Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

O Que O Criador Não Tem O Direito De Fazer

294.2Pergunta: Será que a humanidade realmente carece de um mínimo raio de luz neste reino sombrio?

Resposta: Sim. Acho que gradualmente superaremos essa tolice.

Pergunta: O que seria necessário para que o Criador deixasse escapar um pouco de luz? Apenas um pouquinho?

Resposta: Ele não pode. Ele não tem esse direito! O Criador não tem esse direito! Caso contrário, Ele violaria a lei fundamental da natureza: o egoísmo é completamente oposto a Ele!

Pergunta: O que essa lei da natureza proporciona?

Resposta: Ela permite que uma pessoa se torne igual ao Criador ao final do processo de correção. Caso contrário, isso não aconteceria.

Pergunta: Então, se Ele fizesse isso, Ele suprimiria a pessoa? A pessoa simplesmente correria atrás daquele pequeno raio e continuaria a persegui-lo para sempre?

Resposta: Sim. Em certo sentido, eles podem chegar a algo intermediário, mas tornar-se igual ao Criador, ser livre em suas ações, escolher (por livre arbítrio) a semelhança com o Criador e alcançar essa semelhança apesar de todos os problemas — e alcançar essa semelhança apesar de todos os problemas — tornar-se independente, isto é, criar outra imagem do Criador a partir de todas as leis e propriedades do universo, é isso que uma pessoa deve fazer.

Se o Criador fizesse isso, não teria sentido. Ele não tem o direito de mudar nada nessas condições; nem mesmo um pouco.

Pergunta: Então, de acordo com suas palavras, podemos dizer que depois de algum tempo,
virá a escuridão total?

Resposta: Sim, naturalmente! A maior escuridão virá antes da correção final.

Pergunta: Antes da subida?

Resposta: Sim! Ainda não vimos.

Pergunta: Então, isso ainda não acabou?

Resposta: Não. Haverá uma descida universal à selvageria. Como está escrito, as nações do mundo se levantarão contra o povo de Israel, e assim por diante. Em geral, serão coisas terríveis.

Comentário: Você fala de “coisas terríveis” e de uma “descida universal à selvageria”, mas ainda parece ter alguma alegria interior.

Minha Resposta: Sinto alegria porque esta é uma etapa necessária pela qual devemos passar, e podemos superá-la com sucesso combatendo a escuridão com luz. Isso seria realmente um grande passo em frente.

Pergunta: O que a humanidade deve fazer se, de repente, se deparar com o caos absoluto e a escuridão total?

Resposta: Primeiro precisamos evoluir até esse estado. O caos e a escuridão absolutos não serão revelados a menos que também tenhamos a possibilidade de revelar a luz.

Pergunta: O Criador nos dá apenas o que podemos suportar? Seremos capazes de suportar e nos reerguer?

Resposta: Claro. Mas, por enquanto, isso ainda está se arrastando, e se arrastando, e se arrastando. Quanto mais falarmos ao mundo sobre quem e o que é, mais rápido os problemas surgirão e mais rápido os resolveremos.

Pergunta: Então, por que você continua insistindo para que o mundo recupere o bom senso? Se é esse o caso, por que se incomodar? Deixe que ele simplesmente seja levado a esse estado de completa escuridão.

Resposta: É exatamente assim que será levado até lá! Quanto mais soubermos, mais rápido chegaremos lá. Mas somos obrigados a passar por isso.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 25/05/26

Ouça Somente A Si Mesmo

202.0Não olhe para os outros! De jeito nenhum. Você tem uma alma diferente; você não pode ser como eles e eles não podem ser como você. Portanto, preste menos atenção a todos os outros. Einstein teria conquistado alguma coisa se tivesse ficado olhando para os outros? É impossível! Você só deve ouvir a si mesmo. Mesmo que eu cometa um erro, este sou eu.

Pergunta: E se aplicássemos isso a uma pessoa comum, do dia a dia?

Resposta: O que significa ser comum? Todos podem ser extraordinários. Deixem que ouçam a si mesmos, que deem ouvidos à sua própria voz interior. Isto é o que eu posso fazer, isto é o que eu quero e isto é no que eu acredito. Não é contrário aos outros, mas vem de dentro de mim.

