Textos na Categoria 'Estrutura do Universo'

O Efeito Milagroso Da Luz

276.02Pergunta: O Criador sofre por não poder doar nada à criação. Mas por que razão a criação desenvolveria a necessidade de doar algo ao Criador?

Resposta: A necessidade de doar surge na criação de cima, sem qualquer preparação da sua parte. Assim como a luz que preencheu o primeiro estágio lhe conferiu a sua natureza, também a luz circundante que desce sobre aquele que estuda a Cabalá, que deseja se conectar com a raiz, lhe dá as suas qualidades.

Mesmo que por ora ele simplesmente queira se conectar com a raiz sem sequer perceber o que ela é, ele estuda não por amor ao conhecimento, mas para preencher o vazio em seu coração. Então a luz circundante, ao influenciá-lo, lhe traz o encantamento da santidade e lhe proporciona precisamente uma afinidade com a qualidade de doação.

A luz circundante desperta na pessoa o desejo de doar. A pessoa não sabe como isso acontece. Não somos capazes de expressar como, dentro do desejo de receber, nasce o desejo de doar; assim como, a partir do primeiro estágio da luz direta, forma-se o segundo estágio. Não temos palavras para expressar essa transformação.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na Obra?”

A Relação Entre O Anfitrião E O Convidado

232.01Pergunta: Em que consiste a oferta ao Criador? Afinal, o Criador, em essência, não precisa de nenhuma oferta de nossa parte.

Resposta: Tomemos o exemplo do convidado e do anfitrião, escolhido provavelmente por Baal HaSulam por descrever todas as nuances da relação. Por um lado, parece que o anfitrião não precisa de nada do convidado, mas, por outro lado, por que Ele, mesmo assim, faz o convidado ter consciência de Sua existência?

Ele poderia receber prazer do convidado sem se revelar. Será que uma mãe em nosso mundo tem a intenção de se revelar ao filho quando lhe dá algo? Não, essa é simplesmente a natureza do seu desejo de receber. Ela desfruta mesmo que o filho não lhe dê nada em troca.

Assim, da perspectiva do desejo de receber, o anfitrião não é obrigado a se revelar ao convidado; o desejo de receber já contém a satisfação do ato de dar. Portanto, o desejo de se revelar ao convidado deriva do desejo de doar; por meio da revelação do Anfitrião, o convidado pode alcançar um grau superior ao de um mero receptor.

Vemos que Bina  não precisa de nenhuma retribuição de Malchut além de receber MAN, segundo a qual ela passa MAD de Aba para Malchut, e nada mais. Por quê? ZAT de Bina é o desejo de receber, portanto ela não precisa de nenhuma resposta de Malchut, que simplesmente recebe sem qualquer restrição.

Mas quando Bina  se revela a Malchut, ela não revela sua essência, mas sim suas GAR, o desejo de doar que recebeu de Keter, e deseja se assemelhar a ele porque Keter é o doador.

Aqui reside uma espécie de paradoxo. Se o desejo de receber funciona em função da doação, então não necessita de nenhuma resposta para seu próprio benefício. O desejo da mãe (Ima) de receber é satisfeito; ela se satisfaz ao receber do pai (Aba) e transmitir adiante. Seu AHP está pleno, e ela o desfruta — basta pedir de baixo, e isso é suficiente.

Disso depreende-se que, mesmo que o Criador desejasse receber, Ele não teria necessidade alguma de Se revelar ao ser criado, apenas de dar e desfrutar do ato de doar. Somente a necessidade de elevar o ser criado ao Seu nível obriga o Criador a Se revelar, não por um desejo de receber, mas por um verdadeiro desejo de doar, a fim de edificar os Kelim dentro do ser criado, que anseia alcançar o Seu nível.

Portanto, quando o ser criado começa a sentir o anfitrião, também percebe o Seu status. O anfitrião não está simplesmente dando algo a ele, pois quem dá deseja receber prazer disso, o que nos parece justificado. Mas quando o anfitrião se revela perfeito, revelando ao ser criado a sua própria imperfeição em comparação, o ser criado adquire verdadeiramente uma deficiência (Hisaron).

