Textos na Categoria 'Mandamentos'

Irmãos Por Uma Causa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o significado do mandamento: “Não odeie seu irmão em seu coração”?

Resposta: A Torá nos ordena a não odiar nosso irmão, já que irmãos naturalmente se odeiam, o que se revela naturalmente.

Um irmão é o seu reflexo no próximo nível e, portanto, você não deve odiá-lo, uma vez que ele mostra o que você deve completar a fim de tornar-se pleno.

Pergunta: Será que isso significa que ele é o meu reflexo, segundo o qual eu devo preparar a minha ascensão?

Resposta: É um sistema completo. Por que Jacó tem doze filhos, por exemplo? Abraão teve apenas um filho Isaac, porque Ismael é um sistema totalmente diferente. Eles não se complementam mutuamente. Isso só vai ser descoberto mais tarde, no final dos tempos.

Ter muitos filhos indica a incompletude dos pais. Jacó teve doze filhos porque não era perfeito. A fim de atingir o nível de Israel, ele teve que tornar todos os doze níveis perfeitamente adaptáveis, uma vez que eles ainda estavam separados.

Essas relações mútuas se aplicam a toda a família, a todas as setenta almas. Os doze filhos de Jacó são os doze atributos que derivam dele que devem se fundir num todo integral. Só então eles vão se tornar Israel (Yashar El), direto ao Criador, que visam o Criador. Assim, eles descobrem o que e quem eles devem corrigir ao longo da subida dos muitos níveis de correção.

Jacó deve fazer com que o ódio surja entre os irmãos, e José deve ir para o Egito. Então o Faraó aparecerá entre eles e vai mantê-los separados, e apesar do seu ego, eles vão ter que se conectar acima dele. Como resultado da conexão das doze tribos, a alma única geral será corrigida, embora ainda não consigamos testemunhar isso.

Comentário: Você diz que a separação entre os irmãos decorre do fato de que os pais são imperfeitos.

Resposta: Certamente. Caso contrário, seria apenas uma continuação. Mas isso só pode ser cumprido ao longo da linha média. Este é o lugar onde acontece a unidade correta cada vez que ela é voltada diretamente ao Criador.

As doze tribos irão estabelecer sua base comum chamada a terra de Israel, na medida em que elas começarem a se conectar corretamente. Isto incluirá todos os atributos humanos e todas as partes que se encontram distantes umas das outras. Elas vão gradualmente começar a se conectar até que se reúnam novamente num ponto de conexão com o Criador. Mas este ponto, na terceira fase, será no nível do Criador.

Há um ódio inicial pelos outros nas pessoas que foi dado a nós pela natureza. Pergunte a qualquer pessoa que tem filhos se eles sempre se dão bem, se estão sempre juntos, e você terá uma resposta negativa. Irmãos sempre competem, seja consciente ou inconscientemente.

Eles podem estar juntos apenas quando há uma grande força, uma grande recompensa que os puxa para frente e pela qual se conectam. Esta recompensa anula seu ódio natural.

Em nosso mundo, só pode haver uma unidade forte entre irmãos por uma causa. Se a causa desaparece, eles se separam de novo, uma vez que o ódio interno sempre existe. Assim, a Torá não está errada.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno”

Sua Recompensa Por Guardar Os Mandamentos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você considera os Mandamentos que Moisés deu aos judeus a chave para a paz interior, ou seja, o equilíbrio entre altruísmo e egoísmo?

Resposta: Claro. O mais importante deles, “Você deve amar o seu próximo como a si mesmo”, é o fundamento de toda a Torá, que é um manual sobre como atingir essa condição. Infelizmente, aqueles que se consideram seguidores e crentes através da observação da Torá nem sempre perseguem esse objetivo.

Pergunta: Os mandamentos que Moisés passou, incluem apenas as boas ações e alertam para não se cometer as más. Mas nada foi dito sobre como isso seria recompensado.

Resposta: Nenhuma compensação deve ser pedida pelo cumprimento dos mandamentos. Se você quiser amar o seu próximo e tratá-lo bem, você deve fazer isso de forma totalmente incondicional. Então, a satisfação interior que você recebe disso será a sua recompensa.

De um Programa “Opinião Especial” 17/08/14

Ação Em Vez De Intenção

laitman_281_02Pergunta: O desempenho (performance) externo da Torá, é descida ou não?

