Textos na Categoria 'Oração'

Uma Rede De Segurança Para O Acrobata

Dr. Michael LaitmanOs quatrocentos anos de exílio foram dados a nós para que pudéssemos gritar e chegar a uma oração verdadeira. Quando você finalmente gritar “Socorro!”, você sai do exílio.

Assim, o conflito entre a “casca” e a “santidade” diz respeito a pergunta: Quem vai governar? A parte humana na pessoa ou o Criador que existe na pessoa?

Este é o ponto médio e neutro, chamado de “terço médio de Tifferet”, a Klipat Noga (Casca de Noga). O Criador governa a parte superior, como está escrito: “Não há outro além Dele”, e abaixo, o Faraó, ou eu mesmo.

Aqui, no ponto livre e neutro, nós devemos esclarecer muitas coisas, porque cada vez, o Faraó fica mais forte e nega controle do Criador. Isso ocorre depois de você ter decidido que o Criador deve governar e que você está totalmente sob o domínio do Alto que faz tudo. Por um momento eu imaginei todo esse quadro em minha mente.

Isto não é fácil, pois estou constantemente confuso sobre quem é o Criador, quem governa, e onde é o meu lugar e o lugar dos outros. Aqui, é muito difícil manter as coisas equilibradas, como se ficássemos numa perna só numa vara alta no circo, tentando constantemente manter o equilíbrio, tentando não cair.

Aqui, eu preciso da ajuda do Criador, que Ele me dará a força de doação, a qual vai me tornar independente do meu desejo de receber. Caso contrário, vou constantemente necessitar estabilizar o quadro da realidade em mim que é totalmente impossível, e terá que se equilibrar numa perna numa trave como um artista de circo. Somente o poder de doação pode me fornecer tal rede de segurança e equilíbrio.

Assim, o nosso ponto de liberdade, “Klipat Noga“, é revelado no nível mais inferior, “o terço médio de Tifferet“, que nos obriga a responder à pergunta sobre quem vai governar e “Quem é o Senhor a quem eu deveria ouvir Sua voz?”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/04/12, Escritos do Rabash

Por Que É Tão Difícil Pedir?

Dr. Michael LaitmanO trabalho espiritual é diferente do trabalho que fazemos neste mundo. Este mundo é o mundo das ações. Eu realizo determinada ação, a fim de obter determinado resultado. Há um pensamento, há uma meta, um plano, e, portanto, eu começo a trabalhar para concretizar a ação, a fim de alcançar a meta – é assim que eu realizo todo o processo.

Porém, no trabalho espiritual nós temos outro parceiro chave que faz o trabalho. Nós só criamos o trabalho para Ele. Ele trabalha e realiza todas as ações, o plano é Dele e Ele faz tudo. Nós somos apenas responsáveis pelo fato de que podemos ativá-Lo.

O chefe aqui é o Criador. Ele tem seu próprio plano, todos os materiais e o poder de realiza-lo, tudo que é necessário. Tudo se passa de acordo com um plano pré-determinado, mas apenas se nós o acelerarmos.

É como se houvesse um empreiteiro preguiçoso que se comprometeu a construir uma casa para nós, mas nós sempre temos que ir com ele e pedir que ele faça alguma coisa. Enquanto você exige, ele faz; no momento em que você para de exigir, ele para imediatamente. Nós alimentamos esta máquina e só depois é que ela começa a trabalhar.

É muito difícil para nós internalizar isso, entender e sentir, porque não sentimos aquele que realiza esse trabalho e pensamos que temos que fazer tudo por nós mesmos! Além disso, este trabalho é feito em nós, e nós realmente não percebemos o que está acontecendo.

Se eu pudesse ver o Criador e entender que tudo depende Dele, eu certamente pediria constantemente a Ele, imploraria e O estimularia. O problema é que eu não O sinto! Esta é a essência da ocultação do Criador, que eu não sinto que estou em Suas mãos e, portanto, eu não peço que Ele faça algo.