Agora vemos que receber prazer do anfitrião, dentro do desejo de receber, é necessário apenas para manter a conexão, enquanto todo o resto se baseia unicamente no desejo não realizado (Hisaron) do ser criado de ser como o anfitrião. Portanto, cada vez que nos aprofundamos na obra, em sua importância, em qualquer relacionamento com o Criador, devemos nos relacionar com Ele não como o doador (“Vá ao Mestre que me fez”), mas como um modelo para o meu Hisaron, como aquele a quem devo me assemelhar.

Devo me esforçar pelas mesmas qualidades, as mesmas propriedades, as mesmas aspirações que Ele tem. E isso é chamado de “as nove primeiras Sefirot” (Tet Rishonot). O restante do relacionamento é construído na interação entre o receptor e o doador, entre o Criador e o ser criado.

Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, se ele engolir a erva amarga, não sairá, na obra?”

Adquira A Qualidade Da Misericórdia

608.02O desejo de receber constitui a essência da criação. Mas, enquanto não for corrigido pela qualidade de Bina e transformado em uma intenção voltada à doação, não poderá ser devidamente utilizado e levado à perfeição e à eternidade.

Portanto, Abraão, que foi o primeiro a alcançar essa correção, é chamado de “pai do povo”. Ele recebeu uma letra adicional “Hey” (“H”) ao nome “Abrão”, o que indica que ele recebeu a propriedade de Bina.

Sua propriedade é chamada misericórdia (Chesed). Quando Bina, que pertence às três Sefirot superiores (GAR), transmite sua propriedade às sete Sefirot inferiores (ZAT), aos vasos receptores do inferior, sua propriedade é definida como misericórdia. Isso é o que se deve adquirir para corrigir o Kli da própria alma.

Medimos o nível espiritual de uma pessoa e sua capacidade de receber em prol de doar pela extensão em que ela alcança a correção de Bina em sua Malchut. Em outras palavras, tudo é medido, não pela Malchut em si, mas pela capacidade de utilizá-la de acordo com a correção de Bina presente nela.

Para corrigir a criação, os vasos foram quebrados (a quebra dos vasos); como resultado, todas as propriedades de Bina foram incorporadas às propriedades de Malchut e se misturaram. Em cada parte de Malchut, o atributo de Bina está presente na medida em que Malchut é capaz de perceber e adquirir essa propriedade de forma benéfica.

Essa mistura deve atingir o grau mais baixo, pois essa é a única maneira de identificar e corrigir Malchut para que, em cada um de seus estados e desejos, ela utilize a propriedade de Bina para adquirir seu caráter.

Portanto, em vez de considerar Bina como sua (agindo como uma Klipa e usando a santidade para receber), Malchut faz algo diferente: adere a Bina inicialmente usando apenas as forças de Bina e somente depois assimila as propriedades de Bina, dando em prol de dar e depois recebendo em prol dar.

Assim, uma pessoa deve revelar e implementar o uso correto de Bina. Em outras palavras, deve adquirir a propriedade da misericórdia e torná-la mais importante do que todas as outras propriedades, atributos e características distintivas. Esta é, em essência, a totalidade do trabalho de uma pessoa.

Torna-se evidente que o desejo de receber foi criado como um meio de alcançar o nível do Criador, pois com toda a sua força se une à propriedade da misericórdia, a propriedade de Bina, à propriedade do Criador, a doação. Malchut, ao aderir a Bina, alcança Keter utilizando a propriedade de Bina em sua capacidade máxima.

Observamos que o processo de inclusão de Malchut em Bina, além de ser todo o nosso caminho e a soma de nosso trabalho, também se refere à instrução que o Criador dá a Abraão: “Vai em frente”. Uma pessoa que recebe a adição de Bina à sua natureza agora tem a oportunidade de trabalhar, visto que possui ambos os meios, e somente trabalhando corretamente com eles poderá alcançar o objetivo da criação.