Resposta: O desempenho externo da Torá é o resultado do exílio do povo de Israel. Antes disso, ele fez apenas um trabalho interno, porque todo mundo estava na realização do Criador. Sim, houve problemas, distúrbios e guerras, mas tudo isso faz parte de uma poderosa análise interna.

Depois, nos dias do Rabi Akiva, o povo de Israel caiu do grau de amor fraternal para o de ódio infundado. Se no passado todos tinham entendido a Torá num sentido espiritual já que seus vasos, desejos, estavam em revelação, depois de cair para o nível material, eles começaram a entender a Torá no sentido material. Como consequência, eles começaram a realizá-la como vemos hoje: fortalecendo-se apenas por ações, não por intenção.

Os vasos de Israel têm Galgalta ve Eynaim, parte que está envolvida em intenções, e AHP, parte que está envolvida em ações. Assim, aconteceu que há duas Torás:

  • Para os vasos de Galgalta ve Eynaim, é a sabedoria da Cabala, chamada de verdadeira e também ciência oculta, porque está sendo revelada apenas para aquele que levanta o véu sobre ela;
  • A ciência das ações materiais explícitas, realizada por parte do povo de Israel, pertencente ao AHP.

Nós não vamos avaliar ninguém ou julgar ninguém. Não há inteligente ou estúpido, bom ou ruim. Ninguém deve ser punido ou desprezado. Simplesmente, estes são os fatos. Nós deveríamos ter chegado a este após a quebra dos vasos e exílio. Esta é a maneira como os vasos, desejos, são dispostos no processo de sua correção.

Mas agora surge a pergunta: Como nós podemos nos tornar coletivamente despertados para a verdadeira obra do Criador?

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/11/14, Escritos do Baal HaSulam

O Que Leva Ao Criador?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que a humanidade moderna anseia novamente por religião?

Resposta: Há uma crise no mundo. Após a última guerra mundial, que ocorreu há menos de três gerações, a população dos países desenvolvidos tinha previsibilidade, estabilidade e confiança no futuro. Enquanto que, agora, com o surgimento da crise global, ela sente incerteza, instabilidade, falta de demanda, certamente a falta de um futuro e uma falta de esperança no sucesso.

Além disso, este sentimento abrange todo o planeta. Este sentimento evoca ondas de preocupação o tempo todo. Nada é estável, nem o futuro, nem quaisquer planos. Depois de perder toda a esperança, permanece apenas uma esperança, que é a esperança no Criador, uma imagem pronta para tomar a primeira posição no mundo e estabilizá-lo. Então a pessoa cria o Criador para si mesma.

A sabedoria da Cabalá diz que não há nada no mundo além da natureza, a força de doação e amor que cria tudo, nos direciona e desenvolve para um estado onde podemos entender a nossa diferença e oposição a esta força, e querer nos assemelhar a ela; isto é, adquirir a característica de doação e amor. Portanto, o objetivo, “E Amarás o teu amigo como a si mesmo” (Vayikra 19:18) deve se tornar o princípio de todas as nossas atividades.

As religiões ouviram este mandamento e o esqueceram, porque a fim de implementá-lo, elas tinham que mudar a natureza egoísta da pessoa numa altruísta (para doação e amor para todos). Não há nenhum lucro no altruísmo; portanto, todas as religiões falam sobre “e amarás”, mas nenhuma delas implementa isso ou entende sua intenção, porque dentro das características egoístas não é possível compreender a característica da doação.

Se elas entendessem o que “e amarás” significa, todas as religiões desapareceriam e tudo o que separa as pessoas desapareceria. O moderno anseio pela religião levará a sua reavaliação pela humanidade e sua substituição por uma religião chamada “amor”.

Consulte também o artigo, “A Essência da Religião e seu Propósito”.

Os Mandamentos São Ouvidos Apenas Quando Chegamos À Conexão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o significado da perspectiva Cabalística de cada um dos dez mandamentos, como “Não roubarás” ou “Não matarás”, etc.?

Resposta: Nós não entendemos o verdadeiro significado dos dez mandamentos que simplesmente parecem como instruções morais para nós.

O mandamento “Honra teu pai e tua mãe”, por exemplo, refere-se à conexão entre os Partzufim de ZON (Zeir Anpin e o Nukva) e Aba e Ima (pai e mãe) superiores.

O mandamento “Não roubarás” é a proibição de utilizar o desejo de desfrutar por minha própria causa, que é chamado de roubar. De quem você está roubando? Da Luz, do Criador.