Preciso extrair o meu “eu” de dentro de mim. Aí você se sentirá muito confortável com isso, até mesmo com os erros.

Comentário: Estou tentando aplicar isso em mim agora, mas não é tão fácil!

Minha Resposta: Basta fechar os olhos e você estará sozinho! Mas estará consigo mesmo; ainda assim não estará fugindo de si mesmo. Isso é tudo.

Pergunta: E devo viver dessa maneira?

Resposta: Sim

Pergunta: Este é o seu conselho?

Resposta: Este é o meu conselho. Para concretizá-lo, você precisará criar um ambiente especial para si mesmo, e assim por diante. Mas, ainda assim, isso dependerá exclusivamente de você.

Comentário: Estou pensando na minha própria experiência. Se eu sinto que “isto é meu”, você diz que eu tenho que agarrar e pronto. Ora, eu já senti uma vez: “isto é meu”, com certeza eu já senti…

Minha Resposta: É isto que estou percebendo.

Comentário: E devo ir por este caminho? É isso mesmo! E no caminho haverá rajadas de vento e ondas…

Minha Resposta: Não importa; isso me aproximará ainda mais de mim mesmo.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 24/04/26

Não Olhe Para Trás

760.2Uma pessoa não deve olhar para trás. Não deve se remoer ou se censurar por certas ações, nem ao mesmo tempo se vangloriar de alguns de seus feitos.

Em outras palavras, ela não deveria tentar encontrar um equilíbrio, pensando que fez isso de uma maneira e aquilo de outra, e aqui falhou um pouco.

Pergunta: Esta foi a minha vida; a de um herói ou a de um pecador?

Resposta: Minha vida não me pertence. E agora finalmente posso dizer que o que vivi não foi vivido por mim. Passou por mim, mas não era eu. Eu estava sendo conduzido. Minha vida é como me apareceu em um sonho. Não era eu, tudo passou como um sonho. Portanto, basta aceitar isso; nada mais é necessário.

Pergunta: Simplesmente aceitar?

Resposta: Sim. Simplesmente aceite. E isso também não importa. O que quer que aconteça a uma pessoa, acontecerá. E o que quer que ela sinta durante o processo, ela sentirá. Não é “ela” que sente, mas sim “ela” que é sentida, por assim dizer.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 18/04/26

O Desejo De Receber Implica Livre-arbítrio?

252Pergunta: A anulação perante o superior é uma via de coerção?

Resposta: Diz-se que não há coerção na espiritualidade. No entanto, parece que a anulação perante o divino é uma forma de coerção exercida pelo divino sobre nós. Se analisarmos a questão sob a perspectiva da Hagadá de Pessach, o Criador acrescenta a inclinação ao mal ao Faraó e, em seguida, o castiga.

O pobre Faraó não sabe para onde fugir. Ele não pode ir a lugar nenhum, porque é feito inteiramente de qualidades opostas. Então, para onde ele pode correr?

Assim, parece não haver estado mais miserável ou terrível do que a forma como o Criador trata o Faraó. Será apropriado que o Criador se relacione dessa maneira com a Sua criação, com todas as suas qualidades?

Pergunta: Não pergunto do ponto de vista do Criador, mas sim do ponto de vista do ser criado. Escolher a opinião do superior é um ato de coerção, contrário à minha própria opinião? Afinal, com essa pequena força que extraio do grupo, eu me obrigo a ir contra mim mesmo.

Resposta: Do ponto de vista da pessoa, é exatamente a mesma coisa. O Faraó é tudo dentro de nós, toda a nossa natureza. Posso fazer alguma coisa com isso se for 100% assim? Você diz: “Minha suposta escolha do Criador não é realmente uma escolha minha. É simplesmente uma ação que tomo por impotência”.

Quando recebo golpes e, como resultado, começo a perceber, ainda que minimamente, que se eu mudar para outro estado, talvez até mesmo adquirir outra natureza, poderei escapar desses golpes, é precisamente isso que me obriga a fazer uma determinada escolha. Mas será que isso se chama livre-arbítrio?

