pensar apenas no próximo, sem me preocupar inclusive com as necessidades vitais. Elas são fornecidas a mim pelos outros, de modo que eu possa simplesmente prover a mim mesmo. Através de sua garantia,  eles cuidam de minhas necessidades materiais, bem como cuidam de todo o meu êxito espiritual.

Tudo isso tem que ser construído corretamente. Quem são os amigos? Eles estão recebendo desejos que são corrigidos pela Luz que corrige. Nada aqui é feito por nossos próprios esforços. Os esforços devem ser feitos para atrair a Luz, que virá e nos corrigirá. É engraçado pensar que nós agiremos em prol da doação por nossa própria vontade. Será que uma pessoa pode realmente saltar acima de sua própria cabeça?

O nosso problema é que não visamos a Luz em todas as nossas ações. Nós pensamos que a ação em si trará o resultado: que vamos nos abraçar e começar a amar o próximo. Mas isso não vai acontecer. Nós devemos nos abraçar com a intenção que, em virtude disso, a Luz virá e nos unirá no abraço interno. Tudo é realizado por meio da Luz que corrige. Nós nos esqueçamos do componente mais importante, da única força que age na realidade.

Parece-nos que é muito difícil e irrealista conectar a garantia mútua, a união, a adesão, o próximo, a doação, e a necessidade vital em uma só coisa, de modo que eles se tornem um único vaso para revelar a doação absoluta, ou seja, a revelação do Criador à criação. E a única razão para isso é que nós não evocamos a Força que construirá este estado para nós. De forma errada, nós esperamos criá-la por nós mesmos.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/11, Matan Torah

É Impossível Amar Duas Pessoas

Pergunta: É possível misturar as solicitações para o Criador, ou seja, pedir uma coisa e outra?

Resposta: “Uma coisa e outra” significa que não há desejo. O desejo tem que ser perfeito.

A Luz superior pode preencher milhares de desejos. Mas como pode colocar recheios diversos, em um desejo? Nesse caso, não é chamado um desejo.

Você é um desejo. Será que este desejo quer algo? Sim. E recebe tudo o que quer. Ele não pode querer dois recheios porque é um desejo, um vaso. Se você quiser várias coisas, isso significa que seu desejo não assumiu a forma correta ainda.

É impossível amar duas pessoas. Afinal, você quer se unir com a pessoa que você ama. Não importa o que este desejo é exatamente – por comida, sexo, família, riqueza, honra, conhecimento ou espiritualidade. Independentemente disso, ele tem que ser todo, “eu quero!”

Da lição de 8/7/11, “Introdução ao Livro do Zohar”

Material relacionado:
Trabalhando sobre o desejo Juntos
O Meu Objetivo É Desejar

Um Presente Para Um Coração Quebrado

Nós somos incapazes de entender o que significa a intenção “em prol da doação“(Lishma), uma vez que estamos sempre no desejo de desfrutar, o contrário da doação. E o que parece ser doação para nós neste mundo é apenas outra forma de egoísmo fingindo dar, de modo que quando damos a alguém, indiretamente recebemos ainda mais dele.

E é por isso que não entendemos o significado de “Lishma“, doação completa sem qualquer lucro para si mesmo. O Baal Ha Sulam escreveu no Shamati No. 5 (“Lishma é um Despertar do Alto, e Porque Precisamos de um Despertar de Baixo”) que não é para a mente humana compreender como tal coisa pode acontecer no mundo.

Além disso, quando uma pessoa está realmente trabalhando para alcançar a doação, ela começa a entender como esse objetivo é irrealista. Como é possível parar de pensar sobre si mesma, receber um pensamento, ação ou desejo que seja  direcionado para o “externo”, sem se preocupar com um benefício próprio? Isto porque uma pessoa só é capaz de entender se ela vai conseguir algo por engajar-se na Torá e Mitzvot. Deve haver auto-gratificação lá, caso contrário, ela é incapaz de fazer qualquer coisa.

