A Relação Entre O Anfitrião E O Convidado
Pergunta: Em que consiste a oferta ao Criador? Afinal, o Criador, em essência, não precisa de nenhuma oferta de nossa parte.
Resposta: Tomemos o exemplo do convidado e do anfitrião, escolhido provavelmente por Baal HaSulam por descrever todas as nuances da relação. Por um lado, parece que o anfitrião não precisa de nada do convidado, mas, por outro lado, por que Ele, mesmo assim, faz o convidado ter consciência de Sua existência?
Ele poderia receber prazer do convidado sem se revelar. Será que uma mãe em nosso mundo tem a intenção de se revelar ao filho quando lhe dá algo? Não, essa é simplesmente a natureza do seu desejo de receber. Ela desfruta mesmo que o filho não lhe dê nada em troca.
Assim, da perspectiva do desejo de receber, o anfitrião não é obrigado a se revelar ao convidado; o desejo de receber já contém a satisfação do ato de dar. Portanto, o desejo de se revelar ao convidado deriva do desejo de doar; por meio da revelação do Anfitrião, o convidado pode alcançar um grau superior ao de um mero receptor.
Vemos que Bina não precisa de nenhuma retribuição de Malchut além de receber MAN, segundo a qual ela passa MAD de Aba para Malchut, e nada mais. Por quê? ZAT de Bina é o desejo de receber, portanto ela não precisa de nenhuma resposta de Malchut, que simplesmente recebe sem qualquer restrição.
Mas quando Bina se revela a Malchut, ela não revela sua essência, mas sim suas GAR, o desejo de doar que recebeu de Keter, e deseja se assemelhar a ele porque Keter é o doador.
Aqui reside uma espécie de paradoxo. Se o desejo de receber funciona em função da doação, então não necessita de nenhuma resposta para seu próprio benefício. O desejo da mãe (Ima) de receber é satisfeito; ela se satisfaz ao receber do pai (Aba) e transmitir adiante. Seu AHP está pleno, e ela o desfruta — basta pedir de baixo, e isso é suficiente.
Disso depreende-se que, mesmo que o Criador desejasse receber, Ele não teria necessidade alguma de Se revelar ao ser criado, apenas de dar e desfrutar do ato de doar. Somente a necessidade de elevar o ser criado ao Seu nível obriga o Criador a Se revelar, não por um desejo de receber, mas por um verdadeiro desejo de doar, a fim de edificar os Kelim dentro do ser criado, que anseia alcançar o Seu nível.
Portanto, quando o ser criado começa a sentir o anfitrião, também percebe o Seu status. O anfitrião não está simplesmente dando algo a ele, pois quem dá deseja receber prazer disso, o que nos parece justificado. Mas quando o anfitrião se revela perfeito, revelando ao ser criado a sua própria imperfeição em comparação, o ser criado adquire verdadeiramente uma deficiência (Hisaron).
Agora vemos que receber prazer do anfitrião, dentro do desejo de receber, é necessário apenas para manter a conexão, enquanto todo o resto se baseia unicamente no desejo não realizado (Hisaron) do ser criado de ser como o anfitrião. Portanto, cada vez que nos aprofundamos na obra, em sua importância, em qualquer relacionamento com o Criador, devemos nos relacionar com Ele não como o doador (“Vá ao Mestre que me fez”), mas como um modelo para o meu Hisaron, como aquele a quem devo me assemelhar.
Devo me esforçar pelas mesmas qualidades, as mesmas propriedades, as mesmas aspirações que Ele tem. E isso é chamado de “as nove primeiras Sefirot” (Tet Rishonot). O restante do relacionamento é construído na interação entre o receptor e o doador, entre o Criador e o ser criado.
Da Lição Diária de Cabalá de 28/03/26, Rabash, “O que significa, se ele engolir a erva amarga, não sairá, na obra?”