Ou seja, o desejo de receber aparentemente “escolhe”: prefere morrer a continuar sentindo os golpes, a ponto de serem piores que a morte. Melhor não me sentir de forma alguma, como se eu não existisse, simplesmente não sentir esse sofrimento.

Um sentimento de tanto desespero se instala em nós, a ponto de ser mais fácil não sentir nada do que suportar os golpes. Será que isso pode ser chamado de escolher a conexão com o Criador, com a espiritualidade, com a eternidade? Quem disse que isso é livre-arbítrio, que existe liberdade de ação sem qualquer coerção?

Pelo contrário, diz-se: “Não há um fio de grama debaixo de você que não tenha um anjo que o golpeie e lhe diga: ‘Cresce!’” ou “Ele é forçado até dizer: ‘Eu quero’”. Há muitas expressões semelhantes que descrevem estados em que somente através de golpes e sofrimento o desejo de receber concorda em renunciar a si mesmo, em se anular. Nisto, não há livre-arbítrio.

Da Lição Diária de Cabalá 04/05/26, Rabash, “O que é o peso na cabeça no trabalho?”

Quem Detém A Chave Para A Liberdade E A Felicidade?

937Pergunta: O hino nacional de Israel, chamado “A Esperança” (Hatikva), contém os seguintes versos: “Nossa esperança aind.a não está perdida, a esperança que perdura há dois mil anos: ser um povo livre em nossa terra” O que significa ser um povo livre?

Resposta: A verdadeira independência não significa ter a possibilidade de fazer o que eu quiser sem considerar ninguém. Nós existimos dentro da estrutura da natureza, na qual operam duas forças. A força geral da natureza é positiva e generosa; ela criou o mundo inteiro e criou a segunda força em oposição a si mesma: a força negativa e egoísta.

É precisamente entre essas duas forças que o ser criado pode existir e sentir-se independente. As forças positivas e negativas nos governam e, portanto, são consideradas as forças superiores da natureza. Uma pessoa que se encontra entre elas possui a liberdade de escolher a qual força se unir.

Isso é chamado de linha do meio, quando conheço as forças positivas e negativas e escolho livremente quais delas considerar como boas e más e qual força prevalecerá.

No exato momento em que estabeleço o equilíbrio entre essas duas forças, como se estivesse nos pratos de uma balança, posso ser considerado independente. Pois agora nem a força do bem nem a do mal, nem o positivo nem o negativo, atuam sobre mim, e eu mesmo determino a linha do meio.

A liberdade é o sonho de todas as nações, de toda a humanidade, de toda a criação. É somente na busca pela liberdade que todos os elétrons se movem, as árvores crescem, as flores desabrocham e os animais percorrem a floresta em busca constante dela.

Pessoas, animais, plantas e até mesmo pedras buscam atingir um equilíbrio tal que nada os oprima. Só então é possível sentir-se vivendo livremente.

De todos os seres criados — inanimados, vegetais, animados e humanos — somente o povo de Israel possui a chave para essa liberdade e equilíbrio, ou seja, para a independência. Essa é a chave para o ponto ao qual todas as partes da criação estão direcionadas.

Essa chave se encontra na Cabalá, na parte interna da Torá. O povo de Israel é capaz de tomar essa chave e, com sua ajuda, encontrar o equilíbrio desejado por todos, a marca zero na balança, para se sentir independente e mostrar esse caminho a toda a humanidade.

Então o povo de Israel alcançará sua verdadeira realização. Para isso o Estado de Israel foi criado, e é exatamente isso que todas as nações do mundo esperam de nós. E se não lhes proporcionarmos esse sentimento de independência e liberdade, esse sentimento de equilíbrio, elas sentirão sua profunda dependência de nós e, portanto, odiarão os judeus e nos acusarão de lhes esconder a possibilidade de uma vida feliz.

Portanto, a independência do povo de Israel é a base da independência objetiva, verdadeira e completa. E todas as outras formas de independência que existem entre as nações e entre todas as outras partes da natureza dependem do povo de Israel. Devemos compreender até que ponto a realização de nossa verdadeira liberdade está em nossas mãos e nos obriga a alcançá-la pelo bem de todos.