Em vez disso, esta é uma iluminação que vem do Alto, e apenas a pessoa que experimenta isso (recebe do Alto) pode conhecer e entender o que ela recebeu. Portanto, não há nada de ir por diante disso, nem um simples entendimento ou até mesmo uma ligeira percepção do que é a doação, “Lishma”.

Está escrito sobre isso, “Prove e veja que o Senhor é bom“. Isto significa que primeiro a pessoa precisa “provar”, receber uma sensação, e então ela consegue entender.

Portanto. porque devemos investir o nosso esforço e trabalho para implementar as recomendações dos Cabalistas se nada vai ajudar até que o Criador nos dê a outra natureza? Não é mais fácil esperar até que você a receba?

A resposta é, como nossos sábios disseram: “Não é para você completar o trabalho, e você não está livre para abandoná-lo”. Isto significa que a pessoa deve dar o despertar de baixo, uma vez que isso é percebido como uma oração. A oração é considerada uma deficiência, e sem deficiência não há realização. Precisamos obter um desejo adequado para preencher com a qualidade de doação.

Mas como posso pedir algo que eu nunca experimentei ou senti necessidade, algo que eu não tenho, e do qual eu não sei absolutamente nada sobre? Segue-se que o trabalho da pessoa é necessário para receber Lishma do Criador apenas na forma de uma carência e um Kli (vaso). No entanto, ela não pode nunca atingir a realização sozinha; ela é um presente de Deus.

No entanto, a oração deve ser plena, ou seja, do fundo do coração. Isto significa que a pessoa tem certeza que não há ninguém no mundo que possa ajudá-la, exceto o próprio Criador. O que significa que a pessoa precisa investir todos os seus esforços para não receber nada, para chegar ao coração quebrado (partido). Só então ela finalmente ouve o desespero dentro de todos os esforços que ela investiu e percebe que somente o Criador pode ajudá-la. Então, o Criador ouve a sua oração.

Veja o quanto de esforço e frustração é necessário para ir de um estado ao outro, para alcançar uma compreensão mais profunda de que eu não posso, não consigo, e não quero! Assim, eu desço passo a passo, penetrando cada vez mais profundo no coração, até que eu alcanço a verdadeira oração.

Da 1a. parte da Lição Diária de Cabalá de 05/07/2011, Shamati #5

Material relacionado:
Sentindo O “Sopro” Da Luz
Para Ver E Ouvir O Sistema Superior

Um Ataque Dentro Do Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ultimamente se sente que o Kli mundial está trabalhando num único desejo. Uma vez, Rabash o aconselhou a fazer um ataque a partir desse estado. O que exatamente estamos atacando?

Resposta: Nós mesmos, nosso coração, nossa preguiça, nosso orgulho, nossos hábitos do passado. Eu tenho que me elevar acima de todos esses cálculos.

A coisa mais importante é dissolver-se entre os amigos, com a intenção de incluir-se no grupo. Eu quero estar lá o tempo todo. Eu quero perder minha mente e sentimento pessoal e adquirir a mente e o sentimento de todos os amigos. É como se eu me perdesse neles pelo meu próprio desejo.

Isto significa adquirir o vaso da garantia mútua.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/07/11, Matan Torah

Quando O Sol Não Abandona O Zênite

Dr. Michael LaitmanPergunta: Pesquisas mostram que 80 por cento da humanidade acredita no poder superior que controla tudo. Por que nós não podemos explicar às pessoas que tipo de poder ele é e o que ele quer? É muito mais interessante do que as chamadas para o amor.

Resposta: Nós não temos nada a explicar. A força superior é a Natureza, a lei, uma força tão  inflexível quanto a força da gravidade. Ela é o Absoluto que é Bom, faz o Bem, e não muda.

Se esta força é invariável, é como se inexistisse. A ausência de mudança parece anulá-la.  É como viver sob o sol, sempre preso no zênite. Não há nenhuma forma de  levá-lo em conta se ele está, e sempre estará lá. Ele simplesmente é, e isso é tudo.