Eu não sinto que dependo Dele, mas acho que tudo está dentro de minhas capacidades. Esta ocultação criou o poder egoísta em mim, uma casca, fazendo-me ter certeza de que eu governarei! Então, o Faraó em mim diz: “Quem é o Senhor, que eu deveria ouvi-Lo? Faça tudo por si mesmo!”.

Este é o ponto onde o domínio do ego é revelado, este é o lugar onde a “casca” e a “Santidade” em mim se chocam.

“Eu governo!”, significa que farei tudo sozinho e não o Criador. Eu prefiro fazer tudo sozinho, em vez de pedir a Ele para fazer algo. Mas nós sabemos que nosso trabalho é alcançar o pedido. Esta é a única coisa que precisamos. Então, tudo acontece por si mesmo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/04/12, Escritos do Rabash

Um Texto Que Está Limpo Da Casca Corpórea

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Bo (Venha ao Faraó)”, O Sacrifício da Páscoa, Item 189: Quando o Criador veio ao Egipto, Ele viu o sangue da Páscoa escrito na porta, e o sangue da aliança – como eles permaneciam à porta.

Pergunta: Como posso preservar a intenção correcta enquanto leio O Livro do Zohar?

Resposta: Não há dúvida que eu não consigo manter a intenção correcta, mas eu preciso imaginar o estado em que quero estar agora.

Primeiro, eu preciso me separar por completo da voz do anunciante, como se não ouvisse nada. Eu sei que estou ligado a um tubo pelo qual a Luz flui até mim e pode ajudar-me ou prejudicar-me: pode tornar-se o “elixir da vida” ou a “poção da morte”. Tudo depende de como eu ouço!

É como se eu pusesse fones de ouvido, mas baixo o volume e não quero ouvir. Primeiro, quero saber que energia, que força, me alcança através destes canais, como a Luz que Reforma deve influenciar-me. Será que recebo como um morcego e me afundo ainda mais profundamente na escuridão, ou como um galo que espera o amanhecer? Tudo depende da minha intenção e por isso tenho que primeiro esclarecer isto.

Portanto, primeiro eu bloqueio os meus ouvidos de forma a não ouvir nada. O que devo fazer agora para que a Luz me alcance, me cure? Não quero que a cobra, que é o símbolo da medicina, se torne numa cobra verdadeira e me envenene com o seu veneno letal. O mesmo veneno pode ser usado como uma medicina, ainda que venha da mesma fonte, da mesma cobra. De forma a fazer isso tenho de me preparar, para estar num grupo juntamente com os amigos, para querer ligar-me a eles no meu coração e alma para me tornar um homem num só coração, para alcançar tal amor pelo qual podemos todos dissolver-nos e sentirmo-nos como um todo.

Na medida em que conseguirmos alcançar isso pela Luz que nos Reforma num só corpo, sentiremos internamente a força que nos une, o Criador. Sentiremos a fonte da Luz Circundante. A Luz determina a ligação entre nós. A fonte da Luz é o Criador que é revelado no vaso que está correctamente preparado.

Primeiro tenho de imaginar todo este estado com precisão. Quando o vejo perante mim imaginando-o emocionalmente e mesmo visualmente, eu começo gradualmente a desobstruir os meus ouvidos. Então eu aumento o volume de forma a ouvir a voz do anunciante, enquanto consigo manter a imagem que criei na minha mente. Mas se o que se está a passar me perturba em manter essa imagem, eu baixo o volume novamente. Se não me perturba, eu sigo a voz.

Eu tento ouvir o anunciante e o que quer que ele esteja a dizer: quer seja sobre a Páscoa, o sangue da circuncisão na porta, os detalhes sobre o êxodo do Egipto, eu tento encontrar todos estes discernimentos nessa imagem na qual estamos todos ligados.