De KabTV “Nova Vida 551 – O Que é a Verdadeira Independência?”, 12/04/15

A Resposta da Força Superior ao Homem

202.0O mundo se tornou árido. Não existe literatura nem arte como antigamente. Tudo o que restou nos vem dos séculos XVIII e XIX. Não há nada parecido hoje em dia.

Pergunta: Por quê? Será que não queremos aproveitar a vida?

Resposta: A pessoa está se tornando mecânica.

Pergunta: Por que a força superior está fazendo essas coisas conosco? Qual é o propósito?

Resposta: Falarei em nome da força superior. “Primeiro, para que vocês percebam a negatividade e a insignificância da sua existência e queiram mudá-la”.

Pergunta: Posso falar com a autoridade superior em nome da humanidade?

Resposta: Pode prosseguir.

Comentário: Mas você, a força superior, no criou assim. Você fez isso!

Minha Resposta: “Isso mesmo. Eu criei você. Eu o criei de tal forma que você escolheria o caminho certo na vida”.

Pergunta: Não seria possível nos colocar imediatamente no modo de vida correto?

Resposta: “De jeito nenhum!”

Pergunta: Por quê?

Resposta: “Porque você seria um autômato. Mas agora, você tem uma escolha entre isto e aquilo. E eu quero que você exista precisamente dentro dessa escolha e, gradualmente, escolha a existência ideal para si mesmo, na qual você será semelhante a Mim”.

Comentário: Significa que a força superior tem…

Minha Resposta: Existe um programa, existe um objetivo! Tudo está preparado, é claro.

Pergunta: Ele é tão egoísta: “Então você se tornaria semelhante a Mim”?

Resposta: Talvez você possa dizer assim. No entanto, tornar-se semelhante ao Criador significa tornar-se totalmente bondoso, totalmente amoroso com todos, e assim por diante. Aqui, ao contrário, uma pessoa deve desenvolver qualidades antiegoístas.

Pergunta: Isso significa que você, a força superior, quer exatamente isso de nós? Esta é a única e mais importante coisa?

Resposta: A única coisa! Discordamos completamente disso.

Comentário: Certamente, eu não concordo com o sofrimento.

Minha Resposta: Sim, mas, se eu pensar de forma sensata, provavelmente não terei outra escolha senão concordar com você.

Pergunta: Você está falando com a força superior em nome da humanidade?

Resposta: Sim

Pergunta: Então, devemos concordar?

Resposta: Em última análise, sim. Se criarmos uma sociedade e conexões entre nós que apoiem essa ideia, será muito fácil para nós e alcançaremos esse estado rapidamente.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 12/03/26

A Livre Escolha Da Criatura

120A luz é chamada Shochen, e o Kli onde a luz está envolta é chamado Shechina (Rabash, “O que significa, ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na obra?”).

A Criação consiste em duas partes: o Criador e a criatura. A Shechina é a revelação do Criador, a presença do Criador dentro da criatura. Mas se a Sua presença desaparece da nossa percepção, pode haver duas razões para isso: ou o Criador se oculta, isto é, expulsa a Shechina da criatura e não se revela a ela, ou a própria criatura provoca isso, seja por sua própria vontade ou não.

Isso acontece porque a luz é superior e governante, enquanto o corpo deseja desfrutar da luz e senti-la como plenitude. Assim, o corpo torna-se dependente da luz. Para que não dependa da luz e se realize por sua própria vontade, em igualdade de condições com a luz e não em subordinação a ela, é necessário remover a grandeza da luz, remover a presença do Criador e, assim, dar ao corpo a possibilidade do livre-arbítrio.

Mas para isso, é preciso dar-lhe os meios de escolha. Por esses meios, referimo-nos à capacidade dp vaso de distinguir uma coisa da outra segundo um determinado critério.

O Criador baixa a Shechina para dentro do vaso até o nível do pó; o vaso se quebra e centelhas de doação são incrustadas nele. Então a Shechina se retira e se mostra corrompida e quebrada, ou seja, o Criador mostra ao vaso que Ele reside em um desejo não realizado (uma carência) e que Ele requer o surgimento da atitude da criatura em relação a Ele.