Todos os dez mandamentos se referem ao desejo de desfrutar. É sobre as limitações que temos que implementar em Malchut. Estas limitações são chamadas de Masach (tela) e Luz de Retorno (Ohr Hozer). Devido ao fato que Malchut aceita essas limitações, ela pode se tornar a vestimenta para as dez Sefirot, e por isso é chamado os dez mandamentos.

Um mandamento (da raiz hebraica “declaração”) é o que nasce na boca do Partzuf, Peh de Rosh. Todas estas ações são executadas no mundo de Atzilut.

Somente depois que nós nos tornamos como um homem em um só coração é que recebemos os dez mandamentos. Caso contrário não podemos ouvi-los. Nós temos que estar no nível de Bina para poder ter o ouvido que possa ouvir as dez declarações do Monte Sinai.

Primeiro nós temos que passar por um período de preparação e chegar à conexão no nível de um homem em um só coração, e só então é que vamos ouvir os mandamentos. Caso contrário nos faltarão os vasos para compreendê-los.

Todos os dias uma nova confusão e uma nova compreensão são sentidas durante o estudo. Você faz uma pergunta e depois pode ser confundido uma centena de vezes e compreender uma centena de vezes a fim de leva-lo ao ponto onde você faz a pergunta. Tudo depende dos vasos.

Pergunta: Estes mandamentos, como “Não roubarás” e “Não matarás”, também operam no mundo corpóreo?

Resposta: Claro que nós também precisamos da mesma coisa que está escrita no sentido espiritual em nosso mundo, mas a correção da alma ocorre no mundo espiritual. Ainda assim, nós temos que criar o ambiente certo no mundo corpóreo, para que nele sejamos capazes de alcançar a correção espiritual.

Primeiro nós devemos entender que a base para todas as correções é a principal regra da Torá: “Ama o teu amigo como ti mesmo”. Isto significa que todas as correções, todos os detalhes descritos na Torá, são explicações de como devemos alcançar o cumprimento das condições de amar os outros.

Minha atitude, qualquer que ela seja — para com os amigos, o mundo externo, todos os mundos espirituais, tudo —, tem que ser só por amor, na medida em que eu me amo. É isso! Cada ação que eu faço tem que ser acompanhada pelo pensamento que faço isso pelos outros. Amor não é só falar as palavras. Deve haver um desejo real dentro de mim que me obriga a fazê-lo. Caso contrário não é chamado um mandamento.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/06/14, Shamati 66

Deixe O Criador Ser Revelado Em Nós

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico (Shemini)”, 09:01 – 09:04: E aconteceu, no oitavo dia, que Moisés chamou a Aarão e seus filhos, e os anciãos de Israel. E disse a Aarão: “Toma um bezerro para expiação do pecado, e um carneiro para holocausto, sem defeito; e traze-os perante o Senhor”.

A pessoa tem que tomar dois de seus desejos (um bezerro e um carneiro) e purificá-los da intenção egoísta, o que significa elevar o seu desejo para o uso apropriado: do lugar mais baixo e mais pecaminoso para cima, para a Luz.

“Depois falarás aos filhos de Israel, dizendo: ‘Tomai um bode para expiação do pecado, e um bezerro, e um cordeiro de um ano, sem defeito, para holocausto; também um boi e um carneiro como sacrifício pacífico, para sacrificar perante o Senhor, e oferta de alimentos, amassada com azeite, pois hoje o Senhor vos aparecerá’”.

Se uma pessoa não trouxer uma oferta, o Criador não será revelado. A fim de fazer isso, ela deve primeiro preparar tudo: o dia, o lugar e o tempo. Em segundo lugar, trazer e oferecer não deve ser feito pelas nações do mundo, nem pelos filhos de Israel, e nem pelos levitas, e nem mesmo por meio de Moisés, mas apenas pelos Cohanim (sacerdotes) e dos Cohanim, apenas por Aarão.

Tudo tem que estar pronto na forma exata que Moisés disse. Preparar significa escolher os seus desejos, um lugar e um tempo. Isto significa o movimento, tempo, desejo e intenção, que todos devem vir a proporcionar um desejo corrigido para doar, para se conectar com os outros. Isto significa que deve haver o atributo de Aarão em cada pessoa que leva certo desejo (um bezerro ou um carneiro), mata-o de certa maneira e prepara-o de certa maneira e, depois, serve ao Criador para que Ele possa prová-lo.