Eu não descrevo a imagem de acordo com o significado corporal das palavras que a “linguagem dos ramos” usa, mas sim traduzo-as na “linguagem das raízes espirituais”: Sefirot, Partzufim, recepção e doação, a ligação entre nós e o Criador, e a união dos conceitos “Israel, a Torá e o Criador”. Eu vejo-me imediatamente livre das palavras actuais, como de uma casca indesejada. É como se retirasse a casca das nozes antes de começar a comê-las, e assim livro-me dos conceitos corpóreos e desloco-me imediatamente dos ramos para as raízes.

Tento imaginar como isso se parece nas raízes espirituais: qual é o significado de “lintel”, “Mezuzah” ou “sangue”. Mesmo se não percebo, não faz diferença. O principal são os meus esforços, querendo saber o que está a ser estudado, ligar-me ao que está a ser estudado. A Luz que Reforma influencia-me de acordo com os meus esforços.

Devemos repetir constantemente estes exercícios, uma e outra vez, em cada livro que estudamos: os artigos do Rabash e Baal HaSulam, O Estudo das Dez Sefirot, O Zohar, a Mishnah, Shulchan Aruch, todos os livros são sobre como conectar o vaso quebrado.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/4/12, O Zohar

O Único Que Vai Me Ajudar

Dr. Michael LaitmanAo tentar nos unir no grupo, não apenas evocamos a Luz, mas a Luz que Reforma. Ela não me corrige, mas me dá novos detalhes de percepção. Seu trabalho é me mostrar que estou totalmente desprendido, oposto, quebrado, mergulhado no ódio, e permaneço na parte inferior. Primeiro, eu chego a este reconhecimento.

Além disso, a Luz me obriga a sentir que nada pode me salvar, e que é impossível sair. Isso me dá a sensação de que não há força no mundo que possa me corrigir, embora eu aparentemente não queira me conectar com os amigos e amá-los.

No entanto, eu continuo trabalhando, dando o meu melhor, junto com o grande ódio pela separação e o grande desejo de me unir. Com a ajuda da Luz, eu começo a entender que isso é muito importante. Em seguida, ela revela o ponto interno mais importante para mim: o entendimento de que somente o Criador pode me ajudar.

Assim, eu alcanço duas coisas. Por um lado, eu começo a odiar o mal, e por outro lado, eu aprendo a amar o bem, ou seja, a doação absoluta, quando realmente quero sair do meu caminho em direção aos outros. Eu adquiri uma grande deficiência, a necessidade de união e amor. Além disso, acima da chamada do coração, eu alcancei o entendimento de que ninguém pode me ajudar, exceto o Criador.

No final, eu adquiro uma deficiência pelo Criador. Primeiro, eu supus que, juntamente com os amigos, nós derrubaríamos a Machsom (a barreira que nos separa da espiritualidade), e como resultado dessa demanda, eu penetraria mais profundamente na Natureza e descobriria a força interior oculta nela, a única uma força que pode me ajudar. Eu sinto que o desejo que visa o Criador nasce em meu coração.

Este é o topo, o clímax do meu trabalho acima do nível corporal, com todos os meios disponíveis aqui. Deste ponto em diante, eu estou “fechado” no Criador: Como eu faço para pedir, obrigar e implorar-Lhe ajuda?

Este desejo se desenvolve e assume novas formas. Para quem serviria a ajuda do Criador? Eu começo a ver que, até agora, eu queria usá-Lo, até mesmo pagá-Lo. No entanto, eu realmente preciso de mudanças, a fim de dar prazer a Ele. Então, mudando internamente, eu começo a mudar as nossas relações mútuas. Mesmo acima de todos os meus cálculos pessoais, eu quero que todas as mudanças Lhe dêem prazer.