Em nossa vida, fazemos cálculos com base no que deve mudar, nos avanços dos quais dependemos. É uma outra questão se falamos de algo permanente e indestrutível, do qual dependemos constantemente, a tal ponto que isso não pode ser chamado de dependência.

Isto é o que o “Criador” é. É por isso que é tão difícil explicar isso às pessoas. Na realidade, nós oramos não para Ele, mas para nós mesmos. Nós buscamos como mudar, e Ele é sempre imutável. Claro, eu irei mudar se eu desejo isso, e para fazer isso, eu não preciso levá-Lo em conta. Ele é Bom e faz o Bem, e ao lado Dele eu sou como uma criança mimada cujos pais lhe dão amor absoluto, enquanto ela faz o que lhe agrada e fica fora de controle, sabendo que nada de ruim vai lhe acontecer.

Assim, nosso problema é como explicar às pessoas que o Criador é como um muro sólido e simplesmente existe. Você pode saltar na frente dele, abanar os braços, este é o seu trabalho e o muro ainda está edificado sobre você.

A pessoa mal pode imaginar isto: “Então, com quem eu estou lidando? Isso significa que não há ninguém para perguntar”. Como nós podemos explicar para aqueles que acreditam no poder superior, de que não faz sentido orar ao “Criador” mutável que faria melhor hoje do que ontem. Isto significa dizer que ontem ele me fez mal?

Na realidade, nós lidamos com Aquele que é Bom e faz o Bem para o malvado e o justo. Mas para a pessoa, isto significa que, independentemente de ela ser boa ou ruim, o resultado será o mesmo.

Uma pessoa comum está constantemente sujeita a mudanças. O tempo todo, ela se compara com o mundo, tentando calcular os resultados de mudanças internas e externas. Ela não entende o que significa a Força universal, geral, grande e imutável. Isto ilude nossos órgãos dos sentidos, porque eles estão “sintonizados” para mudanças ao invés da condição estática. Eu só não vejo o que não muda, não desaparece da minha vista.

É por isso que nós não podemos explicar às pessoas o que o “Criador” é. Às vezes, eu digo que o “Criador” é a Natureza, que Ele é imutável, e não há ninguém para quem orar; que a oração é um autojulgamento. Em resposta, eles estão prontos para me fazer em pedaços. Este é o problema: nós julgamos a nós mesmos, enquanto outros pedem ao Criador por mudança: “Eu joguei uma moedinha no Seu cofrinho, agora me salve das angústias”.

Ao falar do Criador como a lei inflexível da natureza, nós negamos à pessoa a possibilidade de recorrer a Ele. A pessoa não vê que ela tem que mudar. A nova “dose” forte de desenvolvimento é necessária para que a pessoa comece a se comportar de forma diferente.

O que quer que nós falemos, incluindo a crise, nós essencialmente explicamos às pessoas o caminho do sofrimento: “Como alternativa, haverá problemas, e não vale a pena. Vamos mudar”. Isso não é uma mentira, mas também não é a verdade.

Nós devemos dizer algo mais à pessoa que vem para a sabedoria da Cabalá, desejando alcançar a meta da criação: “Você tem que estar acima disso. Não importa se isso é bom ou ruim, você tem que se elevar pela fé acima da razão. Você não deve condicionar suas ações ao sofrimento ou prazer. Isto não é doação. A fé acima da razão significa que você se eleva acima da recompensa. Ou você trabalha para escapar do mal e alcançar o bem no futuro? Você está esperando a compensação? Você quer atingir o propósito da criação para si, em vez de dar prazer ao Criador?”.

Por outro lado, a quem nós supostamente agradamos, se o Criador é a lei? Este é um momento delicado em nossas explicações

Da Lição Diária de Cabalá 17/106/11, “O Corno do Messias”

O Meu Objetivo É Desejar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é possível se lembrar do Criador durante todo o dia? Como é possível evocá-lo a cada momento?