A subida dos desejos a fim de amar e doar é descrita desta forma alegórica. É porque no nosso mundo não há outras palavras para descrever a ascensão dos desejos para a doação à sociedade e com isso ao Criador. Ao mesmo tempo, o sentimento do Criador desce tanto para a sociedade e para a própria pessoa que está realizando o papel de Aarão.

Comentário: A Torá fornece muitos detalhes! Por exemplo, um bezerro e um cordeiro, ambos de um ano e sem defeito, etc.

Resposta: Quando você começa a trabalhar você não tem esses detalhes. Então, primeiro há a Mishná (conjunto de leis) que lhe diz exatamente como realizar essas ações. Em seguida, a Mishná se torna incompreensível, visto que o ego cresce e se torna claro como devemos trabalhar com ele. Se uma pessoa soubesse o que fazer com um quilo do seu ego, o que cortar e o que pesar, então agora o seu ego cresce a uma centena de quilos. Há novas opções agora: avareza, inveja, luxúria, etc., e torna-se obscuro como a tirar a pele da oferta, que parte dela pode ser usada ou não, e como prepará-la. É quando o problema com o cumprimento dessas regras surge que o Talmude Babilônico (ensino) aparece.

Tudo começa a partir da Torá, mas conforme o ego cresce, há a crescente necessidade de comentários na Mishna, e quando o ego cresce até que se torne incontrolável, o Talmude aparece. Então, as pessoas não têm escolha a não ser simplesmente estudá-lo. Este estado é chamado de exílio (Galut).

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/12/13

Não Cozinhe O Cabrito No Leite De Sua Mãe

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o significado espiritual de separar o leite da carne?

Resposta: A Torá diz: “Não cozinhe o cabrito no leite de sua mãe”. A carne não pode ser comida com leite, uma vez que assim você causa um curto-circuito entre as coisas mais importantes, as linhas direita e esquerda.

Leite simboliza a linha direita, a Luz de Hassadim (misericórdia), que decorre do desejo de doar. Assim, no nível físico, o leite é o alimento para as crianças. No entanto, a linha esquerda, carne, simboliza recepção, rigidez, egoísmo.

Nós não devemos congregar essas duas linhas, porque elas só podem se conectar na linha média, quando você recebe da linha esquerda egoísta apenas o que a linha direita altruísta direita pode incluir nela, e cria a linha do meio como resultado das duas.

A fim de criar a linha do meio, nós temos que descer de dez a seis Sefirot, de GAR à VAK, o que significa trazer o estado de grandeza do Partzuf à pequenez, porque até o fim da correção é impossível receber a fim de doar em todo o desejo, exceto uma pequena quantidade.

Malchut só pode ser usada na subida à Bina. A ascensão de Malchut à Bina é um estado de pequenez ou seis Sefirot. Portanto, é possível comer laticínios seis horas após comer carne.

Em nosso mundo, seis horas é uma medida condicional, e, portanto, em diferentes comunidades o tempo de separação entre carne e leite difere. Em certas comunidades, o intervalo entre laticínios e carne é de três horas e, em outras, é de uma hora. Mas, no geral, a maioria das comunidades mantém seis horas.

Quanto à carne, ela pode ser comida meia hora depois dos laticínios (exceto pelo queijo duro, que é o mesmo que a carne). Embora as leis que proíbem a combinação de leite e carne não sejam tão convenientes, elas decorrem da pequenez do Partzuf espiritual.

Pergunta: Será que nossos amigos em todo o mundo têm que manter essas leis?

Resposta: Não, nós não ditamos nada a ninguém. Isso se refere ao trabalho espiritual e seu objetivo de receber a fim de doar. Nós podemos tentar convencer as pessoas de manhã à noite que é importante sentir amor em relação ao amigo, mas não podemos exigir que alguém realmente o faça.

Além disso, uma pessoa pode manter a tradição e outra não pode. Nós nunca exigimos dos outros, mas apenas de nós mesmos. Por outro lado, aqueles que não mantêm a tradição não devem interferir nos costumes daqueles que o fazem. Nós devemos respeitar os costumes dos outros, não importa quais sejam eles.

Da Lição Diária de Cabalá 17/04/14, Perguntas e Respostas com o Dr. Laitman

Ações Espirituais Nas Alegorias Da Torá

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “VaYkra“, artigo 73:  Todos os sacrifícios são masculino e feminino, uma vez que o sacrifício está acima do coração, que se refere ao pensamento que está acima do coração. E deve ser conhecido do que se trata o coração, o que significa o pensamento.