Todas essas diversas relações entre o Criador e a criatura devem, em última análise, levar a um estado em que a criatura adquire todas as condições necessárias para o livre-arbítrio, de modo que, posteriormente, ao retornar ao infinito, ela recriará o estado de infinito por sua própria força.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na Obra?”

O Que Determina O Ritmo De Progresso?

527.03Pergunta: Considera-se que eu mesmo escolhi meu ritmo de progresso anterior, ou não tive escolha naquela época?

Resposta: Você teve uma escolha, mas não a exerceu. Quanto ao ritmo do seu progresso, você é livre. Devemos acreditar que, no estado atual, nossa percepção de como progredimos e nossa atitude em relação ao Criador dependem dos nossos esforços.

Se você se esforçar, no final, você se relacionará bem com todas essas coisas. Você O justificará, você alcançará o amor por Ele; e se não, passará pelos mesmos estados com um sentimento ruim.

Pergunta: Por exemplo, se no passado eu podia escolher duas direções: para a direita ou para a esquerda, mesmo que eu cometesse um erro, agora, o Criador teria providenciado tudo de forma que desse certo?

Resposta: Em relação ao passado, você não cometeu nenhum erro.

Pergunta: Vale a pena relembrar bons momentos anteriores para obter reforço para o presente e o futuro?

Resposta: Sim. É isso que você está fazendo. Não importa se vale a pena ou não, se é permitido ou não. É isso que as pessoas fazem. Mas quando uma pessoa avança um pouco mais, ela não quer receber reforço do passado; ela sempre busca reforço no Criador, desconectando-se do passado.

Isso se chama “Cada dia será como novo aos seus olhos”. Tudo é novo. Você não quer receber apoio do que era antes. Você quer receber apoio da sua busca por uma conexão com o Criador a cada vez. Contudo, se por um tempo o corpo exigir esse tipo de reforço, isso também é normal. Nada pode ser feito; tais são as etapas do caminho.

Da Lição Diária de Cabalá 16/03/26, Rabash, “O que é, ‘As boas ações dos justos são as gerações’, na Obra?”

Temos Livre Arbítrio?

760.4Pergunta: Se uma pessoa tem livre arbítrio, posso olhar para o meu passado e dizer que poderia ter feito algo diferente naquela época, que eu tinha liberdade de escolha?

Resposta: Não. Por que você pensaria assim? E quanto ao futuro, também não. E no presente? Em que tenho, neste momento, liberdade de escolha? Somente em me fortalecer, concordar, desejar a qualidade de doação, esforçar-me para que isso aconteça o mais rápido possível e exatamente como o Criador deseja.

Tenho liberdade de escolha, não na ação em si, mas na sua execução. Que ela se concretize, não de modo que eu a aceite sob pressão de ameaças e infortúnios, mas sim de forma que, por minha própria vontade, daqui para frente, eu deseje a sua realização.

O Criador já tem tudo planejado. Em relação às ações, em relação ao que nos acontecerá, não temos nenhuma liberdade. Tudo o que devo enfrentar está predeterminado.

Mas se eu não desejo esses estados, se não quero avançar rumo a uma doação cada vez maior, depois de ter decidido que, a partir deste momento, em cada etapa seguinte, serei ainda mais doador, então inevitavelmente revelo esses estados como sofrimento. Não tenho saída: avanço, mas sofro cada vez mais.

Ou, pelo contrário, se eu me convencer de que esses estados são bons e eficazes, de que os desejo antecipadamente, eles me serão revelados como bondade, como bem-aventurança, abundância e eternidade.

No entanto, as etapas pelas quais passo são obrigatórias. Posso determinar o ritmo, mas não posso evitar estar em cada um desses estados.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/03/26, Rabash, “O que significa ‘As boas ações dos justos são as gerações’ na Obra?”

Entenda A Necessidade Da Natureza

733Nós existimos em um estado especial, em um mundo único, no qual não compreendemos o que acontece conosco. Não sabemos o que acontecerá conosco agora ou daqui a um minuto; não percebemos nenhum sistema claro de recompensa ou punição, nem de causa e efeito entre nossas ações, pensamentos ou atos físicos. Vivemos em relativa escuridão, no vazio.