Resposta: Nós estamos em Malchut do mundo do Infinito, que está totalmente preenchida com Luz. No entanto, em vez deste estado eterno e perfeito, nós vemos e sentimos as nossas próprias qualidades, que retratam o mundo material para nós. Portanto, se quisermos aspirar à meta, sentir o mundo do Infinito, precisamos da garantia mútua do nosso ambiente. Os amigos devem nos dar as forças, o desejo, a persistência, a diligência e a realização da importância da meta.

Afinal, eu tenho apenas uma meta – obter o desejo correto e nada mais. Deixe-me sentir constantemente que não estou preocupado o suficiente em relação a fazer o bem para o Criador, da maneira que Ele faz por mim.

Você pode argumentar: “Mas eu não sei o que Ele me dá. A julgar pela minha vida, às vezes eu poderia dizer que seria melhor se Ele não me desse nada”. Isso é verdade. Obviamente, cada pessoa rejeita as coisas de acordo com seus próprios defeitos. Portanto, a minha atitude para com o Criador pode ser definida da seguinte forma: eu quero alcançar um estado onde desejo doar a Ele.

E o resultado real virá graças à influência da Luz, graças aos esforços que fazemos repetidamente. A Luz derrama sobre nós uma e outra vez, e, de repente, essas iluminações criam o desejo na pessoa.

Nós não sabemos o que é Lishma, o despertar do Alto. Mas quando ele chega, a pessoa é capaz de dizer: “Agora eu sei, agora eu entendo”. A pessoa deve se esforçar como uma criança e, desses esforços, surgirá a sensação. Mas não antes disso.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 07/05/11, Shamati

A Revolução Da Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: É possível  explicar o método da Cabalá usando os termos da ciência moderna?

Resposta: Você consegue explicar a “transformada matemática de Fourier” para uma vaca? São níveis diferentes. A pessoa que não tem o “sexto sentido”, o ponto no coração, não consegue entender o que você está falando. Ela não tem necessidade disso e, portanto, é inútil falar com ela. Portanto, em nossa ampla disseminação, nós temos que estar de acordo com os desejos das massas ao invés daqueles que estudam Cabalá.

Ao longo de todas as gerações, o mundo não entendeu os Cabalistas. E o mundo está certo: do seu nível, as pessoas ainda não são capazes disso. É dito nos Salmos: “Você salva seres humanos e animais…” – mas quando? Hoje você não pode explicar às pessoas sobre Lishma (intenção altruísta). É até difícil falar com elas sobre o tema da percepção da realidade. Isso é intrigante e provocativo, mas elas não entendem nem captam a essência, porque elas simplesmente não conseguem.

Para que a pessoa seja realmente capaz de ouvir palavras sobre a correção de seus desejos, ela precisa de mais um nível de desejo. Mas até lá nós só podemos acelerar o seu desenvolvimento através de meios externos. De uma forma ou de outra, enquanto ela não sentir o aguilhão em seu coração, ela não entenderá suas explicações

É assim que o mundo é construído. As pessoas estão em diferentes níveis de desenvolvimento, e até o final da correção os níveis inanimado, vegetal, animal e humano permanecerão. No entanto, está escrito: “Todos Me conhecerão, do menor ao maior”, ou seja, cada pessoa de acordo com seu nível.

Chegará o dia em que nós veremos como as pessoas começarão a entender nossas palavras: algumas através de termos científicos, outras na linguagem do sentimento, outras em virtude de ações simples – que são suficientes para uma pessoa se juntar à união. Algumas precisam alcançar e sentir a adesão, participar ativamente dela, enquanto para outras isso é desnecessário. Tudo é determinado pelo desejo.

Não devemos supor que todos receberão o mesmo nível de desejo de doação e de revelação do Criador. No entanto, cada pessoa receberá a medida completa de acordo com seus próprios vasos, e será preenchida graças à interinclusão comum.