O pensamento que é inteligente é considerado masculino, e o coração é considerado feminino, Bina, o coração entende que recebe de Hochma e porque o sacrifício se eleva, é tudo masculino.

Não há nenhuma razão para tentar imaginar todas as alegorias da Torá (sacrifício, fogo, fumaça, etc.) de acordo com os conceitos corpóreos. Tudo deve estar acima do pensamento, e o pensamento é totalmente abstrato.

Isto se refere apenas às correções emocionais internas que uma pessoa realiza em seus desejos e intenções, e nada mais. A Torá não nos obriga a realizar essas ações no nível físico.

Nós sabemos que nos últimos dias do Segundo Templo, as pessoas faziam tudo o que está escrito na Torá com muito entusiasmo e até mesmo queimavam animais, mas não se envolviam na correção interior, de modo que o segundo Templo foi destruído. A mesma coisa aconteceu com o primeiro Templo, que estava num nível espiritual mais alto.

É assim que a queda completa da humanidade ao nível corporal gradualmente aconteceu, e a correção interior deu lugar à ações mecânicas.

Nós não devemos tomar todas as instruções da Torá literalmente, porque se diz que devemos comer os sacrifícios, ou seja, que devemos receber a Luz de Hochma, a Luz da sabedoria nos desejos corrigidos, e não que devemos, literalmente, comer carne.

As alegorias da Torá são tão confusas para uma pessoa que não está preparada que nós evocamos imagens e sentimentos totalmente diferentes que estão relacionados com o nosso mundo material. A transição desta linguagem para o verdadeiro significado da Torá, que fala somente sobre ações espirituais, é um grande problema.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 24/10/13

Shabat Espiritual

Dr. Michael LaitmanComentário: Nosso entendimento interior do Shabat é diferente da compreensão religiosa no judaísmo baseada na materialização dos mandamentos.

Resposta: Os compromissos físicos que os judeus religiosos observam diariamente são repetições materiais de ações espirituais, que a Cabalá recomenda segui-las.

No entanto, a Cabalá não nos ensina apenas a cumprir ações físicas neste mundo material, nem recomenda sentar sem fazer nada durante os Shabats. A Cabalá nos ensina a corrigir o nosso ego durante os seis dias da semana, ou seja, a se conectar com os outros. Quando estabelecermos uma conexão clara com os outros, vamos perceber que somos incapazes de nos conectar com eles no nosso próprio sétimo dia.

Nós vemos que o comunismo, socialismo, comunas e kibutzim não podem mudar o estado das coisas no mundo. Isso só é possível se agirmos de acordo com o esquema que nos dá a oportunidade de reunir corretamente todas as partes quebradas nos primeiros seis dias, resultando, no sétimo dia, com todos os nossos desejos e aspirações para reunir todos novamente, acumulando e sendo colados sob a influência da força superior que uma vez os quebrou. Portanto, juntando de volta as partes da alma comum, nós permitimos que a Luz, que uma vez as quebrou, as cole novamente.

Ao agir assim, o que nós vamos conseguir? Quando trabalhamos durante os seis dias, nós começamos a entender exatamente como exatamente essas partes podem ser reunidas, vemos se elas correspondem, como impactam e ajudam umas às outras, como se anulam diante uma da outra e se conectam acima do seu egoísmo.

Mas nós estamos apenas tentando! As pessoas são incapazes de fazer qualquer coisa por conta própria, que é o que a União Soviética e outros países do mundo tentaram fazer; algumas sociedades estão tentando fazer isso agora.

Mas isso é impossível, porque nos falta a força capaz de mudar as coisas, porque só estamos em nosso desejo de receber. Mas, se o fizermos corretamente, iremos gradualmente acumular a Luz Superior, e depois que terminarmos a construção deste sistema, a Luz vai nos influenciar e conclui-lo.

Se deixarmos como está ou simplesmente negligenciarmos, não vamos atingir a conexão correta com a Luz. Na verdade, para isso serviu a quebra, de modo que a partir de agora, do ponto mais inferior quebrado, nós devemos colar as partes quebradas num novo todo. A quebra ocorreu para que pudéssemos entender as propriedades da Luz, para nos conectar e subir ao seu nível. Este é o propósito da criação, a razão para tudo o que acontece com a gente e todo o universo.