Esta é a obra do Criador: eu trabalho e conscientemente dirijo todos os frutos do meu trabalho para Ele. Então, eu peço para senti-Lo. Eu não peço como costumo pedir agora, não em meu benefício próprio, mas, pelo contrário, digo-lhe: “Não Se revele, caso contrário o meu desejo de receber começará a desfrutar. Apenas me diga o que for para o Seu bem. Esta é a única coisa que eu quero”.

Assim, a partir do nível do nosso mundo, eu passo a outro tipo de trabalho, feito em relação ao Criador. Ao mesmo tempo, eu continuo a trabalhar no grupo, mas agora como um todo com ele.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/04/12, “Prefácio ao Livro do Zohar”

A Chave Para O Trabalho Bem-Sucedido

Dr. Michael LaitmanNós devemos separar todos os nossos problemas, a fim de termos sucesso no trabalho interno. Nós representamos uma comunidade integral, um pequeno grupo, que é a única coisa que existe no mundo.

Tudo o mais que existe no mundo também se conecta a nós: tanto as partes femininas quanto masculinas. Elas representam a totalidade da humanidade, a alma comum, o Kli (vaso) único: Malchut do Mundo do Infinito. Imagine que agora desejemos nos revelar dentro desse Kli, não no nível do nosso mundo (o ponto mais baixo), mas no seu nível mais alto.

Mesmo se imaginarmos o nível mais alto, que existe a uma distância de 125 níveis (cinco mundos) de nós, ainda não seremos capazes de imaginar algo diferente do que a parte oposta do nível seguinte, porque a nossa imaginação não vai mais longe.

Então, qual é o nosso problema? Quando estudamos o sistema dos mundos, aprendemos que ao lado de um Partzuf (o primeiro estado), há um segundo Partzuf, superior (o segundo estado).

Como podemos subir do primeiro para o segundo estado? Apenas nos anulando e entrando no próximo estado, sem criar qualquer distúrbio nele – como um embrião.

Este próximo estado é chamado de AHP e Galgalta Eynaim (GE) do superior.

Nós devemos simplesmente usar o nosso desejo e aspiração para nos movermos a este estado superior.

Em relação ao nosso estado, o estado superior é o estado de doação absoluta, quando subimos totalmente acima de nós mesmos e deixamos toda a nossa parte animal embaixo.

A aspiração para cima é chamada de “Adão” (a parte humana), é a nossa consciência, nosso desejo, voltado à doação. Nós queremos conectá-lo à nossa aspiração. Este é o estado de ascensão espiritual, que evocamos.

Quando nos esforçamos para cima desta forma, a Luz vem até nós desde Galgalta ve Eynaim do nível mais elevado, que nos ajuda, nos puxa para cima e nos influencia.

Esta é a Luz que Reforma.

Nós não somos capazes de fazer isso por conta própria. Nós só temos o esforço, a intenção, mas nunca a verdadeira ação.

A verdadeira ação acontece sob a influência da Luz superior. Portanto, nós precisamos apenas do desejo, nos reunirmos para sermos anulados um diante do outro, para sermos recolhidos num todo único, e de uma demanda firme pela subida, pela manifestação da Luz em nós, solicitar que a Luz nos influencie e eleve à qualidade de doação. Este é o tipo de intenção que devemos ter.

Da Convenção de Vilnius 23/03/12, Lição 2

Minta, Mas Honestamente

Dr. Michael LaitmanRabash, Shlavei HaSulam (Os Degraus da Escada), “O Que é uma Bênção e uma Maldição no Trabalho”: A cada dia, o homem precisa começar de novo e dizer que hoje será recompensado em ver “Eu sou o teu Deus” e que ele não vai fugir da batalha. Ele não deveria dizer “eu já orei muitas vezes que Deus me dê os vasos de doação, e que eu vou sair do desejo de receber por mim mesmo, e não recebi nenhuma resposta pela minha oração; então, qual é o benefício de orar de novo?”.

A verdade é que nós nunca pedimos vasos de doação porque isso é impossível.