Algo acontece, mas dificilmente sabemos como e porquê. Vemos apenas as consequências imediatas de nossas ações mecânicas no momento presente, e não enxergamos além desse nível.

Não conhecemos as consequências de nossos desejos, de pensamentos bons ou maus. Os pensamentos e desejos dos outros me afetam? Eu os sinto ou não? Não sei, é incerto. Em essência, nos encontramos existindo em um espaço de escuridão quase total. E essa escuridão sequer nos incomoda; nos acostumamos a ela.

Uma criança pequena, como vemos, não entende o que está fazendo ou o que está acontecendo com ela. Ela corre, brinca e puxa coisas; uma criança explora o mundo através de um nível mínimo de contato com ele.

E nós? Fundamentalmente, também temos um nível mínimo de contato com o mundo. Mesmo no nível físico, não sabemos ao certo se interagimos com o mundo corretamente ou não. Somente em nossa época, neste século, estamos começando a perceber como nossa interação com o mundo impacta o meio ambiente, a ecologia, o clima, etc. Mas como nossos pensamentos afetam o mundo, a medida mais forte de impacto, ainda não sabemos.

Em princípio, se traçarmos a hierarquia da nossa interação física com o mundo a partir do nível mais baixo, o nível humano, que sucede os níveis inanimado, vegetativo e animado, é, em essência, o nível dos pensamentos, das intenções e da atitude interior de uma pessoa em relação à sociedade ou ao mundo em que existe.

Então fica completamente obscuro onde se encontram a recompensa, a punição e as consequências de nossas ações boas ou más.

Em geral, isso é um problema. Somos como crianças correndo pela sala, fazendo algo sem entender o significado ou a reação exata. Dizemos à criança: “Não faça isso!”, mas ela não entende o porquê. Nós sabemos, mas ela não. E quem pode nos dizer o que é permitido ou não também não está claro.

Só agora começamos a perceber que existe uma única força superior (chame-a de natureza ou Criador) que governa tudo porque está integralmente conectada a nós, e devemos levá-la em consideração. Vemos que tudo na natureza segue leis absolutas que agem sobre nós sem nos consultar. E aqui surge um sistema de relações muito complexo.

Como podemos nos comportar em relação à natureza que nos cerca, ao mundo superior, à força superior, se existimos dentro dele, mas permanecemos completamente alheios à sua presença? Consequentemente, em nossa insensatez, nos comportamos inadvertidamente como crianças pequenas; imaginamos que somos livres para agir como bem entendermos, apenas para nos vermos atingidos por todos os lados por uma saraivada de dolorosas consequências.

No entanto, não damos a essas consequências a atenção que merecem, não as reconhecemos como resultado de nossas próprias falhas, nem percebemos a ligação causal direta entre nossas ações e a resposta da natureza. Simplesmente não entendemos a fórmula fundamental que rege a interação adequada entre nós e o mundo natural.

Se fôssemos capazes de perceber e compreender isso, nosso egoísmo, nosso desejo inato por uma existência confortável, nos guiaria infalivelmente na direção certa. Mas, como esse sistema de governança permanece oculto para nós, continuamos a nos comportar como crianças pequenas; tudo o que nos interessa no momento, agarramos imediatamente para experimentar, sem nos atentarmos às consequências. E, se há consequências, não as relacionamos à causa. Aqui reside nossa ignorância sobre governança e todos os problemas de nossa vida.

É claro que esta é uma existência miserável, mas não há nada a fazer. A governança superior e a clara conexão entre nossas ações e consequências nos são ocultadas para nos elevar a um nível em que nós mesmos realizaremos as ações corretas não por coerção, mas porque desejaremos estar em conexão direta com o Criador e desejaremos ser bons e bondosos.

É precisamente isso que a natureza exige de nós, seres irracionais que somos, de percebermos a realidade em que existimos e de agirmos de acordo com essa consciência.

Da Lição de Cabalá em Russo, 17/03/19