Portanto, o sétimo dia da semana é a pedra angular e é chamado de “Shabat“, da palavra hebraica “shvitah“, que significa isenção de trabalho. Nós permitimos que a Luz trabalhe em vez de nós, e para estarmos incluídos nela. Os seis dias não se referem aos dias atuais; são ações que podem ser feitas, por exemplo, em 15 minutos, mas podem levar dois meses.

Cada sétimo estágio deve ser sempre em acréscimo dos seus esforços. Você olha para a ação da Luz e começa a entender suas propriedades. Em outras palavras, as qualidades da Luz entram no sistema de conexão mútua que criamos. Então, nós subimos ao próximo nível e atingimos as propriedades da Luz conforme os nossos esforços durante os seis dias da semana.

Esta é a forma como nós trabalhamos, semana após semana, até chegarmos à reunificação completa de todas as partes quebradas numa única alma unificada e atingimos a Luz que age dentro do sistema, isto é, o Criador: a força original que fez todo o universo. Este é o nosso trabalho, a nossa meta, o nosso progresso.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 10/10/13

Fazer Um Sacrifício É Se Aproximar Do Criador

Dr. Michael LaitmanA essência inicial da criação é o desejo. O desejo é realmente neutro e pode ser dirigido em qualquer direção, para si ou para outros; ele pode estar em qualquer lugar e ter qualquer aspecto. Mas quando uma intenção egoísta “a fim de receber para si mesmo” é adicionada a ele, ele se torna cruel e mal, uma vez que é focado não só em sua satisfação, mas também na inclinação de não dar aos outros.

Toda a natureza de uma pessoa é a inclinação ao mal. Diz-se: “Eu criei a inclinação ao mal; eu criei a Torá como tempero”. A inclinação ao mal é chamada de nosso desejo que tem a intenção constante “a fim de receber para si mesmo”.

Rejeitar o uso egoísta dos desejos é uma ação espiritual chamada “realizar um sacrifício”. Em outras palavras, sacrificar o nosso ego não anulando-o, mas anulando o uso egoísta dos desejos.

Realizar um sacrifício é a capacidade da pessoa de realmente cortar pedaços de seus desejos nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza.

Todos os desejos são divididos em quatro partes: os níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza. Cada parte tem seu próprio aspecto da correção do seu ego para o altruísmo, a doação.

O trabalho mais simples é o trabalho com os desejos no nível inanimado da natureza. A Torá representa a construção do Tabernáculo, a preparação de diferentes objetos de ouro e pedras preciosas, o uso de sal na comida, a água, e tudo o que obtemos da terra.

Todas as plantas na natureza pertencem aos desejos no nível vegetal: grama, sementes, cereais e alimentos preparados a partir desses materiais, como o pão que é feito de farinha, etc.

As diferentes categorias de desejos no nível animal são descritas na Torá sob a forma de pássaros, peixes e animais, e já são sublimes desejos egoístas que devem ser mortos em certo ritual e a carcaça deve ser refrescada de uma maneira especial.

Cada um dos desejos corporais de uma pessoa deve ser processado de uma maneira especial, de modo que possa ser transformado de um uso egoísta para um uso altruísta. Isto é o que as leis da Kashrut se referem, ou seja, que elas são limpas do ego.

O último nível dos desejos são os desejos humanos, quando já temos que trabalhar em nós mesmos. Esta intenção mais elevada é chamada de sacerdote (Cohen), a mais baixa é chamada de Levi, e uma ainda mais baixa é chamada de Israel (as massas).

Realizar um sacrifício significa mudar os desejos de um nível egoísta para um nível altruísta. Por outro lado, não é um sacrifício, uma vez que em hebraico a palavra “Eid” (vítima) significa aproximar-se, ou seja, uma ação que nos aproxima do Criador.

Em geral, todas as leis e regras que a Torá apresenta se referem apenas à correção do ego. A parte principal, os sacrifícios (“Kurbanot“- vítimas), são os níveis que descrevem a aproximação da pessoa do Criador e a correção do ego ao altruísmo: do ódio aos outros para o amor aos outros.

Todas as ações espirituais são realizadas dentro de uma pessoa no grupo quando ela está junto com amigos que compartilham as mesmas ideias e com quem ela esclarece os elementos de seu comportamento interior e exterior: como cooperar com elas corretamente e como o grupo afeta cada um dos seus membros.

Assim, cada um, junto com a força geral de anseio pela doação e amor que se revela entre todos, gradualmente revela tais atributos altruístas que podem realmente elevar o grupo acima do nível egoísta. Isso é chamado de transição do nosso mundo para o mundo superior.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 24/10/13