É por isso que até hoje os Cabalistas ocultaram seu conhecimento. Mas agora este conhecimento pode ser revelado, embora cada pessoa ouvirá apenas uma parte insignificante dele. No entanto, como um todo, a Luz já está começando a agir em uma grande parcela do desejo comum. Esta é a revolução que está acontecendo no mundo hoje. A crise moderna é essencialmente a interinclusão dos desejos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/07/11, Shamati

O Gosto Divino Da Doação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Não está claro por que a criação faz uma restrição e afasta o prazer? Por que ela não pode estar perto do Criador e receber Dele?

Resposta: Eu não afasto o prazer, mas sim a sensação desagradável. Naquele momento eu não sinto mais prazer. Se você me der algum tipo de prato requintado, mas isso me faz sentir vergonha, eu paro de sentir prazer daquele prato. Esta satisfação infinita não me faz sentir bem por mais tempo!

Depois eu terei que despertar o meu gosto por este prazer mais uma vez. Quando eu adquiro a qualidade de Bina e começo a agir em prol da doação, e começo a receber em prol da doação, eu devo despertar novamente o gosto pelos prazeres dentro de mim.

No entanto, estes não são mais os mesmos gostos que eu sentia antes, mas um tipo completamente diferente de prazer que eu ofereço ao Criador. Primeiro de tudo, eu pego o desejo Dele e o satisfaço. Eu verifico com que tipo de amor Ele me deu este pedaço de prazer e quero preencher o lugar vazio Nele. Ele está vazio porque eu não aceito esta satisfação Dele.

Eu penso no Seu prazer, sobre que tipo de prazer Ele receberá quando Ele me satisfazer. E como eu sinto que tipo de prazer eu dou a Ele, agora entendo que tipo de satsifação eu tenho que receber Dele e de que forma eu deveria dar prazer a Ele.

Quando eu começo a experimentar o prazer da doação, eu não sinto mais o antigo sabor dos prazeres dentro de mim, porque eu os encaro com uma nova intenção. Assim como a vergonha arruina todos os prazeres da recepção para mim, a intenção de doar revoga o gosto simples em mim. É por isso que este processo se chama aquisição de novos vasos ou desejos.

Tanto a doação quanto os desejos de receber em mim são completamente novos, o que é chamado de “613” vezes mais do que o que eu tinha antes. Esta multiplicação vem justamente da vergonha que nos permite aumentar nossos desejos e prazeres em 613 vezes.

Esta é a vergonha da diferença entre eu e o Criador, a diferença entre nossas situações. Isso não é apenas algum tipo de sensação, mas uma medida precisa do quanto Ele doa totalmente e está acima de mim, pois eu sou um receptor. É exatamente igual à altura dessa vergonha.

E a diferença não surge devido a qualquer recepção material, mas é uma diferença em nossas intenções. Portanto, se nós trabalharmos com esta vergonha, a fim de transformá-la em respeito e honra, vamos atingir este aumento de “613 vezes”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/06/11, Prefácio à Sabedoria da Cabalá

Servir o Mundo

Pergunta: Como a nação de Israel que vive no nível material deste mundo participa da correção geral?

Resposta: Junto com a correção do Israel espiritual, temos que corrigir a sua “hipóstase” material. É o resultado da reencarnação das almas de Israel, enquanto o Israel espiritual é todos aqueles que têm um ponto no coração, uma aspiração espiritual pela qual elas se juntam no processo.

A diferença entre elas está no que estão designadas para: uma pessoa com um ponto no coração é designada para a espiritualidade, enquanto uma pessoa que não tem este ponto não é. Ainda assim, se uma pessoa sem um ponto no coração pertence à nação de Israel, então ela é obrigado a trabalhar na correção.

É verdade que existe um princípio afirmando que não há coerção no caminho espiritual. Mas, no entanto, esta obrigação cabe à Israel. A Torá diz: “Você será um reino de sacerdotes e uma nação santa para mim.” E a hora chegou. [Leia mais →]