Sim, nós pedimos o que é chamado de “doação”. Nós pedimos para sermos capazes de amar o outro, mas é assim que a chamamos; isso não é doação, não é amor ao próximo ou desejos de doar. Nós nunca oramos realmente pelo mundo espiritual, ou pelo estado espiritual, ou vasos espirituais. Em nosso desejo atual, em nossa mente e sentimento atuais, nós simplesmente somos incapazes de pedir, e nem sequer sabemos o que é.

Portanto, é dito: “Eu trabalhei (me esforcei) e encontrei”. A pessoa precisa se esforçar naquilo que os Cabalistas nos dizem para fazer, seguir rigorosamente suas recomendações e entender claramente que não temos qualquer chance de chegar de forma direta e independe à correta oração; nós não podemos quebrar o nosso coração e fazer um pedido pela correção (MAN).

No início, cada uma das nossas orações é baseada em como receber, ganhar e tirar vantagem dos amigos, do Criador, de qualquer um. Essa é a verdade e não há como fugir disso. Mas acima de nós, existe o sistema da quebra que traduz nossas ações, nossos pedidos quebrados, pela correção.

No caminho de cima para baixo, os desejos quebraram, e no caminho de volta, quando eu me elevo do estado quebrado, eles são corrigidos neste sistema. Eles sobem como se eu pedisse o que é necessário, como se eu realmente implorasse por amor e doação ao outro e pela conexão com os amigos e com o Criador, a quem estou pronto a aceitar como bondade.

Este sistema é o mundo quebrado de Nikudim, e o mundo de Atzilut que foi criado mais tarde é o adaptador: de um lado deste sistema, há o falso mundo, os mundos de BYA que estão desconectados do Criador, e os estados oposto à doação, nós quais existimos. Por outro lado, há o Criador, a perfeição.

O meu apelo pelo o amor é uma mentira, mas todos nós dispomos esta mentira de forma correta, como se realmente quiséssemos algo além do benefício pessoal. Se entre nós, nós nos reunimos da forma correta, organizamos o estudo e todas as nossas ações corretamente, o nosso pedido passa por este sistema que o corrige, e isso é o que se chama “Eu trabalhei e encontrei”.

Apesar de não conhecer o mundo de Atzilut, ele faz o seu trabalho. É por isso que nós precisamos fazer exatamente o que os Cabalistas nos dizem sem mentir a nós mesmos ou ficar envergonhados. É verdade que não pedimos a espiritualidade, mas gritamos como um bebê e a mãe sabe o que ele precisa. A mãe precisa apenas de um pequeno grito do bebê para saber quais são suas necessidades.

Isto é o que é exigido de nós. “Faça tudo o que está em seu poder fazer”, e isso trará bons resultados.

Da Convenção de Arava 25/02/12, Lição 7

O Rei Do Egito Morreu!

Dr. Michael LaitmanShamati, artigo 159: E sucedeu que, no decorrer de muitos dias, o rei do Egito morreu… (Êxodo). A grandeza do ego, toda a boa vida corpórea e o desejo da pessoa de se sentir melhor na vida, tudo cai, entra em colapso e morre. Então, o que a pessoa pode fazer? Isto é o que a humanidade como um todo, e cada indivíduo, está passando agora. Não podemos agir de acordo com o ego comum, pelas causas corporais comuns.

Então, os filhos de Israel suspiraram por causa da escravidão, que são aqueles que anseiam pela espiritualidade, mesmo que ainda não saibam o que ela é, e aqueles que já estão perto dela, que pouco entendem que a espiritualidade simboliza doação e amor, independentemente de seus interesses pessoais. Assim, eles começam a verificar e ver que não podem ir por esse caminho.

Esta é uma pirâmide que contém aqueles que simplesmente não podem ser consumidores e servir o seu ego através daqueles que já entenderam que a espiritualidade simboliza doação, em vez de amor-próprio. Todos têm seu lugar nela e todos “suspiram” de seu próprio ponto desta escravidão egoísta.