Da Lição Diária de Cabalá 19/03/26, Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”

A Partir Do Sentimento De Vergonha

548.03Pergunta: Por que o ser criado constrói um novo Kli conhecido como luz refletida?

Resposta: Malchut, do mundo infinito, sentiu a disparidade entre si e a luz superior; percebeu o quanto Ele é exaltado. Além disso, ao receber prazer Dele, percebeu sua própria oposição à luz, o que lhe trouxe um sentimento de separação, a constatação de que era diferente Dele. Isso a levou à restrição (Tzimtzum).

Chamamos essa sensação de vergonha. Há um significado muito profundo oculto nisso, mas é difícil e nem sempre possível expressá-lo em palavras. No entanto, é precisamente a partir desse sentimento de vergonha que Malchut gera todas as ações subsequentes, desde o estado no mundo do infinito, quando sinaliza sua prontidão para realizar a primeira restrição, até o momento em que completa todo o processo e retorna ao estado da correção final, ao estado do infinito, antes repleto de luz, mas desta vez em um vaso de luz refletida.

Essa sensação inicial de vergonha serve para ativar e sustentar todas as ações subsequentes. Isso por si só é suficiente. De fato, tudo o que existe, desde o mundo do infinito até todo o ciclo que leva de volta ao Infinito, é essa mesma Malchut atuando nos bastidores. Embora opere através de várias partes e estados, é Malchut quem realiza o trabalho.

Por um lado, ela orquestra a quebra dos vasos para que eles experimentem e reconheçam plenamente a extensão de todas as suas deficiências; por outro lado, Malchut integra as nove primeiras Sefirot que estão nela para corrigir sua relação com a luz superior.

Segue-se que ela realiza todas as ações com o único propósito de restaurar a si mesma ao estado de infinito. Ora, o estado de infinito é alcançado por sua própria iniciativa, a partir de um estado de absoluta oposição. Malchut escolhe o estado de infinito e, ao fazê-lo, eleva o Criador à exaltada estatura do doador.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’ na Obra?”

Internalizar Os Desejos De Outra Pessoa

219.03Isso é chamado de “a tristeza da Shechina”. Ou seja, é o fato de o Criador não poder doar alegria e prazer como Ele deseja, pois Seu desejo é fazer o bem às Suas criações (Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’ na Obra?”).

Pergunta: Por que dizemos “a tristeza da Shechina” e não “a tristeza do Criador”?

Resposta: Porque a revelação do Criador em relação ao ser criado aparece como uma imagem espelhada da Malchut corrigida. Isso serve de exemplo para Malchut de como ela deveria ser. Mas, é claro, essa é a tristeza do Criador pela incapacidade de doar aos seres inferiores.

Rabash escreve que a luz é chamada Shochen, e o vaso que a luz envolve é chamado Shechina. Assim, a Shechina é a percepção da dor do Criador no ser inferior, porque este a sente em seus próprios vasos.

O Criador deseja doar-lhe. Isso não se refere exatamente ao Criador em si, mas à atitude do Criador para conosco.

Pergunta: Mas por que não se trata da relação do Criador consigo mesmo?

Resposta: Porque essa revelação ocorre em Malchut, que está em um estado onde pode sentir a tristeza do outro e trabalhar com isso na doação.

Em essência, a tristeza da Shechina é a tristeza de Malchut. Isso não significa que o Criador se arrependa ou sinta tristeza; antes, Malchut revela quão grande é a sua própria tristeza, quão profundamente lamenta que o Criador não possa lhe doar.

Tudo aqui está focado especificamente no vaso do ser inferior, porque o vaso do ser inferior está pronto para sentir essa dor, já tendo passado pela correção de Hafetz Chesed. Caso contrário, não seria capaz de sentir a dor de outro.