Há aqueles em quem o “ponto no coração” despertou, e há aqueles que simplesmente sofrem sem saber por quê. Todos suspiram sob o fardo da sua situação, se saber como satisfazerem-se.

E o seu clamor subiu a Deus por causa da servidão – eles não apenas clamam; é por causa do trabalho duro: das tentativas fúteis de satisfazer o seu ego ou daqueles que estão mais avançados, mas ainda não conseguem deixar seus velhos hábitos e tomar para si a responsabilidade da obra de Deus e começar a trabalhar em doação e amor aos outros.

Mas, apesar de tudo, “E Deus ouviu seu gemido“. O Criador ouve todos que respondem ao que o Criador faz com eles. O sistema é construído de tal forma que o superior cuida de todos, segundo o nível de cada um, mas especialmente daqueles que entendem e procuram se dirigir de forma prática à doação e amor no grupo, como “irmãos sentados juntos”, entre aqueles que anseiam pelo Criador.

Eles sofreram tanto que não podiam suportar por mais tempo. Então, o povo pediu tanto em oração que o seu clamor subiu a Deus; eles estavam exaustos por este trabalho. Mas, por outro lado, vemos que eles estavam dizendo: “Será que nós tínhamos… quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão a fartar”. E eles também disseram: “Lembramo-nos dos peixes que estávamos acostumados a comer no Egito por nada…”, o que significa que parece que antes tudo estava bem.

A pessoa tem dois pontos ao mesmo tempo: um é corporal e o outro é aparentemente espiritual. Então, ela está entre eles; quanto mais distantes eles estiverem, mais espaço ela tem e mais ela sabe o seu lugar e o que ela faz.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/12, Shamati # 159

A Amargura Insuportável Da Escravidão

Dr. Michael LaitmanShamati, artigo 159: Isso significa que, se Israel está sob o domínio de determinada nação, essa nação os controla e eles não podem se retirar de seus domínios. Assim, eles provaram um sabor suficiente neste trabalho e não podiam ser redimidos.

Então, o que fez o Criador? “O rei do Egito morreu”, ou seja, eles perderam essa servidão. Assim, eles não podiam mais trabalhar…

É bom que o Faraó tenha morrido? Afinal, ele aproximou os filhos de Israel da Santidade, forçando-os a cumprir dois discernimentos dentro deles. Por um lado, eles tinham potes cheios de carne, mas por outro lado eles eram escravos.

Se nós não pensamos na espiritualidade, nós esquecemos a escravidão e não sentimos que somos escravos. Você trabalha para o seu ego e tem bom lucro. A escravidão começa quando, apesar das panelas estarem cheias de carne, você sente que não tem a espiritualidade, porque você não consegue conexão e amor, a oportunidade de sair do ego.

A escravidão só é sentida quando você tem dois pontos de discernimentos: no nível corporal tudo está bom, mas no nível espiritual não há nada e não haverá nada. Neste caso, isso é chamado de “escravidão”, a dominação da matéria sobre o espírito. O Criador nos ouve apenas quando nos conectamos entre nós e começamos a separar a corporalidade da espiritualidade, e ver que temos de olhar para o ponto espiritual na conexão entre nós.

É por isso que nós somos chamados de “filhos de Israel” e “irmãos sentados juntos”, aqueles que se sentem como escravos no Egito e que não têm o poder de alcançar a conexão. No início, tudo parecia possível, era bom e maravilhoso. Então, os problemas começaram, e vemos isso em diferentes grupos. Esta é a segunda etapa da escravidão no Egito, onde os Filhos de Israel gemem pelo trabalho duro. Eles não conseguem se conectar, mas ao invés de fugir, continuam a trabalhar na conexão.

Se a pessoa não abandona o grupo por causa disso, mas continua a bater neste ponto, tentando alcançar a conexão, no final ela se desespera e clama porque lhe faltam as forças. Se nós estamos conectados, nós recebemos um vaso para descobrir o Criador, mas não podemos criá-lo por nós mesmos, porque a pessoa não consegue realizar sozinha as ações espirituais.

Então, nós gememos por este trabalho, o que significa que entendemos que precisamos da ajuda da força superior. Só ela pode nos corrigir e nos conectar. Este gemido já é uma salvação, a grande revelação do “não há outro além Dele”, e que só Ele pode nos conectar. Nós alcançamos o desejo de nos conectar através do nosso trabalho quando entendemos que esta é a única coisa que precisamos sem quaisquer condições tentadoras corporais, não importa quais elas possam ser.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/12, Shamati # 159

As Sementes De Luz São Semeadas Agora

Dr. Michael LaitmanO feriado de Pessach (Páscoa) começa amanhã. Nós temos que entender o que ele é. Em primeiro lugar, “Pessach” é o estado mais importante. Lembramo-nos deste êxodo do Egito em todas as correções subsequentes. Por quê? Porque este é o fundamento, de onde a escada dos degraus espirituais começa.

Em segundo lugar, Pessach é o nascimento espiritual do ser humano.

Em terceiro lugar, nós estamos falando da escuridão, onde construímos a base preparatória para as nossas correções, porque não temos mais nada para corrigir, exceto o que é revelado no “Egito”. Por um lado, esses anos de preparação são úteis porque revelam nossos desejos corruptos; por outro lado, eles são difíceis porque o exílio é uma coisa desagradável.

No entanto, tudo depende de como nós aceitamos o que está acontecendo, nos esforçando para compreender, entender e reconhecer este estado, o quanto somos cientes de sua necessidade no grupo, e quanto podemos nos sentir florescendo nele.

Da mesma forma, a Idade Média foi um período escuro da história, que foi caracterizado pela brutalidade, confusão humana, a crueldade da inquisição, a agressão religiosa e costumes animalescos. No entanto, indo mais fundo, vemos que ela se tornou a preparação para a eclosão da Renascença, para o desenvolvimento da ciência e outras conquistas posteriores.

Até o fim da Idade Média a humanidade foi adquirindo grandes vasos, desejos. Depois, ocorreu uma explosão cultural, e a Idade do Iluminismo começou, durante a qual usamos o que tínhamos preparado antes. Agora, nós estamos nos aproximando de um resultado lógico: a crise de todos os desejos que se esgotaram e não há mais nada a fazer em nosso mundo.

Se traçarmos um paralelo com a espiritualidade, a preparação atual nos permite alcançar o fim da correção e usar corretamente os nossos desejos. Afinal, nós revelamos o nosso mal durante o período de exílio do Egito. É por isso que todas as novas correções são chamadas de “memória” do êxodo do Egito.

Neste caso, o mal nos é revelado somente nas relações entre amigos. Por conseguinte, se percebermos corretamente os problemas que surgem entre nós, nós nos preparamos para a subida. Nós devemos solicitar a correção desses estados; porém, sob a condição de que queremos unir, nós sentimos a necessidade disso, vemos que não podemos e, no entanto, continuamos forçando. Quanto menos formos bem sucedidos, mais pressionamos.

Nós precisamos revelar a doação particularmente nesta pressão mútua entre nós. Mesmo se, em vez disso, nós revelamos a recepção, o mal, que se manifesta acima do bem, nós não recuamos, não relaxamos e não nos desesperamos. Nós vamos até o fim, até que o estado sobre o qual é dito na Torá: “E os filhos de Israel gemiam do trabalho” (Êxodo 2:23).

Não serão apenas gemidos; nós vamos realmente sentir que somos impotentes para fazer qualquer outra coisa. Ou seja, quando uma pessoa levanta as mãos para o Criador e se funde na oração coletiva.