Hafetz Chesed significa que eu não desejo nada para mim mesmo e, portanto, sou capaz de ser preenchido com os desejos do outro.

Da Lição Diária de Cabalá 24/03/26, Rabash, “O que significa ‘Quando Israel está no exílio, a Shechina está com eles’, na Obra?”

Prefira A Qualidade De Bina

232.01Este assunto é apresentado no “Prefácio à Sabedoria da Cabalá” (item 58): “Este é o significado das palavras de nossos sábios: ‘No princípio, Ele contemplou a criação do mundo com a qualidade de Din [julgamento]. Ele viu que o mundo não existe e precedeu a qualidade de Rachamim [misericórdia]  (Rabash “Sobre Chesed [Misericórdia]”).

O que significa “criar o mundo com a qualidade do juízo”? Primeiro, Malchut foi criada, e então Bina foi unida a ela em uma forma não corrigida. A questão é que Bina em si não pode ser corrigida, mas Malchut usa essa qualidade de acordo com seu próprio desejo, guiada por considerações de máximo prazer próprio. Isso é chamado de quebra dos vasos, a Torá não corrigida.

Surge então uma questão: “Mas o Criador não poderia ter misturado Bina com Malchut de forma que se combinassem corretamente?” Contudo, se tivessem sido misturados corretamente desde o princípio, nada teríamos alcançado com isso, pois não estaria sob nosso controle, não seria nosso, mas essencialmente do Criador. Além disso, não seríamos capazes de discernir essas qualidades e escolher como usá-las. Não teríamos independência.

Mas se, a partir de Malchut, escolhermos a governança de Bina, a adquirirmos e aderirmos às suas qualidades, então, com isso, escolhemos uma saída de uma natureza para outra. Nisto reside toda a escolha, toda a construção do humano dentro de nós. Afinal, tanto Malchut quanto Bina  são criações do Criador; não há nada aqui de nossa parte.

De nossa parte, devemos apenas discernir e preferir a qualidade de Bina sobre a qualidade de Malchut, para colocar Malchut sob a autoridade de Bina, e não como a recebemos após a quebra dos vasos, quando Bina está sob o controle de Malchut.

Da Lição Diária de Cabalá 19/03/26, Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”

Desfrute Da Doação

4Pergunta: Como pode uma pessoa (que é “algo a partir do nada”) alcançar o plano do Criador se ela não existia naquele estágio?

Resposta: Diz-se: “Pelas Tuas ações Te conheceremos”.

O que diz o segundo estágio do desenvolvimento do desejo? “Quero ser como Tu”, isto é, como Keter. Quando revela a ação de Keter de dentro de Chochma, diz: “Não quero ser como Chochma, não quero desfrutar de sua luz, mas quero ser como a raiz, como Keter, que dá prazer a Chochma”.

Então Bina deseja alcançar a mesma ação que Keter e realiza essa ação em Zeir Anpin, e ao doar como Keter, chega a compreender quais prazeres existem em Keter e deseja desfrutá-los precisamente. Portanto, Malchut deseja desfrutar do grau do Criador, do grau de Keter, que é Ele quem dá.

Vamos colocar desta forma: uma criança gosta do que a mãe lhe dá. Então ela pensa: “Quero dar prazer à minha mãe para que ela se sinta bem”. E ela faz algo pela mãe. Através disso, ela compreende o quanto a mãe gosta de lhe dar coisas.

O prazer da mãe ao dar um doce para o filho não é o prazer que ele sente com o doce em si, nem o prazer que ele transmite para a mãe. Ele entende que, para a mãe, esse prazer equivale a um milhão de doces. Então ele quer desfrutar exatamente desse prazer.

Isso significa que em Malchut, no quarto estágio, surge um desejo adicional que não existia antes. O ser criado alcançou esse desejo. Portanto, o quarto estágio é chamado de “Malchut” (reino); é um estágio que não procede diretamente do Criador e é a raiz dos seres criados. Ainda está conectado ao Criador, ainda repleto de luz, não separado dele, mas o desejo que nele existe não veio diretamente.

A criança percebeu: “Mamãe desfruta muito mais aquele doce que me dá porque me ama, quer me dar, tem uma generosidade imensa. Então eu quero desfrutar como mamãe desfruta”.

Portanto, para esse desejo adicional, que não provém diretamente do estágio raiz, a criação não pode colocar uma barreira. Ela não pode agora dizer: “Mas eu quero doar, eu quero ser como Ele”. Ela não pode, ela é incapaz.

Agora, deseja desfrutar da doação da mesma forma que o Criador a desfruta, mas quer experimentar esse prazer em seu desejo de receber. Portanto, o ser criado só é capaz de impor uma restrição.

Aqui surge uma questão séria: de onde ele pode tirar a força para a restrição? Em outras palavras, aqui se revela a diferença entre ele e o Criador, chamada “vergonha”, e o ser criado faz a restrição.

Da Lição Diária de Cabalá 19/03/26, Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”

A Verdade Sobre A Realidade

423.02Pergunta: Quantas forças existem e podem interagir entre si?

Resposta: Um número infinito. Aquilo que dividimos em 125 graus pode ser subdividido ainda mais, indefinidamente.

Vemos que toda a humanidade, tendo passado por seus ciclos ao longo de, digamos, cem mil anos de existência, ainda nem sequer alcançou o corredor que leva ao mundo espiritual. E por quantos estados diferentes uma massa tão imensa de pessoas passou durante esses cem mil anos — a cada minuto, a cada segundo?

Não conseguimos nem imaginar com o que realmente estamos lidando. Mas na espiritualidade, é mais simples, porque o grau inferior, com toda a sua diversidade, entra no grau superior como um único elemento.

Ou seja, toda a natureza inanimada é considerada uma unidade em relação à natureza vegetal, toda a natureza vegetal é considerada uma unidade em relação à natureza animada, e toda a natureza animada é considerada uma unidade em relação ao ser humano.

E toda a humanidade é considerada como uma única unidade em relação ao divino. Portanto, não há complexidade. Pelo contrário, tudo se torna cada vez mais simplificado.

Pergunta: Por que existe especificamente essa gradação de níveis inanimado, vegetativo e animado?

Resposta: Isso deriva dos quatro estágios da expansão da luz direta. O início da influência da luz sobre o desejo, quando o desejo ainda não se sente como existente, é chamado de letra “Yod”  ou o primeiro estágio do desenvolvimento do desejo. Em seguida, vem o segundo estágio, quando o desejo já começa a sentir a si mesmo. Depois disso, vêm o terceiro e o quarto estágios. No quarto estágio, o desejo começa a sentir o Criador. Este quarto estágio é chamado de homem (em hebraico, Adam, da palavra “Domeh”, que significa semelhante ao Criador). Ou seja, o desejo no quarto estágio sente o Criador e, assim, adquire a possibilidade de se tornar semelhante a Ele.

Desde a primeira percepção do Criador até hoje, passaram-se 5.786 anos, ou seja, desde o momento em que Adam sentiu o Criador pela primeira vez. Esse momento é chamado de Ano Novo Judaico (Rosh Hashana) e é considerado a data do primeiro contato de um ser humano neste mundo com o Criador.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. A Verdade sobre a Realidade”, 08/10/10

Duas Manifestações Do Criador

276.02O que está incluído no conceito de “Torá”? Existem apenas duas coisas no universo: o Criador e a criação. Mas, de repente, descobrimos tantos nomes, características e conexões que ficamos confusos.

A criação é o desejo de receber, e o Criador é o desejo de dar, de doar prazer. A manifestação do Criador à criação é, em essência, tudo o que acontece. O Criador ou se revela à criação ou se oculta dela, e assim provoca diversos fenômenos na criação. Estamos falando desses fenômenos; eles são toda a nossa vida, todas as nossas preocupações. Este é o vaso (Kli) em relação à luz, e nada mais há a acrescentar aqui.