Assim, nós devemos respeitar o período atual. Não podemos sair dele até prepararmos o desejo por novas correções. É impossível receber a revelação do Alto, se não pressionarmos, forçando a força superior a nos revelar o nosso mal.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/04/12, Escritos do Rabash

Deixe A Luz Fazer O Seu Trabalho

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu tenho a sensação de que meu ego “rouba” tudo de mim. Eu me sento com os meus amigos e parece que ascendo acima do meu desejo de receber, mas depois eu sinto que eles são os únicos que estão fazendo isso. Eu sinto que estou no escuro, que não ouço nada, e não sinto a Luz. O que devo fazer?

Resposta: Você deve tentar se dissolver nos amigos, como alguém que é pequeno ou como alguém que é novo numa sociedade.

Quando você chega numa sociedade nova você não sabe nada e não conhece ninguém. Você tenta entrar nela sem ser muito proeminente ou ficando de fora. Suponha que você chegue num novo trabalho, você simplesmente tenta manter a calma, a fim de descobrir, ver e sentir todos os outros.

É assim que você deve se comportar. Então, você começa a sentir o que eles têm. Você se desenvolverá como um embrião no ventre de sua mãe. Depois, gradualmente, na medida em que você começa a se sentir tão real quanto seguro, você começa a se expressar juntamente com todos os outros.

Tente neutralizar a si mesmo e apenas esteja lá dentro. Isso é o suficiente, porque assim nós vamos criar o campo que existe aqui. Você não deve se preocupar. Se você fizer isso, você vai senti-lo.

Pergunta: Mas, em todo caso, o meu ego vai sentir satisfação nisso. Como eu posso evitar roubar de mim mesmo e dos outros?

Resposta: Quem diz que é ruim você querer sentir a espiritualidade? Não é mau.

O objetivo da criação é desfrutar, ser preenchido, mas em doação. Você quer entrar no grupo e adquirir esse atributo de doação, e nele você quer sentir prazer. Por enquanto, tudo bem. Nós não podemos imaginar outra coisa.

Hoje, a coisa mais importante para nós é o desejo de doar, doar a fim de sentir prazer. Este é o nosso nível, chamado Lo Lishma (não por Ele).

Quando a Luz chegar e for gradualmente revelada em nós, (isto só acontecerá se nós ansiarmos por ela dessa maneira), como resultado de sua influência, vamos começar a sentir que o atributo de doação está acima de tudo, é maior do que tudo, e que eu quero estar nele. Mesmo se agora for egoisticamente, “Eu quero estar nele”.

Então, a Luz vai nos influenciar de tal maneira que, de repente, você vai começar a se desprender de si mesmo, do “eu quero”. De repente, o seu “eu” começa a desaparecer e você vai se sentir “fora de si mesmo”, fora de si”.

Deixe isso para a Luz! Você não pode fazer isto por você. Você tem que desejar o máximo possível em todos os seus desejos, inclusive os desejos egoístas – e a Luz vai fazer o resto.

Isso é uma “oração“. Você está pedindo que a Luz faça este trabalho por você. Ela criou o seu ego e ela quem vai mudá-lo. O nosso desejo deve ser apenas a fim de lhe permitir fazer este trabalho.

Se desejarmos a união, a Luz vai fazer o resto.

Nós somos todos egoístas. Nós não sabemos e não entendemos nada. Nós não sabemos o que vai acontecer com a gente em um minuto. Nós não sabemos os nossos atributos, não sabemos nada, e não somos obrigados a saber. Nós só somos obrigados a fazer uma coisa: simplesmente tentar, fazer um esforço e a Luz irá fazer o resto.

A união máxima no grupo evoca a Luz e ela nos muda. Nós não temos que fazer nada artificialmente. Tudo vai ser cuidado e você só tente se conectar.

Da Convenção de Vilnius 23/03/12, Lição 1