A manifestação do Criador às criaturas tem milhares de nomes, pois se relacionam não apenas ao desejo de receber, mas também ao que esse desejo espera do Criador que se revela a ele.

Então a criação começa a desejar várias coisas do Criador. Basicamente, ela quer que o Criador a preencha e lhe dê prazer, ou que lhe dê a força para receber esse prazer, de modo que ela sinta que, ao fazê-lo, está dando prazer ao Criador. Só pode haver esse tipo de relação entre eles.

O desejo de receber na criação é constante; o desejo do Criador de dar também é constante. A sensação do Criador dentro da criação é chamada de “prazer”. Mas, como a criação, além da manifestação do Criador nela como prazer, também sente a “personalidade” do Criador (Sua essência, o que Ele é, o doador), então a criação começa a se relacionar não apenas com o prazer, mas também com o próprio Criador, com o doador.

Assim, a atitude em relação ao prazer é o desejo de receber. Quero receber prazer de Ti, de Te ver. É como um homem que ama uma mulher e se deleita em contemplá-la. Quanto à atitude em relação à essência do Criador, o doador, surgem dois movimentos no desejo de receber: ou usar o doador para o propósito de desfrutar (não simplesmente desfrutar, mas desfrutar da própria relação com o Criador: quero desfrutar de Ti) ou desejar agradá-Lo. Portanto, há um desejo e há uma intenção, seja para si mesmo ou para o bem do Criador.

Assim, todas as relações entre a criação e o Criador se resumem à intenção da criação, ao seu propósito. Se a criação tem a intenção de se beneficiar, mas é subitamente impelida por algum impulso a buscar essa intenção com o objetivo de dar ao Criador, isto é, de receber e desfrutar, mas por amor a Ele, então a criação exige — novamente do Criador — a oportunidade de fazê-lo. Sua exigência é sempre dirigida ao Criador: seja uma exigência de prazer, seja uma exigência quanto à natureza do uso desse prazer.

Tudo o que uma pessoa recebe do Criador é chamado de luz (Ohr) ou Torá. Segue-se que, nessa luz, na revelação do Criador às criaturas, encontramos duas manifestações principais. O Criador revela-se como aquele que doa o poder de mudar, de corrigir a intenção, ou revela-se como prazer. Portanto, existe a Torá, a luz que retorna à fonte, e existe a Torá, os nomes do Criador, as revelações de luzes nos Kelim corrigidos com a intenção de dar.

Das Lições Diárias de Cabalá, 18/ e 19/01/26, Rabash, “O que são Torá e Trabalho no Caminho do Criador?”

Por Que São Necessários Tantos Mundos?

630.2Pergunta: Por que são necessários tantos mundos?

Resposta: Os mundos espirituais são necessários para ascender ao nível do Criador. O fato é que a luz do Criador começou a influenciar o desejo que Ele criou, e esse desejo se desenvolveu continuamente sob sua influência até atingir o 125º grau chamado nosso mundo. Nesse ponto, o desejo geral se fragmentou e se quebrou.

Agora, reunindo e remontando gradualmente tudo isso, devemos ascender do nosso mundo de volta através de 125 graus até o nível do Criador.

Pergunta: Em nosso mundo corpóreo, tudo está dividido em muitos objetos pequenos, como um favo de mel. Vemos o mundo dividido em natureza inanimada, vegetal, animada e humana. Mas na espiritualidade, todos os fenômenos ocorrem dentro de um único corpo. Como devemos entender isso?

Resposta: Na espiritualidade, tudo acontece dentro de um único desejo comum. Nele, muitas inclinações, direções e qualidades opostas são unidas por uma tela comum. Eu reúno todos os prós e contras como se estivessem em um único saco, amarro-o e quero usá-lo para trazer contentamento ao Criador. Como resultado, ao trazer contentamento a Ele, recebo contentamento para mim mesmo.

Da Lição de Cabalá em Russo 25/02/18